Artigo 

2015-12-12
A sorte de Fernando Santos ataca no Europeu 2016

A já proverbial sorte de Fernando Santos voltou a atacar no sorteio da fase final do Europeu de 2016, no qual a Portugal calhou o grupo mais acessível com que seria possível sonhar. É verdade que nas fases finais os portugueses até costumam dar-se melhor com os chamados “grupos da morte” do que com adversários fáceis, mas ter Islândia, Hungria e Áustria no caminho para os oitavos-de-final e ainda por cima com a noção de que até o terceiro classificado pode apurar-se não era admissível nem de encomenda. O pior mesmo pode vir depois, porque o vencedor do Grupo F apanhará logo com o segundo classificado do Grupo E, onde estão Bélgica e Itália.

A Áustria não é uma equipa fácil, é verdade. Não perdeu nenhum jogo na fase de qualificação, tendo ganho o Grupo G com nove vitórias e um empate apenas. Não perde um jogo competitivo desde Outubro de 2013, quando foi batida pela Suécia por 3-1, na qualificação para o Mundial do Brasil. Tem uma série de jogadores batidos na Bundesliga, construiu uma seleção competitiva em cima da geração semi-finalista do Mundial de sub20 em 2007, mas só esteve numa fase final neste século: a do Europeu de 2008, e na qualidade de país organizador. Compará-la com outras seleções que estavam no Pote 2, como a Itália ou até a Rússia, a Ucrânia ou a Croácia, permite perceber como Portugal teve sorte.

Também a Hungria regressa a uma fase final depois de décadas de ausência. Apurou-se ganhando os dois jogos do play-off à Noruega, mas era claramente a equipa mais fraca do Pote 3, muitos furoa abaixo da Rep. Checa, da Suécia ou da Polónia, por exemplo. Quanto à Islândia, um dos estreantes em fases finais, é verdade que ganhou à Holanda na qualificação, onde também ficou à frente da Turquia, e que está a crescer a olhos vistos no futebol europeu, muito graças ao investimento da federação em infra-estruturas que permitem às crianças jogar futebol durante todo o ano, mas além de já ter ficado esfusiante por entrar na fase final (perdeu os três jogos feitos desde que se qualificou), continua a ser uma seleção de terceira linha do futebol continental.

Conhece Finnbogasson, suplente do Olympiakos? E Sigurdsson, do Swansea? Ou Sigborsson, do Nantes, e Bjarnason, do Basel? E Priskin, avançado do Slovan Bratislava? Ou Nikolic, do Legia Varsóvia? Ou Lovrencsics, do Lech Poznan, e Nemeth, do Kansas City? Aproveite o Europeu, porque o mais provável é que, a não ser que a seleção nacional borre seriamente a pintura, não volte a ouvir falar muito deles.