Passou por Portugal como um furacão, acumulando três épocas no Belenenses e duas no FC Porto, com título de bicampeão, antes de sair para Inglaterra. Robson queria-o no Barcelona, mas nunca chegou tão alto.
2016-04-12

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1990

Ficou conhecido em Portugal como o “Furacão” e isso devia-se ao seu futebol possante, que levava tudo à frente e não parava ante nenhum obstáculo a meio-campo, mas também podia dever-se à passagem efémera que teve na I Divisão. Dois anos no Belenenses chamaram a atenção do FC Porto, onde se mostrou à Europa e também não ficou mais do que duas épocas. Tentado pelo dinheiro de Inglaterra, só mais tarde, em Espanha, foi tão feliz como nos relvados lusitanos, alinhando por boas equipas, como o Deportivo da Corunha ou o Atlético Madrid. Acabou aos 36 anos, no Madureira, da Série C do Brasileirão, depois de um período de menor visibilidade na Grécia e no Chipre e de uma também curta passagem pelo futebol brasileiro de topo.

Carioca de Queirmados, Emerson cresceu na vizinha Japeri e começou a jogar no Flamengo. Não conseguiu impor-se na passagem a sénior e acabou cedido ao Coritiba, que vivia época conturbada, com a descida à Série C do Brasileirão. A meio do ano surgiu a possibilidade de emigrar para Portugal e representar o Belenenses, onde o treinador era o brasileiro Moisés de Andrade, e Emerson nem hesitou. Chegou a Lisboa, mas só com a troca de Moisés de Andrade por Abel Braga começou a mostrar todo o seu futebol, acabando por tornar-se, juntamente com o compatriota Luiz Gustavo e o argentino Mauro Airez, uma das armas na subida do Belenenses à I Divisão. Emerson estreou-se no campeonato principal a 22 de Agosto de 1992, formando o meio-campo do Belenenses com Taira numa derrota frente ao Boavista, no Bessa (1-0). Tinha apenas 20 anos e muito tempo para se mostrar, mas logo à segunda jornada, num empate a zero com o FC Porto no Restelo que foi transmitido pela TV, os portugueses puderam apreciar o vigor deste jovem médio brasileiro. Os 16 cartões amarelos que viu nesse primeiro campeonato são disso prova evidente.

Falhando apenas duas partidas na campanha que levou o Belenenses ao sétimo lugar final – e marcando um golo, na derrota por 5-1 com o Benfica na Luz com a qual a equipa fechou a Liga, a 6 de Junho de 1993 – Emerson já entrou no segundo campeonato com o foco dos observadores em cima dele. E com um problema adicional: a Liga passou a castigar os jogadores pela repetição dos cartões amarelos. E Emerson, já se sabe, pelo seu jeito de levar tudo à frente, era cliente regular dos árbitros. A saída de Abel Braga, em meados de Outubro, também não o ajudou muito. Mesmo assim, fez uma bela temporada, garantindo no final a transferência para o FC Porto, onde Bobby Robson o queria a todo o custo. Estreou-se oficialmente com a nova camisola a ganhar um título: o referente à Supertaça da época anterior, para cuja finalíssima não houvera datas. Num jogo em Coimbra, a 17 de Agosto de 1994, o FC Porto acabou com nove, fruto das expulsões de Aloísio e Rui Barros já no prolongamento, mas mesmo sofrendo o golo do empate ao minuto 118, acabou por ganhar nas grandes penalidades (4-3). A primeira época nas Antas, aliás, foi repleta de novas sensações para Emerson. Estreou-se nas provas europeias em Setembro, com uma vitória em casa (2-0) sobre o Lodz, da Polónia; foi campeão nacional, com cinco golos na competição; e ainda ganhou mais uma Supertaça, desta vez a referente à época em curso, jogando na vitória sobre o Benfica em Paris (1-0), a 20 de Junho de 1995.

Essa foi a última Supertaça ganha por Emerson em Portugal. Na abertura da temporada de 1995/96, com Robson em Inglaterra por causa de problemas de saúde e Augusto Inácio a dirigir a equipa, viu dois amarelos em apenas 15 minutos na primeira mão da Supertaça, que o Sporting haveria de vencer em três partidas, de novo com finalíssima em Paris. Emerson marcou menos no campeonato, mas até fez um bis na Liga dos Campeões, garantindo em nome próprio um empate a duas bolas com o Aalborg, na Dinamarca. A época saldou-se com novo título nacional (o segundo do penta) e nova eliminação da Taça de Portugal nas meias-finais. Emerson fez o último do seus 10 golos na Liga portuguesa a 14 de Abril, numa vitória por 2-0 contra o Salgueiros, em casa, e despediu-se da prova numa partida entre as duas equipas que representou em Portugal: a 12 de Maio de 1996, saiu a 20 minutos do fim de um FC Porto-Belenenses que os dragões ganharam por 1-0 para dar lugar a João Pinto. Dias depois era transferido para o Middlesbrough, por quatro milhões de libras, ao que veio depois a saber-se contra a vontade de Bobby Robson, que gostaria de levá-lo com ele para o FC Barcelona.

Mesmo com uma grande época em Inglaterra, Emerson não conseguiu ajudar a impedir a descida de divisão do Boro, equipa liderada por Bryan Robson, onde figuravam estrelas como Ravanelli, Branco ou Juninho. Teve ainda assim a possibilidade de viver a experiência única que é jogar uma final da Taça de Inglaterra: usou a camisola 6 na derrota por 2-0 contra o Chelsea, em Wembley, a 17 de Maio de 1997. Por essa altura já se dizia que Emerson andava com a cabeça na Lua, fruto dos rumores que o davam como alvo do interesse do Barcelona. Sucede que Bobby Robson não durou mais de uma época no Camp Nou, para o lugar do inglês chegou van Gaal, que tinha as suas próprias prioridades. E, depois de começar a temporada no segundo escalão inglês, Emerson até teve a hipótese de assinar pelo Benfica – era trunfo eleitoral de Abílio Rodrigues, que acabou por não ganhar as eleições do clube –, acabando por se mudar para Espanha, sim, mas para o Tenerife. Chegou à ilha em Janeiro de 1998 e ainda foi muito útil na luta para fugir à despromoção. Já não o conseguiu em 1998/99. O Tenerife desceu mesmo e o brasileiro passou um ano a amargar na II Liga espanhola, antes de chegar ao Deportivo da Corunha. Na Galiza, ao lado de Hélder e Pauleta, voltou a jogar a Liga dos Campeões – a equipa de Irureta chegou aos quartos-de-final – e a lutar pelas posições cimeiras no campeonato – acabou a Liga em segundo lugar, apenas atrás do Barcelona. Não participou em nenhuma das partidas que valeram a conquista da Supertaça, contra o Espanyol, nem na final da Taça do Rei de 2001/02, ganha face ao Real Madrid, mas ainda somou este título ao seu palmarés, pois entrara na caminhada que levou à decisão.

Menos utilizado na segunda temporada, acabou por assinar pelo Atlético Madrid, que acabara de regressar à Liga, tendo ganho o segundo escalão. Aos 30 anos, Emerson já não era o jogador pujante que enchia os campos nas partidas mais competitivas. Ainda fez uma época cheia no Atlético de Luis Aragonés, passando depois pela Escócia – um ano no Glasgow Rangers – e pelo Brasil – seis meses no Vasco da Gama – antes de enveredar pelo menos competitivo futebol grego. Fernando Santos, que o viu no Xanthi, ainda o recuperou para o seu AEK que acabou duas vezes a Liga grega em segundo lugar. Com a saída do treinador português para a seleção, o brasileiro ainda jogou em Chipre e encerrou a carreira no Brasil, ao serviço do Madureira, do terceiro escalão. Atualmente, depois de ter tentado ser treinador no Queimados, o clube da sua zona natal, joga showbol, um campeonato de seis para seis em relvado sintético que tem aproximadamente metade de um campo de futebol, com a camisola do Flamengo.