Makukula Kuyangana mostrou velocidade e poder de drible no Leixões, no V. Setúbal e no Chaves, mas sobretudo deu um internacional ao futebol português: o seu filho Ariza Makukula.
2016-04-17

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1988

Chegou a Portugal para jogar no Leixões, a abrir caminho a uma segunda leva de futebolistas congoleses – na altura eram zairenses –, que aproveitaram o sucesso da aposta do V. Guimarães em N’Dinga ou Basaula, poucos anos antes. Makukula Kuyangana soube explorar este filão, até por ter já alguma experiência no futebol belga e francês. E deixou raízes em Portugal. Não só por se ter imposto como jogador de I Divisão no Leixões, no V. Setúbal e no Chaves, como também por ter visto o filho, Ariza, adotar a nacionalidade portuguesa, jogar quatro vezes pela seleção nacional e chegar ao Benfica.

Ariza Makukula nasceu em Kinshasa, tinha o pai apenas 14 anos. Mas a vida tinha levado o mais velho do clã a pegar na família e a abandonar o país, para tentar a sorte no mais bem pago futebol belga. Não se impôs, contudo. Chegou ao Seraing, dali saiu para as divisões secundárias de França, onde jogou entre a segunda e a terceira divisão, no Touquet e no Amiens. Não tinha um grande cartão de visita, portanto, quando chegou para integrar a equipa do Leixões, no verão de 1988. Teve de esperar a sua vez, mas quando António Morais o estreou, a 2 de Outubro, numa vitória em casa frente ao Ac. Viseu, depressa se tornou escolha firme. Jogava na esquerda do ataque e tinha pouco a ver com aquilo que o filho veio a mostrar, pois fazia da velocidade e do drible as suas principais armas. Marcava golos, também – o primeiro deu uma vitória ao Leixões sobre o Farense, a 16 de Outubro –, mas a prioridade era dá-los aos companheiros.

Apesar dos quatro golos do extremo congolês, o Leixões acabou por descer de divisão. Makukula rumou a sul e assinou pelo V. Setúbal, onde conheceu os melhores anos da sua carreira. Em 1989/90 marcou seis golos no sétimo lugar do Vitória de Manuel Fernandes no campeonato: um na estreia, contra o Sp. Braga, e dois em jogos seguidos, em Janeiro, contra o Sporting (1-1 no Bonfim) e o Benfica (1-2, dias antes de contribuir para a vitória sobre os encarnados na Taça de Portugal, pelo mesmo resultado). Foi mais infeliz na temporada seguinte, pois entre a direção de José Romão e Quinito o Vitória acabou por descer de divisão. Makukula ainda marcou cinco golos, todos em Abril, obtendo dois bis, face ao Gil Vicente e ao Marítimo. A ponta final de época de grande qualidade até podia ter sido um bom augúrio, mas não foi assim: pouco utilizado na II Divisão de Honra, que o Vitória terminou em quinto lugar, acabou por sair do clube.

Makukula seguiu então para Trás-os-Montes, onde representou o Chaves. Tornou-se referência da equipa de Henrique Calisto, pela qual voltou a marcar na estreia – empate a uma bola com o Sp. Espinho, a 1 de Novembro de 1992 – e a não evitar a descida de divisão, desta vez no 18º e último lugar da Liga. Makukula marcou o último golo na Liga a 7 de Março de 1993, numa derrota por 2-1 frente ao Tirsense. A 16 de Maio, frente ao FC Porto, em Chaves, viu o seu único cartão vermelho na Liga portuguesa, exibido por Marques da Silva a 12 minutos do fim do jogo, quando flavienses e portistas estavam ainda empatados a um golo – no fim o FC Porto ganhou por 2-1 e o Chaves teve a confirmação matemática da despromoção, a três jornadas do fim. Makukula despedir-se-ia da I Divisão a 6 de Junho, entrando a meia-hora do fim de um empate caseiro com o Beira Mar (0-0) antes de seguir para o Lusitânia de Lourosa, da II Divisão B, onde encerrou a carreira.