Artigo 

2017-05-22
A Liga em números (2): Anatomia de um goleador

Se a Liga portuguesa perdeu golos, a responsabilidade não é seguramente de Bas Dost, um cidadão holandês mais alto que a média que o Sporting foi buscar ao Wolfsburg para substituir Slimani, quando este saiu para o Leicester. Bas Dost estreou-se apenas à quarta jornada, já o mês de Setembro ia quase a meio, com um golo ao Moreirense, mas conseguiu na mesma acabar a prova como melhor marcador. Apontou 34 golos, a uma média de um por jornada (sem descontar as três em que ainda por cá não andava, porque disso ninguém teve culpa), sendo o primeiro a chegar a estes valores desde que, em 2001/02, Jardel apontou 42 e levou para casa a Bota de Ouro europeia. Dost teve de contentar-se com a prata.

Nos 15 anos que mediaram entre as duas proezas, só um homem tinha passado a barreira dos 30 golos: foi Jonas, que acabara a época passada com 32. Bas Dost, que além dos 34 golos no campeonato, só fez mais um na Taça de Portugal e outro na Liga dos Campeões – há, ainda, mais um na Taça da Alemanha, antes de assinar pelo Sporting – fez uma segunda volta muito melhor do que a primeira. O bis ao Chaves no encerramento da primeira volta levou-o a chegar ao ponto de viragem com 13 golos, aos quais somou 21 na segunda volta. Sinal de adaptação crescente ao novo campeonato e à nova equipa foi o facto de os seus três hat-tricks (Boavista, Sp. Braga e Chaves) e o póquer (ao Tondela) terem todos eles surgido neste segundo turno. Somou-lhes bis a Nacional, Paços de Ferreira (ambos também na segunda volta), Chaves, Feirense, Arouca e Estoril (estes na primeira vez que os defrontou).

Bas Dost fez golos a 15 dos 17 adversários que teve na Liga – só o FC Porto e o V. Guimarães não o viram meter a bola no fundo das redes. É sabido que só mais perto do final da Liga começou a marcar penaltis, mas ainda converteu sete, o que veio contribuir para retirar algum peso à sua principal arma, que é o jogo aéreo: dos 34 golos que fez na Liga, 12 foram de cabeça, 21 de pé direito e apenas um de pé esquerdo (o segundo nos 2-1 em casa ao Feirense). Quase todos nasceram dentro da área: a exceção aqui, é um golo nos 4-2 ao Estoril, marcado cara-a-cara com o guarda-redes, após passe em profundidade de William Carvalho.

O holandês marcou mais golos na segunda parte (20) do que na primeira (14), tendo como período predileto o segundo quarto de hora deste segundo período (nove golos entre os 61’ e os 75’), mas tanto marca golos a abrir (o mais madrugador foi logo aos 5’, no Sporting-Feirense) como a fechar (comprova-o o golo da vitória frente ao Belenenses, no Restelo, aos 90+3’). Curioso é que Gelson, o principal assistente do Sporting, não tenha disparado nos passes decisivos para Bas Dost. A prova de que a ligação entre os dois ainda pode ser melhorada é que o jovem extremo português fez tantas assistências para Bas Dost como o costa-riquenho Campbell (quatro), sendo os dois seguidos por Alan Ruiz, Schelotto, Bruno César e Matheus Pereira (todos com dois passes para golo) como principais municiadores do goleador holandês.