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Há mais do que uma diferença gritante entre os processos de afirmação de Oblak e Ederson no Benfica e aquilo que vive neste momento o jovem Svilar. Já se falou muito na experiência que os dois primeiros conseguiram acumular na UD Leiria e no Rio Ave, da mesma forma que é evidente a diferença de idades, mas uma coisa tem passado mais despercebida: a expectativa. Os adeptos olharam para Oblak e Ederson com desconfiança, não esperavam que fosse eles a resolver os problemas do clube e limitavam-se a ter fé de que não os criassem. Com Svilar é diferente: gerou-se à volta do jovem belga uma aura de prodígio, na qual até José Mourinho colaborou, que faz tudo menos facilitar-lhe o processo de integração e que aproxima o Benfica da abordagem que durante anos o Sporting teve para os seus jovens formandos, de um endeusamento prematuro que não é bom conselheiro. Lembro-me bem da chegada de Ederson à equipa principal do Benfica. A ocasião era o dérbi com o Sporting, em Alvalade, por sinal decisivo para a definição do título de campeão de 2015/16. Júlio César teve o primeiro dos seus achaques físicos no clube e Rui Vitória foi forçado a apostar no jovem brasileiro. Não haveria muitos benfiquistas a achar que era por ali que o Benfica ia ganhar o campeonato – ao invés, a maioria esperaria apenas que o miúdo não comprometesse, como acabou por não comprometer. Svilar já chegou à Luz como Deus das balizas, apesar dos seus 18 anos. É o guarda-redes que até o Manchester United queria mas não pôde ter, dizem agora os meios “bem informados”. Só que tem 18 anos e comete erros próprios de quem não acumulou ainda horas suficientes de baliza para saber automaticamente o que tem de fazer em cada situação. Depois, se foi humilde a pedir desculpa a quem estava na bancada – já li textos emocionados a esse respeito que me pareceram altamente desproporcionados –, se vai aprender com os erros e se Mourinho terá mesmo de pegar na mala cheia de dinheiro que anunciou que ele vai valer para vir buscá-lo, isso só o futuro o dirá. Não me escandaliza que Rui Vitória tenha agora com Svilar um comportamento diferente do que teve com Bruno Varela. Uma equipa de futebol não é uma repartição de finanças, em que toda a gente tem direito ao mesmo tratamento. Se Varela errou e foi afastado e agora Svilar errou e vai manter o lugar, isso quer dizer apenas uma coisa: que o treinador tem em Svilar uma crença, uma fé, que não tinha em Varela. E é ele quem tem de decidir, porque é também ele quem coloca o emprego em risco a cada decisão. O que já não é benéfico é que o próprio Benfica queira justificar esta decisão – normal, repito – através da criação de uma realidade alternativa que tem o seu quê de forçada. Svilar não é o Yashin dos tempos modernos. Ainda não é, pelo menos. E se para justificar a decisão do treinador se tiver de fazer crer ao público de que ele já pede meças a Buffon, há aí um elevado risco de isso vir a contribuir apenas para que ele acabe por não tirar dos erros – normais aos 18 anos, repito – os devidos ensinamentos. Se havia coisa que, nos últimos anos, separava o Benfica do Sporting, por exemplo, era a abordagem que nos dois clubes se fazia ao lançamento de jovens. No Sporting, onde não se ganhou nenhum dos últimos 15 campeonatos, vivem-se entusiasticamente os sucessos de Cristiano Ronaldo ou Nani, como antes se viviam os de Futre ou Figo – e um dia, quem sabe, se o tempo apagar as mágoas, se viverão os de Simão ou Moutinho. Aplaude-se a percentagem de “Aurélios” – nome dado aos formandos de Alcochete, em referência a Aurélio Pereira – na seleção nacional que ganhou o Campeonato da Europa, esquecendo-se que de todos só um (Quaresma) foi campeão no clube. No Benfica, desde que se começou a vencer (o clube ganhou cinco campeonatos nos últimos oito), isso deixou de ser importante – e antes também não o era, porque a verdade é que daquelas escolas não saía nada… Ultimamente, porém, talvez por se sentirem atingidos pelo entusiasmo dos sportinguistas, os benfiquistas começaram a querer bater-se numa área que não é a deles, a endeusar jovens candidatos a prodígios como Renato Sanches, Nelson Semedo, Bernardo Silva, Gonçalo Guedes ou, agora, Svilar, Ruben Dias e Diogo Gonçalves. Não é um bom caminho.
2017-10-22
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Tive a oportunidade de fazer, para o Bancada.pt, a primeira entrevista a Fernando Santos depois de Portugal ter conseguido a qualificação para o Mundial. E o selecionador que me apareceu à frente era um homem não apenas solto, como incrivelmente confiante. É verdade que muito do que Santos disse pode ser entendido como parte de uma estratégia de comunicação, até para dentro do balneário, mas houve uma frase que me fez pensar: “Neste momento, ninguém quer defrontar Portugal”, disse Fernando Santos. E há uma probabilidade elevada de andar muito próxima da realidade, porque, como também me disse o selecionador, “é muito difícil ganhar à seleção portuguesa”. De facto, a seleção nacional, que muitos por cá consideram aborrecida, é monótona sobretudo numa coisa: não perde jogos. Em 29 jogos de competição com Fernando Santos, Portugal venceu 22 – sim, metade foram pela margem mínima, mas também convém perceber que desses 11 ganhos à justa, só um aconteceu na qualificação para este Mundial – empatou seis e perdeu apenas um. Essa derrota, contra a Suíça, pode ter feito disparar os índices de “mau feitio” que o próprio Santos reconhece ter, porque foi concedida no primeiro jogo competitivo após a conquista do Europeu, por uma equipa em alguns pontos demasiado importada em “jogar bonito”, em deixar brilhar a estrela de campeão que cada um dos seus membros levava ao peito. Esse Suíça-Portugal de Basileia teve coisas muito boas e outras que, parecendo más, também podem ter sido muito boas. Teve brilhantismo ofensivo, o que é muito bom, e sobranceria, que também pode ter sido muito boa, se a derrota tiver servido para a erradicar. Já o disse: não creio que Portugal tenha, neste momento, a terceira melhor seleção do Mundo, conforme diz o ranking da FIFA. Chega a parecer estranho que a seleção tenha já garantido um lugar de cabeça-de-série no sorteio do Mundial, ao lado da Rússia (anfitriã), Alemanha, Brasil, Argentina, Bélgica, Polónia e França, e que a Espanha, por exemplo, vá parar ao Pote 2. O próprio Fernando Santos reconhece debilidades na equipa portuguesa e fala de uma forma aberta de algumas delas, as que identificou no centro ou no lado esquerdo da defesa. Olha-se para o lote de jogadores à disposição dos selecionadores da Alemanha, do Brasil, e mesmo da Argentina, da França e da Espanha e não se pode dizer que os portugueses estejam ao mesmo nível. Porque não estão. Mas a verdade é que só jogam onze de cada vez. E em 90 minutos. Ou em 120. E se neste seu percurso competitivo de três anos, a seleção de Fernando Santos só defrontou uma daquelas cinco potências (a França), o que é indesmentível é que lhe ganhou. E ganhou-lhe onde e quando lhe doía mais: no Stade de France, na final do Europeu. Esta seleção de Portugal não é, de facto, uma maravilha de se ver em todos os jogos. Às vezes, também a mim me parece que arrisca pouco: em Andorra, por exemplo, num jogo contra um adversário que não sabia nem queria jogar e se limitava a acantonar-se à frente da área para aproveitar as dificuldades que o sintético provocava aos portugueses, manteve muitas vezes seis jogadores atrás da linha da bola e fora do bloco opositor. Contra a Suíça, mesmo com algumas exibições brilhantes (William, Bernardo, João Mário, a mostrarem que há Portugal para lá de Ronaldo…), nunca se deixou inebriar pelo barulho das luzes e preferiu sempre exercer o controlo a ir à procura do elogio. Terá aprendido a lição de Basileia. A questão é que Portugal acabou por ganhar os dois jogos e não foi pela margem mínima com que ganhava na qualificação do Europeu. E em ambos se viu que a ligação entre as ideias do selecionador e os jogadores está ativa. Porque a razão por trás do controlo do jogo contra a Suíça é a mesma que explica a incapacidade ofensiva no jogo de Andorra. É a urgência de ter segurança. O receio de falhar, de expor a equipa. Após a entrevista, enquanto fumava um cigarro, Fernando Santos perguntava-me: “Mas isto agora mudou? Já não é importante uma equipa ser compacta? Ser segura?” Era uma pergunta retórica. E é tão claro que é importante como é claro que não mudou. Mas também não mudou a insatisfação dos analistas e dos adeptos. Porque se tivéssemos uma equipa a jogar bonito e a perder jogos, a questão iria colocar-se ao contrário. Lembrei-me do que me disse Carlos Queiroz há uns dois meses, a propósito das alterações que fez na seleção depois de um dos melhores jogos que vi fazer a uma seleção nacional ter redundado numa derrota, contra a Dinamarca, em Alvalade (2-3). Passou a privilegiar a segurança, a equipa deixou de sofrer golos, e ainda chegou ao Mundial. Na África do Sul, é verdade, as coisas não correram bem. Mas aquele Portugal não tinha nem a profundidade de escolhas que tem este nem um Cristiano Ronaldo maduro e capaz de aceitar que pode ter na equipa um papel mais importante que o de marcar golos: o de capitão de equipa.
2017-10-15
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Comentei ontem o Andorra-Portugal, para a RTP1, sentado num andaime colocado junto à linha lateral, ligeiramente acima do banco de Portugal. Não o escrevo para me queixar. Os jogadores portugueses jogaram num relvado sintético de primeira geração, que dificulta o jogo mais técnico a que estão habituados e pode ser mais propenso a lesões de impacto. E é assim que tem de ser, porque a alternativa era Andorra receber os adversários nesta fase de qualificação fora do país, num ambiente asséptico e normalizado, mas que não seria o deles. Essa opção era melhor para os interesses de Portugal, que nestas coisas da UEFA é um dos grandes, mas pior para o Mundial, que pode gabar-se precisamente de ser a forma de levar a todo o Mundo a mensagem do futebol. Um pouco como a Taça de Portugal dentro das nossas fronteiras. Não domino questões de segurança e sei bem que um Andorra-Portugal não envolve tantas preocupações a este nível como um Oleiros-Sporting, um Olhanense-Benfica ou um Lusitano de Évora-FC Porto. A razão é simples e tem a ver com as claques que acompanham as equipas dos nossos grandes e que, pelo menos nas fases de qualificação, não estão associadas a jogos de seleção a contar para o Mundial. Não vou, por isso, contestar a parte mais securitária por trás da mudança de local dos jogos da Taça de Portugal. Mas há mais razões. E em relação a estas, todas facilmente rebatíveis (da televisão à relva), parece-me seguro dizer, ao menos, que a letra e o espírito da lei se contradizem no futebol português. Porque se por um lado se condiciona o sorteio desta eliminatória da Taça de Portugal para garantir que os clubes vindos da I Divisão têm de jogar fora, por outro deixa-se os mais pequenos vulneráveis aos interesses dos grandes, de forma a que acabem por trocar os locais de realização dos jogos. O que fica assim em causa é a “festa da Taça”. Já pensou por que razão se ouve esta expressão há décadas? É por isso mesmo: porque ao pôr frente a frente equipas de divisões diferentes, a Taça de Portugal democratiza o futebol e leva o jogo de mais alto nível aos quatro cantos do país. Isso tem de ser preservado. E é isso que fica ameaçado quando se autorizam estas alterações de local ao abrigo de questões como a facilidade da realização televisiva ou o mau estado de alguns relvados. Porque há muito mais dinheiro envolvido em direitos de TV no Andorra-Portugal de ontem e nem por isso ele deixou de ser disputado num estádio que dificilmente teria condições para albergar um jogo da Taça de Portugal. Sem ter espaço para um ângulo favorável às câmeras, sem espaço para os jornalistas, num relvado que já não se usa, ainda que em Andorra até faça sentido – o facto de haver neve durante metade do ano impede que nesta pequena cidade dos Pirenéus cresça e possa manter-se um relvado natural em condições para que se jogue. Menos sentido faz que em Portugal as equipas andem a optar cada vez mais pelos sintéticos só porque os relvados naturais são mais caros de manter, e que depois se ouçam os clubes de I Divisão a queixar-se porque têm de ir lá jogar. Porque ou os relvados são bons e admissíveis ou não são e devem ser proibidos num país com tantos dias de sol e, à exceção de alguns locais, sem neve, como é o nosso. Nem que para isso tenha de se legislar, como se fez quando foram proibidos os pelados em todos os campeonatos nacionais. É verdade que Portugal até foi um dos últimos redutos dos campos pelados e que isso não era bom para o futebol. Nem para os futebolistas – como agora parece consensual que não são os relvados sintéticos. Muito do encanto deste desporto, no entanto, vai-se fazendo das memórias que guardamos todos e muitas dessas memórias têm a ver com aquela tarde em que um craque de seleção foi ao campo da nossa terra e esteve ali ao pé de nós, depois de disputar uma bola com o Joaquim do talho ou ou João da farmácia. Se isso lhe põe em risco a integridade física, então não deve jogar lá ele nem os amadores das divisões secundárias. Porque o Joaquim do talho e o João da farmácia também são gente e merecem o mesmo respeito. No fundo, os jogos mudam de local porque a polícia acha que não consegue controlar as claques dos grandes em estádios mais mal equipados – e nesse aspeto os grandes até beneficiam das suas próprias más condutas, pois acabam a jogar em campo neutro em vez de enfrentarem as dificuldades de uma saída ao campo do adversário. E mudam porque dá mais receita jogar noutros locais do que nos campos de província. Bom era que os clubes pequenos canalizassem essa receita adicional para a manutenção de bons relvados e a edificação de infraestruturas que lhes permitam em breve dar uma alegria às suas populações. Ou isso ou que se mude este regulamento e, sem hipocrisias, tal como na Taça da Liga, se metam os grandes a jogar sempre em casa.
2017-10-08
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Jorge Jesus criou uma moda em Portugal, nos últimos anos. Foi a moda dos dois avançados. O sucesso desportivo do treinador no Benfica, invariavelmente com dois pontas-de-lança, levou um país globalmente convertido ao 4x3x3 a mudar e a adaptar-se às novas tendências. Não foi preciso muito tempo para se verem mais equipas a regressar ao 4x4x2. Foi assim que Sérgio Conceição, que até foi jogador de Jesus e tem com ele uma excelente relação, encarou o trabalho mais mediático da sua carreira como treinador: à chegada ao FC Porto, meteu gente na frente e essa foi uma das grandes mudanças do seu futebol relativamente ao mais conservador Nuno Espírito Santo. E no entanto, ambos se preparam para jogar o primeiro clássico da época com apenas um atacante de referência. As razões para a alteração são múltiplas e creio que serão diferentes. No Sporting, a decisão será mais imposta pelo plantel ao treinador e tem a ver com a existência de um jogador como Bruno Fernandes, dificilmente compatível com o 4x4x2 em desafios de maior exigência. No FC Porto é ao contrário: é mais o treinador a impor ao plantel a vontade de conseguir mais algum controlo para temperar a vertigem que, desregulada, pode redundar em desastres de comboio como o verificado em casa contra o Besiktas. Todos concordaremos que as melhores exibições tanto de Sporting como do FC Porto esta época foram conseguidas em 4x2x3x1: os leões em Guimarães, em Bucareste ou em Atenas (enquanto estiveram acordados); os dragões no Mónaco, onde a equipa já mostrou mais alguma capacidade de ser contundente do que em Vila do Conde, por exemplo – também porque, por mais estranho que possa parecer, o AS Mónaco foi menos competitivo do que o Rio Ave. E o segredo aqui passa por ser capaz de manejar os dois sistemas e de escolher entre eles, consoante os jogos. Os dissabores que Sporting e FC Porto conheceram esta época tiveram, regra geral, a ver com isso. Descontemos aqui o Sporting-FC Barcelona, onde o normal era os leões perderem e as opções táticas de Jesus até ajudaram a diminuir o fosso, com a articulação Battaglia-Mathieu a fechar as vias de abastecimento a Messi. De resto, de que se queixam Sporting e FC Porto? O Sporting do empate em Moreira de Cónegos, onde entrou com um meio-campo demasiado macio – William e Bruno Fernandes – e com dois avançados – Alan Ruiz e Bas Dost. Estes até lhe garantiam qualidade na frente, mas isso tornou-se irrelevante, por estarem inseridos numa equipa que passava demasiado tempo em outras áreas, onde o adversário era sempre mais vigoroso nos duelos. Jesus corrigiu, mas o facto de estar em desvantagem não lhe permitiu fazer o que se impunha, pelo que acabou por montar um meio-campo mais combativo, mas com menos ideias, porque lhe faltava a capacidade de Bruno Fernandes para ligar o jogo e, estranhamente – talvez já a pensar em agilizar processos para o desafio com o FC Barcelona –com Battaglia atrás de William, roubando à equipa a qualidade que este lhe confere no início da construção. O FC Porto queixar-se-á da derrota em casa com o Besiktas, onde Sérgio Conceição também entrou com Danilo e Óliver Torres a enfrentarem o meio-campo a três da equipa turca, mas com dois extremos – Corona e Brahimi – e dois pontas-de-lança – Marega e Soares, face à ausência de Aboubakar. A quipá tinha mais gente na frente, corrigindo a timidez de 2016/17, mas também não tinha bola para a fazer contar, o que terá levado Sérgio Conceição a corrigir aquilo que antes dissera publicamente ser irrelevante. No Mónaco já apareceu Sérgio Oliveira a dar algum amparo a Danilo, permitindo que Herrera se convertesse em unidade de pressão junto ao avançado, com Marega a rasgar na direita e Brahimi a criar da esquerda para o meio. E o que se viu – o próprio treinador o reconheceu depois, quando disse que a partir dos 20’ percebeu que dificilmente deixaria de ganhar o jogo – foi um FC Porto a controlar todo o jogo e todo o campo, à espera apenas da ocasião em que o contra-ataque prometido entraria e levaria ao golo que relançaria a partida. Acho há muito tempo que o 4x2x3x1 é o esquema mais inútil do futebol, porque na maior parte das vezes pode conduzir a vários vícios e defeitos: anula os defesas-centrais na construção, porque tem ali dois médios para sair com a bola, quase que a marcarem-se um ao outro; tira às equipas a capacidade de meter gente na área, porque se as equipas usam um “10” é para ele aparecer entre-linhas do adversário e isso muitas vezes inibe-o de surgir a engrossar os números na zona de finalização. No Sporting-FC Porto de hoje, no entanto, a chave do jogo vai estar no terceiro médio. Porque antes de mais nada, as duas equipas quererão ter mais controlo e menos vertigem. E isso é sinal de evolução.
2017-10-01
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O futebol português vive numa conjuntura em que, independentemente de onde esteja o poder de direito, o importante é entender onde está o poder de facto e fazê-lo funcionar, doa a quem doer. Há já alguns meses que venho escrevendo e dizendo a quem está, por exemplo, na Federação Portuguesa de Futebol, que só da Cidade do Futebol podia vir uma ação contundente para acabar com a podridão que está a gangrenar todo o futebol nacional. Sempre me respondiam que não podia ser, porque o poder de direito é da Liga e só a Liga podia meter-se no caso. Só que a Liga está fraca, a entrada de Pedro Proença não a revitalizou suficientemente e o poder de facto está noutro lado. Portugal foi campeão europeu e, inevitavelmente, a liderança da FPF recolheu daí muitos benefícios em termos de imagem pública. Independentemente disso – mas também por isso –, Fernando Gomes acaba de ser nomeado para substituir Angel Maria Villar na Comissão Executiva da FIFA, sendo neste momento evidente que é, em termos internacionais, o mais poderoso dirigente da história do futebol nacional. Mais do que Antero da Silva Resende, cuja presença nos principais areópagos internacionais era vista como uma vitória para o Portugal dos Pequenitos mas significava pouco. Mais do que João Rodrigues, a cuja presença significativa nos corredores das mais altas instâncias faltava o correspondente reconhecimento público. Além disso, mesmo antes do Europeu de 2016, Tiago Craveiro já era um dos homens mais tidos em conta, quer pela liderança da FIFA quer pela liderança da UEFA. O primeiro abraço de Gianni Infantino depois de ter sido eleito presidente da FIFA foi dado a Onofre Costa, o homem que muita gente em Portugal julga que se limita a sentar-se ao lado de Fernando Santos nas conferências de imprensa e a escolher os jornalistas que têm o direito de fazer perguntas, mas cuja importância transcende em muito esses momentos – por alguma razão era ele quem estava ao lado direito de Infantino na plateia. O verdadeiro poder para influenciar as coisas no futebol português está na Federação Portuguesa de Futebol e não na Liga, até pelo simples facto de não ser a FPF quem mais se envolve diretamente nos assuntos acerca dos quais os clubes mais discutem. Quando foi preciso instituir o vídeo-árbitro foi a FPF quem avançou. A Liga, além de estar a recuperar de um estado de pré-falência, nunca conseguirá – ou pelo menos não o conseguirá nos tempos mais próximos – pairar acima de qualquer suspeita para clubes cuja atividade vive precisamente da criação dessa mesma suspeita. Por isso, sim, embora não tivesse a obrigação de o fazer, só a Federação Portuguesa de Futebol e o seu presidente podiam encabeçar a tentativa de pacificação iniciada com o texto assinado esta semana por Fernando Gomes. Só mesmo o presidente da FPF podia escrever o que escreveu e recolher aplausos de todo o lado – tivesse sido Pedro Proença a fazê-lo e imediatamente choveriam acusações de favorecimento à esquerda e à direita, que é como quem diz a um e a outro dos grandes. E, no entanto… E, no entanto, ainda que toda a gente tenha concordado e aplaudido as palavras de Fernando Gomes, os principais clubes fizeram delas chão raso quando se tratou de as comentar, todos a apontar o dedo uns aos outros, como se as culpas do que se passa fosse apenas e só dos rivais. É por isso que digo que Fernando Gomes deu o pontapé de saída, exercendo aquilo que pode exercer, que é um magistério de influência para tentar colocar as coisas nos eixos, mas que vai ser preciso haver mais gente a fazer mais. Se o que se quer é acabar com o corrente estado de podridão – e não se julgue que isso vai acabar de um dia para o outro, porque foram anos e anos a espalhar ódio, que já se entranhou nas mais diversas camadas da sociedade e leva o comum adepto a ser mais ativo quando se trata de menorizar as conquistas dos adversários do que quando pode festejar as vitórias dos seus – é preciso fazer mais. E o mais, já o disse e escrevi, não passa por enquadrar disciplinarmente os ilícitos, porque isso haverá sempre forma de contornar, seja através de meros adeptos famosos cujo discurso não é imputável aos clubes, seja através de simples funcionários. O mais que é preciso fazer passa por ocupar o espaço mediático. Passa por, como se faz nas Ligas que deviam ser modelo para nós, forçar os clubes a permitirem que os verdadeiros protagonistas – jogadores, treinadores – apareçam nas TVs, nas rádios, nos jornais ou nos sites de informação, com simples declarações ou em entrevistas. E aqui, sim, tem de ser a Liga a chegar-se à frente e a perceber que, por muito que queira manter este equilíbrio precário em que o futebol se está a afundar, não pode manter mais o alibi segundo o qual só faz aquilo que os clubes querem. Os clubes não podem querer a auto-destruição do futebol português. Não têm nada a ganhar com isso.
2017-09-24
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O futebol é um jogo ou é um negócio? Aparentemente nem uma coisa nem a outra – é o ópio do povo. É o que se conclui da bizarra decisão de atrasar o pontapé de saída do Sporting-FC Porto, passando-o para as 19h15 do dia das próximas eleições autárquicas, de forma a que não atrapalhe o normal curso dos procedimentos democráticos. Se fosse um jogo, poderia jogar-se, como todos os que decorrerão nesse domingo. Se fosse um negócio, poderia defender-se, como todos os negócios que estarão de portas abertas nesse domingo. Chato mesmo é ser o ópio do povo, a encarnação de todos os males. A potencial abstenção dos eleitores portugueses não tem, afinal, a ver com o aumento do grau de desilusão que vão tendo nalguns políticos que elegem ou do sentimento de impotência para travar o que sentem estar mal. Não tem sequer a ver com a quantidade de programas de TV idiotas que lhes enchem a grelha do cabo e das generalistas ou com o facto de poderem passar os domingos de eleições a vegetar dentro de centros comerciais, que a cada ano esticam mais os horários de abertura e de fecho – quando em muitos países onde se fazem coisas parvas, como jogar futebol em dia de eleições, esses mesmos centros comerciais fecham ao domingo para permitir o convívio das famílias. Não. A abstenção dos eleitores portugueses tem a ver com os jogos de futebol. Por isso, no próximo dia 1 de Outubro, poderemos todos ir ao cinema, ao teatro, à praia, ver espetáculos de música, fazer piqueniques no campo… Poderemos até passar o dia a ver montras nos centros comerciais, mas estamos protegidos desse mal maior que é a possibilidade de ir ao futebol enquanto as urnas estão abertas. Quem teve esta ideia peregrina demonstra muita coisa, mas não um conhecimento acertado da realidade. É que apesar das tentativas recentes de recuperação do setor, que sim, é um negócio e não está a ser nada ajudado com decisões como esta, o futebol, para os portugueses, deixou há muito de ser uma atividade predominantemente de estádio. É uma atividade de sofá. Há mais gente a ir aos estádios, mas o que as pessoas querem por estes dias não é ver um remate do Aboubakar, um drible do Gelson ou um passe a rasgar do Pizzi. O que querem é saber o que dizem na televisão desses feitos – daí o sucesso de programas que mais não apresentam do que imagens em loop dos treinadores a percorrer a linha lateral e a reação de adeptos “famosos” ao que se vai passando no campo. É giro, não tem de se perceber e sempre mete uns palavrões e uns insultos de vez em quando. Portanto, meus senhores, é melhor proibir também nesse dia os programas sobre futebol – mas podem deixar os reality shows, as novelas, as sessões de cinema e os desenhos animados, que isso, quem os vê não deve votar. Aceito até que aleguem que não é só isso. Que a malta em Portugal anda mais entretida com essa conversa tóxica, com as entrevistas dos diretores de comunicação, os mails, o vídeo-árbitro ou as listas dos corruptos por comprovar do que a ver futebol a sério porque o futebol por cá não é assim tão interessante. Pois bem, eis a má notícia. Nesse dia 1 de Outubro, há um Real Sociedad-Betis às 11h, um Nápoles-Cagliari às 11h30,  Arsenal-Brighton ao meio-dia, um Hertha-Bayern às 14h30, um FC Barcelona-Las Palmas às 15h15, um Newcastle-Liverpool às 16h30, um FC Colónia-RB Leipzig e um Milan-Roma às 17h e por fim um Atalanta-Juventus e um Real Madrid-Espanyol às 19h45. Podem fazer uma de três coisas. Convencer os eleitores a irem votar pela fresquinha, esperar que o Barça e o Bayern resolvam os jogos depressa para se dar um salto à mesa de voto – pode ser que não haja muita fila e dê para votar antes de começar o Liverpool… – ou impor à Sport TV a transmissão dos jogos em diferido. E bloquear os streamings todos, para que quem prefere ver as coisas de forma, digamos, menos legal, também não se sinta tentado a abster-se. O problema é que a política já passou há muitos anos pelo caminho de descredibilização que o futebol está a passar agora. Provavelmente tem a ver com a sociedade. Cresci a ouvir um pouco por todo o lado acerca dos políticos o que se ouve hoje da malta do futebol – e não eram coisas simpáticas. O segredo, acreditem, não passa por proibir. Ninguém deixa de ir votar por causa de um jogo de futebol às 18 horas. A submissão de uma atividade económica tão importante como o futebol – sim, podem rir-se à vontade, mas quando acabarem vão ver os números – a um capricho é que não indicia nada de bom. Nem acerca dos homens do futebol nem dos políticos que acham que estão a fazer uma coisa boa.
2017-09-17
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Feirense e Portimonense portaram-se muito bem nos jogos com Sporting e Benfica, a contar para a quinta jornada da Liga (escrevo ainda antes do FC Porto-Chaves) e essa circunstância foi e voltará a ser aproveitada para ridicularizar os que apontam o dedo à desigualdade na distribuição da receita para falar de perda de competitividade do futebol em Portugal. Na verdade, quem o faz está a ser tão ou mais demagogo do que foi Manuel Machado quando levantou a lebre, depois de ter visto o seu Moreirense ser atropelado pelo FC Porto. Porque aqui há dois planos de realidade: a distribuição da receita devia ser mais justa, mas dentro das injustiças há quem trabalhe melhor e quem trabalhe pior. Imaginemos uma família que faz das tripas coração e consegue viver com o salário mínimo. E outra que, nas mesmas condições chega sempre a meio do mês com as contas a vermelho. O facto de existir a primeira não quer dizer que o salário mínimo seja suficiente ou que a sociedade não deva preocupar-se com as desigualdades que a assolam: significa apenas que há gente que consegue fazer mais com menos. E tanto Nuno Manta como Vítor Oliveira – ou Miguel Cardoso, que protagonizou com o Rio Ave um arranque extraordinário da Liga – são treinadores capazes de fazer muito com pouco. E parte da justificação nem está exclusivamente neles: tem a ver com a qualidade dos grupos de trabalho que lhes puseram à disposição, com uma boa escolha de jogadores, mesmo sem salários muito elevados. Depois, há as questões que têm exclusivamente a ver com os treinadores. Primeiro, as táticas ou estratégicas: o Feirense e o Rio Ave são das poucas equipas do campeonato que jogam olhos nos olhos com os grandes, que tentam sair em construção segura e que vão lá acima à procura da bola quando a não têm, ao passo que o Portimonense sabe ter a bola e jogar com as zonas em que o adversário se sente mais desconfortável. É a velha máxima: joga como os grandes se queres ser como eles. Depois, por questões de liderança: Manta é o irmão mais velho que leva a família toda atrás, Vítor Oliveira o pai em que todos no balneário acreditam e Cardoso uma espécie de jovem professor que transpira ciência e causa admiração. A liderança de Machado é mais antiga, professoral até no discurso, resulta pior, mas isso não quer dizer que ele não tenha razão na crítica que fez. Aliás, um dos problemas do futebol é não haver um sistema funcional de vasos comunicantes que permita a filtragem das reflexões e a sua chegada a quem decide já prontas a serem digeridas. E aqui, lamento, mas não me interessam as “reflexões” – assim mesmo, com aspas – que os grandes vão fazendo sore arbitragem, vídeo-arbitragem ou disciplina, porque essas têm sempre o mesmo intuito, que é tirar aos pobres para dar aos ricos. Não falo de quem só acha que o vídeo-árbitro é uma boa ideia quando ele decide de acordo com as suas conveniências, porque não só é uma boa ideia como é uma ideia fulcral. Falo, por exemplo, das críticas que o presidente do Marítimo, Carlos Pereira, fez esta semana ao modelo de organização da Taça da Liga, que é montado de forma a favorecer a chegada dos grandes à “final four”. Tem razão. E ele sabe que isso acontece porque ter os grandes na “final four” aumenta exponencialmente o interesse popular na competição e, claro, a receita. O que não se lhe ouviu – pelo menos em público – foi uma alternativa que faça da Taça da Liga uma prova mais justa sem perda de receita. Começá-la, por exemplo, logo pela fase de grupos, invertendo a ordem de benefício do fator-casa que atualmente favorece os grandes. Levar os grandes aos campos da província em fase inicial da época, quando há mais fome de bola e emigrantes em Portugal, por exemplo. Fazer mais jogos quando as equipas querem jogar e não lhes sobrecarregar Janeiro, num convite descarado a que joguem com os suplentes e aconteça o que aconteceu no ano passado: apesar de todas as tentativas de os beneficiar no modelo da competição, dos grandes só o Benfica esteve na “final four”. E houve apenas 6703 espectadores na final, entre SC Braga e Moreirense. Falo, por exemplo, das queixas de Jorge Jesus acerca do estado pouco alerta de alguns dos seus jogadores que chegaram a Portugal pouco mais de 24 horas antes do jogo com o Feirense, vindos do outro lado do Mundo. “Deixe-me dormir primeiro, que depois logo lhe digo”, terá respondido Coates ao treinador, quando este lhe perguntou se ele estava em condições de jogar. E esta questão, dos calendários, já tem merecido debates sucessivos nos fóruns de treinadores que os organismos internacionais vão organizando, mas nada evoluiu e nunca se ouviram sequer propostas para melhorar as coisas, por exemplo juntando mais datas de seleções para minimizar o efeito das viagens transatlânticas e usando os milhões que o Mundial de futebol gera para ressarcir os clubes da ausência mais prolongada dos seus jogadores e da falta de receita por interrupção das competições. Pelo contrário, o que se fez foi no sentido inverso: espalharam-se os dias em que se joga sem que se façam mais jogos, mas só para haver menos concorrência entre jogos na TV, aproximando as chegadas dos jogadores aos clubes das datas em que têm de voltar a competir. Esta incapacidade de o futebol levar o pensamento basista às cúpulas está na génese da maior parte dos problemas que o jogo tem de enfrentar. Mas em vez de se trabalhar nesse sentido, o que mais se vê é a tentativa de o menorizar com argumentos que têm sempre o mesmo intuito. O de manter tudo na mesma.
2017-09-10
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Portugal vai entrar hoje naquela que se diz poderá vir a ser a última Taça das Confederações da história do futebol num papel a que nunca se habituou e com o qual, diga-se, nunca se deu bem também: o de favorito. Olha-se para as principais publicações europeias, sejam elas de que país forem, e todas carregam a equipa nacional de favoritismo. Para dizer a verdade, não estou assim tão convencido. E não é por Portugal estar mal, que não está. Está até melhor do que há um ano. Nem sequer por esta ser uma competição maldita, cujo vencedor costuma dar-se mal no Mundial a seguir. É só porque todas estas análises se fundam na premissa de que esta jovem Alemanha que Joachim Löw trouxe até à Rússia não tem capacidade para competir ao mais alto nível, mas se há coisas que estes alemães têm a mais do que os outros são energia, ritmo e intensidade. E isso costuma ser decisivo em finais de época. Há aquela velha frase de Gary Lineker. “O futebol é um jogo com onze de cada lado e onde no final ganha a Alemanha”. Pois bem, desta vez toda a gente acha que não ganha a Alemanha. É que, consciente de que não seria bom para o esforço de manter o título Mundial chegar à Rússia, daqui por um ano, com jogadores sujeitos a três anos seguidos com férias reduzidas e a conta-gotas, Löw trouxe uma equipa sem as suas maiores estrelas. Só lá estão três campeões do Mundo (Draxler, Mustafi e Ginter, sendo que este nem jogou um minuto sequer no Mundial); o mais velho é Wagner, ponta-de-lança do Hoffenheim, que tem 29 anos; e 18 dos 23 convocados têm 25 anos ou menos. Mais: face às lesões de Demme e Sané, o selecionador optou por nem chamar mais ninguém. “Bastam 21 jogadores”, disse Löw, mostrando uma ligeireza de atitude que, se for imitada pelos jogadores nos relvados, pode permitir-lhes ter as pernas muito mais leves do que as dos adversários. Esta não é a super-Alemanha que ganhou o Mundial há três anos, mas continua a ser uma muito boa equipa, com jogadores como Goretzka, Kimmisch, Draxler ou Werner. E será o maior teste ao novo paradigma do futebol alemão, o tal paradigma inaugurado depois da derrota contra Portugal no Europeu de 2000 (3-0 contra as reservas portuguesas, que os titulares ficaram a descansar depois de terem garantido a qualificação), em que passou a beneficiar-se a habilidade em vez do físico. Claro que Portugal pode fazer sombra a esta Alemanha e é, até, favorito, como dizem as mais renomadas publicações internacionais. Mas é aqui que entra o fator-maldição: o vencedor da Taça das Confederações nunca faz um bom Mundial. E não é seguramente por causa de um alinhamento negativo dos astros, mas devido a uma conjugação de fatores onde entram o tal cansaço acumulado com os efeitos perniciosos que o sucesso traz a uma equipa: se se ganha, muda-se menos e chega-se ao Mundial com uma equipa mais velha, petrificada, com menos sede de vitórias. Talvez por isso mesmo Santos tenha reforçado que traz “oito jogadores” que não estiveram no Europeu, como quem diz que, caso Portugal se qualifique para o Mundial, outras mudanças poderão suceder. Aliás, bem vistas as coisas, mais três equipas podem sonhar com o sucesso nesta prova. Há o Chile, que apresenta como desvantagem o facto de ser a seleção mais velha – 29 anos de idade média – de uma competição onde a recuperação física será fundamental, com três jogos numa semana. Mas que tem como vantagem o facto de muitos destes jogadores, de Sánchez a Vidal, de Bravo a Médel, já se conhecerem como irmãos, tantas batalhas já travaram juntos, incluindo as vitórias nas duas últimas edições da Copa América. Há a Rússia, uma Rússia rejuvenescida por Tcherchesov, em parte devido às ausências forçadas de Dzyuba, Dzagoev, Kokorin e Mamaev e aos abandonos internacionais dos centrais Berezutsky e Ignashievich, mas que mostrou contra a frágil Nova Zelândia uma velocidade rara nas suas seleções. E, sim, há o México, mais uma equipa veloz e vertiginosa, que depois dos 7-0 encaixados contra o Chile nos quartos-de-final da última Copa América, há exatamente um ano, não voltou a perder um jogo oficial e que além da tripla de inspiração portista – Layún, Reyes e Herrera – tem muita gente de qualidade na frente, graças a Chicharito, ao benfiquista Jiménez e aos regressos de Vela e Giovanni dos Santos.
2017-06-18
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O mundo do futebol está cheio de casos assim. Só para falar dos mais recentes, mediáticos e comprovados pela justiça, houve o caso Standard Liège-Waterschei no início dos anos 80, o escândalo OM-Valenciennes no final dessa década ou o polvo Juventus com tentáculos de Luciano Moggi na primeira década deste século. O que quer dizer que a tentação é grande e que andam todos ao mesmo: controlar, manipular o sistema, tirar dele o máximo proveito para aumentar as chances de ganhar. O limite, aqui, é o limite de cada um, porque nem todos temos a mesma noção de honestidade. E o importante, tanto no caso Apito Dourado como agora no caso dos mails divulgados pelo FC Porto a envolver funcionários do Benfica e outros ligados à arbitragem, é que a polícia investigue sem ser condicionada e a justiça atue se houver razão para tal. É nessa fase que estamos. Vamos estabelecer aqui um ponto de ordem à mesa. Se um clube faz uso da sua influência para mexer na classificação dos árbitros, na nomeação dos delegados ou dos observadores ou alimenta a ideia segundo a qual os árbitros ou os adversários têm de lhe ser simpáticos se querem usufruir de determinadas benesses, isso chama-se tráfico de influências e é crime. Seja o Benfica, o FC Porto ou o Carcavelinhos a fazê-lo. O problema, aqui, é sempre o mesmo e tem a ver com o ónus da prova. Os adeptos tendem a culpar os jornalistas, a colocá-los como fazendo parte deste mesmo sistema corrupto, seja pela divulgação ou pelo silêncio, consoante os podres alastram aos seus clubes do coração ou aos rivais mais empedernidos. Aquilo que posso dizer em defesa da classe é que histórias já todos ouvimos muitas, mas obter provas a ponto de poder contá-las não está, quase nunca, ao alcance de um jornalista, a quem o estatuto de carreira obriga a uma dose de responsabilidade muito maior do que um simples bloguer ou um adepto anónimo. É por isso que Bob Woodward ou Carl Bernstein ficaram na história – por terem conseguido algo que é extraordinariamente difícil e que costuma estar apenas ao alcance da polícia, no caso Watergate. Claro que entretanto podemos ter opinião. Há muito estou convencido de que entre os fatores de sucesso no futebol português, quero crer que ainda assim com menos influência do que os jogadores ou os treinadores, estão os influenciadores e os facilitadores. Por outras palavras? Estão os homens que influenciam a perceção da realidade do público, sejam os “paineleiros” dos clubes, os estrategas da comunicação ou até os spin-doctors que trabalham mais na sombra para semear ideias na cabeça de quem depois escreve ou fala na TV. E estão os homens que trabalham nos gabinetes com a missão de estabelecer relações de poder entre clubes ou entre clubes e órgãos de decisão, quase sempre através de manifestações de força, seja ela real ou fictícia, só para fazer bluff. O futebol está cheio desta gente, que se move nos limites da legalidade, umas vezes mais para o lado de cá, outras mais para o lado de lá. E é porque a linha que separa as duas coisas é tantas vezes tão ténue que nestas coisas, mais do que a legalidade, me interessa a moralidade. Porque há coisas que são legais e não são morais. E há outras que são ilegais mas não são imorais. Quem nunca tiver pisado um traço contínuo ou conduzido na auto-estrada a 130kms/h que atire a primeira pedra.
2017-06-14
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Muitas vezes se avalia a competitividade de uma equipa pelo total de faltas que faz. Não é um mau método, mas não pode ser o único – seja porque uma equipa pode ser competitiva tendo a bola nos pés por muito tempo, e consequentemente fazendo menos faltas, ou porque pode conseguir roubar a bola ao adversário sem recorrer à falta. Não deixa de ser sintomático que duas das equipas menos faltosas da Liga tenham sido o Benfica e o FC Porto – as outras foram o Rio Ave, o V. Setúbal, o Nacional e o V. Guimarães –, o que nem por isso significou que tenham sido menos competitivas. Ou que o Sporting tenha sido uma das que mais vezes recorreu à infração e nem por isso tenha sido tão competitivo como na época anterior. Mas vamos ao panorama completo. A Liga encerrou com 10301 faltas cometidas, que é como quem diz 33,6 por jogo. Não são números baixos – bem pelo contrário. A equipa que fez mais faltas foi o Chaves, que se ficou nas 633, isto é, 18,6 por jogo. Seguiram-se o Feirense, com 629, o Tondela, com 628 e o Sporting, com 625. Curioso é que das quatro só o Sporting tenha tido a bola por mais do que metade do tempo de jogo, mas a isso já lá vamos. No polo oposto, a equipa menos faltosa da Liga foi o V. Setúbal, com 498 infrações competidas, ou seja, 14,6 por jogo. A diferença não é muito acentuada, mas é também curioso que neste top das equipas menos faltosas apareçam o Rio Ave (505) e o Benfica (508). O FC Porto, com 537, surge na sexta posição, atrás também de Nacional (510) e V. Guimarães (533). Interessante é cruzar estes dados com os da posse de bola, uma vez que uma equipa está mais sujeita a cometer faltas quando não tem a bola do que quando a tem. Só seis equipas acabaram a Liga com uma posse de bola média superior a 50 por cento: Benfica, Sporting, FC Porto, Rio Ave, Sp. Braga e V. Guimarães. Destas seis, quatro estão no Top6 das menos faltosas, surgindo o Sporting e o Sp. Braga no extremo oposto. E se o normal seria que estas seis equipas fossem também as que mais faltas sofrem, pois fique a saber que também não é exatamente assim. Quatro das seis que tiveram mais bola aparecem entre as mais castigadas com faltas, uma tabela liderada pelo Marítimo, que sofreu 640 infrações (18,8 por jogo) e em cujo Top 6 aparecem também o V. Setúbal (626), o V. Guimarães (626), o Sp. Braga (624), o Sporting (612) e o Rio Ave (600). O FC Porto sofreu ao todo 589 faltas e o Benfica – a exemplo do Sporting no comparativo anterior – surge no ponto oposto da tabela, com 541 faltas sofridas, acima apenas de Nacional, Arouca, Chaves, Estoril e Moreirense. Olhando apenas para os máximos, é portanto possível perceber que Sp. Braga e sobretudo Sporting fizeram demasiadas faltas para o tempo mais reduzido que passaram em momentos defensivos e que, em contrapartida, FC Porto e sobretudo Benfica sofreram muito poucas para tanto tempo com a bola. Sinal de descontrolo de uns e de pouco risco de outros? É possível que sim. No caso de leões e arsenalistas por a época lhes correr mal e passarem muito tempo atrás de resultados negativos, no de benfiquistas e portistas  por estarem a controlar jogos nos quais já se tinham colocado em vantagem.  
2017-05-27
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Já vimos ontem que o facto de uma equipa ter mais ou menos posse de bola não tem muito a ver com o sucesso ou o insucesso. Fundamental mesmo é a capacidade dessa equipa nos comportamentos com e sem bola, quer isto dizer, ofensivos e defensivos. E também há modos de aferir isso que vão muito para além da avaliação subjetiva. Olhando, por exemplo, para os totais da última Liga, verificamos que, com menos posse de bola, o FC Porto até rematou mais do que o Benfica e que em contrapartida permitiu menos remates do que os tetracampeões – o que devia ser uma boa forma de se ver que os dragões eram melhores com e sem bola. Acontece que foram piores no cruzamento desses dados com os golos marcados e sofridos, o que pode ter duas explicações: ou tiveram piores rematadores e piores guarda-redes ou – e eu acredito mais nesta segunda hipótese – tiveram no seu toso comportamentos coletivos que geraram situações mais favoráveis de remate no seu ataque e mais desfavoráveis de finalização aos adversários. Por exagero, podemos pensar nas seguintes situações. Qualquer um de nós será pior guarda-redes do que Ederson, Casillas ou Rui Patrício, mas teríamos seguramente uma dose maior de êxito a defender remates de meio-campo do que eles a defender tiros da entrada da pequena área. Além disso, qualquer um de nós será pior finalizador do que Mitroglou, André Silva ou Bas Dost, mas também teríamos uma percentagem de sucesso maior em remates da marca de penalti do que eles em tiros feitos de trás da linha de meio-campo. No fundo, é disso que se trata: os comportamentos coletivos do Benfica foram, em ambos os casos, melhores do que os do FC Porto. Senão vejamos. O Benfica acabou o campeonato com 510 remates (exatamente 15 por jogo), menos 28 do que o FC Porto, que chegou aos 538 (15,8 por jogo). Foram as duas equipas mais rematadoras da competição, sendo que a terceira foi o Chaves, com 420 – o Sporting, por exemplo, só rematou 393 vezes (11,5 por jogo). Por outro lado, a equipa encarnada deixou os adversários rematar 285 vezes (8,3 por jogo), tendo o FC Porto ficado pelas 234 (6,8 por jogo). Entre os dois, neste particular, ainda se situou o Sporting, com 258 remates cedidos (7,5 por jogo). Acontece, porém, que o Benfica marcou mais golos em menos remates e sofreu menos em mais remates: a equipa de Rui Vitória fechou a Liga a sofrer um golo a cada 15,8 remates e a marcá-lo a cada 7,1 tentativas, enquanto que o FC Porto marcou a cada 7,6 remates e sofreu a cada 12,3. A grande diferença foi estabelecida, portanto, no comportamento defensivo – o que faz sentido, tendo em conta que tanto Benfica como FC Porto apresentaram como arma principal a forma como foram capazes de esticar o jogo no ataque. Mas verdadeiramente espantosa é a avaliação dos comportamentos do terceiro classificado, o Sporting. Os leões foram a equipa mais bem trabalhada da Liga em termos atacantes, com um golo a cada 5,8 remates – sendo que até o Sp. Braga, por exemplo, foi melhor do que o Benfica e o FC Porto, com um golo a cada 6,9 remates. Só que os jogadores de Jorge Jesus estragaram tudo nos comportamentos defensivos, onde só na última jornada escaparam ao nada honroso título de pior equipa da Liga: já vimos acima que o Sporting foi a segunda equipa da Liga que menos remates permitiu, mas também esteve perto de ser aquela cujos adversários precisavam de menos remates para marcar. Ao todo, a equipa leonina sofreu um golo a cada 7,2 remates – média apenas piorada pelo Nacional, cujos adversários marcavam uma vez a cada sete tentativas. Ainda se lembram que os valores de eficácia defensiva de Benfica e FC Porto eram 15,8 e 12,3? Ora aí está a explicação para o falhanço leonino em 2016/17.
2017-05-26
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O facto de o Benfica ter jogadores velozes e de fazer grande parte dos seus golos em rápidas acelerações nos últimos metros do campo fez com que se gerasse a ideia de que a equipa de Rui Vitória – e antes dela a de Jorge Jesus – era melhor em contra-ataque e em ataque rápido do que com a bola. Ora aí está mais uma ideia errada. É verdade que o Benfica cria muitos desequilíbrios e chega com frequência ao golo fruto da capacidade que tem para mudar a velocidade do jogo, mas não deixa de ser um facto que depois controla bem as partidas com a bola. Sintomático disso é o facto de os encarnados terem sido a equipa com mais bola em toda a Liga: 59,1%, face a 58,7% do Sporting e 58,2% do FC Porto. No outro extremo está o Feirense, que lá por ter obtido a melhor classificação de sempre não quer dizer que tenha tido muita bola: encerrou o campeonato com uma média de 43,5% de posse de bola. Só cinco equipas acabaram a Liga acima dos 50% de posse de bola. Além dos três grandes, isso aconteceu ainda ao Rio Ave, cujo futebol positivo se refletiu numa média de 53,7% de posse, e ao Sp. Braga, que se ficou pelos 51,3%. O V. Guimarães, brilhante quarto classificado na Liga, fechou as contas rigorosamente ao meio, em 50%, mostrando que ter a bola mais tempo não quer necessariamente dizer ter sucesso no que se quer fazer-lhe. A prova disso vem do Feirense, mas também das duas equipas que estão imediatamente acima dos pupilos de Nuno Manta nesta tabela: o Tondela salvou-se da despromoção com uma média de 45,3% de posse de bola e o Boavista obteve a melhor classificação da década com a bola em apenas 45,8% do tempo. O Nacional, último classificado da Liga, fechou as contas nos 49%, sinal de que se via depressa em desvantagem e era obrigado a assumir as despesas do jogo. Prova disso é o facto de o jogo em que uma equipa teve mais tempo a bola nesta Liga ter acabado favorável… ao adversário. Aconteceu no Marítimo-Benfica, que os insulares ganharam por 2-1, tendo a bola em 27% do tempo, contra 73% dos encarnados. Sintomático que os jogos mais desequilibrados em termos de posse a seguir a este tenham também corrido mal à equipa mais dominadora: o Benfica perdeu por 1-0 em Setúbal com o Vitória com 71% de posse de bola e o Sporting só fugiu à derrota caseira contra o Tondela no último minuto de um jogo em que teve a bola nos mesmos 71% do tempo. Agora isto não quer dizer que ter a bola seja mau. Longe disso. Bom é marcar primeiro e a seguir controlar o jogo com a bola. Foi o que fez o Benfica na maior parte dos seus jogos: além do 0-0 em Paços de Ferreira, no qual ninguém fez golos, marcou primeiro em 26 dos restantes 33 jogos e não ganhou nenhum dos sete em que viu o adversário adiantar-se, mas nos quais também teve durante muito tempo a bola, pois procurava ir à procura do empate. Olhando para as 34 jornadas da Liga, o Benfica teve mais bola do que os adversários em 30 delas. As exceções foram o empate a uma bola frente ao FC Porto no Dragão (49-51), a vitória na Luz frente ao Sporting (2-1 em golos, mas 42-58 em posse de bola), o empate com os leões em Alvalade (50-50) e o sucesso por 1-0 em Vila do Conde face ao Rio Ave (49-51), na antepenúltima ronda da competição. Sem ter tantos jogos de tão grande monopólio da bola, o Sporting foi, neste aspeto, mais regular: além da já citada divisão da bola frente ao Benfica em Alvalade, só cedeu a primazia a um adversário, que foi o Rio Ave, dono da bola em 54% do jogo que acabou por perder por 1-0 em Alvalade. O Rio Ave, aliás, conseguiu a proeza de ter mais bola do que qualquer um dos três grandes pelo menos num jogo. Além dos dois jogos com o Sporting (45-55 em Alvalade e 38-62 no Dragão) e do empate com o Benfica na Luz (46-54), o FC Porto de Nuno Espírito Santo ainda cedeu a primazia na receção aos vila-condenses (4-2 em golos e 49-51 em bola) e na visita ao Vitória de Guimarães (2-0 no marcador e 42-58 na bola).
2017-05-25
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Havia uma frase célebre em tempos nos campos de futebol. Sempre que havia um pontapé de canto, havia sempre alguém mais antigo que dizia que um canto era “meio golo”. Na verdade, nunca terá sido bem assim. E mais: depende de quem ataca e de quem defende. Porque há equipas especialistas neste tipo de lances. A identificação dos 84 golos nascidos de pontapés de canto na última Liga permite apontar para o Marítimo, as melhores equipa da Liga tanto a atacar como a defender nos pontapés de canto. Com o Sporting em segundo lugar. Primeira constatação: os 84 golos saídos de pontapés de canto correspondem a 11,5 por cento do total de 728 golos marcados na Liga. Se todas as equipas fossem igualmente eficazes a atacar e defender pontapés de canto, o mais normal seria que todas andassem mais ou menos dentro destas percentagens. E não andam. Mas já lá vamos. Primeiro identifiquemos os maiores totais absolutos. As equipas que mais golos marcaram de canto na Liga foram o Marítimo, com 11, e o Sporting, com nove, seguindo-se o V. Setúbal, que marcou sete. Só uma equipa não fez qualquer golo de canto na competição: o Desp. Chaves. O que é curioso é que as equipas que menos golos sofreram do quarto-de-círculo foram as mesmas: Sporting e Marítimo, com apenas dois golos sofridos de canto, partilhando o V. Setúbal o terceiro lugar com outras quatro equipas que encaixaram mais um golo (FC Porto, Boavista, Benfica e Belenenses). Ora se estes são os melhores, então quem são os piores? O que é sintomático é que também aqui há repetentes. Defensivamente, ninguém esteve pior nos cantos do que o Arouca (nove golos), o Nacional (oito) e o Moreirense (sete). E se olharmos para a vertente ofensiva, todos estão no fundo da tabela: acima do já mencionado caso do Chaves, os piores foram o Nacional (dois golos) e depois Arouca, Moreirense, Feirense, Tondela e Rio Ave (todos com três). Claro que a aplicação destes valores aos totais de golos de cada equipa nos permite depois ver qual o peso relativo dos cantos na produção de cada uma – e aí as tabelas variam. Enquanto os onze golos obtidos pelo Marítimo lhe valeram um terço (32,3%) do total de tentos marcados pela equipa insular na Liga (34), os nove do Sporting já só representaram 13,2% dos 68 obtidos pelos leões. Um peso relativo inferior a V. Setúbal (23,3%), Belenenses (18,5%), P. Ferreira (15,6%) ou Estoril (13,8%). Já em relação à performance defensiva, o Sporting foi a equipa com menor peso relativo dos cantos nos golos sofridos: os dois que sofreu significaram 5,5% dos 36 golos sofridos, enquanto que os dois encaixados pelo Marítimo valeram 6,2% dos 32 cedidos pelos verde-rubros. Esta, no entanto, não é a forma mais interessante de avaliar as coisas. Bem mais significativo é vermos a percentagem de eficácia de cada equipa nos cantos que teve, de facto, na Liga. Ora a Liga portuguesa teve 3186 pontapés de canto, isto é, pouco mais de dez por jogo. Se estes 3186 pontapés de canto deram 84 golos, isso quer dizer que só 2,6% dos cantos geram um golo. Ou que, ao contrário do que diz o aforismo, um canto não é meio golo – é, sim, 40 avos de golo. A equipa que teve mais pontapés de canto a favor foi o FC Porto (235), seguido do Sporting (233) e, pasme-se, do Nacional (220). O Benfica, por exemplo, ficou pelos 210, ainda assim muito mais do que o Estoril, que só beneficiou de 127. Por outro lado, ninguém defendeu tantos cantos como o Nacional (225). Quem mais se aproximou foram Boavista (217) e Feirense (215) e quem menos vezes foi submetido a esta jogada foi o Sporting, que só teve 110 cantos contra (o FC Porto teve 118 e o Benfica 146). Mais interessante é verificar, então, a percentagem de eficácia. Afinal, quem é precisa de menos cantos para chegar ao golo? E quem é que resiste a mais sem o sofrer? A resposta às duas perguntas é a mesma: o Marítimo. A equipa do Funchal fez onze golos em 147 cantos, isto é, marca um golo a cada 13,3 cantos (percentagem excelente, tendo em conta que a média geral é de um golo a cada 40). Quem mais se aproxima são V. Setúbal (sete golos em 173 cantos) e Sp. Braga (seis golos em 150 cantos), que marcam um golo a cada 25 pontapés de canto. Dos grandes, o melhor é o Sporting (9/233) com um golo a cada 25,8 cantos, seguido do Benfica (6/210) com um golo a cada 35 cantos e do FC Porto (4/235) com um golo a cada 58,5 cantos. Ninguém aparece pior do que o Chaves, naturalmente, pois os transmontanos não marcaram qualquer golo nos 186 cantos de que beneficiaram. Defensivamente, é também o Maritimo a equipa proporcionalmente mais difícil de bater em pontapés de canto. Os insulares encaixaram dois golos em 173 cantos, isto é, um a cada 86,5. É um valor melhor que o do Sporting, que sofreu os mesmos dois golos, mas em 110 cantos. Ou seja, um golo a cada 55 pontapés do quarto-de-círculo. Melhor do que os leões ainda aparecem o Boavista (um golo a cada 72 cantos), o Belenenses (um a cada 58) e o V. Setúbal (um a cada 56). O Benfica (três golos em 146 cantos) sofre um golo a cada 48,6 pontapés de canto e o FC Porto (três em 118) tem uma má notícia a cada 39,3 cantos. A pior equipa da Liga, neste aspeto, foi o Arouca: em 207 cantos contra sofreu nove golos. Um a cada 23. Ora aí está uma das razões para a descida de divisão.
2017-05-24
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Foram 27 em 728. Quase quatro por cento dos golos desta Liga portuguesa foram autogolos, havendo neste aspeto dois jogadores que se destacaram: o egípcio Aly Ghazal e o português Pica, que tiveram por três vezes a infelicidade de desfeitear o seu próprio guarda-redes, quando tentavam evitar o pior. Em termos coletivos, a equipa mais fustigada por esta infelicidade foi o Nacional, com cinco autogolos, enquanto que o mais beneficiado foi o Benfica, com quatro autogolos a favor. A propensão para marcar na própria baliza acabou por cortar a progressão a Aly Ghazal na equipa do Nacional. O médio e defesa egípcio tinha sido um dos jogadores-chave para Manuel Machado nos últimos anos, mas esta época correu-lhe particularmente mal. Logo à segunda jornada foi ele a desfazer o 0-0 num Nacional-Benfica, que os encarnados acabaram por ganhar por 3-1. À 11ª ronda, em Novembro, e mais uma vez com o resultado em branco, voltou a bater Rui Silva para estabelecer o 0-1 final de uma partida contra o Estoril. Um mês passou e, outra vez com um 0-0 no marcador, Aly Ghazal assinou mais um autogolo, num jogo que o Nacional acabou por perder por 2-1, contra o Rio Ave, em Vila do Conde. O egípcio só jogou mais uma vez pelo alvi-negros, quatro dias depois, numa derrota em casa contra o Boavista, mas saiu aos 36’, com o resultado já em 0-2, e acabou por deixar o clube no mercado de Janeiro, para jogar no Guizhou Hengfeng Zhicheng, da China. Por sua vez, também Pica viu essa tendência para os autogolos arruinar-lhe a época. Titular no centro da defesa beirã no início da temporada, fez logo um autogolo à terceira jornada, na derrota em casa (0-1) contra o Belenenses. Acabou por perder a vaga em inícios de Outubro, mas reassumiu a titularidade em meados de Novembro, mantendo-a até um jogo terrível, em Setúbal, na antevéspera de Natal. Nessa noite, Pica não fez só um – fez dois autogolos, a abrir e a fechar um score que ficou pelos 3-0 favoráveis aos sadinos. Pepa, que substituiu Petit nos comandos da equipa no início de Janeiro, só o utilizou três vezes até final da época, tendo-o sempre no banco na reta final, marcada pelas cinco vitórias em seis jogos que valeram a salvação à equipa. Com cinco autogolos, o Nacional foi a equipa que mais vezes marcou na própria baliza – além dos três de Aly Ghazal, há a registar um de Nené Bonilha pelo Belenenses e outro de César a favor do Sp. Braga. No final, só quatro equipas não registam autogolos: Benfica, FC Porto, Chaves e Estoril. Por outro lado, o Benfica foi o principal beneficiário, com quatro autogolos a seu favor. Além do já citado, de Aly Ghazal, o tetra-campeão nacional teve ainda mais dois a abrir os resultados, em duas vitórias que acabaram por ser folgadas: um de Luís Aurélio (Feirense) e outro de Luís Martins (Marítimo). Falta referir o autogolo de Fábio Espinho (Boavista), que acabou por dar um ponto, pois estabeleceu o empate final (3-3) no Estádio da Luz. Ao todo, 15 equipas viram os adversários marcar autogolos a seu favor, sendo as exceções o Sporting, o Boavista e o Arouca.
2017-05-23
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Bressan, do Chaves, e Iuri Medeiros, do Boavista, foram os jogadores que mais golos fizeram na conversão de livres diretos nesta Liga: três cada um. Mas as suas equipas não foram, ainda assim, as que melhor aproveitaram estas bolas. Quem mais golos marcou em livres diretos foram o Paços de Ferreira e o Tondela, com a particularidade de os beirões terem obtido os seus quatro golos de livre através de quatro marcadores diferentes. No polo oposto está o Marítimo, que encaixou quatro golos de livre direto nesta Liga. Primeiro, os especialistas. O pé esquerdo de Iuri Medeiros foi três vezes certeiro, e duas delas no mesmo jogo – frente ao Marítimo obteve dois golos de livre, o primeiro na convergência da meia-lua com a linha de área, sobre a direita do ataque, e o segundo perto do bico da área, do mesmo lado. Antes disso, Iuri já tinha marcado de livre ao Benfica, igualmente sobre a direita, mas um pouco mais atrás. Por sua vez, o pé direito de Bressan nem precisou de tantos jogos para marcar os seus três golos de livre direto. O bielorrusso de origem brasileira jogou apenas 15 vezes pelo Chaves – contra as 27 em que Iuri representou o Boavista – e os seus golos parecem o outro lado do espelho dos do boavisteiro: marcou a Feirense, V. Guimarães e Estoril sempre do lado esquerdo, entre o bico da área e a convergência entre a meia-lua e a linha de grande área. Curioso é que nem com este “avanço” o Boavista e o Chaves tenham conseguido ser as equipas mais goleadoras neste particular. Ambas se ficaram pelos três golos de livre, menos um do que os obtidos por Paços de Ferreira (dois de Welthon, um de Andrezinho e um de Pedrinho) e Tondela (Candé, Lystsov, Pité e Pedro Nuno marcaram os golos, este último da vitória em Arouca que acabou por revelar-se decisiva para a permanência). Cinco equipas não fizeram um único golo de livre direto na Liga – foram elas V. Setúbal, Belenenses, Moreirense, Arouca e Nacional. O Belenenses até marcou dois, mas ambos na Taça da Liga. Do outro lado, o bom, foram também cinco as equipas que nunca foram batidas de livre direto na Liga: FC Porto, Rio Ave, Paços de Ferreira, Belenenses e Tondela. Os mais castigados neste particular acabaram por ser Marítimo (quatro golos sofridos), Sporting, Arouca, Feirense e Boavista (todos com três). O guardião brasileiro Charles, que jogou apenas por pouco mais de meia época na baliza dos insulares, tem aqui muito com que se entreter durante as férias, pois este é um ponto em que precisa mesmo de melhorar.
2017-05-23
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Gelson Martins foi o maior assistente da Liga portuguesa em 2016/17, assinando dez passes para golo. O jovem extremo do Sporting sucedeu assim ao lateral portista Layún, que na edição anterior tinha protagonizado 15 assistências, ficando o decréscimo no total associado ao facto de Gelson não ter feito nenhum passe decisivo na sequência de bolas paradas, uma das especialidades do mexicano. Os maiores rivais de Gelson na lista desta época foram o lateral portista Alex Telles – sucessor de Layún no onze do FC Porto – e o extremo Iuri Medeiros, que esteve emprestado pelo Sporting ao Boavista. Ambos terminaram a Liga com oito assistências no currículo. A produção de Gelson Martins, no entanto, esteve longe de ser regular. Das suas dez assistências para golo, oito apareceram na primeira volta e sete nas primeiras doze rondas – enquanto o Sporting esteve vivo na luta pelo título. Desde a derrota na Luz, à 13ª jornada, o jovem extremo fez apenas mais três passes para golo: assistiu Bas Dost no empate em Chaves com que se encerrou a primeira volta, em meados de Janeiro; deu um golo a Alan Ruiz em Arouca, nos inícios de Abril; e outro a Matheus Pereira na receção ao Chaves, no último domingo. Se foi o Sporting que se ressentiu da quebra de Gelson ou este a sentir a quebra da equipa, isso já é mais difícil de definir. Certo é que Gelson vinha sendo de uma regularidade extraordinária, pois dava golos em quase todos os jogos (as suas dez assistências apareceram em dez jogos diferentes) e a vários companheiros: Bas Dost, com quatro golos após passes de Gelson, foi o único repetente, sendo os outros beneficiados Bryan Ruiz, Adrien Silva, Campbell, William Carvalho, Alan Ruiz e Matheus Pereira. A lista dos maiores criadores de golos da Liga segue, como já foi escrito, com Alex Telles e Iuri Medeiros, ambos com oito assistências. Com sete aparece o primeiro assistente do Benfica, campeão nacional: o médio Pizzi somou sete assistências, ainda assim mais uma do que na época anterior, na qual o principal criador do Benfica tinha sido Gaitán, entretanto transferido para o Atlético de Madrid. E Pizzi não está sozinho: também com sete passes de golo aparecem o avançado vimaranense Marega (emprestado pelo FC Porto) e o lateral maritimista Patrick. O top 10 dos assistentes completa-se com André Silva (FC Porto), Nelson Semedo (Benfica), Otávio (FC Porto), Pedro Santos (Sp. Braga), Raphinha (V. Guimarães), Salvio (Benfica) e Wilson Eduardo (Sp. Braga). Todos somaram seis assistências.
2017-05-23
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Se a Liga portuguesa perdeu golos, a responsabilidade não é seguramente de Bas Dost, um cidadão holandês mais alto que a média que o Sporting foi buscar ao Wolfsburg para substituir Slimani, quando este saiu para o Leicester. Bas Dost estreou-se apenas à quarta jornada, já o mês de Setembro ia quase a meio, com um golo ao Moreirense, mas conseguiu na mesma acabar a prova como melhor marcador. Apontou 34 golos, a uma média de um por jornada (sem descontar as três em que ainda por cá não andava, porque disso ninguém teve culpa), sendo o primeiro a chegar a estes valores desde que, em 2001/02, Jardel apontou 42 e levou para casa a Bota de Ouro europeia. Dost teve de contentar-se com a prata. Nos 15 anos que mediaram entre as duas proezas, só um homem tinha passado a barreira dos 30 golos: foi Jonas, que acabara a época passada com 32. Bas Dost, que além dos 34 golos no campeonato, só fez mais um na Taça de Portugal e outro na Liga dos Campeões – há, ainda, mais um na Taça da Alemanha, antes de assinar pelo Sporting – fez uma segunda volta muito melhor do que a primeira. O bis ao Chaves no encerramento da primeira volta levou-o a chegar ao ponto de viragem com 13 golos, aos quais somou 21 na segunda volta. Sinal de adaptação crescente ao novo campeonato e à nova equipa foi o facto de os seus três hat-tricks (Boavista, Sp. Braga e Chaves) e o póquer (ao Tondela) terem todos eles surgido neste segundo turno. Somou-lhes bis a Nacional, Paços de Ferreira (ambos também na segunda volta), Chaves, Feirense, Arouca e Estoril (estes na primeira vez que os defrontou). Bas Dost fez golos a 15 dos 17 adversários que teve na Liga – só o FC Porto e o V. Guimarães não o viram meter a bola no fundo das redes. É sabido que só mais perto do final da Liga começou a marcar penaltis, mas ainda converteu sete, o que veio contribuir para retirar algum peso à sua principal arma, que é o jogo aéreo: dos 34 golos que fez na Liga, 12 foram de cabeça, 21 de pé direito e apenas um de pé esquerdo (o segundo nos 2-1 em casa ao Feirense). Quase todos nasceram dentro da área: a exceção aqui, é um golo nos 4-2 ao Estoril, marcado cara-a-cara com o guarda-redes, após passe em profundidade de William Carvalho. O holandês marcou mais golos na segunda parte (20) do que na primeira (14), tendo como período predileto o segundo quarto de hora deste segundo período (nove golos entre os 61’ e os 75’), mas tanto marca golos a abrir (o mais madrugador foi logo aos 5’, no Sporting-Feirense) como a fechar (comprova-o o golo da vitória frente ao Belenenses, no Restelo, aos 90+3’). Curioso é que Gelson, o principal assistente do Sporting, não tenha disparado nos passes decisivos para Bas Dost. A prova de que a ligação entre os dois ainda pode ser melhorada é que o jovem extremo português fez tantas assistências para Bas Dost como o costa-riquenho Campbell (quatro), sendo os dois seguidos por Alan Ruiz, Schelotto, Bruno César e Matheus Pereira (todos com dois passes para golo) como principais municiadores do goleador holandês.
2017-05-22
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Já deve ter reparado que a Liga portuguesa perdeu golos em relação ao ano anterior. Foram 103 a menos, caramba! Mais de três por jornada, em média. Se não reparou é porque anda mesmo desatento. E o que é preocupante não é apenas isso. É que esta é uma redução em contra-ciclo com aquilo que é a realidade das Ligas de topo da Europa e até com aquilo que vinha sendo a história da própria Liga portuguesa, que estava a ver o total de golos crescer desde 2014, que foi a última vez que tínhamos descido tão baixo. As 34 jornadas da Liga portuguesa resultaram em 728 golos, a uma média de 2,38 golos por jogo. São menos 103 se compararmos com os 831 golos marcados na época passada, que nessa altura valeram uma média de 2,72 golos por jogo, a melhor desde os 2,78 de 2012/13. O primeiro ano do tetra do Benfica marcou uma acentuada quebra, para 2,37 golos por jogo, mas desde então tinha sido sempre a subir: os 2,49 de 2014/15 e os 2,72 da época passada tinham deixado a Liga portuguesa em linha com as maiores da Europa. Há um ano, aliás, entre as grandes, a Liga portuguesa só era batida pela Bundesliga, que fechara a competição com uma média de 2,83 golos por jogo. A questão é que enquanto a Liga portuguesa voltou a baixar para números próprios da primeira década deste século – a prova andava estagnada por ali desde meados dos anos 80 do século passado – todas as Big Five cresceram na frequência com que se festeja a festa do golo. A Liga espanhola assumiu a dianteira, com 2,94 golos por jogo, seguida da Série A italiana, com 2,92 (a uma jornada do fim), da Bundesliga alemã, com 2,87, e da Premier League inglesa, com 2,80. Mais perto da nossa realidade só a Ligue 1 francesa, que encerrou a contabilidade nos 2,62 golos por jogo. E a culpa desta descida em contra-ciclo não pode ser dos treinadores portugueses, porque o campeão francês, o Monaco de Leonardo Jardim, foi uma das raras equipas europeias de topo a marcar mais de 100 golos no campeonato. À frente dos 107 golos monegascos (2,81 por jogo) só aparecem os 116 do Barcelona (3,05 por jogo). O Benfica, que passou a marca dos 100 golos (em todas as competições) pela sétima temporada consecutiva – e de resto foi a única equipa da I Liga portuguesa a conseguir fazê-lo esta época – teve o melhor ataque da Liga, mas ficou-se pelos 72 golos, que correspondem a 2,11 por jogo.
2017-05-22
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Há um ano, se me perguntassem, diria que, em função da dinâmica de vitória que apresentava, o Sporting era o principal favorito a ganhar a Liga que se seguia. E no entanto as coisas mudaram tanto que os leões não passaram do terceiro lugar. Nesta altura, tudo indica que o Benfica vai sair à frente dos rivais para o campeonato de 2017/18. Falta perceber o que vai mudar daqui até lá, seja em termos de mercado (entradas e saídas de jogadores), da força dos treinadores dentro do contexto do clube ou de variáveis internas de balneário. Há um ano, a gestão de todos estes fatores contribuiu para que o Sporting caísse a pique em termos de produção. Caberá agora ao Benfica gerir os três meses até ao início do campeonato de forma a evitar os erros cometidos pelos outros. Começo hoje a antevisão desses três meses que vão definir aquilo que vai ser a nova época precisamente pelo Sporting, onde a atualidade é mais efervescente. A pressão mediática está naturalmente mais em cima de quem mais falhou, que foi o Sporting. Saem notícias de desentendimentos entre treinador e presidente, seguidas de desmentidos formais de ambos, mas falta perceber como vai ser montada a equipa leonina para atacar a nova época. Há um ano, a adoção de uma política errada de perfis na altura de substituir os jogadores perdidos, seguida da alegada perda de poderes do treinador e, a montante disto, a pressão exterior nascida no êxito da seleção nacional e na consequente procura – e vontade de sair – de elementos fundamentais do balneário foi uma montanha demasiado íngreme para a equipa escalar.  Bas Dost e Gelson foram os melhores leões em 2016/17, mas aquilo que deram à equipa foi sobretudo individual – os golos de Dost, a imprevisibilidade e as assistências de Gelson – e não substituiu aquilo que lhe davam Slimani e João Mário, que era altruísmo, capacidade para fazer brilhar os outros e poder coletivo de controlo sobre os jogos. Não é por acaso que além de Dost e Gelson mais ninguém tenha feito uma boa época no Sporting e que vários jogadores fundamentais tenham mesmo caído a pique em termos de rendimento – Bryan Ruiz é disso exemplo paradigmático.  Em paralelo, obedecendo a uma teoria de vasos comunicantes mas não só por causa deles, houve muitas contratações falhadas: uns por umas razões, outros por outras, Markovic, Castaignos, Elias, Douglas, Meli, Petrovic, Campbell ou André nunca justificaram a entrada no plantel. Tudo somado, os resultados foram maus e a empatia entre presidente e treinador começou necessariamente a diminuir.  Jesus pode ou não continuar à frente da equipa do Sporting – e o melhor para os leões é que continue, porque os dois anos que lá passou levam a que não haja ninguém em melhores condições de compreender aquele balneário e de devolver ao clube o futebol que jogava há um ano. Mas o fundamental mesmo é que treinador e presidente compreendam que precisam de uma política comum, o que implica algumas cedências de parte a parte. Bruno de Carvalho tem de conceder que se o treinador tem uma ideia para a equipa, ou concorda com ela ou, se discorda, assume que errou na escolha – porque se há verdade absoluta na cartilha dos treinadores é a de que se deve viver e morrer de acordo com as suas próprias ideias e parte já para outra, sem perder mais tempo e dinheiro. E Jesus tem de assumir que o poder económico do Sporting não está, nem pouco mais ou menos, de acordo com aquilo que gasta na equipa técnica e que, por isso, não lhe resta outra alternativa a não ser continuar a aproveitar miúdos saídos da formação – como fez, bem, com Gelson ou Ruben Semedo e se prepara para fazer com Podence – e acertar mais nas escolhas dos craques que o clube contrata a peso de ouro. No fundo, o desmentido que os adeptos esperam de Bruno de Carvalho e Jesus não é o de que estão pontualmente em desacordo. O que eles precisam de desmentir agora é aquilo que muitos anteviam como principal problema da parceria, que era o excesso de ego de ambos. Este não veio à tona nos primeiros 18 meses de convivência porque o que estava lá à frente – a perspetiva de ganhar a Liga – era mais forte do que aquilo que tinham deixado para trás – nada, na época de arranque, e um campeonato perdido com recorde de pontos e excelente futebol, no início da segunda temporada. Agora, no rescaldo de uma época totalmente falhada, a tentação é grande e manda apurar responsabilidades. E muito daquilo que anda por aí tem menos a ver com uma reivindicação de poder do que com uma declaração de isenção de culpa. Quando se diz que o que está aqui em causa é a decisão acerca de quem vai formar o plantel, no fundo, o que está a debater-se é quem fez asneira a formar o anterior. Porque nem presidente nem treinador – nem os seus defensores acérrimos, de resto – alguma vez admitirão que a miséria que foi a época de 2017/18 tem a ver com culpas próprias.
2017-05-21
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Boa parte das razões para justificar o Benfica campeão estão nos números, porque eles nos dão o retrato fiel do que as equipas rendem em campo. Basta olhar para eles para perceber que Benfica e FC Porto são quem melhor compatibilizou defesa e ataque nesta Liga e que o título dos encarnados se explica pela vantagem que obtiveram nos dois parâmetros. Até o falhanço do Sporting tem aquiacolhimento: a equipa leonina foi absolutamente bipolar no que a essa compatibilidade diz respeito, sendo a mais bem trabalhada no ataque mas defendendo ao nível das que por esta altura lutam para evitar a descida de divisão. O erro mais habitual de quem usa os números para justificar uma perceção da realidade é o excesso de simplificação. Olha-se para os números em absoluto e eles pouco explicam: dizem-nos que o FC Porto tem o melhor ataque e a melhor defesa, mas depois é o Benfica quem soma mais pontos. Contradição? Dizem-nos que o Sporting consegue ter mais bola em média nos seus jogos do que o FC Porto, sendo os dois suplantados pelo Benfica, mas isso só significa que os três gerem os jogos de forma diferente: o Benfica controla com bola quando se coloca em vantagem, o Sporting cria mais envolvimentos do que o FC Porto, que vai mais direto ao objetivo. E dizem-nos, por exemplo, que o Benfica permitiu até aqui mais 54 remates aos adversários do que o FC Porto – mesmo tendo a bola por mais tempo – e mais 37 do que o Sporting, mas isso também não nos diz nada de especial. Prefiro centrar a análise na relação remate/golo, porque essa, mesmo podendo ser sujeita a interpretações desviantes, ajuda muito melhor a entender o que as equipas valem. E é nesta análise que se estabelecem as diferenças que explicam a coroação do Benfica como campeão nacional. O Benfica marca um golo a cada 7,3 remates e só o sofre quando os seus opositores chegam aos 16,9 remates. Em comparação, o FC Porto precisa de 7,7 remates para fazer um golo e permite que os adversários o façam aos 14,5. E enganem-se os que pensam que isto tem a ver só com eficácia ou até predominantemente com eficácia de avançados e guarda-redes – o segredo, aqui, é a condição em que os remates são feitos ou o modo como se conduz o adversário para áreas em que eles podem na mesma rematar mas sem poderem à partida ser tão felizes.Assumindo que a diferença não se explica pela incapacidade dos jogadores de umas equipas fazerem golos e pela qualidade dos guarda-redes de outras a evitá-los – seria estranho que, em média, só por causa das suas competências técnicas, um jogador do Nacional precisasse de 18 remates para marcar, enquanto que um do Sporting o fizesse a cada 5,9 tentativas – o que estes números nos revelam é a qualidade dos comportamentos coletivos das várias equipas da Liga. E aqui a bipolaridade do Sporting é um exemplo paradigmático. Sendo uma equipa muito bem trabalhada do ponto de vista ofensivo – um golo a cada 5,9 remates fazem dos leões os melhores da Liga neste aspeto – é a pior de todas na forma de defender. E certamente ninguém no seu perfeito juízo sustentará que a razão para que os leões sofram um golo a cada 7,1 remates – os piores da Liga, seguidos de Nacional (7,3), Moreirense (7,4) e Tondela (7,6) – é a má qualidade de Rui Patrício, guarda-redes da seleção nacional que esteve em destaque no último Europeu. Não. O que se passa é que o Sporting defende tão mal, tem comportamentos tão irregulares sem bola, que por aí se explica a falência da candidatura da equipa de Jesus ao título. Aliás, se compararmos a relação entre a eficácia defensiva e ofensiva, o ratio do Sporting (1,20) é apenas o quinto da Liga, atrás de Sp. Braga e V. Guimarães (ambos nos 1,61) e, sobretudo, das duas equipas que lutaram até ontem pelo título: o FC Porto nos 1,87 e o Benfica, bem lá longe, nos 2,33. Por isso o Benfica foi campeão.   Remates por golo marcado 1º Sporting​5,9 Rpg 2º Sp. Braga​7,0 Rpg 3º V. Guimarães​7,2 Rpg 4º Benfica​7,3 Rpg 5º FC Porto​7,7 Rpg (…) 18º Nacional​18,0 Rpg   Remates por golo sofrido 1º Benfica​16,9 Rpg 2º FC Porto​14,5 Rpg 3º V. Guimarães​11,6 Rpg 4º Marítimo​11,5 Rpg 5º Sp. Braga​11,2 Rpg (…) 18º Sporting​7,1 Rpg   Ratio Eficácia defensiva/ofensiva 1º Benfica​2,33 2º FC Porto​1,87 3º V. Guimarães​1,61 3º Sp. Braga​1,61 5º Sporting​1,20 (…) 18º Nacional​0,40 Nota – Valores no final da 32ª jornada
2017-05-14
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As diferentes reações que se têm visto à chegada do vídeo-árbitro ao futebol português têm a ver, sobretudo, com a incapacidade de entender aquilo que o vídeo-árbitro é ou pode ser por parte de mentes excessivamente tradicionalistas ou bloqueadas por um grave défice de cultura desportiva. O vídeo-árbitro é um meio auxiliar de diagnóstico, não é uma forma de acabar com o erro numa área onde muitas vezes impera a subjetividade. É uma forma, isso sim, de ajudar a impedir injustiças, não uma forma de acabar com elas ou com a polémica em torno delas. Porque a polémica não tem nada a ver com a arbitragem, mas sim com a tal falta de cultura desportiva, que é o que em Portugal – e em poucos países mais – gera tanto ruído em torno dos casos de arbitragem. No limite, aos céticos, respondo sempre com o râguebi, onde o TMO (Television Match Official) já impediu erros grosseiros e onde a dinâmica de interação entre jogadores, árbitros e vídeo-árbitros está tão bem oleada que passou a ser um espetáculo dentro do espetáculo. E é nessa altura que me respondem: “Mas queres comparar o público do futebol com o do râguebi?”. E eu digo: claro que sim! A ideia segundo a qual o futebol nunca poderá seguir o exemplo do râguebi nesta matéria por haver muito em jogo cai pela base quando se verifica que o TMO funciona – e bem – em competições como o Campeonato do Mundo, o Torneio das Seis Nações ou a Taça dos Campeões Europeus. Nestas competições, já vi ensaios irregulares serem anulados pelo TMO, não apenas pela conclusão, mas também por se detetar uma irregularidade lá mais atrás, tal como já vi questões disciplinares serem resolvidas com justiça pelo mesmo TMO. A dinâmica dos dois jogos não é assim tão diferente, ou não tivessem eles nascido da mesma base – as regras das duas modalidades eram as mesmas até meados do século XIX, quando se deu a separação entre os que permitiam que se agarrasse o adversário e se transportasse a bola nas mãos e os que o impediam. Se na altura houvesse programas de TV com adeptos dos diferentes clubes, imagino o que não se diria a respeito deste corte com a tradição. Não havendo, admito que a reunião decisiva para a cisão, na mítica Freemason’s Tavern, tenha sido preenchida com frases como “O futebol nunca mais vai ser o mesmo” ou “estão a destruir o futebol”. E a verdade é que tanto o futebol como o râguebi prosperaram. Foi por essa altura que nasceu o famoso aforismo segundo o qual “o futebol é um jogo de cavalheiros jogado por brutos e o râguebi um jogo de brutos jogado por cavalheiros”. Não tem de ser assim, no entanto. Nos círculos do râguebi, contam-se outras piadas, como as que marcam a diferença entre os jogadores das duas modalidades: no futebol rebolam no chão e dizem que estão lesionados quando estão de perfeita saúde, enquanto que no râguebi tentam convencer o árbitro e o treinador de que estão bem quando na verdade estão lesionados. E isto também não tem de ser assim. A questão é que nem tudo tem a ver com formação. Há aqui muito de ética, é verdade, mas muito de ação, também. E neste aspeto quem tem de aprender são as hiper-profissionais estruturas que governam o futebol, que ganhavam tudo em deixar de apostar no secretismo como arma. Podia aqui encher-vos a paciência com histórias acerca do “fruto proibido” e de como ele é o mais apetecido, mas prefiro dar o exemplo positivo: há pouco mais de um mês fui a Twickenham assistir ao vivo ao Inglaterra-Escócia que permitiu à equipa inglesa assegurar, a uma jornada do fim, a segunda vitória consecutiva no Torneio das Seis Nações. À entrada, quem quisesse, podia levar um mini-transistor. E não era para ouvir o relato: era, sim, para ouvir as conversas entre o árbitro de campo e o TMO. Para compreender as decisões, portanto. É nesse sentido, também, que as decisões são expostas à apreciação popular com repetições esclarecedoras nos ecrãs gigantes dos estádios. Ouvimos o árbitro dizer o que se passou e podemos ver que realmente se passou. É verdade que o fanatismo leva muita gente a ver o que não está lá e a ignorar o que qualquer mente sã é capaz de ver. Mas não terá sido essa a razão principal pela qual a FIFA deu em tempos indicações aos organizadores de jogos para que não sejam difundidas repetições nos ecrãs gigantes. Isso terá sido para que o público, os jogadores e até os próprios árbitros não possam aperceber-se de que estes últimos se enganaram de forma grosseira. E até isso o vídeo-árbitro pode impedir.  
2017-05-07
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Só cinco das 18 equipas que compõem a atual I Liga têm hoje os mesmos treinadores que tinham no início da competição e curiosamente quatro delas estão nos quatro primeiros lugares – Benfica, FC Porto, Sporting e V. Guimarães, além do V. Setúbal. Claro que aqui é sempre complicado distinguir o que é causa e o que é efeito, saber se estão bem por não terem mudado de treinador ou se simplesmente não sentiram necessidade de mudar de treinador porque estavam bem. Mas a única coisa que nos diz esta realidade é que a firmeza de convicções, desde que sejam convicções fundadas e certas, traz sempre resultados, porque permite que se tirem frutos do trabalho integrado. Não nos diz que a coragem para mudar não seja um atributo valorizável. Uma vez, em miúdo, consegui impingir a um amigo a ideia de passarmos um bocado a ver uma cassete VHS de produção artesanal com todos os golos dos Mundiais de 1982 e 1986. Além de não gostar particularmente de futebol, esse meu amigo – que veio a dar jornalista, mas da área política – também não sabia grande coisa do assunto. E mantinha uma teoria indefensável segundo a qual os guarda-redes nunca deviam sair dos postes, porque dessa forma a baliza ficava desguarnecida e o golo tornava-se mais provável. E indiferente ao facto de aquela ser uma cassete que só tinha golos, dizia-me com um misto de ingenuidade e autoridade: “Estás a ver? Sempre que o guarda-redes sai é golo!” Seria agora demasiado fácil e simplista vir aqui dizer que todas as equipas que mudaram de treinador a meio da época devem ter-se arrependido, porque se os quatro primeiros não mudaram e estão lá em cima é por terem beneficiado do trabalho continuado de Rui Vitória, Nuno Espírito Santo, Jorge Jesus e Pedro Martins. E não é assim só porque José Couceiro também está aos comandos do seu Vitória desde o início da época e só ontem à tarde teve a certeza matemática da manutenção no escalão principal. É assim porque há muito mais fatores em apreciação. O primeiro e mais evidente é a qualidade do trabalho do treinador no campo e no banco. Se é competente a trabalhar e potenciar os jogadores, se depois consegue tirar deles o que eles têm e até esticar-lhes os limites, se consegue conjugá-los da melhor maneira enquanto equipa. Esse fator, por si só, justifica as maiores subidas de rendimento após chicotada psicológica que se viram esta época. Falo do Marítimo (20 por cento dos pontos ganhos com Paulo César Gusmão face a 58 por cento com Daniel Ramos) e do Feirense (26 por cento dos pontos ganhos com José Mota e 52 por cento com Nuno Manta), por exemplo, mas talvez venhamos a poder alargar esta apreciação ao Estoril, que no entanto ainda não tem tempo suficiente com Pedro Emanuel para se perceber se este é capaz de consolidar a melhoria: passou de 27 por cento entre Fabiano Soares e Pedro Carmona para 61 por cento com o atual treinador (números, como todos os outros, antes da jornada deste fim-de-semana). Augusto Inácio, por exemplo, teve um efeito extraordinário à chegada ao Moreirense, levando mesmo a equipa à conquista da Taça da Liga, mas nunca conseguiu consolidar estas melhorias no médio prazo e em termos de classificação do campeonato, na qual acabou por deixar a equipa onde a tinha encontrado antes de ceder a vaga no banco a Petit. Acontece que nem tudo tem a ver com a qualidade imediata do treinador. De que outra forma se explicaria que homens que têm sucesso numa circunstância não o consigam noutra? Ou que haja treinadores a obter resultados com determinado tipo de jogadores e não com outros, com certos estímulos e não com outros? Petit, que conseguiu o milagre da manutenção no Boavista há dois anos e uma recuperação a todos os títulos notável no Tondela, no ano passado, de repente deixou de servir para o clube beirão? Mas depois já serve para o Moreirense, de onde tinha sido dispensado Pepa, o treinador em quem apostou o mesmo Tondela, na tentativa de voltar a escapar à descida? E por que razão Jorge Simão, que fizera um trabalho notável no Chaves, como antes o fizera no Belenenses e no Paços de Ferreira, de repente chegou a Braga e falhou? Claro que há aqui o efeito da novidade. Por alguma razão se diz “chicotada psicológica” – por ter o efeito surpresa de uma chicotada, de um acordar, e por mexer com a mente de uma equipa. Mas o que os dirigentes têm de entender é que nenhum treinador é pau para toda a obra, que as hipóteses de sucesso crescem sempre que um clube pensa o seu futebol de uma forma integrada, na qual as ideias de uns coincidem com as ideias dos outros e as práticas têm a ver com as ideias de ambos. Quando isso acontece, tudo fica mais simples. Texto publicado originalmente no Diário de Notícias, de 30.04.2017
2017-04-30
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Nasci em dia de Benfica-Sporting. Não sei se estava bom ou mau tempo nem o que mais se passou em Portugal, só sei que vim ao Mundo às 10h45 de um dia 1 de Março, em 1970, e quatro horas depois os onzes dos dois maiores clubes portugueses estavam a subir ao relvado do Jamor para se defrontarem em jogo da 20ª jornada do campeonato. O meu pai, que anos mais tarde me lembro de ver acompanhar os jogos pelo rádio ou até de o ver partir com os amigos, uns benfiquistas e outros sportinguistas, para os cerca de 80kms que separam Coruche de Lisboa, para ver os meus heróis ao vivo – eu não ia porque “era muita confusão, muito perigoso para um menino” – diz que não se lembra se houve dérbi nesse dia de Março. Faz sentido. Os meus dérbis, que foi para falar deles que o Rui Pina me desafiou, só começam anos depois desse empate de 1970 de que há um pequeno trecho no youtube: um remate de Peres bloqueado por José Henrique. São quatro segundos de vídeo. A esses dois, ao Peres e ao Zé Gato, já não os vi jogar, embora tenha tido o prazer de os conhecer depois. Como não vi ao vivo nenhum dos golos que fizeram a história do dérbi que tenham sido marcados por Peyroteo, Rogério, Eusébio ou Yazalde – e destes só o Pipi e o King me deram a honra de um dia partilhar com eles uma mesma mesa. Todos foram importantes, mas não fazem parte dos meus dérbis, que começam em Novembro de 1978. Lembro-me como se fosse hoje de estar no Campo da Horta da Nora, a ver jogar o Coruchense e a acompanhar pelo pequeno transístor o evoluir dos acontecimentos no Estádio da Luz. Aos 15 minutos, golo de Reinaldo: 1-0. Aos 18’, golo de Nené: 2-0. Aos 28’, outra vez Reinaldo: 3-0. Dois minutos depois foi a vez de Alves: 4-0. E aos 40’, outra vez Alves, agora de penalti: 5-0. Naquele intervalo, que se fazia em simultâneo entre a I Divisão e o distrital de Santarém – toda a gente jogava às 15 horas de domingo –, a romaria à banca que vendia bebidas e amendoins foi feita a discutir o dérbi. E discutia-se de forma inflamada. Os dérbis, nesses tempos, vivia-os de outra forma. Pegava nos jornais à segunda-feira, sobretudo em A Bola, e entretinha-me a simular que estava a falar na rádio, a dizer as constituições das equipas, a relatar os golos, a fazer o comentário final. Maluquices! Por essa altura já tinha aderido também à maluqueira dos cromos. Desde uma coleção de caricaturas, de 1975/76, que me tinha tornado um colecionador ávido, daqueles que não fazia a lista com os números que faltavam. E não a fazia por uma razão muito simples: os jogadores de futebol, que não apareciam frequentemente na televisão, eram os meus ídolos e tornava-se muito mais fácil saber se já me tinha saído o Manuel Fernandes, o Bento, o Nené ou o Jordão do que saber se tinha o 13, o 18, o 9 ou o 23. Foi pelas coleções de cromos que comecei a perceber que não se tinha de ser do Benfica ou do Sporting. O Artur, que na minha primeira coleção, aparecia no Benfica, era agora do Sporting. E o Alhinho, que eu já colecionara no Sporting, surgia agora de vermelho à Benfica. Não foram casos únicos daquele tempo. Botelho, Laranjeira, Jordão, Eurico, Fidalgo – e certamente muitos mais… – foram mudando de campo, o que dificultava as minhas simulações de tardes desportivas da rádio, pois obrigava-nos a “reformar” antecipadamente alguns dos meus “ativos”, como se diria agora, nos tempos em que o futebol é uma atividade económica. Enquanto não me tocasse a hipótese de ver ao vivo um dérbi, o que sabia desses jogos mágicos era aquilo que ouvia na rádio. Por isso, juntava-me com mais três amigos – o Rui, o Zé e o Luís Claro, que depois também “deu” jornalista, ainda que sem ter nada a ver com os futebóis – e, dividindo uma mesa em quatro partes, construíamos quatro estádios onde cada um de nós simulava um jogo de I Divisão com cromos e bolas de papel. E íamos alternando na tarefa de relatar, imitando aquilo que ouvíamos ao Fernando Correia, ao Romeu Correia, ao António Pedro ou ao Ribeiro Cristóvão. Havia até quem se atrevesse a imitar os “jingles” com os nomes dos relatadores, repórteres e comentadores cantarolados com sotaque brasileiro, com que a Rádio Renascença nos brindava. Tínhamos oito, nove anos. Tudo nos era permitido. Até acabar com a paciência das nossas mães com aquela gritaria toda – não deve ser fácil ter a “Tarde Desportiva” mesmo ali ao lado, em volume perto do máximo, todos os dias, durante semanas. A partir desta altura as minhas memórias do dérbi começam a ser mais frequentes. Lembro-me de, em Novembro de 1979, estar em viagem com os meus pais e ouvir no banco de trás do nosso Morris 1300 o relato de um Benfica-Sporting que os encarnados ganharam por 3-2 (Reinaldo, Alberto e Nené marcaram para o Benfica, Jordão e Menezes para o Sporting). E de, no dia seguinte, à entrada para a escola, ficarmos em pânico, porque os “matulões” do segundo ano estavam à porta a perguntar aos caloiros quem era do Benfica e quem era do Sporting. E constava que a resposta errada dava direito ao maior pesadelo de um miúdo do primeiro ano: a famosa carecada. Era tudo mentira e entrámos sem problemas. Esses eram também tempos em que o futebol dava origem a rivalidades mas não a ódios, em que o futebol animava discussões mas não provocava brigas. Sei do que falo, porque se o meu pai e o meu padrinho são sportinguistas, os meus avôs eram ambos benfiquistas. O futebol lá em casa era discutido com pluralismo e já desde essa altura me fui habituando ao papel de moderador, a ser capaz de conviver com as diferentes sensibilidades que um golo ou uma boa no poste podiam acicatar. O primeiro dérbi que vi ao vivo foi em Alvalade, a 8 de Agosto de 1981, rodeado de sportinguistas e benfiquistas. Era um jogo de pré-época, pelo que o meu pai lá achou que devia ser menos perigoso levar-me, e então, com onze anos, pude pela primeira vez participar na romaria. Saímos de Coruche a seguir ao almoço, fomos ao Cartaxo apanhar o Zé Vicente, sportinguista, primo do meu pai, e o “Firmo”, sogro do Zé Vicente, benfiquista, e chegámos ao estádio umas horas antes do jogo. Com farnel, como é evidente. E casacos, porque o jogo era à noite e a minha mãe dizia-nos sempre para irmos agasalhados porque “em Lisboa, à noite, está sempre vento”. Não me lembro do vento, mas recordo que fiquei fascinado com aquela atmosfera. O relvado era maravilhoso – na Horta da Nora, em Coruche, jogava-se em pelado. As bancadas majestosas, o ruído constante das buzinas e das vozes uma novidade para um miúdo de uma geração muito menos estimulada do que as atuais. A iluminação era ainda mais fenomenal e fazia com que os jogadores tivessem quatro sombras, cada uma delas provocada por uma torre diferente, como se fossem estrelas de quatro pontas. É dessa altura a minha fixação pelo “Subbuteo”, o jogo que permitia imitar aquela atmosfera, com bancadas e “holofotes”, que era assim que lhe chamávamos. No campo, o meu primeiro dérbi foi favorável ao Sporting, por 2-0, com um bis de Manuel Fernandes na baliza de Bento. Era um prenúncio do que estava para vir nessa época. O Sporting de Allison foi campeão e o título passou em grande parte pela reedição do jogo grande em Alvalade, um 3-1 que meteu a famosa expulsão de Bento, por agredir Manuel Fernandes. A esse jogo, quente, porque estava um campeonato em disputa, já não tive direito de ir, tal como não fui à generalidade dos que se seguiram, porque os amigáveis entre Benfica e Sporting não eram assim tão comuns. Esses 3-1 acompanhei-os pela rádio, podendo depois ver a transmissão em diferido na RTP, ao final da tarde. Às vezes, sobretudo quando os presidentes da equipa da casa acabavam o jogo bem-dispostos com o resultado, havia surpresas destas, a somar às raras ocasiões em que havia futebol de qualidade na TV, quase só nas finais das competições europeias. Foi pela rádio que segui os próximos dérbis. O empate a um golo na Luz, na penúltima jornada de 1983/84, com o Benfica a garantir logo ali a conquista do título, ou a vitória do Sporting por 2-1, no mesmo palco e nas mesmas circunstâncias, mas dessa vez a oferecer o campeonato ao FC Porto, que ao mesmo tempo ganhava em Setúbal. Esses ainda os ouvi num daqueles rádios que eram ao mesmo tempo um móvel de sala, com gira-discos incorporado. Mais tarde, já de rádio a pilhas, segui também os 5-0 de 1985/86, a permitir a passagem do Benfica às meias-finais da Taça de Portugal, ou os 7-1 de 1986/87, favoráveis ao Sporting numa tarde mágica de Manuel Fernandes, que mesmo assim acabou com o Benfica de Mortimore a sagrar-se campeão. O primeiro foi a uma quarta-feira à tarde e exigiu uma grande ginástica para estarmos a par do resultado durante uma aula de matemática, porque ainda não havia telemóveis nem “apps” com resultados ao vivo a disparar notificações. O segundo foi dividindo a minha atenção com os apontamentos que revia para me preparar para um teste de filosofia que ia ter no dia seguinte. Em 1987, meses antes de me mudar para Lisboa, para estudar jornalismo, vi também a primeira final da Taça de Portugal, entre Benfica e Sporting. Já tinha estado no Estádio Nacional, para assistir a um Portugal-Itália em que os nossos “seabrinhas” foram derrotados por 1-0, no apuramento para o Europeu de 1988, e ficara um pouco baralhado com tanto mato à volta do estádio e com os caminhos para regressar ao carro, que me pareciam todos iguais. Quando se jogou a final da Taça foi pela RTP que a acompanhei. Diamantino marcou dois golões e o Benfica ganhou por 2-1. Como voltou a ganhar o Benfica quando voltei a assistir a um dérbi ao vivo. Por essa altura, em Maio de 1989, já acumulava a faculdade com o trabalho no Expresso há quase um ano. O João Querido Manha e o Zé Pereira ocuparam os lugares na tribuna de imprensa, mas segui com os meus colegas de jornal Paulo Querido e Daniel Reis para a bancada, onde vimos um Sporting-Benfica que na verdade já não contava para nada, pois os encarnados eram matematicamente campeões. E ganharam por 2-0, com golos ainda antes da meia-hora de Valdo e Abel Campos. Aquele era o tempo de um Sporting fraco e de um Benfica que se batia contra o FC Porto pela hegemonia do futebol português. Os dérbis foram, por isso, perdendo significado. Até para mim, que por esses tempos vivia na Rua Maestro Jaime da Silva Filho, ali para os lados da Rua dos Soeiros, paredes meias com o Estádio da Luz, onde chegava com uma caminhada de cinco minutos. Lembro-me de ter feito essa caminhada num domingo à tarde, antes de um empate a uma bola, em Maio de 1991, só para sentir o ambiente, mas de depois ter acompanhado esse jogo pela rádio: golos de Litos e Isaías, por esta ordem, e o Benfica de Eriksson a caminho do título, uma semana depois do bis de César Brito nas Antas. Recordo também os 2-0 do Sporting ao Benfica, em Outubro de 1992, com o golo de Balakov na baliza de Silvino logo aos 12 segundos, ainda os fumos lançados das bancadas antes do início não se tinham dissipado, sobretudo por uma razão: foi o primeiro dérbi da SIC e eu por essa altura fazia comentários de futebol internacional na estação de Carnaxide. Vi o jogo pela TV, para apreciar as inovações na realização, mas nessa noite, mais do que ver o dérbi, pensava também no dia em que poderia comentá-lo. E isso ainda demorou uns anos. Foi pelo Expresso que estive na Luz em Março de 1993, quando Futre resolveu o dérbi a favor do Benfica, marcando o único golo da partida, ou em Dezembro do mesmo ano, no emocional jogo que se seguiu ao acidente de Cherbakov, no qual Figo marcou primeiro e gritou o nome do colega, mas depois o Benfica virou para o 2-1 final. Mesmo assim, Carlos Queiroz recuperou aquela equipa do Sporting e isso valeu-me estar, em Maio de 1994, em Alvalade, para ver, pela primeira vez, um dérbi que era simultaneamente o jogo do título. Ocupei um dos lugares do Expresso na tribuna de imprensa do estádio, que ficava separada dos camarotes de sócios leoninos apenas por um pequeno muro – ainda por cima deixando os sócios acima dos jornalistas. Ao meu lado, estava um rapaz do jornal do Benfica, que a partir de determinada altura começou a festejar mais efusivamente cada um dos golos com que o seu clube ganhou por 6-3, naquela tarde maravilhosa de João Pinto. O pior é que a alegria do benfiquista contrastava com a ira dos adeptos sportinguistas sentados acima dele. E foi por pouco que o guarda-chuva não passou a arma de arremesso. Ainda nos rimos, nessa noite, no Snob, eu, o Paulo Luís de Castro, o Daniel Reis e o Miguel Costa Nunes, a pensar no caso, que provavelmente marca a fronteira entre a época da birra genuína e a do hooliganismo organizado. Em 1994, após o Mundial, mudei do Expresso para o Público e isso teve um reflexo imediato nos meus fins-de-semana e na capacidade que tinha para ir ver futebol de livre vontade. Estava a trabalhar, no jornal, na tarde do incidente entre Jorge Coroado e Cannigia, que levou à expulsão do argentino e à repetição do dérbi que os leões ganharam na Luz, por 2-1. Pelo Público não fiz muitos dérbis no estádio. Fiz um marcante, porém, já na tal era do hooliganismo: em Maio de 1996 estava na tribuna de imprensa do Jamor quando o very-light lançado da bancada à minha direita, por um adepto do Benfica, na celebração de um golo de Mauro Airez, matou um adepto do Sporting. O Benfica ganhou essa Taça de Portugal, por 3-1, mas não me lembro de muito mais desse jogo. Ninguém se lembrará, aliás. Olho para os livros e vejo que ficou 3-1, que chegou a estar 3-0, mas apagou-se-me tudo. Nem os festejos, tão comuns e empáticos quando se faz o caminho pela marginal até Lisboa, cá ficaram. Provavelmente ninguém estava sequer com vontade de festejar seja o que for. Em Fevereiro de 1998 pude pela primeira vez comentar um dérbi para a televisão. Em paralelo com a minha atividade de jornalista de imprensa, mantinha o “hobby” – era “hobby” mesmo, tendo em conta o que pagava – de comentar futebol na TV e na rádio. Já tinha trocado a SIC pela TVI, para acompanhar as transmissões do futebol espanhol com o José Carlos Soares e o Paulo Sérgio, mas depois segui com o Jaime Almeida Ribeiro, quando ele regressou à RTP para coordenar o desporto da estação. Assim sendo, comentei o meu primeiro dérbi ao lado do Paulo Catarro. Ganhou o Benfica por 4-1, na noite em que João Vale e Azevedo chamou a si as atenções gerais por festejar todos os golos encarnados na tribuna de honra como se valessem títulos. Criticaram-no, mas ali vi o adepto genuíno. Se calhar uma das poucas coisas em que o então presidente do Benfica era genuíno… O jogo foi daqueles difíceis de explicar, com muitos erros defensivos, e por isso mesmo um daqueles jogos que os comentadores mais detestam, porque não se lhes encontra uma tendência racional. Saí do estádio com a ideia de que a coisa não me tinha corrido nada bem. Os meus dérbis viviam agora ao ritmo da minha vida profissional. Em 1999 entrei pela primeira vez num jornal desportivo, no caso o Record. Era editor de futebol internacional e, ainda que fizesse parte do grupo de jornalistas que faziam crónicas de jogo, raramente me tocavam, naqueles primeiros tempos, os jogos grandes. Nos 3-3 da Luz, em Maio de 1999, na última jornada desse campeonato, estava em Alverca, a acompanhar um Alverca-V. Guimarães que era importante na luta pela fuga à despromoção. Nem pelo rádio fui sabendo do que se passava a umas dezenas de quilómetros, porque levava – e ainda levo – o trabalho muito a sério. Já estive na Luz, em Janeiro de 2000, na vitória do Sporting por 3-1 para a Taça de Portugal, na qual percebi que aquela equipa de Augusto Inácio tinha o espírito necessário para chegar ao título. E por pouco não acompanhei in-loco a interrupção do jejum de títulos nacionais do Sporting. Em Maio de 2000 foi destacado para fazer a crónica do Sporting-Benfica que, em caso de vitória, daria o título nacional ao Sporting, na penúltima jornada. Os leões bloquearam ante a responsabilidade e ganhou o Benfica por 1-0, num livre de Sabry quase em cima do apito final. Quando esse Sporting se sagrou campeão, ganhando na jornada seguinte ao Salgueiros, em Vidal Pinheiro, eu estava em Barcelos, a acompanhar o Gil Vicente-FC Porto, que também podia dar campeão mas só gerou frustração entre os adeptos portistas. Os dérbis da época seguinte foram intensos. Duas vitórias por 3-0, sempre da equipa que jogava em casa. Vi o da Luz, com José Mourinho a festejar intensamente cada golo do seu Benfica, mas sem sequer sonhar com o drama que ia desenrolar-se. Mourinho demitiu-se, comprometeu-se com o Sporting e a guarda pretoriana que os leões – e todos os ouros clubes – tantas vezes chamavam às conferências de imprensa para condicionar as questões dos jornalistas funcionou ao contrário, impedindo Luís Duque de anunciar a troca. Eram os resquícios da mentalidade amadora num futebol que queria ser profissional. O dérbi de Alvalade apanhou-me fora de Lisboa, de fim-de-semana prolongado para os lados da Serra da Estrela, numa pousada sem Sport TV. Mas dele guardo uma experiência gratificante e provavelmente irrepetível: dias antes do jogo, fui com o João Marcelino, o João Querido Manha e o José Manuel Delgado almoçar, ali para os lados da Serafina, com o Manuel Fernandes e o Toni, que eram nessa altura treinadores de Sporting e Benfica. A reportagem ficou fantástica e não me consta que tenha sido por causa dela que um ganhou e o outro perdeu. Ainda assim, nunca mais os clubes aceitaram fazer trabalhos destes. Os jornais e os leitores ficam a perder. O futebol fica a perder. Vi na TV os dérbis de 2001/02. Na polémica do primeiro, lembro-me de funcionar como “consciência” do José Manuel Delgado, que estava a fazer a crónica no estádio e falou comigo para esclarecer as dúvidas acerca dos penaltis marcados e por marcar. O segundo acompanhei-o em Sagres, de fim-de-semana, para onde tinha ido adiantar serviço para a revista que o jornal ia fazer antes do Mundial de 2002. No Record, estava a afastar-me cada vez mais da edição diária e a centrar-me noutros conteúdos. Vinha aí a Record Dez, a revista que ajudei a lançar em Abril de 2004. Passei a ter os fins-de-semana de folga, nasceu o meu filho e os dérbis ressentiram-se. Em Maio de 2005, quando o Benfica-Sporting voltou a ser o jogo do título, estava em casa, por esta altura na Alameda das Linhas de Torres, mais perto do Estádio José Alvalade. Quando Luisão marcou o golo que garantiu esse campeonato ao Benfica (vitória por 1-0, na penúltima jornada), o Francisco, que tinha nove meses de vida, dormia tranquilamente em cima da minha barriga. Era cedo para lhe explicar o sortilégio do dérbi… e mais tarde vim a perceber que não valia mesmo a pena fazê-lo, porque os únicos dérbis que lhe interessam são os do râguebi. Algumas complicações profissionais levaram-me, por essa altura, a aceitar o conselho do engenheiro Paulo Fernandes, CEO da Cofina, e a sair do Record para o Correio da Manhã, que pertencia ao mesmo grupo de media. Tanto enquanto lá estive, como depois, quando decidi sair e tornar-me free-lancer, em 2006, passei a viver os dérbis sobretudo pela TV. O jornalismo estava a mudar, a rapidez passou a ser, sobretudo nos jornais generalistas – que tinham de fechar mais cedo – o vetor mais importante na forma de acompanhar estes jogos e isso já era dificilmente compaginável com idas ao estádio. Passei a ver os dérbis quase todos pela TV e, apesar de serem mais recentes, francamente, não me lembro de muitos detalhes. Prova de que quanto mais frio e assético é o ambiente, menos memorável se torna o acontecimento. O dérbi de Portugal é para ser vivo com paixão e essa eu tive de a matar quando escolhi tornar-me profissional da área. São os ossos do ofício. Texto incluído com prefácio do livro "40 Derbies para a História", de Rui Câmara Pina (Chiado Editora, 2016)  
2017-04-22
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Nos quase 30 anos que já levo de futebol, cansei-me de ouvir dizer que a Liga deveria castigar duramente quem pusesse em causa o prestígio da competição com declarações inflamatórias. Cheguei a engrossar o pelotão dos que defendiam essas sanções, importadas do então muito à frente futebol inglês. Hoje estou convencido de que o problema tem de ser atacado muito antes. O que a Liga tem de fazer não é no plano reativo. Tem, isso sim, que ser proativa. Tem de criar condições para que essas declarações não existam e sobretudo tem de fomentar a sua substituição no plano mediático por outras, que satisfaçam todos os players no mercado: a própria Liga, os clubes, os operadores e, sobretudo, o público, que é quem paga. Isso, em Portugal, é terreno absolutamente virgem. Vamos, então, falar de comunicação aplicada ao futebol. A questão das punições a quem abalar o prestígio do futebol, os clubes já a driblaram. Criaram braços armados que não são dirigentes nem funcionários mas apenas e só adeptos socialmente reconhecíveis, para estarem nos programas onde se discute “futebol”. E sim, as aspas não são engano – porque o que ali se discute não é futebol, mas sim agendas políticas. Tenta-se sempre passar a mensagem de que o presidente, o treinador ou os jogadores do clube que se defende são os mais impolutos e que esse mesmo clube é invariavelmente o mais prejudicado, mas de caminho passa-se também a mensagem de que o futebol está cheio de malandragem que anda a roubar e que por isso nem vale a pena perder-se tempo ou gastar-se dinheiro com o tema. Aquilo vê-se como os reality shows, para perceber que novos limites se cruzam desta vez, mas quem quer que seja que, não sendo espectador habitual de futebol, vá ali parar, não fica com vontade de comprar bilhetes para o próximo jogo, camisolas para dar aos filhos ou assinaturas de canais temáticos. Chegados a este ponto, há quem goste de culpar os operadores de televisão. Não o faço. Os operadores de televisão fazem o que os deixam fazer, na realidade em que estão inseridos – que é uma realidade de acesso-zero aos protagonistas. E dou um exemplo. A UEFA, que está muito à frente de toda a gente do futebol nesta matéria, criou há uns anos o conceito de mini-flash, a ser feita antes dos jogos da Liga dos Campeões pelo canal detentor dos direitos televisivos. Como estou no relvado antes dos jogos, habituei-me a ver passar por estas mini-flashes todas as grandes figuras dos bancos das maiores equipas europeias, mas nem assim os clubes portugueses mudaram de atitude. O Benfica manda invariavelmente Shéu Han, o secretário técnico; do FC Porto costuma aparecer Rui Barros, um dos treinadores-adjuntos; no Sporting já por lá vi Jaime Marta Soares, presidente da Assembleia Geral, ou Otávio Machado, diretor de futebol. Não é isto que promove o futebol, não foi por isto que os operadores pagaram e, acreditem, até pode ser isto que o público acha que quer, porque há muitos anos que não tem outra coisa. Pensemos nas conferências de imprensa, agora sempre televisionadas e por isso mesmo um meio absolutamente gratuito que a Liga tem de promover o futebol. O que se passa lá? Para quem começou a carreira nas conferências de imprensa de Sven-Goran Eriksson, Tomislav Ivic ou Bobby Robson, que duravam enquanto houvesse uma dúvida por esclarecer, uma explicação a dar, e não estavam freadas por subterfúgios impostos pelos limites políticos à comunicação, estes simulacros de conferência de imprensa a que se assiste agora são absolutamente risíveis. O que temos ali é, sempre, um desastre à espera de acontecer: um treinador sem vontade de falar, um diretor de comunicação interessado em que ele fale o mínimo possível – a não ser que haja agenda política a satisfazer – e jornalistas dos canais de TV interessados em soundbytes rápidos, porque tudo o que seja acima de um minuto já é demasiado em termos televisivos. É assim que o futebol vai ganhar quota de mercado? Claro que não. E se o leitor acha agora que este é um problema dos jornalistas, desengane-se. Não é. É um problema do futebol. Os jornais apanham por tabela, mas quem perde mais com este vazio mediático é mesmo o futebol, que desaproveita as oportunidades que lhe são dadas de bandeja, abrindo caminho (e as TVs dos clubes são, aqui, caso emblemático) a mais intervenções que para enaltecerem o próprio, destroem o meio em que ele se insere. Como jornalista, defendo e defenderei sempre o livre acesso aos protagonistas por parte dos meios de informação. No caso do futebol, porém, já ficaria feliz se a Liga aprendesse com a UEFA e percebesse que se quer acabar com aquilo de que não gosta nos programas sobre “futebol” – assim mesmo, com aspas – tem de tonar o caso em mãos e criar condições para que haja conteúdos sobre Futebol – assim mesmo, com maiúscula.
2017-03-26
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A perda de uma vaga na Liga dos Campeões por parte dos clubes portugueses já fez mexer a Liga. Pedro Proença, presidente do organismo que tutela a competição em Portugal, deu o primeiro passo, ao admitir o problema, e disse não só que quer “encontrar soluções” como que quer ver a Liga portuguesa “no Top 5 das Ligas europeias”. E se o primeiro objetivo me parece relativamente fácil de assumir – assim haja vontade… – para encarar o segundo já temos um atraso tão significativo que dificilmente o poderemos encarar no curto ou médio prazo. Mas, cada coisa a seu tempo. Para já, era urgente que a Liga se centrasse em três áreas de atuação: o plano competitivo, o plano da comunicação e, resultado do sucesso nos dois primeiros, o plano do negócio. Não sou dos que acham que para a Liga ser competitiva seja necessário reduzir o número de clubes na divisão de topo. Se olharmos para as cinco principais Ligas da Europa, todas têm pelo menos 18 participantes. Têm mais jogadores, um universo maior? Verdade. Mas o número de clubes não é um fator decisivo na competitividade. Nenhuma dessas cinco Ligas tem a luta pelo título tão apertada como a portuguesa: a diferença entre Benfica e FC Porto era, à entrada para a jornada deste fim-de-semana, de um ponto, contra os dois que separam Real Madrid e Barcelona (e em Espanha o líder tem um jogo a menos) ou os três que dista o PSG do Mónaco. Em Inglaterra e na Alemanha as diferenças são de 10 pontos e em Itália são de 12. E se formos comparar com uma realidade de uma Liga com menos clubes, como a escocesa, o que vemos é o Aberdeen a 25 pontos do Celtic. Aliás, aos que depois argumentam que a diferença deve ser feita para os não candidatos ao título, a resposta também é simples: a diferença do primeiro ao sexto não é muito maior em Portugal (26 pontos) que na Alemanha (24) ou em França (25). Na Escócia, o dito paraíso do campeonato reduzido, é de 47 pontos em 28 jornadas. Abissal, portanto. Ter mais clubes na I Liga não significa diminuir a competitividade. Significa, pelo contrário, dar a mais clubes – a mais jogadores, a mais treinadores, a mais adeptos – a hipótese de competir ao mais alto nível e, portanto, de crescer competitivamente. A competitividade aumenta-se, isso sim, quando lhes dermos condições para competir verdadeiramente. E aqui a questão começa a ser política e já exige alguma coragem que até ver não se viu a nenhum dirigente máximo do futebol em Portugal. Para termos uma Liga verdadeiramente competitiva temos de ter uma Liga em que existam mais do que os três grandes. E Portugal, neste particular, está particularmente inquinado. Basta ver o regozijo que os adeptos de cada um dos clubes assumiu assim que o rival foi afastado da Europa. Ou reparar que assim que se começou a debater a perda de uma vaga na Champions, tudo o que a generalidade dos adeptos quis discutir foi que clube estava a dar mais ou menos pontos para o bolo geral. A questão é que isso é absolutamente indiferente: Portugal só terá uma Liga de topo quando houver mais do que três clubes a contribuir de facto para esse bolo. E isso só se consegue quando a Liga – antes seja de quem for – assumir que em Portugal há mais do que três clubes. Como? Na distribuição da receita, por exemplo. Mas não só aí. A questão da receita é flagrante. Primeiro, é importante deixar algumas perguntas. A Liga acha possível fazer subir o bolo global da receita gerada pela sua atividade? Como? Já fez alguma coisa para centralizar as negociações dos direitos televisivos dos jogos, podendo logo à partida aumentar o bolo e depois distribuí-lo de forma mais igualitária, assumindo como objetivo que passe a haver mercado interno em Portugal, com mais de três “players”? Já fez alguma coisa para assegurar, junto dos dois últimos governos, que uma das principais fontes de financiamento do futebol – o mercado de apostas – não seja excluída do mercado português? Já fez alguma coisa para garantir que o futebol em Portugal não são três estádios cheios, três meio-cheios e 12 às moscas? Já deu algum passo no sentido de promover o espetáculo do qual depende a sua sobrevivência, criando conteúdos mais abrangentes que possam ser atraentes para os operadores e para os telespetadores e que dessa forma substituam o insulto à inteligência de quem gosta de futebol que são os programas que gastam horas a discutir os centímetros de um fora-de-jogo ou a intensidade de um toque nas costas? Não, pois não? Pode começar por aqui. Mas amanhã voltarei ao tema.
2017-03-25
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A matemática não engana e esta semana soube-se que muito provavelmente Portugal vai perder uma das três vagas que ocupa na Liga dos Campeões já em 2018/19. Podemos até dizer que é normal, consequência natural de termos as equipas mais fortes a jogar na I Divisão do futebol europeu, porque se sabe que elas pontuaram – e pontuariam – muito mais na Liga Europa, onde estão agora os russos e os belgas, que nos ameaçam. O sinal de preocupação não vem, portanto, da pura aritmética. E também não vem de onde devia vir: da eliminação do Sp. Braga na fase de grupos da Liga Europa, precisamente face a ucranianos e belgas; da incapacidade do Sporting se sobrepor ao modesto campeão polaco na corrida à permanência na Europa, esgotada a hipótese de continuidade na Champions; ou, por fim, da constatação de inferioridade evidente de Benfica e FC Porto face a Borussia Dortmund e Juventus (esta última ainda por confirmar no jogo da segunda mão, é verdade, mas com pouca esperança de êxito face ao resultado que se verificou no Dragão). Estes sinais do apocalipse deviam chegar para se pôr a mexer as ideias e se fazer algo, tanto no plano do contexto como no do negócio. Tem a palavra a Liga.Jorge Jesus ainda esta semana falou do assunto e voltou a dizer que Portugal produz dos melhores treinadores que o futebol europeu vai vendo. Há Fernando Santos campeão da Europa. Há Mourinho para o confirmar. Há Jardim para ajudar à festa. Já houve Villas-Boas, antes do exílio dourado na China. Mas então se temos bons treinadores, dos melhores que a Europa produz, se vamos renovando a produção de jogadores de alto nível, capazes de serem campeões da Europa e de se imporem nos melhores clubes do continente, por que raio estaremos condenados a ficar apenas pela classe média da Champions e a perder influência numa Liga Europa que já foi feudo nosso?Aqui chegados, toda a gente se foca na questão dos orçamentos. Mas a este propósito só tenho duas coisas a dizer. A primeira é que a questão dos orçamentos não tem de ser decisiva e só aparece sempre à tona do debate porque nos serve de bode expiatório perfeito. A cada vez que uma equipa portuguesa cai na Europa, aparece a justificação: o orçamento do adversário era superior e portanto está o assunto arrumado, não haveria nada a fazer. Perdão?! É para superar esta desvantagem que existem os tais excelentes treinadores e a tal renovação permanente de um quadro que tem dos melhores jogadores da Europa. E a segunda é que se a questão é a dos orçamentos, então o que tem de ser feito é mexer no futebol em termos de negócio, criar condições para que os orçamentos possam crescer e o jogo seja um oásis de prosperidade que não dependa apenas da criação de mais-valias nascidas na transferência dos melhores jogadores. Foi o que fizeram os ingleses há 25 anos, quando os resultados dos seus clubes definhavam e eles não só criaram a Premier League como lhe associaram uma estratégia de divulgação global do futebol que por lá se joga.Claro que há coisas a melhorar em ambos os planos. No que toca ao contexto, era bom que os adeptos portugueses se preocupassem mais em perceber o processo de jogo das suas equipas, as condições físicas, táticas e técnicas enfrentadas pelos jogadores e treinadores em cada situação e pusessem de lado a atual obsessão pelos cinco centímetros fora-de-jogo ou pelo intensómetro no toque do defesa no avançado. E termina nas pessoas mas começa nos clubes, que não entenderam ainda que só têm a ganhar em abrir onde hoje fecham, em utilizar o conhecimento dos seus treinadores em sessões públicas em vez de se fecharem sobre si mesmos, remetendo os néscios para a discussão das arbitragens. Já viram Vitória, Jesus ou Espírito Santo falar de forma aberta do processo de jogo das suas equipas? Claro que não, porque sempre que eles falam as conversas se limitam a aspetos banais, à busca do soundbyte televisivo, da polémica que queima mais depressa mas não cria valor.Já acerca dos orçamentos, há uma coisa que não podemos mudar, que é a dimensão do país. Mas podemos mudar a dimensão do mercado. Portugal tem durante quatro anos uma vantagem competitiva enorme no plano do marketing: é campeão da Europa. Já tem há uma década outra vantagem do mesmo calibre: produziu Cristiano Ronaldo, crónico candidato ao título de melhor jogador do Mundo. Se mesmo assim não conseguimos que o Mundo queira ver os nossos jogos, é porque, das duas uma: ou não estamos a fazer o que podemos para os mostrar ou não lhes associámos as vantagens competitivas que temos. Há 30 anos, quando se viu perante um quadro de falta de talentos, a FPF lançou um plano de formação revolucionário que alimentou o futebol nacional durante duas gerações. Mais recentemente, colocada face ao mesmo problema, integrou as equipas B na II Liga e criou condições para voltar a ter de forma repetida a melhor seleção de sub21 da Europa e, consequência disso, a seleção campeã da Europa. O plano do negócio pertence à Liga. E acho que já era altura de a Liga fazer qualquer coisa.
2017-03-12
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A demissão de Claudio Ranieri no Leicester tem sido apresentada por toda a gente como o triunfo da ingratidão. Então o homem que pegou num lote de jogadores sem qualquer aspiração nem reconhecimento de categoria e fez deles campeões ingleses, que depois à conta disso foi eleito treinador do ano da FIFA, de repente deixou de servir? A resposta é muito simples. Sim. Deixou de servir porque aquilo que se lhe pedia passou a ser diferente. Para perceber as razões pelas quais o Leicester fez bem em demitir Ranieri era preciso ter percebido as razões pelas quais Ranieri fez do Leicester campeão inglês. E essas tiveram mais a ver com o trabalho de mentalização do que com futebol puro e duro. Na história da época passada ficou a fábula da pizza. Conta-se que, ainda no início da aventura, irritado por a sua equipa não ser capaz de manter a baliza a zeros uma única vez, Ranieri terá prometido aos jogadores que os levava a jantar fora no dia em que o conseguissem. No menu estaria a típica pizza italiana. E à primeira oportunidade após a promessa, bingo: 1-0 ao Crystal Palace. Metido em trabalhos, Claudio Ranieri teve a arte para transformar o problema numa oportunidade. Levou os jogadores a um restaurante italiano, mas quando estes lá entraram tinham uma surpresa à espera: eram eles quem ia cozinhar as pizzas. A fábula da pizza foi de mestre em termos de construção de espírito de equipa, uma das chaves na chegada do Leicester ao título de campeão. A partir daquele momento, os jogadores perceberam que tinham de trabalhar por tudo aquilo que queriam, mas que se trabalhassem acabariam por alcançar o objetivo. Durante meses, todos os que íamos achando piada ao esforço do Leicester e até a torcer pelo sucesso dos “underdogs” glorificávamos a fábula da pizza e a capacidade de Claudio Ranieri para, pela crença, pelo espírito coletivo, transformar jogadores banais em campeões. Só agora, que o Leicester anda pelos fundilhos da classificação, em risco de descer de divisão, é que nos vamos lembrando de uma coisa muito simples. É que nos argumentos utilizados na construção de um campeão pelo veterano treinador italiano não aparecia o treino. Não havia futebol. E é disso que a equipa do Leicester mais precisa agora. Porque neste momento já não é formada por um conjunto de operários em busca do primeiro sucesso – já são campeões, já não vão lá com receitas básicas de auto-ajuda. E esse upgrade, Claudio Ranieri nunca foi capaz de o dar à equipa. No fundo, salvaguardadas as devidas diferenças – porque o Boavista era muito maior à escala portuguesa do que o Leicester alguma vez será em Inglaterra – repetiu um pouco aquilo que aconteceu com Jaime Pacheco no Boavista. E, apagada a chama do campeonato ganho em 2001, muito à conta da garra, do compromisso e do empenho, Jaime Pacheco também acabou por ver extinto o seu período de ouro à frente da equipa axadrezada quando os milhões da Liga dos Campeões permitiu trazer mais jogadores e aspirar a maiores feitos. Dir-me-ão que Jaime Pacheco saiu do Bessa de livre vontade e que por isso mesmo nunca teve a onda de apoio de que Ranieri goza agora, que o seu “sonho” morreu. De Mourinho a Klopp, com passagem até pelo australiano Eddie Jones, que é o selecionador inglês de râguebi, toda a gente por Inglaterra se mostra incrédula com a decisão do clube e solidária com o treinador italiano. Mas é preciso também entender estas tomadas de posição à luz de uma realidade muito diferente. A Premier League é muito mais popular do que a Liga portuguesa e os últimos dez anos também mudaram muito no panorama mediático mundial. E aquilo que toda a gente via agora era não apenas um Leicester que deixou de jogar acima das suas possibilidades – como lhe sucedeu na época passada, jogo após jogo – mas também adversários já precavidos e capazes de se ajustar ao que o Leicester tinha para propor. Que, no plano futebolístico, continuava a ser demasiado pouco para os pergaminhos de um campeão inglês. Sem Ranieri, o Leicester pode melhorar ou não. Uma coisa é certa. O novo treinador volta a ter nas mãos uma equipa que duvida de si mesma, como a que Ranieri encontrou há um ano e meio. Pode repetir a receita do italiano, mas talvez não seja pior apostar no futebol.    
2017-02-26
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A notícia do pedido de uma reunião ao Conselho de Arbitragem por parte do Benfica é tão ou tão pouco significativa para o rumo do campeonato que os tricampeões eram até aqui o único dos três grandes que ainda não tinha solicitado um encontro com o órgão presidido por Fontelas Gomes. Agora, que a Liga aqueceu e se aproxima dos momentos decisivos, enquanto os benfiquistas vão alegando que a pressão dos Super Dragões sobre Soares Dias foi fulcral para a aproximação entre os dois emblemas na tabela, os portistas respondem que é o Benfica quem está com medo e a tentar coagir os árbitros. Nunca chegarão a consenso e por isso prefiro falar de futebol, das razões que estão por trás da preparação do sprint final que se adivinha e que passam muito pela alteração estrutural que o mercado de Janeiro permitiu. Muita gente pergunta: mas que raio, será Soares um jogador assim tão fenomenal que justifique, por si só, a transformação do FC Porto ofensivamente inoperante de há uns meses num candidato ao título? Caramba, o homem andou pelo Nacional e pelo V. Guimarães e ninguém reparava assim tanto nele... A questão é que no futebol o que vale mais são as ideias e em segundo lugar as peças que são capazes de as fazer funcionar. Se colocarmos de lado fenómenos como Ronaldo ou Messi, que quase ganham os jogos sozinhos, o que garante vitórias são as ideias e a capacidade de as colocar em prática. Com a chegada ao Dragão de Soares, viu-se finalmente a ideia de Nuno Espírito Santo, uma ideia à qual Depoitre nunca conseguiu dar corpo. Soares não é um craque de nível estratosférico, mas consegue ser a perna que faltava no boneco que o treinador tentou desenhar há tempos na sala de imprensa, o pilar que mantém esse boneco em pé, porque dá à equipa a presença e a profundidade de que esta precisava para o jogo mais direto que ela tentava praticar. É preciso enquadrar o futebol do FC Porto naquilo que os seus jogadores tinham dentro da cabeça. Passaram de um ano para o outro de um futebol que privilegiava a posse e de decisões que conduziam a equipa inevitavelmente para o ataque organizado em detrimento do ataque rápido ou do contra-ataque para outro tipo de jogo, com linhas mais juntas e procura mais rápida da profundidade. Nuns jogos sofriam porque a cabeça lhes fugia para as ideias antigas, noutros porque não tinham quem fosse buscar essa profundidade – André Silva é mais móvel na largura, procura bem a faixa, mas quase nunca ataca o espaço nas costas da defesa adversária – noutros ainda porque era o adversário quem, jogando muito atrás, roubava essa mesma profundidade e exigia ao FC Porto outros argumentos que esta equipa não tinha, como a presença na área para aproveitar os cruzamentos que ainda ia fazendo. A equipa melhorou primeiro com Jota, porque o simples facto de ter um repentista em campo já lhe permitia buscar o espaço atrás da defesa adversária. Mas vivia entre dois fogos: ou procurava essa profundidade na criatividade dos extremos e na sua capacidade de furar linhas no um para um ou tentava assumir o jogo com reforço do meio-campo, dando um passo para cada lado e acabando por trocar os pés. Soares não resolveu todos os problemas, porque este FC Porto ainda tem de entender como se exprime melhor. Se com dois extremos puros, apostando na vertigem mas arriscando perder o controlo dos jogos se os adversários souberem envolver-lhe o meio-campo com três homens no corredor central – porque André Silva tem disponibilidade para correr sem parar mas não deve pedir-se-lhe que seja ele a estabelecer equilíbrios atrás – se com dois médios de coração a partir das alas, apostando na consistência mas perdendo chispa atacante – porque Herrera e André André pensam mais na bola do que no espaço e isso trava a equipa. Otávio é uma solução de compromisso entre as duas facetas, mas ainda precisa de rodagem para estar verdadeiramente pronto. Na forma que Nuno Espírito Santo encontrar para resolver este dilema estará a resposta para o que vai ser da equipa já na eliminatória com a Juventus e, depois, no sprint que se adivinha com um Benfica que perdeu fulgor mas poderá recuperá-lo com Zivkovic, com o regresso do melhor Pizzi ou com a entrada de Jonas, que ainda está por chegar a este campeonato. 
2017-02-19
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“Estávamos a jogar bom futebol e só precisávamos de controlar o jogo, mantendo a posse. Mas nessa altura o Nani decidiu tentar uma finta, perdeu a bola e eles conquistaram um penalti” Alex Ferguson, após uma derrota por 5-4 frente ao Chelsea, em Outubro de 2012   “Amrabat recebeu a bola e o nosso defesa-esquerdo estava a 25 metros dele em vez de estar a cinco. Mesmo a 25 metros devia ter ido pressionar, mas não… Isto é tático mas também é uma atitude mental, algo que não se aperfeiçoa num par de semanas”. José Mourinho, após uma derrota por 3-1 frente ao Watford, em Setembro de 2016    “Na primeira parte, o FC Porto foi melhor, porque o Palhinha não levou o guião certo para se enquadrar no jogo e isso foi fatal em termos táticos” Jorge Jesus, após uma derrota por 2-1 frente o FC Porto, Fevereiro de 2017   Há várias coisas que me incomodam no episódio Jesus-Palhinha e a maior de todas não é o facto de o treinador ter apontado responsabilidades a um jogador em vez de se refugiar no que é politicamente correto, que é não dizer nada de concreto. Não gostei, é verdade, porque também acho que criticar os (hierarquicamente) mais fracos é um mau traço de caráter, mas faço parte dos que acham o discurso “chapa quatro” dos treinadores no final dos jogos um aborrecimento pavoroso e dos que têm saudades, por exemplo, das conferências de imprensa de Bobby Robson. Como aquela em que, após uma derrota do FC Porto frente ao Benfica na Luz, exclamou algo como “Benfica 2, Fernando Couto 0”, irritado por o então jovem defesa central se ter feito expulsar. O que mais me incomodou no episódio Jesus-Palhinha foram outras coisas. Foi não se ter tido a oportunidade de perguntar, logo ali, ao treinador: o que quer dizer com isso do “guião certo”? E foram, depois, as tentativas de politizar aquilo que o treinador disse, de tornar aquela frase a charneira de duas narrativas completamente opostas. De um lado os que nela se suportam para defender que Jesus é “uma besta” que nunca assume responsabilidades e não tem um pingo de sensibilidade para trabalhar com jovens. Do outro os que defendem que aquela frase é a exata medida da assunção de responsabilidades por parte do treinador, que afinal era o argumentista e quem devia ter dado o guião certo ao ator que falhou taticamente na primeira parte do jogo. Na verdade, só uma pessoa sabe quem tem razão e essa é o próprio Jesus. E em vez de estarmos todos a adivinhar – ou, pior, a utilizar a frase para suportar ideias que são nossas – o que ele quis dizer, mais valia discutir o que verdadeiramente interessa: devem os treinadores criticar os jogadores em público? Em resposta, eu diria que depende do que querem alcançar com as críticas. Manda o bom-senso que as críticas sejam feitas no balneário, mas é legítimo que se diga que hoje em dia os jogadores estão cada vez mais sensíveis e que a exponenciação do “star system” através, por exemplo, do endeusamento potenciado pelas redes sociais, não tem ajudado. A verdade é que há milhares de casos na história. Fernando Couto ficou destruído pelo comentário público de Robson? Não, porque era forte e sabia que tinha feito asneira. Alguém duvida que o Super-FC Porto de José Mourinho, que a equipa que veio a ganhar a Taça UEFA e a Liga dos Campeões, começou a nascer nas críticas ferozes que o treinador lançou em conferência de imprensa após uma derrota por 3-0 frente ao Belenenses no Restelo? Foi o que aconteceu, ainda que muitos dos que estiveram nessa noite não tenham tido a força suficiente para passar por cima do que se passou e por isso mesmo não tenham chegado ao sucesso que acabou por premiar aquela equipa. Ferguson, por exemplo, foi sempre extremamente duro com Giggs ou, mais tarde, com Ronaldo, que eram os meninos dos olhos dele. E foi também por isso – e por terem sabido dar a volta – que eles chegaram onde chegaram. Claro que há casos de jogadores que não foram capazes de lá chegar. Quando Paulo Bento, também após um jogo no Dragão, pendurou o jovem guarda-redes Stojkovic na cruz por ter agarrado uma bola cortada por Polga – dando origem a um livre indireto e ao golo da vitória do FC Porto sobre o Sporting – pode até tê-lo feito por ter percebido que tinha Rui Patrício em fila de espera e que o futuro da baliza leonina estava no português e não no sérvio, mas daí até se dizer que a carreira deste nunca descolou por causa do episódio vai um salto maior do que a perna. Quer isto dizer que, seja qual for a verdade no episódio Jesus-Palhinha, não é isso que vai determinar o jogador que vai ser o jovem médio nem o treinador que é o amadorense. Jesus fez asneira, sim, mas foi sobretudo no início da época, quando achou que Petrovic podia jogar na equipa do Sporting, preferindo-a a Palhinha. Mas até saltar dessa decisão para o axioma segundo o qual Jesus é um mau treinador para a formação me parece forçado, porque ninguém estaria hoje a reclamar a presença de Palhinha – ou de Podence e Geraldes – se eles não tivessem tido a oportunidade de jogar meia época no Belenenses e no Moreirense.
2017-02-12
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O mercado foi decisivo no desfecho do FC Porto-Sporting. O bis de Soares impulsionou os dragões para uma vitória que os deixa à condição na frente do campeonato e tira os leões da luta a três meses do final da época. A aposta de Nuno Espírito Santo no jogador recentemente recrutado ao V. Guimarães deu frutos, enquanto que no Sporting Jesus viu Palhinha ser insuficiente face à ausência forçada de William: o médio chegado do Belenenses fez uma boa segunda parte, mas acusou falta de rotinas com o resto da equipa e cometeu um erro de posicionamento quando se atrasou a subir para fazer o fora-de-jogo no lance do primeiro golo portista. Na verdade, ainda que de forma tímida, dos três candidatos ao título só o FC Porto foi ao mercado buscar argumentos para fortalecer a sua candidatura. Do V. Guimarães chegou Soares, que se por um lado pode ser visto como alternativa fisicamente imponente a André Silva, por outro tem a velocidade de ponta capaz de dinamitar as defesas mais rápidas: a forma como bateu Ruben Semedo no segundo golo é disso prova acabada. A chegada de Soares acaba por ser também a assunção do falhanço na contratação de Depoitre, que Nuno Espírito Santo nunca conseguiu transformar no jogador que vira no duplo confronto entre o seu Valencia e o Gent, há um ano. Com a entrada de Soares e a saída de Adrian López, emprestado ao Villarreal, o FC Porto deu uma composição diferente ao seu ataque, que agora conta com três pontas-de-lança mais clássicos para um melhor preenchimento do espaço na área adversária e com a irreverência de Rui Pedro, cuja qualidade certamente o impedirá de perder espaço nas opções do treinador. O resto do ataque continuará a depender da velocidade de Jota, do repentismo de Corona e da criatividade de Brahimi – que chegou a estar com pé e meio fora, no Outono, antes de acertar o passo com as ideias do treinador –, bem como da disposição de Nuno Espírito Santo para os colocar a jogar ao mesmo tempo em vez de ir acumulando médios e privilegiando a segurança, confiando nas bolas paradas. No Sporting, o mercado podia ser visto de duas maneiras. Ou redução de custos, com a saída de jogadores que eram excedentários no campo e no orçamento, ou recuperação da identidade do clube, feita da aposta nos jogadores da casa que tanto agrada aos adeptos mas que, valha a verdade, pouco mais deu nos últimos anos do que insignificantes vitórias de Pirro. Ainda assim, Francisco Geraldes parece um médio com capacidade de se impor no onze dos leões, sobretudo se Jorge Jesus conseguir trabalhá-lo de forma a juntar agressividade inteligente (o contrário da que lhe valeu a expulsão no Dragão, ainda pelo Moreirense) ao cérebro futebolístico que o jovem inegavelmente tem. É, no fundo, dar-lhe um pouco de Enzo Pérez para ele poder ser alternativa ou complemento a Adrien. Apesar dos soluços de ontem, Palhinha será sempre melhor alternativa a William do que o inexplicável Petrovic. E Podence, mesmo parecendo jogador mais feito para equipas de contra-ataque, é uma pilha de energia e velocidade constantes. Tudo somado à renovação de Gelson e à compra do passe de Coates chegaria para ter os sportinguistas satisfeitos não fosse a derrota no Dragão, mas a verdade é que ficou a ideia de que o clube não conseguiu colocar todos os erros de casting do mercado de Verão. Saíram Markovic (Hull), Elias (Atlético Mineiro) e Petrovic (Rio Ave), bem como Spalvis, que foi para o Rosenborg acabar a última fase (a ativa) de recuperação da grave lesão que teve na pré-época. Mas ainda ficaram em Alvalade (para já) jogadores como André ou Castaignos, este uma espécie de Depoitre, com a mesma aversão ao golo. Por fim, durante todo o mercado sentado confortavelmente no cadeirão de uma liderança entretanto ameaçada, o Benfica estabeleceu a realização de mais-valias financeiras como grande prioridade desta janela de transferências. Com o auxílio de Jorge Mendes, os tricampeões conseguiram mais duas enormes operações, fazendo 45 milhões de euros com Gonçalo Guedes (Paris St. Germain) e Hélder Costa (que poucos em Portugal sabem quem é mas valeu 15 milhões da opção de compra pelo Wolverhampton, do segundo escalão inglês). A chegada de Hermes (ex-Grêmio) destina-se a compor mais as laterais da defesa, face à lesão de longa duração de Grimaldo, restando perceber onde se enquadram Pedro Pereira e Filipe Augusto. O lateral contará para Rui Vitória ou terá sido apenas uma forma de resolver o imbróglio Djuricic, que seguiu a título definitivo em caminho inverso para a Sampdoria? E será o médio capaz de se impor onde Danilo falhou ou a sua contratação não passa de mais um efeito secundário da parceria com a Gestifute? As semanas que aí vêm o dirão, sendo que para já o Benfica é, dos três, o único a poder lamentar, no plano estritamente futebolístico, o desfecho de Janeiro: o futebol-ventoinha de Gonçalo Guedes, sempre a mexer, sempre a correr, sempre a pressionar, já terá feito a sua falta nas derrotas com o Moreirense e o V. Setúbal. 
2017-02-05
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Os resultados da equipa de futebol serão evidentemente um aspeto a ter em conta pelos sócios do Sporting quando forem chamados a eleger os corpos sociais do clube, em Março. O quarto lugar na Liga, somado à eliminação prematura em todas as outras competições, tem sido a maior arma potencial à mercê da oposição a Bruno de Carvalho. No entanto, os sócios não vão votar em jogadores nem em treinadores – vão eleger quem acharem mais capaz de liderar o clube num rumo que lhe permita ter bons jogadores, bons treinadores e, em resultado disso, bons resultados. Nesse aspeto, Bruno de Carvalho soube dar a volta à má situação desportiva que a equipa vive: ao arregimentar Jorge Jesus para o seu lado da barricada – o que também tem o seu quê de discutível… – expôs Madeira Rodrigues a uma contradição que certamente não ajuda nada o candidato nos esforços para convencer quem pudesse estar insatisfeito com a atual liderança. O que está aqui em causa não é Jorge Jesus. Haverá quem concorde com Bruno de Carvalho, que continua a dizer que o treinador é fundamental para o projeto, como haverá quem veja nele a causa de todos os males e queira vê-lo pelas costas como condição imprescindível para um Sporting ganhador. Isso, para o caso, é irrelevante. O que está aqui em causa é a estratégia de cada candidato para o futuro do clube e sobretudo a perceção que os sócios têm dela. Bruno de Carvalho foi inteligente e conseguiu anular um pouco do efeito dos maus resultados nesta campanha eleitoral. Foi desses maus resultados que nasceram as notícias em torno do afastamento entre presidente e treinador – as primeiras páginas dos dois maiores jornais desportivos de anteontem, com o Record a anunciar a união e A Bola a decretar a distância entre os dois são antológicas – e as consequentes reflexões, que levaram a oposição a acusar Bruno de Carvalho de querer sacrificar Jesus para salvar a pele. Ora, pelo menos publicamente, aquilo que o presidente fez foi exatamente o contrário: chamou Jesus para o seu lado, convidou-o para a Comissão de Honra e passou para a opinião pública a ideia de que está com os seus até ao fim. Sendo que Jesus passou oficialmente a ser um dos dele. Colocado perante este cenário, o que podia fazer Jorge Jesus? Ora aqui há vários planos possíveis de análise. O mais normal era que o treinador, funcionário pago do clube, se recusasse a fazer parte de qualquer candidatura. Isso, porém, era supondo que vivíamos uma situação normal. Esta não é uma situação normal, fruto dos tais maus resultados e das notícias em torno dos desencontros entre presidente e treinador. Se recusasse o convite público de Bruno de Carvalho, Jesus estaria a assumir em nome próprio o ónus da separação e a legitimar desde logo qualquer iniciativa de rutura que nascesse na outra parte. Assim sendo, só restava a Jesus aceitar. Ele até é sócio do Sporting há décadas, sempre se soube que era sportinguista, mesmo quando treinava o rival Benfica, pelo que puxou do seu direito a ter algo a dizer sobre o futuro do clube e juntou-se ao rol dos apoiantes da reeleição de Bruno de Carvalho. Jesus defendeu a sua posição e deu ao presidente-candidato um ás para jogar na próxima puxada: este pode assim alegar que é coerente, que defende o seu treinador, chamando-o para o seu regaço mesmo num momento como este, que é de dificuldades. A questão é que Bruno de Carvalho estava, neste caso, numa situação “win-win”: a alternativa deixava-o com razão para romper a aliança quando quisesse (e ainda há vários jogos até às eleições, onde, assumindo o pior cenário, isso podia dar-lhe jeito). Já Pedro Madeira Rodrigues, pelo contrário, ficou numa situação “loose-loose”. E só porque se precipitara ao anunciar, logo na apresentação da sua candidatura, em Dezembro, que contava com Jorge Jesus. “É o nosso treinador”, dissera na altura, apenas para agora se ver forçado a dizer que não contará com ele caso ganhe as eleições. Face à integração de Jesus na Comissão de Honra de Bruno de Carvalho, podia Madeira Rodrigues fazer outra coisa? Creio que não. Mas a ideia que passa é a de uma estratégia de cata-vento ou pelo menos a de alguém que não equacionou todas as variáveis possíveis antes de anunciar uma medida programática como é sempre a da escolha do treinador da equipa de futebol. Mas isto, afinal, é só política.
2017-01-22
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Em semana de Congresso dos Jornalistas, o documento “The European Football Landscape”, lançado pela UEFA, veio ajudar um pouco à reflexão em torno do jornalismo que se faz. Sei por experiência própria que os jornalistas de hoje não são piores do que os de há 30 anos. Pelo contrário: são melhores. Têm é problemas diferentes para ultrapassar, o maior dos quais é o mundo que os rodeia e que conspira para lhes roubar um bem precioso, que é o tempo. A forma como foi tratado o documento da UEFA vem provar isso mesmo. Sem tempo, o que se faz? Primeiro, não se lê, treslê-se. Olha-se para aquilo e rapidamente se descobre que o Benfica é a segunda equipa mais endividada da Europa. Já há título, porque é esse tipo de comportamento extremo que os leitores procuram. E depois, seguindo outro aspeto particular da sociedade de hoje, onde todos se sentem informados e com opiniões definitivas sobre tudo, que lê divide-se em dois grupos: o dos que acham que é uma vergonha e o dos que sabem que é uma cabala. Não é uma coisa nem a outra. É assim mesmo. Não é uma cabala porque o Benfica tem de facto uma dívida monstruosa, bem maior que as de FC Porto e Sporting. Não é uma vergonha porque o clube também tem uma receita muito superior aos rivais e faz dessa dívida e da sua gestão quotidiana uma forma de vida nos limites que lhe permite andar de mãos dadas com o sucesso. É essa forma de vida que ajuda a entender, por exemplo, a parceria com Jorge Mendes e o ocaso a que tem estado a ser vetado Raul Jiménez, que Luís Filipe Vieira já vem dizendo há muito tempo – há mais de um ano, creio… – que vai ser a maior venda da história do clube. Como se já tivesse visto o guião escrito em algum lado. Transpondo a história para a nossa vida real de todos os dias, imaginemos que temos um vizinho que é futebolista num clube de meio da tabela, mas que de repente atinge os píncaros do sucesso e assina um novo contrato por um dos grandes, a ganhar 100 mil euros por mês. O rapaz ganhava uns dois mil no contrato anterior e estava a pagar uma casa ao banco que lhe tinha custado 250 mil euros. Uma casa sobre a qual penderia a normal hipoteca. De repente, com o aumento da receita garantido, abalançou-se a comprar uma vivenda de luxo numa zona mais rica da cidade e pediu um empréstimo de quatro milhões de euros. Tecnicamente, ficará com uma das maiores dívidas da rua, talvez mesmo a maior. Mas na prática tem condições de a pagar e ninguém tem nada a ver com isso. A gestão do Benfica tem vindo a ser feita assim há anos, mesmo que Luís Filipe Vieira ande há anos também a dizer que quer passar a apostar na formação, porque quer manter a receita e reduzir a despesa. A narrativa que passa para o exterior é muito a de que isso não foi feito mais cedo porque Jorge Jesus não permitia e que com Rui Vitória, de facto, aumentou muito a aposta nos rapazes do Seixal. Se a segunda parte desta história bate certo com a realidade, já em relação à primeira tenho muitas dúvidas, porque para a relação com Mendes poder funcionar na perfeição as movimentações têm de ser para lá e para cá. A própria posição do agente no mercado internacional poderia ficar comprometida se só fizesse negócios mega-inflacionados num sentido. Porque a questão aqui não é a de o dinheiro ser verdadeiro ou em notas de Monopólio, como muitos se atrevem a dizer. Não me passa pela cabeça que o dinheiro não seja real. Mas que todo o esquema se monta na capacidade para vender bens muito acima – nem é só acima, é muito acima – do seu real valor de mercado, isso parece evidente. Ora centremo-nos em Jiménez, que não ocupou a sua posição no banco de suplentes ontem com o Boavista porque Luís Filipe Vieira está a tentar vendê-lo para o futebol chinês. As notícias que circulam dão conta de propostas de 50 milhões de euros, mas que o presidente encarnado só aceita libertar o jogador pelos 60 milhões de que fala há meses. 60 milhões de euros. Por um suplente. A concretizar-se – e não tenho muitas dúvidas de que acontecerá, se não já em Janeiro, no mercado de Verão – é caso para se dar uma nova perspetiva à expressão “negócio da China”. Só que basta andar um pouco para trás para perceber que o circuito é bi-direcional. Jiménez saiu do México para o Atlético de Madrid por 11 milhões de euros. Foi suplente em Espanha e saiu para o Benfica por um total de 22 milhões, pagos em duas partes. Continuou a ser suplente em Portugal e está prestes a sair para a China por 50 ou 60 milhões de euros. Isto sim, e não a dimensão da dívida do Benfica, merece esclarecimentos por parte de quem sabe e o tempo dos jornalistas.
2017-01-15
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Uma semana dedicado a outros projetos valeu-me agora o regresso a um futebol português posto de pernas para o ar. As razões são as habituais: as arbitragens e a interferência que têm nos resultados dos jogos. A este respeito, quem me segue já sabe o que penso. Há culpa de todos, dos que andam nos relvados aos que dirigem, passando pelos que reportam (estes umas vezes por inércia e outras por exagero no aproveitamento populista), mas o pior é mesmo não querermos olhar para as coisas como elas devem ser vistas. Os árbitros erram e acredito que o futuro do futebol tem de passar (e rapidamente) pela criação de condições para que comecem a errar menos, com a institucionalização de um árbitro de régie, que tenha acesso às imagens de todas as câmeras disponíveis ao realizador de televisão. Isto não é unânime nem sequer pacífico. E até se preza a leituras como as que vi esta semana feitas por gente inteligente e responsável, que mesmo assim não se coibiu de dizer que com o vídeo-árbitro as coisas não teriam sido diferentes. Talvez. Não sou capaz de dizer que sim nem que não. Mas tenho a certeza que a complexidade de que se faz a natureza humana pode ajudar-nos a explicar o que acontece tanto a montante como a jusante dos factos. Nunca explico jogos em função do acerto ou do erro das arbitragens. E se o não faço não é por achar que os árbitros acertam sempre, por ter medo de os afrontar ou por estar ao serviço de alguém que os comande como se fossem marionetas. Não o faço por acreditar que há sempre aspetos mais relevantes, que quem gosta de futebol pode debater para aumentar os seus conhecimentos e tornar o debate bem mais frutuoso. E não o faço por saber que o dia em que entrasse por aí seria o dia em que todos os outros caminhos iriam esbarrar numa parede, porque nesse caminho nunca é possível definir quem tem mais razão, tais são as suas subjetividade e (até às vezes) irracionalidade. A mesma natureza humana que nos ajuda a explicar o erro dos árbitros volta a entrar na equação no momento em que o discutimos. Duplamente. Primeiro porque o sacudir de água do capote (em direção a tudo e muitas vezes aos árbitros) em noites de frustração é um reflexo muito normal no homem. Depois, porque em qualquer organização as relações de poder e a forma de as condicionar a nosso favor são aspetos fundamentais para separar o sucesso do insucesso. Sei disso. Sempre o soube. Ora isto quer dizer o quê? Que os árbitros erram, sim. Que cabe aos líderes do futebol criar condições para que eles errem menos a cada dia que passa. Que apesar de isso não levar a lado nenhum, o choradinho de quem se sente prejudicado é tão natural e humano como o erro. Tão natural, igualmente, como a propensão – também ela humana – para querer dominar as organizações e passar a ser beneficiado nelas se tal for possível. Aliás, muitas vezes esse choradinho não mais é do que uma tentativa de condicionamento para virar a mesa. Perante isto, o que fazer? Depende do lugar em que nos coloquemos. Os árbitros têm de continuar a apitar, os jogadores a jogar, os treinadores a treinar, os dirigentes a dirigir, os adeptos a apoiar, os jornalistas a reportar e a investigar. O que é muito diferente de se concluir que se os árbitros erram é porque são corruptos ou parte de um sistema que é corrupto, mas também de inferir que se as provas não nos caem no colo é porque não há corrupção nenhuma  – aqui serão as provas a marcar a diferença, mas é preciso inquietação e ir à procura delas. Esta semana, tal como em várias ocasiões no passado, quando eram outros a queixar-se e outros também a manter-se em silêncio, não foram apenas os árbitros a exorbitar nos seus erros. Houve muitos jogadores e treinadores a ir longe demais nos protestos, mas também na acusação pública e na tentativa de expor os rivais ao ridículo. Houve responsáveis de clubes a exagerar na reação à infelicidade e adeptos a passar muito para lá das marcas nas ações e nas palavras. Os jornalistas estão entre a apatia face ao que muitos julgam ser passível de acusação (mesmo sem provas, que não se conseguem só porque se quer) e a denúncia populista, porque é o caminho mais fácil para somar likes e cliques. Este é um assunto delicado. Não é por medo ou por conivência, mas sim por respeito à presunção da inocência. E não se resolve a misturar análise a jogos com avaliação das arbitragens.
2017-01-08
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As minhas reflexões sobre jornalismo são constantes, diárias, mesmo que muitas vezes as guarde só para mim. Sejam acerca do objetivo da profissão ou das suas permanentes mutações, não só relativas aos modos de funcionar como à rentabilização – porque se o jornalismo é grátis para o consumidor, continua a ter custos para quem o produz e esses custos têm de ser cobertos. Na semana passada, reagi com uma entrada a “pés juntos” à enxurrada de elogios que andava pelas redes sociais acerca de uma primeira página da “Marca”, onde aparecia Cristiano Ronaldo, mas o facto do CR7 aparecer equipado à Sporting fez com que a maior parte de vós quisesse discutir o clubismo em vez de debater o jornalismo. Vou, por isso, voltar a tentar hoje. A primeira página da “Marca” de hoje, feita à volta da tragédia que foi a queda do avião onde viajava a Chapecoense, é belíssima e sensibilizadora. Mas, mais uma vez, acho que está muito mais próxima das relações públicas do que do jornalismo. O facto de o dizer não quer dizer que esteja menos solidário com o drama de familiares e adeptos dos jogadores desaparecidos, mas o que a “Marca” fez, sendo um excelente outdoor, um cartaz de grande nível, não é a evolução do jornalismo. É evidente que o jornalismo tem de evoluir, mas não para se transformar em relações públicas, porque se assim for deixamos de ter dois nomes diferentes para duas funções que, sendo ambas nobres, são adversárias e não aliadas. Já diz a citação, que “jornalismo é aquilo que [os agentes] não querem ver publicado; o resto são relações públicas”. A “Marca” é o expoente máximo, julgo mesmo que a nível mundial, deste género de “jornalismo”. Para o explicar é preciso compreender a história do desporto espanhol, que estava pouco mais do que moribundo no início da década de 90 e soube aproveitar os programas de incentivo gerados por altura dos Jogos Olímpicos de Barcelona para se tornar uma das maiores potências mundiais. Não só em futebol como em muitos outros desportos coletivos e individuais. Seja no que for, há um espanhol no topo do Mundo. E a “Marca” viu ali a oportunidade de responder a uma das maiores preocupações de quem pensa jornalismo em todo o Mundo – a viabilização financeira da atividade. Os jornais têm de se vender, porque apesar de muitos de vós acharem que o jornalismo é gratuito (os cliques na internet não pagam taxa), as empresas de jornalismo continuam a ter de pagar salário aos profissionais que escrevem as notícias. E não, isto não é uma vergonha para a profissão – nenhuma atividade a que os consumidores de informação grátis na internet recorram abdica de se fazer pagar. Pagam pelas obras lá em casa, pelo café na pastelaria, pelo gasóleo para o carro… O que a “Marca” fez a partir do final da década de 90 – e que lhe permitiu ser o único jornal desportivo europeu a não perder vendas no trágico ano de 2002 – foi um produto que se foi aproximando mais das relações públicas, com a glorificação permanente dos seus campeões. Começaram a ver-se primeiras páginas laudatórias, apelando sobretudo ao sentimento dos potenciais consumidores, que gostam que lhes pintem uma realidade até por vezes excessiva. Foi esse o tipo de “jornalismo” exportado pelos tais consultores espanhóis que as principais empresas de media portuguesas chamaram para explicar o segredo do seu sucesso após as quebras de 2002 e 2003. E quando se abre a porta a esse tipo de “infotainement”, chega-se ao radicalismo que um deles uma vez expôs sem qualquer pudor. O problema é que o “há que ser mais fanático do que os adeptos mais fanáticos” que nos foi explicado por um ex-diretor do “As” não será nunca exportável para Portugal, porque as realidades são diferentes. E são diferentes em quê? Primeiro, o desporto português não tem sequer um décimo dos campeões do desporto espanhol. Eles têm o Fernando Alonso, nós temos o Pedro Lamy. Eles têm o Rafael Nadal, nós temos o João Sousa. E por aí a fora. Depois, porque se em Espanha o espectro de adeptos dos maiores clubes chega para alimentar diversos jornais que deles se aproximam, em Portugal somos menos e nenhum clube tem consumidores em número suficiente para manter vivo um jornal. E quando os jornais tentam, à vez, agradar a todas as cores, acabam por perder o respeito das cores adversárias. A este respeito, quando em 2007 estive em Espanha reunido com os cérebros da Unidad Editorial – dona da “Marca” e do “El Mundo” – para estudarmos a possibilidade de se lançar a “Marca” em Portugal, uma das primeiras perguntas que me fizeram foi: “E de que clube vamos ser?” Respondi que de nenhum, que íamos estar rigorosamente ao meio. O que me leva à segunda parte do raciocínio. Porque se a transformação do jornalismo em relações públicas pode até funcionar financeiramente em Espanha – mas não em Portugal – ela vem colocar questões que me parecem pertinentes também no plano deontológico. No meu percurso nos jornais desportivos, tive cinco diretores: João Marcelino, José Manuel Delgado, Alexandre Pais, Manuel Tavares e João Querido Manha. Uns eram pelo jornalismo de combate, outros pelo jornalismo de compromisso, outros ainda pelo jornalismo (sobretudo desportivo) enquanto entretenimento. Aprendi coisas com todos, mas continuei sempre a pensar pela minha cabeça. E sempre rejeitei a vertigem das boas notícias de que o jornalismo desportivo português está cheio: a ideia é sempre agradar ao potencial leitor, tocando-lhe no coração, que tanto pode ser o emblema do clube como, neste caso, o choque recente com a tragédia da Chapecoense. E isso, nalguma parte do caminho, sobrepôs-se à missão principal do jornalismo, que é e continuará a ser a de dar notícias, mesmo que elas sejam incómodas. É evidente que a manchete da “Marca” no dia do Sporting-Real Madrid tinha de ser o regresso de Cristiano Ronaldo a Alvalade: o que contestei foi que aquilo fosse apresentado assim, com foco apenas da beleza do cartaz em vez de ser, por exemplo, numa reportagem aos inícios de carreira do jogador. E se na altura falei em marketing – o que levou muita gente a achar erradamente que era marketing para promover Ronaldo – o que estava a dizer é que era marketing do jornal, às costas de Ronaldo, que serve para vender muita coisa… e também jornais. É evidente que a manchete de hoje da “Marca” ou de qualquer jornal desportivo tem de ser com a Chapecoense, mas em nome do jornalismo eu preferiria que ela fosse noticiosa em vez de parecer um cartão de solidariedade que se envia aos familiares das vítimas. Porque a solidariedade pode até vender mais, mas não é jornalismo – é relações públicas. PS – Muitas das reações ao que vou pensando sobre jornalismo remetem-me para exemplos concretos do que se faz em Portugal. Percebam por favor uma coisa: não vou estar aqui a fazer crítica de primeiras páginas dos jornais portugueses, não só por bons amigos em todos, mas sobretudo porque ninguém me nomeou provedor da imprensa desportiva nem eu me arrogo ao direito de o ser. E porque o facto de já ter passado – e ter sido afastado – da direção de dois dos três jornais poderia levar a que aquilo que penso fosse confundido com despeito. PS II – Quando comentei a primeira página da “Marca” com Cristiano Ronaldo vestido à Sporting, muitos criativos acharam que aquilo era contra o CR7 ou contra o Sporting. Não era. Reitero agora publicamente aquilo que disse nesse dia em mensagem privada aos que me ameaçaram fisicamente: fui ao jogo, da mesma forma que continuarei a ir a todos os estádios de cara destapada e cabeça erguida. Aos que quiseram discutir o tema de forma mais séria, digo que nada me move nem contra Ronaldo – com quem mantenho uma relação de respeito desde que em 2002 comecei a acompanhar a sua carreira – nem contra o Sporting – clube que trato da mesma forma que trato os outros, independentemente das simpatias que tenho ou que me tentam arranjar por esta ou aquela cor. Aliás, continuo convencido que o facto de diariamente virem aqui acusar-me de estar a favorecer Benfica, Sporting ou FC Porto é o maior ato de validação ao meu trabalho que pode haver.
2016-11-30
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Ainda sou do tempo em que havia quem tentasse aplicar ao futebol regras do direito comum do trabalho, advogando que para se libertar de um contrato, rescindindo-o, a um jogador bastaria pagar ao clube a que estava ligado o valor correspondente aos salários que ainda teria a receber. Não era assim, não viria a ser assim, porque o futebol obteve neste particular o direito a uma especificidade que tem a ver com os milhões pelos quais são transacionados os passes dos jogadores e até com os salários muito acima da média que alguns destes recebem. E aí nasceram as cláusulas de rescisão. Que não servem para definir quanto vale um jogador nem muito menos para se fazer um campeonato, ao contrário do que acham os adeptos mais fervorosos e aqueles que se entretêm a alegrar-lhes os dias. Quando um clube contrata um jogador, é porque acredita nele e quer contar com ele até o ver corresponder em campo, até o ver pagar com rendimento desportivo o que nele foi investido. A dada altura, passou a ser habitual que se lhe fixasse uma cláusula de rescisão, que entra num contrato como parâmetro negocial ao nível dos anos de duração, do salário ou do prémio de assinatura. Às vezes há coisas exageradas, como as cláusulas de dezenas de milhões de euros que o Sporting fixou para alguns jogadores da formação que andavam na equipa B ou os 80 milhões em que parece ir ficar a cláusula de rescisão de Nelson Semedo com o Benfica. São casos diferentes – o Sporting blindava os miúdos por ainda não saber se ali ia aparecer um novo Ronaldo, o Benfica blinda Semedo por estar a vê-lo crescer na equipa principal – mas têm em comum uma coisa: ambos os clubes ficaram aquelas cláusulas porque puderam fazê-lo, porque no ato de assinatura dos contratos os jogadores e os seus agentes concordaram com isso. Nunca os clubes insinuaram sequer que aqueles jogadores valiam aquele dinheiro: queriam apenas assegurar que se um dia viessem a valer algo próximo daquilo não podiam fugir a não ser por aquele valor. Cissé não valia 60 milhões de euros, Semedo não vale 80 milhões e, mesmo que venha a assinar o novo contrato com a cláusula que o Sporting quer impor-lhe, Gelson não valerá ainda 100 milhões. O que vale então um jogador? Era costume dizer-se que valia aquilo que alguém se oferecesse para pagar por ele. É assim a lei do mercado. Se eu tenho um ativo – o passe de um jogador –, se me oferecem dez milhões por ele e se eu aceito, esse ativo valerá esses dez milhões. Só que, tal como em tudo na vida, o mercado de futebolistas mudou muito com as intervenções dos mega-agentes e dos fundos de investimento. Não é sequer uma questão exclusiva do futebol. Todas as áreas onde há mega-investimento para criação de mais-valias acolhem este tipo de especulação. Seja o imobiliário, a bolsa de valores ou até o trading em apostas desportivas. Aquilo que mais influencia os mercados hoje em dia não é a qualidade dos jogadores, mas sim o dinheiro dos investidores. Os principais fatores determinantes nos valores das transferências dos jogadores não são a vontade dos clubes vendedores ou compradores ou a qualidade dos futebolistas mas sim a determinação estratégica de grandes grupos financeiros que entraram no futebol. São estes que, de acordo com o caminho que querem dar ao negócio, decidem se é altura de fazer dumping e vender abaixo do preço justo ou se, usando as influências que têm em clubes de vários países e dimensões, o que lhes convém é subir os preços numa espécie futebolística de cartelização. Exemplos disto são as chegadas a Portugal de jogadores como Elias (da primeira vez que veio para o Sporting), Jiménez ou Imbula, mas também saídas como as de Rodrigo para o Valência ou do mesmo Imbula, que fracassou e mesmo assim se valorizou. É por isso, sobretudo, que cada vez fazem menos sentido estes campeonatos da venda de jogadores que só os tais adeptos mais fervorosos vão alimentando. Nem as mais-valias são assim tão grandes, porque para vender caro é preciso comprar caro e manter a roda a girar um nível mais abaixo, nem o objetivo principal dos clubes é vender jogadores. É ganhar campeonatos, daqueles a sério, em que se somam pontos.
2016-11-28
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Jorge Jesus disse no final do Sporting-Real Madrid que as diferenças entre os leões e os seus adversários na Liga dos Campeões não são tão grandes como a distância pontual leva a crer. O treinador baseou a teoria nas quatro derrotas pela margem mínima, no "bocadinho assim" que tem faltado aos leões. E podia até ter ido mais longe, se constatasse que em 360 minutos contra Borussia Dortmund e Real Madrid, duas das melhores equipas da Europa, os vice-campeões portugueses só foram mesmo inferiores na primeira parte de Alvalade contra os alemães e nos últimos 20 minutos do Santiago Bernabéu ante os campeões europeus, tendo sido superiores em boa parte do jogo de Madrid e na segunda parte de Lisboa contra os alemães. Esta não é, porém, uma constatação feliz para quem já perdeu um campeonato fazendo um recorde de pontos do clube, porque transporta a necessidade de mudar para um plano que já não depende do treinador. O problema deste Sporting, já se vê, não está no plano do jogo. A equipa consegue equiparar-se às melhores, equilibra jogos com elas, chega a superiorizar-se em alguns momentos. Contra o Real Madrid, hoje, mesmo a jogar com dez – o que implicou ficar sempre com menos um elemento em ataque organizado – foi à procura do empate e teve o 2-1 na cabeça de Campbell na jogada anterior ao golo que valeu o 1-2 a Benzema e ao Real Madrid. O problema deste Sporting está claramente no plano da competitividade, no facto de ficar sempre o tal bocadinho aquém do exigido. E isso é que é dramático, porque não se treina. Jesus pode treinar o ataque posicional, pode treinar a reação à perda, pode treinar a transição ofensiva, pode treinar as variações de centro de jogo, os posicionamentos defensivos ou até tentar aproximar Bas Dost do que representava Slimani, mas não pode dar personalidade vencedora de um momento para o outro aos seus jogadores. Foi por falta dessa personalidade, do “instinto assassino” de que falava Bobby Robson há uns anos, que o Sporting perdeu o último campeonato: não sentenciou a Liga quando tinha pontos suficientes de avanço (derrota frente ao U. Madeira, em Dezembro); permitiu a aproximação do Benfica antes do derbi decisivo (empate em Guimarães); e perdeu depois com o rival em casa, no único jogo que não podia perder, permitindo que os encarnados o ultrapassassem. Jesus atribui estes percalços a erros de crescimento – ainda hoje voltou a falar disso – mas a verdade é que por esta altura a equipa que ele está a construir já passou a fase da adolescência para entrar na vida adulta. Os erros não são de crescimento mas sim de personalidade. E mudar isso é muito mais difícil.  
2016-11-22
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No dia em que o futebol se tornou um negócio, os negócios do futebol tornaram-se mais difíceis de perceber. Desenganem-se todos os que se entretêm nas férias a imaginar campeonatos de defeso, a avaliar clubes e jogadores pelos muitos milhões que fazem movimentar no mercado. É que os valores atingidos pelas transferências de jogadores têm cada vez menos a ver com o valor real e mais com fatores extra, como a cartelização feita entre fundos de investimento, empresários e clubes cúmplices, o desespero que alguns vendedores têm e outros se dão ao luxo de desprezar no momento de se desfazerem das suas pérolas ou a necessidade que alguns compradores têm de levar a cabo operações de lavandaria a mando dos seus investidores principais ou, por oposição, de comprar abaixo do preço de mercado para respeitar as diretivas orçamentais que chegam de Nyon, sede da UEFA. Quando ouvi pela primeira vez falar no empréstimo de João Mário ao Inter, por 10 milhões de euros, francamente, pareceu-me um péssimo negócio, porque com dez milhões o Sporting não ficaria com a folga necessária para poder aventurar-se no mercado em busca de um substituto que dê garantias no imediato e dessa forma estaria a prejudicar as suas hipóteses de ganhar muito mais do que isso sendo campeão nacional. Diziam-me que o Inter não podia pagar mais, porque está a contas com o rigor que as normas do fair-play financeiro ditado pela UEFA lhe impõe e que por isso mesmo até tentou que fosse o Jiangsu, clube chinês do mesmo dono, a comprar o passe do jogador, para mais tarde o emprestar aos italianos. Não tendo isso sido possível em Julho, porque na altura o Sporting manteve a intransigência negocial, os italianos quererão agora o empréstimo direto, atirando para daqui por um ano uma cláusula de compra obrigatória do jogador, por mais 35 milhões. É uma forma de driblar o controlo do fair-play financeiro, de o remeter à condição de “treta” – como dizia Jorge Jesus há anos do fair-play em campo – como há muitas outras. Desde as compras inflacionadas aos acordos com patrocinadores que pertencem aos mesmos donos dos clubes e pagam muito acima da tabela pelo espaço nas camisolas de forma a mascarar as injeções de capital de corriqueiras receitas operacionais. Resta ao Sporting a avaliação do negócio em todos os planos e mais um. Para uns, os hooligans das redes sociais, tudo se resume a uma medição de egos clubísticos: o importante é fazer mais dinheiro que o rival, é ter o recorde da maior transferência. Para outros, que julgam sempre saber mais do que sabem na verdade, o que importa é simplesmente vender, porque é preciso amortizar dívida. À banca, à Doyen, a quem quer que seja. Estes dois grupos pecam por excesso e por defeito ao mesmo tempo. Na verdade, o importante aqui é apenas uma coisa: vender pelo preço justo, ou pelo menos não vender muito abaixo só porque se corre o risco de o jogador ficar contrariado e de se ter em mãos mais um choque como o que levou à perda de Carrillo a custo zero. O preço justo não são os 60 milhões da cláusula de rescisão – bastaria ter visto os problemas de João Mário na finalização para o perceber – mas andará entre os 30 e os 35, pelo que uma proposta de 10 mais 35 é boa e só tem mesmo o defeito de o grosso do dinheiro vir apenas daqui por um ano e não permitir procurar já um substituto, incorrendo o Sporting em prejuízo desportivo imediato. Só que é aqui que entra o negócio. Porque não sendo o Sporting dono da totalidade do passe de João Mário e estando obrigado a entregar percentagem significativa da parte que lhe toca em cada transferência para amortizar a dívida à banca, o que lhe conviria, aliás, era emprestar João Mário por vários anos consecutivos, embolsando a totalidade dos valores apurados, e nunca o vender. Há quem o faça, aliás. Porque o mercado de transferências parece-se cada vez menos com aquilo que era há um par de décadas, quando se um jogador era o mais caro do Mundo isso quereria necessariamente dizer que seria também o melhor. Hoje, há muito mais fatores a ter em conta. E nenhum deles é o fair-play financeiro.
2016-08-15
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A equipa. Não restam muitas dúvidas nem entraves ao consenso. Portugal foi evoluindo à medida que a competição foi avançando e terá encontrado o seu onze de gala na fase decisiva. Hoje o onze titular deve ser igual ao que bateu Gales, com as entradas dos dois jogadores que nessa altura estavam impossibilitados de jogar: Pepe (lesionado) e William (castigado). A seleção deve assim entrar de início com cinco jogadores que começaram a prova como suplentes: Cédric, José Fonte, William, Adrien e Renato. Não tendo sido propositado, esse fator acaba por funcionar a favor da equipa portuguesa, que soma a esse menor peso da prova nas pernas o dia-extra de repouso que estranhamente a equipa organizadora cedeu ao adversário no desenho do calendário. A esperança portuguesa é a de que isso venha a ser decisivo. A estratégia. Portugal é uma equipa difícil de contrariar, porque é uma espécie de camaleão do ponto de vista estratégico. Nunca se sabe muito bem como a equipa vai entrar em campo, porque ela se centra tantas vezes na melhor forma de contrariar o adversário e tão poucas numa identidade própria. Foi assim nos três jogos que a seleção já fez a eliminar nesta prova. Hoje, a estratégia portuguesa pode passar por duas ideias fortes: impedir que as movimentações de Griezmann e Payet se tornem letais no espaço central e não deixar que Pogba e Matuidi empurrem o bloco para perto da baliza de Rui Patrício. Muito se vai jogar, portanto, no meio-campo, sendo que a mobilidade dos jogadores de segunda linha franceses não aconselha a que Portugal mantenha as referências individuais que tem vindo a utilizar com frequência – fê-lo, por exemplo, com a Croácia ou a Polónia. Se o que interessa é controlar as movimentações de Griezmann, há que manter William posicional à frente dos defesas, mas não lhe dar ordens para ir atrás dele, porque se o espaço vaga aparece lá Payet, vindo da esquerda. Se Payet não é tão perigoso pelas idas à linha de fundo para cruzar ou pela largura, mas sim pelas diagonais da esquerda para o meio, há que ter Renato Sanches a fechar esse espaço, permitindo-lhe até que se junte muitas vezes a Adrien mais por dentro, de forma a igualar o duelo com Pogba e Matuidi. Se Pogba e Matuidi gostam de chegar perto da área, de empurrar a equipa para a frente, há que ganhar-lhes as costas, seja através da saída de bola de William, da explosão de Renato, de tabelas com Adrien ou de desmarcações de apoio de Nani ou Cristiano Ronaldo. O jogo. A França vai ter mais bola. Isso parece evidente à partida, ainda que Portugal chegue a esta final com maior percentagem de posse que os donos da casa (53% contra 52%). A chave do jogo para Portugal vai, por isso, estar em grande parte nos comportamentos sem bola, na forma como a equipa for capaz de fechar os espaços, mas também nos momentos de transição ofensiva. A zona central da defesa francesa melhorou com a entrada de Umtiti para o lugar de Rami, mas ainda é a mais vulnerável no jogo francês, pelo que as movimentações de Ronaldo e Nani podem vir a ser fundamentais. O mais certo é Deschamps acabar por pedir aos seus laterais que joguem muito perto dos centrais, sobretudo no lado mais longínquo do campo, para evitar situações de dois para dois que podem ser potencialmente perigosas. Mas onde tudo vai decidir-se é mais atrás, na capacidade que Portugal vier a ter (ou não) de queimar as linhas francesas em contra-ataque. O favoritismo. A França entra como favorita. Fez um Europeu mais convincente, joga em casa e ganhou os dois particulares que fez contra Portugal nos últimos dois anos. O que se jogou aqui, no Stade de France, foi mesmo a estreia de Fernando Santos e começou de forma trágica para uma equipa portuguesa que foi completamente atropelada nos primeiros minutos. Mas isso não quer dizer que ganhe. Esta equipa portuguesa é muito difícil de derrotar. Basta olhar para os últimos dez anos. Em fases finais (2006, 2008, 2010, 2012, 2014 e agora 2016), descontando a meia-final de 2012, resolvida nos penaltis, Portugal só perdeu seis jogos: quatro vezes com a Alemanha (no jogo pelo terceiro lugar de 2006, nos quartos-de-final de 2008, na fase de grupos de 2012 e 2014), uma com a França (na meia-final de 2006), uma com a Espanha (oitavos-de-final de 2010) e outra com a Suíça (num jogo irrelevante de 2008, que a seleção jogou com vários suplentes). Dessas seis derrotas, duas foram contra a equipa da casa e outras duas contra o futuro campeão. Mau agoiro para o jogo de hoje? A tradição e o desdém. Diz o registo histórico que Portugal não ganha à França há 41 anos. Desde que a bateu em Paris, em 1975, num jogo particular. Mas Fernando Santos tem sido pródigo em acabar com as tradições. Foi assim quando Portugal ganhou à Itália como assim foi quando bateu a Argentina. Isso pesa zero no que há-de acontecer mais logo. Como zero pesa o facto de todos os analistas franceses acharem que Portugal não joga nada e que a França ganhará facilmente. É no campo que vai ver-se.
2016-07-10
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Lembram-se da seleção de 2004? Pois bem, não tem nada a ver. Ou melhor: tem um ponto de contacto: ambas chegaram a uma final. Mas para se perceber por que razão aquela equipa foi capaz de convocar bandeiras nas janelas de tantos portugueses e esta continua a ser olhada de lado pela generalidade dos que julgam que sabem de futebol é preciso recorrer a mais justificações do que a capacidade de marketeer de Luiz Felipe Scolari, a abundância face à escassez atual de estrelas no onze ou o facto de aquele Europeu ter sido disputado em casa e portanto mais próximo das emoções nacionais. É, fundamentalmente, uma questão de foco. Aquela equipa começava os jogos a pensar nas maneiras de chegar ao golo, de seduzir, esta começa-os a pensar nas maneiras de evitar que os adversários lá cheguem, de anular. Mas dizer que aquela jogava enormidades e que esta não joga nada é uma parvoíce que só mesmo no país das vitórias morais pode ouvir-se e ser aplaudida. Porque como dizia Chris Coleman no final do Portugal-Gales, “há mais de uma maneira de ganhar um jogo de futebol”. Afinal de contas o que é jogar bem? Um dos primeiros que vi abordar essa questão foi Jorge Valdano, no Europeu de 1996. Escreveu-o acerca de Portugal, no “caderno” que publicava no El Pais, lançando a euforia no contingente de jornalistas portugueses ainda pouco habituados a verem a sua seleção nas fases finais. Eu sei, porque estava lá e também babei com o elogio internacional. “Jogar bem é tocar a bola, entendendo que cada lugar do campo tem a sua velocidade e a sua dificuldade. Todos a tocam e se oferecem…”, começava por definir o treinador argentino. Depois de passar detalhadamente por cada contributo, concluía. “Pode ser golo ou não, ganharão ou perderão, mas no fim dos jogos ingleses, espanhóis, italianos e búlgaros coincidem no veredito: ‘Maravilhoso!’ Ah sim? Então não me perguntem mais o que é jogar bem. É isto”. E no entanto aquele Portugal não ganhou. Ficou nos quartos-de-final. Jogava bem? Sem dúvida, mas não era eficaz. Não fazia golos que alimentassem tanto futebol. A questão em torno da equipa de Fernando Santos não é tanto a de saber se joga bem ou mal. Este Portugal joga bem, porque o faz de forma coerente com as suas ideias. Não joga é bonito. É a equipa estrategicamente mais bem montada de todo o Europeu. O que se aponta ao selecionador nacional? Que não começou com o melhor onze, guardando jogadores como Cédric, Fonte, Adrien, William ou Renato para segundas oportunidades. É verdade. Mas, mesmo sem acreditar que isso tenha sido propositado, alguém pode garantir que se eles têm entrado de início estariam agora em condições de dar à equipa o contributo decisivo que têm dado? Um Europeu é uma prova super-intensa, com sete jogos em menos de um mês, e nesse aspeto Portugal foi brilhante, arrancando lento e utilizando os 20 jogadores de campo baseado na convicção de que seria preciso fazer muita asneira para ficar eliminado na primeira fase. Mais acusações? Que Portugal joga muito em função dos adversários. Também é verdade. Mas a forma como a equipa foi montada nos jogos com a Croácia ou Gales, por exemplo, esteve perto da perfeição. Contra a Polónia esse espírito de antagonismo exacerbado foi longe demais e a ideia que ficou foi a de quem nem os próprios jogadores perceberam bem como era suposto jogarem, pelo menos até ao momento em que o treinador simplificou a fórmula em que, até pela dificuldade de pronunciar os nomes dos adversários, estes eram referenciados pelos números. Mas o modo como Adrien anulou Modric e Allen, os organizadores de jogo croata e galês; o modo como o mero posicionamento de Ronaldo impediu a Croácia de sair tantas vezes como quereria pela direita, através de Srna; o modo como João Mário e Renato Sanches fecharam as linhas de passe interior aos laterais galeses, impedindo-os de conectar com o resto da equipa quando se projetavam no ataque, tudo isso roçou o brilhantismo estratégico. Lembram-se do que disse Coleman lá mais acima? Há mais do que uma maneira de ganhar jogos de futebol. E, ao contrário do que aconteceu em 1996, agora a maneira de Portugal é esta. E atenção, que isto não quer dizer que esta seleção seja a nulidade ofensiva e de espetacularidade que os mais desatentos possam ficar a pensar. Portugal é a terceira equipa com maior média de remates por jogo: 18,6, apenas atrás da Inglaterra e da Bélgica. É a quarta com mais cantos a favor: 7,5 por jogo, mais uma vez apenas atrás de Bélgica, Inglaterra e Espanha. Está um pouco pior na percentagem de posse de bola, mas mesmo aí só há sete equipas mais agarradas à iniciativa, e nem todas são exemplos de sucesso: Alemanha, Espanha, Inglaterra, Suíça, Ucrânia, França e Hungria superaram os 53% lusitanos. Seria isto possível com uma equipa que estivesse no Europeu apenas para se defender? Não creio. O que há é uma mudança de paradigma resultante da extinção da geração de ouro, mas que já estava bem à vista de quem a quisesse observar, por exemplo, no último Europeu de sub-21. Foi a jogar assim que os portugueses ganharam por 5-0 à Alemanha, por exemplo. E o país não se queixou. É verdade que o futebol desta equipa é pouco atraente. Em comparação com o que jogava a de 2004, parece até vir de uma escola diferente. E a questão é que não vem de uma escola diferente, mas sim de uma realidade diferente, com menos jogadores de top mundial. Será preciso recordar que em 2004 a base da equipa era o FC Porto que acabara de ser campeão europeu e que o maior contingente na atual seleção vem do Sporting, que não ganhou sequer o campeonato nacional? Ou que há muito tempo que Portugal não fazia tantos jogos com tanta gente da Liga nacional em campo? Na meia-final lá estiveram Rui Patrício, Danilo, João Mário, Adrien e Renato Sanches. Nos quartos-de-final somaram-se-lhes Eliseu e William. E aqui chegados, o argumento simplifica-se. Olha-se para o sorteio e conclui-se que esta equipa tem tido é muita sorte. Pois é. Que chatice! Isso é que não é nada português. In Diário de Notícias, 08.07.2016
2016-07-08
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Portugal entra na meia final do Europeu, contra Gales, na condição de favorito mas com a noção das dificuldades que terá de enfrentar. A poucas horas do jogo, Fernando Santos já terá escolhido a equipa que vai fazer jogar, tendo para isso superado algumas dúvidas que a mim ainda me assaltam. Têm a ver com gestão física do plantel, com escolhas técnico-táticas e até com a estratégia a adotar face às particularidades do adversário. As respostas à frente são as minhas. As de Fernando Santos ficam para mais perto do jogo. O que fazer se não houver Pepe? Evidentemente, terá de avançar outro defesa-central. A escolha mais óbvia pode ser Bruno Alves, por várias razões. Porque é um jogador tão impetuoso como Pepe (até mais, provavelmente) e isso não é de desprezar face a uma equipa como Gales. Porque depois da asneira que fez em Wembley também ele sente que deve alguma coisa a esta equipa e isso poderá reforçar-lhe o empenho e a concentração. E finalmente porque esta é a forma de o selecionador provar uma coisa que já afirmou vezes sem conta: que esta equipa não são onze, são 23. Ora além dos dois guarda-redes suplentes, é Bruno Alves o único que ainda não jogou neste campeonato. Quem substitui William Carvalho? Vai ser Danilo. Aqui não há grandes dúvidas. Será um estereótipo – ainda por cima errado – dizer que Gales joga como a Inglaterra ou como a Islândia. Não joga. Esta não é uma equipa de “kick and rush”. Aliás, a Inglaterra não joga como a Islândia e isso percebeu-se na forma como Danilo fez uma exibição excelente em Wembley mas depois isso não lhe chegou para ser mais do que sofrível contra os islandeses. De qualquer modo, mesmo sem a capacidade de William para lançar jogo, para arriscar nos primeiros passes, Danilo é quem melhor cumpre a posição de pêndulo à frente da defesa na ausência do titular. E sim, em caso de necessidade, pode aparecer melhor como auxiliar dos centrais de forma a condicionar os movimentos sem bola de Bale. Se o tiver em condições, Fernando Santos deve arriscar Raphael Guerreiro? Sim. Mesmo que perceba que se o colocar a jogar hoje corre riscos elevados de não o ter na final. É verdade que a gestão da condição física de Raphael Guerreiro tem levado o treinador a alterná-lo entre a relva e a bancada e que basta somar um mais um para perceber que esse risco existe. E que qualquer adversário que Portugal venha a ter numa eventual final colocará problemas mais difíceis de resolver que Gales na meia-final. Tudo isso poderia levar o treinador a pensar em poupar o titular da posição no lado esquerdo da defesa. Mas a única realidade que Portugal tem certa pela frente neste momento é a meia-final. Para haver final, é preciso lá chegar. E para isso há que colocar em campo os que mais garantias derem hoje. Qual é o melhor meio-campo para o jogo de hoje? Esta é a pergunta de mais difícil resolução, uma vez que todos os jogadores que têm vindo a ser chamados em vez dos titulares têm dado boas respostas. Havendo André Gomes e João Moutinho em condições, não deixa de haver Adrien Silva, João Mário e Renato Sanches. Certo é que só há três lugares disponíveis para estes cinco jogadores. Aqui, Fernando Santos tem de tomar decisões com base no que viu nos últimos jogos e nas caraterísticas da equipa adversária. Ora, com estes jogadores, dificilmente Portugal pode apresentar um meio-campo em 4x4x2 clássico, porque além de João Mário não tem quem seja capaz de jogar como médio-ala clássico. A questão é que, como Gales procura sobretudo os laterais na profundidade, isso pode acarretar um problema defensivo na largura para qualquer meio-campo em losango, sobretudo se nas alas estiverem jogadores de menor predisposição defensiva, como Renato Sanches e João Mário. Ainda assim, a melhor opção parece-me ser o regresso ao losango, com uma alteração: com Danilo atrás e Renato à frente, na posição que Santos costuma entregar a João Moutinho, dando-lhe indicações para investir na pressão sobre a saída de bola adversária. Assim, Portugal poderia manter Adrien como interior, a tentar condicionar Joe Allen, e João Mário (ou Moutinho, se preferir um jogador mais forte defensivamente) do outro lado. E como é que isso afeta a dinâmica de Gales? A saída de bola de Gales é geralmente feita por Ashley Williams ou com recurso à baixa de Joe Allen, mas com os dois laterais projetados nas alas, à procura de situações de dois para um com os laterais adversários potenciadas pelo apoio de um dos médios. Com a pujança de Renato na pressão ao central responsável pela saída de bola e Adrien Silva a condicionar Allen, como fez com Modric, Santos obrigaria os galeses a mudar: ou Allen baixava demasiado para pegar no jogo e depois faltava na frente, ou a saída teria de ser mais segura, com os laterais menos projetados no ataque. Aí, Nani e Ronaldo também têm uma palavra a dizer. Não se desgastando em infrutíferas (ainda que vistosas) ações de pressing, mas ocupando o espaço de forma a condicionar o jogo do adversário, como Ronaldo fez, por exemplo, contra a Croácia, quando conseguiu impedir as saídas pelo lado de Srna simplesmente procurando a meia esquerda em momentos de transição defensiva. E Quaresma? Que papel tem reservado? É verdade que o facto de Gales jogar com três centrais poderia levar Portugal a apostar num 4x3x3, deixando-os sem referências óbvias e condicionando também assim a ação dos laterais. Aí, Chris Coleman teria de optar: ou transformava o seu habitual 3x4x2x1 em 5x2x2x1 e perdia força ofensiva nas alas ou arriscava mantê-lo e quase jogava um para um na última linha defensiva. Só que isso também teria implicações na estratégia de Portugal. Quem jogaria no “três” de meio-campo? Danilo, Adrien e Renato? E quem sobraria no banco para dar uma volta ao jogo se isso vier a ser necessário? Só Rafa? Quaresma tem funcionado melhor a sair do banco que a jogar de início. E fazê-lo compreender isso, que as equipas não têm só onze titulares, tem sido uma das maiores vitórias de Fernando Santos.
2016-07-06
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Gerir uma equipa, todos o sabem mas muitos tendem a esquecê-lo, é mais do que escolher um onze e decidir as substituições. Muito mais do que isso. Gerir uma equipa é sobretudo gerir os egos que coexistem num balneário, aspeto que ganha ainda mais preponderância quando se joga uma fase final de um Europeu ou de um Mundial, no qual 23 jogadores com pretensão a estrelas e centro do Mundo em que vivem têm de viver em conjunto dia e noite. E ainda que nem sempre tenha estado de acordo com as opções de Fernando Santos na escolha dos onzes, na sua arrumação em campo, nas substituições que foi fazendo, neste particular tiro o chapéu ao selecionador nacional e à sua navegação à vista. Portugal não joga um futebol espetacular do ponto de vista atacante, não é sequer uma equipa defensivamente coriácea como era a Grécia de 2004, mas tem grupo. E isso nota-se tanto mais quanto mais se radicalizam as críticas aos que esperavam ver Ronaldo decidir os jogos e entendem mal o Europeu que ele está a fazer. Quando Cristiano Ronaldo falhou o penalti que podia ter dado a Portugal a vitória contra a Áustria, passou-me pela cabeça que o facto não tinha necessariamente de ser mau para a seleção nacional. O apuramento para os oitavos-de-final haveria de se conseguir com mais ou menos brilho, com maior ou menor dificuldade, e aquele momento era o que faltava para equilibrar a relação de poderes no balneário. A partir daquele penalti, Ronaldo desceu à Terra e passou a sentir-se em débito para com os colegas. Algo a que ele não está habituado na seleção, porque do que se fala sempre é de Ronaldo-dependência, é de uma equipa que ele carrega aos ombros com o seu brilho individual. E se a melhor coisa para a seleção numa fase final seria, de longe, ter o Ronaldo de Outubro/Novembro, meses em que ele se apresenta no auge do seu rendimento desportivo, a segunda melhor é ter um Ronaldo consciente de que tem de ser mais um a empurrar quando o coletivo disso necessitar. E aquilo que se viu daí para a frente foi diferente. Contra a Hungria, preocupado em ser mais coletivo, em decidir mais em prol do grupo que do seu próprio protagonismo, Ronaldo foi premiado com dois golos. Frente à Croácia, trabalhou sempre para o grupo: pressionou, prendeu os centrais e não pôde rematar senão aos 117’, no lance que acabou por dar o golo a Quaresma. Finalmente, no jogo com a Polónia, não tendo decidido sempre bem – ainda chutou uma vez de ângulo apertado quando podia facilmente ter dado o golo da vitória a João Mário – voltou a ser o primeiro defesa e a sacrificar-se na posição central de que tão pouco gosta porque era disso que a equipa precisava. No final, Fernando Santos dedicou-lhe algumas palavras, destacando o papel que ele desempenhou. O selecionador sabe que tem ali um caso especial, que precisa de afagar o ego a Ronaldo quando antevê esses carinhos não chegarão da comunicação social ou de adeptos mal habituados, mas daí não vem nenhum mal ao Mundo nem ao grupo. E a diferença entre este comportamento do CR7 e o “Perguntem ao Carlos!” com que ele pontuou a deprimente prestação portuguesa no Mundial de 2010 é por demais evidente e sintomática de como a gestão de um grupo é mais importante numa fase final do que a tomada de decisões táticas. Não foi por acaso que, mesmo nunca lhe tendo dado muitas oportunidades, o selecionador falou também do tempo que passou com o ainda adolescente Ricardo Carvalho no FC Porto quando agora o relegou para o banco. Ou que a estrutura da seleção tanto se esforça para controlar danos na comunicação com os jornalistas sempre alguém sai da equipa. Faz parte. Porque a verdade é que esta seleção é mais limitada do que muitas das suas antecessoras, mas para quem vê de fora parece ter mais grupo. Tem um Quaresma que aceita o seu papel de joker com um sorriso nos lábios e não deixa de ser decisivo. Tem um Renato Sanches que não deixa que o “hype” à volta das suas prestações lhe destrua a vontade de aprender. Tem um Adrien Silva que mesmo depois da excelente prestação contra a Croácia vem dizer que não ficaria surpreendido se voltasse ao banco. A foto de Renato e Adrien abraçados no seguimento do golo de Quaresma à Croácia é um exemplo daquilo que deve ser o espírito de seleção, indiferente às tonterias de radicalismo clubista que vêm sendo ditas e escritas um pouco por todo o Portugal. E se muitas vitórias são alcançadas graças a momentos de inspiração individual de alguns jogadores, nesse resultado o papel de quem gere este grupo não é irrelevante. In Diário de Notícias, 02.07.2016
2016-07-02
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Quando Portugal dominou a Islândia e a Áustria e viu as hipóteses de vitória esbarrar nas deficiências de finalização, a reação do país foi mais ou menos esta: "que nabos! Nem sequer sabem chutar à baliza!" Agora que a seleção teve menos bola e menos remates que a Croácia mas acabou por ganhar o jogo, o país também não gostou: "que nabos! Jogaram como uma equipa pequena e tiveram uma sorte monumental!" Na verdade, este debate não interessa a ninguém. Portugal nunca foi tão mau como querem fazer crer estes radicais da análise ou os que se lhes opõem, vendo sempre o copo meio cheio. Mas há no desafio com a Croácia, o jogo em que Portugal teve menos bola e fez menos remates nos últimos dois anos, base para se lançar outro debate: qual é o futebol que mais convém a esta seleção de Portugal? Porque até é muito possível que seja este jogo mais passivo que se viu frente à Croácia.Tradicionalmente, o futebol português dos últimos 40 anos evoluiu a partir da escola pedrotiana, privilegiando a posse mas sofrendo para entrar nos 30 metros finais. Por causa disso ou da timidez de alguns treinadores, criou-se a convicção de que Portugal tinha de jogar sobretudo em contra-ataque, condenando toda uma geração bastante talentosa a um futebol pequenino que teve como expoente o massacre a que a seleção foi submetida em Estugarda, onde ganhou à RFA e se apurou para o Mundial de 1986. A ideia de que Portugal tinha de jogar assim, lá atrás, só foi posta em causa mais tarde, pela geração de ouro. Os Figos, os Ruis Costas, os Paulo Sousas, os Baías ou os Joões Pintos perceberam que não só podiam como deviam mandar nos jogos. E criou-se a ideia oposta, segundo a qual Portugal tinha de mandar nos jogos, ter sempre uns 60 por cento de posse e ser esmagador na estatística de remates. A equipa do Europeu de 2000, mais tarde aperfeiçoada até se chegar a 2006, com Cristiano Ronaldo, foi o melhor exemplo deste novo paradigma do futebol nacional.A questão é que não só o futebol mudou como mudaram os melhores jogadores portugueses. O futuro, com a tomada do poder pelas gerações que têm brilhado nas seleções de sub21, pode até devolver a seleção nacional a uma realidade com mais posse - ainda que o futebol da equipa que perdeu o último Europeu da categoria nos penaltis não pareça indicar essa direção - mas o presente é o de uma equipa que sofre para transformar um jogo mais dominador em vitórias por falta de um ponta-de-lança que liberte Ronaldo e ao mesmo tempo garanta golos com regularidade. Acaba por ser isso que leva os observadores a falar em Ronaldo-dependência ou na obsessão do capitão pelos golos, o que ao mesmo tempo é a razão que permite que esta equipa consiga algum sucesso com táticas assim tão conservadoras. Tivesse a equipa de 1984 um Ronaldo para jogar com Jordão e Chalana e seria campeã a jogar maioritariamente em ataque organizado ou em contra-ataque sem grandes problemas. Tivesse a equipa atual a profundidade de escolhas para a posição de ponta-de-lança que tinha a de 1984 (Jordão, Gomes, Nené e ainda Manuel Fernandes, que ficou em casa) e também poderia dar-se ao luxo de optar por uma ideia ou outra em vez de ouvir Ivkovic dizer que Portugal não tem uma ideia de jogo.Na verdade, a seleção de Portugal vive numa dúvida permanente. Deve ouvir os otimistas que não se cansam de dizer que temos uma seleção de enorme qualidade e que "ganhar a jogar à Grécia" é uma vergonha? Ou deve reconhecer que, por falta de um atacante que sirva de referencia e por ser forçada a jogar ali com o CR7, tirando-o do jogo, precisa de unir o bloco, baixar linhas e aproveitar os momentos de contra-ataque que os jogos (todos os jogos) oferecem? O que está a dizer-nos este Europeu é que mais vale a segunda opção. Com a Croácia, Ronaldo, que tinha sido o mais rematador dos portugueses nos três desafios anteriores, teve de esperar 117 minutos para ter a primeira oportunidade de visar a baliza adversária. Mas ao contrário do que sucedeu contra a Islândia ou a Áustria, quando a teve foi decisivo. O que nos disse o jogo de Lens foi que, com este Ronaldo, sem ter um ponta-de-lança que permita fixar o futebol da equipa mais à frente, e mesmo sabendo-se que isso não traz um crescimento tão consolidado a nenhuma equipa como um futebol mais burilado e envolvente, Portugal parece condenado ao um modelo mais baseado no agrupamento atrás e na rapidez e profundidade nas suas transições. O problema é que a Polónia também gosta de jogar assim.
2016-06-27
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Uma equipa nunca é um esforço acabado. É sempre um projeto em construção. Porque há sempre flutuações de forma, parcerias e incompatibilidades que convém ter em conta. Onze Maradonas não fariam uma boa equipa e esta é uma noção difícil de assimilar por quem vê futebol olhando só para os momentos em que as equipas têm a bola. No jogo contra a Hungria, muitos adeptos ficaram maravilhados com a forma como Renato Sanches e João Mário se associaram para furar as linhas adversárias. Também gostei. Mas não vi quem se preocupasse com o facto de nesse período de jogo – a segunda parte – Portugal ter permitido que o jogo partisse, que se transformasse num exercício de sucessivos contra-ataques e ataques rápidos e se tornasse absolutamente impossível de controlar. No final, Fernando Santos concordou que resolver esse puzzle é acertar na resposta à questão do milhão de euros. Olhemos para os 23 jogadores à disposição de Fernando Santos. Há ali escolhas que são tão óbvias que nem vale a pena discuti-las – ainda que também haja quem o faça. Se vamos fazer um onze, há que começar por esses. Joga Cristiano Ronaldo porque é o melhor de todos e saca truques de magia como os dois golos de quarta-feira. Joga Nani porque, ainda que me pareça que não está com 90 minutos ao mesmo nível, é o mais inteligente e coletivo a jogar de todos os atacantes nacionais (só Rafa lhe pede meças neste particular). No jogo com a Hungria, quem sabe se por sentir o peso da responsabilidade do penalti falhado no jogo anterior, Ronaldo também pareceu menos ansioso, vendo mais a equipa, como se prova no facto de ter feito a assistência para o primeiro golo nacional em vez de ter procurado a solução individual. Olhando mais para trás, joga Rui Patrício porque é o melhor dos guarda-redes presentes, jogam Pepe e Ricardo Carvalho porque formam uma dupla complementar, experiente e de qualidade (ainda que Rircardo me tenha parecido menos fresco no último jogo e talvez seja exigir demais dele que faça mais uma partida já no sábado). Presumindo que se joga com quatro defesas, à esquerda era bom que pudesse jogar Raphael Guerreiro, que fez dois jogos bem melhores do que o de Eliseu ante a Hungria. E à direita, francamente, não tenho desgostado assim tanto de Vieirinha a ponto de justificar a mudança. Não é um lateral de grande brilho, mas ocupa a posição e no que mais sofre é quando caem bolas aéreas na sua zona. Se podia jogar Cédric? Creio que sim, também. Mas não vejo nenhuma razão forte que justifique a sua entrada para enfrentar o croata Perisic, apenas um dos melhores médios-esquerdos deste Europeu. Desde logo se percebe que o busílis da questão é o meio-campo. Mas também aqui o rendimento dos jogadores não deixa muita margem de manobra a Fernando Santos. Tem de jogar William porque é o único médio-centro que dá saída de bola à equipa. Tem de jogar João Mário, porque tê-lo em campo é garantia de posse de bola inteligente e desequilibradora ao mesmo tempo. E o que já vi de Renato leva-me a crer que tem de jogar também ele, porque é o único médio nacional capaz de meter explosão desde trás. A questão é que, como já se viu frente à Hungria, William, João Mário e Renato não podem jogar os três no meio-campo em 4x3x3 – o que desde logo remete Quaresma, por exemplo, para o papel de arma secreta que ele tão bem desempenha. E não, a solução não passa por trocar William por Danilo, porque não é sequer claro que este defenda melhor do que aquele: o que faz, isso sim, é encostar mais aos centrais e protegê-los, mas isso deixa Portugal sem o volume de jogo necessário quando a equipa tem a bola. Jogar em 5x5 (cinco a defender e cinco a atacar) não se usa em lado nenhum no futebol moderno. Além disso, esse tal futebol explosivo – “selvagem”, como dizia Rui Vitória – de Renato Sanches é uma fonte permanente de desequilíbrios ofensivos e defensivos, razão pela qual ele só apareceu ao meio em situações nas quais Portugal procurava desesperadamente o golo. Para já, o lugar dele é na ala. O lugar ao meio só pode ser de dois jogadores: Moutinho ou Adrien. E aqui Fernando Santos tem de procurar o equilíbrio. Moutinho ataca melhor que Adrien; Adrien defende melhor que Moutinho. Não sou eu que o digo. São as estatísticas. Se Portugal joga com André Gomes, que ocupa melhor o espaço defensivo que Renato Sanches, deve jogar com Moutinho, para que este chegue mais à frente. Se isso não está a funcionar e chama Renato Sanches, que estica mais o jogo e sai mais da posição, tem de chamar Adrien, que equilibra melhor atrás. Não sei se é esta a resposta à pergunta do milhão de euros, mas pelo menos ela ainda não foi tentada. In Diário de Notícias, 24.06.2016
2016-06-24
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O complicado esquema que desenha o calendário deste Europeu leva ao calculismo. Se procuram as razões para os jogos estarem a ser tão pouco espetaculares, aí a têm: fazem-se muitas contas. Hoje, por exemplo. Quando entrar em campo, a Hungria já está qualificada. Portugal sabe que lhe basta empatar a zero. Mais. Portugal sabe que se empatar a zero tem a certeza de se qualificar em terceiro lugar e calhar na metade mais favorável do quadro daqui para a frente, com a Croácia nos oitavos-de-final, o vencedor do Suíça-Polónia nos quartos e Gales, a Hungria, a Bélgica (em princípio, ainda que também possa ser a Suécia) ou um dos terceiros classificados da primeira fase nas meias-finais. Se ganhar, em contrapartida, corre o risco de a Islândia também ganhar e acabar o Grupo F em segundo lugar, entrando na metade do quadro que tem a Itália, a França, a Alemanha e a Espanha. Perante isto, a tentação de fazer contas deve ser grande, mas francamente preferia que Portugal entrasse no jogo para ganhar. Ainda assim, percebo que haja quem pense de outra forma. Recordo as histórias que se contam acerca do Mundial de 1986. Na altura os Mundiais também se jogavam com 24 equipas e apuravam os quatro melhores terceiros classificados para os oitavos-de-final (um sistema que já se provou ser prejudicial para a qualidade dos jogos). À entrada para a última jornada, um empate qualificava Portugal e Marrocos e, diz-se, da comitiva marroquina, cujo treinador era brasileiro, tinha chegado uma mensagem a apelar ao empate e não se falava mais disso. José Torres, conta-se, terá feito o que tinha de fazer e disse que não senhores, que Portugal ia entrar para ganhar. No fim, a seleção perdeu por 3-1 e voltou a casa imediatamente. Pessoalmente, entre histórias tristes, prefiro recordar outra. Em 2002, Portugal jogava com a Coreia do Sul em Incheon e, face aos dois golos que a Polónia fez nos primeiros cinco minutos aos Estados Unidos, ficou desde logo mais ou menos claro que o empate qualificava as duas equipas, mas os coreanos nunca desistiram de procurar uma vitória que satisfizesse o seu público. Acabaram por conseguir o golo que eliminou Portugal a 20 minutos do fim, por Park-Ji Sung, já com os portugueses reduzidos a nove jogadores. Claro que todas estas conjeturas vêm reforçar a tentação de fazer contas à medida que se retira a carga dramática de que um jogo deste cariz deveria estar revestido. A saber que precisa apenas de empatar, o que deve fazer Fernando Santos? Um onze mais recatado, com regresso ao 4x4x2 e sacrifício de uma das unidades da frente? Isso, creio, sucederia fosse qual fosse a história deste jogo. Um onze sem os jogadores que já viram o cartão amarelo no jogo com a Áustria – Quaresma e Pepe – de forma a garantir que estarão aptos para os oitavos-de-final? Tenho mais dúvidas, porque creio que Quaresma sairia do onze de qualquer modo e é difícil à seleção abdicar de Pepe, o mais reputado dos seus defesas-centrais? Um onze no qual não se arrisca a utilização dos jogadores que sofrem de mazelas físicas – Raphael Guerreiro e André Gomes – de forma a não correr riscos de as agravarem? Julgo que sim, que se aplicará o mesmo princípio que já foi válido com Quaresma na partida inaugural. De qualquer modo, a composição do onze depende muito do que Fernando Santos quiser do jogo. E isso, repito, não é claro.
2016-06-22
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Não posso, como é evidente, aplaudir o arremesso do microfone da CM TV para dentro de um lago por parte de Cristiano Ronaldo. Tenho até de repudiar a atitude do capitão da seleção nacional. É básico: não devemos nunca destruir propriedade alheia ou faltar ao respeito a quem tenta fazer o seu trabalho, por muito que discordemos da forma como ele está a ser feito. No entanto, há no incidente várias coisas que não compreendo nem compreenderei por mais que tentem explicar-mas. Primeiro, da parte da seleção. Faz algum sentido os jogadores irem fazer um passeio ao longo da margem de um rio para descomprimir e – pelo menos nas imagens que vi – irem rodeados de seguranças por todo o lado? Não creio. Gosto de passear ao longo das margens de rios, mas em paz e sossego, não naquele ambiente que só pode ser de tensão. Se me meto no lugar dos jogadores, acho que ficaria muito mais tenso ainda. Depois, da parte dos jornalistas. Faz algum sentido interromper um passeio de descompressão para perguntar a Cristiano Ronaldo se está “preparado para o jogo”? Que resposta se espera? Que não, que não está preparado e que por isso vai pedir a Fernando Santos para ficar no banco? Ou um soundbyte meramente vazio, a dizer que sim, que vai dar o melhor de si próprio. E isso ia valer exatamente o quê no dia informativo? A avaliação de risco/benefício da ação não devia ter levado os jornalistas a evitar a situação? A única justificação que encontro – porque é com o jornalismo que me preocupo – é que tudo o que se procura seja o “buzz” mediático. E nesse caso a situação deixa todos a ganhar. Ganha Ronaldo, que de repente volta a ter com ele todos os que acham que os jornalistas exageram na forma como acompanham a seleção (e são mais do que muitos pensam). Ganha a CM TV, que tem pela frente um dia no topo da atualidade. A questão é que perde o jornalismo. Com este incidente, como com as perseguições a autocarros ou com os diretos incessantes à porta dos hotéis sem nada para dizer, conseguem-se duas coisas. Uma, imediata, são audiências. Dizem-me que sim, pelo menos. Outra, mais a longo prazo mas terrivelmente importante, é diminuir o jornalista frente ao protagonista, é tirar-lhe a dignidade de que a sua missão devia estar revestida. E isso não pode ser bom.
2016-06-22
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Os resultados de hoje nos Grupos C e D ajudaram bastante a definir o que vai passar-se com Portugal no último jogo do seu grupo, contra a Hungria. Na verdade, além de definirem o apuramento de Alemanha, Polónia (primeiro e segundo do Grupo C), Croácia e Espanha (primeiro e segundo do Grupo D), e de situarem a Irlanda do Norte e a Turquia como terceiros desses dois grupos, os jogos de hoje apuraram ainda a Eslováquia e a Irlanda Norte, que já sabem que não serão um dos dois piores terceiros. À entrada para o último dia da primeira fase, também a Hungria já sabe que mesmo perdendo com Portugal estará sempre apurada, enquanto que os portugueses e os islandeses ficaram a saber que um empate no último dia lhes garante também a passagem aos oitavos-de-final da competição. Assim sendo, já estão apuradas para os oitavos-de-final as seguintes equipas: França, Suíça, Gales, Inglaterra, Eslováquia, Alemanha, Polónia, Irlanda do Norte, Croácia, Espanha, Itália e Hungria. Falta definir quatro vagas, uma em cada grupo de amanhã, mais as de dois dos quatro melhores terceiros colocados. No que toca a Portugal, já se sabia desde o final da tarde que um empate com golos – sem ver mais de dois amarelos – garantia um dos quatro melhores terceiros classificados. Depois da jornada da noite, o crivo alargou: quando entrar em campo, amanhã, Portugal sabe que qualquer empate lhe garante os oitavos-de-final e sem ter de defrontar a Espanha nem a Alemanha. Se empatar, Portugal faz três pontos com diferença de golos neutra, o que já se sabe será sempre melhor que o score dos terceiros classificados dos grupos A (a Albânia, com três pontos e dois golos negativos) e D (a Turquia, com três pontos e igualmente dois golos negativos). O panorama que se desenha à frente da seleção de Fernando Santos é simples: se perder, é eliminada; se empatar e no outro jogo a Islândia ganhar, perder ou empatar também, mas marcando pelo menos tantos golos como os portugueses, qualifica-se como um dos melhores terceiros e joga no sábado, com a Croácia, em Lens; se empatar, mas no Áustria-Islândia se verificar um empate com menos golos, Portugal fica em segundo e joga na segunda-feira, em Nice, com a Inglaterra; por fim, se ganhar e a Islândia não ganhar à Áustria, joga no domingo em Toulouse, com o segundo classificado do Grupo E, que se calcula possa ser a Bélgica. O que já se sabe é que, suceda o que suceder no apuramento dos terceiros classificados, se torna impossível que a seleção nacional venha a enfrentar a Alemanha no domingo em Lille. Isso só aconteceria em cenários nos quais o terceiro do Grupo A (Albânia, com três pontos e diferença de golos negativa) se qualificasse, não estando o terceiro do Grupo B (Eslováquia, com quatro pontos) ou o terceiro do Grupo C (Irlanda do Norte, com três pontos e diferença de golos neutra). E tanto eslovacos como irlandeses estão já qualificados. É que a UEFA desenhou um esquema complicado para assegurar que as equipas não defrontam adversários do mesmo grupo antes das meias-finais e, ainda que só mesmo quando se souber quem são os quatro melhores terceiros classificados se possa definir os emparelhamentos finais, nove das 15 hipóteses possíveis de início já estão afastadas. Assim sendo, já é possível estabelecer quais serão alguns dos jogos dos oitavos-de-final. No sábado joga-se um Suíça-Polónia, Gales defrontará a Turquia, a Albânia ou a Irlanda do Norte e a Croácia enfrenta a Eslováquia, ou ainda o terceiro do Grupo E ou do Grupo F (que pode ser Portugal). No domingo, jogam-se mais três partidas: França contra a Irlanda do Norte ou o terceiro do Grupo E; Alemanha frente à Albânia ou à Eslováquia; e o vencedor do Grupo E ante o vencedor do Grupo F (que pode ser Portugal). Por fim, na segunda-feira, jogam-se as últimas duas partidas, a começar com um escaldante Itália-Espanha e a acabar com o confronto entre a Inglaterra e o segundo do Grupo F (que também pode ser Portugal).
2016-06-21
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Os resultados do Grupo C levaram à classificação da Irlanda do Norte em terceiro lugar, atrás de Alemanha e Polónia, com três pontos e uma diferença de golos neutra (2-2). Neste momento, além de alemães e polacos, porém, mais duas equipas puderam desde já festejar a qualificação para os oitavos de final: a Eslováquia, terceira do Grupo B, com quatro pontos, e a Hungria, que amanhã vai defrontar Portugal e que, mesmo perdendo, sabe que nunca será pior do que terceira colocada do Grupo F. Ora isso, aliado aos quatro pontos que já tem, garante-lhe um lugar nos 16 melhores deste Europeu. Os húngaros não quererão perder o jogo, porque se perderem e a Islândia ganhar à Áustria serão mesmo terceiros e ainda há o risco de terem de enfrentar a Espanha – se esta ganhar mesmo o seu grupo, daqui a pouco – já nos oitavos-de-final. Ora esse raciocínio também vale para Portugal, que se empatar marcando pelo menos um golo e não vir mais do que um cartão amarelo no jogo com os húngaros também garante a qualificação: seria sempre terceiro, na pior das hipóteses com o mesmo 2-2 em golos que têm os irlandeses e veria o fair-play desempatar a seu favor. Só que se Portugal passar em terceiro lugar corre mesmo o risco de ter de enfrentar a Espanha já no sábado em Lens. Em contrapartida já se sabe que se torna impossível que venha a ter de enfrentar a Alemanha no domingo em Lille. Isso só aconteceria em cenários nos quais o terceiro do Grupo A (Albânia, com três pontos e diferença de golos negativa) se qualificasse, não estando o terceiro do Grupo B (Eslováquia, com quatro pontos) ou o terceiro do Grupo C (Irlanda do Norte, com três pontos e diferença de golos neutra). É que a UEFA desenhou um esquema complicado para assegurar que as equipas não defrontam adversários do mesmo grupo antes das meias-finais e, ainda que só mesmo quando se souber quem são os quatro melhores terceiros classificados se possa definir os emparelhamentos finais, há hipóteses que já estão afastadas. Assim, se Portugal empatar mesmo e acabar em terceiro do grupo (até pode empatar e ser segundo, se o fizer com mais um golo do que os registados no Áustria-Islândia), já sabe que jogará com o vencedor do Grupo D (Espanha ou Croácia, neste momento), no sábado. Para isso acontecer, os melhores terceiros teriam de ser os dos grupos C, A, B e F; B, C, D e F; B, C, E e F e B, D, E e F. Outras três hipóteses já são impossíveis de realizar. Daqui a umas horas, assim que se souber quantos pontos fará o terceiro do Grupo D se verá se esta hipótese continua em cima da mesa.
2016-06-21
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Há uma razão acima de todas as outras para que o futebol seja muito baseado em triângulos: é que quando estamos num dos vértices, podemos desenhar o triângulo independentemente do lado que escolhermos. Uma das justificações fundamentais para a melhoria do futebol da seleção nacional no jogo contra a Áustria foi a construção de um triângulo a meio-campo. Outra foi o facto de a Áustria ter dado um pouco mais de espaço. Outra ainda foi a entrada no onze de William Carvalho. Querer atribuir a apenas uma das justificações a melhoria global da equipa é como dizer que o mais alto aí em casa só chega à prateleira de cima do armário porque se põe em cima de um banco ou porque estica o braço, quando na verdade, mesmo esticando-se ou subindo para cima de um banco ele não chegaria lá se não fosse o mais alto. Os “mapas de calor” da equipa portuguesa nos dois primeiros jogos não deixam dúvidas acerca do que foi visível a olho nu. Avaliando o preenchimento do campo pelos jogadores colocados em campo por Fernando Santos é evidente que o selecionador trocou o 4x4x2 por um 4x3x3, com Moutinho e André Gomes à frente de William Carvalho. Desenhou ali o tal triângulo, que ajudou a modificar o futebol da equipa e a que esta conseguisse meter mais gente dentro do bloco defensivo adversário, podendo assim causar mais desequilíbrios atacantes. É por causa desta evidência geométrica que o 4x3x3 é muito mais fácil de interpretar do que o 4x4x2. Mas será o melhor para a equipa? Isso é discutível: Ronaldo pode render mais ofensivamente solto na frente, alternando entre o meio e a esquerda com uma referência frontal, mas cria mais problemas defensivos à própria equipa se lhe for atribuído o fecho de um dos corredores laterais e depois raramente lá estiver no momento de perda da bola. Isso, porém, nunca foi posto à prova por uma Áustria que raramente conseguiu sair com perigo para o ataque. Mas centremo-nos nos momentos ofensivos, para entender o que mudou em Portugal do jogo com a Islândia para o jogo com a Áustria. A análise do circuito preferencial de jogo da equipa de acordo com a estatística oficial fornecida pela UEFA vem confirmar a ideia de que as coisas mudaram. Selecionando o companheiro a quem cada jogador português deu mais passes certos, contra a Islândia a equipa jogou preferencialmente de Rui Patrício para Pepe (oito passes), deste para Ricardo Carvalho (18 passes, contra nove para Danilo), depois para Raphael Guerreiro (17 passes, com onze para Danilo), do lateral esquerdo para Moutinho (15 passes) e desde de volta a Guerreiro (outros 15 passes). Nani (25 passes) e Ronaldo (44 passes) foram os menos solicitados da equipa, tendo Portugal feito chegar apenas 69 passes aos jogadores de ataque. No jogo com a Áustria, o circuito mudou. Rui Patrício fez os mesmos oito passes para Pepe, que no entanto entregou 19 bolas a William Carvalho e apenas oito a Ricardo Carvalho. Teve instruções para isso ou simplesmente passou a ter um médio que se ofereceu mais frequentemente para dar seguimento à construção? Provavelmente as duas coisas. Depois, há outra alteração importante: enquanto no jogo com a Islândia os destinatários preferidos de Danilo foram Pepe e Ricardo Carvalho (doze passes para cada um), frente à Áustria William escolheu João Moutinho (16 passes) e André Gomes (11 passes). Efeitos da criação do triângulo ou uma maior predisposição de William relativamente a Danilo para jogar para a frente? Mais uma vez, provavelmente as duas coisas. O circuito português no jogo com a Áustria prosseguiu com Moutinho a dar onze passes a Quaresma, que por sua vez jogou sobretudo com o mesmo Moutinho (quatro passes) e André Gomes (outros quatro passes). Portugal fez chegar mais bolas ao ataque (91 contra 69), envolveu mais gente no seu circuito preferencial, mas Ronaldo esteve menos em jogo (recebeu só 33 passes, aos quais há a somar 24 para Nani e 34 para Quaresma). Ainda assim, Portugal voltou a não ganhar e, apesar de ter mais bolas na frente, até rematou menos: 23 tiros, contra os 27 totalizados ante a Islândia. A questão é que rematou de melhores posições e em condições normais teria feito mais golos. O que faltou foi o acerto normal de Ronaldo: olhando para as médias de toda a época, entre o Real Madrid e a seleção nacional, Ronaldo faz seis remates a cada 90 minutos, marcando 0,9 golos por jogo: a média dá um golo a cada 6,6 remates. Nos dois jogos do Europeu que já disputou, Ronaldo tentou 22 remates. Em condições normais, já teria feito pelo menos três golos. É isso que é preciso melhorar para Portugal poder ter futuro neste Europeu além da final de quarta-feira próxima contra a Hungria. In Diário de Notícias, 20.06.2016
2016-06-20
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Um dia, quando se aproximava um jogo contra um adversário que abusava do jogo aéreo, sempre direto para o ponta-de-lança, Johan Cruijff surpreendeu Guardiola dizendo-lhe expressamente que não o queria a saltar com o gigante, mas sim colocado uns metros mais atrás, para se concentrar na tarefa de recolher a bola que iria sobrar do duelo que alguém iria disputar – e quase sempre perder – com ele. Ali, o que importava não era saltar mais alto que o armário, não era ser mais forte do que ele no choque: era só atrapalhá-lo o suficiente para que ele não pudesse escolher o local para onde ia dirigir a bola que lhe caía dos ares. O jogo começaria a seguir e aí estaria Guardiola para lhe dar início. Depois de ver o Portugal-Islândia e de analisar todas as estatísticas do jogo, fiquei convencido de que foi um erro a opção por Danilo em detrimento de William Carvalho, porque ao assumi-la o selecionador nacional estava a escolher as batalhas erradas, aquelas que nunca poderia ganhar, face à qualidade de Sigthorsson no jogo aéreo. Acredito que Fernando Santos concordará e que será ali que começarão as alterações na equipa que empatou com a Islândia quando for preciso ganhar à Áustria. Resta perceber se ficarão por aí. “Se uma batalha não pode ser ganha, não a traves”. Este era o conselho de Sun Tzu, na velha “Arte da Guerra”. Ora a batalha corpo a corpo com os possantes islandeses – não era só uma questão de estatura, mas também de peso e sobretudo de predisposição para aquele tipo de futebol – era das que não podia ser ganha. Depois do jogo, olhando para os números é fácil de entender que esta era uma das batalhas que não devia sequer ser travada. Todos os jogadores baixaram a percentagem de duelos corpo-a-corpo ganhos em comparação, por exemplo, com o jogo ante a Inglaterra. Só na linha defensiva, Vieirinha caiu de 71% para 56%, Ricardo Carvalho de 75% para 64%, Pepe ficou pelos 65% e portanto abaixo dos 66% da soma de Bruno Alves com José Fonte em Wembley, e Raphael Guerreiro conseguiu 43% face aos 50% de Eliseu em Inglaterra. A maior diferença, contudo, esteve em Danilo, que tinha ganho 60% dos duelos em Wembley e se ficou agora por uns 32% que são o seu pior número desde Setembro. É claro que um onze não deve ser escolhido com base nos jogadores que ganham mais duelos corpo-a-corpo… a não ser que a base do jogo da equipa seja essa. A de Portugal não é e não será nunca, o que transformou a escolha de Danilo numa contra-medida paradoxal para a ideia de jogo da equipa. O problema não foi Danilo mas sim o facto de ele estar em campo com base em argumentos que são os da Islândia e não os de Portugal. Em vez de travar a batalha das lutas corpo-a-corpo, Portugal devia ter-se concentrado nas que podia vencer, com bola no chão, triangulações para envolver o adversário e ganhar o espaço entre as linhas defensivas do adversário, de onde poderia solicitar os avançados com muito maior perigo. Pois isso raramente foi conseguido: Portugal só criou perigo a jogar por fora e isso teve muito a ver com a forma como priorizou os valores errados no primeiro momento de construção. Será, evidentemente, impossível definir agora se a incapacidade da equipa nacional para meter gente entre linhas teve a ver com uma má gestão da transição ofensiva – o primeiro passe –, com o facto de tanto João Mário como André Gomes estarem demasiado abertos junto às linhas e procurarem pouco as diagonais para dentro ou ainda com um menor rendimento de Moutinho face ao que o treinador dele espera. Olhemos para João Moutinho, por exemplo. Acabou o jogo com uma boa percentagem de passes certos: ficou-se pelos 91%, acima até da sua média do último mês (que é de 89%) e bem acima da média para toda a época, que é de 84%. Ora este é o primeiro dado que pode fazer-nos desconfiar. A olho nu parece que ele está a jogar menos, mas apresenta uma percentagem de passe melhor do que a sua própria média? Provavelmente porque está a proteger-se mais: desde o jogo com a Noruega que Moutinho não tenta sequer um passe de rotura – daqueles que deixam os companheiros com espaço para correr atrás do bloco adversário – quando a sua média para a temporada é de 2,5 por jogo e fechou os meses de Janeiro e Fevereiro com três tentativas por cada 90 minutos. As médias ofensivas da temporada de Moutinho são de longe as melhores entre os candidatos ao lugar de médio-centro: soma 7,0 passes na área por jogo contra 2,3 de Renato e 1,9 de Adrien; 2,5 passes de rotura contra 2,0 de Renato e 1,6 de Adrien. Defensivamente, o melhor é Adrien, com 6,0 interceções contra 4,2 de Moutinho e 3,5 de Renato; e 6,0 recuperações, contra 4,2 de Renato e 3,7 de Moutinho. Adrien tem ainda a melhor percentagem de passe: 88% de entregas certas, contra 85% de Renato e 84% de Moutinho. Aqui, no entanto, começa aquela área da decisão que tem a ver com as convicções. A aposta de Fernando Santos em João Moutinho tem a ver com o facto de querer devolver-lhe o ritmo que ele perdeu com a lesão a tempo de o ter a carburar nos oitavos-de-final. Neste momento a questão que se coloca é: haverá condições para continuar a assumir o risco? Este é um daqueles momentos em que o treinador é o homem mais só do Mundo.
2016-06-16
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Fernando Santos e Lars Lagerback já estão a preparar o Portugal-Islândia com que as duas equipas vão abrir a respetiva caminhada no Europeu. A questão é que ambos estão centrados na equipa de Portugal. Santos nas dúvidas que certamente tem acerca do onze; Lagerback na tentativa de condicionar desde já o árbitro que vier a ser nomeado para a partida de St. Etiènne para aquilo a que chama os “filmes” de Cristiano Ronaldo e Pepe. “Portugal tem um dos melhores jogadores do Mundo, que também é um ator eficiente. Temos visto alguns bons filmes portugueses. Na final da Liga dos Campeões também vimos outro que podia estar em Hollywood”, disse Lagerback. É verdade que o que Pepe fez na final da Champions, tentando arrancar a expulsão de Felipe Luís com uma simulação de agressão, não beneficia em nada a sua imagem nem a do futebolista português em geral. Mas ao fazer ele mesmo essa generalização e, mais, ao juntar Ronaldo ao “filme”, o treinador sueco está a parecer-se mais com um daqueles comentadores engajados dos programas televisivos, que defendem a agenda das suas cores e têm e uma noção de vergonha tão pouco desenvolvida como a de Pepe ao ver as imagens televisivas do lance em que rebolou na relva de San Siro como se tivesse sido atingido por um direto de Muhammad Ali. É verdade que por essa altura Lagerback já tinha deixado de ser selecionador do seu país, mas Ronaldo é aquele tipo que joga com o 7 nas costas e que sozinho desfez a Suécia em Estocolmo, há dois anos e meio, carregando Portugal para o Mundial de 2014. No fundo, é também aquele tipo que Fernando Santos espera venha a resgatar Portugal do pesadelo ofensivo em que se transformou o exame de Wembley contra a Inglaterra, jogo no qual a seleção nacional parecia desconhecer que é possível fazer combinações atacantes. Tudo tem uma explicação – e a expulsão de Bruno Alves, tendo sido justa, pode ajudar a explicar a timidez ofensiva da equipa nacional – mas o Portugal que apareceu em Wembley nunca foi uma equipa completa. Foi sempre apenas meia-equipa: a metade que se esmera para impedir o adversário de marcar. E isso não se esgota no facto de Fernando Santos ter visto abatido um homem ao onze com 35 minutos de jogo. Para perceber por que razão o ataque de Portugal se resumiu a uma mão cheia de ações individuais é preciso entrar nos planos tático e estratégico. É preciso perceber que, ao adotar o esquema tático atual – o 4x4x2 – para acomodar estrategicamente Ronaldo e permitir a criação de condições para que ele se torne desequilibrador, a seleção precisa de alguém que faça uma coisa fundamental no 4x4x2, que é arranjar espaço entre linhas no corredor central para que os médios possam jogar. Vamos centrar-nos na realidade portuguesa. O Benfica joga em 4x4x2 e tem Mitroglou. O Sporting joga em 4x4x2 e tem Slimani. O que fazem Mitroglou e Slimani além de serem bons finalizadores? Dão profundidade às suas equipas, pedem a bola no espaço atrás da última linha adversária, para a forçarem a recuar e dessa forma tentarem que o espaço entre ela e a linha seguinte, a de meio-campo, aumente. É ali que jogam os médios. Quem o digam Gaitán, Renato Sanches, Pizzi, até Jonas, no Benfica. E que o digam João Mário, Adrien, Ruiz e até Gutièrrez no Sporting. O futebol é muito simples: para se jogar tem de se inventar o espaço. Agora imaginemos o Benfica e o Sporting a jogarem com dois avançados que em vez de esticarem o jogo passavam o tempo todo a baixar em desmarcações de apoio e a buscar o espaço dos médios. Pode funcionar? Pode. Mas só com outro meio-campo, com um meio-campo mais clássico, com médios-ala que procuram sempre dar largura à equipa, e preferencialmente com médios-centro capazes de aparecer na área em trocas posicionais com os tais avançados que recuam. Ora Portugal não tem uma coisa nem outra, pelo que o melhor mesmo é não complicar. A equipa que Santos está a montar ainda depende do jogo que falta fazer, com a Estónia, mas se todos já sabíamos que ela teria de ter Ronaldo, agora ficamos a saber que a suportar esta conclusão não está apenas o facto de ele ser melhor do que os outros. É que tática e estrategicamente só com ele é que este modelo pode funcionar. Depois, se o outro avançado deve ser Nani ou Quaresma, se o médio que sai da esquerda deve ser Renato, André Gomes ou até o próprio Nani, se o médio-centro deve ser João Moutinho ou Adrien Silva e se o médio-defensivo deve ser William ou Danilo, tudo está aberto a discussões. Na frente, porém, tem de estar Ronaldo. E se nalguma altura não houver Ronaldo o melhor talvez seja mesmo ter um Plano B para mudar de tática e de estratégia. In Diário de Notícias, 06.06.2016
2016-06-06
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O Inglaterra-Portugal de hoje pode contribuir muito para se perceber o que as duas equipas valem tendo em vista o Europeu que aí vem. É um particular de perfil elevado, contra um adversário que, tal como a equipa de Fernando Santos, se conta entre os outsiders no alinhamento de favoritos, e ainda que a ausência de Ronaldo e Pepe possa funcionar como dissuasor para os que pretendem fazer do jogo um teste realista, há aspetos que podem ser medidos. Como por exemplo um dos dois que, a par da dependência de Ronaldo, mais preocupa os observadores nacionais: o peso da experiência. Adequado ou excessivo? Uma eventual vitória de Portugal em Wembley – seria a primeira da história, mais um “borrego a matar” por Fernando Santos – 50 anos depois da derrota ali sofrida pela equipa de Eusébio, no Mundial de 1966, poderá significar que a experiente seleção nacional aguenta ritmos elevados, como aqueles que os ingleses por si só já costumam imprimir aos seus jogos. Mais importante ainda se torna medir isso se tivermos em conta que Roy Hodgson juntou a equipa mais jovem que a Inglaterra leva a uma fase final desde o Mundial 1958, o que pressupõe que a Inglaterra deverá apostar ainda mais do que habitualmente nessa elevada intensidade. Se compararmos os 23 de Inglaterra com os 23 de Portugal, as diferenças são grandes. Não tanto em termos de idades (25,3 anos de idade média dos ingleses para 27,8 anos de idade média dos portugueses), mas mais em termos de internacionalizações (22,0 de Inglaterra contra 35,3 de Portugal) e, sobretudo, de presenças em fases finais (um total de 20 nos jogadores ingleses para 36 dos portugueses). É esta experiência de competição internacional ao mais alto nível que Portugal leva para França, seja como um dos seus maiores atributos ou um dos seis maiores defeitos. E no entanto, quando se olha para o onze que Portugal fez alinhar no domingo no Dragão frente à Noruega, a realidade parece bem diferente. Fernando Santos começou esse jogo com seis sub-25 (Anthony Lopes, Cédric, Guerreiro, William e João Mário), tendo chegado a ter sete em campo, entre os 60 e os 79 minutos de jogo (quando Rafa e Danilo substituíram Quaresma e Ricardo Carvalho). Esse elevado contingente saído da geração que foi vice-campeã europeia de sub21 faz depois com que a idade média da seleção nacional não seja assim tão elevada, quando o verdadeiro problema é o hiato entre a geração campeã europeia de sub17 em Viseu (em 2003) e estes jogadores mais novos. Olha-se para o grupo de Santos e descobrem-se onze jogadores com pelo menos 29 anos, mas depois há um buraco enorme até ao contingente de oito elementos que ainda são sub24 e à partida seriam convocáveis para a equipa que vai estar nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em Agosto. Dos quatro anos intermédios, aparecem apenas quatro homens: Antony Lopes (25 anos), Adrien Silva (27), Rui Patrício (28) e Éder (28). Tendo em conta que esta é a idade associada ao pico de carreira de um futebolista, é caso para se tentar perceber o que se fez em Portugal com estas gerações, de forma a evitar repetir. A Inglaterra, por exemplo, tem nove jogadores entre os 25 e os 28 anos: Henderson, Rose e Clyne têm 25, Sturridge, Smalling, Walker e Bertrand têm 26, Lallana e Forster têm 28. Depois, o que é diferente é que enquanto Portugal tem os tais onze jogadores mais velhos, na Inglaterra aparecem apenas seis: Hart (29), Vardy (29), Heaton (30), Cahill (30), Milner (30) e Rooney (30). Há oito portugueses mais velhos que o mais antigo dos ingleses. Não espanta, por isso, a diferença abismal no total de internacionalizações (nove portugueses contra cinco ingleses acima dos 30 jogos pela seleção, para uma média que dá mais 13 jogos a cada português) e, sobretudo, nas presenças em fases finais. É verdade que onze dos jogadores chamados agora por Hodgson já estiveram no Mundial de 2014, prova da qual a Inglaterra não pode orgulhar-se. Esse contingente é igual ao total de elementos que Santos leva agora a França e já estiveram com Paulo Bento no Brasil. Só que há depois duas diferenças. Primeiro, Quaresma e Ricardo Carvalho não estiveram no Brasil mas já tinham sido convocados para mais provas antes disso. Depois, se entre os ingleses só Rooney (cinco), Hart (três), Milner (três) e Henderson (duas) foram a mais de uma fase final, na equipa de Portugal há bem mais repetentes: Ronaldo tem seis fases finais, Ricardo Carvalho, Bruno Alves e Pepe foram a quatro, Rui Patrício, Eduardo, Nani, João Moutinho a três e Quaresma a duas. Eles já sabem e podem bem enquadrar os mais novos, no fundo fazer aquilo que motiva Rooney antes do Europeu: “Preciso de ser um exemplo para os outros jogadores. Não vou ter de tomar conta deles, mas se eu puder estabelecer o exemplo correto no hotel ou no campo de treinos, é isso que eles vão ver. Muitos deles vão jogar a primeira fase final e não sabem o que esperar. Se eu puder antecipar-lhes o que aquilo vai ser, fá-lo-ei”. Portugal tem vários Rooneys. Resta saber se consegue aproveitá-los.
2016-06-02
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O fim de semana foi de sentimentos mistos para os adeptos de futebol portugueses. No sábado, Cristiano Ronaldo fez um jogo de sofrimento e sem a qualidade habitual na final da Liga dos Campeões pelo Real Madrid, lançando a preocupação entre os que tanto esperam dele no Europeu. E se a lesão não é ainda parte do passado? No domingo, sem ele, a seleção ganhou por 3-0 à Noruega, permitindo aos que mais duvidam acreditar que o milagre pedido por Fernando Santos até é possível. Afinal, há Portugal sem Ronaldo! Só que há aqui uns quantos “mas”. Porque nem tudo o que parece é. Primeiro Ronaldo. Mesmo sem ser decisivo, o craque respondeu presente em Milão. Meteu a defesa do Atlético em respeito com uns quantos sprints e até marcou o penalti que deu a décima-primeira Champions ao Real Madrid. No momento da decisão, foi ele quem respondeu presente. Não se escondeu, e nenhuma equipa pode prescindir de um capitão assim, que não se esconde. Depois, Portugal. Mesmo ganhando por 3-0, a seleção mostrou algumas debilidades ante uma Noruega fraquinha, que não está sequer entre os 24 apurados para o Europeu. Coletivamente deixou que os noruegueses se apoderassem do jogo entre os 30’ e os 65’, quando Guerreiro fez o 2-0 num livre exemplarmente batido. Individualmente, Cédric teve períodos de desconcentração; Fonte cometeu um erro que até podia ter custado o empate momentâneo; Moutinho está sem ritmo, depois de dois meses a lutar com uma lesão, a ponto de a equipa melhorar quando ele saiu; Quaresma fez um grande golo, mas nunca deu à equipa presença na área, custando a perceber como pode encaixar no 4x4x2 engendrado por Fernando Santos; e Éder, que também marcou, parece um corpo estranho naquele onze. Para fazer o tal Europeu de grande qualidade, a equipa precisa de melhorar – e o próprio Fernando Santos o reconheceu no final. Há, é evidente, muita margem para que tal aconteça. A renovação do onze está bem à vista no facto de ter sido Éder quem acabou o jogo com a braçadeira de capitão: todos os outros estão ainda menos habituados a estas coisas do que ele. Fernando Santos começou a partida com um meio-campo que, à exceção de João Moutinho, veio do último Europeu de sub21 – William, João Mário e André Gomes – e podia bem estar nos Jogos Olímpicos e não no Europeu de seleções A. Isso é bom? Claro que sim. Porque a renovação não foi forçada, porque se estão a jogar é porque fizeram por isso. E sobretudo porque já mostraram há um ano que têm qualidade coletiva ao chegarem à final da categoria etária a que então pertenciam. Só que é aí que entra Ronaldo. Teria aquela seleção de sub21 resistido a um Ronaldo em mau momento? Provavelmente não. Uma das qualidades a permitir que o meio-campo das esperanças portuguesas mandasse no último Europeu foi o facto de à sua frente ter dois avançados que não resolviam mas também não atrapalhavam. E a verdade é que Ronaldo faz as duas coisas. Quase sempre a primeira, mas infelizmente às vezes também a segunda. A seleção de 2014 valia mais do que os resultados mostraram, mas caiu logo na primeira fase do Mundial porque Ronaldo estava magoado e a equipa não foi capaz de superar esse inconveniente. Em contrapartida, a de 2012 valia menos do que os resultados mostraram, mas chegou às meias-finais do Europeu porque Ronaldo estava inspirado e a equipa seguiu atrás do exemplo dele. Posto de outra forma. Com um bom Ronaldo, o meio-campo de Portugal vai necessariamente render menos, mas ninguém vai reparar, porque o CR7 é um dos melhores do Mundo e ganha jogos praticamente sozinho. Com um mau Ronaldo, o meio-campo de Portugal também vai render menos, porque o facto de ele estar em campo é o suficiente para que tudo no jogo tenha de passar por ele e, mesmo sendo um dos melhores do Mundo, se ele não estiver bem, a equipa vai ressentir-se disso. Aqui chegado, Fernando Santos não pode fazer muita coisa a não ser esperar que venhamos a ter um bom Ronaldo e criar condições ao nível do treino, da recuperação física e da idealização do jogo para que ele emirja. Se assim não for, é esperar pela próxima oportunidade. Porque ter Ronaldo é e será sempre uma benesse. E ainda que a renovação da equipa prove a quem quer ver que há e haverá sempre futuro quando ele acabar, ainda é cedo para se pensar nisso. Por enquanto é aproveitar. E esperar que ele apareça como Portugal precisa. In Diário de Notícias, 30.05.2016
2016-05-30
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A história da final da Taça de Portugal escreveu-se com o nome de dois heróis e não com os de quatro réus, como chegou a prometer. Antes assim, que as finais servem para que se cantem canções de glória. Mas nem é seguro que os heróis possam tirar grande proveito da tarde como o não é que os réus tenham o futuro imediato assegurado. O defeso ainda vai ter muitas histórias para contar acerca de todos eles. Primeiro os heróis, com Marafona à cabeça. O guarda-redes do Sp. Braga foi a grande diferença entre o pesadelo de há um ano e a festa de ontem, ao defender dois penaltis que impediram que os minhotos voltassem a morrer na praia. Tal como há um ano, beneficiaram de uma vantagem de dois golos sem terem feito muito por isso. Tal como há um ano, viram o adversário chegar ao 2-2 no último minuto de jogo, lançando-os num prolongamento que, até pelo que tinham vivido antes, cheirava a tragédia por todos os lados. Mas ao contrário do que sucedeu há um ano levaram a taça para casa, muito à conta do guarda-redes que começou a época no Paços de Ferreira. O mais improvável herói da tarde defendeu dois penaltis e esteve quase a deter um terceiro, mas ainda vai ter de se esforçar para manter a preponderância num plantel em constante mutação. Outro herói foi André Silva. O avançado portista veio mostrar a todo o país aquilo que alguns já sabiam: que está mais do que pronto para ser o ponta-de-lança da seleção nacional. Marcou dois golos, o primeiro pleno de oportunismo, o segundo numa execução técnica perfeita, resgatando o FC Porto de uma derrota que parecia inevitável, mas nem precisava de os ter marcado, tão boa é a generalidade das suas intervenções no jogo. Sempre bem a decidir, se busca a profundidade, o movimento de rotura, se passa ou remata ou se baixa em apoio, André Silva tinha na falta de golos o argumento dos que diziam que ainda não fizera o suficiente para “merecer” ir à seleção. Acontece que à seleção não se vai porque se merece – vai-se quando se pode ser útil. E André Silva vai poder ser útil. Não já em 2016, mas seguramente depois dos Jogos Olímpicos, quando assumir o lugar que é dele no futuro do FC Porto e da seleção nacional. O que nos leva ao primeiro réu: José Peseiro. O treinador do FC Porto confirmou as teses dos que o acusam de ser “pé frio”, como se isso existisse no futebol ou na vida. Ao perder a final da Taça de Portugal, Peseiro perdeu também a melhor oportunidade que tinha para agarrar um lugar à frente do plantel para 2016/17. Mas se por um lado não deve ser por um jogo que se julga a competência de um líder, por outro também é evidente que o FC Porto não cresceu o que os seus responsáveis esperariam após a troca de Lopetegui pelo ribatejano. Primeiro porque continuou a promover o “lopeteguismo” sem Lopetegui, na forma de jogar; depois porque a equipa passou a perder muito mais derrotas do que anteriormente. Peseiro não foi capaz de empurrar a equipa para as conquistas que gostaria de ter alcançado, por falta de tempo para trabalhar, de convicção na liderança ou por ter sido vítima de um plantel desequilibrado. Ainda resolveu a lacuna do ponta-de-lança – que Aboubakar nunca foi e André Silva começa a ser – mas não foi capaz de construir uma defesa capaz com tanta falta de qualidade. E ainda que isso em parte o absolva, deverá também chegar para o impedir de continuar. Porque um homem é ele mesmo e as suas circunstâncias e, aos olhos do público, pelo menos, Peseiro é um perdedor. Mesmo que os réus principais no jogo de ontem tenham sido outros. Helton e Chidozie pelo desentendimento no lance do primeiro golo, no qual o defesa se encolheu e o guarda-redes saiu sem resolver; outra vez Helton e Marcano na jogada do segundo, no qual o guarda-redes deu a bola ao central com este de costas para o jogo e prestes a ser pressionado e o defesa não teve a perceção disso mesmo, deixando-se antecipar. Uma coisa é certa: o FC Porto de 2016/17 não deve ter Peseiro ao leme, mas também dificilmente terá Helton, Chidozie ou até Marcano em posições de destaque. Porque o renascimento de um FC Porto ganhador ao fim de três anos de jejum total dependerá muito da construção de uma defesa capaz. In Diário de Notícias, 23.05.2016
2016-05-23
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Fernando Santos vai divulgar amanhã a lista de 23 jogadores portugueses para o Campeonato da Europa e, tal como venho prometendo há meses, deixo aqui a minha lista com umas horas de avanço. Desta vez não faço a lista do selecionador: escolhi os meus 23, ainda que com a certeza de que eles não serão muito diferentes dos oficiais. Terão, no máximo, dois nomes trocados. Porque tanto na minha cabeça como certamente na de Fernando Santos não haverá mais do que duas dúvidas. A saber: Renato Sanches e o ponta-de-lança. A minha decisão? Sim a Renato e venha de lá André Silva. Onde as minhas escolhas divergem mais das do selecionador é nas ideias para a formação da equipa-base. Ambos concordaremos que o 4x4x2 é o melhor sistema para a seleção, porque é o único que permite a perfeita integração de Cristiano Ronaldo – e todos sabemos que Portugal será tão mais forte quanto melhor estiver o CR7. O 4x3x3 encerra dois problemas graves sob este prisma: se, nele, Ronaldo for ponta-de-lança, passa grande parte do jogo de costas para a baliza e sem poder explorar a sua velocidade e o poder de explosão; se for extremo-esquerdo e não ficar amarrado ao corredor, a equipa ficará sempre descompensada, sobretudo em momentos de transição defensiva, nos quais o corredor esquerdo ficaria sempre abandonado (e sem Coentrão, que ainda assim dava bastantes mais garantias que Eliseu). A resposta, portanto, passa pelo 4x4x2, com um avançado a libertar Ronaldo, a ganhar-lhe aqueles metros de que ele necessita até se cruzar com a linha defensiva do adversário. E é aqui que as minhas ideias se separam das de Fernando Santos. O selecionador apostou em Nani para fazer esse papel, eu acho que Nani faz mais sentido na esquerda do meio-campo. Nani pode ser um dos dois pontas-de-lança no 4x4x2 – fez esse papel nos particulares com a Bulgária e a Bélgica – mas parece-me que para aquela posição a equipa precisa de um jogador diferente. Precisa de um jogador que faça tudo aquilo que Ronaldo não faz. O quê? Que pressione no momento defensivo, que seja o primeiro a lutar corpo-a-corpo com os centrais adversários pelas bolas divididas, que os prenda, para dar espaço a Ronaldo. Pelo que fez nos últimos meses de época, André Silva mostra que pode ser esse jogador. Porque é possante, trabalhador e inteligente a ler o jogo, sabendo quando deve baixar em apoio ou procurar movimentos de rotura. E ainda porque, em início de carreira, fará tudo para entrar nesta lista. Só fez um golo? E depois? Nem que não tivesse feito nenhum. Se marcar golos, excelente; mas o que esta seleção precisa do seu ponta-de-lança não é que ele seja um goleador frequente. Para isso está lá Ronaldo. Esclarecida a dúvida acerca do ponta-de-lança, não é difícil escolher os outros atacantes: Ronaldo, Quaresma, Bernardo Silva, Rafa e Nani. A lesão de Danny veio simplificar as coisas. Como simples será a escolha dos três guarda-redes – Rui Patrício, Anthony Lopes e Eduardo. Ou dos laterais, que com a lesão de Coentrão ficará resumida a Vieirinha, Cédric, Eliseu e Raphael Guerreiro. De certeza também levaria os centrais Pepe, Ricardo Carvalho e José Fonte, os médios-defensivos William Carvalho e Danilo, os médios-centro João Moutinho e Adrien Silva, e ainda João Mário e André Gomes, que servem múltiplos propósitos: podem jogar na meia-direita ou na meia-esquerda num esquema de quatro médios que privilegie um ala mais ofensivo (Nani) e um que seja mais médio (João Mário) ou até passar para o meio se de repente a equipa quiser entrar em 4x3x3. Aliás, até os defesas-laterais chamados nesta lista podem, em caso de necessidade, jogar a meio-campo numa linha de quatro. Aqui chegados, temos 22 jogadores na lista. A opção para o 23º é entre um quarto defesa-central, que seria Bruno Alves, ou mais um médio, a forma de integrar o joker Renato Sanches. Sei que a veterania dos três centrais portugueses poderia obrigar a que esse quarto homem fosse chamado e que Bruno Alves, além do mais, faz bom balneário e poderia até ser solução de recurso para jogar na área adversária, mas Renato Sanches traz outras valências. Mesmo sem ter lugar no onze – especialmente num meio-campo a quatro, onde as suas deficiências de posicionamento, contra equipas mais fortes do que as que andam pela Liga portuguesa, se notariam melhor – poderia sempre ser uma adição interessante em jogos nos quais fosse necessário aumentar o ritmo e o risco ofensivo. Não acho, nem pouco mais ou menos, que Renato seja um jogador feito, mas gostaria de tê-lo neste Campeonato da Europa. Mesmo que isso implicasse que, numa situação de emergência, Danilo tivesse de ser utilizado como defesa-central, posição na qual não me convence tanto como a âncora do meio-campo. Assim sendo, a minha lista seria esta: Guarda-redes – Rui Patrício, Anthony Lopes e Eduardo; Defesas – Vieirinha, Cédric, Pepe, Ricardo Carvalho, José Fonte, Eliseu e Guerreiro; Médios – William Carvalho, Danilo, João Mário, Adrien Silva, João Moutinho, André Gomes e Renato Sanches; Avançados – Ronaldo, Nani, Quaresma, Bernardo Silva, Rafa e André Silva. E o onze: Rui Patrício; Vieirinha, Pepe, Ricardo Carvalho e Eliseu; William; João Mário, João Moutinho e Nani; Ronaldo e André Silva.
2016-05-17
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Acabou o campeonato e o Benfica foi campeão. Justo? Sem dúvida nenhuma. Quem faz 88 pontos em 34 jogos, quem ganha 29 das 34 jornadas, quem perde pontos contra apenas quatro das 17 equipas que tem como adversárias no campeonato, é um campeão justo em qualquer parte do Mundo. E no entanto, do lado do Sporting, o derrotado, mantem-se o discurso: “não ganhou a melhor equipa”, disseram jogadores e treinador. É verdade que, com os seus 86 pontos, com apenas duas derrotas em toda a Liga, com cinco vitórias em seis clássicos, o Sporting também teria sido um campeão justo. Os leões foram a equipa que mostrou o futebol mais bonito, mais enleante, mais coletivamente trabalhado. Mas as hipóteses de sucesso da candidatura sportinguista ao título do ano que vem dependem de os seus responsáveis perceberem por que é que o Benfica foi campeão este ano. Porque há razões para isso que vão muito para lá da sorte e do azar. O Benfica foi campeão, primeiro, porque mesmo sem ter sido a equipa com o futebol mais vistoso, foi a equipa mais eficaz, a equipa com mais qualidade dentro da área, que é onde se ganham os troféus. O Benfica teve o melhor ataque e o maior número de vitórias. Sorte? Não. Qualidade nas áreas. Os processos para chegar à frente não foram sempre os melhores, não se lhe vê um futebol tão desenhado em laboratório como aquele que Jesus colocou o Sporting a jogar em tempo recorde, aceita-se mesmo que há ali menos trabalho saído do treino, mas vê-se uma organização defensiva impecável, com dois defesas-centrais rapidíssimos, que permitem encurtar o bloco e jogar com toda a equipa subida – com Luisão, provavelmente, isso não seria possível – e uma forma despachada de chegar à frente, onde o Benfica teve três pontas-de-lança de enormíssima qualidade. Jonas, Mitroglou e Jiménez desataram muitos nós a Rui Vitória, naqueles jogos mais complicados, onde fazia falta um golo caído do céu aos trambolhões. E Jesus viu o Sporting baquear naquele momento da época em que Gutiérrez estava de baixa, Montero tinha sido despachado para a China, Barcos não respondia - se é que alguma vez responderá – e só lhe sobrava Slimani, que também tinha direito a uns dias maus. Lembram-se dos golos cantados que Bryan Ruiz falhou em Guimarães e no dérbi de Alvalade? Jesus também, por muito que prefira esquecê-los. O Benfica foi campeão, depois, porque teve nas provocações do exterior um fator que lhe permitiu fazer das fraquezas forças. As provocações vindas de Alvalade, que resultaram no início da época – Jesus levou Vitória a mudar o que tinha andado a testar antes do jogo da Supertaça, ao reclamar para si mesmo todo o ideário futebolístico do rival, e começou aí a ganhar o troféu – foram perdendo eficácia à medida que a época avançava. E a cada vez que o treinador leonino falava em cérebros, em Ferraris ou em tocas, fazia com que o adversário se unisse mais ainda. Só assim se explica, também, que uma equipa que perde cinco dos seis clássicos que joga numa temporada, uma equipa que a dada altura da época parecia em falência mental e física, tenha conseguido ir sempre buscar mais alento e ganhar cada jogo. Essa injeção de adrenalina, era sempre Jesus que a dava. Como voltou a dar ontem, ao dizer que “uns criam e outros copiam”, rematando a conferência de imprensa com um “é por isso que eu ganho” que pode ter transportado alguns adeptos para um episódio da Twilight Zone. Do outro lado, Rui Vitória optou por se apagar em prol do mérito dos jogadores e afirmou que, mais do que no título, os seus falecidos pais podiam estar orgulhosos da contenção verbal que foi sempre mantendo. O Benfica foi campeão, por fim, porque geriu melhor os aspetos laterais do jogo. Não estou a falar de arbitragem. Estou a falar de casos como o processo a Carrillo – que Jesus perdeu logo no início do campeonato – ou dos confrontos que os encarnados entregaram sempre a assalariados sem real importância, como os seus comentadores engajados ou o departamento de comunicação, e os leões não foram capazes de passar para baixo do presidente. A ponto de até quando Octávio Machado aparecia – e a função dele era essa mesmo – parecer pouco, porque o precedente de ser Bruno de Carvalho a falar tirava importância a todos os outros. Luís Filipe Vieira quase pôde aparecer apenas no fim do campeonato a passar a taça para as mãos do capitão de equipa, enquanto que a Bruno de Carvalho, que passou a época a fazer comunicados a um ritmo quase diário, não restou senão sair pela esquerda baixa, aparentemente até do Facebook. Vieira também já teve os seus tempos de “loose cannon”, mas aprendeu e vai com quatro títulos nos últimos sete anos. Carvalho tem nos meses que se seguem a oportunidade de cortar caminho: basta-lhe ter a noção de que este Sporting cresceu tanto num ano que vai ser preciso fazer muita coisa errada para não acabar por ser também campeão num futuro próximo. In Diário de Notícias, 16.05.2016
2016-05-16
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Benfica e Sporting vão decidir o título de campeão nacional, na última jornada da Liga, sem Renato Sanches e Adrien Silva, os jogadores que são a alma dos respetivos meios-campos e que tão importantes foram na forma como as duas equipas aqui chegaram em condições de serem campeãs. Ninguém mereceria mais do que eles celebrar o título em campo mas, ocorra o que ocorrer no último dia, os patrões dos dois candidatos ao título terão de ficar a torcer por fora. E num dos casos – porque a Liga não pode ter dois campeões – vai ser “dia santo na loja”. Os jogos das duas equipas têm graus de dificuldade muito diferentes: o Benfica recebe o Nacional, enquanto que o Sporting visita o Sp. Braga. Mas festejará o final deste alucinante sprint quem souber ultrapassar melhor a ausência do coração do seu meio-campo. Renato Sanches foi fundamental na refundação do futebol do Benfica, dando à equipa a explosão de que ela necessitava para fazer a ligação do meio-campo a Jonas. Entrou na equipa quando o Benfica defendia o terceiro lugar face aos avanços do Sp. Braga e acabou por ajudar a carregá-la até esta situação privilegiada em que se encontra neste momento, com 19 vitórias nos últimos 20 jogos e a apenas mais uma do tricampeonato, pois lidera com dois pontos de avanço do Sporting. Ao mesmo tempo, Adrien foi um dos argumentos principais que o Sporting apresentou na época em que já garantiu a melhor pontuação da história e em que entra na última jornada em condições de ser campeão pela primeira vez desde 2007. O capitão dá ao meio-campo agressividade no momento da perda de bola, mas também a capacidade de aproximação à área em posse que lhe permite somar golos e assistências semana após semana. A verdade é que, mesmo sabendo-se que mais de metade do país preferirá contestar as arbitragens – e sim, o cartão amarelo a Adrien frente ao V. Setúbal é mal mostrado, da mesma forma que me parece injustificado o primeiro dos dois amarelos a Renato Sanches nos Barreiros –, os afastamentos dos dois jogadores têm a ver com aquilo que eles são neste momento. Pela forma agressiva como disputa cada duelo, Adrien é um jogador muito propenso aos amarelos. É, de longe, o elemento dos três grandes com mais cartões na Liga: soma 12, contra dez de Maxi Pereira, que é quem mais dele se aproxima, e nove de Eliseu, o benfiquista mais admoestado. Por sua vez, Renato Sanches é ainda um jovem bastante inexperiente, que não teve a necessária contenção depois de ter visto o primeiro amarelo e fez, minutos depois, uma falta que lhe valeu o segundo e podia bem ter deixado o Benfica em muito maus lençóis, tivesse o Marítimo condições para discutir o jogo. A culpa foi dos árbitros? Também. Mas a recusa em aceitar as próprias limitações é sempre um primeiro passo para adiar o crescimento. E nem Renato nem Adrien merecem isso. Em casa contra o Nacional, Rui Vitória não deverá ter muitas dúvidas na forma de formar o onze. Se tiver toda a gente em condições, será Talisca a substituir o jovem da Musgueira, até como forma de premiar o baiano pelo extraordinário golo de livre que marcou, a resolver definitivamente o jogo com o Marítimo – um golo semelhante ao que tinha feito ao Bayern, na Liga dos Campeões. Nestas circunstâncias, o treinador do Benfica não costuma inventar, antes acreditando muito na rotina que vai criando. Por sua vez, em Braga, contra uma equipa que até pode sentir a tentação de tirar o pé, a pensar na final da Taça de Portugal, mas que mesmo assim tem mais potencial e já criou muitas dificuldades ao Sporting – uma vitória na Taça e uma derrota tangencial na Liga, com 6-6 em golos no somatório dos dois jogos –, Jesus terá mais dúvidas para decidir. O grau de dificuldade do jogo sugeriria a aposta em Aquilani, que tem sido o substituto de Adrien em quase todas as ausências, mas o italiano não fez um minuto nas últimas quatro partidas e a boa prova de Gelson contra o V. Setúbal – dois golos – pode até aconselhar a sua manutenção em campo e a reentrada de João Mário para a zona central. É que a resposta usual de Jesus a momentos de dificuldade tem sido, este ano, meter mais gente na frente – e tem resultado. In Diário de Notícias, 09.05.2016
2016-05-09
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Portugal está em êxtase com o título do Leicester. “É a prova de que tudo é possível no futebol”, dizem uns. “É o regresso do romantismo”, dizem outros. Depois, uns recordam o Boavista, outros falam na fábula da pizza e do trabalho. Sim, também eu fiquei com os olhos marejados quando li a história da fábula da pizza. Mas se quisermos falar disto a sério, sem clichés nem frases feitas, daquelas que se destinam apenas às partilhas nas redes sociais, temos de colocar a cabeça a funcionar. E de perguntar a nós mesmos: quereríamos nós um Leicester em Portugal? Deixem-me responder por vós. Não! Porque se quiséssemos já estaríamos a fazer alguma coisa para que algo de semelhante pudesse acontecer por cá. E a verdade é que nos dirigimos cada vez mais no sentido contrário. Primeira fase da reflexão – desconstrução de mitos. Há, de facto, algo de Boavista de Jaime Pacheco na proeza do Leicester de Claudio Ranieri. Há um plantel humilde, pelo menos se comparado com os que com ele se batem na mesma Liga. Há espírito de grupo, resultante dos laços que se vão criando a cada semana que o “underdog” segue na frente. “Somos nós contra o Mundo”. É aqui que entra a fábula da pizza. Se tivesse tido comunicação, o Boavista de Jaime Pacheco também teria tido uma fábula da pizza para contar. Esta, de Ranieri, explica-se de forma simples. O treinador estava a ganhar jogos, mas preocupado com o facto de a equipa sofrer sempre golos. Um dia, temendo que essa permeabilidade se tornasse um problema, ofereceu-se para pagar o jantar a toda a equipa se esta mantivesse as redes a zero. E quando isso foi conseguido, cumpriu. Ranieri levou os jogadores a um restaurante italiano e, ante a ausência previamente combinada do pessoal da cozinha, ordenou-lhes que fizessem as suas próprias pizzas. “Vou pagar-vos o jantar, mas aqui, tal como no campo, vocês vão ter de trabalhar para o conseguirem”, disse-lhes. Ranieri, como Jaime Pacheco, pode não ser um génio da metodologia de treino ou um paradigma de modernidade na tática, mas tem vivência, tem mundo, sabe como motivar um grupo. As comparações entre o Boavista e o Leicester, porém, acabam aqui, no balneário. Porque o Boavista do início do século já andava a ameaçar as posições cimeiras há algum tempo e este Leicester só era candidato a descer de divisão. Porque aquele Boavista era uma das equipas com mais poder nos bastidores do futebol português e este Leicester não é tido nem achado nesses pormenores. Porque aquele Boavista caiu vitimado por alguma soberba – aumento exponencial de orçamento – e pelas mesmas armas de bastidores que lhe permitiu chegar lá acima e este Leicester vai cair porque, pura e simplesmente, a fábula da pizza só resulta com jogadores esfomeados de sucesso. Ou acham que Mahrez, Kanté ou Vardy, daqui por um ano, quererão sujar as mãos com a massa? Claro que não. Vão passar a ter quem faça a pizza por eles, mesmo sem perceberem que foi isso que lhes permitiu ganhar. Mas é da natureza humana e não há nada neles que lhes permita ver isso por antecipação. Por que ganhou então o Leicester? Por várias razões. E o espírito de grupo criado por situações como a fábula da pizza é uma delas. Outra é o facto de, apesar de tudo, o Leicester não ser uma equipa de coitadinhos. Porque na Premier League não há equipas de coitadinhos. É certo que aquilo que o Leicester gastou não chegará para pagar as comissões gastas por Chelsea, Manchester City ou Manchester United nas suas aquisições, mas ainda assim os novos campeões ingleses investiram esta temporada 4,2 milhões de euros em Huth, 9 milhões em N’Golo Kanté, 7 milhões em Inler e 11 milhões em Okazaki, aos quais acrescentaram, em Janeiro, mais 6,6 milhões em Amartey e 5,1 milhões em Gray. Foram, ainda assim, mais de 40 milhões de euros em aquisições, o que permite que se diga que a equipa não é de bidons e que quem está errado é que gasta isso e muito mais em jogadores que ainda não são o Messi ou o Cristiano Ronaldo só para satisfazer a clientela. E é aqui que a realidade inglesa se separa da portuguesa. Porque, estando inserido num mercado que funciona, o Leicester teve, por um lado, a vontade, e por outro a possibilidade, de tomar as suas próprias decisões. Agora vamos à parte chata. Perguntemos a todos aqueles que têm vibrado nas redes sociais com o título do Leicester e que são adeptos do Benfica, do Sporting e do FC Porto, se gostavam de ver uma coisa assim na Liga portuguesa. Quase todos vão dizer que sim, sobretudo porque vão estar a pensar que o nosso Leicester seria campeão em vez de um rival e não do clube deles. Mas quase todos vão recuar quando se lhes disser que enquanto o futebol português estiver organizado como está isso não será possível e que só poderemos ter um Leicester como tivemos um Boavista, se esse clube estiver encostado aos bastidores do poder. Porque para termos um Leicester teremos de ter, primeiro, um mercado interno que funcione para lá dos humores dos grandes, que jogam o jogo das influências emprestando jogadores à esquerda ou à direita. Para termos um Leicester teremos de ter uma distribuição mais equitativa das receitas de televisão, teremos de ter limitação do número de jogadores que cada clube pode ter sob contrato, teremos de ter clubes com vontade e acima de tudo com a possibilidade de tomarem as suas próprias decisões em vez de terem de se colocar debaixo da asa do "seu" grande. E é aqui que os nossos adeptos, que são extensões dos nossos clubes, vacilam. Mais: é aqui que recuam, que concluem que afinal de contas é melhor não termos um Leicester. Eu, que há uns dez anos já escrevo isto – a ponto de achar que me repito – quero ter um Leicester em Portugal. Até acho normal que os clubes grandes não queiram. O que acho estranho é que a Liga não queira.
2016-05-03
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Rui Vitória já assumiu que deverá, em princípio, poupar alguns jogadores na meia-final da Taça da Liga, que o Benfica jogará hoje na Luz contra o Sp. Braga. Olhando para a forma desgastada como os encarnados têm vindo a cumprir, sempre sem falhas, ainda assim, cada passo da caminhada que o treinador espera venha a conduzir ao tricampeonato, parece sensato que o faça. E, suceda o que suceder, tanto hoje como no próximo fim-de-semana, a história deste campeonato escrever-se-á sempre através do recurso às diferentes estratégias de poupança dos treinadores das duas melhores equipas. Teremos um campeão certificado pelo aforro. Olha-se para Benfica e Sporting e percebe-se que estão equilibrados no total de jogos feitos: hoje, ao receber o Sp. Braga, o Benfica empata com o Sporting em total de jogos feitos (49), podendo vir a superar os leões se assegurar a passagem à final da Taça da Liga. Contudo, isso não quer dizer que o Sporting esteja neste momento mais desgastado, quer porque os seus jogos internacionais – na Liga Europa – tiveram um grau de dificuldade inferior aos do adversário, quer porque Jesus optou por uma gestão diferente do seu plantel, tirando exigência em determinada altura, o que pode ter ajudado a equipa ao nível da fadiga central. Se olharmos para os números, verificamos que ambos os grupos têm seis jogadores com pelo menos 40 jogos efetuados: Jonas (44), Pizzi (44), Eliseu (43), Mitroglou (42), Jardel (41) e Jiménez (41) no Benfica; Rui Patrício (44), João Mário (44), Slimani (44), Ruiz (44), Adrien Silva (40) e Gelson (40) no Sporting. É verdade que entre os sportinguistas há um guarda-redes – e bastaria Júlio César não se ter lesionado para estar também no lote – e que, se em ambos há um jovem tantas vezes saído do banco – Gelson e Jiménez –, a pressão colocada em cima do extremo leonino tem sido sempre muito menor que a feita sobre o ponta-de-lança mexicano, tantas vezes entrado com a necessidade de desbloquear o marcador. Nestas coisas, como se sabe, não há uma verdade científica. Cada grupo, cada organismo reage de uma maneira muito própria a diferentes estímulos, mas parece evidente que as estratégias de Rui Vitória e Jorge Jesus foram radicalmente diferentes. Vitória tem trazido sempre os melhores a cada jogo, porque na Champions a isso era obrigado, e se fez alguma rotação na equipa isso deveu-se tanto às lesões (Júlio César, Luisão, Lisandro, Nelson Semedo…) como à eclosão de Renato Sanches, que tirou espaço a Samaris na equipa principal. Chega assim aos últimos três (ou quatro) jogos da época com os jogadores fundamentais em condições muito difíceis – não é estranho que Jonas, Pizzi e Mitroglou tenham caído tanto de produção nas últimas semanas –, mas na frente da classificação. Do outro lado, com o discurso centrado na Liga, com o menosprezo constante da Liga Europa, Jorge Jesus chega aos últimos dois jogos da época com a equipa em melhores condições. E também não é estranho que os quatro homens mais utilizados da época tenham sido os melhores na vitória de sábado no Dragão. Sobretudo Slimani, João Mário e Rui Patrício chegam a Maio a voar, depois de um período de quebra em Fevereiro-Março, que foi quando o Sporting perdeu a liderança, com apenas duas vitórias em sete jogos, de 8 de Fevereiro a 5 de Março. Acontece que quem ganha o campeonato não é quem faz melhor resultado na última jornada, não é quem chega às férias em melhores condições. É quem soma mais pontos nas 34 rondas da competição. E neste particular o Benfica tem vantagem, pois parte para as últimas duas jornadas com mais dois pontos. Se o campeonato durasse mais umas quatro ou cinco semanas, o Sporting pareceria a equipa em melhores condições para o ganhar, mas com a meta tão perto começa a parecer cada vez mais improvável que o Benfica escorregue antes de a ultrapassar. Claro que o debate acerca da melhor estratégia nunca chegará a conclusões mais definitivas do que o destinado a decidir qual é a melhor equipa das duas. Ninguém garante como estaria o Benfica se Vitória tem tirado exigência na Liga dos Campeões ou como estaria o Sporting se Jesus tivesse ido a jogo sempre com os melhores na Liga Europa. Por isso mesmo, daqui a duas semanas, as conclusões estarão sempre ligadas aos resultados. Se o Benfica mantiver a passada por mais duas jornadas e for campeão, teve razão Rui Vitória; se os encarnados passarem das vitórias difíceis e tangenciais a um empate ou derrota e o Sporting continuar a ganhar os seus jogos e for campeão, teve razão Jesus. Certo é apenas que ambos estão a fazer um fantástico trabalho. In Diário de Notícias, 02.05.2106
2016-05-02
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Jorge Jesus veio afirmar, após a vitória do Sporting frente ao U. Madeira, que os leões mereciam ser campeões nacionais, em virtude do excelente campeonato que estão a fazer. É verdade. O problema é que o Benfica está a fazer um campeonato ainda melhor e por isso mesmo tem mais dois pontos, a três jornadas do fim. A questão é que muito dificilmente uma prova de regularidade como um campeonato, jogado em 34 jornadas, deixa de sorrir a quem merece ganhá-la. E por isso mesmo as contas só se fazem no fim. Ou, como também já disse Jorge Jesus noutra ocasião: “isto não é como começa; é como acaba”. Certo é que, no fim-de-semana em que Benfica e Sporting garantiram matematicamente que vão acabar nos dois primeiros lugares da classificação, fica a certeza de que seja quem for a levar a melhor dará um excelente campeão. Neste caso, o verbo merecer não deve ser conjugado só numa pessoa, porque os méritos de ambos os candidatos são evidentes e não podem ser mascarados com erros dos árbitros ou dos adversários, que acontecem um pouco por todo o lado. Ainda neste fim-de-semana os que correram a chamar “vendido” a Gudiño, guarda-redes do U. Madeira, pela forma como sofreu o primeiro golo do Sporting, terão certamente corado de vergonha – se é que ainda têm um pingo dela – quando viram a intervenção de André Vilas Boas no lance do tento de Jiménez ao Rio Ave. Da mesma forma que os que andaram meio campeonato a acusar vários adversários de facilitarem a tarefa ao Benfica, quando este ganhava de goleada, podem agora meter a viola no saco ao ver a equipa de Rui Vitória arrancar vitórias tão difíceis e sofridas como as que obteve contra o Boavista, a Académica, o V. Setúbal ou o Rio Ave. Vitórias onde se houve algo que o Benfica mostrou acima de tudo foi espírito de luta e competitividade, atributos de que não precisaria se alguém lhe facilitasse a vida. Uma equipa que, como o Benfica, vem com 17 vitórias em 18 jornadas desde o empate contra o U. Madeira, em meados de Dezembro, tem méritos mais do que evidentes na posição que ocupa. Na altura em que, empatando no Funchal, ficou a oito pontos do líder – ainda que com um jogo a menos –, o que se disse foi que pelas debilidades que tinha mostrado até ali, o Benfica tinha perdido o direito ao erro. Que só um Super-Benfica podia voltar a discutir a Liga. Ora se a equipa entra nas três últimas jornadas na frente e como favorita, há-de ser porque se transformou de facto nesse Super-Benfica e por isso não deixará de ser um bom campeão. Por outro lado, uma equipa que, como o Sporting, liderou durante a maior parte das jornadas, só perdendo essa liderança com dois zeros atacantes seguidos em jogos – com o V. Guimarães e o Benfica – nos quais teve sempre mais volume de jogo ofensivo mas falhou na finalização também não deixará de ser um bom campeão. Até por ter conseguido manter a pressão sobre o líder, não desabando animicamente no momento em que passou a ter de olhar para cima para ver o adversário. Merecer ser campeão, merecê-lo-á quem chegar à última jornada na frente. E, além de não merecer as tentativas de menorização alheia que alguns idiotas presentes nas duas trincheiras têm vindo a ensaiar, o desafio constante que Benfica e Sporting têm feito um ao outro leva a crer que vamos ter campeonato até ao fim. A tarefa do Sporting, que não depende apenas de si próprio, é bem mais complicada, porque tem dois jogos fora – e logo contra FC Porto e Sp. Braga – mas se há algo que os benfiquistas devem ter certo é que reservar o Marquês de Pombal antecipadamente não dá bons resultados. O último campeonato perdido pelos encarnados, em 2012/13, começou nos festejos exagerados após uma dura vitória fora de casa sobre o Marítimo de Pedro Martins – atual treinador do Rio Ave – a três jornadas do fim. Seguiram-se o empate com o Estoril e o ajoelhar de Jesus no Dragão. O discurso equilibrado de Rui Vitória parece conduzir a equipa do Benfica no sentido inverso ao da euforia. Do outro lado, o discurso inflamado e mesmo assim confiante de Jorge Jesus tenciona levar a sua equipa a acreditar que o título continua a ser possível. E até nisso os dois se merecem um ao outro. In Diário de Notícias, 25.04.2016  
2016-04-25
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Quem faz o favor de me ler há tempo suficiente sabe que adotei de Sven-Goran Eriksson a teoria segundo a qual discutir arbitragens é irrelevante porque, no fim, feitas as contas, entre o deve e o haver, as coisas acabam por se equilibrar. É por isso, e também porque nunca encontrei um debate sobre penaltis ou foras-de-jogo em cujos padrões de urbanidade ou educação me reveja, que não sigo o caminho geral, o caminho que manda o adepto comum vociferar contra os árbitros nos fins-de-semana em que a sua cor saiu prejudicada e silenciar essas discussões quando são os outros a queixar-se. Mas também já ando no futebol português há tempo suficiente para acrescentar à teoria de Eriksson uma outra, à qual chamo a “teoria do remediado”. E que diz o seguinte: nos últimos dez ou quinze anos, em cada momento conjuntural do futebol português, há sempre um que ganha, um que é cúmplice porque joga na mesma na Champions e um terceiro que luta por aquilo a que chama “a verdade desportiva”, mas que não é mais do que a defesa dos seus interesses e a vontade em ocupar o lugar de um dos outros dois. Não vou ao ponto de dizer, como Jorge Jesus disse do fair-play, que a verdade desportiva seja uma treta. Não é. Sou, aliás, favorável à introdução no futebol de meios auxiliares de diagnóstico que venham ajudar os árbitros a decidir melhor. Mas não tenho a ilusão de que isso venha acabar com a discussão, porque não é preciso recorrer às hordas de fanáticos que enxameiam as redes sociais para encontrar gente que, perante as mesmas imagens, tira conclusões diferentes. Basta muitas vezes consultar ex-árbitros internacionais. Como não existe uma verdade absoluta, mas sim diferentes interpretações de um mesmo acontecimento, quando houver vídeo-árbitro – e reparem que não disse “se”, disse “quando”, porque acredito que isso é inevitável – as suspeitas de favorecimento manter-se-ão, mas mudarão de destinatário: passarão do relvado para a régie. E isso será assegurado por todos os que mantém a funcionar o sistema de acordo com a “teoria do remediado”, esse axioma nascido da evidência de que só há lugar para dois clubes verdadeiramente grandes no futebol nacional, porque são apenas duas as vagas garantidas na distribuição de milhões da Liga dos Campeões. Foi de acordo com essa evidência que as coisas mudaram. Se até há uns dez, quinze anos, o que interessava era só ganhar, depois da reforma das provas europeias, que assegurou uma segunda vaga direta de clubes portugueses na Champions, passou a interessar também ficar em segundo lugar. Chegámos, nessa altura, ao ponto de ouvir um presidente do Sporting dizer que ante dois desafios, preferia ficar em segundo no campeonato a ganhar a Taça de Portugal. Ou ser duas vezes segundo a ser uma vez primeiro e outra terceiro. Essa, já se vê, era a altura em que o Sporting era o remediado. O FC Porto ganhava – e nos últimos 30 anos nunca deixou de ganhar por mais de três anos seguidos, mantendo mesmo assim com frequência o segundo lugar – e o Sporting era segundo, o que garantia à equipa de Paulo Bento um cartão de passageiro frequente na Liga dos Campeões. E dinheiro, muito dinheiro. Quem lutava nessa altura pela “verdade desportiva”? O Benfica, pois então. Era Luís Filipe Vieira quem falava mais na regeneração do sistema. António Dias da Cunha, um voluntarioso franco-atirador que, na qualidade de presidente do Sporting, chegou a alinhar com Vieira nalgumas iniciativas, acabou por ser afastado dentro do próprio clube, pois estava a ir contra a “teoria do remediado”. Entretanto, o Benfica passou a ganhar – é neste momento favorito à conquista do tricampeonato. E da Luz passaram a chegar vozes de moderação, de crítica a quem passa a vida a falar dos árbitros. Quem passou a ser o principal crítico do sistema? O Sporting, pois então, onde Bruno de Carvalho diz tudo aquilo que Luís Filipe Vieira disse e talvez até muito mais, questionando os árbitros e clamando por injustiça em todas as jornadas e chegando mesmo ao ponto de recusar a admissão de favorecimentos quando eles acontecem – como foi o caso esta semana. O FC Porto tem sido o remediado e por isso mesmo ninguém se juntou a Lopetegui quando este criticou as arbitragens, na época passada. Veremos como passarão a comportar-se no Dragão na próxima época, quando se torna mais ou menos evidente que o FC Porto será terceiro na Liga que se aproxima do fim e tem a Liga dos Campeões em risco. In Diário de Notícias, 19.04.2016
2016-04-18
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A eliminação do Barcelona pelo Atlético Madrid, somada à proeza individual de Cristiano Ronaldo, na véspera, contra o Wolfsburg, vem animar muita gente no futebol português. À cabeça, pois claro, o selecionador nacional. Fernando Santos pode ser um dos principais beneficiários da subida de nível que o contexto pede a Ronaldo. Porque, independentemente de se achar que um é melhor ou pior do que o outro, a Bola de Ouro volta a estar ao alcance do português e dependerá em boa parte de um grande Europeu. Que, juntamente com a Liga dos Campeões, são os grandes objetivos de Ronaldo nesta ponta final da época. Se em 2015 não havia sequer discussão, pois Messi tinha ganho tudo – Liga espanhola, Champions e Taça do Rei – desta vez a questão voltará a animar os debates sobre futebol um pouco por todo o lado, lá mais para o fim do Verão ou início do Inverno. Messi passou pela Liga dos Campeões, não diria de forma anónima, mas sem fazer golos além dos oitavos-de-final, nos quais foi fundamental para o sucesso do Barcelona ante o Arsenal. Ficou em branco nas duas partidas com o Atlético Madrid e disso se ressentiu a equipa, que acabou eliminada. Aos seis golos de Messi na Liga dos Campeões, respondeu já Ronaldo com 16, entre eles o hat-trick que virou a eliminatória contra o Wolfsburg. A Liga espanhola, por sua vez, ainda pode ser alvo de discussão coletiva – o Barça tem quatro pontos de vantagem sobre o Real e três sobre o Atlético, um calendário minimamente acessível, mas vem de duas derrotas seguidas – mas dificilmente verá aberto o debate acerca do maior contributo individual. É que Ronaldo tem mais oito golos e mais uma assistência do que Messi, que no plano individual está mesmo atrás de Suárez na influência no jogo do Barcelona. Já se sabe que Ronaldo é especialista nos arranques de época – os seus totais goleadores na Champions têm muito a ver com a forma como despacha adversários mais débeis na fase de grupos – pelo que as hipóteses de vir a ser coroado Bola de Ouro no final de 2016 têm muito a ver com o que acontecer no Europeu. Uma performance convincente nos relvados de França, ao mesmo tempo que Messi joga uma Copa América que, mesmo em edição especial, nunca terá a mesma visibilidade da prova europeia, pode desde logo garantir a redução do score global para 5-4, ainda a favor do argentino. E com isso pode ganhar a seleção nacional. 
2016-04-14
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Pinto da Costa disse, a meio da semana, que já estava a preparar a próxima época do FC Porto com José Peseiro, mas que não podia garantir a continuidade do treinador. Mesmo assim, ao revelar que a derrota em casa com o Tondela tinha sido a que mais vergonha lhe provocara em toda a sua história no clube estava a tornar a vida do técnico ainda vez mais difícil do que a soma de maus resultados que a equipa vem somando. No fundo, aquilo que o presidente do clube estava a afirmar era que ia mudar não só de treinador, numa espécie de chicotada psicológica “avant-la-lettre”, como também de paradigma: na próxima época, quem vier para o lugar de Peseiro terá pouco a dizer acerca da composição do plantel. Ao contrário do que se passou com Julen Lopetegui e o processo de espanholização do Dragão. Ou com José Mourinho, na última vez que o clube se viu metido num problema com esta dimensão. As mais de três décadas de experiência de Pinto da Costa à frente do FC Porto podem até permitir que ele cometa erros, mas nunca um deste calibre – o que me leva a suspeitar que tudo não passou de uma ação premeditada por parte de um presidente que quer mudar de responsável pela equipa. Pinto da Costa sabe bem que ao dizer o que disse, ao tornar pública a sua vergonha, está a condenar o responsável máximo por essa vergonha, não só aos olhos do público como fundamentalmente aos dos jogadores. E isso viu-se no jogo seguinte, a derrota de ontem em Paços de Ferreira. O FC Porto teve sempre mais bola, jogou sempre mais no meio-campo adversário, rematou e atacou muito mais do que a equipa da casa, mas acabou por perder mais uma vez, tornando até o segundo lugar uma possibilidade meramente matemática, face aos dez pontos de que a equipa já dista do Sporting. E se desta vez o presidente até pode não ter sentido a mesma vergonha que aquando da derrota em casa com o último classificado, a equipa revelou os mesmos sintomas de descrença e falta de espírito ganhador que já tinha mostrado contra o Tondela. Porque ao longo dos últimos meses o processo transformou-a num coletivo amorfo e perdedor. A Taça de Portugal ainda pode ajudar a atenuar o desastre que está a ser esta época, a terceira seguida sem que o FC Porto chegue ao título, algo que o clube só viveu uma vez com Pinto da Costa: entre 2000 e 2002, período no qual pelo banco dos dragões passaram Fernando Santos e Otávio Machado, antes da chegada de José Mourinho. O presidente do FC Porto teria tudo a ganhar em recordar a forma como saiu do buraco numa altura em que – e atenção que já lá vão 15 anos – começaram a aparecer as piadas acerca da sua idade e de uma alegada perda de qualidades. Foram as apostas firmes de Mourinho na contratação de jogadores como Paulo Ferreira, Nuno Valente, Maniche ou Pedro Emanuel, já para não falar no regresso de Jorge Costa, que tinha sido exilado no Charlton, a transformar uma equipa que passou três anos a perder tudo em bicampeã nacional, vencedora da Taça UEFA e da Liga dos Campeões. Nestas coisas do futebol, convém dar o poder de decisão a quem sabe. E Mourinho já sabia. O problema é que, mesmo nesta altura, em que se prepara para ver a sua legitimidade como líder do clube amplamente reforçada por mais um plebiscito, que serão as próximas eleições – um ato sem candidato de uma oposição que parece afiar as facas mas apenas para se bater entre si quando o líder máximo decidir abdicar –, Pinto da Costa esgotou a confiança total num treinador na forma como deixou que Lopetegui fizesse o desenho de um plantel ao qual desde o início se adivinhavam alguns excessos (muita e boa concorrência a meio-campo) mas também carências (um grande defesa-central e um ponta-de-lança de real qualidade). Desta forma, quando precisar de ajuda, a Pinto da Costa só lhe resta olhar para o lado, para os conselheiros que tem tido em tudo o que se são transferências nestes últimos tempos. E isso não é uma boa notícia para o FC Porto. In Diário de Notícias, 11.04.2016
2016-04-11
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Renato Sanches conseguiu um feito notável. Não foi levar um miúdo a invadir um relvado para o abraçar e pedir-lhe uma camisola. Isso é consequência. O que Renato Sanches conseguiu foi pôr um país inteiro a discuti-lo, a ele, com argumentos radicais, próprios da talibanização que tomou conta do futebol nacional. Para uns já é um dos melhores médios da Europa e “tem coisas de Eusébio”, como afirmou José Augusto, que tem pelo menos a seu favor e do que disse o facto de ter conhecido muito bem o “King”. Para outros, é um caceteiro que não joga nada, que tem a data de nascimento martelada e beneficia do beneplácito de adversários pouco empenhados e árbitros desatentos para se impor. Ridículos, uns e outros. Renato Sanches está a fazer o seu caminho. É um bom jogador, pode vir a ser um muito bom jogador, talvez até um extraordinário jogador, sobretudo se aliar ao que já conseguiu mais outro feito notável, que é alhear-se do ruído que a simples menção do seu nome já provoca no futebol português. Quanto vale Renato Sanches? Não digo em milhões, que aí, como todos os jogadores que entram na teia do negócio de import-export em que se transformou ultimamente o futebol nacional, valerá aquilo que o poderoso empresário que vai transacioná-lo quiser, consoante lhe der mais jeito subir ou baixar a fatura. Digo no campo. No campo, Renato Sanches foi um dos grandes responsáveis pela mudança de cara do Benfica, de Novembro para agora. Ele entrou na equipa há meio campeonato, precisamente no jogo em Braga, quando Rui Vitória bebia gole de água atrás de gole de água sem ver a equipa melhorar. O Benfica ganhou esse jogo por 2-0, ultrapassou os minhotos no terceiro lugar, mas continuava a oito pontos do Sporting, ainda que com um jogo a menos, na Madeira contra o União. Com o miúdo na equipa, os encarnados empataram esse jogo com o U. Madeira, perderam com o FC Porto e ganharam todos os outros desafios, estando agora na frente da Liga, com cinco pontos (e um jogo) a mais do que o Sporting. Algum mérito ele terá, porque se fosse irrelevante o treinador já o teria mandado de volta para a equipa B. Renato Sanches não é, por enquanto, um dos melhores médios da Europa e, com franqueza, além do tom de pele, não vejo nele mais nada de Eusébio. Mas o seu futebol, que Vitória definiu como “selvagem”, ajudou a dar a volta ao Benfica. Sobretudo porque, com bola, Renato é muito forte. É forte na aceleração, na mudança de velocidade, no sprint longo, nas bolas divididas e consegue ainda alargar a potência muscular de que dispõe ao remate de meia-distância, que lhe sai bem com regularidade. Fernando Santos chamou-o à seleção e fez bem, porque era importante vê-lo em ação naquele ambiente, nem que fosse para concluir que, por mais que isso custe a quem faz disto o seu cavalo de batalha, ainda é cedo para lhe dar a responsabilidade de ser um João Moutinho. E porquê? Porque ao mesmo tempo que é fortíssimo com bola, o “selvagem” Renato Sanches compromete sem ela. Se não impõe o primeiro momento de pressão, é um dos causadores dos desequilíbrios posicionais do Benfica no momento defensivo, porque sai muito da posição, porque tem fraca noção das responsabilidades de cobertura num meio-campo a dois. Rui Vitória sabe disso e não quer que ele mude, porque em 95% dos jogos do Benfica isso não chega a ser um problema. Pelo contrário. Mas o futebol de altíssima competição é mais do que o momento em que se tem a bola – e nisso Renato ainda tem uma enorme margem de progressão. Pensemos assim: há 90 minutos de jogo e, se as coisas lhe correrem particularmente bem, um jogador tem a bola na sua posse em dois desses 90 minutos. Os outros 88 são passados em movimentos de apoio ofensivo ou de pressão ou contenção defensiva. Ora nesses 88 minutos, o grande jogador do meio-campo do Benfica é Pizzi (além de Jonas, claro, que compreende como ninguém a urgência de cada momento). E por estranho que pareça, não vi ninguém dizer que ele faz lembrar Simões, o extremo que tanto aparecia nos espaços interiores no Benfica europeu dos anos 60, ou que a sua eventual não-convocatória para o Europeu será um escândalo. Com a agravante de, no caso de Pizzi, o ser mesmo, porque não há em Portugal quem faça aquilo melhor do que ele e João Mário. In Diário de Notícias, 04.04.2016
2016-04-04
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Com os cinco golos marcados ao Sp. Braga, na vitória por 5-1, o Benfica chegou aos 100 golos nesta temporada: 76 na Liga, 13 na Liga dos Campeões, oito na Taça da Liga e três na Taça de Portugal. Os encarnados chegaram à centena de golos pela sétima temporada consecutiva, pois a última vez que ficaram aquém desta marca foi em 2008/09, quando a equipa de Quique Flores terminou a época com apenas 73 golos marcados.   O autor do 100º golo do Benfica foi o grego Samaris, naquele que é o 42º jogo oficial da temporada. Foi, nesta série de sete épocas, a segunda em que o Benfica mais depressa chegou ao centenário. A primazia continua a pertencer à época de 2009/10, na qual o brasileiro Alan Kardec fez esse mesmo 100º golo na vitória em Marselha (2-1), para a Liga Europa, a 18 de Março, ao 41º jogo oficial. Em 2012/13, o mesmo 100º golo foi marcado por Lima, a 30 de Março, ao 43º jogo, uma vitória ampla por 6-1 sobre o Rio Ave.   Mitroglou fez neste jogo o seu quarto bis da época (um deles foi mesmo um hat-trick), na qual soma já 21 golos, doze dos quais nos onze desafios que leva a segunda volta da Liga. Esta já é a melhor época de sempre do avançado grego, cujo máximo goleador numa só temporada estava até aqui nos 19 tentos obtidos em nome próprio: em 2011/12, pelo Atromitos (17 na Liga e dois na Taça da Grécia) e em 2014/15 pelo Olympiakos (16 na Liga grega, dois na Liga dos Campeões e um na Liga Europa).   Com o penalti através do qual fez o 2-0, Jonas também superou a sua melhor marca goleadora numa só época desde que chegou à Europa, em Janeiro de 2011. São já 32 golos em 39 jogos, 30 dos quais na Liga portuguesa (os outros dois foram na Champions). A melhor época europeia de Jonas tinha sido a anterior, na qual fez 31 golos em 35 jogos.   Além de o deixarem muito bem colocado na corrida à Bota de Ouro, os 30 golos que Jonas fez na Liga portuguesa permitiram-lhe chegar à meia centena na competição (20 em 2014/15 e 30 em 2015/16). O avançado brasileiro fê-lo num total de 55 jogos, sendo o quinto jogador mais rápido da história do Benfica a atingir esta marca. Melhor do que ele só Eusébio, José Águas, Julinho e José Torres, o mais rápido de todos. O “Bom Gigante”, que chegou aos 50 golos em apenas 39 jogos, precisou, ainda assim, de cinco épocas para lá chegar, pois no início de carreira jogava muito poucas vezes.   O golo de Samaris, além de ter sido o 100º da época, foi o primeiro que os encarnados fizeram de livre direto esta época e o primeiro nessas condições no campeonato desde que, em Setembro de 2014, Talisca marcou assim na vitória por 5-0 em Setúbal.   Além do primeiro golo de livre, o Benfica sofreu também o primeiro penalti da atual edição da Liga, deixando assim de haver equipas sem penaltis contra. O último penalti contra o Benfica na Liga tinha acontecido a 21 de Março de 2015, na derrota por 2-1 em Vila do Conde, contra o Rio Ave. Curiosamente, o Rio Ave é a única equipa ainda sem penaltis a favor na presente edição da Liga.   O Sp. Braga continua a somar maus resultados nas visitas a Lisboa. Foi a quarta derrota em outras tantas viagens à capital esta época: 1-0 no Estoril, 3-2 em Alvalade, 3-0 no Restelo e agora 5-1 na Luz. A somar a isso, os bracarenses registaram ainda mais três resultados negativos seguidos na ponta final da época passada: 2-0 na Luz, 4-1 em Alvalade e 2-2 (com derrota nos penaltis) na final da Taça de Portugal, contra o Sporting, no Jamor. O último bom resultado que fizeram na zona de Lisboa foi a vitória por 2-0 no Estoril, a 8 de Fevereiro de 2015.   Pedro Santos, que marcou o golo do Sp. Braga na Luz, já tinha sido autor de um dos golos dessa vitória no Estoril. Fez na altura o segundo, depois de Ruben Micael abrir o ativo.   Os 5-1 permitiram ao Benfica reforçar a condição de melhor ataque da Liga, já com 76 golos marcados. São mais 20 golos que o segundo melhor ataque, que é o do Sporting, ainda que os leões possam diminuir a desvantagem quando jogarem com o Belenenses no Restelo, na sua partida desta 28ª jornada. É o melhor ataque de uma equipa do Benfica à 28ª jornada desde 1983/84, quando o onze comandado por Eriksson chegou a esta ponto da prova com 83 golos marcados.   O Benfica chegou ainda à 28ª jornada com 70 pontos, que ainda assim, é um a menos do que tinha na mesma jornada da época passada, e menos três do que na primeira época do presente bicampeonato. Para se encontrar um líder com menos pontos à 28ª ronda é preciso recuar até 2011/12, quando o FC Porto de Vítor Pereira comandava com 69 pontos, mais seis do que o segundo, que era o Benfica.   Em contrapartida, o Sp. Braga viu o Arouca reduzir a diferença que separa o quarto do quinto lugar para seis pontos. Os bracarenses somam agora 50 pontos, menos três do que na época passada à passagem da 28ª ronda. Até marcaram mais dois golos (passaram de 45 para 47), mas sofreram mais dez (de 17 para 27).
2016-04-03
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Fernando Santos disse após o jogo com a Bélgica que se tivesse que fazer agora a lista final de 23 convocados para o Europeu ainda tinha de pensar algum tempo, mas a verdade é que se os dois jogos da semana passada lhe terão servido para esclarecer algumas dúvidas, terão servido ainda mais para deixar pistas aos observadores externos acerca do que lhe vai na cabeça. E a julgar pelo que as suas opções nestas duas partidas deixaram transparecer, as dúvidas do selecionador nacional já não são muitas. A não ser que apareçam surpresas indesejáveis, como lesões, restarão no máximo duas ou três vagas no avião que levará a seleção para França. Uma no meio-campo, outra no ataque e uma nas laterais da defesa. No ataque, tendo em conta a aposta recente de Santos em dois avançados móveis – Nani e Ronaldo foram titulares nas duas partidas – a dúvida tem a ver com uma opção nuclear: haverá na lista lugar para um ponta-de-lança mais fixo, daqueles tradicionais, que permita mudar de modelo e até de sistema, para um 4x3x3 mais clássico? Tudo indica que sim, o que implica que Éder esteja bem posicionado para se juntar aos homens seguros na lista, que são Ronaldo, Nani e Quaresma. A questão é que se vai Éder, isso implica que entre Danny, Rafa e Bernardo Silva terá de haver um sacrificado. Ou então Santos resolve a questão levando os três e deixando Éder de férias. A meio-campo, os dois jogos também serviram para confirmar nomes. Adrien e João Mário, duas vezes titulares, estão seguros, numa lista onde Moutinho era o único médio a 100 por cento seguro de fazer a viagem. A forma como o selecionador acumulou Danilo e William Carvalho numa altura em que quis fechar o jogo contra a Bélgica – e a forma como conseguiu fazê-lo – significa que os dois não só são compatíveis como que passa pela cabeça de Fernando Santos repetir o estratagema em futuras situações. O que significa que ficam ocupados cinco dos seis lugares a meio-campo. Para a vaga que resta, aberta pela lesão de longa duração de Tiago, há imensos candidatos. A começar pelo próprio Tiago, caso recupere e nas últimas semanas da época ainda mostre argumentos que justifiquem a chamada para lá da gratidão pelo papel desempenhado na qualificação. André Gomes, que equilibrou bem a equipa frente à Bélgica, também é hipótese, como o são Renato Sanches, André André e até Veloso ou Ruben Neves. A verdade, porém, é que só há lugar para um. Ou dois, no limite, caso em vez de substituir Éder por um dos atacantes mais móveis, Santos opte por levar mais um médio. Importante nessa matéria é também a evolução de Fábio Coentrão, que tem passado mais tempo lesionado do que a jogar. Porque, em boas condições, Coentrão pode ser lateral esquerdo ou o sétimo médio, o ala que Santos pode usar para equilibrar a equipa. Raphael Guerreiro também pode sê-lo, mas a sua entrada na lista depende de Coentrão. Porque com os quatro centrais mais ou menos definidos – Pepe, Ricardo Carvalho, José Fonte e Bruno Alves estão muito à frente da concorrência e a sua veterania e propensão para as lesões impedirá Santos de levar só três para ganhar um lugar na lista – a defesa só tem ligeiramente abertas duas vagas. Vieirinha e Eliseu estão seguros no avião, Cédric em princípio também – só uma super-ponta final de época poderia agora valer a Nelson Semedo – e se Coentrão estiver ao seu nível, Guerreiro terá de esperar por outra oportunidade. Como terão de esperar todos os que almejam entrar na lista de guarda-redes, onde Patricio, Anthony Lopes e Eduardo já devem ter cadeiras reservadas.   Guarda-redes (3) Rui Patrício – 100% Anthony Lopes – 95% Eduardo – 80% Beto – 23% Ventura – 1% Marafona – 1%   Lateral direito (2) Vieirinha – 100% Cédric – 80% Nelson Semedo – 18% Bosingwa – 1% Ivo Pinto – 1%   Lateral esquerdo (2) Eliseu – 100% Coentrão – 70% Raphael Guerreiro – 20% Antunes – 8% Tiago Gomes – 1% Tiago Pinto – 1%   Defesa central (4) Ricardo Carvalho – 100% Pepe – 100% Bruno Alves – 90% José Fonte – 90% Neto – 15% Paulo Oliveira – 2% Carriço – 2% André Pinto – 1%   Médios (6) João Moutinho – 100% William Carvalho – 100% Danilo – 100% João Mário – 100% Adrien Silva -100% André Gomes – 40% Tiago – 20% Renato Sanches – 15% André André – 10% Veloso – 6% Ruben Neves – 5% André Almeida – 2% Pizzi – 2%   Avançados (6) Ronaldo – 100% Nani – 100% Quaresma – 100% Bernardo Silva – 80% Danny – 80% Rafa – 80% Éder – 50% Varela – 1% Gonçalo Guedes – 1% Cavaleiro – 1% Rui Fonte – 1% Nelson Oliveira – 1% Lucas João – 1% Ricardo – 1% Hugo Almeida – 1% Ukra – 1% Postiga – 1%
2016-03-30
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Fernando Santos escolheu o jogo com a Bulgária para pôr em prática um novo jogar na seleção nacional. Mais do que olhar para o resultado, que foi mau, ou para as indicações, que face ao elevado número de situações de golo criadas até foram boas, o que importa é avaliar se este novo jogar tem pernas para a andar e se é a melhor resposta aos problemas da seleção. A resposta às duas perguntas é sim. O que em si não significa que esteja tudo bem ou que o problema não pudesse ter começado a ser atacado há mais tempo. Porque o Europeu é já daqui a dois meses. O selecionador nacional apanhou a equipa a meio de uma fase de qualificação que, ainda por cima, nem tinha começado bem e a primeira prioridade que teve foi a de apurar a equipa para a fase final. Fê-lo com um misto de sensações. Por um lado ganhou todos os jogos, por outro mostrou quase sempre um futebol pobre, resolvendo nos últimos instantes muitas partidas de fraca produção atacante. Parecia estar em curso um processo de helenização da seleção nacional, mas foi a esse processo que Santos puxou agora o travão de mão. Porque além de não confiar assim tanto na sorte, também ele percebeu que esse processo não resolvia o maior problema da equipa. A saber: o que fazer com Ronaldo? Voltemos ao último Mundial. Com Paulo Bento, Portugal usava o 4x3x3 e Ronaldo jogava a extremo-esquerdo, a posição que melhor lhe permite desequilibrar, pois dá-lhe os metros necessários para embalar, da esquerda para o meio, e aparecer já lançado face à defesa adversária. A questão é que isso acarretava dois problemas adicionais: para Ronaldo jogar ali era preciso estar lá um ponta-de-lança que, não existindo, roubava o lugar no onze a jogadores melhores e, por outro lado, essas deambulações de Ronaldo pelo campo deixavam sempre a equipa nacional coxa e desequilibrada no momento de transição defensiva, pois raramente havia alguém para defender o corredor que o CR7 deixara vago além do defesa-lateral, condenado a incontáveis situações de inferioridade numérica. Quando a prioridade foi conseguir a qualificação, Ronaldo chegou a jogar como ponta-de-lança solitário. Isso que vinha resolver o problema defensivo, pois mantinha todos os corredores bem preenchidos, mas sacrificava o melhor jogador da equipa a uma posição que não é aquela em que ele mais rende – Ronaldo passava boa parte do jogo de costas para a baliza adversária a batalhar por bolas aéreas bem longe da área – e de caminho sacrificava também o potencial ofensivo da equipa. Conseguido o apuramento, a ideia devia ter sido logo resolver este problema, que só podia passar pela adoção de um 4x4x2 que permitisse a Ronaldo aparecer solto, com um parceiro no centro do ataque. Nem precisava de ser um goleador – que para os golos está lá Ronaldo. Tinha era de ser alguém que fosse capaz de fazer tudo aquilo que ele não faz: tinha de se bater com os defesas-centrais, para ganhar espaço para Ronaldo, e pressioná-los na fase defensiva, para que Ronaldo pudesse guardar energias para desequilibrar depois. Santos, porém, dispensou Ronaldo dos dois primeiros particulares, desperdiçando nessas partidas com a Rússia e o Luxemburgo a oportunidade de testar a compatibilidade entre os pontas-de-lança convocados (Nélson Oliveira e Lucas João) com o capitão de equipa. Percebe-se agora que nunca quis sequer fazer esse teste, pura e simplesmente porque não acreditava no seu sucesso. A ideia de Santos, o novo jogar da seleção, passa por uma frente de ataque com dois jogadores móveis, que não se dão à marcação, dois jogadores que tanto procuram os corredores laterais em trocas posicionais com os médios-ala, como a profundidade nas costas da defesa adversária, a solicitar o passe dos médios com movimentos de rotura, ou as desmarcações de apoio para tabelas no espaço entre as linhas adversárias. Contra a Bulgária jogaram ali Nani e Ronaldo e o teste não correu mal, tantas foram as situações de golo criadas. É preciso, no entanto, ter em conta dois aspetos. Primeiro, que o adversário era fraco – e parece-me mais importante valorizar isso do que o facto de Portugal ter perdido, porque em condições normais uma equipa que cria tantas oportunidades flagrantes de golo acaba por golear. Depois, que este novo jogar, por privilegiar tanto a mobilidade e uma primeira zona de pressão agressiva, com muita gente no último terço, deixou a equipa vulnerável do ponto de vista defensivo, com muitos jogadores fora do lugar em transição e pouca gente atrás em organização defensiva. A ideia não é má, mas ainda precisa de muito trabalho. A ver já amanhã, contra a Bélgica. In Diário de Notícias, 28.03.2016
2016-03-28
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A discussão está lançada e tem feito as delícias de quem vê futebol com óculos coloridos, daqueles que aumentam umas coisas e diminuem outras. Jonas é o maior, o pistoleiro que eleva o nível do futebol do Benfica. Não, Jonas não serve para grande coisa, porque só marca aos pequenos. Jonas está na corrida à Bota de Ouro e até foi chamado à seleção do Brasil. Não, Jonas beneficia da debilidade de quase todas as equipas do campeonato português e Dunga só se lembrou dele porque Roberto Firmino se lesionou. O mais estranho é que é tudo verdade. Jonas não é um dos melhores pontas-de-lança do Mundo, porque se fosse não teria baixado da Liga espanhola para a portuguesa, mas é provavelmente uma das maiores pechinchas na história das contratações decisivas de um clube português. E se o Benfica for esta época tricampeão nacional é em grande parte a ele que o deve. Jonas é um típico centro-avante brasileiro. O que quer isso dizer? Que prefere a conversa ao monólogo, que joga como quem dança o samba, um passo aqui, um toque acolá, sempre com ginga. Mas também que não podem contar com ele para o trabalho árduo, que está viciado na presença de um parceiro que fixe os centrais adversários, que lhe alargue o espaço entre linhas para ele poder aparecer a decidir. Uma das melhores formas de definir o futebol de Jonas é dizer que à frente dele os adversários parecem demasiado rápidos, demasiado sôfregos, porque ele é capaz de definir o timing de cada jogada de forma a que, mesmo abrandando, quem está no momento certo é ele. Os outros passam, mas ele fica com a bola e com a iniciativa. E se ele fica com a bola, isso é quase sempre uma boa notícia para o Benfica, porque ele define como poucos, servindo-se de uma capacidade técnica invulgar, tanto no passe como na finalização, e também daquilo que transforma um grande jogador num grandíssimo jogador: a tomada de decisão. É certamente por não entrar em correrias – e por ter quem o faça por ele – que Jonas pensa quase sempre a solução certa para a equipa. Sem bola, decide se deve procurar o corredor lateral ou baixar em desmarcações de apoio. Com ela, se deve esperar, driblar, chutar, passar e para onde passar. Se ele tiver tempo para pensar, o Benfica sai geralmente a ganhar. Mas então por que razão não saiu Jonas do Valência para o Real Madrid, chegando antes dispensado ao Benfica? É que nos jogos de maior nível de exigência raramente há o tempo para pensar de que Jonas precisa. Raramente o espaço sobra para ele impor a sua ginga. É por isso também que Jonas não fez um único golo em quatro jogos contra o Sporting e está igualmente em branco em três desafios contra o FC Porto. Ou que Jorge Jesus, que sempre o prezou tanto como a Gaitán quando se falava em argumentos capazes de levar o Benfica a ganhar campeonatos, nem sequer o colocou em campo na vitória por 2-0 no Dragão, na época passada. O jogo de ontem, contra o Boavista, serve de exemplo para esta dificuldade. Contra uma equipa que foi competente do ponto de vista tático e sem contar com o imprescindível apoio de Mitroglou, Jonas sofreu horrores. E aqui, se falo de Mitroglou, é mesmo de Mitroglou, não é de outro avançado qualquer. Porque o grego procura quase sempre a profundidade, o espaço nas costas da defesa adversária, quando Raul Jiménez busca a mobilidade, as desmarcações nos corredores laterais. Consequência disso? Ora pensemos. O Boavista defendeu-se com duas linhas bem próximas uma da outra e colocou ao meio da segunda linha dois médios muito fortes na marcação, como são Idris e Tahar. Os movimentos laterais de Jiménez, compensados pelos laterais, não faziam dançar assim tanto a organização axadrezada e raramente redundavam na criação de espaço vital para Jonas. Mas os movimentos mais profundos de Mitroglou costumam obrigar a primeira linha defensiva adversária a compensar essa mesma profundidade, colocando a segunda linha perante uma dificuldade: ou baixava também ou mantinha a posição. Fizessem os médios do Boavista o que fizessem, a consequência seria sempre a mesma e redundaria em espaço para Jonas combinar com quem lhe aparecesse por perto à entrada da área. Depois, quando tudo o resto falha, aparece outra caraterística de Jonas: a capacidade técnica. Num jogo em que raramente teve bola ou espaço para jogar, depois de uma noite em que se eclipsou, foi ele que, ao terceiro minuto de descontos, teve a frieza e a capacidade técnica para finalizar, de pé esquerdo, um passe de cabeça de Carcela. Não só a bola não vinha fácil, como a própria criação da situação de finalização dependeu, em primeira instância, da mente futebolística de Jonas, que adivinhou onde a bola ia cair e avançou para lá antes de Philipe Sampaio. Fez o golo, manteve o Benfica isolado na frente e lançou a euforia nas hostes benfiquistas. Jonas é o maior? Jonas não marca aos grandes? Tudo verdade. Mas mesmo assim está a ser o jogador mais decisivo deste campeonato. In Diário de Notícias, 21.03.2016
2016-03-21
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Ao ganhar por 1-0 ao Boavista, no Bessa, o Benfica conseguiu a 11ª vitória consecutiva em jogos fora de casa, um feito inédito na história do clube. Desde o empate (0-0) com o U. Madeira, no Funchal, os encarnados ganharam sucessivamente a V. Guimarães (1-0), Nacional (4-1), Estoril (2-1), Oriental (1-0), Moreirense (6-1 e 4-1), Belenenses (5-0), Paços de Ferreira (3-1), Sporting (1-0), Zenit (2-1) e agora Boavista (1-0). Superou assim as duas melhores séries do seu passado, fixadas em dez jogos seguidos a ganhar fora, entre Fevereiro e Novembro de 1971 e entre Outubro de 1972 e Abril de 1973.   A vitória no Bessa foi dramática, conseguida com um golo de Jonas ao terceiro minuto de descontos. Foi o segundo sucesso consecutivo fora de casa que os encarnados conseguem com um golo em tempo de compensação, depois de já terem ganho em São Petersburgo ao Zenit por 2-1, com um golo de Talisca aos 90+5’. Foi a terceira vitória da época do Benfica com um golo para lá dos 90’ (depois das duas contra o Zenit, pois também na Luz valeu um golo de Jonas aos 90+1’) e a primeira na Liga desde Agosto de 2013, quando ganhou ao Gil Vicente na Luz (2-1), com tentos de Markovic aos 90+1’ e Lima aos 90+2’.   Jonas, o autor do golo da vitória, continua na corrida à Bota de Ouro, com os mesmos golos que Gonzalo Higuaín Os 29 tentos que marcou em 27 jornadas da Liga são o melhor pecúlio de um jogado do Benfica num campeonato desde que o sueco Mats Magnusson fez 33 na Liga de 1989/90. À 27ª jornada dessa época, porém, o sueco tinha apenas 28 golos marcados. Para encontrar um jogador do Benfica com mais golos por esta altura há que ir até 1972/73, quando Eusébio tinha 34 nas primeiras 27 partidas.   Jonas igualou, além disso, o seu total de golos em toda a época passada, pois além dos 29 que marcou na Liga portuguesa soma ainda mais dois na Liga dos Campeões. Precisou de 38 jogos para fazer estes 31 golos, ao passo que na temporada passada os marcou em 35 partidas: obteve então 20 em 25 jogos na Liga portuguesa, seis em três desafios na Taça de Portugal e cinco em três partidas da Taça da Liga.   O jogo foi ainda marcado pelo regresso de Salvio a um lugar no onze do Benfica. O argentino jogou 54 minutos, o maior período que esteve em campo desde a última vez que tinha sido titular do Benfica, a 23 de Maio de 2015: nesse dia, em partida da última jornada da Liga, contra o Marítimo, saiu lesionado aos 74’.   A vitória do Benfica significou mais uma derrota caseira para o Boavista, a terceira seguida, neste caso. Antes de perderem com o Benfica, os axadrezados já tinham sido batidos por Rio Ave (2-1) e Nacional (1-0). Desde Novembro e Dezembro de 1959 que o Boavista não perdia três vezes seguidas em casa: na altura foio batido pela Académica (3-1), Sporting (5-2) e Belenenses (1-0), antes de ganhar ao Portimonense (3-1), para a Taça de Portugal.   Com a vitória, o Benfica passou a somar 67 pontos, mantendo-se isolado na frente da Liga. Tem, ainda assim, menos um ponto do que tinha à passagem da mesma jornada na época passada e menos três do que em 2013/14, ano do primeiro título dos dois que ganhou consecutivamente. Para encontrar um Benfica campeão com menos pontos à 27ª jornada é preciso recuperar a equipa de 2004/05, liderada por Giovanni Trapatoni, que por esta mesma altura seguia na liderança com apenas 54 pontos, ainda assim mais seis do que os segundos, que eram Sporting, Sp. Braga e FC Porto.
2016-03-21
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Sérgio Oliveira o autor do golo da vitória do FC Porto frente ao V. Setúbal, no Bonfim (1-0), fez o segundo golo da época, mas o primeiro na corrente Liga, pois até aqui só tinha marcado ao Gil Vicente, na meia-final da Taça de Portugal. Foi a terceira temporada seguida em que marcou um golo aos sadinos, depois de já o ter feito nas vitórias do Paços de Ferreira para a Taça da Liga (2-0, em Janeiro de 2014) e para o campeonato (4-1, em Novembro de 2014).   O resultado valeu ao FC Porto a 27ª vitória seguida sobre o V. Setúbal, em confrontos para todas as competições, a quinta consecutiva sem sofrer sequer um golo. A última vez que os sadinos fizeram um golo ao FC Porto foi em Agosto de 2013, numa derrota por 3-1 em casa após a qual perderam por 3-0, 4-0 e 2-0 no Dragão e por 2-0 e 1-0 no Bonfim. O último jogo em que evitaram a derrota, esse, já tem mais de dez anos: foi um empate a zero no Dragão, em Outubro de 2005. E para se encontrar a última vitória é preciso recuar 50 jogos, até Maio de 1989, quando ganharam por 1-0, ainda nas Antas.   O FC Porto voltou a manter a baliza inviolada num jogo de campeonato, algo que já não lhe acontecia desde a estreia de José Peseiro à frente da equipa, a 24 de Janeiro. Depois desse 1-0 ao Marítimo, os dragões sofreram golos em sete jornadas consecutivas, igualando uma série negra do ponto de vista defensivo que já não conheciam desde Março e Abril de 2007.   Mesmo mantendo a baliza de Casillas a zeros, o FC Porto voltou a ganhar apenas pela margem mínima. Seis das sete vitórias alcançadas pela equipa de José Peseiro na Liga foram por apenas um golo de diferença, constituindo exceção o sucesso por 3-1 no Estoril, a 30 de Janeiro. Além desse, com o novo treinador, os azuis e brancos ganharam por 1-0 ao Marítimo e ao V. Setúbal, por 2-1 ao Benfica e ao Belenenses e por 3-2 ao Moreirense e ao U. Madeira.   Complicada está a vida para o V. Setúbal em termos ofensivos. Os sadinos fizeram o quarto jogo consecutivo sem marcar golos, levando já 391 minutos sem fazer um único. O último que marcaram, a 21 de Fevereiro, valeu um empate a uma bola em casa perante o Nacional, tendo o Vitória depois disso perdido todos os jogos: 3-0 com o Estoril e 1-0 com Moreirense, Arouca e FC Porto.   O V. Setúbal está, ainda assim, a um jogo – e a 125 minutos – da pior série ofensiva da época passada. Então, depois de um 3-0 ao Boavista, para a Taça da Liga, a 4 de Fevereiro de 2015, a equipa sadina esteve cinco jogos sem marcar (0-0 com a Académica, duas vezes 0-3 com o Benfica, 0-1 com o Penafiel e 0-3 com o Nacional), completando 516 minutos sem um golo até ao que foi marcado por Schmidt, a 7 de Março, num empate com o Belenenses (1-1), no Bonfim.   O Vitória completou, além disso, o oitavo jogo seguido sem ganhar. A última vitória obteve-a a 22 de Janeiro, um 2-1 à Académica, para a Liga, no Bonfim. Depois, perdeu com o Rio Ave, empatou com Marítimo, V. Guimarães e Nacional, e perdeu de enfiada com Estoril, Moreirense, Arouca e FC Porto. Além de ser a maior série de jogos sem vitória desta época, a corrente sequência de resultados supera pela negativa a pior da época passada, que foram sete jogos sem ganhar, entre 14 de Março e 7 de Maio.   Para se encontrar algo de tão mau na história do Vitória é preciso recuar a 2011/12, quando a equipa sadina também esteve oito jogos seguidos sem ganhar, entre 2 de Janeiro e 26 de Fevereiro de 2012, sendo o oitavo precisamente contra o FC Porto (1-3 no Bonfim para a Liga) e a série quebrada logo a seguir, em Aveiro, com uma vitória por 3-2 contra o Beira Mar. Pelo caminho, o treinador, Bruno Ribeiro, foi substituído por José Mota.   O FC Porto fechou a 27ª jornada com 61 pontos, menos quatro do que na época passada, na qual estava, por isso mesmo, mais perto do líder – estava a três pontos, enquanto agora está a seis. Os dragões têm, no entanto, mais seis pontos do que em igual fase do campeonato de há dois anos. Mas para se encontrar um FC Porto campeão com tão fraco pecúlio à 27ª jornada é preciso recuar dez anos. Em 2005/06, os dragões tinham 60 pontos em 27 jogos, ganharam seis e empataram um dois sete jogos restantes e ainda chegaram ao título.   O V. Setúbal, por sua vez, segue com 28 pontos, cinco acima da linha de água e mais três do que tinha na época passada por esta altura da competição. Mesmo tendo em conta a quebra da equipa de Janeiro para cá – 22 dos 28 pontos que fez foram conseguidos na primeira volta – este Vitória está a apenas seis pontos da equipa que há duas épocas chegou à 27ª jornada com 34 pontos e acabou a Liga em sétimo lugar, a cheirar uma qualificação europeia.
2016-03-20
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Ao aguentar 15 minutos sem sofrer golos em Alvalade, Rafael Bracalli, guarda-redes do Arouca, passou a ser o dono da mais longa série de minutos sem sofrer golos no presente campeonato, superando precisamente Rui Patrício, guarda-redes do Sporting. Bracalli, que não sofria um golo na Liga desde que foi batido por Aboubakar, do FC Porto, a 7 de Fevereiro, aguentou 541 minutos sem ir buscar a bola ao fundo das redes, tendo durante esse período defendido duas grandes penalidades. Patrício tinha estado 538 minutos sem sofrer golos, entre um marcado por Josué (V. Guimarães) e outro de Rafael Martins (Moreirense).   Rui Patrício continua, no entanto, a ser o líder da defesa menos batida do campeonato, com 17 golos sofridos em 27 jornadas. É a melhor performance defensiva do Sporting num campeonato desde 2006/07, quando a equipa chegou à 27ª ronda com 14 golos sofridos, tendo acabado a prova com a melhor defesa, com 15 golos sofridos em 30 jornadas. O guarda-redes do Sporting era então o internacional Ricardo.   A principal nota do jogo de Alvalade foi, contudo, a performance ofensiva do Sporting, com bis de Teo Gutièrrez e João Mário. O colombiano, que não marcava desde 10 de Dezembro (nos 3-1 ao Besiktas) e que na Liga estava em jejum desde o penalti ao Estoril, a 31 de Outubro, fez o primeiro bis com a camisola leonina e o primeiro desde 16 de Fevereiro de 2015, quando marcou dois golos nos 4-1 do River Plate ao Sarmiento de Junin, na Liga argentina.   Já no caso de João Mário, este foi mesmo o primeiro bis na carreira sénior do jovem médio, que não fazia um golo desde a derrota por 3-1 em Leverkusen, na eliminação leonina da Liga Europa (1-3), a 25 de Fevereiro. Os quatro golos de João Mário em 2015/16 tinham sido todos em deslocações, pelo que o médio não marcava em Alvalade há um ano: o último que fizera ali tinha sido a 22 de Março de 2015, nos 4-1 ao V. Guimarães.   Quem regressou aos golos foi Bryan Ruiz, que tinha falhado ocasiões relativamente fáceis contra o V. Guimarães, o Benfica e o Estoril. Ruiz, pelo contrário, tem escolhido sempre Alvalade para fazer os seus golos. Não marcava desde os 2-0 ao Boavista, a 22 de Fevereiro, sendo que este foi o seu quarto golo consecutivo em Alvalade depois de ter feito um em Braga, na eliminação do Sporting da Taça de Portugal (3-4).   Em branco ficou Slimani – daí, provavelmente, a insatisfação que revelou no momento em que foi substituído por Barcos. O argelino não marca em casa desde 15 de Janeiro, quando fez um golo no empate (2-2) contra o Tondela, tendo desde essa data feito três bis, mas todos em deslocações, nos campos de Paços de Ferreira, Nacional e Estoril.   Gegé, autor do golo do Arouca, fez o primeiro golo na I Divisão. O cabo-verdiano não festejava um golo em nome próprio desde 18 de Novembro de 2012, quando contribuiu para atenuar uma derrota caseira do Marítimo B com a Naval (2-3), na II Liga.   O Arouca voltou a perder um jogo, oito desafios depois de ter sido batido em casa por este mesmo Sporting, por 1-0, em jogo da Taça da Liga. A série de sete partidas sem perder assim estabelecida igualou a melhor que a equipa de Lito Vidigal tinha conseguido nesta época, entre as derrotas com o FC Porto (1-3, a 12 de Setembro de 2015) e com o Sporting (0-1, a 8 de Novembro de 2015). São as duas maiores séries de invencibilidade do Arouca desde que subiu à I Divisão, em 2013.   O Sporting chega assim à 27ª jornada com 65 pontos, mais oito do que tinha na mesma ronda da época passada. Este continua a ser o melhor registo do Sporting à 27ª jornada desde que a vitória vale três pontos. E para encontrar um melhor, mesmo aplicando as atuais regras de pontuação às Ligas anteriores, é preciso recuar a 1979/80, campeonato em que os leões somavam por esta altura 21 vitórias, quatro empates e duas derrotas – que seriam 67 pontos pelas regras atuais.
2016-03-20
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Os dois golos que fez ao Tondela, na vitória do Benfica por 4-1, serviram a Jonas para chegar aos 28 na Liga e aos 30 em 37 jogos de todas as competições de 2015/16. Jonas ficou assim a apenas um golo do total que fez em toda a época passada (31 em 35 jogos). O brasileiro tornou-se o primeiro jogador a marcar pelo menos 30 golos em duas épocas consecutivas no Benfica desde que Nené o fez entre 1981 e 1983, com 35 golos em 43 jogos em 1981/82 e 31 golos em 46 jogos em 1982/83. Jonas está a cinco golos da marca de Nené nesse biénio, mas também tem menos 17 jogos.   O total de golos que Jonas conta na atual edição da Liga (28) é ainda o maior numa só edição da competição desde que Jardel somou 42 na prova de 2001/02, ao serviço do Sporting. Se olharmos apenas para jogadores do Benfica, ninguém marcava tanto desde que o sueco Magnusson encerrou o campeonato de 1989/90 com 33 golos (em 32 jogos).   Outro avançado em grande destaque no Benfica é o grego Mitroglou, que voltou a marcar um golo. Nas últimas dez jornadas da Liga, Mitroglou marcou em nove, só ficando em branco contra o U. Madeira. A compensar fez três golos ao Belenenses. Ao todo, os 19 golos que já fez esta época (16 na Liga, dois na Champions e um na Taça de Portugal) igualam as suas melhores épocas de sempre: fez 19 golos em 2011/12 no Atromitos e outros tantos em 2014/15 no Olympiakos.   Gaitán, que assistiu Jardel e Jonas para os dois primeiros golos do Benfica, colocou-se como melhor assistente benfiquista no campeonato e segundo melhor da competição, apenas atrás do portista Layun. Ao todo, o argentino soma onze passes de golo, mais dois que Jonas e o belenense Carlos Martins, mas menos quatro que o mexicano do FC Porto.   Jardel, autor do primeiro golo do Benfica no jogo, fez apenas o segundo golo da época, pois até aqui só tinha marcado ao Vianense, arrancando a ferros uma vitória por 2-1 na Taça de Portugal. No campeonato não marcava desde 11 de Abril do ano passado, quando também abriu uma goleada dos encarnados na Luz: 5-1 à Académica.   Nathan Júnior, que marcou o golo de honra do Tondela mesmo em cima do apito final, veio assegurar que a equipa beirã mantém o registo de marcar sempre fora de casa desde que é liderada por Petit. São já sete deslocações seguidas a fazer pelo menos um golo. O problema é que o Tondela também sofre geralmente mais do que um.   Com o golo ao Benfica, Nathan chegou aos dez golos na Liga, oito dos quais nas nove partidas que leva a segunda volta do campeonato. É o valor mais elevado de um jogador de uma equipa recém-promovida desde que Ghilas marcou 13 golos pelo Moreirense em 2012/13, nem assim impedindo a equipa de Moreira de Cónegos de descer de divisão. Com a vitória, o Benfica voltou a assumir a liderança, que perdera momentaneamente no sábado, por via do sucesso do Sporting no Estoril. Os encarnados chegaram aos 64 pontos, apenas um a menos do que tinham na época anterior à passagem desta mesma 26ª jornada. Para se encontrar um Benfica com menos pontos após 26 jogos é preciso recuar a 2011/12, quando a equipa então liderada por Jorge Jesus chegou a esta ronda com apenas 59 pontos, acabando a época com 69, a seis pontos do FC Porto, que foi campeão.   Muito forte está o Benfica no plano atacante, pois os 70 golos que já marcou nas primeiras 26 jornadas só encontram paralelo recente na época de 2012/13, em que também chegou à 26ª ronda com o mesmo total de golos marcados. Na época passada somava 63 e há dois anos seguia com 52. Em 2012/13, porém, o Benfica nem foi campeão.   Muito fraca é a performance do Tondela, que segue com apenas 13 pontos após 26 jornadas. É a pior pontuação de uma equipa na Liga portuguesa a este ponto da competição desde 2007/08, quando a U. Leiria chegou à 26ª ronda com apenas 12 pontos – e acabou o campeonato com 13, em último lugar, a 12 pontos do penúltimo, que foi o Paços de Ferreira. Em toda a história da Liga portuguesa desde que a vitória vale três pontos, só mais três equipas chegaram aqui com tão poucos pontos: o Penafiel de 2005/06, que também tinha 12, o Estrela da Amadora de 2003/04, que tinha 13, e o Gil Vicente de 1996/97, que somava 12. Todos desceram de divisão em último lugar.  
2016-03-15
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A vitória do FC Porto sobre o U. Madeira (3-2) foi arrancada a ferros pelos dragões, com um golo de Corona perto do final, depois de terem permitido que os madeirenses recuperassem de 2-0 para 2-2. Foi o sétimo jogo de campeonato consecutivo do FC Porto a sofrer golos, que não deixa a baliza a zeros desde o 1-0 ao Marítimo, na estreia de José Peseiro. Desde aí, a equipa portista ganhou por 3-1 ao Estoril, perdeu por 2-1 com o Arouca, ganhou 2-1 ao Benfica, 3-2 ao Moreirense, 2-1 ao Belenenses, perdeu 3-1 com o Sp. Braga e agora bateu por 3-2 o U. Madeira. Para se encontrar uma série defensivamente tão negativa é preciso recuar a Março e Abril de 2007, quando os dragões estiveram as mesmas sete jornadas seguidas a sofrer golos: 2-1 ao Marítimo, 0-1 com o Sporting, 1-1 com o Benfica, 5-1 ao V. Setúbal, 2-1 à Académica, 3-1 ao Belenenses e 1-2 com o Boavista, antes de um 2-0 ao Nacional.   Corona, autor do golo decisivo, já não marcava desde 10 de Janeiro, na última jornada da primeira volta, quando esteve entre os goleadores dos 5-0 ao Boavista, no Bessa. Foi o oitavo golo do ala mexicano esta época, sendo que o FC Porto nunca perdeu com ele a marcar e o pior que lhe sucedeu foi empatar a duas bolas no terreno do Moreirense.   Aboubakar, que abriu o marcado no FC Porto-U. Madeira, voltou a marcar, exatamente um mês depois do seu último golo, que tinha sido obtido a 12 de Fevereiro, frente ao Benfica, na Luz. O golo ao U. Madeira foi o 17º desta época para o camaronês (12º na Liga, aos quais junta três na Liga dos Campeões, um na Taça de Portugal e outro na Taça da Liga), transformando a presente temporada na melhor da carreira do atacante camaronês, que nunca tinha feito mais que os 16 golos obtidos ao serviço do Lorient em 2013/14.   Esta foi apenas a terceira vez que o FC Porto de José Peseiro marcou o primeiro golo de um jogo, em oito jornadas de campeonato. Já o tinha conseguido no 1-0 ao Marítimo e no 2-1 ao Belenenses. Nos outros cinco jogos, começou sempre em desvantagem: no 3-1 ao Estoril, no 1-2 com o Arouca, no 2-1 ao Benfica, no 3-2 ao Moreirense e no 1-3 com o Sp. Braga.   Herrera autor do segundo golo do FC Porto, também marcou pela primeira vez desde o jogo com o Benfica, há exatamente um mês, a 12 de Fevereiro. O mexicano igualou o total de golos da época passada – sete – mas em menos 16 jogos – de 46 para 30. Os sete golos desta época foram todos na Liga portuguesa, enquanto que na temporada anterior o médio mexicano tinha conseguido quatro na Champions.   Danilo Dias, autor dos dois golos do U. Madeira, foi o autor de todos os golos da equipa insular desde a vitória por 3-0 sobre o Nacional, a 23 de Janeiro. Depois disso, já tinha sido ele a marcar na derrota em Guimarães (1-3) e no empate em casa com o Estoril (1-1).   Foi o terceiro jogo consecutivo de campeonato em que o FC Porto sofre dois golos no Dragão, pois antes tinha ganho por 3-2 ao Moreirense e perdido por 2-1 com o Arouca. Em três jogos, o FC Porto sofreu o dobro dos golos no Dragão que tinha sofrido nos dez anteriores (três, marcados por Paços de Ferreira, Académica e Rio Ave). E o dobro dos que ali sofreu em todo o campeonato passado (também três, dois do Benfica e um do Sp. Braga).   Contando todas as competições, o U. Madeira não ganha há sete jogos. A mais longa série de partidas sem vitória dos madeirenses teve início logo após a vitória sobre o Nacional, por 3-0, a 23 de Janeiro e engloba cinco derrotas (V. Guimarães, Moreirense, Arouca, Benfica e FC Porto) e dois empates (Estoril e Belenenses). O União, que esta época já tinha duas sequências de seis jogos sem ganhar, não deixava que elas se alargassem a um sétimo desde Março e Abril de 2013, quando esteve sem vencer entre a 31ª e a 37ª ronda da II Liga.   Com a vitória frente ao U. Madeira, o FC Porto chegou aos 58 pontos, menos quatro do que na época passada. Há dois anos, porém, os dragões estavam pior, com apenas 52 pontos, tendo acabado essa época no terceiro lugar. Já os 23 golos sofridos nas primeiras 26 jornadas de campeonato são um recorde negativo desde os 28 que a equipa de Otávio Machado e depois José Mourinho tinha encaixado em 2001/02.
2016-03-15
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Islam Slimani voltou a resolver um jogo do Sporting, marcando os dois golos dos leões na vitória (2-1) frente ao Estoril, na Amoreira. Com os dois golos de sábado, o argelino aumentou a sua conta de leão ao peito para 49, ultrapassando Acosta e Oceano, que concluíram as passagens por Alvalade com 48, e igualando Paulinho Cascavel, ainda que em menos sete jogos (de 101 para 108). À frente de Slimani, que é agora o 34º maior goleador da história do Sporting, estão agora Sá Pinto e Hugo, ambos com 50 golos marcados.   Slimani interrompeu, além disso, o seu maior jejum de golos desta época. Estava em branco há cinco jogos, pois após o bis frente ao Nacional, na Choupana, a 13 de Fevereiro, não marcou nos dois jogos com o Leverkusen (nos quais foi suplente utilizado), nem nas partidas com Boavista, V. Guimarães e Benfica. O argelino não passava cinco jogos seguidos sem marcar desde Dezembro de 2014, quando ficou em branco face a Boavista, Chelsea, Moreirense, Vizela e Nacional, interrompendo a série negra a 3 de Janeiro de 2015, com um golo ao… Estoril.   Os últimos seis golos de Slimani aconteceram fora de Alvalade e sempre aos pares. Depois de ter marcado no empate a duas bolas com o Tondela, no seu estádio, a 15 de Janeiro, o avançado do Sporting só festejou longe de casa, bisando contra o Paços de Ferreira, o Nacional e agora o Estoril.   Outro jogador com a pontaria afinada foi Leo Bonatini, que marcou o golo do Estoril, dando início ao período de reação da equipa da casa, a 11 minutos do final. O avançado brasileiro, que esta época já tinha marcado ao Benfica, mas que ficou em branco nas duas partidas contra o FC Porto, fez golo pela terceira jornada consecutiva, pois vinha de um hat-trick ao V. Setúbal e de um golo ao Rio Ave. Foi a primeira vez que Bonatini marcou em três jornadas seguidas do campeonato.   Rui Patrício, guarda-redes do Sporting, fez o 254º jogo na baliza dos leões a contar para a Liga, superando Azevedo, que atuou em 253 partidas de campeonato. O único guarda-redes com mais jogos na baliza leonina na principal prova nacional passa agora a ser Vítor Damas, que esteve em 332. Patrício precisará pelo menos de mais três épocas para o alcançar.   Bruno César, que até começou a época no Estoril e defrontou o Sporting no jogo da primeira volta com a camisola canarinha, somou a 50ª presença em jogos de campeonato, a oitava pelo Sporting. A estas oito, nas quais fez três golos, o brasileiro junta dez pelo Estoril (com um golo) e 32 no Benfica (com dez golos).   Bryan Ruiz, que fez o cruzamento para o segundo golo de Slimani, assinou a sétima assistência na Liga, não sendo, ainda assim, o melhor entre os leões neste capítulo. É que João Mário tem oito passes decisivos.   Ganhando ao Estoril, o Sporting chegou aos 62 pontos, ainda acima dos 56 que tinha à 26ª jornada da época passada ou dos 60 que somava na mesma fase da Liga de há dois anos. Esta ainda é a maior pontuação do Sporting em 26 jornadas desde que a vitória vale três pontos, superando os 61 feitos pela equipa de Fernando Santos em 2003/04. Para se encontrar melhor entre os leões há que recuar à formação que foi campeã nacional em 1979/80 e que chegou à 26ª jornada com 21 vitórias, três empates e duas derrotas, que pelas atuais regras de pontuação corresponderiam a 65 pontos.   Apesar do golo sofrido, os leões continuam a ter a melhor defesa do campeonato, com 16 golos sofridos. Esta é a melhor performance defensiva de uma equipa do Sporting desde 2006/07, quando os comandados de Paulo Bento chegaram à 26ª jornada com apenas 13 golos sofridos.
2016-03-15
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Que a SuperLiga vem aí, já toda a gente com olhos na cara percebeu há uns 25 anos. Tem a ver com a compreensão daquilo que é o futebol, mas também com a noção daquilo que é o Mundo, que se reflete sempre no futebol. As instâncias que governam o futebol têm vindo a dar pequenos passos numa direção que por vezes nem é a que mais lhes convém, porque perceberam que essa é a única forma de impedir as forças motrizes do negócio de dar o grande salto em frente. Mas chegará o momento em que as ligeiras travagens não são suficientes. E ele já não está muito longe, pelo que o que há a fazer não é tentar impedi-lo. É prepararmo-nos para ele. De preferência com a UEFA à cabeça – mas para isso, as federações que mais podem perder com isto têm de se mexer. E a portuguesa é uma delas. Quem me acordou para esta realidade foi Alex Fynn, em inícios da década de 90. Na altura um executivo de topo da Saatchi & Saatchi, o homem que primeiro defendeu a criação desta SuperLiga europeia explicou-me, a mim e a quem fez o favor de me ler, nas páginas do “Expresso”, as razões pelas quais a prova já estava ali ao virar da esquina. Se a melhoria dos transportes ferroviários e da rede de autoestradas nos permitiu passar dos campeonatos regionais aos nacionais e, depois, a evolução dos transportes aéreos permitiu a criação das competições europeias, a sua vulgarização levaria a que fosse possível jogar-se uma verdadeira Liga europeia. E Fynn falava muitos anos antes do fenómeno “low cost” na aviação e das implicações que ele trouxe para a mobilidade das pessoas em geral. Fynn não falava sem interesse – tinha feito um estudo encomendado por Silvio Berlusconi, na altura ainda apenas dono do Milan e de uma rede de media. Berlusconi tinha um clube e os meios de o rentabilizar e queria ver avanço no negócio. Porque para o Milan era mais atrativo jogar com o Manchester United do que com o Bari. Tal como agora para o Bayern é mais interessante defrontar o Barcelonado que o Hoffenheim. E é mais rentável. Sobretudo, é mais rentável. Por isso, se algo me surpreende, agora que recupero as notas dessa conversa com mais de 20 anos, é que a SuperLiga ainda não tenha arrancado. Não arrancou porque a UEFA tem andado sempre um passo à frente. Em 1992, para impedir o avanço da SuperLiga, criou a Liga dos Campeões, assegurando mais jogos a cada clube. Em 1998, quando se falou outra vez de secessão, aumentou para dois o número de vagas para cada um dos principais países. Em 2010, face a mais conversas, o total de vagas cresceu para quatro nos três primeiros países do ranking. Agora, que os cinco maiores clubes ingleses abriram conversações para jogarem partidas da Champions nos EUA ou no Oriente, não se vê o que mais pode a UEFA oferecer-lhes a não ser criar ela própria uma nova competição. E mesmo assim não é garantido que os clubes decidam ficar, pois o organismo que tutela o futebol europeu já não é um garante de legitimidade que era há 20 ou 30 anos, quando ainda não se falava de corrupção como se fala agora. Aqui chegados, a SuperLiga não é uma má ideia. Pelo contrário. É uma excelente ideia. O que nos trouxe a globalização, com a vulgarização das transmissões de futebol de todo o Mundo para todo o Mundo, é que as novas gerações de portugueses já sabem melhor como joga o Barcelona, o Real Madrid ou até o Leicester do que o Tondela, o Arouca ou o V. Setúbal. Podemos gostar ou não gostar – e a mim não me incomoda por aí além – mas não podemos mudar o Mundo de uma penada. E se o que as pessoas querem é grande futebol, pois que se lhes dê grande futebol. De preferência com a UEFA a mandar, porque essa, ainda assim, é a única forma de desviar alguma da receita para o desenvolvimento do futebol jovem e das federações menos ricas, de evitar, não que os ricos fiquem mais ricos, mas que os pobres fiquem mais pobres. Salvaguardados esses princípios de justiça relativa, é preciso depois pensar que SuperLiga se cria. Porque uma coisa é aquilo que é justo e outra é aquilo que é melhor para o negócio. O que é justo é pegar-se nas 20 melhores equipas da Europa (por exemplo os 16 apurados na fase de grupos de uma próxima Champions e os quatro semi-finalistas da Liga Europa do mesmo ano), criar para elas um escalão supra-nacional, acima dos campeonatos de cada país e das atuais provas europeias, com quatro despromoções e quatro subidas, a serem entregues aos finalistas das duas competições continentais de cada ano. Jogar-se-ia em 38 jornadas, ao fim-de-semana e, para não se esvaziar totalmente os campeonatos nacionais, os clubes da SuperLiga até poderiam participar neles com equipas B. O que é melhor para o negócio é fazer uma Liga fechada, tipo NBA, sem subidas nem descidas, com cinco equipas de Inglaterra, quatro da Alemanha, quatro de Espanha, quatro de Itália e dar as três vagas restantes ao Paris St. Germain, ao Mónaco e ao Zenit. Eventualmente, o Celtic, o Ajax, o Galatasaray, o Benfica ou o Shakthar Donetsk podiam tentar entrar, ainda que sem grandes hipóteses de sucesso. Portugal quer isto? Creio que não. Então mexam-se! In Diário de Notícias, 14.03.2016
2016-03-14
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Há um momento em “A vida de Brian”, a genial sátira à religião dos Monty Phytom, em que Graham Chapman, que passa a história a ser confundido com Jesus, vocifera: “Eu não sou o Messias! Podem por favor escutar-me? Eu não sou o Messias, compreendem? Honestamente!”. E logo uma rapariga na multidão clama: “Só o verdeiro Messias nega a Sua divindade”. Outro Bryan, este com y, o Ruiz, passou toda a época a ser confundido como a arma principal que inevitavelmente conduziria o Sporting ao título nacional de futebol, para em duas jornadas seguidas e decisivas, contra V. Guimarães e Benfica, falhar duas bolas de golo, de baliza aberta, já sem guarda-redes nem nada. Os dois falhanços fizeram a diferença entre os leões ficarem três pontos à frente do Benfica ou, como acontece neste momento, dois pontos atrás. E Rui Vitória, cujo apelido levou no início da época a tantas piadas sem a graça dos Phyton – “Tratem-me só por Rui, por favor!” – acabou por conseguir a vitória que mais interessava e que, a nove jornadas do fim da época, deixa o Benfica como principal favorito à conquista do título. No fim do dérbi de sábado, Jorge Jesus deixou que a frustração lhe tomasse conta do espírito e diminuiu de forma muito exagerada o mérito do Benfica na vitória de Alvalade. Dizer que “o Benfica ganhou aqui sem saber como” ou que aquele foi o Benfica “mais fraco” dos que esta época defrontou o Sporting é um erro de apreciação inaceitável para quem tem a experiência do treinador leonino. O Benfica de sábado foi mais forte que aquele que se apresentou receoso na Supertaça, que o que se mostrou desorientado na partida da Luz ou que o que se revelou impotente no jogo da Taça de Portugal, que também abriu com um golo no primeiro remate à baliza. Foi um Benfica defensivo? Foi. Mas foi um Benfica que, enquanto o jogo esteve a zero, mandou no jogo e obteve alguma supremacia territorial, abdicando depois de atacar quando se viu em vantagem. Podia ter perdido? Claro que sim. Mas isso não invalida que este tenha sido, isso sim, sem qualquer dúvida, o Sporting “mais fraco” dos quatro dérbis da época. Podia mesmo assim ter ganho? Claro que sim. Bastava que a bola que Jefferson mandou à barra tivesse entrado e que Bryan Ruiz não tivesse sido traído pela relva (que fez subir a bola) e pelo seu excesso de confiança no momento de concluir aquele cruzamento que o deixou a um par de metros da baliza, sem guarda-redes pela frente. Este não foi o Benfica mais fraco dos quatro dérbis. Foi o mais forte. Porque levou sempre o jogo para onde quis e quando quis. Porque, como é seu hábito – e isso é um elogio, não é uma crítica – foi uma equipa de golo fácil, que marcou na primeira vez que rematou. E porque, ao contrário do que aconteceu no jogo da Taça de Portugal em Alvalade, mesmo tendo abdicado da iniciativa quando se viu em vantagem, mesmo tendo baixado o bloco e colocado duas linhas à frente da sua área, mesmo tendo perdido o guarda-redes e um dos centrais titulares, não foi pisado pelos leões. Em contrapartida, o Sporting não mostrou a mesma capacidade para impor o seu jogo ofensivo aos encarnados. Porque nenhuma das três substituições feitas trouxe alguma coisa ao jogo. Porque há ali muita gente a render menos do que há uns meses: Slimani é disso o caso mais paradigmático, mas William (apesar da boa segunda parte, depois de 45 minutos muito fracos), Adrien ou o próprio Bruno César (que não tem o efeito no jogo que tinha Téo no Outono) também são bons exemplos. E francamente, com tanta poupança feita nas provas europeias, não se percebem as razões para a quebra de rendimento dos leões, sobretudo no plano ofensivo – três jogos a zero nos últimos cinco – levando a que as opções feitas na gestão do grupo e na sua recomposição no mercado de Janeiro devam ser avaliadas. O campeonato não ficou resolvido, mas teve mudança de favorito. Ao ganhar em Alvalade, ficando na frente e tendo o calendário mais fácil até final, o Benfica passou a ser a aposta mais segura para a conquista do título. Enquanto o Sporting ainda tem de se deslocar ao Dragão e a Braga (terceiro e quarto classificados) e, mais atrás na classificação, além do jogo com os leões, o FC Porto tem também deslocações complicadas pela frente, a Setúbal, Paços de Ferreira ou Vila do Conde, o Benfica joga cinco vezes em casa e, nas saídas, só Marítimo e Rio Ave parecem poder tirar-lhe pontos. O Sporting manteve a vantagem no confronto direto e provavelmente até poderá fazê-la valer… se ganhar todos os seus jogos. Mas para isso, Jesus, precisa de fazer valer o palmarés, de provar que não é um qualquer Brian, a cantar “Always looking on the bright side of life” enquanto os seus objetivos se esfumam.
2016-03-07
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Ao empatar a zero em Guimarães, com o Vitória, o Sporting fez a sétima partida da época sem marcar golos, quarta na Liga. Ao todo, no campeonato, os leões já ficaram em branco contra Boavista (0-0), U. Madeira (0-1), Rio Ave (0-0) e agora V. Guimarães (0-0), desafios aos quais há a somar ainda os zeros contra o Skenderbeu (0-3, na Liga Europa), Leverkusen (0-1, na Liga Europa) e Portimonense (0-2, na Taça da Liga).   Em todas as equipas da Liga, só duas têm menos jogos a zero do que o Sporting: o FC Porto, que não marcou em três das 24 jornadas, e o Rio Ave, que só ficou em branco duas vezes. O Benfica soma os mesmos quatro zeros do Sporting, sendo o U. Madeira (13 zeros) e o Boavista (14) as que mais vezes deixaram de fazer pelo menos um golo.   O Sporting já duplicou esta época o total de zeros no ataque que tinha tido na Liga anterior, na qual só não marcou golos nas derrotas em Guimarães (3-0) com o Vitória e no Dragão (3-0) com o FC Porto. Em 2013/14, época de Leonardo Jardim, chegou ao fim do campeonato com cinco zeros ofensivos: 0-0 com o Nacional em casa, 0-0 no Estoril, 0-0 com a Académica em Alvalade, 0-2 com o Benfica na Luz e 0-1 com o Estoril em Alvalade.   Em contrapartida, os leões estão a ter um excelente desempenho defensivo, pois vão na quarta jornada seguida sem sofrer golos: 0-0 com o Rio Ave, 4-0 ao Nacional, 2-0 ao Boavista e 0-0 com o V. Guimarães. São 392 minutos seguidos sem que Rui Patrício tenha de ir buscar a bola ao fundo das redes, o que o deixa a um jogo e 146 minutos da sua melhor série na corrente Liga, que são os 538 minutos seguidos sem sofrer golos, entre o tento de Josué (5-1 ao V. Guimarães) e o de Rafael Martins (3-1 ao Moreirense, a 13 de Dezembro). Pelo meio, o Sporting ganhou ao Benfica (3-0), ao Estoril (1-0), ao Arouca (1-0), ao Belenenses (1-0) e ao Marítimo (1-0).   Ao todo, os leões têm 13 jogos sem sofrer golos nesta Liga, o que já é um a mais do que em toda a Liga anterior, que terminaram com 12 balizas invioladas (em 34 jornadas). Estão a duas partidas com um zero nas redes de Rui Patrício de igualar os 15 zeros em 30 jornadas de 2013/14. E são a equipa que mais vezes deixou os adversários a zero na competição, acima dos 12 zeros da defesa do Sp. Braga e dos onze da defesa do Benfica.   Não espanta, por isso, que o Sporting tenha a defesa menos batida da Liga, com 14 golos sofridos, contra os 17 do Benfica. Os leões têm menos cinco golos sofridos do que à 24 ª jornada da época passada, mas estão ainda assim pior o que as melhores defesas desse campeonato, pois por esta altura o FC Porto tinha sofrido apenas dez golos e o Benfica onze. A defesa do Sporting está a repetir a performance de 2013/14, quando chegou à 24ª jornada com os mesmos 17 golos sofridos.   Diferentes são as contas dos pontos. Apesar de ter deixado dois pontos em Guimarães, o Sporting chega à 24ª jornada na liderança, com 59 pontos, mais nove do que há um ano, quando tinha 50, e mais cinco do que há dois anos. O Sporting tem, ainda assim, menos três pontos do que o líder da época passada, que era o Benfica de Jesus, com 62 pontos. Aliás, não se vê um campeão em Portugal com menos pontos à 24ª jornada desde 2011/12, quando o FC Porto de Vítor Pereira venceu a Liga e tinha apenas 57 pontos por esta altura.   Ainda assim, este continua a ser o melhor Sporting à 24ª jornada desde que a vitória passou a valer três pontos, superando os 55 pontos que tinha a equipa de Fernando Santos em 2003/04 e os 54 da formação de Leonardo Jardim em 2013/14. Mesmo as equipas que entretanto foram campeãs não estavam tão bem: em 2001/02, com Bölöni, o Sporting somava 53 pontos à 24ª jornada e em 1999/00, com Inácio, estava nos 52. Para se encontrar um Sporting mais forte, adaptando as regras de pontuação antigas às atuais, é preciso ir até 1979/80, quando os leões chegaram à 24ª jornada com 41 pontos que, com a vitória a três pontos, equivaleriam a 60.   O Sporting somou ainda o segundo jogo consecutivo sem ganhar, o que lhe aconteceu pela quinta vez esta época. Nas quatro anteriores reagiu sempre à terceira partida. Ganhou à Académica (3-1) depois de empatar com o Paços de Ferreira (1-1) e de perder com o CSKA (1-3); ganhou ao V. Guimarães (5-1) depois de empatar com Boavista (0-0) e Besiktas (1-1); ganhou ao Paços de Ferreira (3-1) após perder com Sp. Braga (3-4) e U. Madeira (0-1); e voltou a vencer o Paços de Ferreira (3-1) depois de empatar com o Tondela (2-2) e perder com o Portimonense. Agora, na sequência da derrota com o Leverkusen (1-3) e do empate em Guimarães com o Vitória, terá pela frente o Benfica.   O V. Guimarães, em contrapartida, vai em nove jogos seguidos sem perder, depois de ter sido batido em casa pelo Benfica, por 1-0, a 2 de Janeiro. Os últimos quatro foram empates (1-1 em Tondela, 2-2 em casa com o V. Setúbal, 3-3 em Braga e agora 0-0 com o Sporting), mas antes o Vitória tinha ganho ao U. Madeira (3-1), empatado com o Belenenses (3-3), batido o FC Porto (1-0), empatado com o Arouca (2-2) e vencido o Moreirense (4-3). Com estes nove jogos, Sérgio Conceição superou a melhor série dos anos de Rui Vitória à frente do clube, que foram os oito jogos seguidos sem perder entre Dezembro de 2012 e Fevereiro de 2013. Para se encontrar melhor no historial dos minhotos é preciso recuar ao período entre Janeiro e Outubro de 2007, quando estiveram 22 jogos sem conhecer a derrota (ainda que os primeiros 14 correspondessem à II Liga).
2016-03-01
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Jonas obteve, na vitória do Benfica frente ao U. Madeira (2-0) o 10º bis da época, depois de já ter marcado por duas vezes nos jogos com Estoril (4-0), Belenenses (6-0), Paços de Ferreira (3-0), Académica (3-0), Rio Ave (3-1), Marítimo (6-0), Moreirense (4-1) e Belenenses (5-0). Para se chegar aos dez jogos é preciso juntar um hat-trick, ao Nacional (4-1).   Com os dois golos ao U. Madeira, o brasileiro voltou a colocar-se no primeiro lugar da corrida à Bota de Ouro de 2016. Soma 26 golos no campeonato, prova onde marcou a todas as equipas menos cinco: Sporting, FC Porto, Sp. Braga, V. Guimarães e Boavista. Destas cinco, conseguiu na época passada marcar a Sp. Braga, V. Guimarães e Boavista, o que significa que em Portugal só Sporting e FC Porto não sabem ainda o que é sofrer um golo de Jonas.   Jonas soma estes 26 golos em 24 jornadas, produção muito melhor que a da época passada, na qual, é verdade, só começou a jogar à 7ª ronda. À 24ª jornada, Jonas tinha no ano passado apenas nove golos, tendo depois feito mais onze nas dez partidas que restaram até final da época. Há 14 anos que nenhum jogador tinha tantos golos marcados à 24ª jornada da Liga portuguesa. O último foi Jardel, que em 2001/02 chegou a este ponto com 28 golos marcados.   Além disso, Jonas igualou o melhor marcador do Benfica num campeonato deste século, que foi Oscar Cardozo, autor de 26 golos nas 30 rondas de 2009/10. Basta-lhe fazer mais um para se isolar nesta tabela e continuar a perseguir Mats Magnusson, que acabou as 34 jornadas de 1989/90 com 33 golos.   Contabilizando todas as provas, Jonas marcou golos pela terceira partida consecutiva, depois de já ter feito o golo da vitória sobre o Zenit (1-0) e de ter marcado um na vitória em Paços de Ferreira (3-1). Foi a primeira vez que o brasileiro marcou em três jogos consecutivos nesta época, sendo que na anterior tem duas séries de quatro jogos seguidos a marcar.   Quem ficou em branco foi o grego Mitroglou, que assim parou a sua série de jornadas de Liga sempre a marcar nas sete. Tinha marcado ao Nacional (4-1), ao Estoril (2-1), ao Arouca (3-1), ao Moreirense (4-1), ao Belenenses (5-0), ao FC Porto (2-1) e ao Paços de Ferreira (3-1), antes de voltar aos zeros frente ao U. Madeira. Igualou um registo que ninguém conseguia obter desde Jackson Martínez, que marcou sempre entre a segunda e a oitava jornada de 2012/13.   Vinte jogos depois, Renato Sanches falhou um jogo do Benfica. Rui Vitória poupou o médio, que tem quatro amarelos na Liga e por isso corria o risco de ficar suspenso para o jogo com o Sporting, na 25ª jornada. Renato vinha com 20 jogos seguidos sempre a jogar, 18 como titular e dois como suplente utilizado (ambos na Taça da Liga), sendo que não ficava a ver os companheiros jogar precisamente desde a última visita a Alvalade, a derrota (1-2, após prolongamento) para a Taça de Portugal.   O U. Madeira somou a terceira derrota consecutiva fora de casa, depois de perder em Guimarães (1-3 com o Vitória) e em Arouca (0-3). Nas últimas sete deslocações, perdeu seis: todas menos o jogo com o Marítimo, que ganhou por 1-0, mas para o qual não teve de sair da Madeira.   Ganhando ao U. Madeira, o Benfica chega à 24ª jornada com 58 pontos, menos quatro do que na época passada com igual número de partidas jogadas. Apesar de estar apenas a um ponto da liderança, é o Benfica com menos pontos desde 2011/12, quando chegou à 24ª ronda com 56 pontos, a dois do líder, que era o Sp. Braga – e acabou a Liga em segundo lugar, com 69, a seis do FC Porto. Não se vê um campeão com tão poucos pontos desde essa mesma época, pois o FC Porto, que acabou na frente, com 75 pontos, tinha apenas 57 à 24ª jornada.   Os dois golos que os encrnados marcaram ao U. Madeira chegam para que a equipa de Rui Vitória se mantenha como melhor ataque da competição, com 65 golos marcados, mas 16 do que o segundo melhor ataque, que é o do Sporting (tem 49). Mas já deixou de ser preciso ir tão atrás para se encontrar um Benfica tão concretizador como este: esta equipa tem mais cinco golos do que na época passada (somava 60 à 24ª jornada), mas menos um do que em 2012/13 (estava nos 66 após 24 jogos).
2016-03-01
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Cristiano Ronaldo não tem que saber de jornalismo e por isso até pode queixar-se do tratamento que os jornalistas espanhóis lhe têm dado. É verdade que ao CR7 lhe tem bastado aquilo que sabe de futebol, que é muito, sobretudo por ele ter a capacidade tão rara de o pôr em prática. Mas não tem havido muitas situações melhores do que esta para aplicar a velha máxima de Manuel Sérgio, segundo a qual “quem só sabe de futebol, nem de futebol sabe”. E, descontando o desconforto que mostrou com a exigência sempre nos píncaros com que os media espanhóis lhe sobrecarregam os ombros, Cristiano tinha a obrigação de saber mais do que a melhor forma de meter um remate cruzado ao ângulo. Tinha de saber que a exigência, que é algo fundamental em qualquer equipa que quer ser grande, tem locais para ser colocada. Os jornalistas colocam-na nos jornais, os jogadores de futebol nos balneários. Primeiro, o jornalismo. Aqui há uns anos, quiseram convencer-me que o jornalismo desportivo era o palco do domínio inevitável do emocional sobre o racional. Nunca o aceitei. Em Espanha, contudo, é assim que o negócio está montado, até na forma como os jornais cavalgam o sucesso dos clubes que estão no mesmo lado do que eles e descobrem os podres aos que estão do outro lado. Quando Cristiano é bom, é o melhor; quando é menos bom – porque não me lembro de alguma vez o ter visto ser mau num campo de futebol – é o pior. Se aqui, à distância, qualquer um já se apercebeu disso, é evidente que Cristiano, que é quem há anos deve ter momentos de deleite narcísico a olhar para umas manchetes e outros de pura raiva a contemplar outras, não pode ter tido agora uma epifania. Percebo mal, por isso, que aquele que é um dos dois melhores jogadores do Mundo há várias épocas venha queixar-se da injustiça dos jornalistas espanhóis. São injustos? Claro que são injustos. Sempre o foram. Para o bem e para o mal, em toda a carreira de Cristiano Ronaldo, desde que ele chegou ao Real Madrid. São excessivamente bajuladores numas alturas e demasiado críticos noutras. É normal, portanto, que perante o fracasso que está a ser a época do Real Madrid os media se virem para Cristiano Ronaldo. Ele segue com 34 golos em 33 jogos feitos esta época e por isso se sai com aquela frase que pretende ser deinitiva: “Olhem para as estatísticas!”. OK. Olhemos então para as estatísticas. Na época passada, Ronaldo seguia em finais de Fevereiro com 38 golos em 35 jogos, números que eram apenas ligeiramente melhores que os atuais. Mas só tinha ficado em branco onze vezes (31,4%), ao passo que este ano não marcou em 16 ocasiões (48,4%). E nessas o Real Madrid empatou seis e perdeu quatro. É a olhar para as estatísticas que se conclui que, se há uma época Cristiano não marcara golos num terço das partidas, esta época ficou a seco em metade. Claro que segue com uma média excelente, que qualquer clube daria tudo o que tem por um avançado que tem mais golos do que jogos, mas a verdade é que deixou de levantar sozinho a equipa quando esta se mostra incapaz de ganhar por outros meios. A culpa é dele? Claro que não. Nisso, tem razão Cristiano: a única culpa que ele tem aqui é a de ter feito ganhadora uma equipa que valeu sempre menos do que aquilo que parecia. E, agora, a de se ter expressado de forma inapropriada, ou pelo menos num local inapropriado, acerca dessa evidência. Cristiano tem razão em ser exigente com os colegas. Tem essa obrigação, aliás. Mas tal como teve razão nas críticas à valia geral da seleção portuguesa antes do Mundial 2014 e escolheu mal o timing e sobretudo a forma de as expressar, voltou agora a cometer o mesmo erro. “Se todos estivessem ao meu nível seríamos primeiros”, disse, na zona mista após a frustrante derrota em casa com o Atlético. Mais uma evidência, que não precisava que o CR7 viesse depois fazer o esclarecimento que fez, alegando que se referia a “nível físico” e não a “qualidade” de jogo. Como? Deixando de parte o facto de ninguém se expressar assim, de ninguém dizer “se todos estivessem ao meu nível” em vez de “se todos estivessem aptos”, este é um discurso que Ronaldo pode ter em todos os locais menos à frente dos jornalistas. Pode dizer a Florentino que contratou um treinador que era um problema (Rafa Benítez) e que mais tarde ou mais cedo isto aconteceria. Ou que a pré-época foi catastrófica e redundou na quantidade absolutamente irreal de lesões, que tem mantido a equipa amputada de alguns dos seus melhores elementos. Pode dizer a Zidane que, de Kroos a James, com passagem por Danilo, Mayoral e Isco, houve muitos erros defensivos acumulados a contribuir para o golo com que Griezmann derrotou o Real Madrid. Mas quando escolhe dizê-lo na zona mista, o mínimo que pode ouvir é que está a abrir a porta de saída do clube. E não, isto não é uma perseguição. In Diário de Notícias, 29.02.2016
2016-02-29
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O FC Porto ganhou ao Belenenses, por 2-1, no Restelo, obtendo a terceira vitória seguida na Liga em jogos fora de casa, pois vinha de sucessos ante o Estoril (3-1) e o Benfica (2-1). É a segunda série da três vitórias fora esta temporada, pois já em Novembro e Dezembro a equipa azul e branca tinha batido Tondela (1-0), U. Madeira (4-0) e Nacional (2-1).   Esta foi também a terceira vitória seguida dos dragões na zona de Lisboa, onde antes do sucesso no Estoril já não ganhavam há mais de três anos. De repente, ganharam no Estoril (3-1), na Luz ao Benfica (2-1) e agora no Restelo ao Belenenses (2-1).   O Belenenses, em contrapartida, sofreu a terceira derrota consecutiva no Restelo: 0-5 com o Benfica, 0-2 com o Arouca e agora 1-2 com o FC Porto. A equipa de Julio Velásquez não ganha em casa em jogos da Liga desde 21 de Dezembro, quando ali bateu o Boavista, por 1-0, tendo entretanto empatado com o Nacional (2-2) e o V. Guimarães (3-3) e perdido os referidos jogos com Benfica, Arouca e FC Porto. Igualou a série de cinco jogos sem ganhar no Restelo que tinha feito entre o final da época passada e o início da atual (0-2 com o Benfica, 1-3 com o Rio Ave, 1-1 com o FC Porto, 3-3 com o Rio Ave e 1-1 com o Marítimo). Mas para se encontrarem três derrotas seguidas em casa é preciso recuar ao período entre Janeiro e Março de 2010, quando cinco derrotas consecutivas no Restelo atiraram com a equipa para a II Liga.   Foi o sexto jogo consecutivo do FC Porto a sofrer golos, que não mantém a baliza a zeros desde os 3-0 ao Gil Vicente, a 3 de Fevereiro: 1-2 com o Arouca, 2-1 ao Benfica, 0-2 com o Borussia Dortmund, 3-2 ao Moreirense, 0-1 na segunda mão com o Borussia Dortmund, 3-2 ao Moreirense e agora 2-1 ao Belenenses. Os dragões ultrapassaram as duas piores sequências da época passada, ambas de cinco golos seguidos a sofrer golos, a primeira entre 26 de Setembro de 2014 e 21 de Outubro de 2014 e a segunda entre 13 e 28 de Janeiro de 2015. Para se encontrarem seis jogos seguidos do FC Porto a sofrer golos é preciso recuar ao período pré-Lopetegui, aos jogos entre 16 de Fevereiro e 9 de Março de 2014.   Contabilizando apenas a Liga, a última equipa a não marcar ao FC Porto foi o Marítimo, que a 24 de Janeiro perdeu no Dragão por 1-0. Depois disso, Estoril (3-1), Arouca (1-2), Benfica (2-1), Moreirense (3-2) e Belenenses (2-1) fizeram todos golos a Casillas. Esta é a segunda vez esta época que os dragões sofrem golos em cinco jornadas seguidas, pois já lhes tinha acontecido entre 5 de Dezembro e 6 de Janeiro, quando defrontaram Paços de Ferreira (2-1), Nacional (2-1), Académica (3-1), Sporting (0-2) e Rio Ave (1-1).   Brahimi fez o sétimo golo da época, o quinto seguido fora de casa, depois de marcar a Tondela, U. Madeira, Nacional e Boavista. Marcou também pela segunda vez consecutiva ao Belenenses, pois já tinha estado entre os goleadores nos 4-0 no Dragão, na primeira volta.   Em contrapartida, Juanto Ortuño marcou pela quarta vez desde que chegou ao Belenenses, vindo do Llagostera, no mercado de Janeiro, e todas foram no Restelo. O espanhol já tinha marcado no empate (3-3) com o V. Guimarães e na vitória (4-0) frente ao Leixões, na Taça da Liga.   Tonel fez o primeiro autogolo desde o seu jogo de estreia na I Divisão, a 31 de Agosto de 2002. Na altura jogava na Académica e o beneficiado foi o Sporting, num jogo na Figueira da Foz que acabou com vitória dos leões por 2-0.   Foi o segundo autogolo de que o FC Porto beneficiou esta época. Ainda que no relatório desse jogo o árbitro tenha atribuído o golo a André André, o anterior tinha sido marcado por Salin, no Dragão, no desafio em que os dragões venceram o Marítimo por 1-0. Antes disso, o FC Porto não beneficiava de um autogolo na Liga desde que tinha empatado a uma bola com o Sporting em Alvalade, a 26 de Setembro de 2014, graças a um golo na própria baliza de Sarr.   Com a vitória no Restelo, o FC Porto chegou aos 55 pontos, menos três do que os que tinha em 24 jornadas em 2014/15, mas mais seis do que aqueles que contava em 2013/14. Nessas duas épocas, no entanto, os dragões não foram campeões. Para se encontrar um FC Porto campeão com menos pontos do que este há que recuar a 2008/09, quando a equipa de Jesualdo Ferreira chegou à 24ª ronda com 54 pontos e mesmo assim foi campeã, fazendo mais 16 (cinco vitórias e um empate) nas que faltavam até final. A diferença é que, mesmo com 54 pontos, esse FC Porto liderava a prova com quatro pontos de avanço do segundo, que era o Sporting.   O Belenenses continua a ter a pior defesa do campeonato, com 52 golos sofridos em 24 jornadas. Há doze anos que não se via uma equipa tão permeável na Liga portuguesa: a última a chegar à 24ª partida com tantos golos sofridos foi o E. Amadora de 2003/04 (exatamente os mesmos 52 golos em 24 jogos, mas apenas 13 pontos e um último lugar, face aos 28 que deixam os azuis a meio da tabela). 
2016-02-29
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A vitória do Sporting, em Alvalade, frente ao Boavista, por 2-0, pôs termo a uma sequência de dois jogos seguidos dos leões sem marcar golos em casa (0-0 com o Rio Ave e 0-1 com o Leverkusen) e interrompeu aos 365’ a série de minutos sem sofrer golos na Liga do guardião boavisteiro Mika. O último a bater Mika tinha sido Nathan Júnior, do Tondela, de penalti, aos 32 minutos do jogo de 25 de Janeiro. Desde então até ao golo obtido por Ewerton, num canto, aos 37 minutos do jogo contra o Sporting, o Boavista tinha mantido a baliza fechada face a Sp. Braga (0-0), P. Ferreira (1-0) e Académica (0-0).   Rui Patrício substituiu agora Mika como o guarda-redes há mais tempo sem sofrer golos na Liga: são já 302 minutos de inviolabilidade desde um lance que também envolveu Ewerton, que tocou na bola na tentativa de cortar o remate: o segundo golo da Académica em Alvalade, aos 58 minutos de um jogo que os leões acabaram por ganhar por 3-2, no dia 30 de Janeiro. Desde então, o Sporting não sofreu mais golos na Liga, empatando a zero com o Rio Ave e ganhando a Nacional (4-0) e Boavista (2-0).   Ewerton marcou o primeiro golo da época e o terceiro com a camisola do Sporting. Não marcava desde 10 de Maio, quando fez o tento do empate leonino frente ao Estoril (1-1), também com um cabeceamento na sequência de uma bola parada, na ocasião um livre lateral. Aliás, todos os golos (foram três) de Ewerton pelo Sporting foram de cabeça e nasceram em bolas paradas, como é normal num defesa-central: o primeiro, em Abril, a dar uma vitória sobre o Nacional (1-0), na Taça de Portugal, também saiu de um livre lateral, batido por Jefferson.   Ruiz, por sua vez, fez o oitavo golo da época e terceiro na Liga portuguesa. Dos oito, este foi o primeiro de livre direto. Aliás, o Sporting ainda não tinha marcado de livre direto esta época: a única situação em que esteve próximo disso foi no jogo com o V. Guimarães, em que Adrien marcou de livre, mas após um pequeno toque de Jefferson.   Além de marcar o segundo golo, Ruiz assistiu Ewerton no lance do primeiro. Foi a terceira vez esta época que o costa-riquenho conseguiu marcar e assistir no mesmo jogo: tal já lhe tinha sucedido contra o Besiktas (marcou e assistiu Slimani nos 3-1 de Alvalade) e contra o Sp. Braga (também marcou e assistiu o argelino nos 3-4 da Pedreira).   Jorge Jesus obteve a 250ª vitória como treinador na Liga portuguesa. Fê-lo em 475 jogos, dos quais ganhou 250, empatou 112 e perdeu 113. A primeira destas 250 vitórias já tem mais de 20 anos: conseguiu-a a 27 de Agosto de 1995, num Marítimo-Felgueiras que os nortenhos venceram por 2-0.   Ao manter a baliza a zeros, o Sporting destacou-se ainda mais como melhor defesa do campeonato. Tem agora 14 golos sofridos em 23 jornadas contra o 17 de Benfica e FC Porto. Os leões não têm uma defesa tão sólida como tinham as duas menos batidas por esta altura da época passada – Benfica e FC Porto tinham sofrido apenas 10 golos nas primeiras 23 partidas de 2014/15 – mas têm a melhor marca do clube desde 2008/09, quando a equipa de Paulo Bento aqui chegou com os mesmos 14 golos encaixados.   Os 58 pontos que o Sporting soma à 23 ª jornada estão na linha daquilo que Jorge Jesus vinha conseguindo fazer no Benfica nas últimas épocas: tinha 59 na época passada e 58 há dois anos, na época que deu início ao bicampeonato. São, ainda assim, a melhor marca do Sporting desde que a vitória vale três pontos. E mesmo aplicando as atuais regras de pontuação a Ligas mais antigas, só em 1969/70 a equipa estava tão bem: tinha as mesmas 18 vitórias, quatro empates e uma derrota, com a diferença de que já era virtual campeã, pois a Liga tinha apenas 26 jornadas, e os segundos, V. Setúbal e Benfica, estavam bem longe.
2016-02-23
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A vitória do FC Porto frente ao Moreirense foi a terceira reviravolta dos dragões em oito jogos desde a chegada de José Peseiro: antes de virar este jogo de 0-2 para 3-2, o FC Porto já tinha ganho depois de começar a perder frente ao Estoril (fora, de 0-1 para 3-1) e ao Benfica (fora, de 0-1 para 2-1). Em ano e meio com Julen Lopetegui, só por uma vez a equipa azul e branca virou um resultado. Foi esta época, contra o Paços de Ferreira, no Dragão: esteve a perder por 1-0 e ganhou por 2-1.   A reviravolta contra o Moreirense teve ainda outra particularidade: foi a primeira que o FC Porto conseguiu na Liga depois de estar a perder por dois golos de diferença desde 1976. Agora, partiu de um 0-2 para acabar por ganhar por 3-2, da mesma forma que em Maio de 1976, na jornada de encerramento do campeonato – que o Benfica ganhou – virou o jogo frente aos encarnados na Luz. Toni e Vítor Batista tinham colocado o Benfica a ganhar por 2-0 à meia-hora, mas na segunda parte os suplentes Ademir e Júlio (este bisou) fizeram o 3-2 final.   A razão primeira para o FC Porto estar a virar resultados é que sofre golos cedo nos jogos. Nos oito jogos com Peseiro aos comandos, o FC Porto só não sofreu golos por duas vezes – Marítimo, em casa, na Liga, e Gil Vicente, fora, na Taça de Portugal. Nos seis em que sofreu golos, esteve sempre em desvantagem. Ganhou três (Estoril, Benfica e Moreirense) e perdeu os outros três (Feirense, Arouca e Borussia Dortmund).   Ao fazer dois golos no Dragão, o Moreirense alargou para onze o total de jogos em que faz golos fora de casa. Todos desde a derrota por 2-0 frente ao Belenenses, no Restelo, a 21 de Setembro. É a maior série do clube de Moreira de Cónegos se contarmos apenas as épocas em que esteve na I Divisão. E supera os dez jogos que conseguira entre Março e Setembro de 1997, entre a II Divisão de Honra e a Taça de Portugal dessas duas épocas.   Iuri Medeiros, autor do primeiro golo do Moreirense ao FC Porto, já tinha marcado aos dragões na primeira volta (2-2) e ao Benfica nos dois jogos contra os encarnados em casa (1-6 na Taça da Liga e 1-4 na Liga). Como não joga contra o Sporting, por ser emprestado pelos leões, vai com quatro jogos seguidos a marcar aos grandes, desde que ficou em branco na derrota por 3-2 frente ao Benfica na Luz, em Agosto.   Fábio Espinho, autor do segundo golo do Moreirense, marcou pela primeira vez na Liga portuguesa desde Maio de 2013, antes de trocar os cónegos pelo Ludogorets. Na altura marcou ao Sp. Braga, mas o Moreirense também acabou por perder esse jogo por 3-2.   Layun voltou a fazer um golo e uma assistência num jogo do FC Porto, repetindo o que conseguira frente ao V. Setúbal, partida na qual assistiu Aboubakar para o primeiro e marcou ele próprio o segundo tento de uma vitória por 2-0. Com o cruzamento para o golo de Suk, o mexicano ganhou ainda mais vantagem sobre os benfiquistas Gaitán e Jonas na lista dos melhores assistentes da Liga: tem agora 15 passes para golo, contra nove dos rivais.   Suk marcou o segundo golo com a camisola do FC Porto, mas o primeiro na Liga, uma vez que se estreara a marcar na Taça de Portugal, contra o Gil Vicente. Nos quatro jogos em que foi titular, só não marcou ao Feirense e ao Famalicão, na Taça da Liga, nas primeiras vezes que começou de início pelos dragões, que nessas noites apresentaram equipas alternativas.   Evandro, que fez o golo da vitória do FC Porto, ainda não tinha marcado esta época. O último golo fizera-o na Taça da Liga, a 2 de Abril do ano passado, na noite em que o FC Porto foi eliminado pelo Marítimo (1-2, nos Barreiros). Na Liga não marcava há mais de um ano, desde 10 de Janeiro de 2015, quando saiu do banco a 20 minutos do fim e estabeleceu o 3-0 final ao Belenenses já em período de descontos.   Os 52 pontos que o FC Porto passou a somar após 23 jornadas são o pior pecúlio acumulado pelos portistas nesta ronda do campeonato desde 2013/14, quando aqui chegaram com apenas 46. Mas nesse ano não foram campeões. Para encontrar um FC Porto campeão com tão poucos pontos à 23ª jornada há que recuar até 2008/09, quando a equipa de Jesualdo Ferreira somava apenas 51… mas mesmo assim liderava, com quatro pontos de avanço do Sporting.
2016-02-23
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Alguns amigos, tanto de direita como de esquerda, têm comentado comigo a preocupação que lhes cresce na alma perante a possibilidade cada vez mais iminente de Donald Trump vir a ser presidente dos Estados Unidos. O que lhes digo sempre é que isso não me surpreende, porque o estado do Mundo é um convite à intolerância, ao radicalismo, ao soundbyte que deles se alimenta. E não é só na política. Fruto daquilo em que se transformaram os media, da amplificação da opinião do “idiota da aldeia” que trouxeram as redes sociais, o futebol português está cheio de radicais encartados, de gente cuja única missão é sobrepor as suas cores às de todos os outros, nem que para isso seja preciso atropelar todas as regras do bom-senso, da educação ou da ética. Um fim-de-semana como o que acaba de viver a Liga portuguesa, com penaltis polémicos e discutíveis, é o combustível destes Donald Trumps dos relvados, desta gente para quem mais importante do que ganhar ou perder é garantir que o rival teve ajudas. Passei boa parte do fim-de-semana a responder a esta legião de radicais, a adeptos que repetem até à exaustão as mesmas expressões – “jornaleiro”, “cobarde”, “burro”, “faccioso”, “invertebrado”, “azia”, “tira as palas”, despe a camisola”, “se falas acabam-se os tachos”… – e que me acusam de ser sempre adepto ou de estar a ser pago por um clube que não o deles. Seja o deles qual for. Aliás, já me aconteceu ser acusado por leitores diferentes de estar ao serviço de cada um dos três grandes e contra cada um os três grandes por causa de um só texto. Na parte que me sobrou do fim-de-semana, achei que precisava de me reconciliar com a profissão e foi ver “Spotlight”, um excelente filme acerca de jornalismo como ele deve ser e que recomendo sem reservas a todos os talibans da bola nacional. Sei que as realidades não têm comparação, que uma coisa é falar-se de penaltis e outra denunciar o crime mais hediondo que possamos imaginar, que é o crime de pedofilia, mas acreditem que, com mais ou menos tempo – a investigação acerca da pedofilia na igreja em Boston levou meses de dedicação total e só foi denunciada com provas irrefutáveis – e com mais ou menos meios, os jornalistas são e querem ser sempre jornalistas. E, dentro da responsabilidade ética e moral da profissão, o que querem é revelar a verdade e denunciar quem a não respeita. Simplesmente, se Trump acha que consegue resolver o problema da criminalidade nos Estados Unidos impedindo a entrada de imigrantes mexicanos, os radicais do futebol português acham sempre que o futebol seria uma limpeza se os jornalistas se comportassem como os comentadores engajados que aparecem nos programas de segunda-feira a gritar penalti sempre que é um jogador deles que cai e a assobiar para o ar quando quem se estatela é um dos rivais. Nunca escolhi, nem escolherei esse caminho. Porque não creio que a minha opinião em lances polémicos seja palavra de lei. Porque acredito no erro – e tenho visto os mesmos árbitros errar para todos os lados. Porque ainda estou para ver uma discussão acerca de arbitragem mantida no plano racional e de urbanidade no qual me reveja. E porque, francamente, muito mais interessante do que discutir penaltis é perceber que o Paços de Ferreira encontrou espaço para jogar entre as linhas do Benfica porque, desgastada, a equipa de Rui Vitória não foi tão compacta como costuma ser. Ou explicar que os problemas defensivos do FC Porto têm a ver com o deficiente controlo da profundidade defensiva ou com o espaço que a equipa deixa criar entre central e lateral quando o adversário cruza referências à sua frente. Assim será até que, tal como em “Spotlight”, a história não seja ir atrás de um penalti, não seja dar a minha irrelevante opinião acerca de um lance, mas sim denunciar todo um sistema. Até perceber que há uma teia a manobrar para favorecer um clube – os do Benfica dizem que é o Sporting, os do Sporting dizem que é o Benfica, ambos concordam que há uns anos era o FC Porto e os do FC Porto dizem agora que quem é favorecido são os de Lisboa – vou continuar a ver e interpretar futebol sem me focar nos árbitros. Da mesma forma que os religiosos falam com Deus sem precisar da intermediação dos padres. In Diário de Notícias, 22.02.2016
2016-02-22
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Kostas Mitroglou marcou, na vitória do Benfica sobre o Paços de Ferreira (3-1), pela sétima jornada consecutiva da Liga. Já tinha feito golos nas partidas frente ao Nacional (4-1), Estoril (2-1), Arouca (3-1), Moreirense (4-1), Belenenses (5-0) e FC Porto (1-2), pelo que o golo inaugural da partida em Paços de Ferreira significou que melhorou o máximo (que já lhe pertencia) na Liga de 2015/16, igualando um registo que ninguém obtinha desde Jackson Martínez. O colombiano do FC Porto tinha feito oito golos em sete jogos seguidos, entre a 2ª e a 8ª jornadas da Liga de 2012/13.   O Benfica obteve a oitava vitória seguida fora de casa, pois ganhou todas as deslocações (em todas as provas) desde o empate a zero na Choupana, contra o U. Madeira, a 15 de Dezembro. Pelo caminho ficaram V. Guimarães (1-0), Nacional (4-1), Estoril (2-1), Oriental (1-0), Moreirense (6-1 e 4-1) e Belenenses (5-0). Os encarnados não conseguiam uma série de deslocações tão boa desde 2010/11, quando ganharam nove deslocações consecutivas após a derrota frente ao Hapoel Tel-Aviv (3-0): 3-1 ao Beira Mar, 3-0 à U. Leiria, 1-0 à Académica, 2-0 ao Rio Ave, 4-0 ao Aves, 2-0 ao FC Porto, 2-0 ao V. Setúbal, 2-0 ao Sporting e 2-0 ao Stuttgart. Essa série foi interrompida a 6 de Março de 2011, com uma derrota em Braga, por 2-1.   O Paços de Ferreira, por sua vez, vem com oito jogos seguidos sem ganhar, quatro deles em casa. A última vitória da equipa de Jorge Simão aconteceu a 11 de Janeiro, frente ao V. Setúbal, por 2-1. Desde aí, empatou fora com Académica e Arouca (ambos 1-1), perdeu em casa com o Sporting (1-3) e o Portimonense (2-3), empatou fora com o Arouca (2-2), perdeu em casa com o Boavista (1-0), empatou no terreno do Rio Ave (1-1) e foi agora batido pelo Benfica (1-3). É a pior sequência de resultados do Paços desde os nove jogos seguidos sem ganhar, entre o 1-0 ao Belenenses (a 24 de Novembro de 2013) e o 2-1 ao Sp. Covilhã (a 15 de Janeiro de 2014).   Jonas fez o 50º jogo na Liga portuguesa e assinalou-o com um golo (o seu 44º na prova) de penalti. Foi o sexto penalti de que o Benfica beneficiou na presente Liga, o que deixa os encarnados apenas atrás dos dez de Paços de Ferreira e Sporting. Em contrapartida, os leões já tiveram quatro contra, os pacenses sofreram neste jogo o segundo e os encarnados ainda não foram punidos com nenhum.   O golão de Diogo Jota foi o nono que o jovem pacense fez esta época (sétimo na Liga), mas apenas o terceiro nos jogos em casa. Antes, Jota só tinha marcado no Capital do Móvel a Estoril e U. Madeira, em dois jogos que o Paços de Ferreira tinha ganho. Aliás, dos 13 golos que Jota já marcou como sénior, este foi o primeiro que não impediu a derrota do Paços. Até aqui, sempre que ele marcou, o Paços de Ferreira só não tinha ganho um jogo: o empate a uma bola com a Académica.   LIndelof fez o seu primeiro golo pelo Benfica – já tinha marcado na equipa B – e na Liga. O último golo do sueco tinha sido a 10 de Abril de 2015, num empate a duas bolas entre o Benfica B e o Chaves.   O Benfica continua a ter o ataque mais realizador da Liga, agora com 63 golos em 23 jornadas. É a maior produtividade atacante de uma equipa do Benfica no campeonato desde 1983/84, quando a formação liderada por Sven-Goran Eriksson chegou à 23ª jornada com mais nove golos: 72. Nessa época, o Benfica foi campeão, com 86 golos em 30 jornadas.   Com a vitória, o Benfica passa a somar 55 pontos, o pior pecúlio dos encarnados em 23 jornadas desde 2010/11, o ano de ressaca do primeiro título nacional com Jesus. Nessa época, em que o campeão foi o FC Porto de Villas-Boas, o Benfica somava 52 pontos à 23ª jornada. Desde aí, tinha estes mesmos 55 em 2011/12 (FC Porto foi bicampeão), 61 em 2012/13 (FC Porto foi tricampeão), 58 em 2013/14 (campeonato para o Benfica) e 59 na época passada (a do bicampeonato).   Eliseu fez o seu 100º jogo na Liga, o 48º com a camisola do Benfica – sendo que os outros 52 foram ao serviço do Belenenses, equipa pela qual se estreou, lançado por Manuel José, a 1 de Junho de 2003. Viu o quinto cartão amarelo da presente Liga, o que teve como consequência que estará suspenso na partida que aí vem, frente ao U. Madeira, mas limpa o cadastro e poderá estar no jogo com o Sporting.
2016-02-21
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Não há grandes equipas sem grandes defesas-centrais. Ou pelo menos é o que passamos a vida a ouvir dizer. Que o talento desequilibra mas nenhuma equipa ganha se não estiver construída em torno de um pilar que lhe dê estabilidade. É pensarmos nas grandes equipas da história, na enorme importância que tinham os jogadores encarregues de impedir o adversário de finalizar em boas condições. Todos têm duas coisas em comum: são super-valorizados pelos jornalistas que cobrem os acontecimentos e pelos treinadores que os comandam; e são depois esquecidos na atribuição dos prémios para os melhores jogadores do ano e apagados pela espuma dos anos que passam, que só eterniza o talento puro. Será que não são assim tão importantes? Olhemos para o campeonato português e para os seus três candidatos ao título. Ao Sporting, diz-se desde o início, falta um defesa-central que seja ao mesmo tempo experiente, forte fisicamente e competente. O Benfica tinha Luisão, mas perdeu-o há meses e tem vivido tão bem sem ele que já deve haver quem se atreva a duvidar que a equipa beneficie assim tanto com o seu regresso. E ao FC Porto, também se comenta desde o Verão, tem faltado sempre um central à altura da qualidade do resto do plantel – com a agravante de à falta de qualidade se ter somado agora alguma falta de quantidade, fruto dos problemas com Maicon. Neste fim-de-semana, um fim-de-semana decisivo  na Liga, o Sporting estreou uma dupla de centrais nova – Coates e Ruben Semedo –, o Benfica fez confiança em Lindelof, que ainda nem tinha uma dezena de jogos na Liga e, sendo ribatejano, José Peseiro deu a alternativa a Chidozie. E, adivinhem: todos se saíram muito bem. Se calhar quem tem mais razão são mesmo os adeptos que, com o passar do tempo e o desfilar das fintas dos atacantes, se esquecem de quem era o defesa central naquele jogo fundamental que deu o título nacional de mil novecentos e qualquer coisa. Coates, é bom que se diga, tem quase tudo para poder ser decisivo na ponta final da época do Sporting. É imponente, tem quase dois metros, o que pode valer-lhe uma importância acrescida nas bolas paradas. É experiente, fruto dos anos que passou na Premier League e tem ainda mais uma qualidade importante, que partilha com Lindelof, Ruben Semedo ou Chidozie: os adversários ainda não tiveram tempo para aprender as suas debilidades, de forma a poderem explorá-las a cada jogo. O novo tem aqui sempre uma atração irreprimível, que tem a ver com isso mesmo. É fácil dizer agora que Luisão já não tem a velocidade de outros tempos e que com Lisandro López e Jardel o Benfica pode jogar com as linhas mais próximas e subidas, com a chamada “equipa mais curta”. E isso não tem a ver só com a idade de Luisão ou com o facto de a sua mobilidade, mudança de velocidade ou de trajetória já não ser a de outros tempos. Tem a ver também – ou sobretudo – com o facto de já todos sabermos disso. Qual é o ponto fraco de Lindelof? Ou de Chidozie? Ou até de Coates, que apesar de ser mais consagrado (o homem é internacional uruguaio, caramba), também há-de tê-lo, ou então teria vingado na Premier League? A questão é que, para já, ninguém sabe identificá-los com clareza. Estou seguro, no entanto, que os defesas-centrais vão desempenhar um papel primordial na luta pelo título. E todos os treinadores terão dilemas a enfrentar. No Sporting, acredito que Jesus já se tenha decidido pela titularidade do gigante uruguaio, precisamente por ser novo – e mais difícil de ler – e por poder vir a ser importante nos livres laterais e nos cantos. Mas quem, para jogar ao lado dele? Paulo Oliveira é o melhor de todos, mas teria de desviar-se para a meia-esquerda. Naldo não compromete, está habituado àquele quadrante, mas não tem o futuro e a qualidade de Oliveira. E até Ruben Semedo parece mais perto de ser opção que Ewerton. No Benfica, Rui Vitória encontrou a estabilidade em torno da dupla Jardel-Lisandro, dois centrais rápidos e por isso mesmo muito importantes da definição estratégica do onze, no posicionamento do bloco. Mas poderá Luisão exercer a liderança de que o plantel necessita de fora quando, daqui por um mês, mês e meio, estiver apto a regressar? Por fim, no FC Porto, Peseiro tem em Martins-Indi o potencialmente melhor mas ao mesmo tempo mais inconstante dos seus centrais, e em Marcano o mais apagado mas ao mesmo tempo mais fiável. Com Maicon fora do baralho, haverá espaço para Chidozie se mostrar mais vezes e até vir a ser importante. Pelo menos até lhe aprenderem as debilidades. In Diário de Notícias, 15.02.2016    
2016-02-15
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Slimani voltou a bisar em mais uma vitória do Sporting, os 4-0 ao Nacional, na Choupana. Foi o terceiro bis consecutivo do argelino em deslocações dos leões, depois de já ter feito dois golos nos 6-0 ao V. Setúbal e nos 3-1 ao Paços de Ferreira. A última vez que Slimani ficou em branco num jogo fora de Alvalade também tinha sido neste mesmo estádio, quando o Sporting perdeu por 1-0 com o U. Madeira, a 20 de Dezembro do ano passado.   Com estes dois golos, Slimani já chegou aos 22 esta época, sendo 18 na Liga. Está ainda a cinco golos do benfiquista Jonas, mas já assegurou o lugar de melhor marcador sportinguista num campeonato desde que Liedson acabou a Liga com 25 golos, em 2004/05.   Os 47 golos que o Sporting marcou nas primeiras 22 jornadas da Liga também não lhe asseguram o posto de melhor ataque do campeonato, que pertence ao Benfica, mas garantem o melhor registo parcial dos leões desde 2001/02, quando a equipa de Jardel, João Pinto, Pedro Barbosa e Quaresma chegou à 22ª jornada com 50 golos marcados.   Jorge Jesus aumentou para oito a série de vitórias consecutivas sobre Manuel Machado. Ganhou-lhe todos os jogos desde um empate do Benfica com o Nacional na Choupana (2-2), em Fevereiro de 2013.   O Sporting, de resto, continua sem perder com o Nacional desde Fevereiro de 2011 (1-0, para a Liga), tendo desde essa altura defrontado os alvi-negros por 14 vezes, ganhando nove e empatando cinco. O Nacional, aliás, não marca um golo ao Sporting na Liga desde Maio de 2014, somando já 376 minutos seguidos de jogo sem golos aos leões.   Ao vencer o Nacional, o Sporting reassumiu a liderança isolada do campeonato, com 55 pontos em 22 jornadas. São mais oito pontos do que na época passada por esta altura e o melhor registo leonino à 22ª ronda desde que a vitória vale três pontos. Para encontrar um Sporting melhor nesta altura da época é preciso recuar até 1979/80, quando os leões tinham 18 vitórias e dois empates, que pelas regras atuais de pontuação valeriam 56 pontos.   O Nacional, por sua vez, somou a 11ª derrota deste campeonato, apenas duas a menos do que em toda a Liga passada. E passou a ter a certeza de perder os três jogos em casa com os grandes: 1-2 com o FC Porto, 1-4 com o Benfica e 0-4 com o Sporting. Foi a primeira vez desde 2011/12 que os nacionalistas não pontuaram na Choupana com nenhum dos grandes. Nessa época, foram batidos por 2-0 por FC Porto e Benfica e por 3-2 pelo Sporting. E ainda ali perderam por 3-1 com os leões nas meias-finais da Taça de Portugal.   O Sporting voltou a ter dois penaltis num jogo, um convertido por Adrien e outro por Slimani. Já não sucedia aos leões beneficiarem de dois remates dos onze metros desde 30 de Agosto, quando venceram fora a Académica por 3-1. Nessa tarde, porém, Adrien falhou o primeiro e Aquilani marcou o segundo.   Rui Patrício fez o 250º jogo na Liga portuguesa na mesma ilha onde efetuou o primeiro: a Madeira. A estreia foi a 19 de Novembro de 2006, numa vitória por 1-0 frente ao Marítimo, nos Barreiros. O guarda-redes já é o oitavo futebolista com mais jogos pelo Sporting no campeonato, a apenas três partidas de Azevedo.    
2016-02-14
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A vitória por 2-1 na Luz significa que o FC Porto voltou a ganhar um clássico fora de casa, na Liga, quatro anos (e oito jogos) depois. A última vitória a contar para a Liga contra outro grande, em Lisboa, tinha sido a 2 de Março de 2012: 3-2 na Luz. Desde aí, empatou com o Benfica (2-2) e o Sporting (0-0) em 2012/13; perdeu na Luz (2-0) e em Alvalade (1-0) em 2013/14; voltou a empatar no terreno do Sporting (1-1) e do Benfica (0-0) em 2014/15; e já tinha perdido em Alvalade (2-0) esta época.   Aboubakar, autor do golo da vitória portista, chegou aos 16 golos na época, igualando a sua melhor marca numa temporada inteira, que foi atingida em 2013/14, quando marcou os mesmos 16 golos, mas em 36 jogos pelo Lorient. Desta vez atingiu-os em 31 jogos, tendo marcado onze na Liga, três na Liga dos Campeões, um na Taça de Portugal e um na Taça da Liga.   José Peseiro ganhou pela primeira vez ao Benfica na Luz. Fê-lo à quinta visita – até aqui conseguira apenas dois empates – passando a partir de agora a ter saldo positivo nos confrontos com os encarnados. Ao todo, o treinador de Coruche soma quatro vitórias e três derrotas em dez jogos contra o Benfica.   Em contrapartida, Rui Vitória continua a ver no FC Porto a sua besta negra, pois nunca ganhou à equipa azul-e-branca. Vitória perdeu dez dos 14 jogos contra o FC Porto, ainda que um dos seus quatro empates tenha feito muito por torná-lo conhecido em Portugal: depois de empatar a zero, quando ainda liderava o Fátima, viu a sua equipa afastar o FC Porto da Taça da Liga no desempate por grandes penalidades.   Vitória continua avesso ao sucesso nos clássicos. Perdeu o quinto esta época: 0-1, 0-3 e 1-2 contra o Sporting; 0-1 e 1-2 com o FC Porto. Na Liga, Vitória segue com três derrotas em outros tantos clássicos, sendo que ainda lhe resta uma oportunidade para ganhar um, quando visitar o Sporting, em Março. Ora o Benfica foi campeão na época passada ganhando apenas um clássico: 2-0 frente ao FC Porto no Dragão.   Mesmo que não vença nesse jogo, Vitória pode ficar descansado, pois a história mostra que é possível ser campeão sem vitórias nos clássicos. Mas é preciso recuar muito tempo: o último campeão sem vitórias nos quatro clássicos da época foi precisamente o Benfica, mas há quase 50 anos. Foi em 1968/69 que a equipa de Otto Glória acabou a Liga na frente, com dois pontos de avanço sobre o FC Porto, tendo empatado (0-0) e perdido (1-0) com os dragões e empatado ambos os jogos com o Sporting (sempre 0-0).   Mais complicado é encontrar um campeão sem pontuar nos quatro clássicos. Na verdade nunca aconteceu. E só houve mais uma equipa a vencer a Liga sem ganhar um clássico: foi o Benfica de 1963/64, que também foi campeão sem ganhar um único, mas tirou deles três empates. Por isso, diz a história que em Alvalade, em Março, os encarnados têm de tirar pelo menos um empate.   Se não conseguir pontuar nesse jogo de Alvalade, o Benfica enfrentará a primeira época sem pontos nos clássicos desde 1939/40. Nessa época, a equipa de Janos Biri perdeu duas vezes com o FC Porto (2-3 em casa e 2-4 fora) e outras tantas com o Sporting (sempre 1-3, tanto em casa como fora). O FC Porto de Mihaly Siska ganhou esse campeonato.   Mitroglou marcou pela sexta jornada consecutiva da Liga, depois de já ter feito golos ao Nacional (4-1), Estoril (2-1), Arouca (3-1), Moreirense (4-1) e Belenenses (5-0). Superou Slimani, que estivera cinco jornadas seguidas a marcar, e passou a deter o melhor registo de golos em jornadas seguidas desta Liga. Desde o período entre Dezembro de 2011 e Fevereiro de 2012 que nenhum jogador do Benfica marcava em seis jornadas seguidas. O último a fazê-lo foi Cardozo, que não se ficou por aí e estendeu a série a uma sétima ronda.   O Benfica viu a série de vitórias consecutivas que trazia interrompida nas onze, caindo ao 12º jogo. Na Liga, conseguiu oito vitórias seguidas desde o empate contra o U. Madeira (0-0), quedando-se a uma da melhor série da época passada.   Foi a oitava derrota do Benfica esta época e a segunda com o FC Porto. Os encarnados somam ainda mais três com o Sporting, uma com o Arouca, uma com o Atlético Madrid e outra com o Galatasaray. Nestas oito derrotas, o Benfica marcou primeiro em três: além desta, há ainda mais duas por 2-1, de virada, contra o Sporting e o Galatasaray. Na Liga, foi a primeira derrota do Benfica com virada no marcador desde que foi batido pelo Rio Ave (também 2-1), em Março do ano passado.   Foi, por outro lado, a terceira vitória de virada do FC Porto esta época, depois de já ter conseguido inverter os resultados dos jogos com o Paços de Ferreira (de 0-1 para 2-1) e com o Estoril (de 0-1 para 3-1). Duas destas três reviravoltas aconteceram já com José Peseiro ao leme.   Layun fez mais uma assistência, ao pertencer-lhe o passe para o golo de Herrera. Foi o 14º passe de golo do lateral mexicano nesta Liga, o que faz dele o melhor assistente da prova, a larga distância dos segundos, que são os benfiquistas Jonas e Gaitán, com nove.
2016-02-14
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O Sporting ficou pela primeira vez em branco nos jogos em casa esta época. Na verdade, o empate a zero com o Rio Ave foi o primeiro nulo ofensivo dos leões no seu estádio desde 26 de Fevereiro de 2015, quando ali empataram sem golos com o Wolfsburg, para a Liga Europa. Ao todo, foram 22 jogos sempre a marcar, que são um recorde deste novo estádio e a melhor série desde os 26 jogos com golos entre Janeiro de 1999 e Maio de 2000, ainda no estádio antigo.   Além de ser o primeiro zero ofensivo do Sporting em casa esta época, este foi também o primeiro jogo de campeonato em que o Rio Ave não marcou como visitante. Os vila-condenses tinham feito golos nas primeiras nove saídas, ainda que ganhando apenas uma: 3-0 em Paços de Ferreira. Pelo caminho, perderam marcando (1-3) com o Benfica na Luz e empataram (1-1) com o FC Porto no Dragão.   Para o Sporting, contudo, este foi o terceiro zero do campeonato, pois os leões já tinham ficado em branco nas visitas ao Boavista (0-0) e ao U. Madeira (1-0). Ao mesmo tempo, porém, também foi o primeiro jogo sem sofrer golos em casa desde a visita do FC Porto, a 2 de Janeiro. Nesse jogo, os leões venceram por 2-0.   Estranhamente, os leões perderam mais pontos em casa neste campeonato – seis, resultantes de três empates com Paços de Ferreira, Tondela e Rio Ave – do que fora, onde só deixaram cinco, fruto do empate com o Boavista e da derrota com o U. Madeira.   Ainda assim, apesar de ter perdido a liderança isolada na Liga – partilha-a agora com o Benfica – a equipa de Jorge Jesus ainda tem mais oito pontos do que na época passada à 21ª jornada (subiu de 44 para 52), detendo a melhor pontuação de qualquer formação leonina desde que a vitória vale três pontos (em 1995). Mesmo convertendo as regras para o modelo atual a pontuação das épocas anteriores, é preciso recuar a 1979/80 para ver um Sporting melhor: nessa época, em que acabou por ser campeão, tinha 17 vitórias, dois empates e duas derrotas à 21ª ronda.   William Carvalho foi substituído pela quarta vez nas últimas cinco jornadas da Liga. Na segunda volta só completou os 90 minutos por uma vez: nos 3-1 ao Paços de Ferreira, saindo duas ao intervalo e outra – agora – antes do último quarto-de-hora.   Depois dos seus cinco jogos sempre a marcar, que foram um recorde pessoal de sempre, Slimani vai com duas partidas seguidas em branco, algo que não lhe acontecia desde Dezembro, quando não marcou ao U. Madeira nem ao Paços de Ferreira (aqui, num jogo da Taça da Liga em que só entrou na última meia-hora). Se procurarmos dois jogos seguidos a titular do argelino sem marcar, teremos de recuar a Setembro, quando ficou a zeros frente a Nacional (1-0) e Boavista (0-0).   Cássio, guarda-redes do Rio Ave que tinha saído de Alvalade com quatro golos nas suas redes na época passada, voltou agora a deixar o estádio dos leões com a baliza virgem, sensação que já tinha experimentado em Janeiro de 2013, quando ali ganhou por 1-0 com o Paços de Ferreira.
2016-02-09
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O FC Porto perdeu no Dragão com o Arouca, por 2-1. Foi a primeira derrota dos azuis e brancos em casa para a Liga desde 14 de Dezembro de 2014, quando ali ganhou o Benfica (2-0). Desde então, porém, já ali tinham ganho o Dynamo Kiev (2-0 para a Liga dos Campeões, a 24 de Novembro de 2015) e o Marítimo (3-1 para a Taça da Liga, a 29 de Dezembro de 2015).   O Arouca tornou-se, com esta vitória, na segunda equipa nacional a ganhar a dois dos grandes de Portugal esta época, uma vez que já tinha batido o Benfica, em Aveiro (1-0). A outra equipa que o fez foi uma das grandes: o Sporting, que ganhou por três vezes ao Benfica e uma ao FC Porto.   A equipa de Lito Vidigal é a equipa nacional que marca golos há mais jornadas seguidas da Liga. São já onze rondas, desde a última vez que o Arouca ficou em branco. Aconteceu a 8 de Novembro de 2015, na derrota em casa contra o Sporting (1-0).   Walter González foi o segundo jogador a bisar frente ao FC Porto esta época, tendo o anterior sido Slimani, na vitória do Sporting frente ao FC Porto (2-0), em Alvalade. González foi, porém, o primeiro adversário a bisar no Dragão desde que Lima o conseguiu, na tal vitória do Benfica por 2-0, em Dezembro de 2014.   O primeiro golo de González foi o mais rápido desta edição da Liga, pois foi obtido com apenas 10 segundos de jogo. Para o FC Porto é uma sensação repetida, pois nos últimos quatro jogos para a Liga só por uma vez não sofreu golos nos primeiros cinco minutos – contra o Marítimo, no jogo que venceu por 1-0. De resto, frente ao V. Guimarães, Casillas foi batido por Bouba Saré aos 4 minutos e no jogo com o Estoril, Diego Carlos marcou aos 3’.   Aboubakar, que marcou o seu 50º jogo com a camisola do FC Porto com mais um golo, continua a manter o registo 100 por cento goleador frente ao Arouca. Em quatro vezes que defrontou esta equipa, marcou sempre. Desta vez, porém, não ganhou – e isso foi uma estreia.   Além disso, Aboubakar marcou golos pela segunda jornada consecutiva da Liga, pois já estivera entre os goleadores na vitória por 3-1 frente ao Estoril, na Amoreira. Repetiu o que já havia conseguido na primeira volta, quando marcou consecutivamente aos mesmos Estoril e Arouca. Até aqui, o camaronês nunca marcou em três jornadas seguidas.   O golo de Aboubakar resultou de mais uma assistência de Layun, a 13ª do mexicano nas primeiras 21 jornadas da competição. Layun é o maior assistente da Liga, com mais quatro passes decisivos que os benfiquistas Gaitán e Jonas.   Ao ganhar ao FC Porto, o Arouca passou a somar 28 pontos, tantos quantos fez nas 34 jornadas da Liga anterior, e 28 golos marcados, mais dois do que em toda a Liga de 2014/15 e os mesmos que no ano de estreia entre os grandes – 2013/14. Faltam três pontos para igualar o total dessa primeira época.   André André fez o 100º jogo na Liga portuguesa, o 19º com a camisola do FC Porto – uma vez que os primeiros 81 foram todos em representação do V. Guimarães. Ao todo soma 19 golos, três deles pelo FC Porto.   Herrera também celebrou um centenário, mas de jogos com a camisola do FC Porto, nem todos na Liga. Dos 100, 67 foram para a Liga portuguesa, 18 na Liga dos Campeões, sete na Taça de Portugal, cinco na Liga Europa e três na Taça da Liga. Nesses 100 jogos não chegou nenhum troféu.
2016-02-09
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O Benfica soma golos em cima de golos e Rui Vitória começa a convencer aqueles que dele tanto duvidavam. As reações têm sido múltiplas, entre os que dizem que os verdadeiros testes vão chegar agora, os que atribuem a melhoria à capacidade individual e à criatividade de três ou quatro jogadores muito acima da média e os que dizem que há muto trabalho do treinador na forma como a equipa subiu de rendimento. Todos têm razão. Porque este Benfica não descolou enquanto Rui Vitória não largou o ideário dos últimos anos e isso levou tempo, mas nunca conseguiria fazê-lo sem a capacidade individual dos seus melhores jogadores e, sim, faltam os testes a sério. Porque se já se sabe que este Benfica é capaz de ser muito forte com os mais fracos, ainda não se percebeu se sabe ser igualmente forte com aqueles que estão ao seu nível. Aquilo que se vê neste momento do Benfica é um futebol ofensivo avassalador, muito por culpa da criatividade e da tomada de decisão de Jonas, Gaitán e Pizzi, da presença na área que é assegurada por Mitroglou, das acelerações dadas ao jogo por Carcela e da dinâmica imprimida no transporte de bola por Renato Sanches. Tudo individualidades, ainda que, com exceção de Carcela e Sanches, que eram preteridos em favor de Gonçalo Guedes e da acumulação de Samaris com Fejsa, todos lá estivessem no penoso início de época em que o Benfica perdia tanto como ganhava. Ora é aí que entra o trabalho do treinador. Porque este Benfica comporta-se agora de forma muito diferente do que fazia nesse início de época. O Benfica de agora joga muito mais curto, com linhas mais próximas e sem a obsessão pela largura que revelava há uns meses, dessa forma favorecendo as coberturas e aumentando a possibilidade de tabelas. E ainda que o comportamento de Renato Sanches, que é ofensivamente tão vistoso, deixe muito a desejar quando a equipa perde a bola – seja porque está geralmente fora do sítio em transição defensiva ou porque ainda percebe mal as necessidades da equipa em organização defensiva – torna a equipa muito menos vulnerável aos ataques lançados pelos adversários. Por que é que isto levou tanto tempo a engendrar? Difícil responder. Mas aquilo que o Benfica vem fazendo permite ter teorias. Primeira de todas: as equipas levam tempo a construir. É que o maior problema do Benfica era, simultaneamente, a sua maior vantagem: a herança de seis anos de trabalho com Jesus. Na Supertaça, contra o Sporting, Jesus jogou bem mentalmente e, com o que disse, obrigou Vitória a abdicar dos suportes dessa herança, obrigou-o a mudar quando ainda era demasiado cedo para o fazer. Mas Vitória, que teve uma pré-época catastrófica por força daquilo que o Benfica quis lucrar na digressão à América do Norte, também terá evoluído na sua forma de pensar. O que se viu no dérbi com o Sporting, na Luz, nesses 0-3 de que o Benfica saiu tão diminuído, foi uma equipa com ideias desajustadas ou pelo menos impraticáveis contra adversários do mesmo nível: largura total, muitos passes laterais a atravessar o corredor central sem cobertura defensiva, convidando o adversário à interceção e à transição. O Benfica de hoje já não é isso. Joga com linhas mais próximas e favorece a diagonal dos alas para o corredor central, onde funcionam como ponto de apoio para progressões trianguladas mais seguras. Trocou a largura e a vertigem por uma posse com cabeça. Chegará para ganhar ao FC Porto e inflar ainda mais o balão da expectativa benfiquista? Essa é a grande dúvida da semana que vai entrar. Porque, por exemplo, no jogo da Taça de Portugal em Alvalade, o novo Benfica não foi capaz de se impor a um adversário do mesmo nível, nem mesmo beneficiando de um golo a frio que podia ter encaminhado o jogo para um desfecho completamente diferente. A favor dos encarnados está o facto de também o FC Porto de Peseiro ser uma equipa em mudança de processos e por isso a precisar do tal tempo de que precisou o Benfica de Vitória. Ou o facto de o Zenit de André Villas-Boas estar a regressar das férias de Inverno e ainda sem o ritmo competitivo de que precisaria para dar uma resposta à altura. Certo é que a próxima semana e meia definirá muito do que vai ser esta época para o Benfica. In Diário de Notícias, 08.02.2016
2016-02-08
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Mitroglou fez três golos na vitória confortável do Benfica sobre o Belenenses (5-0), no Restelo, assegurando a quinta jornada consecutiva da Liga sempre a marcar, pois já tinha estado entre os goleadores benfiquistas frente ao Nacional (4-1), Estoril (2-1), Arouca (3-1) e Moreirense (4-1). Foi o segundo jogador a conseguir esta sequência na prova, igualando o sportinguista Slimani, que marcou sempre entre as jornadas 15 e 19. No Benfica, ninguém marcava em cinco jornadas consecutivas desde que Cardozo o fez entre a quinta e a nona jornada do campeonato de 2013/14.   - Além disso, este foi o primeiro hat-trick de Mitroglou desde 6 de Outubro de 2013, quando fez três golos na goleada do Olympiakos frente ao Veria (6-0), na sétima jornada da Liga grega. Nessa altura, aliás, Mitroglou conseguiu dois hat-tricks seguidos, pois quatro dias antes também tinha feito três golos nos 3-0 ao Anderlecht, na Liga dos Campeões.   - O segundo dos três golos de Mitroglou ao Belenenses – e o terceiro do Benfica – foi o 500º golo da atual edição da Liga portuguesa. O golo 500 apareceu ao 181º jogo, enquanto que na época passada forma precisos 202 jogos para que o então bracarense Salvador Agra o fizesse, na baliza do Rio Ave, à 23ª jornada.   - Os cinco golos marcados pelo Benfica significam que a equipa de Rui Vitória consolidou o lugar de melhor ataque da Liga, agora com 59 golos marcados em 21 jornadas. É preciso recuar 40 anos, até 1975/76, para ver um Benfica com tantos golos em igual número de jogos: em 1975/76, a equipa liderada por Mário Wilson tinha 61 tentos marcados à 21ª jornada, tendo acabado o campeonato na frente e com o melhor ataque, com 94 golos marcados em 30 jogos.   - Por sua vez, o Belenenses também segue cada vez mais destacado como defesa mais batida da Liga. São já 46 golos sofridos em 21 jogos, o pior registo parcial da equipa do Restelo em toda a história da competição.   - O Benfica conseguiu a 11ª vitória consecutiva, contando jogos de todas as competições. Os encarnados ganharam todos os desafios desde o empate a zero com o U. Madeira, a 15 de Dezembro. Desde 2011/12 que a equipa da Luz não ganhava onze jogos seguidos, sendo preciso recuar até 2010/11 para se encontrar uma sequência melhor. Essa ainda levará mais tempo a igualar, pois contou 18 vitórias consecutivas.   - O Belenenses-Benfica constituiu a primeira derrota do treinador espanhol Julio Velásquez no Restelo desde que foi chamado a substituir Ricardo Sá Pinto. E mesmo com um onze tão ofensivo como o que apresentou frente aos bicampeões nacionais não foi capaz de quebrar a malapata dos golos na baliza do Benfica: o Belenenses não marca ao Benfica desde Setembro de 2013 e, desde esse jogo, segue com um score parcial de 0-17.   - Miguel Rosa jogou pela 150ª vez com a camisola do Belenenses, defrontando o Benfica, clube que o formou. Nos 150 jogos de azul, marcou 40 golos.  
2016-02-06
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A vitória por 4-1 do Benfica frente ao Moreirense distanciou ainda mais a equipa da Luz como melhor ataque do campeonato. São agora 54 golos marcados em 20 jogos, o melhor parcial nas primeiras 20 jornadas da Liga portuguesa em mais de 30 anos. A última equipa a marcar mais do que este Benfica nas primeiras 20 partidas da Liga portuguesa foi o FC Porto, que em 1984/85 chegou à 20ª jornada com 55 golos marcados. Nas dez últimas jornadas fez mais 23, acabando com 78 e sagrando-se campeão nacional.   - O último Benfica tão goleador também tirou boas recordações da época em que tirou tanto do ataque. Aconteceu um ano antes, em 1983/84, quando a equipa liderada por Eriksson chegou à 20ª ronda com 56 golos marcados. Fez mais 30 nas derradeiras 10 partidas, acabando com 86 (quase três por jogo, de média) e também campeã nacional.   - O maior contribuinte benfiquista para tanto golo é Jonas, que chegou à 20ª jornada com 21 golos no ativo. Nenhum jogador tinha mais golos do que jogos à 20ª jornada na Liga portuguesa desde Jackson Martínez, que em 2012/13 lá chegou com 22 golos marcados, mas até ao fim da Liga só marcou mais quatro. No Benfica, o último a fazê-lo foi o sueco Magnusson, que em 1989/90 fez 22 golos nas primeiras 20 jornadas. Acabou a Liga com 33.   - Jonas já superou o total de golos que fez em toda a Liga passada. Em 2014/15 chegou ao fim da prova com 20 golos marcados em 27 partidas, enquanto que na atual atuou nos 20 jogos que o Benfica já realizou e soma 21 golos. Ainda assim, Jonas soma apenas mais um golo nesta época – feito na Liga dos Campeões – o que leva a que esteja ainda abaixo do total da temporada anterior, que terminou com 31 golos, contando com seis na Taça de Portugal e cinco na Taça da Liga.   - Além do destaque do seu ataque, o Benfica conseguiu em Moreira de Cónegos a décima vitória seguida, contando todas as competições. A última vez que os encarnados não ganharam foi na visita ao U. Madeira, que terminaram com um empate a zero. As dez vitórias seguidas superam o melhor registo da época passada e igualam o recorde de 2013/14. O próximo objetivo são as onze vitórias consecutivas, que o Benfica festejou em 2011/12. E se as conseguir parte ao assalto da série de 18 sucessos de enfiada obtido em 2010/11.   - Muito graças a estas dez vitórias consecutivas, o Benfica segue com 49 pontos na Liga, tendo já reduzido substancialmente a desvantagem que apresentava em relação ao registo parcial da época passada. Há um ano, o Benfica somou 50 pontos nas primeiras 20 jornadas. Mas o registo deste ano já é igual ao de 2013/14, a primeira época do bicampeonato.   - O Moreirense perdeu pela terceira vez consecutiva em casa, depois das derrotas frente a Estoril (1-3, na Liga) e também Benfica (1-6, na Taça da Liga). Além disso, os cónegos vêm com cinco jogos seguidos sem conseguir a vitória como visitados: todos desde o sucesso contra o Nacional (2-0), a 20 de Dezembro. Estão, ainda assim, a um jogo da pior série caseira da época passada, na qual estiveram seis jogos sem ganhar em casa, entre 18 de Janeiro e 11 de Abril.   - Mitroglou marcou o segundo golo do Benfica em Moreira de Cónegos, conseguindo assim a quarta jornada seguida da Liga sempre a marcar, depois de já ter estado nos goleadores dos jogos com o Nacional, o Estoril e o Arouca. Fica por enquanto a um jogo do recorde desta Liga, que pertence a Slimani, goleador em cinco jornadas consecutivas.   - O golo do Moreirense foi marcado por Iuri Medeiros, que já tinha feito o tento solitário da outra derrota da equipa de Moreira de Cónegos frente ao Benfica, na Taça da Liga, a meio da semana. Aliás, esta época Iuri Medeiros também tinha marcado no empate a duas bolas que o Moreirense conseguiu contra o FC Porto, o que faz com que leve três jogos seguidos a marcar aos grandes – não jogou contra o Sporting, que é o detentor do seu passe.   - O jogo assinalou o regresso à Liga portuguesa de Fábio Espinho, médio que em 2013 trocou o Moreirense pelo Ludogorets, da Bulgária, e que entretanto assinou pelo Málaga. O último jogo de Espinho na Liga portuguesa tinha sido no Estádio da Luz, também contra o Benfica e também marcado pela derrota da equipa minhota, na altura por 3-1.
2016-02-01
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Há um mistério por resolver acerca da equipa do Sporting. Como é que os leões passam tão bem pelas melhores equipas da Liga e tremem contra as mais pequenas? Como é que arrumaram por três vezes o Benfica, entre Supertaça, Liga e Taça de Portugal, ganharam sem espinhas ao FC Porto, golearam em Setúbal, mas depois já deixaram dois pontos ao Boavista, outros dois ao Tondela e três ao U. Madeira? Como é que vão ganhar sem problemas a Paços de Ferreira, mas sofrem tanto no jogo em casa com a Académica, que só conseguem vencer nos últimos dez minutos? A necessidade de uma explicação pediria que se deitasse a equipa no divã para uma sessão de psicanálise, mas é claramente do domínio do emocional, porque as rotinas e a qualidade dos jogadores continuam lá e teriam até mais razões para aparecer nos jogos em que os adversários são mais fracos. Quem chegasse agora a Portugal e visse, por um lado, que o Benfica vai com dez vitórias seguidas, a maioria delas com clareza, que o FC Porto acaba de mudar de treinador e que o Sporting vem de um empate a dois golos e duas vitórias sofridas por 3-2 nos três últimos jogos em Alvalade teria alguma dificuldade em olhar para os leões como mais fortes candidatos ao título ou em explicar que eles sigam isolados na frente da tabela. Mas se depois lhe dissessem que a equipa de Jorge Jesus ganhou todos os jogos grandes em que entrou – e já defrontou três vezes o Benfica e uma o FC Porto –, se calhar esse observador já pensaria outra coisa. E tentaria explicar esta dualidade sem recorrer à justificação mais primária, que é sempre a que fala das arbitragens como fator determinante. Ora, aí chegados, há duas explicações possíveis: ou falta de foco ou excesso de confiança. Apesar de todos os sinais aduzidos em sentido contrário, ainda me inclino mais para a segunda. Se, como pretendem alguns analistas, a quebra recente do Sporting na Liga, não tanto expressa em pontos mas sobretudo na dificuldade para ganhar jogos em casa, tivesse mais a ver com o excesso de ruído criado à volta da equipa, dessa forma desfocando os jogadores, os leões não teriam sido capazes de ganhar com clareza em Setúbal ou em Paços de Ferreira. É claro que o que se passa durante a semana, que o clima de constante conflitualidade fomentado acima do balneário, tem efeito naquilo que a equipa vai rendendo – por exemplo, contra a Académica viu-se um Slimani menos imponente fisicamente, como que tolhido pelo que se tem vindo a dizer da sua forma de atuar – mas se fosse esse o problema a equipa teria muito mais razões para falhar nos jogos difíceis. Porque o ruído já não é novidade de agora e porque as pontuações das equipas de Jesus sempre se fizeram à conta de uma regularidade impressionante nos jogos em casa contra adversários mais fracos. Por isso me inclino mais para a outra explicação, a explicação que tem a ver com a falta de foco seletiva, apenas em alguns jogos, sobretudo aqueles que se afiguram mais fáceis. Excesso de confiança, portanto. O modo como os leões deram golos de avanço contra o Sp. Braga (0-2 ao intervalo), mas sobretudo contra o Tondela e a Académica, que também marcaram primeiro em Alvalade, tem todos os sintomas do adormecimento coletivo de uma equipa que se viu na frente da Liga e com mais jogos em casa por fazer do que os adversários e que por isso se terá deixado contagiar pelo otimismo permanente do seu treinador acerca das suas próprias capacidades. Se Jesus é capaz de dizer à Marca que o grande problema de Lopetegui em Portugal foi ele próprio, não admira que a equipa, sobretudo uma equipa menos experiente no ataque aos títulos, também entre nos jogos mais fáceis a julgar que não precisa de pôr o pé a fundo para os ganhar. Mas a questão é que precisa. E agora mais do que nunca, porque Benfica e FC Porto vão defrontar-se daqui a duas jornadas e bastará ao Sporting manter a cadência para se afastar em breve pelo menos de um dos perseguidores. In Diário de Notícias, 01.02.2016
2016-02-01
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Ao vencer a Académica por 3-2, o Sporting passou a somar 51 pontos em 20 jogos, ainda a melhor marca da história do clube desde que a vitória vale três pontos. E mesmo que aplicássemos as atuais regras de pontuação às Ligas anteriores à alteração seria necessário recuar até 1948/49 para encontrar uma caminhada tão forte dos leões. Nessa época, que lhe valeu o tricampeonato, o Sporting dos Cinco Violinos chegou à 20ª jornada com 17 vitórias, um empate e duas derrotas, que com as regras atuais dariam 52 pontos.   - 52 pontos são também o máximo de uma equipa de Jorge Jesus nas primeiras 20 jornadas de uma Liga. O atual treinador leonino atingiu-os em 2012/13, no Benfica, quando chegou à 20ª ronda com 16 vitórias e quatro empates. Tinha por esta altura os mesmos pontos do FC Porto, que acabou por ser campeão.   - Este Sporting ganhou 16 dos seus primeiros 20 jogos na Liga, algo que a equipa leonina já não conseguia desde 1979/80, quando bateu em casa o Boavista à 20ª ronda e se manteve a par do FC Porto no topo da tabela, com 16 vitórias, dois empates e duas derrotas. A equipa liderada por Fernando Mendes acabou por ser campeã nacional nessa época.   - Esta foi ainda a quarta reviravolta do Sporting no marcador. Ganhou por 3-2 à Académica depois de ter estado a perder por 1-0, mas já tinha conseguido o mesmo, sempre em Alvalade, contra o Benfica (de 0-1 para 2-1), o Besiktas (de 0-1 para 3-1) e o Sp. Braga (de 0-2 para 3-2).   - Além disso, foi o terceiro jogo consecutivo em Alvalade no qual o Sporting deu avanço. De facto, os últimos três visitantes ao estádio leonino marcaram todos primeiro, mas nenhum venceu: o Sp. Braga perdeu por 3-2, o Tondela empatou a duas bolas e a Académica perdeu também por 3-2.   - O Sporting sofreu, assim, nos últimos três jogos da Liga em casa o dobro dos golos que tinha sofrido no seu estádio para esta competição. Das primeiras sete equipas que ali se deslocaram em jogos da Liga, só Paços de Ferreira (1-1), V. Guimarães (5-1) e Moreirense (3-1) tinham marcado um golo. Agora, Sp. Braga, Tondela e Académica dobraram a dose.   - O Sporting conseguiu o 13º jogo seguido sem peder em casa, desde a derrota por 3-1 com o Lokomoiv de Moscovo. Se contarmos só jogos da Liga, são ao todo 27 partidas sem derrotas em casa, desde que o Estoril ali ganhou, no encerramento da época de 2013/14. O registo atual supera o melhor deste estádio, que foram as 26 partidas seguidas sem derrota no período entre um 0-2 com o Benfica em Dezembro de 2006 e um 1-2 com o FC Porto em Outubro de 2008.   - Outro recorde deste novo estádio batido no jogo com a Académica foi o do total de jogos seguidos do Sporting a marcar em casa. São já 22 os jogos (de todas as competições) consecutivos com golo dos leões, todos desde o empate a zero com o Wolfsburg, em Fevereiro do ano passado. A equipoa continua agora atrás dos 26 jogos sempre a marcar conseguidos em 1999 e 2000 pelos leões de Jozic, Materazzi e Inácio.   - Adrien voltou a marcar à equipa na qual esteve emprestado, obtendo o sétimo golo da época, o segundo de bola corrida, depois de já ter marcado assim ao Benfica. Dos outros cinco, quatro foram de penalti e um quinto, ao V. Guimarães, num livre batido a dois toques.   - Montero voltou a decidir um jogo do Sporting, marcando o 3-2 a seis minutos do fim. Foi o segundo desafio leonino que o colombiano decidiu perto do fim esta época, depois de já ter sido ele o autor do golo que derrotou o Nacional, em Alvalade, aos 86’ (1-0). Além disso, Montero também tomou parte ativa na reviravolta contra o Sp. Braga, mas aí fez o segundo golo de outra vitória por 3-2.   - Slimani voltou a ficar em branco num jogo de campeonato, mais de um mês depois de isso lhe ter acontecido pela última vez. Após o 0-1 frente ao U. Madeira, a 20 de Dezembro, o argelino marcara em cinco jornadas consecutivas, a FC Poto (bis), V. Setúbal (bis), Sp. Braga, Tondela e Paços de Ferreira (outro bis).   - A Académica fez pela primeira vez dois golos fora de casa na Liga desta época – tinha só quatro nas nove primeiras deslocações – mas continua sem ganhar em viagem. A última vitória longe de Coimbra na Liga obteve-a em Moreira de Cónegos, a 8 de Março do ano passado (2-0), seguindo agora com 15 saídas seguidas sem ganhar, a pior série desde as 16 que registou após regressar à I Liga, em 2002. Que se somadas às 14 com que se despediu do escalão em 1999 dão uma conta bem mais redonda.   - O lateral Rafa Soares marcou o primeiro golo na Liga portuguesa, pouco depois de chegar por empréstimo do FC Porto – fazia apenas a segunda partida. Rafa já tinha marcado cinco golos esta época, mas no FC Porto B. E também aí tem mostrado tendência para os jogos com os grandes, pois os seus últimos golos tinham sido nas vitórias sobre as equipas B do Sporting (4-0) e do Benfica (3-0). - Filipe Gouveia completou a ronda de visitas aos três grandes enquanto treinador da Académica e fê-lo sempre a melhor, mesmo tendo sofrido sempre três golos: perdeu por 3-0 com o Benfica na Luz, por 3-1 com o FC Porto no Dragão e agora por 3-2 com o Sporting em Alvalade.
2016-01-31
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Ao vencer o Estoril por 3-1 na Amoreira, o FC Porto voltou a ganhar na zona de Lisboa, algo que já não conseguia desde Outubro de 2012, quando ganhou precisamente naquele mesmo estádio e àquele mesmo adversário, por 2-1. Desde então, foram 14 jogos seguidos sem ganhar na zona de Lisboa, a contar para a Liga, a Taça de Portugal e a Taça da Liga. A saber: 2-2 com o Estoril, 2-2 com o Benfica e 0-0 com o Sporting ainda em 2012/13; 2-2 com o Estoril, 1-1 com o Belenenses, 0-0 com o Sporting, 0-2 com o Benfica, 0-1 com o Sporting e 1-3 com o Benfica em 2013/14; 1-1 com o Sporting, 2-2 com o Estoril, 0-0 com o Benfica e 1-1 com o Belenenses em 2014/15; e ainda o 0-2 com o Sporting desta época.   - Esta foi a segunda vitória do FC Porto de virada esta época, depois de já ter ganho assim em casa ao Paços de Ferreira – na ocasião de 0-1 para 2-1. Fora de casa, os dragões não viravam um jogo desde a abertura do campeonato de 2013/14, quando ganharam em Setúbal por 3-1 depois de a equipa da casa se ter adiantado.   - Em contrapartida, esta foi a segunda jornada consecutiva em que o Estoril fez golos nos primeiros cinco minutos. Há uma semana, em Moreira de Cónegos, marcara ao minuto 1 e ao minuto 3, por Anderson Luís e Diogo Amado; desta vez fê-lo também ao terceiro minuto, por Diego Carlos. Nos últimos três jogos, o Estoril marcou sempre primeiro, mas só ganhou um (3-1 ao Moreirense), tendo perdido os outros dois (1-2 com o Benfica e 1-3 com o FC Porto).   - Layun continua imparável nas assistências. Fez mais duas, para os golos de Aboubakar e Danilo, passando agora a somar 13 em 20 jornadas da Liga. É cada vez mais o maior assistente da competição.   - Aboubakar marcou golos ao Estoril pela terceira partida consecutiva. Já tinha aberto o marcador nos 2-0 do Dragão, na primeira volta, enquanto que na época passada fizera o segundo nos 5-0 com que os canarinhos baquearam no Porto. O camaronês só ficou em branco contra o Estoril no empate a duas bolas na Amoreira, em Novembro de 2014, mas aí entrou apenas a 27 minutos do final.   - Diego Carlos, que passou a época passada no FC Porto B, marcou aos dragões o segundo golo da sua carreira em Portugal. O primeiro, também em casa, contra o Rio Ave, tinha valido um empate a dois golos.   - O médio portista Danilo, que já estivera entre os marcadores frente a U. Madeira, Académica e Boavista, fez o quarto golo da época, que já é a mais goleadora de toda a sua carreira. O seu máximo eram os três golos que fez pelo Marítimo em 2014/15.   - Maxi Pereira viu o nono cartão amarelo, incorrendo na segunda suspensão da época por acumulação de cartões. Na época passada precisou de 28 jornadas para chegar aos nove amarelos, em vez das atuais 20. O mais perto que Maxi esteve do atual registo foi em 2010/11 e em 2011/12, épocas nas quais precisou de 22 jornadas para ver tantos amarelos.   - José Peseiro voltou a ganhar no Estoril, numa fase difícil para a sua equipa. Em 2004/05, quando comandava o Sporting, ganhou lá por 4-1 à sexta jornada, depois de duas derrotas e dois empates. Na altura, tal como agora acontece com o FC Porto em relação ao Sporting, os leões colocaram-se a cinco pontos dos líderes, que eram Benfica e Marítimo. Dez jornadas depois, o Sporting de Peseiro estava isolado em primeiro lugar.
2016-01-31
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Nunca fui louco pelo tiki-taka, sobretudo na versão apresentada pela seleção espanhola, que a do Barcelona tinha esse upgrade fenomenal que era Messi e as suas acelerações, sempre com a bola colada aos pés. Mas uma coisa é uma preferência estética, uma opção de entretenimento – e fui sempre mais adepto de um futebol esticado do que adornado – e outra é uma avaliação acerca da eficácia que ele permite. Nesse aspeto, não tenho dúvidas: Guardiola está no top dos treinadores mundiais e mostra que não quer de lá sair pela facilidade com que se coloca em causa a cada momento. O segredo, o catalão voltou a explicá-lo hoje em Munique: “Preciso de novas críticas e de novos inimigos. São eles que nos fazem melhorar”. Isso faz toda a diferença, sobretudo para aqueles treinadores que procuram sempre silenciar os inimigos. Desde que vejo futebol, houve quatro grandes revoluções, nascidas do contributo de quatro visionários. A “zona pressing”, que terá nascido em Liedholm, mas cujo expoente máximo foi o Milan de Sacchi; o jogo de posse a dois toques com largura permanente para que evoluiu o Barcelona de Johan Cruijff, partindo do futebol total da “Laranja Mecânica” que ele comandava em campo; o jogo mais direto e muito feito do aprimorar das transições (ofensivas e defensivas) que caracterizava as equipas de José Mourinho após a chegada ao Chelsea; e o tiki-taka do Barcelona, desenvolvido por Guardiola a partir do modelo de Cruijff mas adaptado aos novos tempos. Com o tempo, depois de ter perdido a Liga dos Campeões para o Inter de Mourinho, em 2010, Guardiola subiu ao topo da hierarquia e, para lá permanecer, foi sempre à procura de novos desafios. Sem ele, o Barcelona mudou: Luis Enrique fez um bocado a ponte entre o futebol trabalhado da equipa de Guardiola e o jogo de transições de Mourinho, com três avançados capazes de esticar a equipa e um meio-campo de vistas mais largas. Mas Guardiola também evoluiu no Bayern, tirou gente de trás para meter na frente, manteve os princípios básicos de jogo triangulado e continuou a ganhar. Mais: continuou a ganhar com facilidade. É por isso que segue para Inglaterra. Porque se há coisa que distingue Guardiola é a sua inteligência superior, a inquietação que o impede de se sentir cómodo onde quer que seja. Há-de chegar o dia em que Guardiola não ganhará, mas uma coisa é certa: não será por acomodamento.
2016-01-26
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No futebol, há muito quem ligue a estas coisas das superstições. Há quem entre em campo a saltitar em cima do pé direito, porque só ao fim de calcar a relva uma meia dúzia de vezes com aquela chuteira lhes é permitido pousar a esquerda. Há treinadores que não deixam o autocarro da equipa fazer marcha-atrás, causando dores de cabeça infindas aos respetivos motoristas. Há quem vá para os jogos sem fazer a barba ou com uma peça de roupa em particular. E há quem ligue aos inícios. Muita gente liga aos inícios. Como representante de uma escola mais científica, das que acredita mais no valo do trabalho que nos sinais, José Peseiro, espero, não deve ser muito de ligar aos inícios. Porque se o início da sua etapa no FC Porto foi marcado por uma exibição pouco conseguida, nem o prenúncio se salvou. Os adeptos do FC Porto lembram com saudade José Mourinho, o último treinador que lhes deu a alegria de uma Liga dos Campeões, em 2004. Ora Peseiro vem do mesmo sítio: o antigo ISEF, a que agora se chama Faculdade de Motricidade Humana. São dois representantes de uma mesma escola de treino e Peseiro até esteve para ser um continuador de Mourinho, no início do século, quando apurou o Sporting para a final da Taça UEFA de 2005, um ano depois de o Special One ter ganho a tal Liga dos Campeões com o FC Porto. Perdeu-a, é certo, com algum azar – uma bola nos dois postes em resposta à qual o adversário fechou o jogo com o 3-1 – mas já se sabe que a diferença entre uma vitória e uma derrota é tantas vezes tão ténue que se explica com minudências. Assim como as superstições, por exemplo. Ora Peseiro estava lançado para uma estreia de sonho para quem acredita nestas coisas. Chegou ao FC Porto em meados de Janeiro, como Mourinho. Fez o primeiro jogo contra o Marítimo, como Mourinho. No outro banco, tinha como padrinho Nelo Vingada, como Mourinho, quase parecendo que o Marítimo tinha ido a correr contratá-lo só para poder haver mais uma coincidência. Abriu o marcador aos 22 minutos, apenas dois minutos depois de Mourinho. E fê-lo com um autogolo do adversário, como Mourinho. O problema é que se na altura valeu a lei dos jornalistas, que atribuíram o golo de abertura do jogo a Briguel, na própria baliza, agora a Liga tem a mania de se organizar e estende as suas influências por todo o lado. E logo veio, na mesma noite, dizer que o autogolo de Salin, afinal, era um golo de André André. Não vou ao ponto de dizer que a Liga o fez só para estragar a coincidência a Peseiro. Acho que não. Acho francamente que o fez porque, além de andar toda a gente louca com as mãos na bola e as bolas na mão – qualquer dia os futebolistas têm de jogar de mãos amarradas atrás das costas para não causarem aquilo a que os especialistas de arbitragem chamam “volumetria” – o futebol nacional está cheio de especialistas que acham que não há autogolos. Ora o golo de André André é muito parecido com o primeiro do Benfica em Braga. Na altura Pizzi chutou, agora chutou André; na altura a bola foi cortada por um defesa em cima da linha, agora acertou na barra; na altura bateu nas costas de Kritciuk e voltou a assumir a direção da baliza, agora bateu nas pernas de Salin e tomou de novo o caminho das redes. Presumo que, movidos pela maior força motriz do futebol em Portugal, que é o fanatismo clubístico, os que na altura acharam que era golo de Pizzi, agora virão dizer que é autogolo de Salin, enquanto que os que na altura defenderam que era autogolo de Kritciuk virão agora sustentar que é golo de André André. Nesse aspeto, a Liga foi coerente e deu os dois golos a quem chutou: Pizzi e André André. Eu também o sou. Para mim são ambos autogolos. E não é para permitir a Peseiro compor melhor o filme das suas premonições. É mesmo porque sem a intervenção involuntária dos dois guarda-redes, aquelas duas bolas nunca chegariam à baliza. Vinham na direção oposta, aliás. In Diário de Notícias
2016-01-26
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José Peseiro manteve a tradição de todos os treinadores contratados pelo FC Porto desde Ivic, em 1993, e ganhou o jogo de estreia. Bateu o Marítimo por 1-0, graças a um autogolo de Salin, o que trouxe à memória a estreia de Mourinho, em 2002. Tal como então, a estreia foi em Janeiro, o FC Porto ganhou por um golo ao mesmo adversário, o Marítimo, e o primeiro golo do novo consulado foi marcado na própria baliza por um adversário – então Briguel, agora Salin.   - Foi o primeiro autogolo de que o FC Porto beneficiou no campeonato desde Setembro de 2014, quando Sarr marcou na própria baliza o tento que haveria de valer aos dragões um empate (1-1) em Alvalade frente ao Sporting. Em contrapartida, foi o primeiro autogolo de um jogador do Marítimo na Liga desde que Bauer marcou na própria baliza frente ao Sporting, a 26 de Outubro de 2014, numa derrota por 4-2.   - Esta foi a primeira vitória do FC Porto sobre o Marítimo em cinco jogos, mais precisamente desde a estreia de Lopetegui, no Dragão, em 15 de Agosto de 2014: na altura, o FC Porto ganhou por 2-0. Desde então, o Marítimo tinha ganho (1-0) e empatado (1-1) nos Barreiros, para Liga, tendo ainda batido os dragões por duas vezes na Taça da Liga: 2-1 nos Barreiros em Abril de 2015 e 3-1 no Dragão em Dezembro passado.   - Este foi ainda o primeiro jogo do FC Porto sem sofrer golos no Dragão desde o início de Novembro. Após o 2-0 ao V. Setúbal, os azuis e brancos perderam ali com o Dynamo Kiev (0-2), bateram o Paços de Ferreira (2-1) e a Académica (3-1), foram batidos pelo Marítimo (1-3) e empataram com o Rio Ave (1-1).   - Foi a primeira vez que uma equipa de Peseiro marcou golos em casa a uma equipa de Nelo Vingada. Até aqui, o Nacional de Peseiro tinha empatado a zero com o Marítimo de Vingada e, mais tarde, o Sporting de Peseiro somava um empate a zero e uma derrota por 1-0 contra a Académica de Vingada.   - Nelo Vingada, o novo treinador do Marítimo, também regressou à Liga portuguesa. Entrou como tinha saído: a perder. No último jogo que tinha feito, a 5 de Outubro de 2009, o seu V. Guimarães tinha sido batido pelo Nacional, na Choupana, por 2-0.   - O zero no ataque do Marítimo significa que o FC Porto se isolaram como a melhor defesa da Liga. Os portistas sofreram até aqui onze golos, menos um que o Sporting, menos dois que o Benfica e menos três que o Sp. Braga. Têm, ainda assim, uma defesa pior do que a que tinham há um ano, quando encaixaram dez golos nas primeiras 19 jornadas, mesmo assim mais dois do que o Benfica que ganhou o bicampeonato.   - No que o FC Porto está igual é na pontuação. Soma agora 43 pontos, fruto de 13 vitórias, quatro empates e duas derrotas, exatamente os mesmos que tinha à 19ª jornada da época passada. Com duas diferenças. É que na altura os 43 pontos lhe valiam o segundo lugar e agora só chegam para o terceiro. E por outro lado agora estão a cinco pontos do líder, quando na altura estavam a seis.   - Pior está o Marítimo, que soma apenas 21 pontos e há um ano tinha 24. Estes 21 pontos, que resultam de seis vitórias, três empates e dez derrotas, são o pior pecúlio dos verde-rubros à 19ª jornada desde 2010/11, quando aqui chegaram com apenas 19 pontos. Nessa época, ainda assim, o Marítimo recuperou a tempo de acabar em nono lugar.   - Varela celebrou o 200º jogo na Liga portuguesa, curiosamente às ordens do mesmo treinador que lhe tinha dado o primeiro. Foi José Peseiro quem o lançou a 19 de Agosto de 2005, num Sporting-Belenenses que os leões ganharam por 2-1.   - Do outro lado, João Diogo fez o 100º jogo com a camisola do Marítimo com a braçadeira de capitão. O lateral jogou pela primeira vez pelos maritimistas a 19 de Janeiro de 2011, lançado por Pedro Martins numa vitória por 2-1 frente ao Desp. Aves a contar para a Taça da Liga.  
2016-01-25
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Slimani continua de pé quente. Ao bisar na vitória do Sporting em Paços de Ferreira (3-1), o argelino fez golos pela quinta jornada consecutiva, pois já tinha marcado dois ao FC Porto (2-0), outros dois ao V. Setúbal (6-0), um ao Sp. Braga (3-2) e outro ao Tondela (2-2). Pelo meio, não jogou na derrota frente ao Portimonense (0-2), para a Taça da Liga. Foi a primeira vez desde que chegou à Europa que Slimani marcou em cinco jogos seguidos: o seu anterior máximo eram quatro partidas a marcar.   - O argelino marcou mais de um golo num jogo pela quarta vez esta época, depois de ter feito um hat-trick ao V. Guimarães (5-1) e bisado nas já referidas partidas frente a V. Setúbal e FC Porto. Na época passada só tinha conseguido dois bis (Penafiel e V. Setúbal), enquanto que na estreia em Portugal (2013/14) nunca marcara mais de um golo num só jogo.   - Além de ter marcado dois golos, Slimani fez ainda a assistência para Bruno César marcar o primeiro dos leões. O argelino não marcava e assistia no mesmo jogo desde Setembro de 2014, quando assistiu Adrien para o primeiro e marcou ele mesmo o terceiro golo de uma vitória por 4-0 frente ao Gil Vicente, em Barcelos.   - Bruno César, por sua vez, fez o terceiro golo com a camisola dos leões, depois de ter bisado na estreia, os 6-0 frente ao V. Setúbal.   - Ao vencer o Paços de Ferreira, o Sporting manteve a liderança, chegando à excelente marca de 48 pontos em 19 jornadas. Tem, ainda assim, menos um ponto do que tinha o Benfica de Jorge Jesus à passagem da mesma ronda: 49. Os 48 pontos são o máximo que os leões conseguem amealhar à 19ª jornada desde que a vitória vale três pontos. E mesmo aplicando as atuais regras de pontuação aos campeonatos anteriores, é preciso recuar até 1969/70 para encontrar um Sporting tão forte. Nessa época, a equipa de Fernando Vaz chegou à 19ª jornada com as mesmas 15 vitórias, três empates e uma derrota, que na altura já lhe davam uma vantagem confortável sobre o segundo, que era o V. Setúbal.   - João Mário fez os passes para os dois golos de Slimani, mostrando que está a aumentar bastante a sua influência na produção ofensiva da equipa. Já tinha feito dois passes de golo nos 6-0 com que o Sporting ganhou em Setúbal e entretanto assistira o mesmo Slimani frente ao Tondela. Ao todo, soma sete assistências na Liga, o que lhe dá o terceiro posto na tabela geral, ao lado de Gaitán, a uma de Jonas e duas de Layun.   - Imparável está também Bruno Moreira. O avançado pacense marcou ao Sporting o 16º golo da época, que é o 12º na Liga. E, na noite em que vestiu a camisola do Paços pela 50ª vez, conseguiu o quinto jogo consecutivo sempre a marcar no Capital do Móvel: já tinha feito um golo nos 2-0 ao Estoril, dois nos 6-0 ao U. Madeira, um nos 2-2 com o Belenenses e ouros dois nos 2-1 ao V. Setúbal.   - Ganhando ao Paços de Ferreira, além disso, o Sporting evitou pela quarta vez esta época passar três jogos seguidos sem vencer, pois vinha de um empate com o Tondela (2-2) e uma derrota com o Portimonense (2-0). Tal como na terceira vez que evitou essa série negra, o Sporting ganhou ao mesmo adversário (Paços de Ferreira) e pelo mesmo resultado (3-1).
2016-01-25
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Os três golos marcados ao Arouca, na vitória por 3-1 com que superou a 19ª jornada da Liga, valeram ao Benfica a manutenção do melhor ataque da competição, agora com 50 golos marcados. Há 26 anos que o Benfica não tinha um ataque tão produtivo nesta fase da prova: em 1989/90, o Benfica de Eriksson chegou à 19ª jornada com os mesmos 50 golos marcados e também em segundo lugar na Liga, a dois pontos do FC Porto de Artur Jorge. No fim da Liga, o Benfica teve o melhor ataque, com 76 golos, mas o FC Porto foi campeão.   - A última vez que uma equipa chegou à 19ª jornada com tantos golos marcados foi em 1995/96. O FC Porto liderava a tabela à 19ª jornada, com 11 pontos de avanço sobre o segundo, que era o Sporting, e um impressionante score de 50 golos marcados e três sofridos. Esse FC Porto ganhou o campeonato com os mesmos 11 pontos de avanço sobre o segundo, que foi o Benfica, e 84 golos marcados.   - Pizzi marcou pela segunda jornada seguida na Liga, depois de já ter estado entre os goleadores na vitória por 2-1 frente ao Estoril, há uma semana. Pelo meio, jogou a segunda parte do desafio com o Oriental, no Carlos Salema, para a Taça da Liga, ficando em branco na vitória (1-0) dos encarnados.   - Mitroglou, por sua vez, marcou pela terceira jornada consecutiva, depois de já ter estado entre os goleadores nas vitórias frente a Nacional (4-1) e Estoril (2-1). Pelo meio, também ficou em branco na Taça da Liga. O grego não marcava em três rondas seguidas de campeonato desde Janeiro e Fevereiro do ano passado, quando ajudou o Olympiakos a ganhar ao OFI (3-0), ao Veria (2-0) e ao Atromitos (2-1), na Liga grega.   - Jonas voltou a marcar ao Arouca, equipa frente à qual se estreou e à qual só não marcou na derrota (0-1) da primeira volta da atual Liga. Além disso, fez a assistência para o golo de Pizzi, tornando-se o maior assistente do Benfica na Liga, com oito passes de golo, e o segundo melhor da prova, atrás apenas do mexicano Layun, do FC Porto, que tem nove.   - Onde Jonas não perdoa é no Estádio da Luz, no campeonato. Desde que bisou frente à Académica, a 4 de Dezembro, marcou ali em todos os jogos da Liga. Foram dois golos nos 3-1 ao Rio Ave, outros dois nos 6-0 ao Marítimo e agora um nos 3-1 ao Arouca. Pelo meio, ficou a zeros na receção ao Nacional, para a Taça da Liga.   - O Benfica obteve a oitava vitória consecutiva desde o empate frente ao U. Madeira na Choupana, a 15 de Dezembro, igualando o que fizera entre Março e Abril de 2014, quando também venceu oito jogos de enfiada, sendo travado ao nono, um empate a zero no Dragão contra o FC Porto que, nos penaltis, valeu o acesso à final da Taça da Liga.   - Dessas oito vitórias, seis foram para a Liga. Esta série, contudo, ainda fica aquém da melhor que a equipa conseguiu na época passada, rumo ao bicampeonato. Entre Outubro de 2014 e Janeiro de 2015, que é como quem diz entre as derrotas contra o Sp. Braga (1-2) e o Paços de Ferreira (0-1), os encarnados venceram nove jornadas consecutivas.   - O que o Benfica deixou de conseguir fazer foi fechar a sua baliza. A equipa encarnada sofreu golos nas últimas três jornadas de campeonato: antes dos 3-1 ao Arouca, os 2-1 ao Estoril e os 4-1 ao Nacional. Os encarnados não sofriam golos em três jornadas seguidas desde Março e Abril, quando depois de perderem por 2-1 com o Rio Ave, ganharam por 3-1 ao Nacional e por 5-1 à Académica.   - O golo do Arouca, marcado por Velásquez, permitiu que a equipa de Lito Vidigal mantenha a série de jogos sempre a marcar golos que já traz há nove jornadas da Liga, desde que perdeu por 1-0 com o Sporting. Porém, o Arouca ganhou apenas três dessas nove partidas. E entretanto ficou a zeros contra o Chaves (0-0, com apuramento por penaltis) e o Sp. Braga (0-2), na Taça de Portugal.
2016-01-25
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Ainda faço parte de uma geração que passou boa parte da infância e da adolescência a correr atrás de uma bola, a ler sobre bola, a ver bola, a discutir bola. As mães e as avós, que não nos compreendiam, nem a nós nem aos nossos pais, diziam que éramos “doentes da bola”. Ouvi essa expressão com alguma frequência. Hoje, os doentes da bola deram lugar a outro tipo de doentes. São os doentes da arbitragem, aqueles que não correm atrás de uma bola, não leem sobre bola, não veem bola nem discutem bola. Só discutem penaltis e off-sides, mãos na bola e bolas na mão, intensidades e intenções. O problema é que ou estão a ficar em maioria ou são uma minoria demasiado ruidosa. É sintomático que no fim-de-semana em que o Tondela, último classificado da Liga portuguesa, surpreendeu o Sporting, que é primeiro, com um empate a dois golos no seu próprio estádio não se esteja a debater a audácia de Petit, que jogou com as linhas subidas e soltou dois velocistas em diagonais para a área do leão, ou que depois, no final, fez substituições ofensivas para ir buscar o empate. Argumentarão que não se discute o jogo dos pequenos. OK, discuta-se então a forma como Jesus montou a equipa na segunda parte, com dez, para virar um jogo que estava complicado, chamando outra vez Gelson e prescindindo de William em quebra. Ou como depois deixou que a equipa baixasse o ritmo antes de ter o resultado seguro e não fez atempadamente as trocas que se impunham para o congelar. Não. O que se discute é um penalti de Rui Patrício sobre Nathan Júnior. Para uns é, porque o guarda-redes toca na perna do jogador adversário. Para outros não é, porque também toca na bola, porque antes do choque, o avançado do Tondela deu um chuto na relva e depois festejou o apito do árbitro. É sintomático também que não se discuta a pressão que o Benfica foi capaz de fazer ao Estoril, não o deixando sair do seu meio-campo, ou o jogo nada ambicioso dos estorilistas, que amontoaram homens à saída da sua própria grande área, quase se limitando a dar a bola ao adversário e a convidá-lo a encadear ofensiva sobre ofensiva. Não. O que se discute é se Mitroglou estava fora de jogo no lance do 1-1 e se uma bola que tabelou nas costas de Pizzi entrou ou não na baliza de Kieszek. E não se discute a forma como os jogadores que o V. Guimarães tem na frente foram capazes de manter em respeito o FC Porto, o erro de Casillas no lance que deu a vitória aos minhotos ou a incapacidade do FC Porto para fazer um golo num jogo em que jogou mais pelo meio e menos pelas pontas relativamente à herança de Lopetegui. Não. Discute-se se é admissível que haja notícias nos jornais acerca do interesse do FC Porto no treinador do V. Guimarães e assinalam-se nexos de causalidade do tipo: se Conceição for mesmo para o FC Porto, é porque vendeu o resultado. Como se um dirigente no seu perfeito juízo pudesse contratar um treinador que vende resultados, sabendo que um dia, na Champions ou onde for, também o FC Porto encontrará adversários mais poderosos que ele. O problema são os malucos da arbitragem. Os fanáticos da ilegalidade. Posso dar a minha opinião sobre os lances polémicos – é penalti de Rui Patrício sobre Nathan, porque o guarda-redes do Sporting toca antes no adversário e só depois na bola; há fora-de-jogo de Mitroglou no golo que deu o empate ao Benfica e a bola impelida inadvertidamente por Pizzi entrou na baliza de Kieszek. Nos três lances, contudo, admito que me digam o contrário. O que não admito, porque não é saudável, é que queiram dizer-me o contrário com letra de lei, porque são três lances tão difíceis de analisar, tão no limite, que todas as opiniões são válidas. E porque, continuo convencido disso, no final as contas entre o deve e o haver não vão influenciar assim tanto a tabela classificativa. Tendem mesmo a equilibrar-se entre os três, como acho que estão realmente equilibradas neste momento. E é aí que entram em campo os malucos da arbitragem. Uns fazem-no por carolice, porque são facilmente influenciáveis, outros por dever profissional, porque são pagos para isso. Porque se convencionou que a melhor maneira de um clube ser beneficiado – ou de não ser prejudicado – é convencer a opinião pública que quem está a ser beneficiado é o adversário direto. E aí vale tudo, valem todas as formas de influenciar os observadores. Valem conferências de imprensa, posts no Facebook, tweets no Twitter, longos monólogos em programas de comentadores engajados ou soundbytes em newsletters diárias. Mas, ao contrário do que acontece no campeonato da bola, não me interessa rigorosamente nada saber quem vai à frente neste campeonato, no campeonato da estrutura, da comunicação. Porque posso ser doente mas sou um doente da bola. In Diário de Notícias
2016-01-18
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Bouba Saré, que fez o golo que derrotou o FC Porto em Guimarães, tem queda para marcar aos grandes: na época passada, o seu golo de estreia na Liga tinha sido obtido na vitória (3-0) frente ao Sporting, no Minho. Com este golo, Saré já igualou o total de tentos do último campeonato (dois), com a particularidade de agora os ter feito em jornadas consecutivas, a Arouca e FC Porto. Foi a primeira vez que o marfinense fez golos em dois jogos seguidos desde que é sénior.   - Confirma-se ainda a tendência de Casillas para sofrer sempre pelo menos um golo. O guarda-redes espanhol foi batido em sete das últimas oito partidas na baliza dos dragões. Desde os 4-0 ao U. Madeira, a 2 de Dezembro, só manteve o zero nas redes na visita ao Boavista, ganha pelo FC Porto por um score ainda mais imponente: 5-0. Nos outros dois zeros que se verificaram desde então (1-0 ao Feirense e ao Boavista, na Taça), quem estava na baliza era Helton.   - Em contrapartida, a vitória dos minhotos ficou a dever-se à capacidade invulgar para manterem a baliza inviolada nos jogos em casa. A última vez que tal acontecera tinha sido a 13 de Setembro, na vitória frente ao Tondela (1-0), ainda a equipa era dirigida por Armando Evangelista. Com Sérgio Conceição, o Vitória só tinha mantido o zero nas suas redes por duas vezes, ambas fora de casa: 1-0 em Paços de Ferreira e no Estoril.   - Aboubakar foi expulso pela primeira vez desde que chegou à Europa, em 2010, para jogar no Valenciennes. No FC Porto, tinha visto cinco amarelos em 47 jogos, mas viu dois na mesma partida frente ao V. Guimarães.   - Foi a segunda expulsão de um jogador do FC Porto em partidas consecutivas, depois de Imbula ter visto o vermelho no jogo da Taça de Portugal frente ao Boavista. Os dragões só tinham tido um jogador expulso no resto da época, que foi Osvaldo na vitória (4-0) sobre o U. Madeira. Na época passada tinham tido dois expulsos no mesmo jogo (Reyes e Evandro contra o Sp. Braga, na meia-final da Taça da Liga), mas para se encontrar dois expulsos em jogos consecutivos é preciso recuar até 2008, quando Lucho González foi expulso no último minuto da vitória em Kiev (2-1), a 5 de Novembro, e depois Pedro Emanuel e Hulk viram o vermelho na eliminatória da Taça de Portugal ganha nos penaltis ao Sporting, (1-1 no prolongamento), no dia 9.   - Ao perder em Guimarães, o FC Porto chega à 18ª jornada com 40 pontos, mantendo-se a par do que fez na época passada, na qual também entrou a perder na segunda volta (1-0 com o Marítimo, nos Barreiros) e somava 40 pontos. Se na altura o líder, que era o Benfica, estava a seis pontos de distância, agora o Sporting está a cinco. A diferença é que agora há mais uma equipa metida na luta (o Benfica, que é segundo).   - Há exatamente 30 anos que a equipa portista não ganha um campeonato saindo do terceiro lugar à 18ª jornada. A última vez que tal aconteceu foi em 1985/86 e numa Liga de apenas 30 jornadas, mas nessa altura a equipa de Artur Jorge era terceira a apenas dois pontos do Benfica (que seriam três com a vitória a três pontos) e a um do Sporting (também um, com vitória a três pontos). No fim da época, o FC Porto foi campeão com mais dois pontos que o Benfica e mais três que o Sporting.   - Rui Barros ter-se-á despedido da tarefa de treinador principal do FC Porto com a primeira derrota em todos os jogos em que foi máximo responsável, tanto agora como em 2006, quando assegurou o interinato entre Co Adriaanse e Jesualdo Ferreira. O golo de Saré foi ainda o primeiro golo que uma equipa de Rui Barros sofreu em quatro jogos oficiais: um em 2006 e três agora.
2016-01-18
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- Ao ganhar ao Estoril por 2-1, depois de ter estado a perder (1-0 ao intervalo), o Benfica conseguiu a terceira reviravolta da época. A primeira tinha acontecido contra o Moreirense, no Estádio da Luz, em Agosto, num jogo que os encarnados estiveram a perder por 1-0 e ganharam por 3-2. E a segunda em Madrid, na Liga dos Campeões, em Setembro, quando viraram de 0-1 para 2-1 contra o Atlético. O Benfica não conseguia virar um jogo da Liga portuguesa fora de casa desde Março do ano passado, quando ganhou por 3-1 em Arouca depois de estar a perder por 1-0.   - O Benfica obteve ainda a sexta vitória consecutiva, depois do empate a zero contra o U. Madeira, a 15 de Dezembro. Iguala assim a série de seis vitória conseguidas entre Fevereiro e Março de 2015. Para se encontrar uma série maior é preciso ir às sete que a equipa somou entre Dezembro de 2014 e Janeiro de 2015.   - Ganhando o jogo de abertura da segunda volta, quando na época passada o tinham perdido (1-0 em Paços de Ferreira), os encarnados diminuíram a distância pontual que os separa da equipa que foi campeã em 2014/15. Essa equipa tinha 46 pontos à 18ª jornada, enquanto que a atual soma 43.   - Em contrapartida, os 47 golos que o Benfica fez nas primeiras 18 jornadas, e que lhe permitem continuar a ser o ataque mais realizador da competição, correspondem ao ano de melhor produção atacante da equipa encarnada desde 2009/10. Nessa época, a primeira de Jesus, o Benfica tinha feito mais um golo: 48 em 18 jornadas.   - Ao perder, o Estoril confirmou que este está a ser o seu pior meio-campeonato desde que voltou à Liga. Continua com 20 pontos em 18 jogos, menos cinco do que tinha há um ano, com José Couceiro aos comandos. Com Marco Silva, os canarinhos somavam 30 pontos em 2013/14 e 22 em 2012/13. Para encontrar pior que os atuais 20 pontos é preciso recuar a 2004/05, o ano em que a equipa estorilista desceu pela última vez, e em que chegou à 18ª jornada com 18 pontos.   - Pizzi fez o golo da vitória do Benfica no Estoril (2-1). Foi o terceiro neste mês de Janeiro e o quarto que fez esta época, igualando já a produção goleadora das últimas duas temporadas, no Espanyol (quatro golos em 2013/14) e no Benfica (outros quatro em 2014/15). Melhor só os oito golos no Deportivo em 2012/13 e os onze no Paços de Ferreira, em 2010/11. Nesta época tinha como treinador Rui Vitória.   - Jonas falhou mais uma vez a trilogia de golos em jogos consecutivos. Ficou em branco pela primeira vez na vida contra o Estoril, a quem até aqui marcara sempre, mas assistiu Pizzi para o golo da vitória e é agora não só o melhor marcador da Liga (com 18 golos) mas também o melhor assistente do Benfica, com sete passes decisivos, tantos como Gaitán.   - Mitroglou voltou a marcar saído do banco. Já tinha estado entre os goleadores na vitória frente ao Nacional (4-1) na jornada anterior e repetiu a gracinha agora, estabelecendo o empate contra o Estoril, no jogo que os encarnados acabaram por ganhar. Foi a terceira vez que o grego marcou golos em jogos consecutivos, pois já o tinha feito contra Belenenses (6-0) e Astana (2-0) em Setembro e contra Atl. Madrid (1-2) e V. Setúbal (4-2) em Dezembro.   - Leo Bonatini, que já leva 13 golos esta época, 10 dos quais na Liga, já igualou o total de golos dos dois melhores marcadores do Estoril numa época inteira desde que a equipa da Linha voltou à I Liga. Tal como Bonatini, Steven Vitória (em 2012/13) e Evandro (em 2013/14) acabaram a época com 13 golos (ainda que ambos com 11 na Liga). Mas os dois tiveram a época inteira para lá chegar.   - Os golos de Bonatini têm uma particularidade adicional, rara num ponta-de-lança. É que vêm sempre sós. Se por um lado isso pode ser mau, porque não se lhe vê um bis ou um hat-trick, por outro é excelente, porque quase nunca saiu de um jogo em branco. Esta época, marcou em 13 dos 21 jogos em que participou. E das oito vezes em que ficou em branco, o Estoril perdeu sete. O jogo com o Benfica foi apenas o segundo em que, tendo ele marcado, o Estoril saiu derrotado – o outro foi o 3-2 frente ao Oriental, na Taça da Liga.   - Pawel Kieszek, que tinha feito o jogo 100 na Liga contra o Benfica, na Luz, na primeira volta (derrota por 4-0) e que também se estreara na prova contra os encarnados, pelo Sp. Braga, em Fevereiro de 2008 (empate a uma bola), voltou a ver o Benfica assinalar-lhe um momento especial: desta vez fez o 50º jogo na baliza do Estoril.   - Diogo Amado fez o 100º jogo na Liga portuguesa nesta derrota contra o Benfica. Dos 100, 15 foram com a camisola da U. Leiria – entre eles a estreia, lançado por Pedro Caixinha num empate a zero contra o Beira Mar, em Agosto de 2010 – e os restantes 85 pelo Estoril.
2016-01-17
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Ao empatar com o Tondela (2-2), o Sporting não conseguiu obter a 12ª vitória consecutiva em jogos em casa, ficando a um jogo de igualar a série estabelecida em 1999/00 pela equipa que era comandada por Giuseppe Materazzi e depois Augusto Inácio e que acabou por ser campeã nacional. Ao todo, os leões obtiveram agora 11 vitórias seguidas desde a derrota contra o Lokomotiv Moscovo (1-3), a 17 de Setembro do ano passado, igualando outras duas séries de onze vitórias conseguidas em 2007/08 e em 2012.   - O facto de terem feito dois golos ao Tondela permitiu aos leões marcarem em 21 jogos seguidos em Alvalade, não ficando ali em branco desde o empate a zero com o Wolfsburg, em Fevereiro do ano passado. A equipa atual igualou assim a série obtida em 2007/08, entre uma derrota com o Manchester United (0-1, em Setembro de 2007) e outra com o Glasgow Rangers (0-2, em Abril de 2008).   - Entre os autores dos golos leoninos esteve Slimani, que marcou o primeiro, nessa altura a fazer o empate (1-1). Dessa forma, Slimani marcou nos últimos quatro jogos do Sporting, igualando a sua melhor série desde que chegou a Alvalade. O argelino fez agora golos a FC Porto, V. Setúbal, Sp. Braga e Tondela, quando em Fevereiro e Março de 2014 tinha marcado sucessivamente a Rio Ave, Sp. Braga, V. Setúbal e FC Porto.   - Os golos de Slimani e Gelson Martins foram obtidos em inferioridade numérica, devido à expulsão de Rui Patrício, sendo a segunda vez esta época que o Sporting consegue chegar ao golo nessas condições. Já lhe tinha acontecido em Arouca, quando Slimani marcou o 1-0 após a expulsão de Naldo.   - Rui Patrício foi expulso pela segunda vez esta época, depois de ter visto o vermelho, também por causa de uma grande penalidade, em Elbasan, contra o Skenderbeu. Ao todo, os leões já viram cinco cartões vermelhos, pois além de Patrício e Naldo (nesse jogo com o Arouca) também João Pereira (contra o P. Ferreira) e João Mário (frente ao CSKA) receberam ordem de expulsão.   - Petit tirou mais dois pontos ao Sporting, depois de já ter forçado os leões a um empate quando ainda comandava o Boavista: 0-0 no Bessa. A presença do treinador no banco visitante e o facto de o Sporting ter chegado à vantagem por 2-1 com menos um jogador são dois factos em comum com a última visita do árbitro Luís Ferreira a Alvalade. No campeonato passado, foi depois de Ferreira ter mostrado o vermelho a Tobias Figueiredo que o Sporting chegou ao 2-1 frente ao Boavista, mas ao contrário do que aconteceu agora, a equipa de Petit já não conseguiu empatar.   - O penalti convertido por Nathan Junior foi o primeiro que o Tondela transformou em golo esta época, depois de a equipa beirã já ter falhado quatro, contra o Estoril (Piojo), o Nacional (Nathan), o FC Porto (Chamorro) e o V. Setúbal (Guzzo).   - Foi também o quinto golo de penalti sofrido pelo Sporting esta época, depois de já ter sido assim batido por P. Ferreira (Pelé), Académica (Rabiola), Lilaj (Skenderbeu) e Rafael Martins (Moreirense).   - O Tondela marcou golos pela terceira deslocação consecutiva, depois de ter ganho por 3-2 no terreno do Rio Ave e de ter perdido por 2-1 em Coimbra com a Académica.   - Com os dois golos sofridos contra o Tondela, o Sporting deixou de ter a defesa menos batida da Liga, pelo menos até o FC Porto (10 golos sofridos) jogar em Guimarães. Os leões sofreram onze golos nas primeiras 18 jornadas (quatro deles nos últimos dois jogos) e têm, mesmo assim, a melhor defesa do clube neste total de partidas desde que lá chegaram com 10, em 1996/97.
2016-01-16
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Jonas conseguiu o segundo hat-trick com a camisola do Benfica na vitória por 4-1 frente ao Nacional, depois de ter feito um logo ao segundo jogo pelo clube, a 18 de Outubro de 2014, na visita ao Sp. Covilhã (vitória por 3-2), para a Taça de Portugal. Em compensação, já bisou por doze vezes, seis delas esta época.   - O hat-trick na Choupana foi o primeiro de um benfiquista no campeonato desde que Talisca marcou três golos na vitória em Setúbal, por 5-0, a 12 de Setembro de 2014. É curioso que os últimos três hat-tricks de jogadores do Benfica tenham sido marcados a jogar fora de casa. O último a sair da Luz com três golos na conta pessoal foi Cardozo, no dérbi da Taça de Portugal contra o Sporting (4-3), a 9 de Novembro de 2013. Na Liga, foi Lima, nos 6-1 ao Rio Ave, a 30 de Março de 2013.   - Jonas já superou, em pouco mais de um ano de Benfica, o total de hat-tricks que tinha obtido em três anos e meio de Valencia: só tinha um, nos 3-0 ao Osasuna, a 1 de Dezembro de 2013.   - Ao todo, Jonas fez 38 golos em 44 jogos pelo Benfica na Liga. É o melhor registo nas primeiras 44 partidas de campeonato pelo Benfica desde que José Torres fez 58 golos no mesmo total de jogos, entre 1959/60 e 1963/64. Eusébio, por exemplo, “só” fez 36 golos nos primeiros 44 jogos pelo Benfica no campeonato, entre 1960/61 e 1963/64.   - O Benfica ganhou a quinta partida seguida, depois do empate com a U. Madeira, também na Choupana, a 15 de Dezembro. Continua a perseguir a melhor série de jogos seguidos a ganhar desde Fevereiro e Março do ano passado, quando venceu seis vezes consecutivas.   - A vitória permitiu aos encarnados acabarem a primeira volta com 40 pontos, menos seis do que no final da primeira volta da época passada e tantos como ao fim de 17 jornadas em 2013/14, a primeira época do bicampeonato.   - Os quatro golos marcados significam que o Benfica continua a ter o melhor ataque da Liga, com 45 tentos festejados em 17 partidas. É o total mais elevado da equipa da Luz desde 2009/10, a primeira época de Jesus, quando chegou à 17ª jornada com 47 golos na coluna dos ativos.   - Foi ainda a oitava vitória seguida do Benfica em jogos com o Nacional, quatro delas na Choupana. A última vez que os alvi-negros atrapalharam o Benfica foi em Fevereiro de 2013, quando empataram a duas bolas no seu estádio.   - Para o Nacional, o tempo é de crise: vai com oito jogos seguidos sem ganhar desde a vitória por 3-1 frente ao Marítimo, a 27 de Novembro. Desde então, em todas as competições, empatou quatro jogos e perdeu outros quatro. Igualou a série de oito jogos sem vitória que já não conhecia desde o período entre Novembro de 2011 e Janeiro de 2012, ainda que nessa altura tenha empatado cinco vezes e perdido três.   - Soares, o autor do golo do Nacional, não marcava na Liga desde 7 de Novembro, quando decidiu em nome próprio a visita a Guimarães, saldada com vitória dos madeirenses por 1-0.
2016-01-12
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Rui Barros repetiu o que tinha feito na ocasião anterior em que pegou na equipa do FC Porto: ganhou e não sofreu golos. Os 5-0 ao Boavista, depois de substituir Julen Lopetegui, sucedem-se aos 3-0 com que bateu o V. Setúbal na Supertaça de 2006, após suceder a Co Adriaanse. Nessa altura ganhou também ao Portsmouth (2-1) e ao Manchester City (1-0), em particulares de pré-época.   - Manteve-se também a tradição que dura desde que Pinto da Costa é presidente do clube: sempre que um treinador é despedido durante a temporada competitiva, o FC Porto ganha o jogo seguinte. Já tinha acontecido em 1988 quando Murça ocupou interinamente o cargo após a saída de Quinito; em 1994, no momento em que Bobby Robson substituiu Ivic; em 2002 quando José Mourinho sucedeu a Otávio Machado; em 2005 com José Couceiro a ocupar a vaga de Victor Fernandez; e em 2014, quando Luís Castro foi substituir Paulo Fonseca.   - Os 5-0 com que o FC Porto ganhou ao Boavista são a maior goleada da equipa esta época e a maior desde que venceu o Estoril por resultado idêntico, no Dragão, a 6 de Abril do ano passado. Fora de casa, o FC Porto não marcava cinco golos desde a visita ao Gil Vicente (5-1, a 3 de Janeiro de 2015) e não ganhava por cinco de diferença desde os 5-0 em Arouca, a 25 de Outubro de 2014. No Bessa, já não ganhava por tanta vantagem desde Maio de 1982, quando lá se impôs por 6-0.   - Aboubakar fez o terceiro bis da época, o segundo na Liga, depois de já ter marcado duas vezes ao V. Guimarães, no Dragão, logo a abrir a prova, num jogo que o FC Porto venceu por 3-0, em Agosto. Além desse jogo, também tinha bisado em Kiev, no empate a duas bolas contra o Dynamo, a contar para a Liga dos Campeões.   - Herrera marcou pela segunda jornada consecutiva na Liga, depois de já ter feito o tento que deu um ponto na receção ao Rio Ave (1-1). É a segunda vez que o consegue, depois de já ter estado entre os goleadores na vitória frente ao Rio Ave (3-0) e na derrota contra o Olhanense (1-2), em Abril e Maio de 2014.   - Layun consolidou a sua posição como maior assistente desta Liga. Fez o nono passe de golo na prova, desta vez para Aboubakar, enquanto que o benfiquista Gaitán soma sete e segue em segundo nesta tabela.   - Casillas viu o primeiro cartão amarelo da época, por derrubar Luisinho. Foi simultaneamente a sua primeira advertência desde Outubro de 2012, quando foi admoestado numa vitória do Real Madrid sobre o Celta de Vigo, no Santiago Bernabéu (2-0).   - Além disso, o guarda-redes espanhol voltou a manter a baliza virgem, algo que já não lhe acontecia a ele pessoalmente desde a vitória por 4-0 frente ao U. Madeira, a 2 de Dezembro. Entretanto, sofrera golos de P. Ferreira (2-1), Chelsea (0-2), Nacional (2-1), Académica (3-1), Sporting (0-2) e Rio Ave (1-1). O último zero defensivo do FC Porto, contra o Feirense, na Taça de Portugal (1-0) tivera Helton nas redes.   - O FC Porto chega ao fim da primeira volta exatamente com a mesma pontuação que na época passada, fruto das mesmas 12 vitórias, quatro empates e uma derrota – na época passada contra o Benfica, agora contra o Sporting. Mas se há um ano isso lhe garantia o segundo lugar isolado, ainda que a seis pontos do líder, agora obriga-o a partilhar a segunda posição, mas está mais perto do comandante: a apenas quatro pontos.   - O Boavista, em contrapartida, fez as piores 17 jornadas inaugurais de toda a sua história da I Divisão. Soma 10 pontos, piorando os 12 de 1971/72. E atenção que, caso a vitória nessa altura valesse três pontos e não dois, esse Boavista teria 15 pontos à 17ª jornada.
2016-01-11
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A reviravolta do Sporting frente ao Sp. Braga, de 0-2 para 3-2, foi a primeira que os leões consumaram depois de estarem a perder por dois golos ao intervalo na Liga desde 10 de Abril de 1998, quando em visita ao Campomaiorense saíram para o descanso a perder por 3-1 e acabaram por se impor por 5-3. Demetrius fez os três golos dos alentejanos na primeira parte, tendo os leões respondido com um hat-trick de Paulo Alves e golos de Oceano e Edmilson.   - Caso se procure por uma reviravolta leonina depois de estar a perder por 2-0 ao intervalo, já é preciso recuar a 24 de Fevereiro de 1963. Nessa altura, a equipa liderada por Juca perdia em casa com o V. Guimarães por 2-0 (marcaram Armando e Lua) e acabou por vencer por 4-2, graças a golos de Augusto, Lúcio e a um bis de Osvaldo Silva. A vitória, porém, não foi tão dramática, pois os leões chegaram à vantagem aos 63’. - Contando jogos de outras competições, os leões operaram uma reviravolta épica contra o Benfica, na Taça de Portugal, em Abril de 2008, quando recuperaram de um 0-2 em casa contra o Benfica (golos de Rui Costa e Nuno Gomes) para um 5-3 final - marcaram Yannick (dois), Liedson, Derlei e Vukcevic, tendo Cristian Rodriguez feito o terceiro dos encarnados.   - Esta foi ainda a quinta vitória que o Sporting arrancou nos últimos cinco minutos na presente edição da Liga. Duas delas aconteceram nos descontos: 2-1 ao Tondela em Aveiro com um golo de Adrien aos 90+8’ e 1-0 em casa ao Belenenses com o tento de William Carvalho aos 90+3’. Slimani, que desta vez marcou o golo da vitória ao minuto 90 já o tinha feito no 1-0 com que o Sporting bateu o Arouca. E Montero decidiu a partida em casa com o Nacional, fazendo o golo aos 86’.   - Muito graças a essas vitórias arrancadas a ferros, o Sporting foi campeão de Inverno, título não oficial que se atribui à equipa que lidera a Liga após o fim da primeira volta. Os leões não estavam na frente à viragem da prova desde 2004/05, quando chegaram à 17ª jornada com os mesmos 31 pontos de FC Porto e Benfica. Nesse ano acabaram a Liga em terceiro. Mas na última vez que viraram para a segunda volta isolados foram campeões: foi em 2001/02, que a equipa de Bölöni entrou na segunda volta com três pontos de avanço sobre o Boavista e já não cedeu o primeiro lugar.   - Já Jorge Jesus conquistou os últimos cinco títulos de campeão de Inverno, quatro deles pelo Benfica, mas em dois dos quatro que já chegaram ao fim ainda perdeu a Liga: em 2011/12 perdeu uma vantagem de dois pontos para o FC Porto e em 2012/13 chegou a meio caminho com os mesmos pontos dos dragões, acabando a prova em segundo lugar. Em 2013/14 fez alargou uma vantagem sobre o Sporting que a meio era de dois pontos e na época passada fez valer os seis pontos de avanço que levava sobre os dragões à 17ª jornada.   - Os 44 pontos que o Sporting somou na primeira volta são o melhor pecúlio dos leões desde que a vitória vale três pontos. Aplicando as atuais regras de pontuação, desde 1969/70 que a equipa de Alvalade não amealhava tanto nas primeiras 17 jornadas. Nesse campeonato, tal como agora, ganhou 14 e empatou dois dos 17 primeiros jogos. E seguiu em frente até ser campeão, interrompendo um ciclo de vitórias do Benfica.   - Slimani marcou golos pelo terceiro jogo consecutivo na Liga, depois de dois bis ao FC Porto e ao V. Setúbal. É a segunda vez que tal lhe sucede. Aliás, a sua melhor série é de quatro jornadas seguidas a marcar, frente a Rio Ave, Sp. Braga, V. Setúbal e FC Porto, em Fevereiro e Março de 2014. É no mínimo curioso que os adversários sejam agora os mesmos.   - Wilson Eduardo voltou a marcar ao Sporting. Já o tinha feito no jogo da Taça de Portugal, esta época, com a camisola do Sp. Braga, e antes fizera-o pela Académica e pelo Olhanense. Ao todo, são quatro golos em oito jogos do avançado formado em Alvalade contra a equipa que o viu crescer.   - Foi a 11ª vitória seguida do Sporting em Alvalade, desde a derrota com o Lokomotiv Moscovo (1-3), a 17 de Setembro. Os leões igualaram a série de onze jogos seguidos a ganhar em casa que tinham registado entre Fevereiro e Maio de 2012, mas podem superá-la na receção ao Tondela, já na sexta-feira.   - Foi, ainda, a 20ª partida seguida do Sporting a marcar golos em casa, desde o 0-0 com o Wolfsburg, em Fevereiro do ano passado. Esta é já a série mais longa de jogos dos leões a marcar em casa desde 2007/08, quando marcaram sempre em 21 jogos consecutivos.   - Foi ainda a primeira vitória do Sporting sobre uma equipa liderada por Paulo Fonseca na Liga. Até aqui, o treinador do Sp. Braga já tinha ganho ao Sporting com o P. Ferreira (duas vezes por 1-0 em 2012/13) e uma com o FC Porto (3-1), em 2013/14, empatando as duas partidas no regresso aos castores (sempre 1-1), em 2014/15. A única vez que o Sporting tinha vencido Paulo Fonseca tinha sido na Taça da Liga de 2012/13: 1-0 em Alvalade ao Paços de Ferreira.
2016-01-11
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Cristiano Ronaldo, Messi ou Neymar. Um deles vai ganhar hoje a Bola de Ouro para o melhor futebolista do Mundo de 2015. O Mundo inteiro aposta em Messi, líder do Barcelona que ganhou tudo no ano passado e que assim poderia alargar para 5-3 a sua batalha privada com Ronaldo, que já dura desde Janeiro de 2009. Mas há nesta Bola de Ouro uma série de nuances que podem baralhar as contas, como a política do voto por blocos ou a definição do que deve ser privilegiado num prémio individual. A segunda questão já não é nova e é uma daquelas que não tem nem terá nunca resposta – só serve para entreter. A primeira é a mais interessante, porque depende dos blocos onde a solidariedade funcionar melhor. Ainda assim, nem toda a política do Mundo deve roubar a Messi mais uma consagração. Olha-se para os três nomeados e descobrem-se três máquinas de fazer golos. Ronaldo, vencedor em 2008, 2013 e 2014, fez no ano de 2015 54 golos em 52 jogos pelo Real Madrid, aos quais somou mais três em cinco jogos pela seleção portuguesa. Messi, que ganhou em 2009, 2010, 2011 e 2012, marcou 48 golos em 53 desafios pelo Barcelona, juntando-lhes mais quatro em oito partidas pela Argentina. E Neymar, que sucede a Xavi (2011), Iniesta (2012), Ribery (2013) e Neuer (2014) como desafiante do ano – todos os anos aparece um a partilhar o plateau com os dois donos da bola –, somou 41 golos em 54 jogos pelo mesmo Barcelona, mais quatro em nove jogos pelo Brasil. Logo à partida, nas estatísticas, a superioridade vai para Ronaldo. Mas os jogadores do Barcelona contrariam essa vantagem com a evidência da sua superioridade coletiva: ganharam Liga espanhola, Taça do Rei, Liga dos Campeões e Mundial de clubes contra um rotundo zero do Real Madrid de Ronaldo. É aqui que aparecem uns a dizer que este não é um prémio de goleadores – para isso está lá a Bota de Ouro – e outros a responder que também não é um prémio coletivo – que para isso existem as competições de clubes. Essa é, portanto, uma discussão estéril, porque todos têm razão e porque não é isso que está em causa. A Bola de Ouro baseia-se em votações subjetivas de jogadores, treinadores e jornalistas e se tanto os golos como os títulos coletivos ganhos são fatores capazes de influenciar a decisão de quem vota, não é menos verdade que a escolha nunca será científica e baseada em fatores mensuráveis. Há coisas a medir, mas não são essas. As influências, por exemplo. Os mais velhos lembrar-se-ão das transmissões dos festivais da Eurovisão de antigamente, onde a canção portuguesa tinha sempre uns pontinhos assegurados, vindos do júri espanhol, fosse por solidariedade geográfica ou política, quando os dois países ibéricos eram as últimas ditaduras de direita da Europa. No futebol, a coisa funciona um bocado assim também. O problema é que a globalização veio baralhar os blocos. De um lado, o bloco do Barcelona – Neymar e Messi – contra o bloco do Real Madrid – Cristiano Ronaldo. Depois, o bloco dos sul-americanos – os mesmos Neymar e Messi – contra o bloco europeu – mais uma vez representado por Ronaldo. De seguida, o bloco de idioma castelhano – Messi sozinho – contra o dos luso-falantes – aqui Ronaldo e Neymar, sendo que o português pode ter pelo seu lado os que falam inglês, por ter jogado na Premiership. E, mesmo que não se fale em verbas a circular de cá para lá e de lá para cá, algo tão em voga quando se vota pela atribuição de sedes de campeonatos do Mundo da FIFA, há ainda uma dúvida remanescente: poderão os membros de um mesmo bloco dividir os votos respetivos entre si, facilitando a vitória de quem está sozinho? É que se nas presidenciais portuguesas, por exemplo, a esquerda prefere pulverizar e dividir os votos a ver se consegue forçar uma segunda volta, na Bola de Ouro não há segunda volta. Ganha quem tiver mais um voto. Messi? Creio que sim. Mas espero para ver. In Diario de Notícias
2016-01-11
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Quando apareceu a treinar na I Divisão, Jorge Jesus era conhecido como o “Cruijff da Reboleira”. Era a forma depreciativa que o futebol nacional encontrava para ridicularizar um treinador de uma equipa pequena com manias de grandeza, porque lhe dava a alcunha do líder do grande Barcelona desse tempo mas juntava-lhe a origem suburbana para o diminuir. Passaram 20 anos e a maior parte dos que gozavam com Jesus nessa altura ainda acham que o decalque do “cruijffismo” passava pela tentação de colocar o Felgueiras a jogar em 3x4x3 ou que a descida de divisão naquele ano e a preferência posterior pelo 4x4x2 pressupunham o abandono do modelo do “Fininho”. Estão enganados. O futebol de Jesus continua a beber muita da sua inspiração na revolução de Cruijff porque é lá que vai buscar o seu conceito fundamental: posicionamento que permita superioridade numérica na zona da bola. Como se viu na vitória do Sporting frente ao FC Porto, anteontem, por exemplo. Cruijff era o mentor em campo daquilo a que se chamou o “futebol total”, inventado por Stefan Kovacs e aperfeiçoado por Rinus Michels. Ora, o “futebol total” nunca se definiu através de um esquema tático. Podia ser o 4x3x3 da Holanda e do Ajax da década de 70, o 3x4x3 do Barcelona do final dos anos 80 ou o 4x6x0 da Espanha de 2010 e 2012. Há quem diga até que era o 4x2x4 da Hungria dos anos 50… Pouco importa. O que mais interessa ali é a predisposição de todas essas equipas para viverem e mudarem dentro desses esquemas, de forma a criarem situações de superioridade numérica onde mais interessa. Isso, por muito que os gozões de 1995 ainda não o tenham compreendido, treina-se. E não me espantou que a primeira vez que falei com Jesus, num jantar de aniversário do Record, era ele treinador do Felgueiras e eu comentador dos jogos da Liga espanhola na TVI, tenha sido sobre os treinos de Johann Cruijff, a que ambos tínhamos assistido em Barcelona, ainda que em alturas diferentes: ele quando lá estagiou e eu quando por lá passei uma semana em reportagem ao serviço do Expresso. O que interessava ao Cruijff da Reboleira não eram esquemas táticos, não era a obsessão do verdadeiro Cruijff pelos extremos puros, pela largura das suas equipas no campo, mas sim a forma como ele treinava para garantir a progressão em triangulações e as situações de superioridade numérica na zona da bola. Ao contrário do Cruijff verdadeiro, o da Reboleira já mudou de esquema tático predileto muitas vezes. Mas se Cruijff transformou o 4x3x3 em 3x4x3 porque achou que precisava de ter mais gente no meio-campo e não tinha de sacrificar sempre quatro homens atrás contra adversários que só atacavam com um ou dois elementos, Jesus também compreendeu a importância da criação de desequilíbrios favoráveis. As contas são fáceis de fazer. Todas as equipas começam com onze em campo e para se ter mais gente numa determinada área é preciso ter menos noutras – o segredo é ter mais gente onde importa e menos onde o adversário tem menos hipóteses de fazer valer a sua superioridade parcial. Foi por isso que, sendo adepto do 4x4x2, Jesus abordou o jogo em Braga em 4x3x3, com Aquilani a fazer de segundo avançado mas muito mais predisposto a baixar para a zona do meio-campo – onde o Sp. Braga tinha apenas dois homens – e assegurar ali um desequilíbrio favorável ao Sporting. É por isso que os extremos de Jesus procuram sempre o espaço interior, de forma a assegurarem superioridade coletiva naquela zona, mesmo sacrificando a largura que é uma das ideias base do futebol de Lopetegui, por exemplo. O jogo em Braga, o Sporting perdeu-o, após 120 minutos muito divididos, com superioridade ora de uma, ora de outra equipa. Contra o FC Porto ganhou com clareza, tal como já tinha ganho os três clássicos da temporada frente ao Benfica. E sempre com a mesma filosofia – a da criação de desequilíbrios favoráveis. Foi essa a história do Sporting-FC Porto. Superioridade dos leões no corredor central, onde tinham William, um Adrien de movimentos amplos, João Mário a sair da direita e Ruiz a baixar do ataque contra Danilo e Ruben Neves muito fixos, aos quais só se juntava Herrera. A aposta do FC Porto era na largura, com Brahimi e Corona sempre abertos sem bola, ainda que procurassem o corredor central quando a tinham nos pés. Os dragões criavam perigo se conseguiam variar rapidamente o flanco no ataque, porque o Sporting jogava estreito e as costas do lateral do flanco oposto eram muito apetecíveis, mas raramente conseguiam tornar essa superioridade efetiva – era preciso fazer chegar lá a bola. A supremacia do Sporting fundou-se na superioridade no local onde a bola andava mais tempo: o corredor central. Chegou para ganhar o jogo com a clareza de um 2-0 ao qual se somaram mais duas bolas nos ferros. Pode não chegar para ganhar a Liga, tal como não chegou para ganhar em Braga, na Taça de Portugal. Mas nem isso fará com que a ideia não seja boa. In Diário de Notícias
2016-01-04
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As três equipas que ainda não tinham tido penaltis a seu favor na Liga tiveram todas um nesta jornada: o U. Madeira converteu o seu na baliza da Académica, o Nacional fez o mesmo contra o Arouca, mas o Rio Ave falhou o seu primeiro penalti do campeonato, contra o Tondela. A partir de agora, já todas as equipas tiveram pelo menos um penalti a favor, sendo que ainda há duas sem qualquer grande penalidade contra: V. Guimarães e Benfica.   - Ainda acerca de penaltis, Bruno Moreira fez, de grande penalidade, o primeiro golo do Paços de Ferreira no empate a duas bolas frente ao Belenenses. Foi o sétimo penalti desta Liga a favor dos pacenses, que desta forma igualaram o Sporting na condição de equipa com mais remates dos onze metros a seu favor na competição. Aliás, o Paços de Ferreira vai com três jornadas seguidas a ter pelo menos um penalti a seu favor.   - Ao vencer o U. Madeira por 3-1, a Académica obteve a segunda vitória consecutiva em casa, pois já tinha ganho ao Belenenses por 4-3 na 13ª jornada. A última vez que a Académica tinha ganho duas vezes seguidas em casa tinha sido em Janeiro de 2014, quando bateu consecutivamente o P. Ferreira (4-2) e o Gil Vicente (1-0). João Real e Ivanildo, que fizeram golos na sequência presente, também já os tinham feito na de 2014.   - Fernando Alexandre, em contrapartida, marcou nos dois últimos jogos da Académica em Coimbra: fez o quarto nos 4-3 ao Belenenses e o segundo nos 3-1 ao U. Madeira.   - O central Paulo Monteiro fez o primeiro golo na Liga, na transformação de um penalti (o tal que foi o primeiro da equipa de Norton de Matos no campeonato). Mas já foi o seu quarto golo desta época, pois tinha obtido um hat-trick no jogo da Taça de Portugal contra o Sertanense, que o U. Madeira venceu por 5-1. Todos os seus golos foram de penalti.   - O Moreirense ganhou pela primeira vez na história no terreno do Boavista e fê-lo logo por 3-0. Foi a terceira vitória consecutiva dos cónegos em todas as competições, depois de terem ganho ao Nacional (2-0, para a Liga) e ao Oriental (4-2, para a Taça da Liga), algo que a equipa não conseguia desde Agosto de 2013, quando ainda estava na II Liga e venceu sucessivamente Ac. Viseu, Sp. Covilhã e Chaves.   - Rafael Martins, do Moreirense, vai com quatro jogos seguidos sempre a marcar golos: fez o golo ao Sporting na derrota por 3-1 em Alvalade, depois bisou nos 2-0 ao Nacional e nos 4-2 ao Oriental e agora fez o segundo nos 3-0 ao Boavista. Melhorou a sua melhor sequência desta época, que era de três jogos sempre a marcar (Tondela, Aves e V. Setúbal) e igualou a melhor desde que está em Portugal, quando festejou sucessivamente contra Nacional, Académica, Benfica e Olhanense, em Abril e Maio de 2014. Esta sequência, porém, tem uma particularidade: é que pelo meio o brasileiro não jogou frente ao Sp. Braga.   - Os 3-0 encaixados contra o Moreirense representam a derrota mais alargada do Boavista em casa desde uns 4-1 que sofreram do Vizela, em Março de 2014, no Campeonato Nacional de Seniores. Na I Liga, o Boavista não perdia em casa por três ou mais golos desde Outubro de 2006, quando o Nacional ali venceu por 4-0.   - Ao empatar com o Arouca, em casa (2-2), o Nacional somou o sexto jogo seguido sem vitória, contando todas as competições. A equipa de Manuel Machado iguala assim a série negra de Março e Abril do ano passado, quando somou três empates e três derrotas contra Sporting (duas vezes), Benfica, FC Porto, Académica e Rio Ave. Desta vez, após a vitória contra o Marítimo (3-1, em finais de Novembro), também tem três empates e três derrotas, ante FC Porto, Benfica, Estoril, Aves, Moreirense e Arouca.   - O empate na Choupana confirma que o Arouca gosta mesmo de dividir os pontos: foi o oitavo em 15 jornadas para a equipa orientada por Lito Vidigal. Na últimas cinco jornadas, porém, os jogos dos arouquenses têm descoberto os golos, pois em todas elas se verificou que ambas as equipas marcaram.   - Zequinha, que fez o primeiro golo do Arouca na Choupana, ainda não tinha marcado esta época. O seu último golo na Liga já tinha sido na Madeira, a 6 de Abril de 2015, e também tinha valido um empate, mas ao V. Setúbal (que representava nessa altura) num jogo frente ao Marítimo.   - O empate frente ao Estoril valeu mais uma expulsão ao Marítimo. Desta vez foi Ruben Ferreira, a ver o segundo amarelo já em período de compensações. Foi a 12ª expulsão dos verde-rubros em 15 jornadas da Liga, o que transforma este parcial no total de expulsões mais elevado da história do Marítimo na I Liga. E ainda falta mais de meio campeonato.   - Leo Bonatini fez o golo que valeu ao Estoril o empate nos Barreiros contra o Marítimo. O avançado brasileiro marcou os últimos quatro golos dos canarinhos, todos os que a equipa fez desde o início de Dezembro. O último além dele a marcar um golo pelo Estoril foi Dieguinho, na vitória por 1-0 frente ao Caldas, na Taça de Portugal, a 22 de Novembro. Na Liga, então, ninguém a não ser Bonatini faz um golo pelo Estoril desde que Afonso Taira obteve o tento do empate (2-2) frente ao Rio Ave, a 24 de Outubro.   - O empate significou para o Estoril a continuação da série negra de jogos sem vitórias na Liga. São já nove, desde a vitória sobre o U. Madeira (2-1) em casa, a 27 de Setembro. O Estoril igualou assim a pior série da época passada, que foi de precisamente nove jogos da Liga sem ganhar entre um 1-0 ao Arouca (a 25 de Janeiro) e um 1-0 ao Paços de Ferreira (a 13 de Abril). Pelo caminho, José Couceiro saiu e cedeu o lugar a Fabiano Soares, o atual treinador.   - O golo de Suk ao Sp. Braga significa que esta já é a época mais produtiva do coreano do V. Setúbal. Ao todo, contabilizando todas as competições, Suk soma já onze concretizações (nove na Liga e duas na Taça de Portugal), batendo os seus próprios registos de 2014/15 quando, entre Nacional e V. Setúbal, acabou a temporada com dez (seis na Liga, três na Taça de Portugal e um na Taça da Liga).   - O bracarense Marcelo Goiano, que garantiu o empate do Sp. Braga em Setúbal, fez o seu primeiro golo na Liga. Já tinha marcado pelo Sp. Braga, mas sempre na Taça de Portugal: ao Alcains na época passada e ao Sporting esta época. Antes disso, pelo Feirense, também tinha um golo pelo Feirense, mas ao Fafe, também na Taça de Portugal.   - Carlos Martins voltou a ser expulso, no empate do Belenenses em Paços de Ferreira, o que já não lhe acontecia desde 8 de Fevereiro do ano passado, quando o Belenenses perdeu em Guimarães, por 1-0. Foi a terceira expulsão do médio desde que regressou de Espanha, para jogar no Benfica, e em nenhum desses jogos a sua equipa ganhou.   - Ukra falhou o primeiro penalti do Rio Ave nesta Liga e o primeiro de que os vila-condenses beneficiam desde 21 de Março. Nessa altura, o mesmo Ukra fez golo ao Benfica, contribuindo para uma vitória por 2-1 dos verde-e-brancos.        
2016-01-04
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O Sporting venceu o FC Porto por 2-0 e continua imparável nos clássicos, tendo ganho os primeiros quatro da época, pois a esta vitória somam-se as três obtidas contra o Benfica na Supertaça, na Liga e na Taça de Portugal. Esta foi a primeira vez que o Sporting ganhou os primeiros quatro clássicos da época, mas não a primeira vez que ganhou quatro clássicos consecutivos: tinha-o conseguido em 1948, quando ganhou ao Benfica a 25 de Abril (4-1, para a Liga), ao FC Porto a 16 de Maio (5-2, para a Liga), e mais duas vezes ao Benfica a 27 de Junho (3-0 para a Taça de Portugal) e a 14 de Novembro (5-1 para a Liga). Encalhou à quinta partida, perdendo por 1-0 frente ao FC Porto a 5 de Dezembro, no Campo da Constituição.   - Continua assim a saga negativa do FC Porto em Alvalade, onde os dragões já não ganham há dez jogos, com seis empates e quatro vitórias leoninas. A última vez que o FC Porto venceu o Sporting em Alvalade foi a 5 de Outubro de 2008, por 2-1, graças a golos de Lisandro López e Bruno Alves, tendo João Moutinh feito o tento dos leões.   - Além de Alvalade, nota-se a incapacidade do FC Porto ganhar em Lisboa. É que são já 12 os jogos seguidos desde a última vitória dos dragões em Lisboa, um 3-2 sobre o Benfica, a 2 de Março de 2012. Desde aí, o FC Porto soma três derrotas e dois empates com o Benfica na Luz, dois empates com o Belenenses no Restelo e duas derrotas e três empates com o Sporting em Alvalade.   - Slimani chegou aos 14 golos na época e está a apenas um de toda a produção na época passada. Fez, além disso, o quarto golo em clássicos nesta temporada, só tendo ficado em branco no desafio da Supertaça. De resto, fez o segundo golo nos 3-0 ao Benfica na Luz, o tento que decidiu o prolongamento (2-1) frente aos encarnados na Taça de Portugal e agora ambos os golos dos 2-0 ao FC Porto em Alvalade.   - O argelino foi, além disso, o primeiro jogador do Sporting a bisar num clássico desde que Liedson o fez numa vitória por 3-2 frente ao Benfica, em Fevereiro de 2009. Num jogo com o FC Porto, o último leão a marcar dois golos tinha sido Romagnoli, nuns 4-1 a contar para a Taça da Liga, poucos dias antes desse jogo com o Benfica.   - O Sporting obteve a décima vitória consecutiva em casa, depois da derrota contra o Lokomotiv de Moscovo, a 17 de Setembro, a contar para a Liga Europa. Os leões continuam a perseguir a série de 2011/12, quando a equipa de Ricardo Sá Pinto ganhou consecutivamente os derradeiros onze jogos no seu estádio.   - Além disso, os leões aumentaram para 24 o total de jogos que levam sem perder me casa para a Liga desde que foram batidos em Alvalade pelo Estoril de Marco Silva, a 11 de Maio de 2014 (1-0, na última jornada desse campeonato). Aqui, perseguem a marca estabelecida pela equipa de Paulo Bento, que esteve 26 jogos seguidos sem perder em Alvalade para a Liga entre um 0-2 contra o Benfica a 1 de Dezembro de 2006 e um 1-2 contra o FC Porto a 5 de Outubro de 2008.   - Foi a primeira derrota do FC Porto na Liga desde 25 de Janeiro do ano passado, quando os dragões foram batidos nos Barreiros pelo Marítimo, por 1-0. Desde aí, a equipa de Lopetegui somara 30 jogos sem perder no campeonato, com 24 vitórias e seis empates.   - Foi, além disso, a segunda derrota seguida do FC Porto em todas as competições, depois de ter sido batido pelo Marítimo, no Dragão, para a Taça da Liga (1-3). Lopetegui nunca tinha perdido dois jogos seguidos no FC Porto, pois a última série de duas derrotas consecutivas dos dragões já datava de Novembro de Dezembro de 2012, quando a equipa de Vítor Pereira foi consecutivamente batida pelo Sp. Braga (2-1, na Taça de Portugal) e pelo Paris St. Germain (2-1 na Liga dos Campeões).   - Apesar de tudo, os 36 pontos que o FC Porto soma nas primeiras 15 jornadas ainda se superiorizam aos 34 que a equipa somou nos primeiros 15 jogos da época passada. Para se encontrar um FC Porto mais forte por esta altura da época há que recuar à última vez que os dragões foram campeões: em 2012/13 tinham 39 pontos à 15ª jornada.   - Muito mais forte está o Sporting, cujos 38 pontos são amplamente mais largos que os 30 que a equipa somava por esta altura da época passada. Para encontrar um Sporting com tantos pontos ao fim de 15 jogos é preciso recuar a 1990/91, quando a equipa de Marinho Peres comandava a Liga com 27 pontos, fruto de 13 vitórias e um empate, que com as regras de pontuação atuais seriam 40.   - O Sporting tem, além disso, a melhor defesa da Liga, com apenas sete golos sofridos, menos cinco do que à mesma altura da Liga anterior. A última vez que os leões chegaram tão pouco vulneráveis à 15ª jornada da Liga foi em 1996/97, quando a equipa que começou a ser comandada pelo belga Robert Waseige e depois viu suceder-lhe Otávio Machado tinha os mesmos sete golos encaixados em 15 jogos.   - Lopetegui apresentou exatamente o mesmo onze inicial que já tinha mostrado na vitória frente à Académica, na 14ª jornada, repetindo onze pela primeira vez na prova desde Março, quando abordou os jogos com o Sporting, no Dragão, e o Sp. Braga, na Pedreira, com os mesmos titulares. Maicon, Herrera e Brahimi são os únicos jogadores em comum às quatro partidas.   - O treinador basco continua sem conseguir ganhar e, pior, sem marcar um único golo em jogos contra equipas dirigidas por Jorge Jesus. Em três jogos, empatou um a zero e perdeu os outros dois pelo mesmo resultado: 2-0.   - O jovem Matheus Pereira foi titular na Liga pela primeira vez, entrando logo num clássico. Já tinha começado vários jogos dos leões esta época, mas nenhum no campeonato: quatro na Liga Europa, um na Taça da Liga e um na Taça de Portugal.   - Estreia na Liga de André Silva, que entrou para o lugar de Aboubakar a 19’ do final depois de já ter sido titular na partida da Taça da Liga frente ao Marítimo.
2016-01-03
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Renato Sanches fez o segundo golo da época e o primeiro decisivo, garantindo a vitória do Benfica frente ao V. Guimarães por 1-0. Os encarnados não ganhavam um jogo na Liga graças a um golo de um jogador ainda júnior desde 7 de Março de 2004, quando bateram fora o Gil Vicente por 2-1 graças a um golo de Manuel Fernandes, a 12’ do fim. - Esta época, o Benfica já tinha ganho um jogo graças a um golo de um miúdo de 18 anos, mas fê-lo na Liga dos Campeões, em Setembro: foi o 2-1 em Madrid, frente ao Atlético, graças a um golo de Gonçalo Guedes.   - O golo de Renato foi ainda o primeiro do Benfica na Liga sem participação direta de Jonas desde a vitória em Setúbal, por 4-2, a 12 de Dezembro. Nesse jogo, o brasileiro não participou no quarto golo encarnado, marcado na própria baliza por Ricardo depois de um remate de Mitroglou ao poste.   - A vitória em Guimarães foi a terceira seguida do Benfica, depois dos sucessos contra o Rio Ave e o Nacional (este na Taça da Liga). Os encarnados igualaram assim as três melhores séries da época, todas compostas por três vitórias consecutivas. Nas três primeiras, caíram ao quarto jogo, contra o FC Porto (0-1), o Galatasaray (1-2) e o Sporting (1-2).   - Foi, além disso, o oitavo jogo seguido do Benfica sem perder na Liga, numa série que começou após a derrota contra o Sporting, na Luz, a 25 de Outubro. Desses oito jogos, os encarnados saíram sete vezes vencedores, empatando apenas frente ao U. Madeira, na Choupana. E só por duas vezes sofreram golos: nos 4-2 em Setúbal e nos 3-1 em casa ao Rio Ave.   - Quinto jogo consecutivo do V. Guimarães sem marcar um golo sequer ao Benfica. O último golo dos vimaranenses na baliza dos encarnados aconteceu no Jamor, em Maio de 2013, e foi marcado por Ricardo Pereira, garantindo a conquista da Taça de Portugal à equipa então comandada por Rui Vitória. Desde então, o Vitória soma quatro derrotas e apenas um empate a zero, em casa, na penúltima ronda da Liga anterior.   - O jogo marcou a segunda derrota consecutiva do V. Guimarães em casa, depois de ter perdido por 4-3 com o Marítimo. Desde Abril de 2014, quando perderam de enfiada com Estoril (1-3) e Arouca (2-3) que os vimaranenses não perdiam duas vezes seguidas no seu terreno.   - Segunda vitória em outros tantos jogos de Rui Vitória contra as suas ex-equipas nesta Liga. Depois dos 3-0 em casa ao Paços de Ferreira ganhou agora por 1-0 fora ao V. Guimarães.   - Cafu fez o 50º jogo com a camisola do V. Guimarães, depois da estreia, em Agosto de 2014, numa vitória por 3-1 frente ao Gil Vicente. O treinador que o lançou, Rui Vitória, estava agora no banco oposto.   - O Benfica continua a ter o melhor ataque da Liga, com 35 golos marcados em 15 jogos, o seu melhor parcial em 15 jogos desde 2012/13, quando chegou à 15ª jornada com 39 golos obtidos. A pontuação é que não é famosa: soma 34 pontos, menos seis que na época passada à mesma altura. Desde 2010/11 que o Benfica não tinha tão poucos pontos à 15ª jornada – nesse ano somava 33.
2016-01-03
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Jorge Jesus voltou a dirigir-se aos adeptos que estavam em Alvalade esta semana e recordou aquilo que tinha dito no ato da apresentação: que o Sporting ia ser candidato ao título. Aliás, renovou a promessa de andar lá, “encostado a eles”, num discurso aos adeptos que foram ver a equipa treinar-se e no qual enumerou aquilo que a equipa já conseguiu em cinco meses de trabalho. Mas Jesus, melhor do que ninguém, sabe que para andar lá “encostado a eles”, a equipa precisa de mais um salto em frente. Foi assim que conseguiu dois dos seus três títulos nacionais, sendo que o outro foi ganho a colar com cuspe os remendos de uma equipa que sentiu demasiado os efeitos do mercado de inverno, no qual perdeu Enzo Pérez. O que pode parecer pouco mas se notou muito porque em anos anteriores a equipa já tinha perdido Javi García, Witsel e Matic. A época de 2014/15 foi a exceção nos títulos de Jesus. Nela, o Benfica baixou a média de pontos por jogo do Natal para a frente e mesmo assim conseguiu ser campeão, muito graças a um arranque superlativo: tinha 2,64 pontos por jogo até ao Natal e somou 2,40 pontos por jogo entre o Ano Novo e o fim da Liga. Valeu-lhe um início mais tímido que o atual do FC Porto de Julen Lopetegui, com apenas 2,21 pontos por jogo até à noite de Consoada (contra os 2,57 de agora), e uma ponta final não muito afirmativa dos dragões, com 2,55 pontos por jogo, reflexo, por exemplo, da incapacidade para ganhar o clássico na Luz que os devolveria à luta pelo título. Ora desta vez o FC Porto já está na frente e, se mantiver o “modus operandi” da época passada, Lopetegui não tem a rotatividade para o atrapalhar e lhe roubar pontos. Há um ano, por esta altura, o basco tinha o onze consolidado e, mesmo estando agora também na Taça de Portugal e na Liga Europa com responsabilidades que não tinha na Champions, tudo leva a crer que possa pelo menos manter a pedalada até ao final da Liga. Daí que, caso queira mesmo andar lá em cima, “encostado a eles”, Jesus saiba que tem de repetir o que conseguiu nos seus primeiros dois títulos com o Benfica e subir a média pontual a partir de Janeiro. Em 2009/10 cresceu de 2,35 para 2,68 pontos por jogo e em 2013/14 aumentou a produtividade de 2,35 para 2,56 pontos por jogo. O Sporting de Jesus viaja com uma média de 2,50 pontos por jogo, mas para ser campeão pode ter que melhorar. As duas épocas em que o Benfica de Jesus aumentou a produtividade de Janeiro para a frente tiveram outro ponto em comum, que foi uma vitória sobre o FC Porto em casa, por esta altura do inverno: 1-0 a 20 de Dezembro de 2009 e 2-0 a 12 de Janeiro de 2014. O calendário fez a sua parte e marcou um Sporting-FC Porto para 2 de Janeiro. Resta perceber se a equipa de Jesus faz também a sua ou se, permitindo um bom resultado ao FC Porto, perde a oportunidade de afirmar no campo o que o treinador tem dito aos adeptos. É que se não aproveitar a oportunidade, o Sporting pode vai ter que se ver a contas com o Benfica de Rui Vitória. O Benfica está mais perto do que muitos julgariam possível depois dos 3-0 com que foi despachado pelos leões na Luz, em Outubro, e ainda vem muito a tempo de interferir na guerra do título. Sobretudo se crescer de produção. O histórico de Rui Vitória no V. Guimarães não é de crescimento pós-natalício constante, mas é de crescimento nas épocas em que os inícios defraudaram as expectativas. Como foi o caso com este Benfica, que segue com apenas 2,21 pontos por jogo, a pior produção pré-natalícia na Luz desde 2010/11, a época em que o FC Porto de André Villas-Boas ganhou o campeonato a passear. Voltando a este Benfica, a questão que se coloca é a de saber se o modo de trabalho de Rui Vitória permite pensar num crescimento na segunda metade da temporada. Ora, os dois melhores arranques de Rui Vitória em Guimarães (2,00 pontos por jogo em 2014/15 e 1,64 pontos por jogo em 2013/14) conduziram a um decréscimo de produtividade após o Ano Novo (1,35 e 0,75 pontos por jogo, respetivamente). Aplica-se aqui que nem uma luva a teoria da desresponsabilização que foi usada acerca do estoiro dado pela equipa vimaranense na época passada, por exemplo, na qual até chegou ao Natal à frente do Sporting de Marco Silva. Chegou aos jogadores a mensagem de que estavam a portar-se demasiado bem (iam a par dos Ferraris e só conduziam um Fiat 600) e isso levou-os a baixar o ritmo daí para a frente. Nas épocas em que o início foi mais tremido, porém, Vitória soube reunir a equipa e aumentar as médias na segunda metade da Liga. Foi assim em 2011/12 (de 1,27 para 1,82 pontos por jogo) e em 2012/13 (de 1,25 para 1,38). Ora é desse acréscimo que o Benfica precisa para voltar a entrar na guerra. Claro que tanto na história de Jesus como na de Vitória – na de Lopetegui dificilmente isso será tema – há que ter em conta o papel desempenhado pelo mercado de Janeiro. Mas a ideia que fica para já é a de que vamos ter Liga disputada por mais uns meses. A começar já no sábado que vem, com o V. Guimarães-Benfica e o Sporting-FC Porto.
2015-12-28
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A vitória do FC Porto sobre a Académica (3-1) significa que os dragões chegam à liderança isolada da Liga pela primeira vez desde que chegou Julen Lopetegui. O FC Porto não estava sozinho no primeiro lugar desde 23 de Novembro de 2013, quando ainda eram liderados por Paulo Fonseca. Perderam essa liderança para Benfica e Sporting a 30 de Novembro, ao serem derrotados… pela Académica, em Coimbra (1-0).   - Com esta vitória, o FC Porto assegura que é “campeão de Natal”. Neste século, três em cada quatro campeões de Natal acabaram por ser campeões nacionais na Primavera. Três das quatro exceções ocorreram com equipas do FC Porto: em 1999/00 o campeão acabou por ser o Sporting; em 2000/01 foi o Boavista e em 2004/05 foi o Benfica. A quarta exceção penalizou o Benfica, que liderava em 2008/09 e acabou por ver o FC Porto celebrar a conquista da Liga.   - Além disso, os 36 pontos que o FC Porto soma ao fim de quatro jornadas, fruto de onze vitórias e três empates, são o terceiro melhor pecúlio portista do século à 14ª jornada a seguir aos 38 da equipa de André Villas-Boas em 2010/11 e aos 37 da formação comandada por Jesualdo Ferreira em 2006/07. Nos dois anos de José Mourinho, o FC Porto chegou à 14ª jornada com estes mesmos 36 pontos.   - O FC Porto somou ainda o 30º jogo seguido na Liga sem perder, pois a última derrota aconteceu à 18ª jornada da prova da época passada, a 25 de Janeiro, frente ao Marítimo (0-1). A equipa portista não chegava invicta à 14ª jornada desde 2012/13, quando era orientada por Vítor Pereira.   - Foi ainda a sexta vitória seguida do FC Porto na Liga, depois do empate em casa com o Sp. Braga, a 25 de Outubro. A melhor série de Lopetegui está em sete vitórias consecutivas, conseguidas entre Janeiro e Março, entre a derrota com o Marítimo (0-1) e um empate com o Nacional (1-1), ambos no Funchal.   - Em contrapartida, o FC Poto sofreu um golo em casa pelo terceiro jogo seguido (Dynamo Kiev, Paços de Ferreira e Académica), o segundo na Liga. Mudança de tendência, quando antes do desafio com o Paços os portistas estavam prestes a conseguir um ano inteiro sem golos encaixados em casa para o campeonato – o último tinha sido marcado pelo Benfica, a 14 de Dezembro do ano anterior.   - Layun confirmou-se como melhor assistente do FC Porto, igualando o benfiquista Gaitán no topo da tabela dos passes de golo, com sete. O mexicano, que fez os passes para os golos de Danilo e Aboubakar, assistiu colegas pela segunda jornada consecutiva.   - Vincent Aboubakar marcou golos pelo segundo jogo consecutivo, depois de já ter assegurado a vitória do FC Porto frente ao Feirense, na Taça de Portugal, a meio da semana. É a segunda vez que o consegue esta época, sendo que na primeira alargou a série a três jogos: Estoril, Arouca e Dynamo Kiev.   - O camaronês já superou o total de golos da época passada: leva 10 golos marcados, seis na Liga, três na Champions e um na Taça de Portugal. Na época passada ficou-se pelos oito, quatro na Liga, três na Champions e um na Taça da Liga.   - A Académica perdeu a terceira deslocação deslocação consecutiva, depois dos 3-0 contra o Benfica na Luz e do 1-0 ante o Boavista, no Bessa, para a Taça de Portugal. Voltou a marcar um golo fora, o que já não lhe acontecia desde a visita ao Estoril, a 6 de Novembro. Tal como nesse jogo, que acabou empatado a uma bola, o golo dos estudantes saiu do banco: então foi Rabiola, agora Rui Pedro.
2015-12-21
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O tropeção do Sporting na Choupana, frente ao União da Madeira, seguido da vitória do FC Porto sobre a Académica, no Dragão, trouxe uma inesperada mudança de líder ao campeonato. A equipa de Julen Lopetegui sucedeu à de Jorge Jesus no primeiro lugar, se calhar nem bem consciente da importância que tem passar a consoada no primeiro lugar: doze dos 16 campeões deste século receberam os embrulhos do Pai Natal na frente da Liga. Que a troca tenha acontecido semana e meia depois da espera dos adeptos portistas ao treinador basco, no aeroporto, no regresso de Londres, após a eliminação da Champions, é um detalhe que serve para acentuar que este pode vir a ser um campeonato de jogadores e não de treinadores. A questão foi muito debatida neste início de época, quando Jorge Nuno Pinto da Costa investiu no reforço de um plantel que já era o mais forte da Liga e Bruno de Carvalho apostou as fichas todas no treinador que ganhara os dois últimos campeonatos. De um lado, acreditava-se que era preciso juntar qualidade a um grupo que continuava a ser liderado por um treinador ao qual nem os adeptos portistas comprariam um carro usado. Do outro, achava-se que um grupo reforçado mas ainda assim limitado poderia transcender-se se fosse liderado por um ganhador acima de qualquer suspeita. Ouviram-se e leram-se inúmeras comparações entre os milhões que custaram jogadores de um lado e os que ganhava o treinador do outro. E é claro que só o final do campeonato trará a resposta definitiva, mas a ascensão do FC Porto à liderança na semana do Natal pode prenunciar que a aposta correta acaba por ser a do presidente portista. É que só por três vezes neste século uma equipa conseguiu ser campeã sem estar pelo menos ex-aequo no topo da Liga por esta altura: aconteceu ao Sporting em 1999/00, ao Boavista em 2000/01, ao Benfica em 2004/05 e ao FC Porto em 2008/09. Em três destes casos (em todos os que acabou por perder, portanto), o campeão de Natal foi o FC Porto, pelo que os dragões sabem bem o que é deitar ao lixo um campeonato nestas circunstâncias. E é por já estarem avisados que têm de olhar para o clássico de dia 2 de Janeiro, com o Sporting, em Alvalade, com a necessidade absoluta de não permitirem nova ultrapassagem: em 2000/01, por exemplo, o FC Porto cedeu o primeiro lugar ao Boavista com uma derrota no confronto direto logo no início de Janeiro e nunca mais o recuperou. Isso pode até querer dizer que o empate em Alvalade acabará por ser um bom resultado para o FC Porto, porque manteria a liderança, mas convém os portistas não esquecerem que também o é para o Benfica, que ontem ganhou ao Rio Ave e se colocou a cinco pontos do topo da tabela. Se os rivais empatarem no clássico e o Benfica vencer em Guimarães, essa distância baixará para três pontos apenas. Uma vitória… Claro que este é um cenário de sonho para os benfiquistas, também ele surgido na semana em que a contestação a Rui Vitória subiu tanto de tom que a “estrutura” sentiu a necessidade de divulgar que o presidente Luís Filipe Vieira tinha ido ao balneário puxar as orelhas ao grupo. Mas é um cenário que acaba por premiar a política híbrida, de navegação à vista, assumida por Vieira. O Benfica quis outro treinador para foçar a aposta nos jovens formados no Seixal – e na verdade alguns deles até estão a jogar – mas acabou por ter de abrir os cordões à bolsa quando a passagem de Jesus para Alvalade veio mudar a conjuntura. Vitória não tem sido capaz de fazer do Benfica um coletivo tão ganhador como o do bicampeonato, mas continua a ter jogadores capazes de resolver, como Gaitán numa altura da época e Jonas agora. Na verdade, também no Benfica se torce para que este seja um campeonato de jogadores. Se será ou não, os meses que faltam é que darão a resposta. Mas do dia 2 de Janeiro já será possível ter umas pistas a este respeito. In Diário de Notícias
2015-12-21
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A derrota na Choupana contra o União da Madeira implicou a perda da liderança para o Sporting dias antes do Natal. Os leões já não lideram a Liga isolados no Natal desde 2001: nessa altura foram campeões. Há dois anos lideravam de forma partilhada com FC Porto e Benfica uma Liga que acabaram em segundo lugar.   - Tal como em 1990/91, a última vez que tinham prolongado a invencibilidade até tão longe, os leões sofreram a primeira derrota à 14ª jornada. Nessa altura foram derrotados pelo FC Porto nas Antas por 2-0. E também nessa altura cederam a liderança aos dragões. O registo desta época, porém, ainda é ligeiramente pior que o da equipa liderada por Marinho Peres: em 1990, o Sporting tinha 12 vitórias, um empate e uma derrota e agora tem onze vitórias, dois empates e uma derrota.   - Foi primeira derrota do Sporting na Liga desde Março, quando a equipa de Marco Silva perdeu com o FC Porto, e a segunda seguida se considerarmos todas as competições, depois da sofrida em Braga, após prolongamento, na Taça de Portugal. Os leões não perdiam dois jogos seguidos desde Fevereiro de 2013, quando foram sucessivamente batidos por Rio Ave (2-1) e Marítimo (1-0).   - Foi também a primeira série de duas derrotas consecutivas de Jorge Jesus enquanto treinador desde que, em Maio de 2013, perdeu o título nacional contra o FC Porto, no Dragão (1-2) e a Liga Europa ante o Chelsea, em Amesterdão (1-2).   - Foi a segunda vez que o Sporting ficou em branco num jogo esta época. Já tinha acontecido na visita ao Boavista, a 26 de Setembro, num jogo que acabou empatado a zero.   - Danilo Dias marcou o segundo golo da sua carreira ao Sporting. O anterior foi ao serviço do Marítimo, em Fevereiro de 2012, também a meio da segunda parte, e contribuiu para uma vitória por 2-0.   - Com a vitória sobre o Sporting a suceder ao empate contra o Benfica, o União da Madeira passou a ser a equipa com mais pontos ganhos aos grandes neste campeonato: quatro, contra três do Arouca. Foi ainda a primeira vez que o União ganhou um jogo a um dos grandes do futebol nacional.   - Slimani interrompeu uma série de três jogos seguidos a marcar golos com o zero na Madeira. E continua sem marcar golos em visita à ilha, já tendo lá jogado por sete vezes.   - Luís Norton de Matos, treinador do U. Madeira, ganhou pela primeira vez ao Sporting, mas mantém o registo 100 por cento vitorioso nos confrontos com Jorge Jesus: em dois jogos, soma duas vitórias e nunca sofreu sequer um golo.   - Depois da tempestade que foram os seis golos sofridos em Paços de Ferreira, André Moreira manteve a baliza inviolada pela segunda partida seguida, o que tem mais valor por ter sido nos jogos com Benfica e Sporting. O jovem guarda-redes do União já está há 203 minutos sem sofrer golos, atrás apenas do bracaranese Kritciuk nas séries em curso. Ainda está longe dos 361 minutos que já conseguiu esta época, porém.
2015-12-21
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Jonas voltou a ser decisivo num jogo do Benfica, com dois golos e uma assistência. Ao todo, o avançado brasileiro já leva 13 golos e seis passes decisivos em 14 jornadas da Liga. É o melhor marcador e está a um passe dos melhores assistentes. E já marcou e assistiu em cinco vitórias do Benfica: Belenenses (6-0), Tondela (4-0), Académica (3-0), V. Setúbal (4-2) e Rio Ave (3-1).   - Este foi ainda o quinto bis de Jonas nesta edição da Liga. Já tinha marcado dois golos no mesmo jogo a Estoril (4-0), Belenenses (6-0), Paços de Ferreira (3-0) e Académica (3-0). Pela primeira vez nesses jogos, os golos de Jonas foram decisivos para a conquista dos pontos. Com 14 golos já marcados em todas as competições, esta é a época mais forte de Jonas antes do Natal desde que chegou à Europa.   - O segundo golo de Jonas no jogo, a desbloquear o empate, foi o golo nº 5500 do Benfica em toda a história da Liga. Ao todo, os encarnados já fizeram 5501 golos, contra 5056 do segundo ataque mais realizador, que é o do FC Porto.   - Jiménez fez o segundo golo pelo Benfica na Liga, pela segunda vez depois de sair do banco: isso já tinha acontecido nos 3-2 ao Moreirense. Ao todo, o mexicano leva quatro golos, dois deles como titular, na deslocação a Astana, para a Liga dos Campeões (2-2).   - Bressan marcou o quinto golo na Liga, o terceiro numa deslocação, depois de já ter estado na folha dos marcadores no empate no Restelo com o Belenenses (3-3) e na derrota em Guimarães (1-3). Foi o primeiro que fez de livre direto esta época, mas o segundo dos vila-condenses, que já tinham marcado assim na vitória por 3-0 em Paços de Ferreira, através de Edimar.   - Em contrapartida este foi o primeiro golo sofrido pelo Benfica de livre direto esta época e o primeiro que Júlio César sofre nestas condições desde que chegou à Luz. O último golo sofrido pelo Benfica de livre tinha sido a 13 de Março de 2014, marcado a Oblak por Eriksen (Tottenham). O Benfica também ganhou esse jogo por 3-1.   - O golo de Bressan foi o último do Rio Ave na Luz desde um marcado por Tarantini, a 30 de Março de 2013. Nessa altura, o golo reduzia o placar para 4-1 e o Rio Ave acabou por perder esse jogo por 6-1.   - Mesmo marcando na Luz, o Rio Ave perdeu o título de melhor ataque da Liga nos jogos fora. Soma agora 14 golos, menos um que o V. Setúbal, que fez três golos em Tondela. Ainda assim, o Rio Ave continua a manter o pleno: marcou nos 10 jogos (de todas as competições) que fez fora de casa esta época e não fica em branco numa deslocação desde os 0-4 frente ao Marítimo, na penúltima jornada da Liga anterior, a 17 de Maio.   - Samaris foi substituído ao intervalo pela terceira vez desde que está no Benfica. As anteriores tinham acontecido frente ao Rio Ave, na Luz, e contra o Arouca, fora de casa, na época passada. Também nesses jogos o Benfica inverteu resultados negativos: de 0-0 para 1-0 contra o Rio Ave e de 0-1 para 3-1 ante o Arouca. Além disso, Samaris saiu uma vez aos 35 minutos, num jogo em casa contra o Moreirense. E também aí o Benfica passou de 0-1 para 3-1.   - A razão para a substituição neste jogo com o Rio Ave terá tido muito a ver com o cartão amarelo que o jogador grego viu na primeira parte e que o afasta da deslocação a Guimarães, por ter sidoo quinto na Liga. Além desses cinco, Samaris viu ainda dois frente ao Sporting na Taça de Portugal e mais três na Liga dos Campeões.  Na época passada viu o 10º amarelo ao 22º jogo, a 26 de janeiro, frente ao Paços de Ferreira. Esta época chegou lá em 17 jogos.
2015-12-21
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O empate (0-0) do Benfica na Choupana, frente ao U. Madeira, significou o quarto zero atacante dos encarnados em 13 jogos na presente edição da Liga: além deste, há a registar os dois 0-1 com o Arouca e o FC Porto e o 0-3 com o Sporting. Desde 2011/12 que o Benfica não tinha quatro jogos em branco no mesmo campeonato, mas nessa altura precisou de uma época inteira para os fazer. Aliás, nos três últimos campeonatos, o Benfica só tinha ficado em branco três vezes em 94 jogos. A última vez que tinha somado pelo menos quatro zeros nas primeiras 13 jornadas foi em 2007/08, quando até registou cinco: empatou sem golos com V. Guimarães, Sp. Braga e Sporting e perdeu por 1-0 com FC Porto e Belenenses.   - Ainda assim, mesmo com os quatro zeros, o Benfica mantém o melhor ataque do campeonato, com 31 golos marcados em 13 jornadas. Marca muitos golos, mas em poucos jogos. Não havia um ataque tão realizador na Liga em 13 rondas desde o Sporting de 2013/14, que chegou à 13ª jornada com 33 golos marcados. O Benfica, por sua vez, não fazia tantos golos em 13 jogos desde 2012/13, quando chegou à 13ª jornada com 35 concretizações.   - Mais preocupante para o Benfica são os sete pontos de atraso para o líder. A última vez que os encarnados tinham estado tão longe da liderança à 13ª jornada foi em 2010/11, quando a equipa então comandada por Jesus lá chegou em segundo lugar, a oito pontos do FC Porto de Villas-Boas. Em rigor, nunca o Benfica recuperou de uma distância tão grande à 13ª jornada para ser campeão, mas em 1976/77 fez o que seria preciso se aplicássemos a esse campeonato as regras atuais de pontuação: à 13ª jornada, quem liderava era o Sporting, com 23 pontos, que seriam 34 se a vitória já valesse três pontos, indo o Benfica em segundo com 19, que seriam 27 pelas regras atuais. No final, o campeão foi o Benfica, porque ganhou 15 (e empatou dois) dos 17 desafios até final, enquanto o Sporting empatou sete e perdeu quatro, ganhando apenas seis. Curioso é que nesse campeonato, o Sporting também ganhou por 3-0 ao Benfica no jogo da primeira volta.   - O empate interrompeu uma série de cinco vitórias seguidas do Benfica na Liga, permitindo à equipa atual igualar a série que a anterior fez entre Fevereiro e Março, mas ficando aquém das nove vitórias consecutivas na prova alcançadas pelo Benfica entre Outubro do ano passado e Janeiro deste ano.   - Foi a primeira vez que o U. Madeira arrancou pontos ao Benfica em jogos de campeonato – já tinha empatado uma vez, para a Taça de Portugal (1-1), mas acabou goleado no prolongamento (1-5, em Dezembro de 1993). O União já tinha empatado três vezes com o Sporting e duas com o FC Porto na Liga.   - André Moreira voltou a manter a baliza inviolada. Foi o quinto zero defensivo do U. Madeira, em 13 jornadas, importante porque a equipa vinha de uma goleada por 6-0 sofrida em Paços de Ferreira.   - O árbitro Cosme Machado continua sem ver uma equipa da casa marcar um golo nos jogos que apitou esta época na Liga. E já lá vão seis: o Académica-V. Setúbal (0-4), o Tondela-Estoril (0-1), o P. Ferreira-V. Guimarães (0-1), o Arouca-Sporting (0-1), o Moreirense-Sp. Braga (0-0) e agora o U. Madeira-Benfica.
2015-12-16
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Marcaram-se 40 golos nos nove jogos da 13ª jornada da Liga, o melhor parcial desde Maio de 2002. A última jornada em que se fizeram mais golos do que nesta foi a 34ª e última da Liga que o Sporting ganhou, na qual se celebraram 43 tentos. Desde aí jogaram-se 423 jornadas, nenhuma com tantos golos como a atual.   - Os 116 jogos já efetuados na atual Liga produziram 288 golos, a uma média de 2,48 golos por jogo. A média é, ainda assim, ligeiramente inferior à da época passada, que acabou com 2,49 golos por partida realizada, mas bastante superior à de 2013/14, onde se fizeram apenas 2,37 tentos por jogo.   - Leo Bonatini fez, de penalti, ao Boavista, o 250º golo da atual Liga. O golo 200 tinha pertencido a Piojo, do Tondela; o 150º a Adrien Silva, do Sporting; o 100º a Heldon, do Rio Ave; e o 50º a Aboubakar, do FC Porto.   - O boavisteiro Inkoom juntou-se ao lote dos jogadores que já foram expulsos por duas vezes na atual Liga, uma vez que juntou o vermelho mostrado por Tiago Antunes na receção ao Estoril a outro exibido por Manuel Mota, no jogo em casa com o Paços de Ferreira. O recorde ainda pertence a Edgar Costa, do Marítimo, que foi expulso três vezes.   - O nigeriano Uche estreou-se a marcar pelo Boavista, quase um ano depois do seu último golo, que tinha sido obtido com a camisola do Lierse, frente ao Beveren, na Liga belga, a 24 de Janeiro.   - Bonatini marcou o sétimo golo na atual Liga e o primeiro de penalti, na primeira vez que o Estoril beneficiou de uma grande penalidade na prova (já tinha tido uma na Taça de Portugal e outra na Taça da Liga). Quer isso dizer que já só há três equipas sem um único penalti a favor no campeonato: U. Madeira, Rio Ave e Nacional. Por outro lado, V. Guimarães, Sp. Braga e Benfica são os únicos sem penaltis contra.   - O empate significou o oitavo jogo seguido do Boavista sem ganhar na Liga, desde a vitória em Coimbra, frente à Académica, por 2-0. É a mais longa série sem vitórias dos boavisteiros na Liga desde o início da época de 2007/08, quando só ganharam à 11ª jornada: 3-2 ao V. Guimarães, a 26 de Novembro de 2007   - Jogo de pesadelo para o cabo-verdiano Gegé em Vila do Conde, na derrota do Arouca frente ao Rio Ave (1-3). Abriu o marcador para o adversário num autogolo logo ao primeiro minuto e foi expulso por acumulação de amarelos à meia-hora. Gegé não via um vermelho desde Abril do ano passado, quando saiu mais cedo, também com duplo amarelo, de uma derrota do Marítimo frente ao Nacional.   - Ao sexto jogo oficial entre ambos – cinco para a Liga e um para a Taça de Portugal – esta foi a primeira vez que o Rio Ave conseguiu ganhar ao Arouca. Até aqui somava um empate e quatro derrotas, uma delas no prolongamento, que lhe ditou a eliminação da Taça de Portugal de 2012/13.   - Ao ganhar por 6-0 ao U. Madeira, o Paços de Ferreira igualou o Benfica (que tinha ganho pelo mesmo resultado ao Belenenses) como detentor da maior goleada deste campeonato. Como já tinham ganho por 7-1 à Naval, em jogo da Taça de Portugal, esta foi já a segunda vitória dos pacenses por seis golos de diferença esta época, mas a primeira na Liga desde que bateram o Salgueiros por 6-0 na Mata Real a 10 de Março de 2002. O U. Madeira não perdia por uma diferença tão grande desde 3 de Maio de 1992, quando foi goleado na Luz pelo Benfica pelos mesmos 6-0.   - Ao bisar nos 6-0 ao U. Madeira, Bruno Moreira, do Paços de Ferreira, marcou pela terceira jornada consecutiva, depois de já ter estado entre os goleadores pacenses na vitória frente ao Estoril (2-0) e na derrota contra o FC Porto (1-2). Na época passada até tinha marcado em quatro rondas consecutivas, entre a sexta e a nona, a Belenenses, Marítimo, Boavista e V. Setúbal.   - O guarda-redes Salin continuou a saga de expulsões do Marítimo, ao ver o vermelho na vitória dos madeirenses frente ao V. Guimarães. São já onze as expulsões maritimistas na Liga, o que é notável porque só se jogaram 13 jornadas. Na época passada, em toda a Liga, o Marítimo colecionou oito vermelhos. Não havia tantas expulsões num campeonato para a equipa verde-rubra desde 2010/11, mas nessa época foram precisas 30 jornadas para lá chegar.   - O Marítimo sofreu mais um golo de penalti e é também a equipa com mais grandes penalidades contra na Liga: cinco, tantas como a Académica. Sporting, Estoril, Boavista, Rio Ave e Nacional seguem-se com três.   - Mesmo assim, o Marítimo voltou a ganhar em Guimarães, onde já não se impunha para a Liga desde Maio de 2010. Nessa altura venceu por 2-1 e também teve o guarda-redes expulso: então foi o brasileiro Peçanha.   - Prossegue também a péssima campanha do estreante Tondela, que já vai no terceiro treinador mas não dá a volta à crise. Perdeu em casa com o Sp. Braga e manteve os cinco pontos em 13 jogos. Só houve duas equipas igualmente más ao fim de 13 rondas neste século e ambas acabaram a Liga em último lugar: a Naval de 2010/11 e a U. Leiria em 2007/08. Ninguém se salva da descida com tão poucos pontos à 13ª jornada desde o Rio Ave em 1996/97: tinha dois pontos à 13ª jornada e acabou a época em 15º lugar, dois pontos acima da linha de água.   - A vitória em Tondela (1-0) foi também o sétimo jogo do Sp. Braga com a baliza a zeros na últimas oito jornadas. Desde que ganhou ao Marítimo por 5-1, a 21 de Setembro, a equipa de Paulo Fonseca só sofreu golos num jogo da Liga: a derrota em casa com o Benfica, por 2-0.   - Prossegue, ao contrário, a catástrofe defensiva do Belenenses. A derrota (4-3) em Coimbra quer dizer que os azuis continuam como equipa mais batida da Liga, com 30 golos encaixados em 13 jornadas. Não havia uma defesa tão goelada em 13 semanas desde o Paços de Ferreira de 2011/12, que chegou à 13ª jornada com os mesmos 30 golos sofridos. É o pior registo dos azuis em 65 anos: em 1950/51 sofreram 35 golos nas primeiras 13 jornadas da Liga, mas acertaram e só deixaram entrar mais 13 nas 13 jornadas seguintes.
2015-12-15
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O argelino Brahimi, autor do golo da vitória do FC Porto frente ao Nacional (2-1), na Choupana, marcou nas três últimas deslocações dos dragões: fez o segundo golo nas vitórias face ao Nacional e ao U. Madeira e o único no sucesso contra o Tondela em Aveiro. O último portista a marcar golos em três saídas seguidas na Liga tinha sido Jackson Martínez, que esteve entre os goleadores nas vitórias nos terrenos de Académica (3-0), Gil Vicente (5-1) e Penafiel (3-1), entre Dezembro do ano passado e Janeiro deste ano.   A vitória do FC Porto foi a segunda dos dragões na Madeira esta época, depois de já ali terem ganho ao U. Madeira (4-0). Após ter quebrado nesse jogo a maldição da Madeira, onde não ganhava desde Maio de 2013, o FC Porto voltou agora a imitar essa época, ganhando duas vezes na ilha: nessa altura também tinha ganho por duas vezes na Choupana, ainda que ambas ao Nacional: 3-1 para a Liga e 3-0 para a Taça de Portugal.   - Este jogo significou ainda a primeira derrota caseira do Nacional em quase um ano. A equipa de Manuel Machado não perdia em casa desde 21 de Dezembro de 2014, quando ali foi batida pelo Sporting (1-0, para a Liga). Passou desde então 17 jogos sem perder, com onze vitórias e seis empates.   - Foi a quinta vitória seguida do FC Porto na Liga, desde o empate a zero com o Sp. Braga. A equipa portista consegue a melhor série de vitórias na competição desde Fevereiro e Março, quando alinhou sete sucessos consecutivos entre a derrota com o Marítimo e o empate com o Nacional, ambos no Funchal.   - O FC Porto celebrou ainda a terceira vitória seguida em jogos fora na Liga, depois de se ter imposto a Tondela (1-0) e U. Madeira (4-0), e a 14ª deslocação seguida sem derrotas na competição, pela qual já não perde como visitante desde que foi batida pelo Marítimo, nos Barreiros, a 25 de Janeiro (1-0). No primeiro caso, a equipa de Julen Lopetegui iguala a série de Fevereiro e Março, quando ganhou sucessivamente a Moreirense (2-0), Boavista (2-0) e Sp. Braga (1-0). No segundo vai ainda longe dos 27 jogos seguidos sem perder como visitante obtidos entre uma derrota por 3-1 contra o Gil Vicente em Janeiro de 2012 e outra por 1-0 com a Académica em Novembro de 2013.   - Os 33 pontos que o FC Porto soma ao fim destas 13 jornadas são o melhor registo da equipa azul e branca desde 2012/13, quando chegou à mesma ronda com 35 pontos, fruto de onze vitórias e dois empates. Lopetegui conseguiu mais cinco pontos que na sua primeira época em Portugal.   - No seu 50º jogo com a camisola portista, Marcano voltou a fazer um golo na sequência de um canto, tal como contra o Belenenses. Foi também o segundo golo de canto do FC Porto nesta Liga – fez mais um, na Champions, por Maicon, ao Chelsea. O espanhol não fazia pelo menos dois golos num mesmo campeonato desde 2011/12, quando marcou quatro na Liga grega pelo Olympiakos.   - O golo de Marcano, aos 6 minutos de jogo, foi ainda o mais madrugador do FC Porto esta época, a par do marcado por Aboubakar ao Estoril, na terceira jornada, num jogo que os dragões acabaram por vencer por 2-0.   - Willyan marcou pelo segundo jogo consecutivo na Choupana, depois de já ter estado entre os goleadores na vitória do Nacional contra o Marítimo. Este foi, porém, o primeiro golo de cabeça que marcou com a camisola do Nacional.
2015-12-15
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Andamos todos há anos a ouvir uma frase feita, que uns atribuem a Phil Jackson, ex-treinador de basquetebol dos Chicago Bulls e dos Los Angeles Lakers, na NBA, e outros a Alex Ferguson, que se celebrizou como “manager” do Manchester United, na Premier League inglesa de futebol. Diz o cliché que “o ataque ganha jogos, mas é a defesa que ganha campeonatos”. Pois bem, querem saber uma coisa? É mentira. Escrevo-o enquanto ainda decorre a jornada com mais golos na Liga portuguesa desde Janeiro, quando se fizeram os mesmos 33 que esta já leva. Uma jornada na qual os candidatos ao título sofreram todos golos e na qual, porém, deram os maiores sinais de vitalidade de que há memória no histórico recente da competição. Quando ainda faltam jogar o Académica-Belenenses, previsto para logo à noite, já se marcaram 33 golos nesta 13ª jornada da Liga. E é preciso recuar 13 anos, até Novembro de 2002, para se verem ataques mais produtivos que os deste fim-de-semana. Desde essa ronda número nove de 2002/03, estava José Mourinho a começar a construção do seu FC Porto europeu, o Sporting a gerir a euforia do seu último título de campeão nacional e o Benfica a preparar a sucessão de Manuel Vilarinho por Luís Filipe Vieira, jogaram-se 410 jornadas de campeonato e em mais nenhuma se chegou às 34 bolas nas redes. Agora, basta que entre mais uma em 90 minutos de futebol que ainda faltam, para que o número seja igualado. Ou duas, para que ele seja batido. Defendeu-se mal? Também, seguramente. Mas eu não fixaria muito nisso a análise ao que se passou. O Benfica apresentou-se em Setúbal, onde ainda ninguém tinha ganho esta época, com autoridade de campeão. Beneficiou dos equilíbrios táticos que a colocação de Pizzi na direita do meio-campo lhe permite, tanto em construção como na reação à perda, e chegou ao intervalo com um 2-0 que já era tranquilizador. Ainda fez o 3-0 antes de suportar o regresso do Vitória ao jogo, mas acabou com um 4-2 que lhe permitiu manter-se a oito pontos do líder, que é o Sporting, e com um jogo a menos. Sofreu dois golos, é verdade, mas tem o melhor ataque da Liga: 31 golos marcados. Um total que, em comparação com a mesma altura, só fica atrás de dois dos seis anos de Jorge Jesus, nos quais o Benfica fazia valer uma produtividade ofensiva fora do comum. O FC Porto ganhou ao Nacional na Choupana, onde ninguém ganhava há quase um ano – completava-se de hoje a uma semana – por 2-1, num jogo dividido entre dois dias por causa do nevoeiro. E, quando se viu apertado pelos adeptos, que o contestaram à chegada de Londres, Lopetegui pôs as fichas todas no ataque. Não tanto na formação do onze, que seguiu os cânones habituais, mas na forma como os jogadores se comportaram em campo: o segundo golo é conseguido num momento em que, com bola na esquerda, os dragões têm quatro unidades na área. Quatro e não as duas que normalmente lá fazem chegar em lances desta natureza. Por fim, mesmo poupando vários titulares, numa inversão da estratégia de rotatividade que vinha utilizando até aqui – desta vez usou a equipa de gala na Liga Europa, contra o Besiktas, e rodou no campeonato – o Sporting chegou aos 2-0 antes do intervalo da receção ao Moreirense e pôde depois gerir essa vantagem até final. Com alguns excessos de tranquilidade, que permitiram que os minhotos regressassem ao jogo com um golo que foi o primeiro encaixado pelos leões na Liga desde inícios de Outubro, mas ainda assim com uma demonstração importante de profundidade do plantel, com respostas positivas das segundas escolhas. Todos sofreram golos. E isso, de acordo com a tal frase feita, é mau. Mas sabem quantas equipas foram campeãs nacionais nos últimos dez anos sem terem o melhor ataque da Liga? Uma: o FC Porto de 2012/13. E mesmo essa, não fosse um tal Kelvin, na penúltima jornada, teria ficado a ver outros celebrar. Adaptado do texto do Diário de Notícias (atualizado)
2015-12-14
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O Sporting ganhou ao Moreirense por 3-1, sentenciando a sétima vitória seguida desde a derrota com o Skenderbeu, na Albânia (3-0). É a melhor série da época e a melhor desde as oito vitórias consecutivas que a equipa de Marco Silva entre um empate com o Moreirense (14 de Dezembro de 2014) e uma derrota com o Belenenses para a Taça da Liga (21 de Janeiro).   - Com a vitória, os leões chegam à 13ª jornada com 35 pontos, fruto de 11 vitórias e dois empates. Este ainda é o seu melhor arranque no campeonato desde 1990, quando atingiram esta fase da prova com 12 vitórias e um empate. Na altura, com as normas de pontuação antiga, os resultados valeram 25 pontos, que seriam 37 com a vitória a três pontos.   - Rui Patrício e Stefanovic entraram em campo como os dois guarda-redes há mais tempo sem sofrer golos na Liga, mas ambos viram as séries interrompidas. O guardião leonino passou 538 minutos sem ir buscar uma bola ao fundo das redes, entre o golo de Josué (V. Guimarães, a 4 de Outubro) e o penalti de Rafael Martins. Bateu assim a melhor marca da atual Liga, que estava na posse do bracarense Kritciuk, com 505 minutos de imbatibilidade.   - Stefanovic, por seu turno, já não sofria golos desde que foi batido por Obiorah (Académica, a 1 de Novembro). Acumulou 374 minutos seguidos sem sofrer golos até ao tento de Gelson Martins, ainda na primeira parte do jogo de Alvalade.   - Gelson Martins fez nessa altura o seu primeiro golo no campeonato. Já tinha marcado por duas vezes, mas sempre noutras competições: nos 4-0 ao Vilafranquense, na Taça de Portugal, e nos 4-2 ao Lokomotiv Moscovo, na Liga Europa.   - Aquilani fez o primeiro golo de bola corrida pelo Sporting, pois os dois que tinha marcado até aqui tinham saído de grandes penalidades convertidas face à Académica e ao Skenderbeu. O italiano não fazia um golo de bola corrida desde 2 de Outubro de 2014, quando abriu o marcador numa vitória da Fiorentina sobre o Dynamo Minsk (3-0), na Liga Europa.   - Jorge Jesus mandou Slimani marcar um penalti, com Adrien em campo. Foi a segunda vez esta época que, estando em campo, Adrien foi preterido na marcação de uma grande penalidade: a anterior foi em Coimbra, contra a Académica, porque o médio já tinha falhado um pontapé dos onze metros nesse jogo. Na altura foi Aquilani o designado para bater.   - O Sporting aumentou para sete o total de penaltis de que beneficiou em 13 jornadas, mantendo-se como equipa que beneficiou de mais grandes penalidades e em linha nesse particular com a época de 2001/02, quando foi campeão pela última vez. Na altura, chegou ao fim das 34 jornadas com 17 penaltis a favor e também tinha sete à passagem da 13ª jornada.   - Em contrapartida, o Sporting já viu os árbitros apitarem-lhe três penaltis contra. Só o Marítimo, com cinco, e a Académica, com quatro, foram tão penalizados como os leões.   - Rafael Martins, que marcou esse penalti, fez um golo ao Sporting em Alvalade depois de já ter feito outro ao Benfica na Luz. Não jogou contra o FC Porto em casa, mas ainda terá a oportunidade de completar o ramalhete na visita ao Dragão, na segunda volta. Em 2013/14, na sua época de estreia em Portugal, pelo V. Setúbal, marcou aos três grandes.   - Slimani falhou um penalti, ainda que marcando o golo na recarga, o que lhe permitiu marcar pelo segundo jogo consecutivo pela terceira vez esta época. Foi ainda a primeira vez que marcou em dois jogos seguidos em Alvalade depois de o ter feito a Boavista e Sp. Braga em Abril e Maio.
2015-12-14
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Ao ganhar por 4-2 ao Vitória em Setúbal, o Benfica conseguiu a quinta vitória seguida na Liga desde a derrota com o Sporting (0-3, a 25 de Outubro). Iguala assim uma série que já datava de Fevereiro e Março. Para encontrar melhor é preciso ir ao período entre Outubro de 2014 e Janeiro deste ano, quando os encarnados venceram nove jogos consecutivos entre as derrotas em Braga (2-1, a 26 de Outubro) e Paços de Ferreira (1-0, a 26 de Janeiro).   - Foi ainda a terceira vitória seguida dos encarnados em deslocações no campeonato, depois dos 4-0 ao Tondela e dos 2-0 em Braga. O Benfica já não ganhava três saídas consecutivas desde Dezembro do ano passado e Janeiro deste ano, quando na verdade ganhou cinco: Nacional, Académica, FC Porto, Penafiel e Marítimo.   - O jogo marcou também a primeira derrota do V. Setúbal esta época no Bonfim. Foram, ao todo, sete jogos sem perder ali, desde o 0-2 com o FC Porto, a 3 de Maio, estabelecendo a melhor série de invencibilidade caseira desde os dez jogos entre Dezembro de 2013 e Setembro de 2014, datas de duas derrotas com o Benfica.   - Ao fazer quatro golos, o Benfica confirmou o estatuto de ataque mais realizador da Liga, com 31 golos em 12 jogos. É o melhor parcial do campeonato desde os 32 golos que o mesmo Benfica marcou nos primeiros 12 jogos de 2012/13.   - Jonas também voltou a marcar, aumentando o sue pecúlio para onze golos. É o melhor marcador do Benfica à 11ª jornada desde o paraguaio Cardozo, que nessa mesma época de 2012/13 chegou à 12ª jornada com 13 golos marcados.   - Pizzi fez o primeiro golo fora de casa com a camisola do Benfica, pois todos os que tinha obtido até aqui tinham sido na Luz. A última vez que tinha marcado como visitante foi no Santiago Bernabéu, em Maio de 2014, quando fez o tento do Espanyol numa derrota por 3-1 contra o Real Madrid.   - Mitroglou fez golo pelo segundo jogo consecutivo, depois de já ter estado na folha de marcadores frente ao Atlético Madrid. É a segunda vez que marca em dois jogos seguidos esta época, depois de já ter festejado frente a Belenenses (bisou nos 6-0) e Astana.   - O Benfica beneficiou ainda do terceiro autogolo da época: Ricardo, depois de Berger (Tondela) e Kritciuk (Sp. Braga). Os encarnados não tinham tantos autogolos desde 2012/13, quando tiveram a felicidade de ver Rojo (Sporting), Insúa (Sporting), Mexer (Nacional), Luís Martins (Gil Vicente) e Igor Rossi (Marítimo) fazer golos na própria baliza.   - O V. Setúbal chega à 13ª jornada com 23 golos marcados, o melhor parcial da equipa sadina a este ponto do campeonato desde 1976. Nessa altura, tinha chegado à 13ª jornada com 28 golos e em terceiro lugar do campeonato. Acabou a época na sexta posição, com o quarto melhor ataque da Liga, apenas atrás de FC Porto, Benfica e Sporting.   - Suk, autor do segundo golo do V. Setúbal, fez o oitavo na presente edição da Liga e, tal como Mitroglou, também marcou pelo segundo jogo seguido, depois de ter estado entre os goleadores frente ao Belenenses. No caso do coreano, porém, há já a registar uma série de três jogos seguidos a marcar: a Académica (bisou), Rio Ave e Marítimo.   - Vasco Costa, extremo vindo do Fafe, marecou ao Benfica o seu primeiro golo na Liga portuguesa. O seu último golo ainda tinha sido no Campeonato Nacional de Seniores, ao Lusitano Vildemoinhos, em Maio.   - O golo de Vasco Costa interromopeu a mais longa série de minutos sem sofrer golos de Júlio César na presente Liga. Ao todo, entre o tento de Bryan Ruiz, no dérbi da Luz, a 25 de Outubro, e o golo de Vasco Costa, no Bonfim, mediaram 473 minutos de inviolabilidade na Liga, a melhor série da época para o guardião benfiquista e a mais longa desde os 491 minutos que passaram entre o golo de Rafael Lopes (a 11 de Abril)  e o de Marega (a 23 de Maio).
2015-12-14
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Já fui suficientemente massacrado acerca de autogolos e no entanto volto ao assunto. Porquê? Porque a Liga portuguesa não dá autogolos a favor dos nossos grandes clubes. Sei que a Liga nem sequer atribui marcadores aos golos, quem o faz são os árbitros. Mas quem quiser que enfie a carapuça. Para mim, que sigo as normas em recomendadas pela FIFA há vários anos, o quarto golo do Benfica em Setúbal é autogolo de Ricardo. Tal como o primeiro do Chelsea ao FC Porto é autogolo de Marcano. Para a Liga portuguesa, quem marcou o quarto golo do Benfica em Setúbal foi Mitroglou. Para a UEFA, quem fez o primeiro do Chelsea ao FC Porto foi mesmo Marcano, na própria baliza. Quem perceber as diferenças entre os dois lances que me explique, mas por favor sem recurso ao discurso gasto e velho da imparcialidade. Não há forma mais imparcial de ver a coisa do que a recomendação da FIFA. Que diz o seguinte: se o último toque na bola antes de ela entrar na baliza é involuntário ou infeliz – como são os toques dos defesas que tentam evitar os golos – deve analisar-se a trajetória da bola levava antes desse mesmo toque. Se a bola ia em direção da baliza, é golo do atacante que a chutou; se ia noutra direcção, então esse último toque ganha caráter decisivo e deve ser atribuído o golo ao seu autor. Parece-me simples. Mas há muito quem complique. Os adeptos por causa da cor das camisolas; as Ligas, sei lá por que razão. Vamos a casos concretos. Quarto golo do Benfica em Setúbal: Mitroglou chuta ao poste, a bola vinha para trás quando bateu nas pernas do guarda-redes Ricardo e voltou em direção da baliza. Não dá para duvidar: é autogolo de Ricardo. Se o tirarmos do lance não há golo. Para a Liga portuguesa, no entanto, o golo é de Mitroglou. Primeiro golo do Chelsea ao FC Porto em Londres: Diego Costa segue isolado em direção à baliza do FC Porto, chuta contra Casillas, a bola vem em direção oposta à da baliza quando bate no peito de Marcano e acaba nas redes. Também não dá para duvidar: é autogolo de Marcano. Foi, aliás, essa, a decisão da UEFA. A lógica é a mesma da que apliquei no primeiro golo do Benfica em Braga. Recordo o que se passou: Pizzi chutou, Baiano impediu a bola de seguir para a baliza e cortou-a, mas ela acabou por bater nas costas de Kritciuk, reassumindo a direção das redes. Para mim, também não há dúvidas: é autogolo de Kritciuk, porque se ele lá não estivesse a bola não iria para a baliza. Para a Liga portuguesa, no entanto, foi golo de Pizzi. É que, por muito que se esforcem, esse lance não tem nada a ver com o do primeiro golo do Benfica em Setúbal, a não ser no facto de também nesse ter sido Pizzi a chutar. Neste caso, Pizzi chuta, Ricardo tenta defender, toca na bola mas não a detém e ela acaba mesmo no fundo das redes. Sucede que, sem a intervenção do guarda-redes, abola ia na mesma para a baliza, pelo que o golo é de Pizzi. Aqui, a Liga portuguesa acertou. Para não dizerem que estou sempre contra.
2015-12-14
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A já proverbial sorte de Fernando Santos voltou a atacar no sorteio da fase final do Europeu de 2016, no qual a Portugal calhou o grupo mais acessível com que seria possível sonhar. É verdade que nas fases finais os portugueses até costumam dar-se melhor com os chamados “grupos da morte” do que com adversários fáceis, mas ter Islândia, Hungria e Áustria no caminho para os oitavos-de-final e ainda por cima com a noção de que até o terceiro classificado pode apurar-se não era admissível nem de encomenda. O pior mesmo pode vir depois, porque o vencedor do Grupo F apanhará logo com o segundo classificado do Grupo E, onde estão Bélgica e Itália. A Áustria não é uma equipa fácil, é verdade. Não perdeu nenhum jogo na fase de qualificação, tendo ganho o Grupo G com nove vitórias e um empate apenas. Não perde um jogo competitivo desde Outubro de 2013, quando foi batida pela Suécia por 3-1, na qualificação para o Mundial do Brasil. Tem uma série de jogadores batidos na Bundesliga, construiu uma seleção competitiva em cima da geração semi-finalista do Mundial de sub20 em 2007, mas só esteve numa fase final neste século: a do Europeu de 2008, e na qualidade de país organizador. Compará-la com outras seleções que estavam no Pote 2, como a Itália ou até a Rússia, a Ucrânia ou a Croácia, permite perceber como Portugal teve sorte. Também a Hungria regressa a uma fase final depois de décadas de ausência. Apurou-se ganhando os dois jogos do play-off à Noruega, mas era claramente a equipa mais fraca do Pote 3, muitos furoa abaixo da Rep. Checa, da Suécia ou da Polónia, por exemplo. Quanto à Islândia, um dos estreantes em fases finais, é verdade que ganhou à Holanda na qualificação, onde também ficou à frente da Turquia, e que está a crescer a olhos vistos no futebol europeu, muito graças ao investimento da federação em infra-estruturas que permitem às crianças jogar futebol durante todo o ano, mas além de já ter ficado esfusiante por entrar na fase final (perdeu os três jogos feitos desde que se qualificou), continua a ser uma seleção de terceira linha do futebol continental. Conhece Finnbogasson, suplente do Olympiakos? E Sigurdsson, do Swansea? Ou Sigborsson, do Nantes, e Bjarnason, do Basel? E Priskin, avançado do Slovan Bratislava? Ou Nikolic, do Legia Varsóvia? Ou Lovrencsics, do Lech Poznan, e Nemeth, do Kansas City? Aproveite o Europeu, porque o mais provável é que, a não ser que a seleção nacional borre seriamente a pintura, não volte a ouvir falar muito deles.
2015-12-12
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O coreano Suk, autor de dois golos nos 3-0 com que o V. Setúbal ganhou ao Belenenses no Restelo, já superou a sua melhor temporada na Liga. Totaliza sete tentos marcados, um acima dos seis que registou entre Nacional e V. Setúbal em 2014/15. Desses sete, seis foram obtidos fora de casa – a exceção foi o golo ao Rio Ave na terceira jornada – o que faz dele o melhor goleador da Liga em viagem.   - Além dos sete golos, Suk soma ainda quatro assistências, o que faz dele um dos jogadores ofensivamente mais valiosos da Liga, com participação direta em onze golos. Acima dele aparece apenas Jonas (Benfica), que soma quatro assistências a dez golos marcados, para um total de 14 tentos.   - Depois de uma ameaça de retoma em Alvalade, contra o Sporting, continua o descalabro defensivo do Belenenses. Não tanto pelos quatro jogos seguidos a sofrer golos na Liga, depois do 1-0 ao U. Madeira, ou pelo facto de ter apenas duas balizas virgens em 12 jornadas, mas pelos 26 golos que já levou em 12 jornadas, que são o pior registo da Liga desde 2011, quando o Paços de Ferreira aqui chegou com 27 golos encaixados. Não se via um Belenenses tão permeável a esta altura da Liga desde 1950 – há 65 anos, portanto – quando a equipa azul chegou à 12ª jornada com 33 golos sofridos.   - O Arouca voltou às vitórias, dez jogos depois. Tinha ganho ao Benfica, na segunda jornada, por 1-0, e voltou agora a vencer, batendo o Boavista por 3-2. Fê-lo graças a um penalti marcado por Nuno Coelho, que foi o primeiro de que o Arouca beneficiou desde 1 de Março, quando um penalti de David Simão lhe permitiu empatar em Coimbra com a Académica.   - O Boavista também beneficiou nesse jogo do seu primeiro penalti da época. Converteu-o Tengarrinha, cujo único golo com a camisola do Boavista já tinha sido de grande penaltidade, num empate com o Rio Ave, a 9 de Fevereiro. Estoril, Moreirense, Rio Ave, U. Madeira e Nacional são agora as únicas equipas que ainda não beneficiaram de penaltis na atual Liga.   - O Nacional esteve a três minutos de conseguir ganhar no Estoril, mas mesmo assim regressou à Madeira com um empate (1-1) e a alegria de ter pela primeira vez pontuado na Amoreira. Até aqui somava quatro derrotas em outras tantas visitas.   - Salvador Agra marcou o golo do Nacional ao Estoril, o quarto da época para o pequeno extremo dos madeirenses. Igualou assim o melhor pecúlio de uma temporada, que tinham sido os quatro golos marcados em três ocasiões: em 2011/12 no Olhanense, em 2013/14 na Académica e em 2014/15 no Sp. Braga.   - Continua a relação de amor entre Leo Bonatini e Estádio António Coimbra da Mota. Nos seis jogos que ali fez esta época, marcou cinco golos, só ficando em branco frente ao Rio Ave, porque foi expulso logo aos 16 minutos. Desses cinco golos, só um não valeu pontos de forma direta ao Estoril.   - Ao ganhar ao Tondela, por 2-0, o U. Madeira deixou de ser a equipa há mais tempo sem vitórias na Liga: já não vencia desde a primeira jornada, quando se impôs ao Marítimo, por 2-1. A infelicidade pertence agora ao Tondela, que não vence desde a terceira ronda, quando bateu o Nacional por 1-0, e somou apenas dois pontos desde então.   - Fruto disso, o Tondela afunda-se ainda mais na classificação: já está a quatro pontos da linha de água. Os cinco pontos que soma à 12ª jornada não permitem a salvação a ninguém desde 1996. Há 19 anos, o Rio Ave chegou à 12ª jornada com dois pontos e acabou a Liga um lugar acima das posições de descida, em 15º. Desde então, Gil Vicente (quatro pontos em 1996/97), E. Amadora (quatro pontos em 2000/01), U. Leiria (cinco pontos em 2007/08), Naval (cinco pontos em, 2010/11) e outra vez Gil Vicente (cinco pontos, em 2014/15) desceram todos como consequência de um mau arranque.   - O empate com o Sp. Braga (0-0) foi o quarto jogo consecutivo do Moreirense sem derrota, após a derrota em casa com o V. Setúbal (0-2), a 25 de Outubro. Contando só jogos da Liga, é a melhor série do Moreirense desde Setembro a Novembro do ano passado, quando empatou com Penafiel e Académica e venceu Gil Vicente e Marítimo. Desta vez, empatou com Académica e Sp. Braga e venceu Paços de Ferreira e Rio Ave.   - Foi o segundo jogo consecutivo do Sp. Braga sem fazer golos na Liga: 0-2 com o Benfica e agora 0-0 com o Moreirense. Já lhe tinha acontecido à sétima e oitava jornadas, quando empatou a zero com o Arouca e o FC Porto.   - Os dois golos que marcou ao Rio Ave permitiram ao brasileiro Henrique Dourado o seu primeiro bis desde que chegou a Portugal para jogar no V. Guimarães. O avançado não fazia mais de um golo num jogo desde um hat-trick ao Chapecoense, com a camisola do Palmeiras, em jogo do Brasileirão, a 2 de Outubro de 2014.
2015-12-08
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Carlos Manaca era um bom defesa-central, daquele tempo do futebol “rock and roll”, em que os jogadores eram todos bons. Ou pelo menos era isso que ouvíamos contar na rádio. Mas Manaca era mesmo bom. Notabilizou-se com a camisola do Sporting, que deixou aos 28 anos, para jogar nos Estados Unidos, mas nada fez tanto pela eternização do seu nome como um autogolo, já depois de ter regressado a Portugal. Os autogolos são o dia-a-dia dos defesas-centrais, mas o autogolo de Manaca foi especial, porque valeu a vitória do Sporting em Guimarães e porque essa vitória valeu aos leões o título nacional de 1980, ganho ao sprint ao FC Porto. Quase 40 anos depois, a história de Manaca regressou, mas agora Manaca chama-se Tonel. O problema de Tonel, o defesa-central que também se notabilizou com a camisola do Sporting, saiu para a Croácia e depois regressou a Portugal, é que o penalti que ele fez no último minuto do jogo com os leões foi filmado por mais de uma dezena de câmaras de televisão. Mais. Além disso, Tonel fez um penalti que valeu uma vitória ao Sporting – não um título, pelo menos por enquanto – numa altura em que há redes sociais. Tonel, o Manaca turbinado pelo Twitter e pelo Facebook, tem, tal como tinha Manaca, toda uma carreira atrás dele, mas nem isso impediu milhares de adeptos de garantirem que ele tinha feito o serviço encomendado em benefício do ex-clube, que sem o penalti que ele cometeu não teria ganho ao Belenenses. O assunto foi “trending topic” durante uma semana, até que os mesmos adeptos que tinham crucificado Tonel perceberam envergonhados que há por aí mais Manacas. Veio a jornada seguinte e o Benfica ganhou à Académica por 3-0. Não jogou enormidades, mas foi a única equipa em condições de chegar à vitória, a única que a procurou. Ainda assim, colocou-se em vantagem com dois penaltis perfeitamente desnecessários, cometidos por Trigueira e Ofori, e convertidos por Jonas, que aproveitou para passar a barreira dos dez golos antes do Natal pela primeira vez desde que está na Europa. Pressionado pelo Benfica, o FC Porto viu-se a perder contra o Paços de Ferreira, chegou ao empate ainda antes do intervalo, mas só virou o jogo de penalti, na sequência de um lance em que Marco Baixinho, defesa-central do Paços, começou por atrasar mal a bola para o seu guarda-redes, para depois ir rasteirar Herrera dentro da área, impedindo que ele tirasse vantagem do erro original. Manacas? Claro que sim. Mas só no sentido em que os erros podem perfeitamente acontecer a quem vive a profissão no fio da navalha. Quase parecia uma onda solidária, uma espécie de “Je suis Tonel” – ou “Je suis Manaca”… – dos jogadores que defrontaram os grandes. Mas é pena que os que se entretêm a identificar Manacas – ou Toneis -  não sejam capazes de perceber que se Benfica, FC Porto e Sporting ganharam os seus jogos desta jornada não foi por causa dos erros dos adversários. No Benfica-Académica houve o detalhe tático de um meio-campo que começa a carburar melhor devido à dupla missão de Pizzi, que parte de uma das alas mas compõe bem o meio, mas também ao vigor e à potência do júnior Renato Sanches, autor de um jogo muito interessante e de um golaço num remate a 30 metros que terá valido o bilhete a quem foi ao estádio. No FC Porto-Paços de Ferreira houve um excelente golo de Corona, pela ligação entre os dois extremos – ele e Brahimi – e pela classe do mexicano na definição face ao guarda-redes. E houve uma espécie de renascimento de Herrera, a manter os níveis de intensidade e competitividade da equipa. E no Marítimo-Sporting houve um líder operário, a saber sofrer antes e depois da bela jogada coletiva que deu o golo a Adrien, bem como um Rui Patrício de seleção, autor de duas defesas gigantes a preservar a vantagem. Disso, porém, só se lembram os adeptos dos clubes que ganharam. E diz muito sobre o nosso futebol que até esses prefiram lembrar os erros que levaram aos golos dos rivais. Porque quando vemos futebol estamos sempre em busca de um Manaca. Mesmo que Manaca tenha feito muito mais do que aquele autogolo. In Diário de Notícias, 07.12.2015
2015-12-07
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Rui Patrício, com duas defesas extraordinárias, esteve em destaque na vitória do Sporting frente ao Marítimo, por 1-0. O guardião leonino sofreu apenas cinco golos nas primeiras 12 jornadas da Liga, o melhor registo defensivo dos leões desde 1970/71, quando a defesa liderada por Damas chegou à 12ª ronda com apenas dois golos sofridos. Nessa época, o Sporting defendia o título nacional conquistado meses antes, liderava à 12ª ronda, mas mesmo mantendo a melhor defesa (14 golos encaixados nas 26 jornadas que tinha a prova) acabou o campeonato em segundo lugar, a três pontos do Benfica.   - Além disso, o guardião leonino encarrilou o quinto jogo seguido sem sofrer golos na atual Liga, depois dos 5-1 ao V. Guimarães: Benfica (3-0), Estoril (1-0), Arouca (1-0), Belenenses (1-0) e agora Marítimo (1-0). São já 458 minutos seguidos sem sofrer golos na Liga, desde o tento de Josué nos 5-1 ao V. Guimarães, a sua melhor série desde os 600 minutos de inviolabilidade que alinhou entre Novembro de 2013 e Janeiro de 2014. Patrício é o guarda-redes há mais tempo sem sofrer golos no campeonato, mas ainda a 44 minutos do recorde da época, os 502 minutos do bracarense Kritciuk.   - Os 32 pontos que os leões somam ao fim de 12 jornadas são o melhor registo pontual da equipa verde e branca desde 1990/91, quando o grupo comandado por Marinho Peres chegou à 12ª ronda com onze vitórias e um empate: 23 pontos pelo sistema antigo que seriam 34 no atual regime de pontuação. Esse Sporting, no entanto, acabou a Liga em terceiro lugar. Ninguém somava tantos pontos nas primeiras 12 jornadas desde 2012/13, quando FC Porto e Benfica chegaram a este ponto do campeonato com as mesmas 10 vitórias e dois empates.   - Sete das dez vitórias do Sporting na Liga (entre elas as últimas quatro) aconteceram por apenas um golo de diferença. Em toda a época passada, o Sporting só ganhou nove jogos da Liga pela margem mínima. E só uma nas primeiras doze jornadas.   - Além disso, o Sporting registou a sexta vitória consecutiva na Liga, algo que já não conseguia desde o período entre Dezembro do ano passado e Fevereiro. Se agora se impôs a V. Guimarães (5-1), Benfica (3-0), Estoril (1-0), Arouca (1-0), Belenenses (1-0) e Marítimo (1-0), na altura levou a melhor sobre Nacional (1-0), Estoril (3-0), Sp. Braga (1-0), Rio Ave (4-2), Académica (1-0) e Arouca (3-1), encalhando ao sétimo jogo, a receção ao Benfica (1-1).   - Adrien Silva voltou a ser decisivo na vitória do Sporting nos Barreiros. Já na época passada os leões tinham ganho por 1-0 no Funchal, graças a um penalti do médio. Em 2013/14 também tinha sido ele a abrir o ativo, de penalti, mas o resultado acabara em 3-1 para os lisboetas.   - O Marítimo perdeu o terceiro jogo consecutivo, depois das derrotas frente ao Amarante (1-0) e ao Nacional (3-1). Os insulares não perdiam três jogos consecutivos desde o final da época passada e do início da atual, quando foram duas vezes batidos pelo Benfica (4-1 na última ronda da Liga e 2-1 na final da Taça da Liga) e uma terceira pelo U. Madeira (2-1, na abertura do atual campeonato).
2015-12-06
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Ao vencer o Paços de Ferreira por 2-1, depois de ter estado a perder, o FC Porto conseguiu virar o marcador pela primeira vez desde que é treinado por Julen Lopetegui. A última virada dos dragões tinha sido a 5 de Fevereiro de 2014, ainda com Paulo Fonseca aos comandos, num jogo da Taça de Portugal, frente ao Estoril, no Dragão: Babanco adiantou os canarinhos, Quaresma empatou antes do intervalo e Ghilas fez o golo da vitória a três minutos do final.   - Mesmo vencendo, o FC Porto falhou o objetivo de passar um ano inteiro sem sofrer golos em casa em jogos da Liga portuguesa. Faltaram nove dias, pois ninguém marcava no Dragão para o nosso campeonato desde que Lima ali bisou na vitória do Benfica por 2-0, a 14 de Dezembro do ano passado. O golo de Bruno Moreira, logo aos 8 minutos de jogo, significa ainda que a série de minutos de jogo sem sofrer golos em casa para a Liga estancou aos 1483, 98 minutos aquém dos 1581 que Vítor Baía e Cândido estiveram sem sofrer golos nas Antas em 1994   - Pelo segundo jogo consecutivo, o FC Porto teve dois mexicanos a marcar. Na Madeira, contra o União, Herrera e Corona tinham estado entre os goleadores do 4-0 final, ao passo que agora, contra o Paços de Ferreira, Corona e Layun fizeram os tentos portistas. O segundo veio na sequência de um penalti cometido sobre Hererra.   - O primeiro penalti a favor do FC Porto esta época veio finalmente permitir que se perceba quem é “o especialista” dos dragões nesse tipo de lances. É Layun, o primeiro jogador do FC Porto a marcar um penalti desde que Quaresma converteu um frente ao Bayern Munique, a 15 de Abril. Depois disso, a 10 de Maio, o mesmo Quaresma falhou um contra o Gil Vicente.   - O FC Porto obteve a terceira vitória consecutiva, depois dos sucessos contra o Tondela (1-0) e U. Madeira (4-0). Está a um sucesso de igualar a melhor sequência da época, que são quatro vitórias seguidas, contra o Chelsea (2-1), o Belenenses (4-0), o Varzim (2-0) e o Maccabi (2-0), em Setembro e Outubro.   - Na Liga, os dragões ganharam os últimos quatro jogos depois do empate em casa com o Sp. Braga: V. Setúbal (2-0), Tondela (1-0), U. Madeira (4-0) e P. Ferreira (2-1). Não o conseguiam desde as sete vitórias seguidas em Fevereiro e Março.   - Brahimi viu interrompida uma série de dois jogos seguidos a marcar golos, mas fez a terceira assistência da época, ao servir Corona para o primeiro golo portista. Antes, já tinham sido dele os passes para os golos de Aboubakar e Corona que inauguraram o marcador nos jogos com o Estoril e o Belenenses.   - Corona voltou a ser titular e a marcar um golo. Vai com seis jogos a titular pelo FC Porto e seis golos. A jogar de início, só ficou em branco contra o Benfica, mas em contrapartida bisou no jogo com o Arouca.   - Tal como Corona, também o pacense Bruno Moreira marcou pelo segundo jogo consecutivo, depois de ter estado na folha de goleadores da vitória da sua equipa contra o Estoril (2-0). Repete o que já conseguira contra o Nacional e a Naval, em Outubro, com uma nuance: na altura bisou ante os madeirenses e fez quatro tentos aos figueirenses.
2015-12-06
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- Renato Sanches fez o terceiro golo do Benfica na vitória sobre a Académica (3-0), tornando-se o primeiro jogador de 18 anos a marcar pelos encarnados desde que Manuel Fernandes o fez, em Março de 2004. Na altura, o médio que hoje representa o Lokomotiv Moscovo ajudou o Benfica a vencer fora o Gil Vicente, por 2-1, com 18 anos, um mês e dois dias.  Renato Sanches tem 18 anos, três meses e meio.   - Os dois primeiros golos do Benfica foram marcados por Jonas, de penalti. Não é uma situação assim tão invulgar. A última vez que os encarnados fizeram dois golos de grande penalidade num mesmo jogo foi a 11 de Fevereiro, na receção ao V. Setúbal, para a Taça da Liga, na qual o placar foi aberto com dois penaltis na ponta final da primeira parte. Nessa altura converteram-nos Talisca e Pizzi, tendo Jonas fechado o marcador final (3-0), já no segundo tempo.   - O último jogador do Benfica a marcar dois golos de penalti num jogo foi Cardozo, em 7 de Abril de 2014. O paraguaio bisou na segunda parte, num jogo de campeonato contra o Rio Ave, na Luz, que acabou com 4-0 para os da casa, depois de Rodrigo e Gaitán terem colocado o Benfica a ganhar por 2-0 ainda no primeiro tempo.   - Este foi o terceiro jogo do presente campeonato com mais de um penalti. Até aqui, Bruno Esteves tinha assinalado três no Académica-Sporting e Carlos Xistra marcara dois no Sp. Braga-Marítimo. No jogo de Coimbra, dois dos penaltis assinalados foram a favor dos leões, mas Adrien falhou um. NO de Braga, ambos favoreceram a equipa da casa, mas Rui Fonte falhou um deles. Foi, portanto, a primeira vez que uma equipa fez dois golos de penalti no mesmo jogo na presente Liga.   - Jonas passou a marca dos dez golos na época: tem neste momento onze. É a primeira vez desde que chegou à Europa, em 2011, que chega a este volume goleador antes do Natal.   - Júlio César manteve as redes do Benfica invioladas pela quarta partida seguida da Liga. Desde o golo de Bryan Ruiz, o último marcado pelo Sporting nos 3-0 com que os leões ganharam na Luz, a 25 de Outubro, o Benfica está há 369 minutos sem sofrer golos na Liga. É a melhor sequência desde Abril e Maio, quando os encarnados alinharam 482 minutos a zeros, entre um golo de Rafael Lopes, da Académica, e outro de Marega, do Marítimo.   - O Benfica igualou assim a performance defensiva das primeiras onze jornadas da época passada, com sete golos sofridos. E soma mais dois golos marcados: tem 27-7 contra os 25-7 de 2014/15.   - A Académica voltou a perder, oito jogos depois da última derrota. Ficou assim aquém dos dez jogos seguidos sem perder que alinhou entre Fevereiro e Abril, e que foram interrompidos precisamente no Estádio da Luz, contra o Benfica (1-5).   - Eliseu fez o 50º jogo com a camisola do Benfica. Destes 50, 36 foram na Liga portuguesa, oito na Liga dos Campeões, três na Taça da Liga, dois na Taça de Portugal e um na Supertaça. Marcou quatro golos, todos na época passada.
2015-12-05
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Casillas não sofre golos na Liga há 452 minutos de jogo, desde que foi batido por André Fontes, a 2 minutos do final da partida que o FC Porto empatou (2-2) em Moreira de Cónegos, a 25 de Setembro. Desde então, o espanhol manteve a baliza inviolada contra Belenenses (4-0), Sp. Braga (0-0), V. Setúbal (2-0), Tondela (1-0) e agora U. Madeira (4-0). É já o dono da maior série de imbatibilidade em curso na prova, mas ainda a 50 minutos do máximo da temporada, que é do bracarense Kritciuk.   - Em consequência disso, o FC Porto chega à 11ª jornada com apenas quatro golos sofridos na Liga, menos um do que na época passada. Desde 2010/11, do ano em que era liderada por André Villas-Boas, que a equipa portista não tinha tão poucos golos sofridos a esta altura da prova. Nessa época, o FC Porto foi campeão, com 16 golos sofridos em 30 jogos e sem derrotas.   - Foi a primeira vitória do FC Porto na Madeira em sete jogos. A última vez que o FC Porto ali ganhara também tinha sido na Choupana, a 4 de Maio de 2013, mas contra o Nacional, que os dragões tinham batido por 3-1. Nesse jogo, o FC Porto chegou aos 3-0 em 22 minutos; ontem precisou de 23’ para fazer os três primeiros golos.   - O FC Porto segue com cinco vitórias consecutivas em jogos fora de casa: 2-0 ao Varzim, 3-1 ao Maccabi Tel Aviv, 2-0 ao Angrense, 1-0 ao Tondela e agora 4-0 ao U. Madeira. A última vez que tinha ganho cinco deslocações seguidas foi entre Novembro do ano passado e Janeiro, quando se impôs a Bate Borisov (3-0), Académica (3-0), Rio Ave (1-0), Gil Vicente (5-1) e Penafiel (3-1).   - Esta foi a maior vitória do FC Porto em jogos fora de casa desde os 5-1 ao Gil Vicente, em Barcelos, a 3 de Janeiro. Brahimi foi o ponto comum às duas listas de goleadores: marcou o terceiro em Barcelos e o segundo na partida da Choupana.   - Em contrapartida, o U. Madeira não sofria quatro golos em casa desde uma visita do Tirsense, em Setembro de 2007, na qual foi batido por 4-2. Para se encontrar uma derrota caseira por quatro golos de diferença é prciso recuar 21 anos, a 27 de Novembro de 1994, quando o Salgueiros venceu por 4-0 nos Barreiros.   - André Moreira, o jovem guarda-redes do U. Madeira, não sofria quatro golos num só jogo desde Abril de 2014. Nessa altura jogava ainda no Ribeirão e viu a sua equipa empatar (4-4) em Joane, num jogo para a manutenção no Campeonato Nacional de Seniores.   - Foi também a terceira vitória seguida do FC Porto na Liga, depois do 1-0 ao Tondela e dos 2-0 ao V. Setúbal. Os dragões igualaram a melhor série desta época, pois já tinham batido de enfiada Estoril (2-0), Arouca (3-1) e Benfica (1-0).   - Maxi Pereira fez a sexta assistência da época (quinta na Liga), ao oferecer o segundo golo da partida a Brahimi. É o jogador com mais passes de golo do FC Porto, com a curiosidade de ter sido a primeira vez que repetiu o destinatário: antes dera um golo a Aboubakar, outro a Varela, outro a Brahimi, outro a André André e outro ainda a Layun.   - A expulsão de Osvaldo, a 15 minutos do fim, significa que o FC Porto deixa o grupo de equipas que ainda não tinham tido cartões vermelhos na atual Liga, e que agora é composto apenas por Arouca, Benfica, Moreirense e U. Madeira. O último portista expulso na Liga tinha sido o guarda-redes Fabiano, a 15 de Março, na receção ao Arouca, que os dragões ganharam por 1-0. O árbitro desse jogo tinha sido Jorge Tavares.   - Brahimi marcou golo pelo segundo jogo seguido. Já não o conseguia desde Novembro do ano passado, quando esteve na lista de goleadores por três vezes seguidas, contra Nacional, Athletic Bilbau e Estoril.   - Corona fez o quinto golo em outros tantos jogos em que foi titular do FC Porto. Nessas condições, só ficou em branco contra o Benfica, mas em contrapartida bisou no desafio frente ao Arouca. 
2015-12-03
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A vitória do Benfica em Braga, por 2-0, começou a ser construída com um autogolo do guarda-redes Kritciuk: Pizzi rematou, Baiano cortou quase em cima da linha, mas fê-lo contra as costas do seu guarda-redes, levando a bola a entrar. Foi o segundo autogolo a favorecer o Benfica em três jornadas da Liga, depois do marcado por Berger (Tondela), em finais de Outubro, e o primeiro marcado por um jogador do Sp. Braga em 78 jornadas: o último tinha sido de Douglão, no Estoril, numa derrota bracarense por 2-1, a 26 de Abril de 2013.   - O Benfica venceu o terceiro jogo seguido na Liga – e sempre sem sofrer golos. O 2-0 de Braga foi antecedido pelo 4-0 de Tondela e pelo 2-0 em casa frente ao Boavista. Desde Abril que os encarnados não ganhavam em três jornadas seguidas (na altura venceram o Nacional e a Académica em casa e o Belenenses fora). Mas para se encontrar três vitórias consecutivas sem sofrer golos é preciso recuar ao período entre Novembro do ano passado e Janeiro. Aliás, na altura não foram três mas sim sete: 2-0 à Académica, 3-0 ao Belenenses, 2-0 ao FC Porto, 1-0 ao Gil Vicente, 3-0 ao Penafiel, 3-0 ao V. Guimarães e 4-0 ao Marítimo.   - O Sp. Braga ainda não tinha perdido na Pedreira esta época: tinha sete vitórias e um único empate, o 0-0 com o Arouca. Se esta época perdeu pela primeira vez ao nono jogo, na anterior tinha perdido ao décimo, o 0-1 contra o Sporting, decidido num livre de Tanaka já nos descontos.   - Rui Vitória ganhou pela primeira vez na carreira a Paulo Fonseca. Fê-lo ao décimo jogo, após cinco empates e quatro derrotas, todas ao serviço do V. Guimarães, enquanto Fonseca estava no Aves, no Paços de Ferreira e no FC Porto.   - O treinador do Benfica conseguiu a terceira vitória da sua carreira em Braga. E se as primeiras, ambas no Paços de Ferreira, tinham sido graças a um golo de Pizzi e a um autogolo de um jogador bracarense (na ocasião Sílvio), esta teve o “dois-em-um”: um autogolo de Kritciuk após um remate de Pizzi.   - Kritciuk viu interrompida a sua série de imbatibilidade logo aos 3 minutos, com o tal autogolo. Somou ao todo 505 minutos sem sofrer golos e ficou a 81 do recorde estabelecido em Braga por Eduardo em 2009/10.   - Cinco dos 36 golos marcados pelo Benfica esta época em todas as competições surgiram nos primeiros dez minutos de jogo. Antes do autogolo de Kritciuk tinham-no feito Mitroglou (aos 5’, nos 6-0 ao Belenenses), Gaitán (aos 2’, no 1-2 com o Galatasaray), Jonas (aos 4’, nos 4-0 ao Tondela) e de novo Mitroglou (aos 6’, no 1-2 com o Sporting). Ainda assim, o Benfica leva mais golos nas segundas partes (21) do que nas primeiras (15).   - O Sp. Braga, em contrapartida, só tinha sofrido um golo nas primeiras meias-horas dos seus jogos. Marcara-o Soares, aos 2’ do que acabou por ser a vitória bracarense por 2-1, logo na jornada inaugural da Liga. Ainda assim, os minhotos costumam fraquejar logo após a meia-hora e sofrem muito mais golos nas primeiras partes (7) do que nas segundas (3).   - Autor do golo da tranquilidade, Lisandro Lopez marcou pela primeira vez com a camisola do Benfica. O seu último golo tinha sido a 14 de Março de 2014, num empate (3-3) do Getafe com o Granada.
2015-12-01
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O penalti cometido por Tonel e convertido por William Carvalho permitiu ao Sporting manter a liderança na Liga e consolidar a posição enquanto equipa que mais penaltis tem a favor na Liga. São já seis, em onze jornadas, dos quais os leões converteram cinco, por Adrien (dois), Aquilani, Gutièrrez e agora William (Adrien enviou um ao poste, na visita à Académica). O Sporting está a ter inclusive mais penaltis do que em 2001/02, época que terminou com 17 grandes penalidades em 34 jornadas, mas na qual contava apenas cinco nas primeiras onze rondas. - Este foi o segundo golo sofrido pelo Belenenses de penalti esta época, tendo o anterior sido cometido por Filipe Ferreira, no jogo com o Basileia. Os azuis tiveram ainda mais um penalti contra, na Taça de Portugal, no jogo com o Olhanense (falta de Gonçalo Brandão), mas Ricardo Ribeiro defendeu.   - O Sporting ganhou pela primeira vez ao Belenenses desde Abril de 2014 e fê-lo da mesma forma: por 1-0 e com golo de penalti. Desde esse jogo, tinha havido dois empates para a Liga e uma vitória belenense para a Taça da Liga.   - Jorge Jesus também ganhou pela primeira vez a Ricardo Sá Pinto, mas também esta foi apenas a segunda vez que se defrontaram. Na anterior, também tinha ganho o Sporting, por 1-0, com golo de penalti, mas quem estava no Sporting era Sá Pinto, enquanto Jesus defendia as cores do Benfica. O árbitro também era Soares Dias.   - O golo de William Carvalho significa que o Sporting leva já 15 jogos seguidos a marcar em Alvalade, superando a melhor série da época passada, que era de 14 jogos caseiros sempre com golos, entre o 0-1 com o Chelsea e o 0-0 ante o Wolfsburg. Esse jogo com os alemães, que ditou a eliminação leonina da Liga Europa, foi o último zero caseiro dos leões.   - Rui Patrício não sofre golos na Liga desde 4 de Outubro, data da vitória do Sporting sobre o V. Guimarães, por 5-1. O golo vimaranense foi marcado por Josué, aos 82’, o que significa que o guardião leonino leva já 368 minutos sem ir buscar a bola ao fundo das redes, tendo superado os 364 que registara entre Dezembro do ano passado e Janeiro deste ano. Persegue agora os 600 minutos exatos que passou sem sofrer golos entre Novembro de 2013 e Janeiro de 2014.   - Além disso, os cinco golos sofridos em onze jornadas pelo Sporting representam o melhor arranque defensivo do Sporting desde 1990/91. Nesse ano, comandados por Marinho Peres, os leões entraram de rompante na Liga, ganharam os primeiros onze jogos e neles sofreram apenas quatro golos. Cederam os primeiros pontos à 12ª jornada, um empate em Chaves (2-2) e perderam pela primeira vez na 14ª (2-0 com o FC Porto nas Antas). Ao fim de 38 jornadas, porém, o Sporting foi terceiro, com seis derrotas.   - Desde 1990, o Sporting voltou a chegar sem derrotas à 11ª jornada em 1998, mas nunca mais fez tantos pontos como os 29 que tem agora. Os últimos líderes com 29 pontos à 11ª jornada foram Benfica e FC Porto, em 2012/13, época que acabou com o ajoelhar de Jesus no Dragão após o golo de Kelvin.   - O Sporting está ainda a especializar-se em golos nos instantes finais. O penalti de William Carvalho, aos 90+3’ permitiu a quarta vitória leonina nos últimos cinco minutos (e a segunda seguida), depois de ter ganho ao Tondela em Aveiro (2-1, aos 90+8’), ao Nacional em Alvalade (1-0, aos 86’) e no terreno do Arouca (1-0, aos 90’). O Belenenses já tinha sofrido três golos nos últimos cinco minutos (Arouca, FC Porto e Tondela), mas só o de Arouca implicara perda de pontos, pois o resultado passou a ser um empate.   - William não marcava um golo desde a vitória dos leões em casa contra o Penafiel, por 3-2, a 9 de Março. Nesse jogo, porém, marcou logo a abrir, aos 5’.
2015-12-01
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- Ao vencer o Marítimo por 3-1, o Nacional completou o oitavo dérbi do Funchal consecutivo sem derrota: quatro vitórias e três empates contra o Marítimo e uma vitória frente ao U. Madeira. A última derrota dos alvi-negros contra uma equipa da Madeira faz três anos na próxima semana: foi a 9 de Dezembro de 2012, nos Barreiros, contra o Marítimo (2-0, golos de Fidelis e Sami).   - Esse jogo foi também o último que o Marítimo ganhou contra outra equipa da Madeira. Desde então, três empates e quatro derrotas contra o Nacional e ainda uma derrota com o U. Madeira. Na Choupana, então, o Marítimo já não ganha desde Novembro de 2007 – há oito anos. A última vez que ali venceu foi por 2-0, com golos de Makukula e Wênio.   - O Nacional alargou para 17 jogos a série de imbatibilidade caseira que já é a mais longa da sua história em épocas nas quais joga a I Liga. A última vez que a equipa de Manuel Machado perdeu em casa foi a 21 de Dezembro do ano passado, com o Sporting (0-1), para a Liga. Entretanto, voltaram a passar por lá os leões e o FC Porto, mas ambos empataram. Dos 17 jogos da corrente série, o Nacional ganhou onze e empatou seis.   - O dérbi da Madeira ficou marcado por mais duas expulsões do Marítimo. Desta vez foram Raul Silva e Edgar Costa, a elevar para dez o total de vermelhos a jogadores do Marítimo, em onze jornadas. O central viu o segundo vermelho na Liga, enquanto que o extremo já vai no terceiro. Na época passada, dois jogadores viram três vermelhos na Liga, mas o boavisteiro Philipe Sampaio só lá chegou à 29ª jornada e o penafidelense Tony à 15ª.   - Wyllian, autor do terceiro golo do Nacional, não fazia um golo há um ano. O último tinha sido a 8 de Dezembro de 2014 e também tinha sido marcado ao Marítimo, na altura contribuindo para uma vitória por 3-0.   - Arnold Issoko, autor dos dois golos do V. Setúbal frente ao U. Madeira, marca sempre aos pares. Já tinha bisado no Bonfim, contra o V. Guimarães, em Setembro, mas também nessa altura os sadinos tinham empatado o jogo a duas bolas. Este é, aliás, o quarto empate a dois golos do V. Setúbal na atual Liga, todos em casa – antes tinha acontecido contra Boavista, Rio Ave e V. Guimarães.   - Danilo Dias, autor de um dos golos do U. Madeira no empate em Setúbal, voltou a marcar na Liga portuguesa mais de dois anos depois do último tento – ainda que tenha passado parte desse tempo no Azerbaijão. É curioso que o último golo já tinha sido ao V. Setúbal, no Bonfim. Foi a 15 de Setembro de 2013 e ajudou o Marítimo a vencer ali por 4-2.   - A segunda vitória de Sérgio Conceição aos comandos do V. Guimarães surgiu como a primeira: em cima do minuto 90. Antes, tinha sido um golo de Ricardo Valente a dar o 1-0 em Paços de Ferreira; agora foi Cafu quem garantiu o 2-1 sobre o Boavista, no Bessa. Os dois jogos deram duas vitórias seguidas fora de casa, algo que o V. Guimarães já não conseguia desde Outubro e Novembro do ano passado, quando ganhou consecutivamente em Setúbal e Arouca.   - O V. Guimarães voltou a ganhar no Bessa 17 anos depois do último sucesso para a Liga, que tinha sido em Março de 1998, por 1-0 (marcou Riva). Desde então, porém, tinha ali ganho por 2-0 para a Taça de Portugal, em Novembro de 2008, com golos de Gregory e Fajardo.   - Petit deixou de ser o treinador do Boavista, tornando-se o quarto técnico a deixar o cargo na atual Liga. Antes dele, Armando Evangelista deu o lugar a Sérgio Conceição no V. Guimarães; José Viterbo foi substituído por Filipe Gouveia na Académica e Vítor Paneira abriu vaga para Rui Bento no Tondela.   - Ao décimo jogo, Gonçalo Paciência marcou o primeiro golo na Liga, ajudando a Académica a empatar em casa com o Arouca (1-1). O pai, Domingos, marcou na estreia, a 13 de Abril de 1988, numa vitória do FC Porto sobre O Elvas (4-0).   - O empate em Coimbra significa que o Arouca alonga para nove a série de jogos sem ganhar na Liga: todos, desde as vitórias nas duas primeiras jornadas, contra Moreirense e Benfica. Já igualou a pior série da história do clube na divisão principal, estabelecida em precisamente nove jogos sem ganhar, entre o sucesso contra o Nacional (1-0 na Choupana, a 15 de Setembro de 2013) e outro no terreno do Gil Vicente (3-0, a 22 de Dezembro).   - Iuri Medeiros garantiu a vitória do Moreirense em Vila do Conde, contra o Rio Ave (1-0). Vai com dois jogos seguidos a marcar, pois já tinha sido ele a abrir o ativo contra o Paços de Ferreira (2-0), na jornada anterior. Medeiros não fazia golos em jogos seguidos desde Abril e Maio do ano passado, quando, ainda no Sporting B, até marcou em três, a Marítimo B, FC Porto B e Benfica B.   - Depois de um início de época difícil, o Moreirense já vai com duas vitórias seguidas. A última vez que ganhara duas vezes seguidas na Liga tinha sido em Outubro e Novembro do ano passado, quando se impôs a Gil Vicente (2-0) e Marítimo (2-1).   - A derrota com o Moreirense significou o primeiro jogo do Rio Ave sem marcar golos esta época. Os vila-condenses tinham marcado sempre nas dez jornadas anteriores, bem como nos dois desafios da Taça de Portugal, e eram a única equipa da Liga a poder gabar-se de nunca ter ficado em branco.   - Mais um golo do jovem Diogo Jota, que começa a ser talismã do Paços de Ferreira. O miúdo (18 anos) já tem nove golos pela equipa sénior dos pacenses, que quando ele marcou ganharam sempre: 4-0 ao Atl. Reguengos, 9-0 ao Riachense e 3-2 à Académica (aqui bisou) na época passada; 1-0 ao Boavista, 7-1 à Naval (outro bis), 2-0 ao Marítimo e agora 2-0 ao Estoril.
2015-11-30
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Pelo segundo jogo seguido, o FC Porto teve um penalti contra – já lhe tinha acontecido na receção ao Dynamo Kiev. Antes disso, na visita ao Maccabi Tel Aviv, Casillas também tinha sido submetido a um remate da marca dos onze metros. Mas na Liga portuguesa, há já mais de um ano que o FC Porto não sofria uma grande penalidade: a última tinha acontecido a 9 de Novembro de 2014, no Estoril, e tinha sido convertida por Tozé, colocando os canarinhos em vantagem (2-1, aos 81’), num jogo que acabou empatado a dois golos.   - O penalti falhado por Chamorro frente ao FC Porto foi o segundo que o Tondela perdeu esta época, depois do perdido por Piojo na derrota em casa contra o Estoril (também 0-1). Foi o primeiro defendido por Casillas desde que chegou a Portugal.   - O FC Porto conquistou a 1500ª vitória na Liga portuguesa. Continua a ser a segunda equipa que mais jogos ganhou, apenas atrás do Benfica, que ganhou 1539. O Sporting conta 1396 vitórias.   - Um golo de Brahimi decidiu o jogo. Foi o terceiro golo do argelino pelo FC Porto esta época, depois dos marcados ao Belenenses e ao Maccabi, ambos no Estádio do Dragão. Na época passada, por esta altura, Brahimi já tinha marcado por sete vezes.   - Foi o segundo jogo consecutivo do FC Porto sem sofrer golos fora de casa, depois dos 2-0 ao Angrense. Não acontecia desde o final da Liga passada, quando os dragões empataram a zero com o Benfica na Luz e foram depois vencer por 2-0 a Setúbal.   - O FC Porto tem 24 pontos ao fim de dez jogos – tem o desafio com o U. Madeira em atraso – o que significa que soma mais dois pontos que ao fim das primeiras dez jornadas da época anterior e iguala o arranque de 2013/14, onde também somava sete vitórias e três empates.   - Em contrapartida, os cinco pontos em onze jogos feitos pelo Tondela garantem o último lugar à equipa de Rui Bento. É preciso recuar a 2000/01 para encontrar uma equipa que se tenha salvado com tão fraco pecúlio ao fim de onze jornadas: aconteceu ao Gil Vicente, que somava apenas três pontos e acabou a Liga em 14º lugar, cinco pontos acima da linha de água. As sete últimas equipas que estavam tão mal à 11ª jornada desceram.   - O FC Porto rematou apenas onze vezes, o total mais baixo desde a terceira jornada, quando com oito remates ganhou por 2-0 ao Estoril. Para o Tondela, os onze remates permitidos ao adversário estão perto do valor médio (que era de 13 remates por jogo), mas suplantam, por exemplo, o total cedido ao Benfica, que só com 10 remates venceu os beirões por 4-0.   - O Tondela leva já dez jogos seguidos sem ganhar (oito na Liga, um na Taça de Portugal e um na Taça da Liga), desde que venceu o Nacional em casa por 1-0. É a mais longa sequência sem vitórias desde que a equipa chegou aos campeonatos nacionais.
2015-11-29
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É inquestionável que Jorge Jesus deu a volta ao dérbi de Lisboa. Se nos seis anos que passou no Benfica perdeu apenas um em 17 – dois em 18, vá lá, se contarmos o da Taça de Honra, com muitas segundas escolhas metidas ao barulho e em pré-época –, nos cinco meses de Sporting já leva três vitórias em três. Alguma coisa mudou. E por muito que isso tenha custado a quem antes perdia ou custe a quem perde agora, não foram os árbitros que deixaram de gostar de vermelho para passarem a gostar de verde. Acreditar nisso é como acreditar na Carochinha ou no Pai Natal. Quando chegou ao Benfica, Jesus disse com todas as letras que ia colocar os encarnados a jogar o dobro. Nada disso é mensurável, mas sendo verdade que a equipa de Quique Flores jogava de facto muito pouco, o crescimento do futebol do Benfica foi uma evidência que se refletiu em títulos nacionais. E as razões foram muito simples e semelhantes às que agora motivaram o crescimento do Sporting nos dérbis de Lisboa. Assim de repente, identifico cinco: a aplicação concreta de uma ideia de jogo a um grupo de jogadores; a empatia do treinador com os seus favoritos; o realismo nas escolhas e nas decisões; uma cultura de exigência que chega a roçar o insuportável e um instinto assassino de bom malandro. Muitas destas razões servem também, pela inversa, para explicar os problemas que Rui Vitória está a sentir no Benfica. Mas isso é outra conversa… Há um futebol à Jesus. Já havia no Benfica, continua a haver no Sporting. Ele pode sofrer ligeiras mutações de ano para ano, de grupo de jogadores para grupo de jogadores, mas está lá para quem o quiser ver. Baseia-se num ritmo intenso; em diagonais dos alas para o espaço interior; na procura alternada de profundidade nos corredores laterais, ora pelo defesa lateral, ora por um dos avançados; em triangulações na busca constante do espaço vazio e em presença massiva na área na altura de meter a bola naquilo a que Jesus chama “zona de definição”. Era assim que jogava o Benfica de Jesus e é assim que joga o Sporting de Jesus. E o treinador já domina tão bem esta ideia de jogo que vai aperfeiçoando a noção de quem precisa de recrutar para a interpretar. Esta adequação dos jogadores à ideia de jogo do treinador é um trunfo que Rui Vitória não tem no Benfica, por exemplo. Porque quis trazer ideias novas mas esbarrou num grupo que era campeão nacional mas estava formatado e era adequado às antigas: a questão Jonas nasce aí. A tal escolha de jogadores de acordo com as suas ideias leva Jesus a criar sempre um grupo de favoritos, de jogadores que são os dele. Neste Sporting há os jogadores “de Jesus” e os que lá estão porque têm qualidade mas não encaixam tão bem nas ideias do treinador. Montero é um destes casos e por isso era evidente que nem o desgaste motivado pelas viagens transatlânticas de Ruiz levaria o treinador a manter o colombiano em campo quando quisesse fazer a primeira substituição no dérbi. Porque Ruiz é um jogador “de Jesus”. Este fenómeno, que leva a que os ex-jogadores de equipas orientadas por Jesus o amem ou odeiem, consoante faziam parte ou não dos favoritos do treinador, leva a que este Sporting tenha um onze bastante consolidado e taticamente consciente, mas baixe muito de rendimento quando tem que lhe fazer múltiplas alterações. É por causa desta empatia com os “seus” jogadores, que já não consegue criar em grupos muito alargados, e não devido a qualquer inadequação do seu 4x4x2 às provas da UEFA, que Jesus não tem tido a nível internacional o sucesso que consegue intramuros. Só o lastro ganho junto do grupo com conquistas nacionais lhe permitiu chegar a duas finais da Liga Europa com o Benfica. Depois, Jesus é extremamente realista nas escolhas que faz. Os adeptos gostam de ver miúdos da formação a jogar, gostam de trufas e caviar a preço de sandes de courato, mas o treinador sabe que isso raramente se encontra e que no final vai ser avaliado pelos troféus ganhos e não pelo total de miúdos que lançou. Por muito que no Benfica agora andem radiantes com a quantidade de jovens promovidos por Rui Vitória ou que a Sporting TV pergunte a Jesus se para ele tem algum significado ter acabado o último dérbi com sete jogadores da formação, o mais certo é ele nem ter pensado nisso por um segundo. Porque o que lhe interessa é ganhar. Com jovens formados em casa ou velhos contratados fora. E é por isso que o Sporting vai mexer no mercado de Janeiro. Porque se Jesus não lançava miúdos no Benfica não era por não gostar deles, mas sim porque gostava mais de ganhar. Esta noção vem construir também a cultura de exigência de Jesus, que nalguns casos chega a roçar o insuportável. A verdade é que o treinador não está ali para ser amigo dos jogadores ou para ser compreensivo com as falhas deles. Está lá para tirar o melhor de cada um e, à falta de outras mais polidas, a forma que Jesus encontra para o fazer é ser tão exigente que passa dos limites. Ainda não se viu nada disso no Sporting, mas o modo como o treinador recriminou Eliseu por este ter feito o penalti que custou ao Benfica a derrota em Paços de Ferreira, na época passada, por exemplo, chegou a motivar vergonha alheia. Não estando lá dentro, não é difícil de imaginar as conversas no balneário. E nessas conversas, como no que diz para fora, Jesus far-se-á também valer da sua retórica de bom malandro. A comunicação de Jesus pode parecer básica, mas é só porque muita gente se centra no que chama mais a atenção: as gaffes gramaticais, a incapacidade para pronunciar os nomes estrangeiros ou a bazófia sem limites de quem se julga mesmo o melhor do Mundo. Mas a comunicação de Jesus é muito mais do que isso. É a comunicação de quem cresceu a jogar à bola na rua e não hesita em humilhar se isso lhe permitir ganhar mais vezes. De quem não é um caso exemplar de instrução mas é um compêndio de ratice futebolística. De quem sabe que a bazófia pode voltar em dobro e acertar-lhe na testa se perder (como no desastroso final de época de 2013), mas que ao usá-la está a contribuir para vir a ganhar mais vezes. No final da época, Jesus pode ou não ser campeão pelo Sporting. Mas, quer seja quer não seja, uma coisa é certa: os seus defeitos e virtudes são conhecidos de quem anda no futebol e serão parte fundamental da explicação dos resultados finais.  
2015-11-22
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Os dois jogos particulares deste Novembro permitiram a Fernando Santos testar mais algumas alternativas na caminhada para a lista final dos 23 convocados para a fase final do Europeu. É certo que não terá tirado conclusões definitivas, mas o próprio selecionador afirmou após a vitória no Luxemburgo que em Março, quando fizer a próxima convocatória, ela já vai estar mais perto da definitiva. Ainda assim, não houve grandes variações na tabela que estabeleço, com as probabilidades de cada jogador vir a marcar presença na fase final, com presença de todos os elementos já convocados por Santos desde que chegou à seleção. André André terá sido quem mais pontos marcou numa lista na qual entraram Ruben Neves, Nelson Oliveira e Gonçalo Guedes, as duas novidades nas convocatórias de Santos (Lucas João e Ricardo Pereira já tinham sido convocados). Eduardo (mesmo não jogando…), Cédric, Luís Neto e Rafa também terão aproveitado para ganhar ascendente, às custas de Beto, Bosingwa, Carriço e Éder. E as coisas também não estão fáceis para André Almeida, Veloso ou Pizzi, todos eles em perda face à última tabela. Eis o ponto da situação feito a sete meses da fase final, apenas com elementos pelo menos uma vez chamados por Fernando Santos – e onde figuram todos esses elementos, mesmo aqueles que dificilmente terão acesso à lista final e que por isso mesmo surgem com apenas 5% de hipóteses. Guarda-redes (3) Rui Patrício – 100% Anthony Lopes – 80% Eduardo – 75% Beto – 35% Ventura – 5% Marafona – 5%   Lateral direito (2) Vieirinha – 90% Cédric – 70% Nelson Semedo – 30% Bosingwa – 5% Ivo Pinto – 5%   Lateral esquerdo (2) Coentrão – 100% Eliseu – 60% Raphael Guerreiro – 20% Antunes – 10% Tiago Gomes – 5% Tiago Pinto – 5%   Defesa central (4) Ricardo Carvalho – 100% Pepe – 100% Bruno Alves – 90% José Fonte – 65% Paulo Oliveira – 15% Neto – 15% Carriço – 10% André Pinto – 5%   Médios (6) João Moutinho – 100% Tiago – 100% William Carvalho – 90% Danilo – 80% André André – 70% João Mário – 60% Veloso – 25% André Gomes – 20% Adrien Silva - 20% Ruben Neves – 20% André Almeida – 10% Pizzi – 5%   Avançados (6) Ronaldo – 100% Nani – 100% Quaresma – 80% Bernardo Silva – 70% Danny – 70% Rafa – 35% Éder – 30% Gonçalo Guedes – 20% Varela – 15% Cavaleiro – 15% Rui Fonte – 15% Nelson Oliveira – 15% Lucas João – 10% Ricardo – 10% Hugo Almeida – 5% Ukra – 5% Postiga – 5%
2015-11-18
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Se não escrevi sobre o penalti de Arouca, não vos passa pela cabeça que seja porque nunca vejo os jogos em função das arbitragens. Para quem só sabe vir aqui descarregar frustrações e avalia os outros à luz das suas próprias faltas de carácter, é seguramente porque sou pago ou doente pelo Sporting. Se depois defendi que o que Naldo fez a Lito Vidigal foi grave e deve ser punido, também não vos passa pela cabeça que seja porque entendo que o respeito pelo outro, sobretudo se for mais velho, está acima de qualquer ofensa que esse outro nos tenha feito. Para outros, tão diferentes na cor mas tão iguais na mentalidade, é porque sou pago ou doente pelo Benfica. Se entretanto me manifestei desiludido com a falta de atuação da Liga acerca das constantes acusações que têm vindo a ser feitas um pouco por todo o lado, não vos passa pela cabeça que seja porque entendo que deve haver normas de conduta claras, para que todos saibamos quem está a infringir e quem está a agir bem. Para todos, os primeiros e os segundos, é porque sou contra os vouchers e a favor dos depósitos nas contas dos árbitros, ou a favor dos vouchers e contra os roupões, ou contra vouchers e roupões mas a favor das invasões de balneário. É portanto porque sou pago ou doente por todos os clubes, mas nunca pelo clube de quem se queixa. Como, por fim, não escrevi sobre a Porta 18 ou sobre o gangue dos assaltos, não vos passa pela cabeça que seja porque isso não tem nada a ver com futebol. E como não encontram aqui textos acerca do Apito Dourado ou de Inocêncio Calabote, não vos ocorre que seja porque este site não existia à altura dos acontecimentos. É evidentemente porque sou pago ou doente por alguma coisa de que quem se queixa não gosta e o meu silêncio acerca disso está lá para o provar. Hoje, estava a tentar escolher assunto para o Último Passe e a responder a alguns dos vossos comentários quando soube o que estava a acontecer em Paris. Há coisas tão mais importantes que o futebol... E sim, é verdade que não sou pago para tal, mas sou absolutamente doente por uma coisa: por pessoas. Hoje, em respeito aos que caíram nos ignóbeis ataques de Paris, não há Último Passe.
2015-11-13
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Piojo, do Tondela, marcou ao Belenenses o 200º golo da Liga. Os Golo 200 surgiu ao 97º jogo, 19 jogos mais tarde que na época passada, em que 78 jogos bastaram para se marcarem 200 golos. A Liga atual, com 201 golos em 10 jornadas (88 jogos apenas, fruto do adiamento dos jogos do U. Madeira com Benfica e FC Porto), segue com uma média de 2,28 golos por jogo, o que representa uma baixa em relação à edição anterior, que tinha 229 golos nas mesmas 10 rondas, a uma média de 2,54 golos por jogo.   - Leo Bonatini (Estoril) superou no jogo com a Académica o total de golos que tinha na Liga anterior. Em 2014/15 fez quatro golos em 11 jogos, enquanto na temporada atual já leva cinco em apenas nove partidas. A Académica foi o único adversário ao qual repetiu a gracinha de fazer um golo.   - O Estoril de Fabiano Soares empatou pela segunda vez consecutiva em casa, onde já não perde precisamente desde a visita da Académica na época passada, a 22 de Fevereiro. São onze jogos de invencibilidade caseira na Liga, igualando o melhor registo de Fernando Santos, estabelecido entre Abril de 1992 e Janeiro de 1993. Marco Silva, por exemplo, nunca passou das dez partidas seguidas sem perder em casa. O recorde do clube na I Liga são 14 jogos seguidos sem derrota na Amoreira, fixado entre Maio de 1980 e Abril de 1982 (com uma interrupção devida à passagem pela II Divisão) por equipas comandadas por José Torres, Jimmy Hagan e Celestino Ruas.   - Ao vencer em Guimarães por 1-0, o Nacional pontuou pela primeira vez fora de casa esta época. O último ponto como visitante tinha sido em 18 de Maio, no encerramento da última Liga, quando foi ganhar ao Boavista por 1-0 no Bessa.   - O Marítimo ganhou em casa ao Rio Ave por 3-2 e pôs termo a uma série de cinco jogos seguidos com jogadores expulsos. Desde 13 de Setembro, quando ganharam em casa ao V. Setúbal por 5-2, que os verde-rubros não chegavam ao fim de um jogo da Liga com onze homens em campo.   - Dyego Souza (Marítimo) abriu o ativo no jogo com o Rio Ave com mais um golo de cabeça: o seu quinto nessas condições na Liga, o que o deixa como rei dos ares na competição, com mais uma finalização bem sucedida no futebol aéreo que Slimani.   - Zeegelaar (Rio Ave) marcou pelo terceiro jogo consecutivo pela primeira vez na sua carreira. Fez um golo ao Marítimo, depois de já ter marcado ao Nacional e ao Estoril. O holandês juntou-se assim aos setubalenses André Claro e Suk, ao estorilista Leo Bonatini e ao sportinguista Teo Gutièrrez como únicos jogadores a marcarem em três jornadas seguidas. Todos os outros pararam à quarta.   - O Moreirense ganhou por 2-0 ao Paços de Ferreira, obtendo à décima jornada a sua primeira vitória no campeonato. Não prolongou a agonia por tanto tempo como o Gil Vicente de 2014/15, que só ganhou à 16ª jornada.   - O argentino Battaglia esteve entre os goleadores desse jogo, recordando um momento feliz, pois já tinha sido ao Paços de Ferreira que marcara o seu primeiro golo na Liga portuguesa. Foi a 7 de Dezembro do ano passado e, tal como agora, o Moreirense ganhou por 2-0.   - Tiago Silva (Belenenses) marcou ao Tondela precisamente um ano depois do seu último golo na Liga portuguesa. Não marcava desde 9 de Novembro de 2014, na vitória dos azuis por 1-0 no terreno do Moreirense.   - Os 2-1 com que bateu o Tondela significaram a terceira vitória seguida do Belenenses em casa, algo que o clube já não conseguia desde Março, Abril e Maio de 2007, quando ganhou cinco jogos em sequência. Treinava essa equipa Jorge Jesus.   - O Tondela chega à 10ª jornada em último lugar, com apenas cinco pontos. As duas equipas que estavam assim tão mal (pior, na verdade) na época passada, acabaram por descer: o Penafiel tinha quatro pontos e o Gil Vicente três. A última equipa a salvar-se nestas condições foi o Gil Vicente de 2004/05: tinha cinco pontos à décima jornada e acabou a Liga em 13º, seis pontos acima da linha de água. Depois disso, todas as equipas que arrancaram tão mal como este Tondela desceram – além dos dois exemplos da época passada, aconteceu ainda ao Aves em 2006/07, à U. Leiria em 2007/08 e à Naval em 2010/11.   - Kritciuk, guarda-redes do Sp. Braga, continua a sua série de imbatibilidade. O russo, que só tem feito os jogos da Liga, já não sofre golos desde 21 de Setembro, quando foi batido na vitória por 5-1do Sp. Braga sobre o Marítimo. São já 502 minutos sem ir buscar a bola ao fundo das redes, incluindo as visitas a Guimarães e ao Dragão. Tem a mais longa série de imbatibilidade em curso na atual Liga e a maior de um só guarda-redes na história do Sp. Braga desde que Eduardo esteve 586 minutos sem sofrer golos entre Dezembro de 2009 e Fevereiro de 2010.
2015-11-10
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O Sporting venceu em Arouca, por 1-0, chegando à décima jornada com 26 pontos, no que é o seu melhor arranque de Liga desde que a vitória vale três pontos – o melhor eram os 23 de 2013/14, 2011/12, 2006/07 e 1995/96. Transpondo a pontuação da equipa de Carlos Queiroz em 1994/95 para o sistema atual, chegaríamos então aos mesmos 26 pontos de agora. Esse foi, de resto, o último ano em que o Sporting chegou à 10ª jornada na liderança, tendo acabado em segundo lugar, atrás do FC Porto.   - Jorge Jesus, por sua vez, igualou o arranque de época que fez no Benfica, em 2012/13, quando também somava 26 pontos à décima jornada. Nesse campeonato acabou por ser ultrapassado pelo FC Porto, perto do final, mas a verdade é que não liderava sozinho à décima ronda: tinha os mesmos pontos que os dragões.   - Além disso, o Sporting mantém-se sem perder jogos na Liga ao fim de dez jornadas, algo que já não conseguia desde 1998/99. A equipa de Mirko Jozic chegou à décima jornada dessa Liga com 22 pontos, fruto de seis vitórias e quatro empates, e em segundo lugar, a dois pontos do Boavista. A primeira derrota chegou à 14ª ronda e o Sporting acabou o campeonato em quarto lugar, com cinco jogos perdidos.   - Foi a terceira vitória do Sporting na Liga com golos nos últimos cinco minutos. Aconteceu logo na primeira jornada, graças a um penalti de Adrien frente ao Tondela, em Aveiro (2-1); na quinta, quando Montero marcou aos 86’ o golo que valeu os três pontos contra o Nacional, em Alvalade (1-0); e agora em Arouca, graças a um tento de Slimani ao minuto 90 (outra vez 1-0).   - Slimani fez o oitavo golo da época, chegando lá em menos tempo mas mais jogos do que na temporada anterior. Em 2014/15 só chegou aos oito golos a 29 de Novembro, na vitória caseira frente ao V. Setúbal (3-0), mas fê-lo em 14 jogos. Desta vez precisou de 16, viajando a uma média rigorosa de um golo a cada dois desafios.   - Lito Vidigal, treinador do Arouca, foi expulso pela segunda vez esta época. Já lhe tinha sucedido no empate em casa frente ao Belenenses, em Setembro, na altura por ordens do árbitro Luís Ferreira.   - Jorge Jesus voltou a obter uma vitória na sequência de um jogo perdido. São já dez vitórias seguidas na ressaca de uma derrota de uma equipa sua. A última vez que não respondeu com uma vitória a uma derrota foi no final da época de 2013/14, quando, ainda no Benfica, perdeu com o FC Porto na Liga e a seguir empatou na final da Liga Europa com o Sevilha.   - Naldo foi o segundo jogador do Sporting expulso na Liga esta época, depois de o mesmo ter acontecido a João Pereira, a 11 minutos do fim, no empate caseiro (1-1) com o Paços de Ferreira, a 29 de Agosto. O vermelho visto pelo brasileiro a três minutos do final do jogo de Arouca foi o seu primeiro desde Novembro de 2011, quando foi expulso a cinco minutos do fim de um empate do Cruzeiro com o Avaí, em Florianópolis.   - As expulsões do Sporting têm vindo aos pares, esta época. No jogo imediatamente após o vermelho a João Pereira, veio outro para a João Mário, contra o CSKA, em Moscovo. E agora o vermelho a Naldo sucedeu no jogo que se seguiu à expulsão de Rui Patrício na Albânia, frente ao Skenderbeu.   - Os últimos golos do Sporting em inferioridade numérica tinham valido um troféu. Aconteceram a 31 de Maio, no Estádio Nacional, e permitiram levar a final da Taça de Portugal de 0-2 para 2-2 e para o desempate por penaltis que acabou por sorrir aos verde-brancos. Nesse dia, após a expulsão de Cédric, marcaram Slimani e Montero, os dois intervenientes no lance do golo de ontem.   - Rui Patrício voltou a manter a baliza a zeros na Liga, o que já lhe acontece pelo terceiro jogo seguido (3-0 ao Benfica, 1-0 ao Estoril e 1-0 ao Arouca) e lhe permite aumentar para 278 o total de minutos sem sofrer golos na prova. O Sporting não estava três jogos seguidos sem sofrer golos na Liga desde Dezembro/Janeiro, quando defrontou Nacional (1-0), Estoril (3-0) e Sp. Braga (1-0). Na altura, Rui Patrício esteve 364 minutos sem sofrer golos, entre um obtido por Cardozo (Moreirense, a 14/12) e outro de Del Valle (Rio Ave , a 18/1).   - O Arouca perdeu, após cinco empates seguidos na Liga, contra U. Madeira, Belenenses, Sp. Braga, Tondela e V. Setúbal. Depois de ter vencido nas primeiras duas jornadas, já não ganha há oito jogos na Liga, o que fica a um jogo da pior série da equipa na prova, estabelecida em nove jogos, entre Setembro e Dezembro de 2013.  
2015-11-09
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Ao marcar o golo inaugural da vitória do FC Porto frente ao V. Setúbal, Aboubakar igualou já o total de tentos que tinha feito em toda a época passada: oito. Fê-los em 13 jogos, quando em 2014/15 precisou de 20 partidas, ainda que muitas delas como suplente utilizado. Na temporada mais produtiva da sua carreira precisou de mais algum tempo para lá chegar. Foi em 2012/13 que, ao serviço do Lorient, terminou a época com 16 golos, marcando o oitavo a 30 de Novembro, frente ao Nice, ao 16º jogo.   - Aboubakar e Osvaldo estiveram pela terceira vez lado a lado em campo esta época, pois o italo-argentino entrou a 31 minutos do fim e o camaronês por lá ficou. Ao todo, os dois coincidiram por 48 minutos, tendo o FC Porto marcado três golos nesse período. Já tinha acontecido por 13 minutos em Moreira de Cónegos (com um golo) e por quatro minutos frente ao Chelsea no Dragão (sem efeitos no resultado).   - Apesar de ter igualado a série de 16 jogos seguidos sem sofrer golos em casa na Liga estabelecida em 1994, o FC Porto ainda está a pouco mais de um jogo de bater o recorde de Vítor Baía e Cândido, que entre Janeiro e Dezembro desse ano estiveram 1571 minutos sem ir buscar a bola ao fundo das redes das Antas. Com a ajuda de Fabiano e Helton, que se ocuparam das redes na época passada, Casillas prolongou a série atual para 1475 minutos desde que Lima ali marcou, na vitória do Benfica, por 2-0, a 14 de Dezembro do ano passado.   - O V. Setúbal voltou a sofrer golos na Liga, vendo a série de imbatibilidade que durava desde o tento de Rui Correia (Nacional) interrompida após 384 minutos. Mas Ricardo, o guarda-redes emprestado pelo FC Porto, que nesse dia estava na baliza e ontem não, mantém a folha limpa para a próxima jornada.   - Layun é o homem do momento nos dragões, pois participou nos últimos três golos da equipa. Marcou o terceiro em Haifa, ao Maccabi Tel-Aviv, assistiu Aboubakar para o primeiro ao V. Setúbal e fez ele mesmo o segundo. Ao todo, o lateral mexicano tem dois golos marcados e quatro assistências, todas para golos de cabeça, três deles de Aboubakar.   - Maxi Pereira também voltou a fazer uma assistência para golo, tal como sucedera em Israel, mantendo-se como o jogador com mais passes decisivos no FC Porto esta época. São já, ao todo, cinco assistências, todas para jogadores diferentes: Aboubakar, Varela (ambos frente ao V. Guimarães), Brahimi (contra o Belenenses), André André (ante o Maccabi) e agora Layun (Face ao V. Setúbal).   - Foi a 26ª vitória consecutiva do FC Porto frente ao V. Setúbal, em confrontos válidos para várias competições. O FC Porto ganha sempre que os dois se encontram desde um empate a zero, no Dragão, a 29 de Outubro de 2005. Foi ainda o quarto jogo entre ambos em que os sadinos não fazem sequer um golo, desde a derrota por 3-1, no Bonfim, em Agosto de 2013.   - Foi ainda o 14º jogo do FC Porto sem perder esta época. Ao todo, os dragões somam dez vitórias e quatro empates, mantendo-se na corrida para pelo menos igualar o arranque de época de Vítor Pereira em 2012/13. Nessa época, os azuis e brancos estiveram 18 jogos sem perder, até à eliminação da Taça de Portugal, frente ao Sp. Braga, a 30 de Novembro (1-2).   - Quim Machado estreou o croata Gorupec na Liga. Depois de Hassan, Costinha, Arnold, Vasco Costa, Ruben Semedo e Ruca, foi a sétima estreia absoluta de um jogador do V. Setúbal na Liga esta época.
2015-11-09
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Ao descobrir Gonçalo Guedes para o primeiro golo do Benfica frente ao Boavista, Gaitán consolidou a sua posição como melhor assistente da temporada. Foi o oitavo passe de golo que o argentino fez esta época, o terceiro dos quais para o extremo direito. Aliás, três dos quatro golos de Guedes pelo Benfica esta época surgiram de passes de Gaitán: a exceção foi o tento em Aveiro ao Tondela, que saiu de uma abertura de Jonas.   - E vão 453 minutos do Boavista sem fazer golos na Liga: contam os últimos três minutos da vitória sobre a Académica, em Coimbra, após o golo de Anderson Carvalho, bem como os cinco zeros somados frente a Sporting, Rio Ave, Nacional, Marítimo e, agora, Benfica. É a mais longa série na história dos boavisteiros sem fazer golos na prova.   - Samaris viu o quinto cartão amarelo em outros tantos jogos consecutivos, depois de já ter sido advertido contra o Atl. Madrid, Galatasaray, Sporting e Tondela. O máximo que tinha eram três jogos seguidos a ver amarelos, em Janeiro de 2013, quando ainda representava o Panionios.   - Sílvio fez o sexto jogo consecutivo a tempo inteiro (Vianense, Galatasaray, Sporting, Tondela, outra vez Galatasaray e agora Boavista), deixando a ideia de que está a voltar ao seu melhor e que as lesões ficaram para trás. O lateral não fazia seis jogos seguidos a tempo inteiro desde Abril de 2013, quando ainda jogava no Deportivo da Corunha, por empréstimo do Atlético Madrid.   - Carcela voltou a marcar, depois de ter estado na folha de goleadores frente ao Vianense e ao Tondela. Apesar de começar frequentemente como suplente, já fez tantos golos em seis jogos esta época (três) como em cada uma das últimas duas épocas: marcou três em 23 partidas pelo Standard Liège em 2014/15 e outros tantos em 33 jogos pelo Anzhi e pelo Standard em 2013/14.   - Tanto Carcela como Gonçalo Guedes marcaram pela segunda jornada consecutiva da Liga, algo que esta época só Jonas tinha feito no Benfica. É uma estreia para o jovem português, ao passo que o marroquino não experimentava esta sensação desde Abril de 2011, quando inscreveu o nome na lista de marcadores do Standard de Liège frente ao Gent e ao Lokeren.   - Mesmo com um jogo a menos que o Sporting (e tantos como o FC Porto), o Benfica alargou a vantagem sobre os dois rivais na tabela do melhor ataque da Liga. Tem agora 22 golos marcados, contra 19 dos leões e 18 dos dragões.   - O boavisteiro Idris foi expulso pela segunda vez nesta Liga, juntando-se aos maritimistas Tiago Rodrigues e Edgar Costa e ao setubalense Fábio Pacheco como únicos jogadores a merecerem essa distinção repetida da parte dos árbitros. Foi ainda a quarta expulsão dos axadrezados na Liga, sendo que a equipa de Petit só perdeu dois dos jogos que acabou com dez homens.   - O jogo serviu para a estreia na Liga do jovem congolês Bukia, que entrou a 13 minutos do final para o lugar de Anderson Carvalho. Depois de Gideão, Inkoom, Tiago Mesquita, Luisinho e Douglas Abner, é a sexta estreia promovida por Petit na atual edição da Liga.
2015-11-09
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Em tempos, fazia-se carreira no jornalismo através da bajulação. Era simples: sempre que alguém vivia uma tarde ou noite desastrosa, começava-se a análise com um ponto prévio do tipo “fulano é um extraordinário jogador, mas…” Não gosto de insultar a inteligência de quem faz o favor de me ler e por isso mesmo nunca fui por esse caminho – se escrevo sobre alguém é porque esse alguém já terá feito algo de notável, merecendo por isso a atenção de todos nós. Mesmo que no dia em apreço possa ter estado pior do que habitualmente. E agora que acho que já nos entendemos acerca das regras de convivência acerca de arbitragem para partilharmos este espaço, podemos seguir em frente e definir bem o que se analisa aqui. Não são pessoas! São situações. Quem aqui passa com alguma regularidade já sabe que não vai ler explicações de jogo baseadas em erros de arbitragem. Esse é o caminho mais fácil e, sobretudo, nunca será consensual se quisermos alargar a abrangência. Prefiro sempre colocar o foco naquilo que pode ser debatido com um mínimo de elevação. Já vai sendo altura de chegarmos a acordo acerca de outra coisa. É que não acredito em homens providenciais, em gente que faz sempre tudo bem. Nem em asnos completos, daqueles que fazem sempre tudo mal. Entre os que me dizem “a culpa disto é toda tua!” e os que chegam a comparar o tempo que levo a escrever quando ganha um clube com o tempo que demoro quando ganha outro, aquilo que mais vou lendo por aqui ou que me dizem os que me abordam nos estádios é: “você uma vez disse mal de fulano e agora diz bem!”. Como se isso fosse estranho... Já fiz avaliações positivas a Jorge Jesus, pela forma como mudou o futebol do Benfica ou como preparou os dois jogos com os encarnados esta época e colocou o Sporting na liderança do campeonato. Mas também lhe fiz avaliações negativas, quando geriu mal as substituições em Moscovo ou falhou na motivação dos jogadores que colocou em campo na Liga Europa. Rui Vitória? Já o elogiei quando teve a coragem de apostar em jovens jogadores que se afirmaram, como Nélson Semedo ou Gonçalo Guedes, como o contestei quando essas apostas me parecem pouco criteriosas, como a feita em Clésio. Como antes lhe tinha elogiado o arranque de época que tinha feito em Guimarães, com vários miúdos da equipa B, e criticado a frase alusiva ao Ferrari e ao Fiat 600, que veio tirar exigência à equipa e esteve na génese de uma segunda metade de época menos conseguida. Julen Lopetegui? Já escrevi e disse que construiu uma equipa rotinada, que tem uma ideia de jogo consistente, mas também que a rotatividade que impôs à equipa na época passada atrasou a construção de um onze e que falha na motivação dos seus jogadores para partidas frente a adversários mais modestos da Liga portuguesa. E podia continuar a dar exemplos, porque, repito, não acredito na existência de homens providenciais, daqueles que nunca falham. É aqui chegados que me dizem outras duas coisas. Que analisar é fácil e tomar decisões é difícil. E que elogio muitas vezes os que ganham e critico os que perdem. Pois bem, eis aquilo em que acredito. Acredito que cada um está para o que está. Que os jornalistas fazem jornalismo, os jogadores jogam, os treinadores treinam e os adeptos batem palmas. E que, por isso mesmo, quem quer ler análises que digam sempre bem ou sempre mal – quer os analisados façam o seu trabalho com competência ou sem ela – deve ficar-se pelas páginas de adeptos ou ver os das suas cores nos programas televisivos. Eu prefiro pensar. É uma mania que tenho.
2015-11-06
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Kritciuk, guarda-redes do Sp. Braga, alargou frente ao Belenenses para 412 os minutos que leva sem sofrer golos na Liga. O último a marcar-lhe foi o maritimista Dyego Souza, a 21 de Setembro e, desde então, deixou em branco os ataques de V. Guimarães, Arouca, FC Porto e Belenenses. É a mais longa série de imbatibilidade em curso na atual Liga e a maior de um só guarda-redes na história do Sp. Braga desde que Eduardo esteve 586 minutos sem sofrer golos entre 5 de Dezembro de 2009 (autogolo de Moisés frente ao Leixões) e 8 de Fevereiro de 2010 (golo de Yontcha, do Belenenses).   - Luís Leal foi expulso pela primeira vez na Liga portuguesa, deixando o Belenenses com dez homens e à mercê do Sp. Braga, num jogo que confirma a tendência dos jogadores dos azuis para se fazerem expulsar no Minho: os dois últimos vermelhos para o Belenenses tinham sido em Guimarães (Carlos Martins, a 8 de Fevereiro) e Braga (Deyverson, a 7 de Janeiro).   - O Moreirense não foi além do empate em Coimbra, com a Académica, e continua sem vencer após nove jornadas de Liga. Nada de dramas, porém! Das sete equipas que chegaram à nona jornada sem vencer neste século, quase metade (três) escaparam à despromoção desportiva. Sucedeu com o Boavista em 2007/08 (acabou em nono, mas desceu administrativamente, fruto do processo Apito Final), com o Beira Mar (oitavo em 2000/01) e o Gil Vicente (14º, também em 2000/01).   - O V. Setúbal ficou pela primeira vez em branco na Liga frente ao Arouca, empatando a zero no Bonfim, o que faz com que a partir deste momento a única equipa a ter marcado golos em todas as jornadas seja o Rio Ave.   - Ganhando por 1-0 ao Nacional, o Rio Ave assegurou também que, além de ser a única equipa da Liga que marcou em todos os jogos, é a que mais vezes manteve a baliza a zeros: foram cinco desafios sem sofrer golos, tantos como Sp. Braga, Arouca e FC Porto.   - Zeegelaar fez o golo da vitória do Rio Ave frente ao Nacional e, pela primeira vez na sua carreira, marcou em dois jogos consecutivos, pois já tinha marcado no empate (2-2) frente ao Estoril, na oitava jornada. O Nacional já estava na história deste ala holandês, pois tinha sido aos alvi-negros do Funchal que marcara o único golo da sua carreira até ao início desta época.   - O Nacional perdeu os cinco jogos que fez fora da Choupana para a Liga esta época. É o pior arranque da equipa madeirense como visitante desde 2004/05, quando saiu derrotado das primeiras sete deslocações, ganhando apenas à oitava: 1-0 em Penafiel, com golo de Gouveia, atual treinador da Académica.   - Edgar Costa foi expulso no Bessa, frente ao Boavista, o que eleva para cinco o número de jogos consecutivos em que o Marítimo não consegue acabar com onze homens em campo. Antes tinham sido expulsos Tiago Rodrigues (com o Paços de Ferreira), Dirceu (Académica), Diallo (Tondela), Raul Silva e João Diogo (Sp. Braga). O Marítimo é ainda a equipa com mais homens expulsos na Liga: são sete vermelhos, pois a estes seis há que somar outro a Tiago Rodrigues, contra o Belenenses.   - Ricardo Valente fez o golo da vitória do V. Guimarães em Paços de Ferreira, marcando pelo segundo jogo consecutivo, pois estava ausente das escolhas de Sérgio Conceição desde a derrota (2-3) em Vila do Conde, na Taça da Liga, onde também marcara. A última vez que Valente tinha marcado em dois jogos seguidos foi em Maio, quando bisou nos 2-0 ao Estoril e depois fez um golo no empate (2-2) do V. Guimarães face ao Nacional.
2015-11-03
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Ao ganhar ao Estoril, o Sporting assegurou o melhor arranque de época desde 1994/95, a última Liga da vitória a dois pontos. Neste momento, os leões somam 23 pontos, fruto de sete vitórias e dois empates, total só batido pelas oito vitórias e um empate que tinham à nona jornada de 1994/95, com Carlos Queiroz aos comandos (e que só deram 17 pontos, pela regra antiga de pontuação). Por outro lado, desde 1998/99 que o Sporting não chegava invicto à nona jornada: Nesse ano, a equipa de Mirko Jozic atingiu a nona jornada com seis vitórias e três empates, perdeu pela primeira vez à 14ª jornada (com o Salgueiros, em Vidal Pinheiro) e chegou ao fim da Liga em quarto lugar, com cinco derrotas. Curioso é que os dois títulos de campeão dos leões neste século tiveram arranques muito titubeantes: 15 pontos à nona jornada de 1999/00 e 14 à nona jornada de 2001/02. - Jorge Jesus também iguala os seus dois melhores arranques de sempre como treinador. Em 2011/12 e 2012/13 chegou à nona jornada com os mesmos 23 pontos de agora. Em nenhuma dessas épocas acabou como campeão nacional, deixando-se ultrapoassar pelo FC Porto perto do final.   - Ainda que beneficiando do adiamento do U. Madeira-FC Porto, o Sporting chega à nona jornada com cinco pontos de avanço sobre o segundo classificado, algo que já não lhe acontecia desde 1976, quando ali chegou com 17 pontos, contra 12 do Benfica. Contudo, o Benfica acabou por ser nessa época tricampeão, com nove pontos de avanço sobre o Sporting.   - O Sporting tornou-se a equipa com mais penaltis a favor na Liga até ao momento: cinco, dos quais quatro foram convertidos. Ao todo, foram assinalados na Liga 22 penaltis até ao momento, sendo o Sp. Braga a outra equipa em alta, pois teve quatro grandes penalidades a favor. FC Porto, Moreirense, Boavista, Arouca, Nacional, Estoril, U. Madeira e Rio Ave ainda não se estrearam nos remates dos onze metros.   - Os cinco penaltis a favor do Sporting em nove jornadas são um máximo do passado recente no clube. Até na época de 2001/02, em que os leões beneficiaram de 17 penaltis em 34 jornadas, tinham apenas quatro à nona ronda e só chegaram ao quinto na 11ª. Tal como em 2001/02, em 2007/08 e em 2013/14 o Sporting chegou à 9ª jornada com quatro penaltis a favor, mas no primeiro caso o quinto só chegou à 12ª jornada e no segundo apareceu à 11ª.   - Teo Gutierrez marcou golos pelo terceiro jogo consecutivo, pois já tinha estado na lista de goleadores ante o V. Guimarães e o Benfica (as duas últimas partidas em que tinha alinhado). Não o conseguia desde Agosto, quando, fez golos nos últimos dois jogos ao serviço do River Plate (contra o Cruzeiro na Libertadores e o Rosario Central na Liga argentina) e depois no primeiro pelo Sporting. Isto, claro, considerando que o golo da Supertaça lhe foi atribuído – se o dermos a Carrillo, a última série de três jogos de Teo a marcar já data de Agosto e Setembro de 2014. Simplesmente, aí, pelo River, fez golos em seis jogos seguidos: Gimnasia, Rosario Central, Godoy Cruz (bisou), Defensa y Justicia, San Lorenzo e Independiente.   - O Estoril de Fabiano Soares continua sem conseguir marcar um golo no campo de um dos grandes, mesmo tendo dado boa réplica em todos os jogos desta época. Perdeu 1-0 em Alvalade, depois de já ter perdido por 2-0 no Dragão e por 4-0 na Luz. Na época passada, só visitara o Dragão, onde foi derrotado por 5-0 pelo FC Porto.   - Este jogo marcou a quinta vitória seguida do Sporting, algo que já não conseguia desde Abril e Maio. Os leões ganharam agora a V. Guimarães (5-1), Vilafranquense (4-0), Skenderbeu (5-1), Benfica (3-0) e Estoril (1-0), quando na altura se tinham desembaraçado de Nacional (1-0), V. Setúbal (2-1), Boavista (2-1), Moreirense (4-1) e outra vez Nacional (2-0), antes de empatarem… no Estoril.   - Rui Patrício igualou Anderson Polga e Pedro Barbosa como oitavo jogador com mais desafios feitos com a camisola do Sporting: 342. Está a seis jogos de José Carlos, o sétimo da tabela, que seguramente ultrapassará ainda durante esta época.
2015-11-01
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Talisca voltou a ser titular e o Benfica voltou a ganhar, o que continua a inverter a tendência da época passada. Esta época, na Liga, o brasileiro só foi titular em Aveiro frente ao Tondela e em casa face ao Belenenses: duas vitórias e 10-0 em golos. Na época passada, o Benfica não ganhou nenhum dos três jogos da segunda volta em que o baiano começou de início: 0-0 em casa com o FC Porto, 1-2 fora com o Rio Ave e 0-1 fora com o Paços de Ferreira.   - Gaitán fez, no primeiro golo do Benfica ante o Tondela, a sexta assistência em 20 golos do Benfica na Liga, o que lhe reforça a posição de melhor assistente do campeonato. O curioso é que as cinco anteriores beneficiaram cinco jogadores diferentes: Mitroglou, Nelson Semedo, Jiménez, Jonas e Gonçalo Guedes. Jonas foi o primeiro repetente.   - Berger marcou o segundo autogolo do Tondela nesta Liga e o seu primeiro em Portugal. O anterior autogolo do Tondela tinha sido da lavra de Bruno Nascimento e valera a derrota por 1-0 frente ao V. Guimarães. O Tondela é assim a equipa que mais autogolos fez na Liga, ao passo que o Benfica não beneficiava de um desde a nona jornada de 2013/14, quando Marcelo Goiano (Académica), fez o segundo golo de um 3-0 com que os encarnados ganharam à Académica. Faz amanhã, dia 1 de Novembro, dois anos.   - Jonas marcou o primeiro golo do Benfica fora do Estádio da Luz na Liga desde 2 de Maio, quando os encarnados ganharam por 5-0 em Barcelos ao Gil Vicente. Desde aí o Benfica tinha ficado em branco em Guimarães (0-0), em Aveiro contra o Arouca e no Dragão (ambos 0-1).   - Jonas interrompeu ainda uma série de três jogos sem golos, frente a Atlético Madrid, Galatasaray e Sporting, depois de ter bisado em casa frente ao Paços de Ferreira. O máximo que Jonas tinha ficado sem marcar tinham sido dois jogos seguidos, em duas ocasiões: Sp. Braga e Rio Ave em Outubro do ano passado e Académica e Belenenses em Novembro e Dezembro.   - André Almeida fez o 100º jogo com a camisola do Benfica, entrando aos 64 minutos para o lugar do estreante Clésio. Dos 100, 51 foram na Liga. No mesmo jogo, Rui Vitória estreou mais dois jogadores: o moçambicano Clésio e o júnior Renato Sanches.   - Este foi o quarto jogo de Rui Bento no Tondela, depois de ter substituído Vítor Paneira. O novo treinador continua à espera da primeira vitória, o que é inédito em todos os técnicos que comandaram a equipa beirã desde a subida à II Divisão B, em 2009.   - Além disso, o Tondela não ganha há oito jogos, desde a vitória por 1-0 frente ao Nacional, a 30 de Agosto. É também a mais longa série de jogos sem vitória do clube desde que subiu à II Divisão B. A anterior datava de Fevereiro e Março de 2013 e tinha incluído cinco derrotas seguidas entre vitórias sobre o Benfica B e o V. Guimarães B.
2015-10-31
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A oitava jornada da Liga teve oito expulsões, recorde da competição esta época e marca mais vermelha desde a 24ª ronda da época passada, quando foram expulsos nove jogadores. Neste fim-de-semana tiveram ordem de expulsão Jota (Nacional), Renato Santos (Boavista), Tiago Rodrigues (Marítimo), Leo Bonatini (Estoril), Capela (Rio Ave), Moreno e Alex (ambos do V. Guimarães) e Dolly Menga (Tondela). Na 24ª jornada de 2014/15, jogada entre 6 e 9 de Março deste ano, tinham ido mais cedo para o duche Miguel Lourenço (V. Setúbal), Ebinho (Marítimo), Hugo Basto (Arouca), Nii Plange, Bernard e Sami (todos do V. Guimarães), Tobias (Sporting), Dani e Pedro Ribeiro (os dois do Penafiel).   - O empate do Nacional em casa com o Boavista (0-0) permitiu aos madeirenses alargar a mais longa série de jogos sem perder em casa em épocas nas quais estão na I Liga para 15 jogos. A última derrota do Nacional no seu estádio foi a 21 de Dezembro, com o Sporting, para a Liga (0-1) e entretanto já lá voltaram a passar os leões e o FC Porto, tendo ambos saído dali com empates.   - O Boavista voltou a ter um jogador expulso na Madeira. Desta vez foi Renato Santos, que viu o vermelho no empate a zero no terreno do Nacional. Na época passada Afonso Figueiredo tinha sido expulso no desaire (1-2) na Choupana, enquanto os 0-4 encaixados nos Barreiros contra o Marítimo tinham ficado pontuados pelos vermelhos a Beckeles, Philippe Sampaio e Mika.   - Tiago Rodrigues viu o segundo vermelho desta temporada, na derrota do Marítimo em casa ante o Paços de Ferreira, igualando o setubalense Fábio Pacheco como jogador mais vezes expulso na atual edição da Liga. Estranho no caso do médio do Marítimo, que já foi expulso tantas vezes neste início de época como no total dos jogos feitos em quatro temporadas de senior.   - O Paços de Ferreira conseguiu nos Barreiros a terceira vitória seguida depois da derrota na Luz com o Benfica, a 26 de Setembro. Ganhou em casa ao Nacional (3-1) e fora à Naval (7-1) e ao Marítimo (2-0). Está a um jogo de igualar a melhor série de vitórias consecutivas da época passada, fixada precisamente nesta altura: de 29 de Setembro a 25 de Outubro ganhou sucessivamente a Belenenses (2-0), Marítimo (3-2), Atlético Reguengos (4-0) e Boavista (2-1).   - Guedes, que fez o segundo golo do Rio Ave no empate (2-2) no Estoril, marcou pelo terceiro jogo consecutivo, depois de ter bisado na vitória frente ao V. Guimarães (3-2, na Taça da Liga) e de ter marcado também no sucesso contra o União (3-0, Taça de Portugal). Já igualou a melhor série da sua carreira, estabelecida em Fevereiro e Março deste ano, quando ao serviço do Penafiel fez golos sucessivamente a Marítimo, V. Setúbal e Moreirense.   - Tomané, do V. Guimarães, fez o primeiro golo na Liga portuguesa esta época, na qual já tinha marcado mas aos austríacos do Altach, na pré-eliminatória da Liga Europa. Marcou à Académica, o seu adversário predileto, uma vez que já tinha sido aos estudantes que tinha feito os dois golos anteriores na competição: um na vitória por 4-2 em Coimbra a 23 de Maio e outro no sucesso por 4-0 em Guimarães, a 17 de Janeiro.            - O Arouca não conseguiu ganhar ao Tondela (empatou a uma bola, em casa), mas alargou a corrente série de invencibilidade para seis jogos, depois da derrota frente ao FC Porto, a 12 de Setembro (1-3). Todos eles deram empate: U. Madeira (0-0), Belenenses (2-2), Sp. Braga (0-0), Varzim (0-0, na Taça da Liga, com vitória nos penaltis), Leixões (1-1, na Taça de Portugal, com sucesso no prolongamento) e agora Tondela (1-1). Para encontrar seis jogos seguidos do Arouca sem derrotas é preciso ir até Outubro e Novembro de 2012, na época em que subiu ao escalão principal. Nessa altura, entre Taça de Portugal e II Liga, foram sete jogos seguidos sem derrotas.   - André Claro voltou a marcar na vitória do V. Setúbal ante o Moreirense (2-0), fazendo o sexto golo da época. Esta já é a segunda melhor temporada de toda a sua carreira, igualando a de 2012/13, quando fez seis golos com a camisola do Arouca, na II Liga. Para encontrar melhor é preciso recuar até 2011/12, quando representou o Famalicão e marcou 11 vezes na II Divisão B. Mas mesmo aí só chegou ao sexto golo em Fevereiro.   - O golo de Tiago Caeiro, no último minuto do jogo com o U. Madeira, garantiu a quarta vitória seguida do Belenenses, depois dos sucessos contra Atlético (2-0, na Taça da Liga), Olhanense (1-0, na Taça de Portugal) e Basileia (2-1, na Liga Europa). Desde Outubro e Novembro do ano passado que os azuis não ganhavam tantas vezes seguidas. Na altura foram cinco vitórias, com Estoril (2-1), Ac. Viseu (2-0), Boavista (3-1), Moreirense (1-0) e Trofense (5-0).
2015-10-27
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- O FC Porto voltou a não sofrer golos em casa em jogos da Liga. Já lá vão 1385 minutos de jogo desde a última vez que algum adversário ali marcou um golo em desafios de campeonato. O último foi Lima (Benfica), a 14 de Dezembro do ano passado. Casillas, Fabiano e Helton estão ainda a perseguir a série de 1581 minutos seguidos sem sofrer golos em casa obtida por Vítor Baía e Cândido entre um golo de Hermê (nos 4-1 ao União da Madeira, a 5 de Janeiro de 1994) e outro de Figo (no empate a uma bola com o Sporting, a 11 de Dezembro do mesmo ano).   - O FC Porto ficou-se pelas 20 vitórias caseiras consecutivas, vendo a série estancar a quatro do recorde de Artur Jorge, estabelecido entre Novembro de 1984 e Dezembro de 1985. Desde a derrota (0-2) com o Benfica, a 14 de Dezembro do ano passado, os dragões tinham ganho todos os jogos feitos no seu estádio.   - O Sp. Braga vai com oito jogos seguidos sem perder, desde que foi batido pelo Estoril (1-0), a 12 de Setembro. Está, ainda assim, a dois jogos de igualar a melhor série da época passada, que foi de dez partidas, entre duas derrotas por 2-1, frente ao FC Porto (a 5 de Outubro) e ao União da Madeira (a 28 de Dezembro).   - Perdida a série de vitórias consecutivas, o FC Porto consegue, ainda assim, o arranque de época com maior série de invencibilidade desde 2012/13, quando perdeu a primeira vez à 19ª partida, uma deslocação a Braga, para a Taça de Portugal (com eliminação após derrota por 2-1), a 30 de Novembro. Desta vez, o FC Porto já evitou a derrota nas primeiras 12 partidas. E na verdade não perde há 17 jogos, desde o 6-1 de Munique, a 21 de Abril. Esta é também a maior série de jogos sem perder de Lopetegui e a maior desde os 25 jogos seguidos sem derrota experimentados entre o 2-3 frente ao Benfica, para a Taça da Liga, a 20 de Março de 2012, e o tal 2-1 em Braga, a 20 de Novembro do mesmo ano.   - Paulo Fonseca conseguiu pela primeira vez não perder um jogo com o FC Porto. Até aqui, ao serviço de Paços de Ferreira (quatro vezes) e Pinhalnovense (uma), somava cinco derrotas em cinco tentativas, com zero golos marcados e 12 sofridos. Voltou a não marcar golos, mas fez um ponto.   - Kritciuk não sofre um golo desde 21 de Setembro, somando já 322 minutos de imbatibilidade. O último a marcar-lhe foi o brasileiro Dyego Souza (Marítimo), na vitória bracarense por 5-1. É neste momento o guarda-redes há mais tempo sem sofrer golos na Liga.
2015-10-26
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Jorge Jesus conseguiu a operação perfeita na Luz. Ganhou ali pela primeira vez na condição de adversário, pois até aqui perdera os oito jogos lá efetuados como treinador e o melhor que conseguira tinham sido três empates como jogador. Venceu o Benfica pela segunda vez seguida, algo que os leões não conseguiam desde 2005/06, quando Peseiro ganhou em Alvalade por 2-1 e depois Paulo Bento se impôs na Luz por 3-1. E ainda imitou Carlos Queiroz, que foi o último treinador a conduzir o Sporting a duas vitórias sucessivas sobre o rival (1-0 em Alvalade em Dezembro de 1994 e 2-1 na Luz, no famoso jogo da expulsão de Caniggia, em Abril de 1995).   - A vitória do Sporting na Luz garantiu ao clube a primeira liderança isolada da Liga desde Dezembro de 2013, quando venceu o Belenenses por 3-0, mantendo dois pontos de avanço sobre FC Porto e Benfica. Essa equipa, liderada por Leonardo Jardim, encalhou depois na 14ª jornada em casa com o Nacional (0-0), permitindo que os três grandes chegassem ao Natal com os mesmos 33 pontos.   - O Sporting marcou mais golos nos últimos quatro jogos (17, resultantes dos 3-0 ao Benfica, dos 5-1 ao Skenderbeu, dos 4-0 ao Vilafranquense e dos 5-1 ao V. Guimarães) que nos 11 primeiros encontros da época (nos quais fez 15 golos).   - Esta é a sétima vez que o Benfica chega à oitava ronda com três derrotas. Nas seis anteriores acabou a Liga em segundo lugar. Aconteceu-lhe em 2010/11 (perdeu um total de sete jogos e ficou a 19 pontos do FC Porto), em 1987/88 (perdeu seis vezes e acabou a 15 pontos do FC Porto, mas ainda com a vitória a valer apenas dois pontos), em 1981/82 (acabou com seis desaires e a dois pontos do Sporting), em 1978/79 (perdeu quatro vezes e terminou a um ponto do FC Porto), em 1952/53 (também perdeu quatro vezes e acabou a quatro pontos do Sporting) e em 1946/47 (perdeu cinco vezes e terminou a seis pontos do Sporting).   - Em toda a história da Liga portuguesa só houve um campeão com três derrotas à oitava jornada. Foi o Sporting de Laszlo Bölöni, em 2001/02. Os leões perderam na segunda jornada com o Belenenses (0-3), na terceira em casa com o Alverca (0-1) e na oitava em Braga (1-2). Seguiam nessa altura em quarto lugar, a três pontos do líder, que era o FC Porto, mas não voltaram a perder na Liga, que acabaram na frente, com cinco pontos de avanço sobre o Boavista.   - Slimani fez ainda golos em três das quatro vezes que foi ao Estádio da Luz. Já tinha marcado na derrota (3-4, após prolongamento) de Novembro de 2013 e no empate (1-1) na Liga passada. Na Luz, o argelino só ficou em branco na derrota leonina por 2-0 em Fevereiro de 2014. E nunca marcou ao Benfica fora daquele relvado: nem em Alvalade nem no Algarve, onde jogou a Supertaça.   - O golo de cabeça entre os centrais do Benfica valeu a Slimani tornar-se o melhor marcador da Liga no futebol aéreo. O argelino já fez quatro golos nos ares, depois de ter marcado assim ao Rio Ave e, por duas vezes, ao V. Guimarães. Dyego Souza, do Marítimo, tem três.   - Bryan Ruiz fez ao Benfica o primeiro golo na Liga portuguesa, acentuando a tradição de marcar ao clube da Luz e sempre que visita aquele estádio. O costa-riquenho já tinha marcado aos encarnados pelo Twente, nas duas partidas da pré-eliminatória da Liga dos Campeões de 2011/12: empate (2-2) na Holanda e derrota (3-1) na Luz. Só ficou em branco na Supertaça.   - Também Téo Gutièrrez vem com um registo 100 por cento goleador ao Benfica. Uma vez que o árbitro lhe atribuiu o golo da vitória na Supertaça, marcou nas duas primeiras vezes que defrontou os encarnados. O último avançado do Sporting a fazê-lo tinha sido Jardel, que bisou num empate (2-2) na Luz em Dezembro de 2001 e voltou a marcar noutro empate (1-1) em Abril de 2002.   - À décima visita à Luz com a camisola do Sporting, Rui Patrício conseguiu pela primeira vez manter a baliza a zeros. Até aqui perdera sete jogos e empatara dois (um deles depois perdido no prolongamento), sofrendo 18 golos, a uma média de dois por jogo.   - O Benfica somou a segunda derrota consecutiva, depois de ter sido batido pelo Galatasaray por 2-1, na quarta-feira, em Istambul. A última vez que tal lhe tinha acontecido tinha sido entre épocas: perdeu a final da Taça de Portugal de 2012/13, frente ao V. Guimarães (1-2) e depois saiu derrotado do confronto com o Marítimo, no Funchal, na abertura da Liga de 2013/14 (1-2). Se procurarmos duas derrotas seguidas na mesma época é preciso recuar até Maio de 2013, quando o Benfica perdeu no Dragão com o FC Porto (1-2), entregando essa Liga, e logo a seguir foi batido pelo Chelsea na final da Liga Europa (1-2).   - Esta foi também a primeira derrota do Benfica em casa na Liga desde Março de 2012, quando ali perdeu com o FC Porto, por 3-2. Desde então, os encarnados somavam 55 jogos sem derrotas, com 47 vitórias e oito empates.   - O Benfica não perdia por três golos de diferença desde a visita ao Paris St. Germain, em Outubro de 2013, para a Liga dos Campeões. Tal como ontem, também aí estava a perder por 3-0 ao intervalo. Na Luz, ninguém ganhava por três golos desde que a Académica de Domingos ali se impôs a um Benfica comandado por Chalana, em Abril de 2008.
2015-10-26
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Benfica e Sporting têm ambos muita coisa a perder neste dérbi. O Benfica está a cinco pontos de distância – mesmo com um jogo a menos – e é mais evidente aquilo que arrisca: se perde, passa a precisar de binóculos para ver os rivais na tabela. No Sporting até pode haver quem ache que uma eventual derrota não implicaria males de maior, pois tem vantagem na classificação e ainda terá a segunda volta para a retificar, mas é precisamente na capacidade para não perdoar nestes momentos que terá de residir a mudança de paradigma nos leões. O Benfica não tem muito a ganhar com o recuo de André Almeida para defesa-direito. É verdade que Sílvio não deu a melhor resposta em Istambul, mas Nelson Semedo já não era um portento em termos defensivos e a consistência do setor era muito mantida graças à experiência de Luisão, que continua por lá. André Almeida tem sido um bom par para Samaris e, visto que Rui Vitória tem apostado tão pouco em Pizzi, é a meio-campo que deve manter-se. Até porque a aposta na dupla Samaris-Fejsa não deu bom resultado na Supertaça. Na frente, é absolutamente impensável que venha a repetir-se a colocação de Jonas como primeiro avançado: ele será o responsável pela ligação ao ponta-de-lança, de forma a jogar mais perto de Gaitán, uma vez que a sociedade entre os dois é a melhor esperança do Benfica desequilibrar o jogo. O Sporting já abordou alguns jogos mais difíceis com apenas um avançado – quase sempre Gutièrrez – remetendo Slimani para o banco, mas se há uma coisa certa no jogo da Luz é que Jesus vai entrar com dois na frente e que o argelino estará no onze. É que a última coisa que o treinador do Sporting vai querer é que achem que entra com medo. O mais certo é que atrás de Slim e Téo apareça um meio-campo com William Carvalho e Adrien Silva – Aquilani só faz sentido a três ou em jogos mais fáceis – com João Mário a fugir da direita para o meio e Ruiz na esquerda. Se o costa-riquenho não passar no teste físico que fará antes do jogo, é mais certo que no onze apareça Carlos Mané do que Matheus ou Gelson. Jorge Jesus mudará pelo menos oito dos dez jogadores de campo que enfrentaram o Skenderbeu na quinta-feira. E o mais certo é mesmo que mude os dez: falta perceber se Esgaio e Ewerton podem manter-se ou se regressam João Pereira e Paulo Oliveira. Por isso, a questão da recuperação do esforço não se coloca entre os leões. O jogo do Benfica em Istambul acabou 22 horas antes, mas os encarnados ainda tiveram de viajar, chegaram tarde a Lisboa e vão repetir grande parte do onze que começou o jogo com o Galatasaray – provavelmente Rui Vitória só trocará Jiménez por Mitroglou. É o Benfica quem tem maior probabilidade de sequelas da semana europeia. O jogo deverá mostrar duas equipas a apostarem nos momentos em que são mais fortes. O Benfica no ataque posicional, mais em posse, com saída pelas faixas laterais e busca da profundidade através dos laterais e dos extremos, mas com dificuldades nos momentos de transição. O Sporting no ataque rápido, com acelerações nos corredores laterais e procura do espaço atrás da defesa encarnada através da ativação de Slimani ou entre as linhas benfiquistas com as diagonais dos alas, mas a sofrer em organização defensiva. Quem conseguir mascarar melhor as suas debilidades tem mais hipótese de ganhar o jogo. Rui Vitória vai adotar uma abordagem mais afirmativa ao jogo do que na Supertaça, em que o Benfica entrou de facto com medo do Sporting, provavelmente por ter noção das limitações que lhe foram impostas pela pré-época calamitosa em termos desportivos e de preparação. O discurso do treinador pareceu mais confiante, realçando os pontos fortes da sua equipa, como os excelentes resultados que tem feito em casa, ou as diferenças de nomes para com a equipa que jogou em Agosto no Algarve. Lisandro, Nelson Semedo, Fejsa, Ola John e Talisca estarão agora fora do onze. Jorge Jesus não enveredou tanto pelos “mind games” como em Agosto. O balão da euforia leonina esvaziou um pouco com o afastamento da Liga dos Campeões e nem a co-liderança da Liga, a par do FC Porto, permite ao treinador entrar de peito tão cheio como há dois meses e meio. Desta vez Jesus esteve mais na sombra, pois o confronto foi assumido mais acima, pela estrutura da SAD.
2015-10-25
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Fazer televisão parece simples. Mas não é. Ao contrário do Facebook e do Twitter ou do Word e do Milénio, para quem escreve em jornais, na televisão em direto não há "back space". E tal como no Facebook e no Twitter, no Word ou no Milénio, às vezes há erros.  A mim aconteceu-me uma vez, há quase cinco anos: a propósito da antevisão de um jogo do FC Porto na Liga, meti entre vírgulas um comentário acerca do facto de os portistas já não estarem em mais nenhuma prova e por isso deverem investir tudo naquela. Errei, pois o FC Porto tinha perdido em casa com o Benfica na primeira mão da meia-final da Taça de Portugal mas ainda tinha a segunda mão para inverter o resultado. Como acabou por fazer, ganhando fora por 3-1. Não o disse por achar que o FC Porto não teria hipótese de ganhar ao Benfica na segunda mão. Disse-o porque, não tendo vivido a primeira mão em Portugal (estava fora do país e nem tinha visto o jogo), o meu cérebro desligou por um segundo e fez-me esquecer que há um par de épocas a Taça de Portugal passara a ter meia-final a duas mãos. Naquele momento fui incompetente, porque relaxei - e a TV em direto não perdoa relaxamentos. Mas não fui anti-portista, como imediatamente me acusaram os muitos adeptos que me invadiram o perfil de facebook, nele publicando o vídeo do momento infeliz.  Nesse dia percebi que o aproveitamento do erro alheio serve geralmente uma agenda: os dirigentes usam os erros dos árbitros para justificar políticas de gestão discutíveis; os adeptos usam erros dos jornalistas na tentativa de concentrar a revolta coletiva contra quem pensa de forma diferente da deles. E assim sucessivamente. É a tirania das minorias. Com qualquer pessoa com pelo menos dois neurónios, sou contra qualquer tipo de discriminação baseada na raça, no credo religioso ou nas preferências sexuais. Não conheço José Rodrigues dos Santos além de um par de vezes que estive com ele em estúdio ou de uma tentativa de assistir às aulas que ele leciona na Universidade Nova de Lisboa, que acabou mal por desistência minha. De qualquer modo, nem me passa pela cabeça que ele possa ser ao mesmo tempo homofóbico e tão irresponsável a ponto de transportar essa homofobia para o telejornal da estação pública. Para mim, como para qualquer pessoa que já tenha estado num estúdio de televisão e não veja este caso à luz de uma agenda própria, o caso de José Rodrigues dos Santos não foi de homofobia mas sim de relaxamento excessivo. Não foi uma graçola idiota - foi um erro. Terá custos, mas não aqueles que estão a querer imputar-lhe. Se depois as associações de defesa dos direitos dos homossexuais disso se aproveitam para reforçarem a que é a sua justa luta, só posso dizer que tenho pena. Porque nada deve ser obtido a qualquer preço.
2015-10-09
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Com a qualificação para a fase final do Europeu assegurada na penúltima jornada, Fernando Santos começa já no domingo, em Belgrado, a preparação para a prova francesa. Aliás, só assim se entendem as dispensas de Ricardo Carvalho, Tiago e Ronaldo e as chamadas ao grupo de dois potenciais estreantes, como são Ricardo Pereira e Rui Fonte. A altura é, já, de olhar para quem poderá fazer a viagem e, embora os oito meses de competição que vão seguir-se nos clubes tenham uma palavra muito forte a dizer, é evidente que há gente com mais de meio bilhete tirado numa equipa onde, apesar de não parecer, a renovação até tem vindo a ser feita de forma gradual. Manda a história recente, porém, que ela seja acelerada. E isso dificilmente se fará antes da aventura nos relvados franceses. Olhemos para as lições que nos ensina o passado recente. Desde 2000, desde o Europeu em que Portugal inaugurou uma série de oito presenças consecutivas em fases finais, há duas regras às quais só a equipa escolhida por António Oliveira, em 2002, escapou. E com tristes resultados, diga-se, pois caiu na primeira fase. A primeira é que, havendo mudança de selecionador, mudam pelo menos 12 convocados de uma fase final para a seguinte. A segunda a de que a uma fase final com convocatória mais conservadora (com menos alterações, como foi a de 2014, em que só foram alterados sete nomes) segue-se sempre outra em que muda pelo menos meio plantel. Portugal encarou três dessas oito fases finais (2006, 2008 e 2014) com o mesmo responsável da anterior e em dois desses casos viu-se alguma continuidade: Luiz Felipe Scolari mudou apenas seis nomes de 2004 para 2006 e até foi às meias-finais e Paulo Bento alterou sete de 2012 para 2014, onde foi eliminado na fase inaugural. Zero conclusões, portanto. Mas o próprio Scolari, que se manteve de 2006 para 2008, já sentiu a necessidade de mudar doze nomes na sua terceira fase final. E, com a tal exceção de 2002, sempre que houve mudança de selecionador, como sucederá agora, com a troca de Paulo Bento por Fernando Santos, nunca a equipa teve menos do que essas doze alterações. Foram as feitas por Scolari de 2002 para 2004 e depois por Paulo Bento de 2010 para 2012. E teriam também sido as operadas por Carlos Queiroz de 2008 para 2010 não tivesse a lesão de Nani forçado a sua troca por Ruben Amorim, elevando assim o total de alterações do professor para 13. Em 2002, Oliveira mudou apenas oito nomes relativamente aos que tinham estado no Euro’2000 e Portugal baqueou na primeira fase. Aliás, se repararmos, as três convocatórias com menos alterações (2002, 2006 e 2014) seguiram-se às três competições nas quais Portugal atingiu as meias-finais. Algo que não acontece desta vez. Como de 2014 para 2016 houve mudança de selecionador e ainda por cima a convocatória de 2014 foi conservadora e nesse ano a prestação nacional foi fraca, mandam a lógica e a tradição que se façam pelo menos umas doze mudanças no lote de convocados que esteve no último Mundial. A questão é que o grupo que Fernando Santos tem vindo a utilizar não as prenuncia. Nos seis jogos de qualificação que o engenheiro dirigiu, ganhando-os todos, foram utilizados 25 jogadores: o guarda-redes Rui Patrício; os laterais Vieirinha, Cédric e Bosingwa à direita e Fábio Coentrão, Eliseu e Raphael Guerreiro à esquerda; os centrais Ricardo Carvalho, Pepe, Bruno Alves e José Fonte; os médios João Moutinho, Tiago, Danilo, William Carvalho, João Mário, Adrien Silva e Veloso; e os avançados Ronaldo, Nani, Danny, Quaresma, Éder, Bernardo Silva e Postiga. É verdade que 13 destes 25 não estiveram na fase final do Mundial do Brasil, mas nem é verosímil que o grupo ande só em torno deles (há só um guarda-redes e depois há três laterais de cada lado) nem algumas das alterações feitas equivaleriam a um rejuvenescimento, pois passaram pelo regresso de alguns veteranos anteriormente proscritos por Paulo Bento, como Ricardo Carvalho, Tiago ou Bosingwa. Ainda assim, o melhor é ver-se a coisa caso a caso. Na baliza, Rui Patrício é aposta segura, pois foi titular em todos os jogos “a doer” com Santos (6 vezes titular/0 vezes suplente utilizado), devendo os dois lugares restantes sobrar para Anthony Lopes (0/0) e quem estiver melhor entre Beto (0/0) e Eduardo (0/0). Ventura (0/0) e Marafona (0/0), que também passaram pelo banco no período de Fernando Santos, deverão ter de esperar pela sua vez. Assumindo que o engenheiro levará quatro laterais à fase final, pois nenhum deles está à vontade para jogar nos dois corredores, libertando assim uma vaga, haveria que riscar dois do lote de utilizados na qualificação. Assim sendo, as coisas ficam difíceis para Bosingwa (2/0) e Raphael Guerreiro (1/0), podendo a escolha cair em Vieirinha (2/0) e Cédric (2/1) para a direita e em Coentrão (3/0) e Eliseu (4/0) na esquerda. Ivo Pinto (0/0), Tiago Pinto (0/0) e Tiago Gomes (0/0), que também chegaram a ser chamados, devem ser cartas fora do baralho, mas o mesmo já não poderá dizer-se de Nelson Semedo (0/0) e Antunes (0/0), aos quais uma boa época pode assegurar uma vaga. Outra tentação habitual para os selecionadores que sabem que só podem levar 23 jogadores a uma fase final é a de cortar um central, levando apenas três e aproveitando a possibilidade de fazerem baixar um dos médios defensivos em caso de improvável necessidade. Fernando Santos, porém, pode ver-se impedido de o fazer, dada a veterania dos seus centrais. Poderia ser um risco encarar uma fase final só com Ricardo Carvalho (6/0), Pepe (3/0) e Bruno Alves (3/0), além de que José Fonte, suplente utilizado em três partidas (0/3) fez o suficiente nesta fase de qualificação para justificar a chamada. Carriço (0/0), Paulo Oliveira (0/0), Luís Neto (0/0) e André Pinto (0/0) foram os outros defesas-centrais chamados por Fernando Santos, o que lhes deixa uma réstia de esperança de virem a estar em França. Com onze vagas ocupadas (três guarda-redes, quatro laterais e quatro centrais), sobram apenas doze para o meio-campo e o ataque. Quando assim é, o normal é que elas sejam dividias ao meio. Ora nos médios não se adivinha que Santos venha a prescindir de Moutinho (5/0) e Tiago (5/0), sempre titulares a não ser na Albânia, quando de tal se viram impedidos, o primeiro por lesão e o segundo por suspensão. Para as quatro vagas restantes partem na “pole position” William Carvalho (1/3) e Danilo (2/0), os dois elementos mais defensivos. Muito em aberto estão as duas vagas restantes (que até pode ser só uma, se Santos entender que pode utilizar Coentrão a meio-campo). Entre os que jogaram a qualificação há Veloso (1/0 e um golo importante, a dar a vitória na Albânia), João Mário (0/1) e Adrien (0/1), mas a época está a correr particularmente bem a André André (0/0), não se podendo ainda desprezar as hipóteses André Gomes (0/0), André Almeida (0/0) ou Pizzi (0/0), todos eles episodicamente chamados durante o período de Fernando Santos. Assumindo que sobram seis vagas para o ataque, parece evidente que cinco jogadores têm bilhete reservado. São eles Ronaldo (6/0), Nani (6/0), Danny (5/1), Quaresma (0/5) e até Bernardo Silva (2/0). Sobra um lugar, que em condições ideais seria para o tal ponta-de-lança que fosse capaz de fazer tudo aquilo que Ronaldo não faz (fixar os centrais, arranjar espaço para o CR7, pressionar a saída de bola do adversário…). Não se encontrando esse jogador, sobram o também utilizado Éder (0/3). Mais difícil está a hipotética convocatória de Postiga (1/0) ou até Hugo Almeida (0/0), mas uma vez que esta vaga dependerá muito daquilo que os jogadores farão durante esta época, há que tomar atenção a todos os outros que o engenheiro chegou a chamar: Varela (0/0), Cavaleiro (0/0), Ukra (0/0), Rafa (0/0), Lucas João (0/0), Rui Fonte (0/0) ou Ricardo Pereira (0/0). E quem sabe se não é aqui que aparece a tradicional surpresa de última hora, proporcionada pela fase final da época desportiva. Em 2014 foi Rafa. Desta vez pode ser qualquer um, com Rúben Neves a assumir a dianteira entre os candidatos.  PONTO DA SITAÇÃO FACE À CONVOCATÓRIA (só elementos chamados por Fernando Santos)   Guarda-redes (3) Rui Patrício – 100% Anthony Lopes – 50% Beto – 20% Eduardo – 20% Ventura – 5% Marafona – 5%   Lateral direito (2) Vieirinha – 90% Cédric – 60% Nelson Semedo – 30% Bosingwa – 15% Ivo Pinto – 5%   Lateral esquerdo (2) Coentrão – 100% Eliseu – 60% Raphael Guerreiro – 20% Antunes – 10% Tiago Gomes – 5% Tiago Pinto – 5%   Defesa central (4) Ricardo Carvalho – 100% Pepe – 100% Bruno Alves – 90% José Fonte – 65% Paulo Oliveira – 15% Carriço – 15% Neto – 10% André Pinto – 5%   Médios (6) João Moutinho – 100% Tiago – 100% William Carvalho – 90% Danilo – 80% João Mário – 60% André André – 60% Veloso – 50% Adrien Silva - 25% André Almeida – 15% André Gomes – 15% Pizzi – 5%   Avançados (6) Ronaldo – 100% Nani – 100% Danny – 80% Quaresma – 80% Bernardo Silva – 70% Éder – 50% Rafa – 25% Varela – 20% Cavaleiro – 15% Rui Fonte – 15% Ricardo – 15% Lucas João – 10% Hugo Almeida – 10% Ukra – 5% Postiga – 5%
2015-10-09
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- Dirceu, do Marítimo, foi o quinto jogador da equipa verde-rubra a ver um cartão vermelho na Liga, depois de Tiago Rodrigues (contra o Belenenses), João Diogo e Raul Silva (frente ao Sp. Braga) e Diallo (ante o Tondela). O Marítimo destaca-se, assim, do V. Setúbal como a equipa com mais expulsões na Liga (os sadinos têm três), somando já 152 minutos em inferioridade numérica na prova.   - Rui Pedro fez, de penalti, o golo que valeu a primeira vitória da Académica na Liga, à sétima jornada (1-0 ao Marítimo). Já na época passada o primeiro golo do médio gaiense tinha sido obtido frente aos insulares, mas na ocasião, à segunda jornada, a Académica perdeu por 2-1.   - Ao ganhar ao Marítimo, a Académica igualou o seu pior registo de sempre, pois já em 1943/44 obtivera a primeira vitória à sétima jornada, na ocasião frente ao V. Guimarães, por 3-2, depois de seis derrotas seguidas. Nessa época acabou a Liga em nono lugar (entre dez participantes), escapando à justa à despromoção.   - O V. Setúbal bateu o Estoril em casa por 1-0 e elevou a série de jogos sem derrota no Bonfim para cinco, desde a derrota frente ao FC Porto (0-2), a 3 de Maio. Já superou o melhor registo da época passada mas está ainda muito aquém do que estabeleceu entre Dezembro de 2013 e Setembro de 2014: na altura foram 15 jogos, entalados entre duas derrotas frente ao Benfica (0-2 e 0-5).   - Bruno Moreira, do Paços de Ferreira, fez golos nas duas balizas na vitória (3-1) frente ao Nacional: marcou dois pela sua equipa e um na própria baliza. É a segunda vez esta época que um jogador fez pelo menos um golo e um autogolo no mesmo jogo: já tinha sucedido a Gonçalo Brandão, do Belenenses, no empate (3-3) contra o Rio Ave, na jornada inaugural.   - Um dos golos do Paços de Ferreira nasceu de uma grande penalidade, a terceira assinalada contra o Nacional em sete jornadas da Liga. O Nacional igualou assim o Rio Ave como equipas que mais penaltis cometeram neste início de campeonato, com a vantagem para os insulares de terem visto um dos adversários falhar: Rabiola, da Académica, chutou ao poste.   - O Moreirense voltou a empatar, desta vez em Tondela (1-1), mas já é a única equipa da Liga que ainda não venceu, após sete jornadas. Nunca tal lhe tinha acontecido, em cinco épocas na I Liga.   - Romário Baldé, avançado emprestado pelo Benfica ao Tondela, fez ao Moreirense o primeiro golo como sénior: na época passada ficara em branco nos nove jogos que fez pelo Benfica B, da mesma forma que não tinha marcado nas primeiras duas partidas dos beirões.   - Segundo golo em partidas consecutivas para Bressan, do Rio Ave. Depois de ter feito o tento com que os vila-condenses bateram a Académica, por 1-0, repetiu agora a proeza no 1-0 ao Boavista. Bressan não marcava em jogos seguidos desde o final de 2011, quando era uma das figuras do Bate Borisov e fez golos em seis jornadas seguidas da Liga bielorussa.   - O Boavista só perdeu três jogos no campeonato e dois deles foram nos derradeiros instantes. Se agora viu Bressan marcar o golo da vitória do Rio Ave aos 90+4’, já tinha sido batido em casa pelo Paços de Ferreira, com um tento de Diogo Jota aos 89’.   - Ao empatar a zero com o Arouca na Pedreira, o Sp. Braga ficou pela terceira vez em branco esta época (0-1 no Estoril e com o Rio Ave em Vila do Conde), mas foi a primeira vez que tal lhe aconteceu nos jogos em casa, onde tinha feito onze golos em três partidas. Foram sete jogos sempre a marcar desde o empate (0-0) com a Académica, em Março. Foi igualada mas não ultrapassada a melhor série da época passada.
2015-10-05
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Islam Slimani conseguiu nos 5-1 ao V. Guimarães o seu primeiro hat-trick desde que chegou ao Sporting, interrompendo uma série de quatro jogos sem marcar (Lokomotiv, Nacional, Boavista e Besiktas). O máximo que tinha conseguido foram dois bis, frente ao V. Setúbal e ao Penafiel, ambos em jogos que o Sporting tinha ganho confortavelmente (3-0 e 4-0). Este foi também o primeiro hat-trick de um jogador do Sporting desde o assinado por Montero nos 8-1 ao Alba, na Taça de Portugal, a 20 de Outubro de 2013. Na Liga, o último hat-trick leonino também pertencia a Montero, mas fora marcado ao Arouca noutra vitória por 5-1, a 18 de Agosto de 2013.   - O jogo teve outro hat-trick, mas de assistências. Jefferson cruzou para dois dos golos de Slimani e deu a bola a Adrien para o golo que este marcou de livre, tornando-se num ápice no maior assistente do Sporting esta época. Carlos Mané e Bryan Ruiz eram os principais assistentes até aqui, com dois passes para golo. O último jogador do Sporting a fazer três assistências num jogo tinha sido Rochemback, que o conseguiu a 14 de Novembro de 2004, num 6-1 ao Boavista.   - O Sporting voltou ainda a marcar cinco golos num jogo, algo que já não fazia desde 21 de Novembro de 2014, quando bateu o Sp. Espinho por 5-0, em partida da Taça de Portugal. Em jogos da Liga, a última “chapa 5” do Sporting datava de 18 de Agosto de 2013, quando venceu o Arouca em casa por 5-1.   - Por sua vez, o V. Guimarães já não sofria cinco golos num jogo desde 11 de Março de 2012, quando caiu em Alvalade, contra o Sporting, mas por 5-0.   - O Sporting completou o 20º jogo consecutivo a marcar em casa para a Liga portuguesa, onde já não fica a zero desde a derrota (0-1) contra o Estoril, em Maio de 2014. Já não conseguia uma série tão longa desde o período que mediou entre Março de 2007 e Outubro de 2008: nessa altura esteve 24 jogos seguidos sempre a marcar, entre um 0-0 com o Desp. Aves e um 0-1 frente ao Leixões.   - Rui Patrício fez o 339º jogo com a camisola do Sporting, igualando o “violino” Vasques no 10º lugar dos jogadores mais utilizados de sempre na história dos leões. O guarda-redes fica agora a apenas três jogos do oitavo lugar, ocupado ex-aequo por Anderson Polga e Pedro Barbosa. A tabela é liderada por Hilário, que alinhou 471 vezes de leão ao peito.   - O Sporting voltou a jogar 36 minutos em superioridade numérica, por expulsão de Bouba Saré, pouco depois de se iniciar a segunda parte do jogo. É a terceira vez que lhe acontece estar a jogar contra equipas diminuídas em número em sete jornadas da Liga, pois já tinha sucedido com a Académica, em Coimbra (expulsão de Filipe Alexandre) e com o Nacional, em casa (duplo amarelo a Sequeira). Ao todo, os leões somam 102 minutos em superioridade numérica, sendo a equipa que mais tempo esteve a jogar contra 10, superando na lista o… V. Guimarães, que tinha 88 minutos.
2015-10-05
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Maxi Pereira viu nos 4-0 ao Belenenses o quinto amarelo em sete jogos do FC Porto na Liga, ficando desde já suspenso para a oitava jornada, na qual os dragões recebem o Sp. Braga. Iguala o pior registo de sempre com a camisola do Benfica: em 2013/14 também tinha visto cinco amarelos nas primeiras sete rondas, com a nuance de dois deles terem sido no mesmo jogo, a deslocação ao Estoril, o que lhe valeu a expulsão e a suspensão à oitava jornada. A época em que Maxi viu mais rapidamente cinco amarelos em jogos diferentes da Liga foi em 2010/11, na qual atingiu a marca à 10ª jornada.   - Pablo Osvaldo fez o primeiro golo com a camisola do FC Porto ao sétimo jogo, ainda que em cinco deles tenha jogado menos de 20 minutos. A demora foi a segunda mais longa da sua carreira. Só no Bologna tinha levado mais desafios a estrear-se a marcar: 14, pois não fez qualquer golo na meia época que lá passou, em 2008/09, só marcando a primeira vez já em 2009/10. Foi o primeiro golo de Osvaldo desde 29 de Março, quando marcou pelo Boca Juniors nos 3-0 ao Estudiantes-   - O jogo com o Belenenses assinalou também o primeiro golo de Ivan Marcano com a camisola azul e branca. Fê-lo à 40ª partida oficial. Marcano não fazia um golo desde Fevereiro de 2014, quando contribuiu com um na vitória por 4-2 do Olympiakos sobre o Platanias, no campeonato grego.   - Brahimi foi o primeiro jogador do FC Porto a marcar um golo e assistir para outro em jogos desta época. O último a fazê-lo tinha sido Aboubakar, no desafio que encerrou a temporada passada: nos 2-0 ao Penafiel, fez o primeiro golo e assistiu Danilo para o segundo.   - A vitória do FC Porto sobre o Belenenses foi a 19ª consecutiva do FC Porto no seu estádio, onde ganha sempre desde que ali perdeu com o Benfica, por 2-0, a 14 de Dezembro do ano passado. Esta equipa iguala assim o melhor registo da de José Mourinho, que também ganhou 19 jogos seguidos em casa entre uma derrota com o Real Madrid (1-3 a 1 de Outubro de 2003) e um empate com o Deportivo da Corunha (0-0, a 21 de Abril de 2004).   - Além disso, o zero na baliza de Casillas significa que já lá vão 1295 minutos de jogo desde que o FC Porto sofreu o último golo em casa em partidas da Liga. O último entrou precisamente na derrota com o Benfica, a 14 de Dezembro de 2014, e foi marcado por Lima. O registo de Helton, Fabiano e Casillas fica ainda assim aquém do estabelecido por Vítor Baía e Cândido entre um golo de Hermé (nos 4-1 ao U. Madeira, a 5 de Janeiro de 1994) e outro de Figo (no 1-1 com o Sporting, a 11 de Dezembro do mesmo ano): foram nessa altura 1581 minutos seguidos sem sofrer golos em casa.   - Continuam os problemas defensivos do Belenenses, que tem a defesa mais batida da Liga, com 17 golos encaixados em sete jogos. Este é o pior registo defensivo parcial do Belenenses à 7ª jornada desde 1974, quando chegou à sétima jornada com os mesmos 17 golos sofridos, mas com duas vitórias (1-0 ao Atlético e 6-4 ao Olhanense), dois empates (2-2 com o FC Porto e 3-3 com o V. Setúbal) e três derrotas (0-2 com o V. Guimarães, 1-2 com a Académica e 0-4 com o Benfica) face a uma vitória, quatro empates e duas derrotas da presente época. Essa equipa de 1974/75, dirigida por Peres Bandeira, chegou ao final da época em sexto lugar, com a sétima melhor defesa da prova (37 golos em 30 jogos).   - Aboubakar completou o quarto jogo consecutivo sem marcar golos, depois do bis em Kiev, no empate (2-2) frente ao Dynamo. É a sua mais longa “seca” desde que representa o FC Porto e a mais longa desde Fevereiro e Março de 2014 quando, ainda no Lorient, esteve seis jogos sem marcar, entre um golo ao Monaco, a 1 de Fevereiro, e outro ao Stade Reims, a 29 de Março.
2015-10-05
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Nenhum tema se apresenta tão primordial para o futebol em Portugal nas próximas eleições como o do jogo online. Os milhões de euros que são movimentados pela comunidade de apostadores que há muito deixou o Totobola e não acredita na aleatoriedade do Euromilhões fazem toda a diferença entre um futebol a entrar em falência e um futebol ao qual se dá uma botija de oxigénio – e se depois essa botija é aproveitada ou desperdiçada pelos dirigentes desportivos já é outra conversa. A questão é que quando falo de futebol não falo só de clubes, jogadores e treinadores. Falo de jornais, sites de internet, canais de televisão, todos eles dependentes dos patrocínios que só as grandes casas de apostas podem oferecer neste momento. Ainda que muito tardiamente, o Estado português apercebeu-se na última legislatura do volume de negócios das casas de apostas, que operavam em Portugal num regime totalmente desregulado. Fez-se uma lei para que daí pudessem vir receitas para o Estado, pela via normal nestas circunstâncias, que é a dos impostos. As taxas previstas na Lei portuguesa são superiores às da generalidade dos países europeus, o que desde logo condicionou a permanência no nosso mercado de alguns dos maiores “bookies” internacionais, mas ainda assim uma mão cheia deles anunciou que ia pedir licença para poder operar no nosso mercado. Sucede que o processo de atribuição das licenças – e por inerência da legalização dessas casas de apostas – tem sido demorado. Demasiado demorado para que se aceite que tem a ver com simples burocracia e não com a vontade de o arrastar até à data das eleições, por estar em causa uma profunda diferença ideológica entre as forças em disputa. Algumas casas continuam a trabalhar em Portugal. Fazem uma interpretação muito própria da lei, segundo a qual enquanto não for atribuída a primeira licença a lei não é considerada em vigor e tudo continua como antes. As grandes e mais competitivas – as que mexem com mais dinheiro, também – retiraram-se, abrindo caminho à entrada do Placard, o sistema de jogo offline da Santa Casa da Misericórdia. O sistema é simples: registam-se as apostas nos agentes que aceitam boletins do Euromilhões, mas não há depois qualquer possibilidade de gerir online as posições adquiridas. E se isso vem funcionar como sinal amarelo para os maiores apostadores, que funcionam com apostas de back-up, o sinal vermelho acende-se com a constatação das odds (probabilidades) praticadas pelo Placard, sempre uns bons “ticks” abaixo das que servem de referência nas casas de apostas internacionais. Parece-lhe normal? Então imagine que tinha o monopólio das transações bolsistas num país e que podia comprar todas as ações que quisesse a um euro e depois vendê-las nos mercados internacionais a 1,10€. De quanto tempo precisava para ficar imensamente rico? A questão é que a realidade atual não é má apenas para os apostadores. É má também para os jornais, que têm na Santa Casa da Misericórdia um cliente de luxo, mas que enquanto não foram disso impedidos por uma providência cautelar a trocaram pelas Betclics e BWins da vida. É má para os clubes, para a Federação Portuguesa de Futebol e para a Liga, que além de perderem potenciais patrocínios, recebem migalhas em vez de receberem uma parcela interessante daquilo que os seus jogos geram nos mercados de apostadores. No fundo, se presumirmos que um eventual governo PSD/CDS levará avante a lei que elaborou e que o PS manterá a ideia anunciada recentemente por António Costa – e que é a de dar o monopólio à Santa Casa da Misericórdia, dessa forma contribuindo para pagar a despesa do Estado ou da Segurança Social – este é um dos grandes pontos de discórdia entre as maiores forças políticas que vão concorrer às eleições de domingo. E é, ao mesmo tempo, uma das únicas diferenças verdadeiramente ideológicas entre ambas, entre quem prefere dinamizar a economia e receber a receita através dos impostos e quem prefere ter o Estado a gerir essa mesma economia, sem a intervenção da iniciativa privada. Em mais de 25 anos de jornalismo já passei por uma série de eleições. A tradição nas redações era ouvir-se os responsáveis que os maiores partidos designavam para a área do desporto acerca de política desportiva. Prometiam-se pavilhões, pistas de atletismo, relvados para treinar futebol, políticas de formação e dinamização do desporto escolar. Desta vez, nada disso importa verdadeiramente. A política desportiva do próximo governo vai definir-se com uma questão muito simples: o que vai fazer acerca do jogo online?
2015-09-30
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- Ao empatar com o V. Setúbal na Choupana, o Nacional estabeleceu a mais longa série de jogos seguidos sem perder em casa: 14. A última vez que os alvi-negros perderam ali foi a 21 de Dezembro do ano passado, com o Sporting (0-1), para a Liga. Entretanto voltaram a passar por lá os leões, bem como o FC Porto, mas ambos empataram. A melhor série do Nacional em épocas nas quais esteve na I Liga estava em 13 jogos, entre uma derrota com o Marítimo (0-1), a 14 de Dezembro de 2003 e outra com o Sevilha (1-2), a 30 de Setembro de 2004. Nesses 13 jogos, porém, o Nacional ganhou 11 (empatou apenas com o Sporting e o FC Porto), enquanto nos atuais 14 já vai com cinco empates (Moreirense, Sporting, FC Porto, V. Guimarães e V. Setúbal).   - Ao mesmo tempo, o facto de ter empatado com o V. Setúbal impediu o Nacional de passar, mais uma vez, a barreira das três vitórias seguidas em casa. Depois de bater P. Ferreira (3-0, ainda na época passada), U. Madeira (1-0) e Académica (2-0), esta foi a nona vez que a equipa madeirense falhou desde a última ocasião em que conseguiu as tais quatro vitórias consecutivas no seu estádio, que foi entre Abril e Setembro de 2004, quando ali ganhou a Beira Mar (3-0), Ro Ave (4-0), outra vez Beira Mar (2-1, já na nova época) e Académica (2-1). - Arranque extraordinário do coreano Suk, autor do golo que deu o empate ao V. Setúbal frente ao Nacional na Choupana (1-1). Marcou em quatro dos seis jogos da sua equipa, somando até ao momento cinco golos e três assistências. Curioso ainda o facto de ter marcado ao Nacional depois de o ter feito ao Marítimo: foram as outras duas equipas que representou em Portugal.   - O golo de Marega, que valeu a vitória do Marítimo sobre o Tondela (1-0), foi o terceiro a chegar depois do minuto 90 nesta Liga. Desses, dois foram obtidos pelo Marítimo (já tinha sucedido com Dyego Souza contra o V. Setúbal) e outros tantos foram sofridos pelo Tondela (que já tinha perdido com o Sporting com um golo de Adrien Silva nos descontos).   - Marega fez o nono golo em Portugal (oitavo na Liga), mas apenas o segundo como suplente utilizado. A única vez que tinha marcado depois de saltar do banco foi em Fevereiro, quando ajudou o Marítimo a vencer em Penafiel por 4-3.   - Diallo, que em Portugal já representara Arouca e Académica, foi expulso pela primeira vez no nosso país no Marítimo-Tondela. Com a sua expulsão, o Marítimo torna-se a equipa que mais vermelhos viu na Liga: quatro em seis jornadas.   - O empate com o Arouca foi a segunda vez que o Belenenses desperdiçou uma vantagem de dois golos na atual Liga. Já lhe tinha sucedido quando deixou que o Rio Ave recuperasse de 3-1 para 3-3 no Restelo. Nas duas vezes, o adversário marcou os dois golos nos derradeiros 15’ de jogo.   - Luís Leal voltou a marcar em Arouca, mantendo o registo 100% goleador nos jogos do Belenenses na Liga que começa como titular. Já tinha sido titular e marcado em casa com o Moreirense.   - Os dois golos do Arouca no jogo foram obtidos de fora da área: livre de Nuno Valente a desviar na barreira e remate de muito longa distância de Hugo Basto. Foram os dois primeiros golos de fora da área do Arouca esta época. O Belenenses já tinha sofrido um, marcado pelo benfiquista Talisca.   - Os 13 golos sofridos pelo Belenenses à sexta jornada são o pior arranque defensivo dos azuis desde Outubro de 1987, quando chegaram a esta ronda com 14 bolas nas redes (na altura com o contributo dos 7-1 encaixados nas Antas frente ao FC Porto). Essa equipa acabou a Liga em terceiro lugar, com a sexta melhor defesa da Liga (38 golos em 38 jogos).   - A série de imbatibilidade do guarda-redes André Moreira, do U. Madeira, foi interrompida na derrota do clube insular no Estoril, por 2-1. Ficou nos 361 minutos, entre o golo do nacionalista Soares, na segunda jornada, e o primeiro do Estoril no domingo, marcado por Leo Bonatini. É a maior série da atual Liga, mas não a mais longa do U. Madeira no campeonato. Essa continua a pertencer a Zivanovic, que a estabeleceu em 413 minutos entre 6 de Março e 23 de Abril de 1994.   - Leo Bonatini voltou a marcar pelo Estoril, fazendo-o pelo quarto jogo consecutivo (incluída aqui a derrota frente ao Oriental na Taça da Liga). Já fez mais golos neste início de época (cinco) que em toda a temporada passada (quatro).   - A vitória por 2-1 frente ao U. Madeira, quarta em seis jogos, significa que os canarinhos estão a assinar o melhor arranque de época desde 1947/48, quando ganharam quatro jogos e empataram um dos primeiros seis. O Estoril acabou essa época em quarto lugar, vendo-se ultrapassado pelo Belenenses apenas na última jornada, na qual empatou com o FC Porto na Constituição.   - Sérgio Conceição estreou-se no banco do V. Guimarães com uma derrota frente ao Sp. Braga (0-1). Foram exatamente o mesmo resultado e o mesmo adversário que já lhe tinha assinalado a estreia na Académica: 0-1 em Braga. No Olhanense também começara a perder: 2-1 nos Barreiros com o Marítimo. O único clube português onde se estreara a ganhar foi mesmo o Sp. Braga, onde abriu conta com um conclusivo 3-0 ao Boavista.   - Rafa marcou pelo terceiro jogo consecutivo no Sp. Braga, a mostrar que lhe fez bem o banco nos jogos com Boavista e Estoril. Antes de marcar ao V. Guimarães já tinha sido ele a obter o golo da vitória frente ao Slovan Liberec, tendo contribuído com um golo na goleada (5-1) ao Marítimo. O máximo de jogos consecutivos em que Rafa tinha feito golos era de dois, o que conseguira por duas vezes: Estoril e Arouca em 2013/14 e V. Guimarães e Penafiel em 2014/15. Nas duas vezes, o terceiro jogo, no qual ficou em branco, tinha sido contra o V. Guimarães.   - Ao perder em Vila do Conde, com o Rio Ave, a Académica superou o arranque de 1977, no qual perdeu os cinco primeiros jogos, tendo contudo ganho o sexto. Para encontrar um início de campeonato tão mau da Briosa há que recuar até 1943/44. Nesse campeonato, a equipa dirigida por Severiano Correia perdeu os primeiros seis jogos, mas cinco foram fora de casa: FC Porto (3-2), Olhanense (5-1), Salgueiros (3-1), Atlético (2-1) e Benfica (2-1). Pelo meio, caiu também aos pés do Sporting em Coimbra (3-4). Ganhou pela primeira vez à sétima jornada, em casa, ao V. Guimarães (3-2). Acabou a época em nono lugar, assegurando a manutenção à custa do Salgueiros.
2015-09-29
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O primeiro zero atacante do Sporting esta época apareceu ao décimo jogo e, por mais que o tema seja tabu na estrutura leonina, fica associado à ausência de Carrillo, até por se notarem as dificuldades que a equipa de Jesus tem tido para fazer golos desde o afastamento do jogador, que se recusa a renovar contrato. Com Carrillo em campo, o Sporting fez 11 golos em 608 minutos, a uma média de um golo a cada 55 minutos. Sem ele, em 292 minutos, os leões fizeram apenas três golos em 292 minutos, a uma média de um golo por cada 97 minutos.   - Ao empatar a zero no Bessa, com o Boavista, o Sporting falhou mais uma vez na tentativa de obter uma quinta vitória consecutiva fora de casa em partidas da Liga. A última vez que as conseguiu foi em 2011. Desde então, já falhou quatro vezes ao quinto jogo: Benfica (0-1, em 2011/12), FC Porto (1-3, em 2013/14), Belenenses (1-1, em 2014/15) e agora Boavista (0-0).   - Além disso, os leões interromperam uma série de 23 jogos consecutivos sempre a marcar pelo menos um golo. A última vez que tinham ficado em branco tinha sido também no Porto, mas no Dragão, na derrota frente ao FC Porto por 3-0, a 1 de Março. A equipa de Jorge Jesus ficou assim aquém da série de 1969/70, quando marcou consecutivamente em 36 partidas.   - O Boavista pontuou pela primeira vez frente a um grande em casa desde que regressou à Liga. Na época passada tinha perdido os três jogos: 0-1 com o Benfica, 1-3 com o Sporting e 0-2 com o FC Porto. Já tinha conseguido empatar a zero com os azuis e brancos, mas no Dragão.   - Paulo Vinicius cumpriu frente ao Sporting o 100º jogo na Liga portuguesa. Dos 100, apenas seis foram com a camisola do Boavista. Soma, além disso, dois no Leixões, 53 na U. Leiria e 39 no Sp. Braga, de onde saiu para regressar ao Brasil.   - William Carvalho voltou a competir com a camisola do Sporting, quase quatro meses depois da última partida, que foi a final da Taça de Portugal, a 31 de Maio. Tal como nessa tarde, no Jamor, contra o Sp. Braga, o jogo acabou empatado.   - Jogo disciplinarmente imaculado do Boavista. A equipa axadrezada não viu um único amarelo, o que lhe sucede pela primeira vez desde Abril, quando perdeu em casa com o Marítimo por 2-0. O árbitro era o mesmo de ontem: Soares Dias.
2015-09-27
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Gonçalo Guedes fez o primeiro golo com a camisola do Benfica, ao 16º jogo oficial, a vitória por 3-0 frente ao Paços de Ferreira. Tornou-se assim o mais jovem marcador da história dos encarnados desde que o norte-americano Freddy Adu marcou o golo do empate (1-1) na Amadora, num jogo frente ao Estrela que contava para a Taça da Liga, oito anos exatos antes do golo do jovem de Benavente. Gonçalo Guedes fez o golo ao Paços de Ferreira a 26 de Setembro de 2015, a dois dias de completar 18 anos e dez meses; Adu tinha-se estreado a marcar pelo Benfica também a 26 de Setembro, mas de 2007, com 18 anos e três meses de idade. Mesmo se contarmos apenas jogos da Liga, Gonçalo Guedes não bate a idade de Adu à data do primeiro golo: fê-lo a 28 de Outubro de 2007, numa vitória por 2-1 sobre o Marítimo, com 18 anos e quatro meses.   - Ao assistir Gonçalo Guedes para o 2-0, o argentino Gaitán mantém-se como melhor assistente da Liga, com cinco passes para golo (antes tinha feito os passes para golos de Mitroglou e Nelson Semedo ao Estoril e Jiménez e Jonas ao Moreirense). O segundo melhor assistente da Liga é Gonçalo Guedes, com quatro passes para golo: Jonas e Talisca ao Belenenses, mais dois para Jonas ao Paços de Ferreira.   - A vitória sobre o Paços de Ferreira permitiu a Rui Vitória chegar pela primeira vez ao fim de um jogo contra uma ex-equipa na Liga sem sofrer golos. Até aqui tinha encaixado doze em oito jogos, nunca mantendo a baliza a zeros.   - Jonas segue com sete golos em seis jornadas da Liga, com uma média superior a um golo por jogo. O último jogador a consegui-lo à sexta jornada tinha sido Montero (Sporting, em 2013/14). No Benfica ninguém tinha uma marca assim desde Cardozo, em 2009/10.   - Jonas vai ainda com seis jogos consecutivos a marcar em casa, na Liga. Ficou em branco contra o FC Porto (0-0), em finais de Abril, mas depois marcou ao Penafiel (um golo nos 4-0), ao Marítimo (dois nos 4-1) e, já esta época, ao Estoril (dois nos 4-0), ao Moreirense (um nos 3-2), ao Belenenses (dois nos 6-0) e agora ao Paços de Ferreira (dois nos 3-0).   - Luisão completou o 465º jogo pelo Benfica, igualando Manuel Bento como o sexto homem com mais partidas pelos encarnados em toda a prova. À frente dele só estão agora Nené (575 jogos), Veloso (538), Coluna (525), Humberto Coelho (498) e Shéu (487).   - O guarda-redes Marafona vai com 40 jogos completos consecutivos no campeonato. Entre a Liga anterior, que fez no Moreirense, e a atual, no Paços de Ferreira, são 3600 minutos sem falhar um, o que faz dele o jogador há mais tempo consecutivo em atividade na prova.   - O Paços de Ferreira sofreu a segunda chapa 3 consecutiva na Liga, depois de ter perdido em casa com o Rio Ave por 3-0. Algo que não acontecia aos pacenses desde Dezembro de 2013, quando depois de perderem em Alvalade com o Sporting por 4-0 foram batidos em casa pelo Estoril por 3-0.
2015-09-27
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O FC Porto fez apenas sete faltas no empate (2-2) frente ao Moreirense, mostra de alguma falta de agressividade que não vinha sendo habitual numa equipa que até era das mais faltosas da Liga: somava 94 (18,8 por jogo), total que só era suplantado por Marítimo (100), Estoril (96) e P. Ferreira (95). Para efeitos de comparação deve dizer-se que o mínimo desta época tinham sido as 16 faltas cometidas nos jogos com Marítimo, Estoril e Benfica. Para encontrar um jogo tão bem comportado dos jogadores portistas é preciso recuar até Março, quando a equipa azul e branca venceu em casa o Arouca, por 1-0, fazendo as mesmas sete faltas. Esse não foi, de resto, o único desafio abaixo das dez faltas na última Liga para uma equipa que antes da chegada de Lopetegui e do seu modelo de posse raramente se ficava por um algarismo na contagem das infrações: nos 5-0 ao Estoril, os jogadores portistas tinham feito nove faltas.   - Segundo golo de livre de Maicon esta época, foi também o segundo que marcou na equipa principal do FC Porto (tinha, também, um ao serviço do FC Porto B).  Todos os outros golos de Maicon tinham sido obtidos de cabeça.   - O FC Porto sofreu golos nos últimos cinco jogos fora de casa: antes dos dois marcados pelo Moreirense, tinha sofrido outros tantos em Kiev com o Dynamo (2-2), um em Arouca (3-1), outro no Funchal com o Marítimo (1-1) e, ainda na época passada, outro no Restelo com o Belenenses (1-1). Não acontecia nada de semelhante aos dragões desde o final da época de 2013/14, ainda que nessa altura tenham sido doze jogos consecutivos a sofrer golos em viagem, desde a derrota na Luz por 2-0, com o Benfica, até à última saída da época, perdida no Algarve com o Olhanense (2-1).   - Julen Lopetegui conseguiu pela primeira vez ultrapassar o traumático 12º jogo sem perder. Nas duas anteriores ocasiões em que, como treinador do FC Porto, alinhara 1 jogos seguidos sem derrota, caíra ao 12º. Primeiro contra o Sporting, no Dragão, para a Taça de Portugal (1-3); depois com o Marítimo, na Madeira, para a Taça da Liga (1-2). Desta vez não ganhou, mas também não perdeu.   - Quarto golo na Liga de Iuri Medeiros, o jovem emprestado pelo Sporting ao Moreirense. Antes de marcar ao FC Porto, já tinha feito o mesmo ao Benfica, quando estava cedido ao Arouca, ainda que nessa tarde a sua equipa tenha perdido (1-3).   - Terceiro golo em outras tantas partidas de Corona com a camisola do FC Poro na Liga. Na Liga holandesa, ao serviço do Twente, precisou de 16 jogos para chegar aos três golos.   - Ao entrar para o lugar do lesionado Brahimi, Varela atingiu os 200 jogos pelo FC Porto (em todas as competições). NO atual plantel, só Helton o supera, com 322.   - Os 70% por cento de posse de bola que o FC Porto teve no jogo com o Moreirense são o segundo total mais elevado da atual Liga, apenas atrás dos 71% que o Benfica conseguiu, em casa, contra o mesmo Moreirense.
2015-09-26
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O guarda-redes André Moreira manteve a baliza a zeros pela terceira vez consecutiva na Liga, na receção do U. Madeira ao Arouca, que terminou empatada a zero. São já 321 minutos consecutivos de imbatibilidade, desde o golo de Soares, na derrota do União frente ao Nacional, na segunda jornada. O jovem guardião do União estabelece assim o melhor registo da atual Liga e o mais longo de toda a sua ainda curta carreira (tem apenas 19 anos). Esta não é, ainda assim, a melhor série do U. Madeira na I Liga. Essa foi estabelecida por Goran Zivanovic entre 6 de Março e 23 de Abril de 1994. Foram nessa altura 413 minutos sem sofrer golos, a começar no segundo de Ricardo Lopes, numa derrota no terreno do E. Amadora (2-0), passando por três empates a zero (Sporting e Farense em casa e Gil Vicente fora) e numa vitória por 2-0 frente ao V. Guimarães e terminando num golo de Tavares, a abrir uma derrota por 3-0 frente ao Boavista no Bessa.   - Fábio Pacheco, do V. Setúbal, foi o primeiro jogador a ser expulso por duas vezes na atual Liga: antes de ver o vermelho aos 2 minutos da receção ao V. Guimarães, já tinha visto outro aos 78’, na visita à Académica. Os sadinos não perderam nenhum dos jogos, pois se agora empataram a dois golos, em Coimbra ganharam por 4-0.   - O congolês Arnold (V. Setúbal) obteve na baliza do V. Guimarães o segundo bis da sua carreira. O anterior tinha sido a 22 de Outubro do ano passado, quando ajudou o Chaves a ganhar ao Santa Clara por 2-1, na II Liga.   - Armando Evangelista deixou o comando técnico do V. Guimarães após o empate em Setúbal. Foi a primeira chicotada psicológica no clube minhoto desde a saída de Manuel Machado, após a primeira jornada da Liga de 2011/12. Na altura, Basílio Marques assegurou a transição até à entrada de Rui Vitória.   - Ao mesmo tempo que Armando Evangelista, saiu José Viterbo da Académica. A equipa de Coimbra repete a “medicação” da época passada, quando afastou Paulo Sérgio, mas fá-lo mais cedo, pois o treinador anterior resistiu até à 21ª jornada. Viterbo caiu após sete derrotas consecutivas na Liga (cinco nesta ápoca, duas na anterior) e 14 jornadas seguidas sem ganhar, desde os 2-1 ao Nacional, a 15 de Março. Paulo Sérgio tinha resistido 15 jornadas sem o sabor da vitória.   - As cinco derrotas com que a Académica arrancou na Liga são o pior registo da equipa de Coimbra desde 1977. Na altura, perdeu consecutivamente com Riopele (fora, 0-2), Sporting (casa, 1-5), Belenenses (fora, 0-2), V. Guimarães (casa, 1-3) e Varzim (fora, 1-0). O treinador, que era Juca, manteve-se e a Académica ganhou à sexta jornada ao Boavista, por 3-2. No final da época acabou em oitavo lugar.   - A última equipa a somar zero pontos à quinta jornada foi o Trofense, em 2008. O treinador, que era Toni, só resistiu às três primeiras derrotas, entrou Tulipa, o Trofense ainda chegou ao 12º lugar mas depois acabou a época em último e desceu de divisão.   - Ao marcar dois golos na vitória do Rio Ave frente ao Paços de Ferreira (3-0), Heldon obteve o primeiro bis desde Dezembro de 2013, quando foi fundamental no empate a dois golos do Marítimo em casa frente ao Nacional. Aliás, nesse dia repetiu a dose da semana anterior, quando marcara os dois golos da vitória maritimista em Arouca. À atenção da Académica, o próximo adversário dos vila-condenses.   - O primeiro golo de Heldon foi ainda o centésimo da Liga. Ao 39º jogo. Na época passada tinha sido o benfiquista Lima a obter o 100º golo da prova, nos 3-1 do Benfica ao Moreirense, mas ao 42º jogo. Há dois anos marcara-o Evandro, do Estoril, no empate a dois que os canarinhos obtiveram em casa frente ao FC Porto, também ao 39º desafio.   - Edimar marcou, de livre, o terceiro da vitória do Rio Ave. Não fazia um golo na Liga desde Dezembro de 2013, quando inscreveu o nome na lista de marcadores na derrota do Rio Ave frente ao FC Porto (1-3). De livre, já não marcava desde 23 de Setembro de 2012, quando bateu Beto noutra derrota do Rio Ave (4-1) em Braga.   - O Paços de Ferreira perdeu pela primeira vez em casa desde Janeiro, quando ali passara o Nacional (3-2). E não perdia na Mata Real com tanta clareza desde Abril de 2014, quando o mesmo Nacional lá ganhara por 5-0.   - Leo Bonatini fez em Tondela o primeiro golo fora de casa desde que chegou a Portugal e ao Estoril. Os seis que tinha marcado desde o início da época passada tinham acontecido todos no António Coimbra da Mota.   - Luís Leal abriu o marcador na vitória do Belenenses sobre o Moreirense (2-0), fazendo o seu primeiro golo na Liga portuguesa desde Novembro de 2013, quando bisou na vitória do Estoril sobre o Rio Ave, em Vila do Conde, pelo mesmo resultado. Desde essa data, porém, só foi titular mais uma vez, num Estoril-V. Guimarães que antecedeu a sua transferência para a Arábia Saudita.   - O Moreirense não ganhou um único jogo nas primeiras cinco jornadas, seguindo com apenas um ponto. É algo de inédito nas cinco épocas dos cónegos na Liga. O pior que tinham até aqui era uma vitória e quatro derrotas, no ano de estreia (2002/03). Nas últimas três temporadas apresentavam o mesmo registo: uma vitória, dois empates e duas derrotas.   - Ao entrar, a 10 minutos do final, para o lugar de Stojlikovic, na goleada bracarense sobre o Marítimo (5-1), Wilson Eduardo estreou-se com a camisola do Sp. Braga na Liga e ainda fez o 100º jogo na competição. Soma 27 partidas no Beira Mar, 27 no Olhanense, 25 na Académica, 20 no Sporting e agora 1 no Sp. Braga.   - O lateral Lionn, do Rio Ave, foi o outro “centenário” da jornada. É, contudo, mais constante nas camisolas do que Wilson Eduardo. Dos 100 jogos, 81 foram com o verde-e-branco do Rio Ave vestido, completando o lote com 8 jogos no Olhanense e 11 no V. Guimarães.   - Depois do golo ao Slovan Liberec, Rafa marcou também ao Marítimo. Não lhe acontecia marcar em dois jogos consecutivos desde que ajudou o Sp. Braga a vencer fora o V. Guimarães (2-1 para a Taça de Portugal) e o Penafiel (6-1 para a Liga) em Novembro do ano passado.   - O Marítimo não levava cinco golos num jogo desde Novembro de 2012, quando foi batido pelo FC Porto no Dragão por 5-0. Ruben Ferreira foi o único do onze que jogou nesse dia a repetir a experiência ontem.
2015-09-22
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Freddy Montero voltou a ser decisivo uma vitória do Sporting, ao marcar o golo solitário com que os leões bateram o Nacional. Não lhe acontecia desde 2 de Maio, quando fez os dois golos com que o Sporting venceu em Alvalade este mesmo Nacional, mas por 2-0. Pelo meio, fez nos descontos o golo que permitiu ao Sporting empatar (2-2) com o Sp. Braga e levar a final da Taça de Portugal para prolongamento.   - O Sporting somou o 23º jogo seguido a marcar golos: já não fica em branco desde 1 de Março, quando foi batido pelo FC Porto no Dragão por 3-0. Superou assim a melhor série da época passada, que tinha ficado em 22 partidas sempre a marcar, entre os 0-3 de Guimarães, a  de Novembro, e os 0-2 de Wolfsburgo, a 19 de Fevereiro. Para se encontrar série mais longa do que a atual no passado leonino é preciso recuar a 1969 e 1970, quando a equipa comandada por Fernando Vaz marcou consecutivamente golos em 36 jogos.   - O jogo com o Nacional foi apenas o segundo desta época em que os leões conseguiram manter a baliza inviolada, repetindo o 1-0 que já tinham conseguido frente ao Benfica, na Supertaça. Pelo meio ficaram sete partidas sempre a sofrer golos. Rui Patrício voltou a manter a baliza virgem num jogo da Liga, o que já não lhe acontecia desde 2 de Maio, quando defrontou este mesmo Nacional em Alvalade. Pelo meio, os leões ganharam por 1-0 ao Rio Ave em Vila do Conde, na última jornada da época passada, mas o guarda-redes foi Marcelo Boeck.   - Antes do vermelho a Sequeira, aos 32 minutos do jogo de ontem, a última expulsão de um jogador do Nacional na primeira parte de um jogo da Liga acontecera a 3 de Novembro de 2013, quando Duarte Gomes expulsou Aly Ghazal aos 28 minutos de um empate caseiro com o Olhanense (0-0)-   - Em contrapartida, o Sporting não beneficiava de uma expulsão de um adversário na primeira parte na Liga desde 28 de Setembro de 2013, quando ganhou em Braga por 2-1, com vermelho a Aderlan Santos aos 31 minutos. Desde então, os seus jogadores viram dois vermelhos nessas condições: sempre Tobias Figueiredo, expulso aos 11 minutos frente ao Penafiel e aos 45’ contra o Boavista, nos jogos em casa da época passada.   - Com a expulsão de Sequeira, o Sporting passa a beneficiar de 66 minutos em superioridade numérica na atual Liga (há que juntar os oito minutos após o vermelho a Fernando Alexandre, da Académica). Os leões não são, mesmo assim, a equipa que mais tempo passou com um a mais em campo. Essa equipa é a do V. Guimarães, que esteve 88 minutos em superioridade numérica em Setúbal. E mesmo assim não ganhou.
2015-09-22
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Histórias invertidas entre André André e o pai, o antigo médio António André. O pai marcou logo no primeiro jogo oficial com a camisola do FC Porto (fez o quinto tento de uma goleada de 5-0 sobre o Farense, em Outubro de 1984), enquanto ele precisou de seis jogos para marcar o primeiro golo. No entanto, André André marcou ao primeiro clássico, enquanto António André só marcou ao… sexto (abriu o ativo numa vitória por 2-1 sobre o Sporting, em Novembro de 1985).   - André André não marcava um golo de bola corrida desde 4 de Janeiro, quando até fez um hat-trick nos 4-0 ao Nacional. Mesmo nesse dia, porém, o primeiro foi de penalti e o segundo num canto. Desde então tinha marcado mais quatro vezes, todas de penalti.   - O FC Porto continua sem sofrer golos para a Liga no Dragão. Já lá vão 13 jogos inteiros desde o último, que foi obtido por Lima, a 14 de Dezembro do ano passado. Ao todo, 1205 minutos  que só encontram paralelo na história recente portista com uma série de 1384 minutos que foi estabelecida por Zé Beto e por um ainda adolescente Vítor Baía entre Outubro de 1988 e Maio de 1989.   - O Benfica, por sua vez, não marca um golo fora da Luz desde a época passada. Os encarnados fizeram todos os seus (15) golos desta época em casa, tendo ficado em branco nas duas saídas (0-1 com o Arouca em Aveiro e 0-1 com o FC Porto no Dragão). A última vez que sucedeu perderem as duas primeiras deslocações foi em 2010 (sempre 1-2, com Nacional e V. Guimarães), mas para encontrar zero golos marcados na primeiras duas partidas fora há que recuar até 2003 (0-0 no Bessa e 0-2 com o FC Porto no Dragão).   - O FC Porto leva onze jogos sem derrota, tendo a último sido os 6-1 em Munique, frente ao Bayern, que lhe custou a saída da Liga dos Campeões. Está igualado o melhor registo de Julen Lopetegui, que na época passada passou exatamente onze jogos sem perder entre as duas derrotas frente ao Marítimo: 1-0 para a Liga a 25 de Janeiro e 2-1 para a Taça da Liga a 2 de Abril.   - Maxi Pereira é um de quatro jogadores que já viram quatro amarelos nas primeiras cinco jornadas da Liga (os outros são Pelé, David Simão e Bouba Saré). O mais cedo que o uruguaio tinha chegado ao quarto amarelo na Liga foi em 2010/11, mas na altura precisou de oito jornadas.   - Os seis remates feitos pelo Benfica no Dragão são o mínimo desta época numa equipa que andava com uma média de 22,7 por jogo. O Benfica não rematava tão pouco num jogo desde 18 de Abril, mas nessa altura os seis remates chegaram-lhe para ganhar por 2-0 ao Belenenses no Restelo.
2015-09-21
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Andre Carrillo, que tem sido uma das figuras do Sporting neste início de temporada, não foi convocado para o jogo que os leões têm hoje à noite com o Lokomotiv de Moscovo. Não há – nem tem de haver – uma justificação oficial para a ausência do peruano, mas parece mais ou menos evidente que ela está ligada à recusa deste em renovar o contrato que o liga ao Sporting até final da presente época, ficando assim livre para assinar por quem quiser a partir de Janeiro e para se mudar em Agosto, sem que os leões recebam nada. Há quem defenda que é assim mesmo que tem de se fazer – se o jogador não renova, encosta-se. Ainda por cima porque em fila de espera está Carlos Mané, que juntamente com João Mário me parece o jovem mais promissor a morar por esta altura em Alvalade. Respeito essa opinião. Mas quando se trata de a justificar, não me chegam respostas como: era assim que o clube A ou B fazia. A mim, que me escapa uma justificação racional para um clube continuar a pagar (e bem!) a um jogador durante onze meses para o ter a treinar sozinho e não o rentabilizar do ponto de vista desportivo, esta parece-me uma medida indefensável. Primeiro, porque não me parece que o Sporting ganhe alguma coisa com isso – e se ganhar, convencendo o jogador a renovar através desta medida, estamos a falar de chantagem, que é algo que me custa a aceitar no plano dos princípios. Depois, porque, em qualquer atividade, um bom profissional é aquele que cumpre escrupulosamente os seus deveres para com a entidade empregadora e não aquele que aceita renovar contratos só porque esta quer fazê-lo. A ser verdade que Carrillo não aceita renovar contrato por nada deste Mundo, haverá razões para duvidar também que aceite ser transferido na janela de mercado de Janeiro, a última em que o Sporting pode ganhar algum dinheiro com ele. Mas ainda assim, se havia alguma chance de o fazer, o melhor caminho era tê-lo à mostra, a jogar. A jogar bem, como tem feito até aqui. Pô-lo de parte agora só teria uma justificação aceitável: a firme convicção de que, daqui para a frente, ao serviço de outros interesses, Carrillo desataria a marcar golos na própria baliza em vez de os construir ou finalizar nas redes adversárias. E isso seria caso inédito na história do futebol Mundial.
2015-09-17
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- Leo Bonatini fez ao Sp. Braga o sexto golo com a camisola do Estoril. Todos em casa. Esta época já tinha marcado ao Moreirense, na anterior fez golos ao Arouca, à Académica, ao Penafiel e ao Boavista.   - As expulsões de Mauro e Boly, no Estoril, fizeram do Sp. Braga a primeira equipa a ver dois vermelhos num jogo na atual Liga. A última vez que tal sucedera aos bracarenses foi a 24 de Abril, no empate em casa frente ao Belenenses, com vermelhos a Pedro Santos e Pedro Tiba.   - Mauro foi expulso pela segunda vez na equipa principal do Sp. Braga e o curioso é que as duas aconteceram nos últimos três jogos que fez como titular: este e a final da Taça de Portugal, frente ao Sporting. Pelo meio escapou a qualquer punição disciplinar na receção ao Boavista.   - Artur Soares Dias não expulsava dois jogadores na mesma partida da Liga desde 12 de Abril de 2014, quando mostrou duplo amarelo a Malonga e vermelho direto a Deyverson, num Belenenses-V. Guimarães que acabou com 3-1 favorável aos azuis.   - O V. Setúbal marcou sempre pelo menos dois golos nos quatro jogos da Liga, mas só ganhou um, empatando dois e perdendo o último, por 5-2 frente ao Marítimo. Os nove golos sofridos nas primeiras quatro jornadas não são, ainda assim, um registo tão mau como o apresentado há dois anos, em que Kieszek e Adilson Jr. já tinham ido buscar a bola ao fundo das redes por dez vezes nos primeiros quatro jogos.   - Ao fazer dois golos nos 5-2 do Marítimo ao V. Setúbal, o arménio Ghazaryan obteve o primeiro bis da sua carreira desde um hat-trick nos 7-0 com que o Mettalurg Donetsk goleou o Celik, do Montenegro, na segunda pré-eliminatória da Liga Europa de 2012/13, a 19 de Julho de 2012.   - No mesmo jogo também bisou o brasileiro Dyego Souza, cujo último bis tinha sido ao serviço do Portimonense, na II Liga, a 16 de Março de 2014. Fê-lo numa vitória sobre o Marítimo B (2-1). Repetidos desse jogo em campo no domingo só mesmo Dyego Souza e Fransérgio, que subiu à equipa principal verde-rubra.   - O segundo 0-0 seguido na Liga para o U. Madeira, desta vez contra o Moreirense, vale ao jovem guarda-redes André Moreira a maior série de imbatibilidade da atual Liga. São já 231 minutos sem sofrer golos, desde que foi batido por Soares, do Nacional, na segunda jornada. Supera os 184 estabelecidos por Bracalli até ao golo de Bruno Moreira (P. Ferreira), na terceira.   - Danielson, do Moreirense, cumpriu o 200º jogo na Liga, dos quais só 38 foram ao serviço do atual clube (tem 26 no Gil Vicente, 55 no Nacional, 40 no Paços de Ferreira e 41 no Rio Ave). É, ainda, o jogador de campo que há mais tempo joga consecutivamente, sem falhar um minuto na Liga. Fá-lo desde que foi substituído por Simy, aos 68 minutos de uma derrota do Gil Vicente em Arouca (1-0).   - O Nacional venceu a Académica por 2-0 e ainda não sofreu golos na Choupana esta época. O último a marcar ali foi Bernard, então no V. Guimarães, num empate a dois golos a 11 de Maio.   - A derrota significa que a Académica, que ainda soma zero pontos, vai registando o pior início de temporada desde 1977. Na altura – em que os tempos revolucionários levaram à mudança temporária de nome, para Académico – os conimbricenses perderam com Riopele (fora, 0-2), Sporting (casa, 1-5), Belenenses (fora, 0-2) e V. Guimarães (casa, 1-3). Só pontuaram à sexta jornada, batendo o Boavista em casa por 3-2. Mantendo sempre Juca como treinador, acabaram o campeonato em oitavo lugar.   - João Real somou o 100º jogo na Liga, 69 dos quais pela Académica. Tem ainda mais 31 pela Naval, onde chegou depois de vários anos nas divisões secundárias, a representar o Sp. Covilhã.   - Embora a questão não seja alvo de unanimidade, Edu Machado, do Tondela, fez o segundo autogolo da Liga, depois de outro da autoria de Gonçalo Brandão, do Belenenses. O V. Guimarães, que beneficiou do golo na própria baliza de Edu Machado para obter a primeira vitória da época, não tinha um autogolo a favor na Liga desde que Maurício (Sporting) também fez um na derrota leonina no D. Afonso Henriques por 3-0, a 1 de Novembro do ano passado.   - O Paços de Ferreira ganhou fora ao Boavista graças a um golo de Diogo Jota, o primeiro que ele faz esta época e o quinto desde que foi promovido aos seniores do clube da capital do móvel. Sempre que ele marca, o Paços ganha. Já tinha sido assim na época passada, nos 4-0 ao Reguengos, nos 9-0 ao Riachense (ambos para a Taça de Portugal) e nos 3-2 à Académica (jogo no qual bisou).
2015-09-14
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