Extremo veloz, só consguiu alguma estabilidade na carreira nos três anos que passou em Leiria, em meados da década de 90. Ao todo, jogou em 17 clubes.
2016-04-07

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1991

Se não houver expressão portuguesa para “globetrotter”, bem podia ser inventada uma: Fua. O extremo angolano que cresceu nos juniores do Boavista e chegou a prometer muito na época de estreia na I Divisão, feita pelo Torreense, só conseguiu fixar-se por mais de um ano na U. Leiria de Vítor Manuel. De resto, vestiu 17 camisolas entre a primeira época de sénior, no Estarreja, da II Divisão, e a última de que há registo, no Ferreiras, do distrital de Faro. Ainda assim, este jogador veloz e irrequieto ainda é dos que pode gabar-se de ter feito mais de 100 jogos no escalão maior do futebol nacional. Não é para todos.

Formado no Sport Club da Cruz, em Paranhos, no Porto, Fua destacou-se e chegou ao Boavista no último ano de júnior. Não passou no crivo que conduzia os melhores da formação ao plantel principal, pelo que começou o tirocínio no futebol adulto pela II Divisão, a representar o Estarreja, na Zona Centro. Teve de baixar ao terceiro escalão, jogando um ano na Ovarense e outro no Leça, antes de entrar na recém-criada II Divisão de Honra com a camisola do Maia. Ali, apesar do modesto 17º lugar, que não chegou para a manutenção, fez quatro golos e foi um dos jogadores recrutados por Manuel Cajuda para o Torreense, que acabara de subir ao escalão principal. A 18 de Agosto de 1991 estreou-se na I Divisão, alinhando como extremo-direito no empate que o Torreense foi buscar à Mata Real, no confronto com o Paços de Ferreira (1-1). Saiu a dez minutos do fim, quando Cajuda decidiu segurar o resultado, fazendo entrar Margaça. A época de estreia deu-lhe para fazer dois golos, o primeiro dos quais a 5 de Janeiro de 1992, num empate em casa frente ao Marítimo (2-2). Fez mais outro, nos 8-1 com que o Torreense venceu o Estoril, mas nem esse resultado serviu à equipa saloia para se manter entre os grandes.

Fua passou então pela Académica, fazendo uma excelente temporada na II Divisão de Honra: sete golos foram mantendo os estudantes nos lugares de subida, que só abandonaram à penúltima jornada, quando empataram em casa com o Aves. Na última ronda, na derrota contra o Benfica de Castelo Branco, que até foi o último classificado do escalão, o angolano fez-se expulsar ainda na primeira parte. Mesmo assim, no Bessa, lembraram-se dele. Aos 24 anos, regressou a casa para integrar o plantel às ordens de Manuel José. Não jogou muito – apenas cinco presenças em todo o campeonato – mas teve direito à estreia europeia: a 28 de Setembro de 1993, entrou ainda na primeira parte a substituir Rui Pedro na partida caseira com o Union Luxembourg, na segunda mão da primeira eliminatória da Taça UEFA, que os axadrezados ganharam por 4-0. Ainda esteve nas duas vitórias contra o OFI Creta, mas no final da época tinha o guia de marcha pronto. Seguiu para Leiria, onde viveu, com Vítor Manuel os melhores anos da carreira. Fez três temporadas acima dos 20 jogos no campeonato, marcando três golos, entre eles o que deu à U. Leiria um empate com o Benfica na Luz, a 19 de Fevereiro de 1995.

A despedida da I Divisão, Fua fê-la cedo, aos 28 anos. A 18 de Maio de 1997 fez o seu último golo na prova, num empate a duas bolas com o Sp. Espinho, em casa, já era Quinito o treinador dos leirienses. Duas semanas depois, com a derrota em Faro (4-0 do Farense), a U. Leiria via confirmada a despromoção e, a 15 de Junho, com uma derrota nos Barreiros contra o Marítimo (2-0), Fua saía de cena, chegando mesmo assim aos 104 jogos na competição. Começou aí a lutar contra o fim de carreira a uma velocidade acelerada: ainda fez um ano a meio da tabela da II Liga, no Moreirense, de onde seguiu com Filipe Moreira para o Machico, da II Divisão B. Arriscou uma experiência no futebol inglês, no Oxford Utd., do terceiro escalão, mas não ficou e acabou por regressar a Portugal para alinhar na III Divisão, no Esperança de Lagos, onde o treinador era o seu amigo Décio Barroso. Como ainda mostrou utilidade a ajudar a equipa algarvia a cair no distrital, voltou a subir um escalão, assinando pelo Sp. Pombal, da II Divisão B. Mas foi sol de pouca dura: Fua encerrou a carreira a jogar em equipas da III Divisão, como o Pedras Rubras e o Macedo de Cavaleiros, e do distrital de Faro, como o Juventude Monchiquense e o Ferreiras. Acabou por ficar a viver no Algarve, onde joga o seu filho Micael. Fua – é esse o nome de guerra do mais novo do clã – já andou pelo Campeonato Nacional de Seniores, no Vitória de Sernache e  no Atlético de Reguengos, mas joga atualmente no Armacenenses, de Armação de Pera, equipa que lidera o regional de Faro.