Tinha uma especial tendência para marcar nas primeiras jornadas, quando o sol ainda queimava em Portugal. O rápido avançado carioca fez as alegrias de Estoril e Belenenses, sempre ao lado de António Medeiros.
2016-03-31

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1972

Durante quatro temporadas, foi o jogador-fétiche de António Medeiros, um dos treinadores mais em foco na época “rock-and-roll” do futebol português. Clésio era um avançado carioca que não dava mole, e só por isso se manteve em forma bem para lá dos 30 anos, ainda fazendo uma carreira apreciável no futebol português, onde já chegou aos 25. Estoril e Belenenses aproveitaram-se disso, ainda que ele tenha entrado na Europa pela porta do Atlético e depois tenha acabado a jogar na Zona Centro da II Divisão.

Aos inícios de Clésio é praticamente impossível chegar. Sabe-se que chegou a Portugal no Outono de 1972, para jogar no Atlético de Ted Smith, que não tinha conseguido mais do que dois empates nas seis primeiras jornadas, marcando apenas quatro golos. Estreou-se a 22 de Outubro de 1972, lançado como titular numa derrota caseira com o Barreirense (1-3), só falhando uma partida até final da época. Marcou ao FC Porto nas Antas (o seu primeiro golo em Portugal, numa derrota por 5-1, a 12 de Novembro de 1972) e ao Sporting na Tapadinha (vitória do Atlético por 1-0), mas nem assim chamou a atenção dos clubes que iam disputar a I Divisão em 1973/73. Ajudou o Atlético a regressar ao convívio dos grandes, através da Liguilha, mas ficou mais uma época no segundo escalão, a jogar pelo Estoril de Jimmy Hagan. A segunda subida de divisão consecutiva – e desta vez com título de campeão nacional da II Divisão, fruto da vitória sobre o Sp. Braga, por 1-0, na final –, porém, já não deixou que Clésio jogasse a não ser no principal campeonato.

A jogar na direita do ataque a três montado por António Medeiros, que contava com Cepeda do outro lado e Norberto um pouco mais recuado, ao meio, Clésio contribuiu de forma decisiva para a excelente temporada do Estoril no regresso à I Divisão. Fez dois golos logo na primeira jornada – uma vitória por 2-0 sobre o Farense, no António Coimbra da Mota, e juntou-lhes mais nove ao longo do campeonato e um na Taça de Portugal, o que lhe permitiu ser o melhor marcador de uma equipa que, a espaços, contou com os ex-magriços José Torres e Simões. Entre os golos de Clésio contaram-se um na Tapadinha, a abrir o ativo numa vitória sobre o Atlético (2-0) e outro ao Sporting, em novo sucesso caseiro com esse golo solitário. A segunda época de canarinho na I Divisão já não foi tão forte, mesmo tendo em conta que Clésio a começou com o seu primeiro hat-trick: fez os três golos nos 3-1 ao Boavista, logo na primeira jornada. Os oito golos no campeonato – entre eles um que deu um empate a uma bola com o Benfica, em Setembro – voltaram a valer ao avançado carioca o título de melhor marcador da equipa, mas nem por ter passado para o centro do ataque se deu melhor numa equipa que já viveu alguma instabilidade após a demissão de Medeiros, após uma derrota em casa com o Académico, em Janeiro.

Depois do Verão, Medeiros tomou conta do Belenenses e com ele levou vários jogadores que já tinha orientado no Estoril: Rui Paulino, Carlos Pereira, Eurico Caires, Norton de Matos e, claro, Clésio. Cepeda só se lhes juntaria um ano mais tarde, em 1978. De azul, Clésio voltou a protagonizar um arranque forte, marcando nas duas primeiras partidas em casa, as vitórias contra Portimonense (2-0) e Académico (2-0). De volta à direita do ataque, só marcaria mais quatro golos até final da época – um deles na Taça de Portugal –, o que mesmo assim lhe chegou para partilhar com Amaral a distinção de ser melhor marcador no quinto lugar final do Belenenses. O problema é que as segundas épocas de Medeiros nunca eram tão fortes como as primeiras e, em 1978/79, mesmo mantendo a tradição de marcar na primeira jornada – desta vez nos 4-0 em casa ao Beira Mar – Clésio voltou a não passar dos cinco golos e o Belenenses ficou-se pela oitava posição. António Medeiros voltou a sair antes do fim da temporada, demitido após uma derrota por 5-1 em Alvalade, com o Sporting. E como o seu guru não tinha clube à entrada da nova época, Clésio acabou por se comprometer com a U. Leiria, que acabara de subir à I Divisão.

Aos 32 anos, o brasileiro estava a começar aquela que viria a ser a sua última temporada entre os grandes. Voltou a marcar nas duas primeiras jornadas – na Póvoa ao Varzim e, de livre, num 3-1 em casa ao Boavista que foi a primeira vitória da história da U. Leiria na I Divisão – fez ainda um golo ao Belenenses no Restelo e despediu-se das lides de goleador com um bis num 2-1 ao Sp. Espinho, num 2-1 em Leiria, a 10 de Fevereiro de 1980. Até final da época, só foi titular mais quatro vezes, sendo o seu último jogo a derrota com o Sporting em Alvalade (0-3), a 1 de Junho de 1980, numa tarde em que os leões celebraram o título nacional e os leirienses caíram para a II Divisão, fruto de um 13º lugar que os deixava a dois pontos da salvação. Clésio jogou ainda mais três anos em Portugal, mas sempre na II Divisão. E em dois deles (Torreense em 1980/81 e Nazarenos em 1982/83) viu as suas equipas serem despromovidas. Aos 36 anos, tanto quanto se sabe, pendurou as chuteiras e voltou ao Brasil.