O mais novo de dois irmãos futebolistas, José Lopes representou sempre o Carcavelinhos e o Atlético, clube que nasceu da fusão do seu clube com o U. Lisboa. Jogou duas finais da Taça de Portugal e foi duas vezes campeão da II Divisão.
2016-03-28

1 de 5
1943

José, o mais novo dos irmãos Lopes que andaram pelo futebol nacional nas décadas de 30 e 40, apareceu no Carcavelinhos quando Francisco já via o espaço reduzido no Sporting devido à chegada de Cruz. Na época seguinte já estavam os dois a jogar lado a lado na coletividade de Alcântara que, meia dúzia de anos mais tarde, daria lugar ao Atlético. José Lopes dedicou toda a carreira de década e meia a estas duas camisolas de um clube só, vindo a alinhar mais de 100 vezes no campeonato nacional, a ser duas vezes campeão da II Divisão e a jogar a última final da Taça de Portugal antes de esta começar a disputar-se no Estádio Nacional, perdida para o Sporting em 1946.

Dois anos mais novo que o irmão Francisco, o jovem José cresceu a admirá-lo, quando ele tentava impor-se como extremo-esquerdo na equipa do Sporting. Quando, aos 19 anos, José chegou ao “primeiro team” do Carcavelinhos, contudo, já Francisco começara a desaparecer das escolhas de Joseph Szabó nos leões, de forma que os dois não chegaram a defrontar-se nem no campeonato de Lisboa de finais de 1937 – que o Sporting ganhou e o Carcavelinhos acabou em quarto lugar – nem na Liga que se seguiu – ganha pelo Benfica e igualmente com quarta posição para o Carcavelinhos. José Lopes fez o primeiro jogo na Liga a 16 de Janeiro de 1938, uma derrota em casa contra o FC Porto por 1-0, mas seria no Campeonato de Portugal que se seguiu que viria a mostrar qualidades: alinhando como extremo ou interior direito, ainda fez golos ao Académico do Porto e à Académica de Coimbra na rota que conduziu os lisboetas aos quartos-de-final.

No final da temporada, sem espaço no Sporting, Francisco juntou-se ao irmão no Carcavelinhos, mas nem assim a equipa de Alcântara conseguiu no campeonato de Lisboa o apuramento para a Liga nacional: perdeu a quarta vaga lisboeta para o Casa Pia e acabou a jogar a II Liga. Isso valeu-lhe, ainda assim, o título de campeão nacional do segundo escalão, com os dois manos Lopes a jogarem a final contra o Sp. Covilhã, que os alcantarenses ganharam por 1-0. E em 1939/40, depois de mais um quarto lugar no campeonato de Lisboa, o Carcavelinhos voltou à I Divisão nacional. José Lopes baixou para o meio-campo, mas foi a jogar como extremo-esquerdo, na única partida que o irmão não fez nesse campeonato, que marcou os seus primeiros golos na competição, a 7 de Abril de 1940, bisando num empate a duas bolas contra a Académica, em Coimbra.

A história do Carcavelinhos era um pouco feita de presenças e ausências. Outra vez na II Liga em 1940/41, regressou ao campeonato principal no ano do desaparecimento do clube, antes da fusão com o União de Lisboa, que em Setembro de 1942 deu lugar ao Atlético. José Lopes fez mais dois golos nessa Liga, ambos de grande penalidade, nos empates com o FC Porto e o Barreirense. E depois de estar no primeiro jogo da história do Atlético – uma derrota por 5-1 contra o Benfica, a contar para o campeonato de Lisboa, a 11 de Outubro de 1942 – e de passar mais uma temporada na II Divisão, regressou ao escalão principal em 1943/44, alinhando em todas as partidas que conduziram a um extraordinário terceiro lugar, apenas atrás de Sporting e Benfica. Lopes fez mesmo mais dois golos, ambos de penalti, e mais uma vez nas vitórias frente à Académica (2-1 e 8-0), cada vez mais o seu adversário predileto.

Esta equipa do Atlético, treinada por Severiano Correia, não era para brincadeiras, mas mesmo assim não conseguiu o acesso ao campeonato de 1944/45, pois acabou o campeonato de Lisboa em quinto lugar, atrás dos três grandes da capital e do Estoril. Foi o que valeu a José Lopes para voltar a ser campeão da II Divisão, mais uma vez ao lado do irmão, agora com o emblema do Atlético e batendo na final a CUF, que ainda era de Lisboa, por 2-0. Com esse embalo, o Atlético foi terceiro no campeonato de Lisboa de 1945/46, ficando mesmo à frente do Benfica, regressando assim à I Divisão. Quintos classificados na Liga, com mais três golos de José Lopes, os alcantarenses fizeram história na Taça de Portugal, onde chegaram à final. A última decisão da competição antes da passagem para o recém-construído Estádio Nacional opôs, no Lumiar, o Sporting de Cândido de Oliveira, já com Peyroteo e Albano, ao Atlético de Cândido Tavares, onde pontificavam os irmãos Lopes e o goleador Gregório. Ganharam os leões por 4-2.

Foi a primeira vez que Lopes esteve tão perto de ganhar um troféu nacional. Montado o esquema de subidas e descidas na Liga, não mais se arriscou a ficar fora da I Divisão até pendurar as chuteiras. Já sem o irmão Francisco, José foi uma das figuras no sétimo lugar do Atlético treinado por Abrantes Mendes em 1946/47: só falhou uma jornada, a derrota com a Académica, estando por exemplo na vitória sobre o Benfica, e assinou mais quatro golos, contra O Elvas (dois), Famalicão e Estoril. Já esteve menos em jogo na sexta posição de 1947/48, mas depois foi uma das figuras na caminhada da equipa comandada pelo espanhol Pedro Areso até à final da Taça de Portugal de 1949: após ter feito três golos na décima posição dos alcantarenses na Liga, marcou mais dois na caminhada até ao Jamor, onde alinhou na derrota por 2-1contra o Benfica. Com Areso, o Atlético voltou a ser uma potência no futebol nacional, como se percebeu depois na terceira posição na Liga de 1949/50: na Tapadinha só passou o Benfica, que viria a ser campeão. José Lopes, porém, estava a chegar ao fim da carreira de futebolista. A 10 de Dezembro de 1950, ainda fez, de penalti, um dos golos na vitória do Atlético sobre o Boavista (5-0). Uma semana depois, a 17 de Dezembro, alinhou nos 3-1 ao Olhanense com que os alcantarenses abriram a segunda volta, ultrapassando o Benfica e subindo ao terceiro lugar da tabela. Foi o último dos seus 171 jogos no campeonato.