Foram só três anos ao mais alto nível, como titular da defesa do Belenenses, mas valeram a Rocha a chamada à seleção nacional. Despediu-se um jogo antes da tragédia azul de 1955.
2016-04-15

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1952

Passou como um cometa pela defesa do Belenenses, no início da década de 50. Titular aos 24 anos, chegou à seleção com 25 e desapareceu de circulação aos 28. A regularidade com que foi jogando naqueles três campeonatos que se sucederam ao desmantelamento das famosas “Torres de Belém” ainda lhe permitiu superar a marca da centena de partidas na I Divisão, mas o defesa acabou por regressar à Trafaria sem um troféu coletivo para mostrar.

Rocha chegou ao Belenenses pouco depois da conquista do campeonato nacional de 1946. Para um clube que estava habituado à envergadura física de Capela, Serafim, Feliciano e Vasco, as “Torres de Belém”, apresentava uma desvantagem: parecia até baixote. Acabou, ainda assim, por se impor, depois de um arranque tímido. A estreia fê-la a 6 de Abril de 1949, lançado por Artur Quaresma em Guimarães, contra o Vitória, devido a indisponibilidade de Serafim. O Belenenses perdeu por 2-1, mas Rocha ainda voltou para mais um jogo antes do fim do campeonato: alinhou contra o Olhanense, mas mais à frente no campo, posição que viria a ocupar com alguma frequência na segunda temporada no plantel e que até lhe valeu um golo, a 6 de Novembro de 1949, numa vitória por 2-1 contra O Elvas. Seria o único da sua carreira com a camisola do Belenenses, porque acabou por voltar a jogar como defesa-direito, sendo aí que se fixou como titular, no início da época de 1951/52: Fernando Vaz ainda começou o campeonato com Figueiredo, que jogou na vitória por 4-3 frente ao Sporting, mas a 30 de Setembro de 1951 já foi Rocha quem entrou no onze que haveria de vencer o Estoril (3-2).

O defesa da Trafaria começou ali um período de mais de três anos sem falhar um único jogo do Belenenses no campeonato. Só voltou a ficar de fora em Outubro de 1954, e por castigo, depois de ter sido expulso por Jaime Pires num dérbi com o Atlético: os alcantarenses estavam a ganhar por 2-1 quando, a 20 minutos do fim, Tito reduziu; um minuto depois, o árbitro assinalou um penalti contra o Belenenses, por mão de Raul Figueiredo; Castiglia chutou para fora e, nos festejos, Rocha ter-se-á excedido nas palavras dirigidas ao árbitro, que o mandou recolher aos balneários. Mesmo sem ele, o Belenenses ainda empatou, com um golo de Matateu, mas a verdade é que, por castigo, Rocha falhou a 10 de Outubro a derrota (1-2) em casa com o V. Setúbal. Punha assim fim a uma série de 81 jogos seguidos na Liga como titular na defesa do Belenenses, durante a qual os azuis conquistaram dois quartos e um terceiro lugares. Pelo caminho, Rocha chegou mesmo a jogar pela seleção nacional, chamado por Cândido de Oliveira para um particular com a Argentina, no Estádio Nacional, a 14 de Dezembro de 1952: começou como suplente mas antes do fim da primeira parte entrou para o lugar do sportinguista Manuel Passos, somando nessa tarde a sua única partida pela seleção A.

Depois da tal expulsão, contra o Atlético, Rocha ainda voltou a assumir a titularidade na defesa belenense entre Outubro e Dezembro de 1954, mas acabou por ver-se ultrapassado depois do Natal. Despediu-se do campeonato a 17 de Abril de 1955, dias depois de ter feito 28 anos, numa vitória em Braga por 3-2, deixando ainda o Belenenses no topo da classificação. Já não foi escalado por Fernando Riera para o jogo seguinte, o da fatídica última jornada, em que os azuis empataram a duas bolas com o Sporting em casa, vendo escapar no último minuto, com um golo de Martins, o título de campeão nacional. O segundo lugar foi, ainda assim, a sua melhor classificação em sete épocas a jogar pelo Belenenses.