Artigo 

2017-05-27
A Liga em números (9): as faltas e a competitividade

Muitas vezes se avalia a competitividade de uma equipa pelo total de faltas que faz. Não é um mau método, mas não pode ser o único – seja porque uma equipa pode ser competitiva tendo a bola nos pés por muito tempo, e consequentemente fazendo menos faltas, ou porque pode conseguir roubar a bola ao adversário sem recorrer à falta. Não deixa de ser sintomático que duas das equipas menos faltosas da Liga tenham sido o Benfica e o FC Porto – as outras foram o Rio Ave, o V. Setúbal, o Nacional e o V. Guimarães –, o que nem por isso significou que tenham sido menos competitivas. Ou que o Sporting tenha sido uma das que mais vezes recorreu à infração e nem por isso tenha sido tão competitivo como na época anterior.

Mas vamos ao panorama completo. A Liga encerrou com 10301 faltas cometidas, que é como quem diz 33,6 por jogo. Não são números baixos – bem pelo contrário. A equipa que fez mais faltas foi o Chaves, que se ficou nas 633, isto é, 18,6 por jogo. Seguiram-se o Feirense, com 629, o Tondela, com 628 e o Sporting, com 625. Curioso é que das quatro só o Sporting tenha tido a bola por mais do que metade do tempo de jogo, mas a isso já lá vamos. No polo oposto, a equipa menos faltosa da Liga foi o V. Setúbal, com 498 infrações competidas, ou seja, 14,6 por jogo. A diferença não é muito acentuada, mas é também curioso que neste top das equipas menos faltosas apareçam o Rio Ave (505) e o Benfica (508). O FC Porto, com 537, surge na sexta posição, atrás também de Nacional (510) e V. Guimarães (533).

Interessante é cruzar estes dados com os da posse de bola, uma vez que uma equipa está mais sujeita a cometer faltas quando não tem a bola do que quando a tem. Só seis equipas acabaram a Liga com uma posse de bola média superior a 50 por cento: Benfica, Sporting, FC Porto, Rio Ave, Sp. Braga e V. Guimarães. Destas seis, quatro estão no Top6 das menos faltosas, surgindo o Sporting e o Sp. Braga no extremo oposto. E se o normal seria que estas seis equipas fossem também as que mais faltas sofrem, pois fique a saber que também não é exatamente assim. Quatro das seis que tiveram mais bola aparecem entre as mais castigadas com faltas, uma tabela liderada pelo Marítimo, que sofreu 640 infrações (18,8 por jogo) e em cujo Top 6 aparecem também o V. Setúbal (626), o V. Guimarães (626), o Sp. Braga (624), o Sporting (612) e o Rio Ave (600). O FC Porto sofreu ao todo 589 faltas e o Benfica – a exemplo do Sporting no comparativo anterior – surge no ponto oposto da tabela, com 541 faltas sofridas, acima apenas de Nacional, Arouca, Chaves, Estoril e Moreirense.

Olhando apenas para os máximos, é portanto possível perceber que Sp. Braga e sobretudo Sporting fizeram demasiadas faltas para o tempo mais reduzido que passaram em momentos defensivos e que, em contrapartida, FC Porto e sobretudo Benfica sofreram muito poucas para tanto tempo com a bola. Sinal de descontrolo de uns e de pouco risco de outros? É possível que sim. No caso de leões e arsenalistas por a época lhes correr mal e passarem muito tempo atrás de resultados negativos, no de benfiquistas e portistas  por estarem a controlar jogos nos quais já se tinham colocado em vantagem.