Artigo 

2015-11-13
Os atentados de Paris e a minha doença por pessoas

Se não escrevi sobre o penalti de Arouca, não vos passa pela cabeça que seja porque nunca vejo os jogos em função das arbitragens. Para quem só sabe vir aqui descarregar frustrações e avalia os outros à luz das suas próprias faltas de carácter, é seguramente porque sou pago ou doente pelo Sporting.

Se depois defendi que o que Naldo fez a Lito Vidigal foi grave e deve ser punido, também não vos passa pela cabeça que seja porque entendo que o respeito pelo outro, sobretudo se for mais velho, está acima de qualquer ofensa que esse outro nos tenha feito. Para outros, tão diferentes na cor mas tão iguais na mentalidade, é porque sou pago ou doente pelo Benfica.

Se entretanto me manifestei desiludido com a falta de atuação da Liga acerca das constantes acusações que têm vindo a ser feitas um pouco por todo o lado, não vos passa pela cabeça que seja porque entendo que deve haver normas de conduta claras, para que todos saibamos quem está a infringir e quem está a agir bem. Para todos, os primeiros e os segundos, é porque sou contra os vouchers e a favor dos depósitos nas contas dos árbitros, ou a favor dos vouchers e contra os roupões, ou contra vouchers e roupões mas a favor das invasões de balneário. É portanto porque sou pago ou doente por todos os clubes, mas nunca pelo clube de quem se queixa.

Como, por fim, não escrevi sobre a Porta 18 ou sobre o gangue dos assaltos, não vos passa pela cabeça que seja porque isso não tem nada a ver com futebol. E como não encontram aqui textos acerca do Apito Dourado ou de Inocêncio Calabote, não vos ocorre que seja porque este site não existia à altura dos acontecimentos. É evidentemente porque sou pago ou doente por alguma coisa de que quem se queixa não gosta e o meu silêncio acerca disso está lá para o provar.

Hoje, estava a tentar escolher assunto para o Último Passe e a responder a alguns dos vossos comentários quando soube o que estava a acontecer em Paris. Há coisas tão mais importantes que o futebol... E sim, é verdade que não sou pago para tal, mas sou absolutamente doente por uma coisa: por pessoas.

Hoje, em respeito aos que caíram nos ignóbeis ataques de Paris, não há Último Passe.