Artigo 

2016-05-17
Os meus 23: André Silva no onze e Renato no banco

Fernando Santos vai divulgar amanhã a lista de 23 jogadores portugueses para o Campeonato da Europa e, tal como venho prometendo há meses, deixo aqui a minha lista com umas horas de avanço. Desta vez não faço a lista do selecionador: escolhi os meus 23, ainda que com a certeza de que eles não serão muito diferentes dos oficiais. Terão, no máximo, dois nomes trocados. Porque tanto na minha cabeça como certamente na de Fernando Santos não haverá mais do que duas dúvidas. A saber: Renato Sanches e o ponta-de-lança. A minha decisão? Sim a Renato e venha de lá André Silva.

Onde as minhas escolhas divergem mais das do selecionador é nas ideias para a formação da equipa-base. Ambos concordaremos que o 4x4x2 é o melhor sistema para a seleção, porque é o único que permite a perfeita integração de Cristiano Ronaldo – e todos sabemos que Portugal será tão mais forte quanto melhor estiver o CR7. O 4x3x3 encerra dois problemas graves sob este prisma: se, nele, Ronaldo for ponta-de-lança, passa grande parte do jogo de costas para a baliza e sem poder explorar a sua velocidade e o poder de explosão; se for extremo-esquerdo e não ficar amarrado ao corredor, a equipa ficará sempre descompensada, sobretudo em momentos de transição defensiva, nos quais o corredor esquerdo ficaria sempre abandonado (e sem Coentrão, que ainda assim dava bastantes mais garantias que Eliseu). A resposta, portanto, passa pelo 4x4x2, com um avançado a libertar Ronaldo, a ganhar-lhe aqueles metros de que ele necessita até se cruzar com a linha defensiva do adversário.

E é aqui que as minhas ideias se separam das de Fernando Santos. O selecionador apostou em Nani para fazer esse papel, eu acho que Nani faz mais sentido na esquerda do meio-campo. Nani pode ser um dos dois pontas-de-lança no 4x4x2 – fez esse papel nos particulares com a Bulgária e a Bélgica – mas parece-me que para aquela posição a equipa precisa de um jogador diferente. Precisa de um jogador que faça tudo aquilo que Ronaldo não faz. O quê? Que pressione no momento defensivo, que seja o primeiro a lutar corpo-a-corpo com os centrais adversários pelas bolas divididas, que os prenda, para dar espaço a Ronaldo. Pelo que fez nos últimos meses de época, André Silva mostra que pode ser esse jogador. Porque é possante, trabalhador e inteligente a ler o jogo, sabendo quando deve baixar em apoio ou procurar movimentos de rotura. E ainda porque, em início de carreira, fará tudo para entrar nesta lista. Só fez um golo? E depois? Nem que não tivesse feito nenhum. Se marcar golos, excelente; mas o que esta seleção precisa do seu ponta-de-lança não é que ele seja um goleador frequente. Para isso está lá Ronaldo.

Esclarecida a dúvida acerca do ponta-de-lança, não é difícil escolher os outros atacantes: Ronaldo, Quaresma, Bernardo Silva, Rafa e Nani. A lesão de Danny veio simplificar as coisas. Como simples será a escolha dos três guarda-redes – Rui Patrício, Anthony Lopes e Eduardo. Ou dos laterais, que com a lesão de Coentrão ficará resumida a Vieirinha, Cédric, Eliseu e Raphael Guerreiro. De certeza também levaria os centrais Pepe, Ricardo Carvalho e José Fonte, os médios-defensivos William Carvalho e Danilo, os médios-centro João Moutinho e Adrien Silva, e ainda João Mário e André Gomes, que servem múltiplos propósitos: podem jogar na meia-direita ou na meia-esquerda num esquema de quatro médios que privilegie um ala mais ofensivo (Nani) e um que seja mais médio (João Mário) ou até passar para o meio se de repente a equipa quiser entrar em 4x3x3. Aliás, até os defesas-laterais chamados nesta lista podem, em caso de necessidade, jogar a meio-campo numa linha de quatro.

Aqui chegados, temos 22 jogadores na lista. A opção para o 23º é entre um quarto defesa-central, que seria Bruno Alves, ou mais um médio, a forma de integrar o joker Renato Sanches. Sei que a veterania dos três centrais portugueses poderia obrigar a que esse quarto homem fosse chamado e que Bruno Alves, além do mais, faz bom balneário e poderia até ser solução de recurso para jogar na área adversária, mas Renato Sanches traz outras valências. Mesmo sem ter lugar no onze – especialmente num meio-campo a quatro, onde as suas deficiências de posicionamento, contra equipas mais fortes do que as que andam pela Liga portuguesa, se notariam melhor – poderia sempre ser uma adição interessante em jogos nos quais fosse necessário aumentar o ritmo e o risco ofensivo. Não acho, nem pouco mais ou menos, que Renato seja um jogador feito, mas gostaria de tê-lo neste Campeonato da Europa. Mesmo que isso implicasse que, numa situação de emergência, Danilo tivesse de ser utilizado como defesa-central, posição na qual não me convence tanto como a âncora do meio-campo.

Assim sendo, a minha lista seria esta:

Guarda-redes – Rui Patrício, Anthony Lopes e Eduardo;

Defesas – Vieirinha, Cédric, Pepe, Ricardo Carvalho, José Fonte, Eliseu e Guerreiro;

Médios – William Carvalho, Danilo, João Mário, Adrien Silva, João Moutinho, André Gomes e Renato Sanches;

Avançados – Ronaldo, Nani, Quaresma, Bernardo Silva, Rafa e André Silva.

E o onze: Rui Patrício; Vieirinha, Pepe, Ricardo Carvalho e Eliseu; William; João Mário, João Moutinho e Nani; Ronaldo e André Silva.