Artigo 

2015-10-25
Sete ideias para antecipar o derbi
  1. Benfica e Sporting têm ambos muita coisa a perder neste dérbi. O Benfica está a cinco pontos de distância – mesmo com um jogo a menos – e é mais evidente aquilo que arrisca: se perde, passa a precisar de binóculos para ver os rivais na tabela. No Sporting até pode haver quem ache que uma eventual derrota não implicaria males de maior, pois tem vantagem na classificação e ainda terá a segunda volta para a retificar, mas é precisamente na capacidade para não perdoar nestes momentos que terá de residir a mudança de paradigma nos leões.
  2. O Benfica não tem muito a ganhar com o recuo de André Almeida para defesa-direito. É verdade que Sílvio não deu a melhor resposta em Istambul, mas Nelson Semedo já não era um portento em termos defensivos e a consistência do setor era muito mantida graças à experiência de Luisão, que continua por lá. André Almeida tem sido um bom par para Samaris e, visto que Rui Vitória tem apostado tão pouco em Pizzi, é a meio-campo que deve manter-se. Até porque a aposta na dupla Samaris-Fejsa não deu bom resultado na Supertaça. Na frente, é absolutamente impensável que venha a repetir-se a colocação de Jonas como primeiro avançado: ele será o responsável pela ligação ao ponta-de-lança, de forma a jogar mais perto de Gaitán, uma vez que a sociedade entre os dois é a melhor esperança do Benfica desequilibrar o jogo.
  3. O Sporting já abordou alguns jogos mais difíceis com apenas um avançado – quase sempre Gutièrrez – remetendo Slimani para o banco, mas se há uma coisa certa no jogo da Luz é que Jesus vai entrar com dois na frente e que o argelino estará no onze. É que a última coisa que o treinador do Sporting vai querer é que achem que entra com medo. O mais certo é que atrás de Slim e Téo apareça um meio-campo com William Carvalho e Adrien Silva – Aquilani só faz sentido a três ou em jogos mais fáceis – com João Mário a fugir da direita para o meio e Ruiz na esquerda. Se o costa-riquenho não passar no teste físico que fará antes do jogo, é mais certo que no onze apareça Carlos Mané do que Matheus ou Gelson.
  4. Jorge Jesus mudará pelo menos oito dos dez jogadores de campo que enfrentaram o Skenderbeu na quinta-feira. E o mais certo é mesmo que mude os dez: falta perceber se Esgaio e Ewerton podem manter-se ou se regressam João Pereira e Paulo Oliveira. Por isso, a questão da recuperação do esforço não se coloca entre os leões. O jogo do Benfica em Istambul acabou 22 horas antes, mas os encarnados ainda tiveram de viajar, chegaram tarde a Lisboa e vão repetir grande parte do onze que começou o jogo com o Galatasaray – provavelmente Rui Vitória só trocará Jiménez por Mitroglou. É o Benfica quem tem maior probabilidade de sequelas da semana europeia.
  5. O jogo deverá mostrar duas equipas a apostarem nos momentos em que são mais fortes. O Benfica no ataque posicional, mais em posse, com saída pelas faixas laterais e busca da profundidade através dos laterais e dos extremos, mas com dificuldades nos momentos de transição. O Sporting no ataque rápido, com acelerações nos corredores laterais e procura do espaço atrás da defesa encarnada através da ativação de Slimani ou entre as linhas benfiquistas com as diagonais dos alas, mas a sofrer em organização defensiva. Quem conseguir mascarar melhor as suas debilidades tem mais hipótese de ganhar o jogo.
  6. Rui Vitória vai adotar uma abordagem mais afirmativa ao jogo do que na Supertaça, em que o Benfica entrou de facto com medo do Sporting, provavelmente por ter noção das limitações que lhe foram impostas pela pré-época calamitosa em termos desportivos e de preparação. O discurso do treinador pareceu mais confiante, realçando os pontos fortes da sua equipa, como os excelentes resultados que tem feito em casa, ou as diferenças de nomes para com a equipa que jogou em Agosto no Algarve. Lisandro, Nelson Semedo, Fejsa, Ola John e Talisca estarão agora fora do onze.
  7. Jorge Jesus não enveredou tanto pelos “mind games” como em Agosto. O balão da euforia leonina esvaziou um pouco com o afastamento da Liga dos Campeões e nem a co-liderança da Liga, a par do FC Porto, permite ao treinador entrar de peito tão cheio como há dois meses e meio. Desta vez Jesus esteve mais na sombra, pois o confronto foi assumido mais acima, pela estrutura da SAD.