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Dizer que o Benfica médio de Nápoles não foi tão mau como os quatro golos sofridos em menos de uma hora parecem fazer crer é como dizer que o Benfica médio da época passada não foi tão bom como os 88 pontos que somou na tabela final da Liga parecem dar a entender. E é tão profundo na análise como seria afirmar que Rui Vitória errou na escolha do onze só porque os dois jogadores que hoje sacrificou à vontade de dar à equipa mais algum controlo – Salvio e Gonçalo Guedes – acabaram por entrar e fazer os golos com que a equipa transformou um resultado catastrófico numa derrota apenas preocupante. Os 4-2 de Nápoles revelaram fundamentalmente duas coisas. Primeiro, uma propensão para o erro, sobretudo nas bolas paradas defensivas, que o Benfica já mostrara em jogos anteriores – a maior parte dos golos sofridos pelos encarnados esta época nasceu de bolas paradas. E depois um adversário mais matreiro e com maior taxa de acerto do que a maioria das equipas que o Benfica já tinha defrontado até aqui e que por isso mesmo foi capaz de transformar um superior volume de jogo em golos. Porque se Rui Vitória começou o jogo com André Almeida ao lado de Fejsa, de forma a que ambos pudessem ser auxiliados por André Horta, que partia de uma posição mais avançada – a de Jonas, que vem sendo ocupada por Gonçalo Guedes – foi por reconhecer que o Benfica tem tido problemas para controlar o ritmo dos jogos a meio-campo. É verdade que também não controlou este e que, genericamente mais atrás no campo, acabou por ver os erros cometidos transformados em golos. Hamsik fez o 1-0 logo aos 20’, de cabeça, num canto em que Fejsa se mostrou pouco agressivo no ataque à bola no primeiro poste. Ao intervalo, esperar-se-ia que Rui Vitória despertasse Carrillo, em sub-rendimento na esquerda do ataque, e que a equipa se juntasse para lutar pelo empate, mas o que se viu foram mais três golos do Napoli. Em sete minutos, Mertens fez o 2-0 num livre muito bem batido, Milik aumentou para 3-0 de penalti e Mertens chegou aos 4-0, num lance do qual Júlio César dai mal-visto, por ter falhado a interceção de um cruzamento que era dele. Com a discussão do resultado arrumada, Rui Vitória ainda fez entrar Salvio e Gonçalo Guedes, atenuando o resultado de 0-4 para 2-4 com dois golos dos dois suplentes, a dar sinal de uma atitude mais agressiva do Benfica, mas também da natural diminuição de intensidade de um Napoli que chegou aos seis pontos e encara a jornada dupla com o Besiktas na perspetiva de carimbar o apuramento. Para o Benfica, pelo contrário, os dois jogos com o Dynamo Kiev serão uma espécie de última praia, na qual um mínimo de quatro pontos se exige para entrar na fase decisiva em condições de discutir a passagem à fase seguinte.
2016-09-28
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Um Sporting poupado, tanto nos golos como na exibição que assinou na segunda parte, chegou para ganhar por 2-0 ao Legia Varsóvia, a pior equipa do grupo na Champions, e entrar na dupla jornada contra o Borussia Dortmund com os alemães à vista na tabela. Bryan Ruiz e o inevitável Bas Dost fizeram dois golos em nove minutos, no melhor período dos leões, que depois, ainda antes do intervalo, fecharam a loja e deixaram que o campeão polaco revelasse alguma vulgaridade: nem com os leões em ritmo de treino o Legia foi capaz de ameaçar discutir o resultado. Notava-se, de início, que o Legia vinha com duas ideias fixas: pressionar a saída de bola leonina, sobretudo quando ela era feita por William Carvalho, e quando recuperava a iniciativa mais atrás, explorar as costas dos laterais adversários com passes rápidos. Isso chegou para que os leões – ontem escalados com Bruno César como segundo avançado, num onze mais conservador do que o habitual – tivessem dúvidas. Mas só por uns minutos. Assim que acertou posicionamentos, a equipa dirigida por Raul José encostou o adversário à sua baliza, raramente o deixando sequer passar a linha de meio-campo. Gelson surgia ao nível habitual, imparável na direita, e tanto Adrien como Bryan Ruiz se aproximavam com critério de Bas Dost, o pivot ofensivo do esquema. Como resultado disso, acumulavam-se as ocasiões de golo na baliza de Malarz. Antes do 1-0, Gelson já tinha acertado na barra, numa finalização de baliza aberta, e tanto Dost como Adrien e Ruiz tinham estado também perto do golo. O golo de Ruiz, mesmo nascido de um mau corte de um polaco, justificava-se, o mesmo sucedendo com o segundo, que Dost marcou nove minutos depois, após bela abertura de Adrian. Até ao intervalo, Coates ainda obrigou o guardião Malarz a uma grande defesa, para evitar o 3-0, o mesmo tendo acontecido logo a abrir a segunda parte com Adrien. Só que aí já o Sporting entrara em modo de poupança. Os leões chamaram ao campo Markovic, Campbell e até Petrovic, acabando o jogo num assumido 4x2x3x1, revelando que não estavam assim tão interessados em correr riscos para ir à procura do 3-0. Com mais bola, o Legia também não foi capaz de deixar sequer a sensação de que podia vir a discutir o jogo: teve uma ocasião de perigo, por Radovic, mas a bola saiu ao lado da baliza de Rui Patrício. Terá de melhorar muito o Legia se quer evitar uma dupla goleada nos jogos com o Real Madrid que aí vêm. Ao mesmo tempo, o Sporting vai tentar discutir a qualificação com o Borussia Dortmund. Sem poupanças, nesse caso.
2016-09-28
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Não foi convincente o discurso de Nuno Espírito Santo na sequência da derrota do FC Porto em Leicester. Não é uma anormalidade perder por 1-0 no relvado do campeão inglês, mais a mais quando o FC Porto nunca tinha ganho em Inglaterra, e apesar de entrar na terceira jornada com apenas um ponto este nem sequer é o início de Champions do qual seja impossível recuperar, tendo em conta que aí vêm os dois jogos com o acessível Brugge, dos quais em condições normais os dragões retirarão o pleno de pontos. Mas ao treinador cabe perceber que o problema não foi a equipa não ter sido “mandona”, ter-lhe faltado “confiança” ou “eficácia” ou ainda ter sido pouco “madura”. O problema é que essa tem sido uma avalição recorrente e nasce da demora da equipa a assimilar princípios de jogo atacante. Objetivamente, mesmo tendo em conta que esta foi apenas a quarta vitória em dez jogos para o Leicester desta época, o FC Porto perdeu um jogo com normalidade. Fez uma primeira parte fraca, na qual um erro de Marcano e Felipe deu a Slimani o único golo do jogo: o espanhol estava mal posicionado no momento do cruzamento de Mahrez e o brasileiro permitiu que o ex-avançado do Sporting se lhe antecipasse no ataque à bola, que pelo caminho já tinha passado por Vardy. Depois, a perder, com Herrera, Corona e Jota, o FC Porto melhorou, é verdade. E isso, o facto de a equipa acabar quase sempre bem os seus jogos, quando o treinador recorre às alternativas, também devia ser motivo de reflexão. Se Nuno se queixa de falta de maturidade, por que não joga Herrera? Se se queixa de falta de eficácia e de golo, porque estão de fora jogadores que têm golo nas botas, como Corona – oito golos na época passada – ou Jota – que fez 14 no Paços de Ferreira? O extremo mexicano ainda meteu uma bola no poste da baliza de Schmeichel, já perto do fim, e esse lance, a somar a uma tentativa de chapéu de André Silva que saiu ao lado, logo no início da partida, foi um oásis em mais uma noite de pouca produção atacante da equipa portista. O Leicester também não fez muito mais, é verdade. Mas estranho será olharmos para os dois onzes, ou para os dois plantéis, e de repente acharmos que os ingleses tinham jogadores internacionalmente mais experientes, com mais capacidade para serem mandões ou, face ao terrível início de época que estão a viver, mais confiantes. A questão é que ao FC Porto falta ainda assimilar um plano de jogo em posse. O Leicester também o não tem? Mas o Leicester joga simples e grosso e nem quer saber disso. Ao FC Porto não tem faltado confiança, eficácia ou maturidade. Falta-lhe convicção.
2016-09-27
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Portugal é campeão da Europa e ganhou o campeonato jogado em França há menos de três meses com sangue novo no onze e sobretudo nos 23, pelo que mencionar a hipótese de renovação é sempre complicado e sujeita quem levantar o dedo para falar a levar como resposta que ela já está a ser feita. Mas as equipas renovam-se. Mesmo as que ganham. E as melhores renovações são aquelas que nem precisam de debate. É por isso que nem o facto de a taça ainda não ter acumulado pó suficiente para justificar que se lhe passe o pano inibiu Fernando Santos de chamar André Silva ao grupo na viagem à Suíça. E que se tudo correr dentro da normalidade o duplo confronto com Andorra e as Ilhas Faroe pode motivar mais três ou quatro adições ao grupo: Gelson Martins, Pizzi, Ruben Semedo e Nelson Semedo. Parece-lhe demasiado? Olhe que não. Sabia por exemplo quantos jogadores Luiz Felipe Scolari mudou entre a equipa que chegou às meias-finais do Mundial de 2006 e a que foi à Suíça jogar o Europeu de 2008? Foram 12. E acha que foi porque aquela seleção já era veterana e por isso era necessário pensar em renovação? Olhe que se engana. Porque em 2010, no momento de convocar para o Mundial da África do Sul, Carlos Queiroz mudou outros 12 nomes nos 23. E em 2012, quando fez a sua lista para o Europeu da Polónia e da Ucrânia, Paulo Bento voltou a fazer muitas mudanças – se arriscou vaticinar que foram doze, acertou em cheio. O doze não é nenhuma espécie de número mágico para esta conversa, mas serve de referência para que julguemos que a partir desse momento a equipa entrou numa espécie de estagnação. Paulo Bento só mudou sete homens na lista que elaborou para o Mundial do Brasil, em 2014, e face à pobreza dos resultados todo o país passou a achar que ele foi conservador demais. Fernando Santos voltou ao ritmo anterior, mudou onze convocados para 2016 e a seleção ganhou o Europeu. Quer isto dizer que, em condições normais, André Silva não será a única novidade de Portugal na fase final do Mundial de 2018 – se, como se espera, a seleção lá chegar. Já se viu que o ponta-de-lança do FC Porto tem qualidade para a equipa nacional, embora ainda não tenha sido possível testar algo que defendo desde antes do Europeu – que ele é o parceiro ideal para o Ronaldo dos dias de hoje na frente de ataque, porque faz tudo o que o CR7 deixa por fazer. Pressiona sem bola, dá profundidade, luta no corpo-a-corpo, o que já de si vem tornar algo irrelevante se faz poucos ou muitos golos. E ele por acaso até tem feito muitos. Esta semana, Jorge Jesus veio apresentar formalmente mais uma candidatura à próxima convocatória de Fernando Santos. Disse o treinador do Sporting que não há no futebol português nenhum jogador com as caraterísticas de Gelson Martins e tem razão, porque Gelson alia a criatividade de Quaresma em situações de um para um à velocidade que já vai faltando ao Mustang do Besiktas e que entre os mais jovens atacantes nacionais só se encontra, por exemplo, em Rafa. É uma mistura de tal forma explosiva e que foi de tal modo impactante, por exemplo, no Santiago Bernabéu, quando o Sporting lá defrontou o Real Madrid, que estranho seria que Fernando Santos se privasse de a ver em ação. Acontece que não é por ter tido o seu treinador a fazer lobby por ele que Gelson terá de estar sozinho como novidade na próxima convocatória. Pizzi continua a ser, juntamente com João Mário, o melhor médio nacional a articular jogo exterior com jogo interior. Se com Jesus jogava no corredor central – foi a resposta possível à saída de Enzo Pérez a meio de uma época –, com Rui Vitória o transmontano tem sido sempre o médio-ala que mais frequentemente usa o cérebro para se juntar aos colegas do corredor central quando é necessário restabelecer equilíbrios. Entre os médios portugueses, só João Mário o faz melhor, pelo que custa a entender que continue a ser deixado de parte quando se juntam os melhores executantes nacionais. Como custará entender que Ruben e Nelson Semedo fiquem fora da próxima lista. O lateral do Benfica, vigoroso na forma como enche todo o corredor direito, pode até esbarrar no facto de haver boas opções para a sua posição entre os campeões da Europa, mas o central do Sporting, veloz e forte no desarme e na antecipação como mais nenhum outro jogador da sua geração, até ocupa a posição mais necessitada de renovação na equipa campeã europeia. Ricardo Carvalho, aos 38 anos, está sem clube; Bruno Alves (34), Pepe (33) e José Fonte (32) também já não vão para novos, pelo que parece mais ou menos evidente que em 2018 haverá pelo menos um novo central português no Mundial. A ideia é dar-lhe rodagem.
2016-09-26
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Rui Vitória lembrou esta semana que a máquina do Benfica anda a trabalhar sem várias peças, que espera recuperar em Outubro, mas a verdade é que mesmo sem elas a equipa continua isolada na frente do campeonato. E isso deve-se muito a tardes como a de hoje, nas quais a máquina mostra eficácia máxima nas bolas paradas. De visita a um Chaves tão competente como o seu treinador, Jorge Simão, o Benfica obteve uma complicada vitória por 2-0, graças a mais dois golos nascidos nas bolas paradas: livre lateral de Grimaldo para um ligeiro desvio de Mitroglou, a 20’ do fim, e livre direto do mesmo Grimaldo à barreira, para a rcarga de Pizzi, aos 84’. Esta tem sido, aliás, a receita que o Benfica tem aplicado neste início de campeonato sem asa tais peças que lhe confiram maior qualidade: marcou de bola parada em todas as deslocações, sendo que em duas delas (Nacional e agora Chaves) foi mesmo assim que se adiantou no marcador. Aliás, no jogo de hoje, foi sempre de bola parada que mais ameaçou a baliza de António Filipe: mesmo com dificuldades para evitar que os três médios do Chaves (Assis, Battaglia e Braga) se superiorizassem no corredor central a André Horta e Fejsa, dessa forma gerando várias situações prometedoras que os flavienses desperdiçavam por falta de qualidade no último passe, o Benfica foi tendo as melhores ocasiões de golo até à ponta final da primeira parte. Mitroglou obrigou António Filipe a defesa apertada na ressaca a um livre, logo aos 17’, e Lisandro, na sequência de um canto da esquerda, voltou a cheirar o golo, aos 20’. Não era, porém, um Benfica consistente. As triangulações do Chaves libertavam quase sempre alguém para cruzar – porque Pizzi e Salvio eram muitas vezes chamados a tentar equilibrar ao meio em transição defensiva –, fossem Fábio Martins ou Nelson Lenho na esquerda ou o sempre ofensivo Paulinho à direita. E na sequência de um desses lances, a equipa da casa perdeu por três vezes o golo inaugural, aos 41’: Braga e Fábio Martins acertaram ambos no mesmo poste da baliza de Ederson, tendo depois Rafael Lopes feito a recarga de baliza escancarada ao lado. O Chaves, porém, voltou menos forte para a segunda parte e o jogo entrou num impasse até ao momento em que Mitroglou fez o 1-0, aparecendo no fim de um livre de Grimaldo que nascera de uma falta cometida por João Mário, a seta que Jorge Simão lançara na esquerda para voltar a aparecer nos metros finais do campo. Saiu-lhe mal a receita. A ganhar, o Benfica passou a sentir-se mais à vontade. Simão ainda tentou virar o jogo, chamando a ele Vukcevic para apoiar Rafael Lopes, mas Rui Vitória fechou a partida chamando Cellis para o lado de Fejsa, passando a poder explorar o espaço no meio-campo ofensivo como nunca conseguira até aí. Foi, ainda assim, noutra bola parada que fez o golo da tranquilidade, aos 84’: o livre de Grimaldo, quase em cima da linha de área, bateu na barreira, mas Pizzi estava na meia-lua à espera disso mesmo e teve todo o tempo para colocar a bola rasteira junto ao poste da baliza de António Filipe. Estava definida a atribuição dos pontos e a primeira derrota do Chaves neste campeonato, bem como o regresso do Benfica à liderança. Quando ainda está à espera de peças.
2016-09-24
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Mais uma noite fulgurante de Gelson Martins, desta vez bem acompanhado pela certeza na finalização de um Bas Dost que começa a ser solução, valeu ao Sporting uma vitória tranquila sobre o Estoril, à qual só uma meia-hora de descompressão final deu números ainda assim equilibrados: o 4-2 definitivo, com três golos nos últimos cinco minutos (dois deles para os visitantes), reflete tanto o amplo domínio que os leões exerceram sobre o adversário até ao momento em que Jorge Jesus deu descanso a alguns titulares como a total desconcentração da equipa na ponta final da partida. Gelson mereceu bem as palavras que Jesus lhe endereçou na flash-interview: está numa forma impressionante, não só pela velocidade que imprime ao jogo, mas também pela capacidade que revela no um para um e às vezes até no um para dois. Com ele colado à direita, o treinador do Sporting sabe que tem uma fonte permanente de desequilíbrio, bastando-lhe depois somar um finalizador e juntar a tudo uma equipa concentrada e taticamente bem colocada no terreno. Foi por isso que, tirando uma investida logo aos 4’, na qual criou alguma sensação de perigo na esquerda do seu ataque, o Estoril só voltou a aproximar-se da área leonina quando já perdia por 3-0. E mais podiam ter sido se Bryan Ruiz não estivesse num daqueles dias de perder golos cantados. É verdade que o Sporting marcou bastante cedo, num lance que pode tornar-se típico no futebol dos leões: desequilíbrio de Gelson na direita, cruzamento para a área, onde Bas Dost se antecipou a Lucas Farias e marcou de cabeça. Apesar de ainda faltar mais de meia-hora para o intervalo e de o jogo se desenrolar todo o meio-campo do Estoril – muito bem os dois centrais leoninos, a jogarem em antecipação e a não deixarem que os adversários construíssem os seus contra-ataques – o resultado não sofreu alterações antes do descanso. Bryan Ruiz pode explicar porquê: teve uma bola a saltitar à entrada da pequena área mas chutou-a para a bancada, perdendo o 2-0. Com André em vez de Alan Ruiz, que desperdiçou mais 45 minutos no onze titular para causar boa impressão, o Sporting entrou forte na segunda parte, chegando aos 3-0 por volta da hora de jogo. Marcou primeiro Coates, de cabeça, após canto de Bryan Ruiz, tendo depois Bas Dost bisado, na conclusão de um contra-ataque à Slimani: recuperação de Gelson, tabela entre André e William, que colocou a bola na profundidade, onde o holandês a foi buscar e bateu Moreira. Fabiano Soares preparava-se para tentar discutir o jogo quando levou com este golpe duplo, mas as entradas de Gustavo e, sobretudo, de Bruno Gomes – que substituiu o ponta-de-lança Paulo Henrique – ainda haviam de dar os seus resultados. Antes disso, porém, foi o Sporting quem perdeu por duas vezes a possibilidade do 4-0: primeiro André, aos 74’, após jogada entre Gelson e Markovic; depois William, aos 78’, após tabela com Gelson; e por fim Bryan Ruiz, aos 81’, a ver Moreira tirar-lhe o golo com o pé. Jesus, nessa altura, já substituíra jogadores fundamentais. Bas Dost e Adrien já viram do banco a forma como os dois suplentes do Estoril combinaram para reduzir a desvantagem: cruzou Gustavo, para uma bela finalização de Bruno Gomes, que por fim conseguiu chegar a uma bola antes de Ruben Semedo. Faltavam cinco minutos para o fim e o golo de André, a passe de Bryan Ruiz, acabava com quaisquer veleidades que os canarinhos ainda tivessem de vir a discutir o resultado, mas não com a possibilidade de lhe dar um cariz mais equilibrado: Bruno Gomes ainda bisou, após um canto em que toda a equipa do Sporting já estava a pensar no Legia de Varsóvia. Com quatro dias de avanço.  
2016-09-24
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A qualidade individual de Otávio e a movimentação sempre inteligente de André Silva, hoje bem complementado por Adrián López, permitiram ao FC Porto ultrapassar o obstáculo constituído por um Boavista que nunca mostrou grande futebol mas teve a capacidade para manter o resultado em aberto até aos últimos minutos. O 3-1, marcado a quatro minutos do fim, quando os axadrezados apostavam num jogo partido, com bola cá-bola lá, permitiu a justa atribuição dos três pontos à equipa de Nuno Espírito Santo, mas a demora no golo da tranquilidade e uma segunda parte muito desinspirada dos dragões não afastaram as nuvens negras do horizonte antes da visita a Leicester, em importante desafio da Liga dos Campeões marcado para terça-feira. Nuno Espírito Santo apostou num 4x4x2 com maior preenchimento do corredor central, pois nele não entraram extremos: a largura era dada pelos dois defesas-laterais e pelas saídas da área dos dois pontas-de-lança, os móveis André Silva e Adrián López, que substituiu o belga Depoitre, nulo no jogo de Tondela. Adrián procurava muito a esquerda, dessa forma compensando as constantes diagonais de Otávio para o meio, nas quais o jovem brasileiro se mostrava o melhor portista na difícil arte de queimar linhas com bola. E isso tornou-se tanto mais importante quanto o início de jogo foi complicado para a equipa da casa, uma vez que o Boavista marcou na primeira vez que chegou perto da baliza de Casillas, logo aos 5’: livre de Fábio Espinho e cabeça de Nuno Henrique para o 0-1. A ganhar desde tão cedo, não se percebeu bem se o Boavista trazia algum plano de jogo a não ser o de impedir os ataques portistas. A equipa de Sánchez juntava linhas perto da área, mostrava um Idris em momento pujante, mas raramente conseguia ligar-se aos jogadores da frente – só Bukia se mostrou, em noite anónima de Iuri Medeiros e Digas. O FC Porto, com Oliver mais atrás do que o habitual e André André a procurar também o corredor central a partir da direita, só entrava na organização defensiva adversária em bolas paradas – dois quase-golos de Danilo, ainda na primeira parte – ou nas tais arrancadas de Otávio. Foi o jovem brasileiro quem descobriu André Silva para o golo do empate, aos 19’, e foi ainda ele quem, numa mudança de velocidade, forçou uma falta de Nuno Henrique junto à linha de fundo. No penalti correspondente, André Silva bisou e colocou o FC Porto na frente do marcador, ainda antes do intervalo. Foi aquilo de que o FC Porto precisou para baixar o ritmo do jogo numa segunda parte que foi correndo mais sonolenta. Foi interessante a entrada de Diogo Jota para o lugar de Adrián, pois permitiu ao jovem português mostrar a rapidez de processos e o descaramento para finalizar que lhe permitirão voar alto, mas o jogo estava por essa altura mais dividido do que seria de supor. Com Schembri em vez de Iuri Medeiros e a subida de rendimento de Fábio Espinho, o Boavista foi ganhando chegada à frente e, mesmo sem ocasiões claras de golo, manteve o suspense no resultado até ao minuto 86, quando um cruzamento de Alex Telles acabou no fundo das redes, fruto de uma intervenção desastrada do guardião Agaev. Estava resolvido o jogo e os dragões podiam finalmente pensar na Champions. Se é que não era já por lá que tinham a cabeça antes disso.  
2016-09-23
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Um regresso feliz de Mitroglou ao onze ajudou o Benfica a vencer o Sp. Braga por 3-1 e a isolar-se na frente da classificação da Liga, à quinta jornada. Um bis do grego, somado a um golo de Pizzi, transformou um desafio que se antevia – e que foi… – difícil numa vitória que até permitiu alguma descompressão no final, quando a margem de manobra cresceu e o desgaste do adversário também. Até ao momento em que o Benfica acabou com o jogo, com dois golos de rajada, à entrada para os últimos 20 minutos finais, porém, quase que se via a repetição da partida da Supertaça, com a eficácia na finalização a fazer a diferença entre as equipas de Rui Vitória e José Peseiro. O jogo começou a um ritmo alucinante, o que à partida parecia ser melhor para os donos da casa do que para os visitantes, que tinham menos dois dias de recuperação desde a sua partida europeia. O Benfica, com Mitroglou à frente de Gonçalo Guedes, a alargar o espaço disponível pela forma como busca a profundidade, era melhor com bola do que sem ela: o seu meio-campo ligava bem o jogo ofensivo mas, até pela baixa de Fejsa em momento de construção, era pouco agressivo em transição defensiva, permitindo que o jogo se disputasse muito na largura e na capacidade que ambas as equipas mostravam para encontrar o corredor contrário ao da bola. E aqui invertiam-se os papéis: o 4x2x3x1 do Sp. Braga, com Vukcevic sempre bem no passe e os dois extremos (Pedro Santos e Wilson Eduardo) inteligentes na forma de variar centro de jogo, conseguia expor vulnerabilidades no Benfica e transformar o desafio num jogo de transições que convinha menos aos donos da casa. Nessa altura, só a noite seguríssima de Júlio César evitou males maiores para o Benfica. As ocasiões de golo sucediam-se, nas duas balizas. Mitroglou chutou ao lado da entrada da área aos 2’, respondeu Hassan falhando o alvo depois de isolado frente a Júlio César, aos 4’. O guarda-redes do Benfica tirou um golo cantado a Pedro Santos aos 5’, sendo imitado por Marafona, que deteve um remate perigoso de Salvio aos 12’. Nessa altura, Marafona lesionou-se, o jogo esteve interrompido e da pausa saiu melhor o Benfica, que inaugurou o marcador aos 27’, numa arrancada de Guedes que Mitroglou transformou no 1-0, depois de ser o mais rápido a adivinhar onde ia cair o cruzamento. Até ao intervalo, o Sp. Braga ainda obrigou Júlio César a mais duas defesas providenciais, a remates de Pedro Santos (aos 37’) e Rosic (num canto, aos 45’), mas a equipa de Peseiro já não regressaria tão forte para o segundo tempo. Fosse por causa do desgaste da partida de quinta-feira ou devido às correções feitas ao intervalo por Rui Vitória, a verdade é que passou a pairar na Luz a ideia de que estava mais perto o 2-0 que o 1-1. Guedes, de livre, ainda obrigou Marafona a uma extraordinária defesa, num livre que ainda desviou na barreira, como que a prenunciar que um ressalto acabaria por resolver o jogo. Foi o que aconteceu aos 74’, quando um atraso de Mitroglou bateu no bracarense Douglas Coutinho e ganhou a direção da área, onde Pizzi estava sozinho e aproveitou para fazer o 2-0. A desorientação bracarense conduziu ao terceiro golo, apenas quatro minutos depois, obra de Mitroglou, de cabeça, após uma insistência de Pizzi na esquerda. E o resultado só não foi o mesmo da Supertaça porque, mesmo em cima do minuto 90, Rosic melhorou o que tinha feito a fechar a primeira parte, cabeceando para golo um canto de Wilson Eduardo. O jogo fechava, ainda assim, com a vitória do Benfica, uma vitória que, mesmo no meio de tantas lesões, deixa os tricampeões nacionais isolados na frente da tabela. Rui Vitória não valorizou este aspeto, mas certamente que não o desprezaria se alguém lho antevisse antes deste atribulado arranque de campeonato. Ainda há muitos jogos para fazer, alguns pontos para perder, mas a tendência normal com o regresso dos titulares é que este Benfica fique mais forte.
2016-09-19
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Jorge Jesus já devia saber que quando faz aquele barulho, como que a espremer a língua entre os dentes para pontuar uma tirada bombástica, é porque não vem aí coisa boa. Quando resolveu concluir um debate acerca da melhor equipa ou do melhor plantel do campeonato com mais uma tirada de auto-elogio absolutamente desnecessária, dizendo que “quem faz a diferença é o treinador”, esqueceu-se que a realidade pode sempre encontrar formas de contrariar a teoria. Porque, sim, otreinador faz diferença, mas não a faz só de uma maneira. E quem faz sempre a diferença, em todos os momentos, são os jogadores que esse treinador leva a jogo.Jesus costuma fazer a diferença de várias formas. Faz a diferença a trabalhar a equipa ao longo da semana, criando comportamentos defensivos e movimentações ofensivas difíceis de contrariar. Por isso o seu Sporting cresceu até aos 86 pontos na Liga passada ou se superiorizou ao Real Madrid na quarta-feira, antes de um final de jogo que lhe foi fatal. Depois, faz a diferença no banco, com a pressão permanente sobre os jogadores exercida desde a linha lateral, fazendo crescer a concentração e baixar o total de erros. Faz ainda a diferença nas coisas que diz, aqui nem sempre uma diferença positiva, deixando no ar a dúvida acerca dos intuitos dessa comunicação: estratégia ou incontinência? E ontem, em Vila do Conde, fez ainda a diferença numa avaliação errada, tanto do estado em que se encontravam os seus jogadores depois do jogo intenso que tinham feito no Santiago Bernabéu como das armas do Rio Ave, que dinamitou de forma irreparável o flanco esquerdo leonino em 45 minutos. Porque desde os primeiros instantes do jogo se percebeu que Gil Dias ganhava sempre em velocidade ao improvisado lateral-esquerdo que é Bruno César, ainda por cima muito mal apoiado por Campbell, ou que André e Alan Ruiz não estavam a cumprir a tarefa de pressionar a saída de bola do adversário, permitindo ao Rio Ave um jogo fluído.Nessa altura, quem fez a diferença foi Nuno Capucho, que percebeu o que ali estava e meteu naquele lado direito uma gazua capaz de abrir a defesa do Sporting e de chegar a um 3-0 de que os leões já não recuperaram. Mais ainda. Quem fez a diferença foi Gil Dias, porque os treinadores só fazem verdadeiramente a diferença no mais longo prazo e quem decide jogo a jogo são os futebolistas. É por isso que o debate que motivou toda esta polémica foi lançado em bases erradas. Tudo nasceu, recorde-se, numa pergunta feita a Jorge Jesus: “o Sporting tem o melhor plantel da Liga?” E se é verdade que o Sporting tem um plantel melhor do que tinha na época passada, ao nível do grupo do Benfica na profundidade das opções à disposição do treinador, também é certo que os leões têm neste momento pior onze do que tinham na Liga anterior. Jesus, que respondeu dizendo que uma equipa orientada por ele será sempre a melhor, porque “quem faz a diferença é o treinador”, esqueceu-se que muitos dos jogadores que ia levar a jogo em Vila do Conde ainda não estavam familiarizados com o processo de jogo que ele trabalha e que, no médio e longo prazo, sim, pode fazer mesmo a diferença. Mas para já não fazem, porque se Gelson ainda disfarça a saída de João Mário, ninguém está à altura do rendimento de Slimani e não há quem dê à equipa o que lhe dá Bryan Ruiz (ontem suplente) na esquerda do ataque.A explicar o banho de humildade a Jesus esteve a rotação na equipa, com a saída de quatro titulares de Madrid, numa inversão da lógica que presidiu à época passada, na qual os leões guardavam as melhores opções para a Liga portuguesa e andavam pela Liga Europa com segundas escolhas. Ainda por cima segundas escolhas bem mais fracas do que as de agora – daí a chapa três na Albânia, frente ao Skenderbeu, por exemplo. Mas esteve também o facto de os jogadores ontem utilizados na frente, que é onde está a base de qualquer equipa de Jesus, ainda não terem tempo suficiente de trabalho para compreenderem como hão-de fazer a diferença naquela organização. É por isso que este Sporting tem melhor plantel do que em 2015/16, mas ainda tem pior equipa. Se vai chegar ao nível exibido na época passada ou não, isso sim, já dependerá da capacidade do treinador. Sendo que o direito ao erro ficou ontem mais reduzido.
2016-09-19
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Último Passe

Quarenta e cinco minutos calamitosos, ao nível apenas do que se tinha visto ao Sporting de Jorge Jesus na Albânia, frente ao Skenderbeu, na época passada, custaram aos leões uma desvantagem de três golos ao intervalo frente a um Rio Ave competente, organizado e inteligente a aproveitar as debilidades do adversário e impediram o líder do campeonato de pontuar em Vila do Conde. O 3-1 final, nascido da incapacidade leonina para pressionar e para fechar o flanco esquerdo face à velocidade de Gil Dias, foi um banho de humildade para Jesus, que fechara a semana com declarações de peito cheio mas teve depois um encontro imediato com uma realidade mais sombria do que ele a pintou: este Sporting não é ainda a equipa que pode ser. A derrota, que deixa o Sporting à mercê do que fizerem Benfica e Sp. Braga no encerramento da quinta jornada da Liga – se algum dos dois ganhar na Luz isola-se na frente – foi justíssima, por mais que tenha surpreendido a exibição pouco intensa e rigorosa da equipa lisboeta. Jesus sacrificou quatro titulares do Santiago Bernabéu – Bas Dost, Bryan Ruiz, João Pereira e Zeegelaar – apostando em André e Alan Ruiz para a frente de ataque e em Campbell para atacar na esquerda, à frente de Bruno César, que voltou a ser defesa-lateral. Do outro lado, Nuno Capucho optou por um 4x3x3 que metia o móvel Guedes em cunha na frente e abria o veloz Gil Dias na direita. E foi aí que começaram os problemas do Sporting: desde cedo se viu que Campbell não defendia e que, lançado nas costas de Bruno César, Gil Dias ganhava sempre em velocidade e abria uma avenida naquele lado. A ajudar à festa vila-condense, ninguém fazia a pressão que notabilizou Slimani: nem André nem Alan Ruiz se preocupavam em atrapalhar a construção de jogo do Rio Ave, como se viu, aliás, no lance do primeiro golo, em que o defesa-central Roderick avançou desde o seu meio-campo até à linha de fundo para ali descobrir Tarantini, que não perdoou. O golo surgiu, é verdade, num momento em que, passado o primeiro embate, o Sporting até já tinha conseguido equilibrar o jogo. André até tinha desperdiçado uma boa ocasião de desfeitear Cássio, permitindo, aos 22’, que este fizesse a mancha depois de um bom passe de Coates. Sete minutos depois, porém, Tarantini inaugurou o marcador. E outros sete minutos volvidos, aos 36’, Gil Dias teve no corredor central espaço para arrancar, correr umas dezenas de metros e solicitar a desmarcação circular de Guedes, que isolado ante Rui Patrício lhe meteu a bola no poste mais próximo. O 2-0 não resistiu muito tempo: foram mais sete minutos. Aos 43’, antes da saída para o intervalo, Gil Dias lançou Guedes na direita, este ganhou a linha de fundo e cruzou para o segundo poste, onde o mesmo Gil Dias tornava o jogo uma missão impossível para os leões. Ao intervalo, Jesus chamou a sua artilharia pesada: Bas Dost e Bryan Ruiz substituíram os desastrados Alan Ruiz e Campbell, mas, mesmo não tendo o Rio Ave voltado a beneficiar de situações de golo, a verdade é que a produção atacante do Sporting nunca atingiu o nível a que a equipa habituou os seus adeptos. Dost, de cabeça, aos 51’, e sobretudo Ruiz, de frente para a baliza, aos 62’, perderam as melhores oportunidades para relançar o jogo, o que levou Capucho a puxar os seus um pouco para trás, com as entradas de Pedro Moreira e João Novais. Quando chegou o golo leonino, marcado por Dost aos 82’, após assistência corajosa de Gelson (ainda assim, juntamente com Adrien um dos melhores do Sporting), já não havia tempo para pensar em pontos. Depois da derrota injusta do Santiago Bernabéu, o Sporting levou de Vila do Conde uma lição de humildade que não deve esquecer tão cedo e a certeza de que esta equipa ainda precisa de muito trabalho para igualar a da época passada.
2016-09-18
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Último Passe

O mesmo défice de criatividade que já lhe custara dois pontos na partida da Liga dos Campeões frente ao Copenhaga, no Dragão, voltou a impedir o FC Porto de vencer na deslocação a Tondela. Num jogo onde beneficiou de iniciativa atacante quase permanente e de amplo domínio territorial, atenuado apenas na segunda parte, quando o jogo partiu e o Tondela conseguiu meter no relvado alguns contra-ataques, a equipa de Nuno Espírito Santo não foi além de um 0-0 que a penaliza. Não foi um problema de esquema tático – voltou o 4x4x2 –, de eficácia ou de falta de homens ofensivos no onze. O que faltou mesmo foi a capacidade para criar desequilíbrios em ataque organizado. Perante um Tondela bem organizado defensivamente e sempre aguerrido, Nuno Espírito Santo voltou ao 4x4x2, juntando Depoitre a André Silva e entregando as faixas laterais ao regressado Brahimi e a Otávio. Os dois alas procuraram sempre o corredor central, para aí promoverem os tais desequilíbrios – algo que Otávio conseguiu sempre melhor do que Brahimi – e para deixarem as laterais aos ofensivos Layun e Alex Telles. Só que, apesar das tentativas de Ruben Neves desempenhar o papel de médio centro de uma forma mais atacante do que o habitual Danilo, os primeiros 45 minutos foram quase um deserto em termos de situações de perigo. De parte a parte: o FC Porto só entrou com perigo na área uma vez, num passe longo de Felipe a, que nem André Silva, primeiro, nem Depoitre, no aproveitamento do ressalto, deram o melhor seguimento. O Tondela, metido num 4x2x3x1 que tinha em Crislan um avançado capaz de segurar a bola e de esperar pela equipa, dando assim tempo aos homens mais recuados para respirar, ia ganhando confiança. E depois de Gonçalves ter procurado, sem sucesso, um dos ângulos superiores da baliza da Casillas, a segunda parte começou com uma equipa da casa mais afoita do ponto de vista atacante. Espírito Santo quis mudar o ataque, primeiro trocando Brahimi por Oliver – e desviando André André para a direita – e depois substituindo o desastrado Depoitre por Adrián López, mas a primeira situação de golo flagrante da partida foi a equipa da casa a perdê-la, quando Murillo se isolou na cara de Casillas e viu o remate esbarrar na mancha do guarda-redes espanhol. Aí, já com Corona em campo, o FC Porto acordou para dez minutos finais melhores, que certamente tiveram a ver também com a quebra física da equipa de Petit, que também perdera Kaká, o seu cérebro defensivo, por lesão. André Silva e Adrián López ainda chegaram com bola à cara de Cláudio Ramos, mas nas duas situações o guarda-redes do Tondela levou a melhor, segurando um 0-0 que manda uma mensagem para o balneário do Dragão. Para ganhar é preciso mais do que um sistema tático ou a acumulação de jogadores de ataque: eles têm de combinar no campo. E isso é que não se tem visto.
2016-09-18
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