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2017-05-25
A Liga em números (7): Benfica teve mais bola

O facto de o Benfica ter jogadores velozes e de fazer grande parte dos seus golos em rápidas acelerações nos últimos metros do campo fez com que se gerasse a ideia de que a equipa de Rui Vitória – e antes dela a de Jorge Jesus – era melhor em contra-ataque e em ataque rápido do que com a bola. Ora aí está mais uma ideia errada. É verdade que o Benfica cria muitos desequilíbrios e chega com frequência ao golo fruto da capacidade que tem para mudar a velocidade do jogo, mas não deixa de ser um facto que depois controla bem as partidas com a bola. Sintomático disso é o facto de os encarnados terem sido a equipa com mais bola em toda a Liga: 59,1%, face a 58,7% do Sporting e 58,2% do FC Porto. No outro extremo está o Feirense, que lá por ter obtido a melhor classificação de sempre não quer dizer que tenha tido muita bola: encerrou o campeonato com uma média de 43,5% de posse de bola.

Só cinco equipas acabaram a Liga acima dos 50% de posse de bola. Além dos três grandes, isso aconteceu ainda ao Rio Ave, cujo futebol positivo se refletiu numa média de 53,7% de posse, e ao Sp. Braga, que se ficou pelos 51,3%. O V. Guimarães, brilhante quarto classificado na Liga, fechou as contas rigorosamente ao meio, em 50%, mostrando que ter a bola mais tempo não quer necessariamente dizer ter sucesso no que se quer fazer-lhe. A prova disso vem do Feirense, mas também das duas equipas que estão imediatamente acima dos pupilos de Nuno Manta nesta tabela: o Tondela salvou-se da despromoção com uma média de 45,3% de posse de bola e o Boavista obteve a melhor classificação da década com a bola em apenas 45,8% do tempo. O Nacional, último classificado da Liga, fechou as contas nos 49%, sinal de que se via depressa em desvantagem e era obrigado a assumir as despesas do jogo.

Prova disso é o facto de o jogo em que uma equipa teve mais tempo a bola nesta Liga ter acabado favorável… ao adversário. Aconteceu no Marítimo-Benfica, que os insulares ganharam por 2-1, tendo a bola em 27% do tempo, contra 73% dos encarnados. Sintomático que os jogos mais desequilibrados em termos de posse a seguir a este tenham também corrido mal à equipa mais dominadora: o Benfica perdeu por 1-0 em Setúbal com o Vitória com 71% de posse de bola e o Sporting só fugiu à derrota caseira contra o Tondela no último minuto de um jogo em que teve a bola nos mesmos 71% do tempo. Agora isto não quer dizer que ter a bola seja mau. Longe disso. Bom é marcar primeiro e a seguir controlar o jogo com a bola. Foi o que fez o Benfica na maior parte dos seus jogos: além do 0-0 em Paços de Ferreira, no qual ninguém fez golos, marcou primeiro em 26 dos restantes 33 jogos e não ganhou nenhum dos sete em que viu o adversário adiantar-se, mas nos quais também teve durante muito tempo a bola, pois procurava ir à procura do empate.

Olhando para as 34 jornadas da Liga, o Benfica teve mais bola do que os adversários em 30 delas. As exceções foram o empate a uma bola frente ao FC Porto no Dragão (49-51), a vitória na Luz frente ao Sporting (2-1 em golos, mas 42-58 em posse de bola), o empate com os leões em Alvalade (50-50) e o sucesso por 1-0 em Vila do Conde face ao Rio Ave (49-51), na antepenúltima ronda da competição. Sem ter tantos jogos de tão grande monopólio da bola, o Sporting foi, neste aspeto, mais regular: além da já citada divisão da bola frente ao Benfica em Alvalade, só cedeu a primazia a um adversário, que foi o Rio Ave, dono da bola em 54% do jogo que acabou por perder por 1-0 em Alvalade. O Rio Ave, aliás, conseguiu a proeza de ter mais bola do que qualquer um dos três grandes pelo menos num jogo. Além dos dois jogos com o Sporting (45-55 em Alvalade e 38-62 no Dragão) e do empate com o Benfica na Luz (46-54), o FC Porto de Nuno Espírito Santo ainda cedeu a primazia na receção aos vila-condenses (4-2 em golos e 49-51 em bola) e na visita ao Vitória de Guimarães (2-0 no marcador e 42-58 na bola).